O OVO DA SERPENTE

É difícil distinguir Bolsonaro de seus apologistas

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Jair Bolsonaro expôs nacos do seu pensamento num encontro promovido pela Associação Comercial do Rio de Janeiro. A certa altura, instado a comentar a atuação de movimentos como o MST e MTST, o presidenciável do PSC disse que seus integrantes devem ser tratados como “terroristas”.

”A propriedade privada é sagrada”, declarou Bolsonaro. “Temos que tipificar como terroristas as ações desses marginais. Invadiu? É chumbo!” Em aparente litígio com as leis vigentes, o ex-capitão defendeu até mesmo o uso de ”lança-chamas” para se contrapor aos invasores rurais e urbanos.

Havia na plateia algo como 300 empresários. Pagaram entre R$ 180 e R$ 220 para ouvir o candidato. Riram muito. Sobretudo nos instantes em que Bolsonaro, meio fora de si, mostrou o que tem por dentro.

O mal de as pessoas pagarem para rir de absurdos de um orador que plebeia o Planalto é o pessoal que passa não distinguir quem é quem.*

(*) Blog do Josias de Souza

POR ONDE ANDAM ESSES CANALHAS?

A esquerda e o silêncio sobre a tragédia da Venezuela

Por que ela se cala?

Se não condena, se pelo menos não critica, é porque a esquerda brasileira, ou a maior fatia dela, é insensível, ou concorda e até apoia o que acontece na Venezuela sob o governo do reeleito presidente Nicolás Maduro, o herdeiro do coronel Hugo Chávez.

Dela não se ouve uma única palavra de solidariedade aos venezuelanos que sofrem com a tragédia do seu país. Ali, entre 20015 e 2016, a mortalidade infantil aumentou 30,12%. Cerca de 30% dos médicos e enfermeiros emigraram. Faltam 80% dos remédios necessários.

A cesta básica que o Governo vende a preço controlado só chega a pouco mais de 12 milhões de pessoas, um terço da população. 64,3% dos venezuelanos entrevistados disseram ter perdido 11 quilos de peso em 2017. Isso significa que a maioria passa fome.

Lula e Chávez foram grandes amigos. Lula deve a Chávez uma milionária ajuda para que se elegesse presidente em 2002. O que Chávez morreu devendo a Lula não se sabe. Sabe-se que a Lula, Maduro deve o dinheiro da Odebrecht que irrigou sua penúltima campanha presidencial.*

(*) Blog do Ricardo Noblat

DESCULPAS ESFARRAPADAS

Sumiço dos recibos da obra de Maristela reforçam as suspeitas contra Temer

Ao apurar as falcatruas no setor portuário, a PF trombou com a estranha história de uma reforma na casa de uma das filhas de Temer, a psicóloga Maristela, em São Paulo.

LAVAGEM – A polícia suspeita que a obra seja fruto de esquema envolvendo o coronel João Baptista Lima Filho, amigo do peito do presidente e apontado como um possível elo de recebimento de propinas do emedebista.

A mulher do coronel, Maria Rita Fratezi, é peça-chave no enredo. Foi quem escolheu e pagou, em dinheiro vivo, os fornecedores. Ela visitava a casa de Maristela regularmente para acompanhar as mudanças que seriam feitas na residência em 2014.

A Folha divulgou na sexta-feira (18) o teor do depoimento prestado pela filha do presidente à PF no dia 3 de maio. O que ela disse torna mais nebuloso o caso. Maristela não esclareceu nada e deu uma versão que prejudica o rastreamento do dinheiro, o “follow the money” da reforma.

SEM COMPROVANTES – Ela afirmou que gastou em torno de R$ 700 mil, mas que “não possui e não guardou nenhum comprovante” de quitações e contratos. Confirmou que a mulher do coronel fez pagamentos. E como a ressarciu? Maristela disse que não lembra. Afinal, segundo ela, fez repasses em espécie à Maria Rita com dinheiro de pacientes atendidos em seu consultório.

A defesa da filha de Temer pode dificultar a ação de investigadores porque carece de dados sobre a origem e o destino dos recursos. E não afasta as suspeitas que pairam sobre a obra e a influência de seu pai presidente para bancar as despesas.*

(*) Leandro Colon
Folha de São Paulo

ESSE TAMBÉM VAI EM CANA…

Fachin tira de Moro inquérito envolvendo Franklin Martins

Edson Fachin tirou de Sergio Moro inquérito sobre pagamentos da Odebrecht no exterior para João Santana e Mônica Moura pela campanha de Hugo Chávez em 2012, informa Fausto Macedo.

O caso, que envolve supostos repasses a Franklin Martins, deverá ser julgado pela Justiça Federal de Brasília, por decisão do ministro do STF.

Em sua delação, Mônica Moura disse que o valor acertado para a campanha foi de US$ 35 milhões, mas “só” US$ 20 milhões foram pagos.

Do total recebido, US$ 9 milhões teriam sido depositados por Odebrecht e Andrade Gutierrez em offshores dos marqueteiros no exterior, e R$ 11 milhões oferecidos pessoalmente por Nicolás Maduro, então chanceler de Chávez.

Parte desse dinheiro teria sido repassada à mulher de Franklin Martins, então ministro da Comunicação Social de Lula, a título de custeio de serviços de marketing de internet para a campanha chavista.

A defesa de Martins alegou que os fatos narrados pelos delatores não têm conexão com a Petrobras. Fachin acatou as alegações e tirou o caso do juiz da Lava Jato.*

(*) O ANTAGONISTA

FINALMENTE…

Gleisi, Aníbal Gomes e Raupp serão os próximos a serem julgados na Lava Jato pelo STF

Nesta terça-feira (22) a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retoma o julgamento da primeira ação penal que definirá se um acusado da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal será considerado culpado ou inocente – o deputado Nelson Meurer (PP-PR). A expectativa no STF é de que mais três parlamentares sejam julgados ainda neste ano, informa a jornalista Mariana Oliveira, da TV Globo.

A ação penal que acusa a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) de corrupção e lavagem já foi liberada pelo relator da Lava Jato, Luiz Edson Fachin, e está em fase final de revisão pelo ministro Celso de Mello. A expectativa é de que seja julgada ainda neste semestre.

Mais duas ações penais estão quase finalizadas pelo relator da Lava Jato e devem ser liberadas para julgamento ainda neste semestre – as que acusam de fraudes o deputado Aníbal Gomes (MDB-CE) e o senador Valdir Raupp (MDB-RO). Essas só devem ser julgadas depois do recesso de julho.

Outra expectativa é julgar no segundo semestre o recebimento de denúncia na Lava Jato que pode tornar réu o senador Renan Calheiros (MDB-AL). A primeira denúncia da Lava Jato contra ele analisada foi rejeitada pela Segunda Turma.*

(*) Gerson Camarotti –  G1 – Brasília

BLÁ-BLÁ-BLÁ… BLÁ-BLÁ-BLÁ

A armadilha do falso debate

Não faz sentido valorizar opiniões contaminadas por paixões ideológicas

Ao invés de acelerar a máquina pensando em favorecer correligionários nas urnas, hábito comum por estas paragens, Fernando Henrique Cardoso entregou o País com um superávit primário de 3% do PIB. Insuficiente para evitar que o seu legado ganhasse a pecha de “herança maldita”.

Ninguém em paz com os fatos questiona os méritos do governo Lula quanto à universalização dos programas sociais, mas não deveria gerar debate a constatação de que eles tiveram início na gestão anterior.

E tampouco é honesto reivindicar para si o monopólio da atenção aos menos favorecidos — argumentando que para além de seu espectro só exista uma elite repulsiva a toda sorte de minorias.

Ao longo das últimas décadas, a esquerda se empenhou em construir uma narrativa dominante, moldada para obstruir o diálogo e assim viabilizar o seu projeto de poder. Há fartura de exemplos. Contudo, o reflexo de tal estratégia no campo político talvez tenha sido ainda mais nefasto: sempre a reboque do PT, o combate e por vezes até mesmo a negação de medidas fundamentais para o Brasil. Com destaque para a Lei de Responsabilidade Fiscal e o próprio Plano Real.

E então surgiu Dilma Rousseff.

Eis a grande ironia: talvez Dilma tenha sido a maior praga a acometer o Brasil desde a reabertura política, mas, ao mesmo tempo, não deixou de ser uma benção.

Praga, como se sabe, por congregar inaptidão, voluntarismo e prepotência em cada gesto, a cada decisão tomada. E benção, pois, caso contrário, tão cedo a bandalheira fiscal, política e ética aperfeiçoada com afinco pelo Partido dos Trabalhadores não chegaria ao fim.

Constatado o inevitável enfraquecimento de tal retórica, porém, surge agora uma outra: a de que o tom moderado, por si só, é suficiente para legitimar o debate. Ou, trocando em miúdos, de que a forma pode sobrepujar o conteúdo.

Não há como, mas é sintomático que muitos entendam assim.

No afã de estabelecer um diálogo plural — premissa básica se quisermos erradicar esse nós contra eles maquiavelicamente costurado, no qual figuras como Gleisi Hoffmann, Guilherme Boulos e Jair Bolsonaro se refestelam —, e levando em conta o tom religioso que predomina no campo majoritário, o da esquerda, ganhou importância preponderante a capacidade de o sujeito argumentar sem maiores devaneios.

É uma pena, pois o critério a ser levado em conta quando pensamos em promover um debate, acima de todos os demais e especialmente se assuntos caros à sociedade formam a pauta, deveria ser o da honestidade intelectual.

Não faz sentido valorizar opiniões contaminadas por paixões ideológicas, de pessoas dispostas a negar evidências ou até mesmo a camuflar argumentos. Não é deste tipo de debate que o País precisa. Não será toureando bestas bravias, ainda que nos provoque algum divertimento essa modalidade de xadrez, que alcançaremos maturidade política e social.

Na teoria, promover o debate continua sendo importante.

Na prática, terá pouca utilidade se a via for de mão única.*

(*) Blog do Mario Vitor Rodrigues

SÓ AMORDAÇANDO

Ciro vê palavrões ‘fora de contexto’

 

Ciro Gomes disse na sabatina ao UOL que os palavrões que enfileirou em meio a um discurso em inglês na Suécia foram “descontextualizados”, e que ele às vezes se esquece de que tudo que um candidato faz é filmado.

Disse que foi um “erro” que não pretende repetir. Só se esqueceu de dizer que a íntegra do vídeo que viralizou foi postada em sua própria página nas redes sociais.*
(*) Vera Magalhães – Estadão

MADURO E PODRE

PCdoB comemora vitória de Maduro

O PCdoB, partido da pré-candidata à Presidência da República, Manuela D’Ávila, comemorou  a vitória de Maduro na eleição venezuelana (recheada de acusações de fraude e não reconhecida pelo Brasil e mais 13 países): “(Maduro) tem nosso apoio e solidariedade na construção de um caminho soberano ao seu povo” escreveu a página do PCdoB no Facebook.

Para o partido, a culpa da miséria e escassez que fizeram entre 40 mil e 60 mil venezuelanos fugirem para o Brasil é “uma forte onda de sabotamento patrocinada pelo imperialismo estadunidense”. Pior para Manuela, que terá que explicar nas eleições sobre o apoio de seu partido a Maduro.*
(*) ESTADÃO

SÁBADO, 19 DE MAIO DE 2018

Palocci negocia nova delação, agora em São Paulo

Ex-ministro quer relatar casos envolvendo antigos clcLientes da sua consultoria Projeto e operadores do mercado financeiro


Os advogados do ex-ministro Antonio Palocci, preso em Curitiba por ordem do juiz Sergio Moro, estão tentando fechar um segundo acordo de delação premiada, dessa vez com a força-tarefa da Operação Lava Jato no Ministério Público Federal de São Paulo.

Os advogados Adriano Bretas e Tracy Reinaldet, do Paraná, viajaram para São Paulo em fevereiro e disseram aos investigadores que podem apresentar casos inéditos de corrupção vinculados à consultoria Projeto, empresa do ex-ministro da Fazenda.

Em 2011, a Folha revelou que Palocci havia montado a empresa de consultoria e ficado milionário ao mesmo tempo em que exercia o mandato de deputado federal e coordenava a campanha presidencial de Dilma Rousseff.

Numa segunda visita à capital paulista, os advogados de Palocci mencionaram um cardápio de episódios envolvendo os clientes da consultoria e casos que implicam outras empresas e operadores do mercado financeiro.

A conversa com o Ministério Público Federal de São Paulo justifica-se porque os supostos crimes teriam acontecido no estado.

Bretas e Reinaldet se comprometeram a, em breve, retornar e entregar aos procuradores um documento formalizando uma proposta de delação. A Folha apurou que a peça será composta de cerca de dez anexos contendo denúncias de condutas criminosas.

Palocci já tem um acordo de colaboração premiada assinado com a Polícia Federal paranaense.

Antes de fechar acordo com os delegados, os advogados do ex-ministro haviam negociado com a força tarefa do Ministério Público Federal do Paraná, mas os procuradores não consideraram consistentes os casos levados pelo petista.

O trato feito com a PF aguarda a homologação pelo juiz João Pedro Gebran Neto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4).

A Folha apurou que a tendência é de que a Procuradoria Regional da República do Paraná seja contrária ao fechamento do acordo de Palocci com a Polícia Federal, porém, os envolvidos no caso têm confiança de que mesmo assim Gebran vai homologar o acordo.

A descoberta da existência da Projeto fez Palocci pedir demissão do cargo de ministro da Casa Civil de Dilma seis meses após assumir a pasta.

A reportagem mostrou que Palocci adquiriu patrimônio milionário graças ao negócio, que tocou paralelamente à sua atividade parlamentar e partidária.

Ele comprou dois imóveis no prazo de um ano: um apartamento de luxo por R$ 6,6 milhões, em 2010, e um escritório por R$ 882 mil, no ano anterior.

Os dois negócios faziam o patrimônio do ex-ministro ficar 20 vezes maior do que o declarado nos tempos de Câmara dos Deputados.

A compra dos imóveis foi feita por meio da Projeto, que havia nascido com a razão social de uma consultoria, mas depois se transformou formalmente em uma administradora de bens imóveis.

Entre os clientes de Palocci na consultoria Projeto estavam Multiplan (gestora de shoppings),  WTorre, Amil, Grupo Pão de Açúicar, Grande Moinho Cearense, JBS e os bancos Safra, Santander e Bradesco, entre outros. Não há indício de que essas empresas tenham participado de irregularidades, no entanto.

A Receita Federal apontou que a Projeto recebeu R$ 81 milhões de 47 clientes entre 2007 e 2015.

A Folha procurou a força tarefa da Operação Lava Jato paulista e os advogados do ex-ministro Antonio Palocci, mas ninguém quis comentar o assunto.*

(*) Wálter Nunes
Folha de São Paulo

SE NÃO TEM PÃO, DÁ-LHES DILMA

Ex-presidente Dilma concorrerá ao Senado em Minas Gerais, decide o PT

Na quinta-feira à noite (17/5), o lançamento em Belo Horizonte do filme O processo, documentário sobre o impeachment de Dilma, ganhou ares de pré-campanha. O mote “Dilma senadora” foi usado em faixas e cartazes pelos petistas que lotaram a sessão.

SEM ACORDO – Segundo uma fonte ligada a Pimentel, o governo já entendeu que não há mais possibilidade de acordo com o MDB, partido do presidente da Assembleia, Adalclever Lopes. Assim, vai partir para a eleição com uma chapa forte, com Dilma concorrendo para o Senado. Para o governo mineiro, a oposição não deve aprovar o impeachment de Pimentel.

“Não tem mais nenhum tipo de possibilidade de acordo. Eles querem manter o processo de impeachment só para aumentar o desgaste do governo. Sabem que não têm força para aprovar”, disse a fonte.

O governo, por sua vez, vai usar as armas de que dispõe para derrotar o impeachment. Nos bastidores, cargos e liberação de emendas estão sendo negociados com os aliados e possíveis novos apoiadores. A conta é que Pimentel só precisa de 26 votos a seu favor para impedir que o processo de impeachment se instaure. A diferença de articulação entre ele e a ex-presidente Dilma, que perdeu seu mandato, é gritante. Pelos cálculos do governo, Pimentel tem pelo menos 40 votos garantidos.

DILMA FOI O ESTOPIM – A crise surgiu devido à pré-candidatura de Dilma ao Senado, com a transferência do título dela para Belo Horizonte. Foi o estopim para uma briga com o MDB, que sustentou o governo Pimentel no Legislativo. O presidente da Assembleia, Adalclever Lopes, esperava ser o único nome forte a concorrer na chapa do PT ao Senado, apesar de este ano duas vagas estarem em disputa.

Nessa quarta-feira, o emedebista deu mais uma mostra de que vai seguir com o pedido de impeachment apresentado pelo advogado Mariel Marra. A Mesa aprovou o rito do processo, que foi publicado nesta sexta-feira no Diário Legislativo.

Na Assembleia, o primeiro-secretário da Casa deputado Rogério Correia (PT) participou do ato de apoio à candidatura de Dilma. Ele minimiza, porém, a situação de rompimento com o MDB e diz ainda acreditar em uma aliança. “Havendo aliança do PT com o MDB, na minha opinião, a candidatura do Adalclever ao senado pode vir junto. Não há impedimento nisso e acho que até reforça a Dilma. Ele (Adalclever) alavanca as duas candidaturas e o segundo voto do PT certamente seria dele”, disse.*

(*) Juliana Cipriani
Estado de Minas