MUY AMIGAS…

Ação do governo beneficia

senadora ruralista

Regulamentação de sindicatos rurais ligados à CNA acompanharam transformação de Kátia Abreu em aliada de Dilma

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BRASÍLIA – A transformação da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) de adversária do PT no Congresso em aliada da presidente Dilma Rousseff foi acompanhada pelo destravamento, no Ministério do Trabalho, do processo de regularização de sindicatos rurais filiados à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), entidade patronal presidida pela senadora há quase seis anos.

Em 2012, ano em que Kátia Abreu e Dilma passaram a exibir uma relação de proximidade, foram recadastrados 267 sindicatos rurais patronais filiados à CNA. O número é recorde, segundo dados obtidos pelo Estado por meio da Lei de Acesso à Informação. De 2009 a 2011, foram liberados apenas 76 sindicatos filiados à entidade ruralista.

Na comparação com outras confederações, o resultado obtido pela CNA no ano da transição política de sua líder também é excepcional. Sindicatos vinculados à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), ligada ao PT, foram os campeões de licenças do ministério de 2009 a 2011. Mas nem chegaram perto do obtido pela CNA. Foram recadastradas 81 entidades filiadas à Contag em 2009; 90 em 2010; 99 em 2011; e 57 em 2012. Em 2013, a CNA teve o maior número de sindicatos recadastrados: 18. A Contag teve 13. Em 2014, até setembro, a CNA teve sete sindicatos recadastrados e a Contag, 12.

O recadastramento não é obrigatório, mas sindicatos que não se recadastram ficam impedidos de registrar acordos de convenção coletiva e de receber o dinheiro da contribuição sindical.

A aproximação de Dilma com Kátia Abreu foi entendida no meio político como uma tentativa da petista de diminuir sua rejeição entre ruralistas. A mudança tem rendido bons resultados para Kátia Abreu. Ela conseguiu se reeleger senadora pelo Tocantins após a cúpula do PMDB intervir no diretório estadual. Integrantes do PMDB tocantinense se opunham à senadora.

Reeleição. Na CNA, a inserção política de Kátia Abreu também está em alta. A capilaridade alcançada pela entidade rendeu apoio massivo à senadora entre presidentes de federações e sindicatos patronais rurais. Neste ano, ela disputa a segunda reeleição para presidente da CNA e tem apoio de 24 das 27 federações de agricultura.

A eleição estava marcada para hoje, mas foi adiada após a federação do Paraná obter decisão liminar que suspendeu a votação. “Quem tem mandato parlamentar não deve ocupar presidência de entidade representativa de classe”, diz o presidente interino da federação mato-grossense, Normando Corral.

O secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho, Manoel Messias, disse que os recadastramentos ligados à CNA em 2012 “provavelmente” foram resultado de uma campanha. “O ministério vem fazendo campanha de recadastramento desde 2005”, afirmou. O secretário disse que o “recadastramento segue regras técnicas” e “não houve nenhuma interferência política para o atendimento de pedidos de recadastramento”.

Em nota, a CNA, sem mencionar os recadastramentos, disse que o número de sindicatos filiados a ela recuou nos últimos anos após revisão que desativou os irregulares. O número, segundo a CNA, foi de 2.155 em 2012 para 1.945 em 2014 – 416 aguardam regularização.*

(*) FÁBIO BRANDT – O ESTADO DE S. PAULO

PETROESCÂNDALOS

BEM MAIS QUE INSINUAÇÕES

 

A tensão instalada em Brasília, no retorno dos parlamentares da campanha, após conhecidas as primeiras informações sobre a delação premiada de Paulo Roberto Costa, desmente a naturalidade com que o ex-presidente Lula tenta administrar os danos políticos das denúncias.

Lula classificou as denúncias do ex-diretor da Petrobrás na categoria das insinuações que não se comprovam depois, o que não guarda qualquer relação com a realidade.

A consistência do depoimento de Costa pode ser medida pelo despacho em que o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, o homologa. Nele o ministro considera, de forma explícita, que se confirmam os elementos de participação de autoridades com direito ao foro especial, inclusive parlamentares federais.

PONTA DO ICEBERG

O conteúdo do depoimento de Costa ao juiz Sérgio Moro, do Paraná, que não está sob segredo de justiça, é apenas a ponta do iceberg do escândalo que deverá se consolidar, mais à frente, como um dos maiores da história política nacional.

O conteúdo que o STF homologou tem informações que o ex-diretor da Petrobrás mantinha criptografadas e que detalha o esquema implantado na empresa. Sua entrega ao Ministério Público explica a velocidade do cumprimento do acordo judicial que resultou na liberdade de Paulo Roberto Costa, já em casa.

Para a presidente Dilma Rousseff, o que se tornou conhecido é devastador, porque vem a público no momento em que sua campanha tenta mostrá-la intolerante com a corrupção. Tendo abastecido campanhas do PT, PMDB e PP, não será surpresa se o esquema tiver incluído a própria campanha presidencial de 2010, mesmo à revelia da presidente.

A dimensão do episódio, e o desdobramento que prenuncia, talvez expliquem a reação imprópria de Dilma, cuja indignação foi quanto à publicidade do depoimento de Costa e não ao seu conteúdo.

DIRETORIA QUE FURA POÇO…

Uma breve volta ao ano de 2005 encontrará a então ministra das Minas e Energia envolvida nas negociações políticas em torno dos cargos de diretoria da Petrobrás, quando o então deputado Severino Cavalcanti cobrou para seu partido, o PP, citado por Costa como um dos beneficiários do esquema, a “diretoria que fura poço”, que lhe havia sido prometida pelo então presidente Lula no avião que o levou a Roma, com Severino a bordo.

Severino não levou o que queria, por oposição da própria Dilma, mas o PP ficou na Petrobrás loteada ainda entre PT e PMDB. O depoimento de Paulo Roberto Costa, até aqui, está em perfeita sintonia com a cronologia dos fatos.*

(*) João Bosco Rabello – Estadão

ABRAÇO DE AFOGADOS

RACHADA, DIRETORIA DO BANCO CENTRAL ENTRA EM CRISE

Os embates entre a presidente Dilma Rousseff e seus adversários, na tentativa de conseguir mais quatro anos de mandato, provocaram estragos dentro do governo. Ainda que parcialmente superada, a polêmica criada pelo PT em torno da proposta de independência do Banco Central, defendida pela candidata derrotada Marina Silva (PSB), bateu fundo na instituição responsável pelo controle da inflação, revoltou os servidores da casa e rachou o Comitê de Política Monetária (Copom).

Parte da atual diretoria já avisou ao presidente do BC, Alexandre Tombini, que não ficará no cargo caso Dilma seja reeleita em 26 de outubro próximo. Na prática, isso significa um pedido antecipado de demissão, pois, em caso de vitória de Aécio Neves (PSDB), a troca será automática, a exemplo do que ocorreu no início dos governos Fernando Henrique Cardoso, em 1994, e Lula, em 2003.

Ao longo de duas semanas, o Correio conversou com ex-diretores do BC, economistas de grandes bancos de investimentos nacionais e estrangeiros e técnicos próximos aos atuais diretores da autoridade monetária. Boa parte deles assegurou que Carlos Hamilton Araújo, o primeiro funcionário de carreira do Banco Central a assumir a Diretoria de Política Econômica, será o primeiro a deixar o cargo. “Hamilton já está com um pé fora do BC”, disse um integrante da equipe econômica. “E a saída pode ocorrer antes mesmo de 2015.”

OUTROS QUE SAEM

Também estariam fora do BC em um eventual segundo mandato de Dilma os diretores Altamir Lopes, de Administração, e Sidnei Corrêa Marques, de Organização do Sistema Financeiro, também funcionários de carreira da instituição. Procurada, a autoridade monetária assegurou que as informações são “inverídicas” e que todos os integrantes do comando do banco “estão empenhados em executar suas funções da melhor forma possível até o fim do ano”.

Apesar dos desmentidos oficiais, o clima de tensão é grande no BC. O ex-presidente Lula já deixou claro a Dilma que ela deveria mudar toda a diretoria do banco em um novo mandato. A candidata petista, no entanto, manifestou o desejo de permanecer com parte do atual time da autoridade monetária, em especial, seu presidente. Dilma construiu, ao longo dos últimos quatro anos, uma boa relação com Tombini, a quem considera competente e, sobretudo, fiel.

A divisão ocorre num momento delicado para a instituição. A despeito de o Copom ter elevado a taxa básica de juros (Selic) para 11% ao ano e de a economia estar no atoleiro, a inflação não para de aumentar. Nos 12 meses terminados em setembro, a carestia atingiu 6,75%, o maior nível em três anos. Diante desse resultado, os especialistas voltaram a cogitar a possibilidade de o BC promover um novo arrocho monetário. Visão sustentada pelas recentes declarações de Carlos Hamilton, de que o Copom agiria “tempestivamente” caso o custo de vida desse sinais de elevação.

CONSTRANGIMENTO

Tal afirmação, por sinal, provocou constrangimento entre os auxiliares de Dilma, por ter ocorrido dias antes de os brasileiros depositarem os votos nas urnas. Ao longo de toda a campanha de primeiro turno, a candidata petista havia sido acusada por seus oponentes de ter sido leniente com a inflação. A declaração de Hamilton, portanto, era um sinal claro de que o governo estava perdendo a batalha para manter a carestia dentro da meta.

Na mesma oportunidade, Hamilton disse ser favorável à autonomia técnica do Banco Central, o que forçou Dilma a se pronunciar. “Temos visões diferentes”, afirmou a presidente. No ano passado, ela e o diretor do BC também divergiram. Em viagem à África do Sul, a petista disse ser contra um aumento mais forte dos juros para controlar a inflação, por sacrificar o crescimento econômico. Dias depois, o Copom começou a elevar a Selic, que estava no menor nível da história: 7,25% ao ano.

ASSUNTO RECORRENTE

No mercado financeiro, as informações sobre o racha no BC se tornaram assunto recorrente. “Mas creio que seja tarde para abandonar o barco. Se a presidente Dilma for reeleita, todos devem ficar para corrigir os erros que levaram a inflação a ficar, insistentemente, no teto da meta”, afirmou um ex-integrante do Copom. “Ficando ou não com Dilma, a atual diretoria do BC carregará sobre os ombros o fato de ter contribuído para destruir a credibilidade da política monetária”, ressaltou outro ex-dirigente da instituição. “Não é à toa que, pelo menos até 2016, as projeções de inflação estão muito acima do centro da meta, de 4,5%. O BC perdeu a capacidade de coordenar as expectativas”, emendou.

Os defensores do time comandado por Tombini asseguram que o BC foi traído pela promessa não cumprida do Ministério da Fazenda de fazer um ajuste fiscal consistente. Ao ter encampado o discurso de redução dos gastos públicos, o Copom reduziu a taxa Selic para 7,25% ao ano, o menor nível da história, fato que provocou euforia no Planalto. Mas a façanha durou apenas seis meses, e os juros voltaram a subir, atingindo 11%, superando os 10,75% recebidos por Dilma em 2011.

“O resumo dessa história é a seguinte: haja ou não haja divergência entre os diretores do BC, o fato é que, em termos de reputação, a instituição está rachada. E levará tempo para reconstruí-la”, admite um técnico muito próximo do comando da autoridade monetária.*

(*)  DECO BANCILLON – Correio Braziliense, via Tribuna na Internet

HORA DA MUDANÇA

AS FREIRINHAS DO CONVENTO REJEITAM A MADRE SUPERIORA

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Saberemos hoje à noite, depois do debate na TV-Bandeirantes, se a presidente Dilma continua em queda livre ou se, através de performance superior à de Aécio Neves, no vídeo, terá condições de equilibrar o jogo. Até agora a candidata do PT não vai bem. Aguarda-se para amanhã a divulgação de nova pesquisa dos institutos Datafolha e Ibope, mesmo atingidos pelo descrédito no primeiro turno.

Cientistas políticos e diletantes tem atribuído a perda de densidade eleitoral de Dilma a mil e uma causas: a roubalheira na Petrobras, depois do mensalão, a alta exposição do PT como cúmplice nas lambanças, a ambição dos partidos da base em lotear o governo, as promessas não cumpridas nos últimos quatro anos, as obras do PAC interrompidas ou se desenvolvendo em ritmo lento, a fraqueza de ministros desconhecidos, a explosão social iniciada em junho do ano passado, o natural desgaste de doze anos no poder pelo mesmo grupo partidário, e outras. Junte-se o mau funcionamento dos serviços públicos e se terá a receita de por que as previsões favorecem a oposição.

Até agora, porém, tem sido ignorado um fator tão essencial quanto delicado: a própria Dilma. Ela e a simpatia não se entendem. Além de áspera e mal-educada com auxiliares e com os interlocutores em geral, a presidente não cuidou de sua imagem durante quatro anos. Sempre apareceu de nariz em pé e cenho fechado, passando a impressão de arrogância. É precisamente o que o povo não gosta e nada tem a ver com firmeza e inflexibilidade. Quando ri, é de modo forçado, quando discursa, jamais quebra a rigidez com algum mote ou mesmo uma piada. Seus acenos são duros e forçados. Parece a Madre Superiora do convento enquadrando as freirinhas. Perde quando cotejada com um Aécio Neves sempre sorridente e expansivo.

Não se deve forçar a natureza das coisas, mas Dilma lembra os presidentes da República Velha, vetustos, distantes e intransigentes. Pode não ser nada disso, mas é a impressão que fica e agora produz seus efeitos.

OVOS E TRASEIROS

O honestíssimo marechal Teixeira Lott, quando candidato à presidência da República, perdeu-se por mil motivos, mas um deles foi a franqueza com que expunha os problemas nacionais. Num comício, recomendou ao povo que contribuísse para a exportação de carne deixando de comer as peças mais suculentas do dianteiro dos bois. Deveríamos comer apenas o traseiro…

Vem agora um infeliz integrante do governo Dilma e sentencia: para evitar a inflação, precisamos nos abster de comer carne, comendo ovos…*

(*) Carlos Chagas – Tribuna na Internet

E NO PAÍS DA PIADA PRONTA…

PT processa delator da Petrobras

por difamação

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O presidente do PT, Rui Falcão, disse que o partido ajuizou ação contra o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Acusa-o de “difamação”. Em depoimento à Justiça Federal, o petrodelator incluiu o PT entre as legendas que mordiam propinas na estatal petroleira.

Mais: Paulo Roberto informou que o coletor do petismo era João Vaccari Neto, sucessor de Delúbio Soares na administração das arcas partidárias. “Ele fez acusações infundadas contra o PT”, disse Rui Falcão. Quando Roberto Jefferson jogou o mensalão no ventilador, em 2005, dizia-se coisa parecida. Naquele caso, porém, a inocência foi passar uma temporada na cadeia.*

(*) Blog do Josias de Souza

RATATAIA EM PÂNICO

Procuradoria afirma que Lava Jato é ‘técnica e apartidária’

Procuradoria da República no Paraná responde às críticas do PT e do governo que viram ‘caráter eleitoral’ na divulgação de depoimentos de Costa e Youssef

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A Procuradoria da República no Paraná reagiu às críticas do PT e do governo que atribuíram “caráter eleitoral” à divulgação dos depoimentos na Justiça Federal do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, personagens centrais da Operação Lava Jato.

“A atuação da Polícia Federal, do Ministério Público e do Poder Judiciário, nos procedimentos decorrentes da Operação Lava Jato que tramitam perante a 13ª Vara Federal Criminal, é estritamente técnica, imparcial e apartidária”, afirma a procuradoria. Segundo os procuradores que integram a força tarefa da Lava Jato, a meta é esclarecer todos os fatos “para, se for o caso, serem aplicadas punições a quem quer que sejam os responsáveis”.

O PT e o governo condenaram publicamente a divulgação dos depoimentos de Costa e de Youssef, realizados em uma das ações judiciais da Lava Jato na quinta feira – os depoimentos não têm relação com as delações premiadas que Costa já fez e que Youssef está fazendo. Eles foram ouvidos como réus em processo por lavagem de dinheiro e corrupção nas obras da refinaria Abreu e Lima.

Referindo-se às delações de Costa e de Youssef, perante o Supremo Tribunal Federal, os procuradores anotam. “Outras declarações prestadas pelos acusados, em procedimentos investigativos que não fazem parte deste processo, possuem regramento próprio e não podem ser confundidos com os interrogatórios da ação penal pública.”

“Os depoimentos obedeceram aos prazos fixados para procedimentos com réus presos”, destaca a procuradoria, em referência a Costa e a Youssef que estão presos por ordem judicial desde a deflagração da Lava Jato.

Sem citar o PT ou o governo, a procuradoria destaca que réus presos “possuem o direito de serem julgados no menor prazo possível, independentemente de considerações externas ao seu processo”. “Eventual adiamento de atos poderia acarretar a soltura dos réus em decorrência de excesso de prazo, quando sua prisão foi decretada por estrita necessidade cautelar”, argumenta a procuradoria.

Em nota, “com o objetivo de informar a população”, os procuradores que têm atribuição perante a 13.ª Vara Federal – onde atua o juiz Sérgio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato -. anotam que os procedimentos adotados nas investigações em curso e nas ações penais em instrução “seguem os preceitos legais adotados em todas as situações similares na Justiça Criminal de primeiro grau em todo o país”.

Sobre a publicidade dada aos relatos de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, os procuradores são categóricos. “Os depoimentos colhidos nas ações penais como regra são públicos, no propósito de assegurar ao réu julgamento justo e imparcial, não secreto, bem como de garantir à sociedade a possibilidade de fiscalização e acompanhamento da atuação do Poder Judiciário e do Ministério Público.”

Segundo os procuradores, “como expressão do direito de defesa, no caso em questão, os réus tiveram a oportunidade de esclarecer, no término da fase de instrução processual, em seus interrogatórios, os fatos pelos quais estão sendo acusados”. Eles afirmam que desde maio o procedimento é público. “Por esse motivo os depoimentos e suas gravações podem ser acessados por qualquer pessoa, sem restrição.”

(* Veja – Com Estadão Conteúdo)

FIM DE LINHA

Com os aliados que tem, Dilma não precisa de adversários

Gilberto se faz de coitadinho com o que chama de ódio contra o PT.

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Leiam só o que disse, ontem, no Recife, o ministro-chefe da Secretaria da Presidência da República, Gilberto Carvalho.

– Atravessamos um momento delicadíssimo da nossa campanha.

Candidato que acredita na vitória – ou mesmo aquele que não acredita – jamais admite que sua campanha atravessa um momento delicadíssimo. Isso significa que a derrota está logo ali na esquina.

Gilberto não é candidato a nada. Mas desfruta da autoridade de ministro de Estado e de secretário da presidente da República. Não é pouca coisa.

Ele não parou por aí. Afirmou:

– Plantou-se um ódio enorme em relação a nós. Eu não sei o que foi aquilo. Em São Paulo, estava muito difícil andar com o broche ou a bandeira da Dilma. Em Brasília, a cidade estava amarela, sem vermelho. O ódio tem sido construído com a gente sendo chamado de ladrão. Com frequência, a gente vem sendo chamado de um grupo de petralhas que assaltaram o governo.

Se a intenção de Gilberto foi atrair a solidariedade dos representantes de movimentos sociais que o escutavam, é possível que o efeito produzido sobre eles tenha sido outro.

Por que em São Paulo a aversão ao PT chegou ao ponto de tornar arriscada a vida de quem se exibe com o broche do partido ou a bandeira de Dilma?

Por que em Brasília, cidade de funcionários públicos, onde por duas vezes o PT governou, o vermelho simplesmente desapareceu das ruas?

Dá para pensar.

Gilberto se faz de coitadinho com o que chama de ódio contra o PT. O correto seria chamar de cansaço. Ou de decepção. Profunda.

De resto, Dilma faz um governo medíocre. A inflação voltou. E o país parou de crescer.

Quanto aos petistas serem chamados de assaltantes…

A maioria dos petistas não merece ser tratada assim. A maioria dos filiados de qualquer partido não merece ser tratada assim.

Os que roubaram e deixaram roubar, esses devem ser presos e condenados.*

(*) Blog do Ricardo Noblat.

SEGUNDA-FEIRA, 13 DE OUTUBRO DE 2014

Contrário a adesão a Aécio, ex-ministro

de Lula perde comando do PSB

O PSB oficializou na tarde desta segunda-feira (13) a troca de seu comando, confirmando a saída do ex-ministro da Ciência e Tecnologia do governo Lula Roberto Amaral da presidência da sigla.

Contrário ao apoio ao tucano Aécio Neves no 2º turno das eleições –decisão tomada pela Executiva da sigla na última quinta-feira (16) por 21 votos a 7–, Amaral será substituído pelo então primeiro-secretário do PSB, Carlos Siqueira.

A troca de comando foi tomada por aclamação em reunião realizada no Hotel Nacional, na região central de Brasília. Amaral não compareceu. A ex-prefeita Luiza Erundina, outra das insatisfeitas com a decisão do PSB, também se ausentou.

O PSB entrou na disputa eleitoral deste ano com a candidatura de Eduardo Campos. Após a morte do ex-governador de Pernambuco em um acidente aéreo em 13 de agosto, a sua então vice, Marina Silva, assumiu a cabeça de chapa, mas chegou em terceiro lugar.

Pedro Ladeira -21.ago.2014/Folhapress
Carlos Siqueira assume presidência do PSB
Carlos Siqueira assume presidência do PSB

Tanto ela quanto o PSB aderiram então a Aécio, mas houve críticas de integrantes da legenda, que até 2013 era uma das principais aliadas do PT.

Amaral pretendia permanecer no comando da legenda, mas perdeu poder após ser derrotado na definição sobre qual rumo a sigla deveria tomar no segundo turno. Próximo ao PT, ele defendia a neutralidade.

Após constatar que não seria reeleito para o cargo, divulgou um duro texto em que acusa seus correligionários de terem traído os ideais do PSB, além de afirmar que a legenda está migrando para Aécio de olho na participação em eventual governo.

Entre os que lideraram o apoio a Aécio estão o vice-governador eleito de São Paulo, Márcio França, o então vice de Marina, Beto Albuquerque (RS), e a seção pernambucana da sigla. Assumirá a primeira-vice presidência o governador eleito de Pernambuco, Paulo Câmara, cuja candidatura no Estado foi escolha pessoal de Campos.

Carlos Siqueira era bem próximo de Eduardo Campos, mas se recusou a continuar na coordenação da campanha presidencial após a morte do amigo. Ele se desentendeu com Marina na ocasião, mas, segundo aliados, se reconciliou com ela na semana passada.

A permanência de Marina no PSB segue indefinida. Muito possivelmente ela deverá deixar a sigla quando conseguir montar o seu próprio partido, a Rede Sustentabilidade. *

(*) RANIER BRAGON – FOLHA DE SÃO PAULO

SÓ O LULA E A DILMA NÃO SABIAM…

Roubos na Petrobras expõem

o Custo Pilhagem

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Os empresários costumam gritar contra o chamado ‘Custo Brasil’. Alegam que a sobrecarga tributária e a ineficiência do Estado no provimento de infraestrutura atrapalham o empreendimento brasileiro. Verdade. Mas há outro tipo de custo travando o desenvolvimento nacional: o ‘Custo Pilhagem’. Ele não aparece na gritaria porque o silêncio desobriga o empresariado de examinar a própria culpa.

Ao interrogar Paulo Roberto Costa na semana passada, o juiz Sérgio Moro quis saber o que levara as maiores empreiteiras do país a pagar propinas de 3% sobre o valor dos contratos obtidos na Petrobras. E o delator: “Essas empresas, Excelência, tinham interesses não só dentro da Petrobras, mas em vários outros órgãos de governo. Vários órgãos de governo a nível de ministério, a nível de secretaria, etc…”

Paulo Roberto explicou ao magistrado da Operação Lava Jato que os ministérios e suas secretarias são comandados por partidos políticos. E prosseguiu: “Então, se a empresa deixasse de contribuir com determinado partido naquele momento, isso ia se refletir em outras obras… Os partidos não iam olhar isso com muito bons olhos.”

A corrupção convém a todos os atores, esclareceu o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, com naturalidade hedionda: “Seria um interesse mútuo dos partidos, dos políticos e das empresas, porque não visava apenas a Petrobras. Visava hidrovias, ferrovias, rodovias, hidrelétricas, etc. e etc…”

Houve alguma empresa que tenha se recusado a pagar a propina?, indagou o juiz a alturas tantas. “Não, nunca”, respondeu, em timbre categórico, o petrodelator. Houveram [sic] alguns atrasos. Mas nunca tive conhecimento que deixaram de pagar, devido a esses interesses maiores a nível de Brasil.”

Em temos de ditadura, quando queria subjugar o Congresso, o governo fechava-o. Desde a redemocratização, compra-o. O Legislativo foi reduzido a um templo de trambiques. Tornou-se uma Chicago entregue aos caprichos de Al Capone. Dá-se à perversão o nome de governabilidade. Que é um eufemismo para safadeza.

Sérgio Moro perguntou a Paulo Roberto o que aconteceria se uma empreiteira deixasse de pagar pedágio aos partidos que (des)mandavam nas diretorias da Petrobras. O interrogado já havia declarado que um cartel de empreiteiras controla as grandes obras no país —dentro e fora da Petrobras. Diante da curiosidade do juiz, ele trocou a roubalheira em miúdos:

“Essas empresas tinham interesses em outros ministérios, capitaneados por partidos. São as mesmas empresas que participam de várias outras obras a nível de Brasil —ferrovias, rodovias, hidrovias, portos, usinas hidrelétricas, saneamento básico, Minha Casa, Minha Vida. Ou seja: todos os programas, a nivel de governo, nos ministérios, têm políticos de partidos. Se você cria um problema de um lado, pode-se criar um problema do outro. No meu tempo lá, não lembro de nenhuma empresa que tenha deixado de pagar.”

O que impressiona no esquema de corrupção montado na Petrobras é o seu total desprezo por proporção, medida, recato, limite. Diz-se que só o doleiro Alberto Youssef, operador do pequeno PP, lavou algo como R$ 10 bilhões em verbas sujas. Difícil imaginar quanto terão desviado o PT e o PMDB, sócios majoritários da sociedade anônima governista.

No interrogatório de Youssef, o juiz perguntou se as licitações na Petrobras foram fraudadas. “Havia um acerto entre as empresas”, respondeu o doleiro. “Quando saía um pacote de obras na Petrobras as empresas, entre elas, tratavam de se relacionar e obter quem ia ser o ganhador daquela obra.” E se não pagasse a propina? “Se não pagasse, tinha a ingerência política, e do próprio diretor… Não fazia a obra se não pagasse.”

Mas isso era dito para a empresa?, indagou o magistrado. “Era bem colocado, sim, Excelência. Muito bem colocado.” E quanto ao percentual, era negociado contrato a contrato? “Sim, contrato a contrato.” Voz pausada, Youssef foi didático. “…Tinha os pacotes maiores, que eram tratados com as empresas de grande porte. E os contratos de médio porte, que eram tratados com empresas de médio porte. E os pacotes pequenos, que a gente nem tomava conhecimento.”

O brasileiro otimista costuma enxergar as costumeiras erupções de lama que engolfam a política como fenômenos benignos. O acúmulo de roubos, um se sucedendo ao outro, seria um sinal de que o Brasil apura os crimes do poder, avançando no caminho da moralidade. Tolice.

Para que essa suposição fosse levada a sério, o impeachment de Collor teria de ser retratado nos livros como um marco redentor. A nação jamais voltaria a ser a mesma. Deu-se, porém, o oposto. Desde então, o Brasil afunda-se em seus mais insanáveis vícios. Sobrevieram escândalos em série: anões do Orçamento, Sudam, mensalão do PT, mensalão do PSDB mineiro, mensalão do DEM de Brasília…

Imaginou-se que a presença da cúpula do PT atrás das grades fosse inibir novas delinquências. Qual nada! Mal secaram as delubianas fontes, chega às manchetes o petrolão. Numa ponta, os corruptos da política. Noutra, os corruptores da grande empreita. No meio, delatores desesperados.

No curso do interrogatório de Paulo Roberto Costa, o doutor Sérgio Moro pediu ao ex-diretor da Petrobras, hoje um corrupto confesso, que declinasse os nomes dos seus contatos nas empresas do “cartel”. O juiz recitava as logomarcas e o delator dava nome aos bois. Camargo Corrêa: Eduardo Leite (vice-presidente comercial); OAS: Léo Pinheiro (presidente); UTC/Constran: Ricardo Pessôa (presidente)…

Os nomes pingavam dos lábios de Paulo Roberto com fluidez inaudita. Odebrecht: Rogério Araújo (Desenvolvimento de Negócios) e Márcio Faria (executivo da Odebrecht Óleo e Gás); Queiroz Galvão: Ildefonso Colares Filho (presidente); Toyo Setal: Julio Camargo (diretor); Galvão Engenharia: Erton Medeiros Fonseca (presidente de Engenharia Industrial); Andrade Gutierez: Paulo Dalmazzo (presidente de Óleo e Gás); Engevix: Gerson Almada (presidente).

Todos os citados, naturalmente, negam o cometimento de crimes. Nem precisariam se dar ao trabalho. Ainda que admitisse a culpa, como qualquer pivete que alega roubar para sobreviver, um executivo de empreiteira poderia invocar em sua defesa as próprias circunstâncias.

A culpa é do sistema que obriga o empreiteiro a ser o que é, com todas as facilidades que lhe dá, a impunidade que lhe garante, a cumplicidade que lhe oferece e o sucesso com que o premia. Não fosse a fraqueza dos delatores, não haveria nem mesmo o dissabor dos 15 segundos de má-fama. E a escandalosa aliança do banditismo empresarial com o amoralismo político continuaria desobrigada de examinar suas culpas pelo ‘Custo Pilhagem’.*

(*) Blog do Josias de Souza

ALTAMENTE CONTAGIOSO

Lula está de saco cheio. Eu, também!

Dilma convidou Paulo Roberto para o casamento de sua filha.
Não sabia que ele era ladrão?

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Cuidado! Nada de acreditar no que disseram à Polícia Federal e à Justiça Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, e Alberto Youssef, doleiro, sobre o esquema de desvio de R$ 10 bilhões da empresa para beneficiar políticos em geral e alguns partidos em particular – PT, PMDB e PP.

Os dois podem estar mentindo.

Quando comprovada de fato, a verdade deverá ser muito pior. Duvida?

Gaba-se a presidente Dilma Rousseff – e Lula também – da liberdade com que atua a Polícia Federal.

Sempre que se descobre um novo escândalo envolvendo o PT e seus aliados mais fiéis, Dilma corre a exaltar as virtudes republicanas do seu governo e dá a entender que a Polícia Federal só procede assim porque ela deixa. Como se a Polícia Federal fosse um órgão de governo e não de Estado.

Aqui cabem pelo menos duas perguntas.

Se é marca da Era PT o empenho dos governos em colaborar nas investigações de malfeitos por que há sete meses a Polícia Federal tenta ouvir Lula em um processo sobre restos do mensalão e simplesmente não consegue?

Lula está para ser interrogado na condição de eventual testemunha – jamais de réu. Como ex-presidente, escolherá hora e local para depor. Não o faz.

A segunda pergunta: se Dilma repele com veemência a insinuação de que possa não se interessar pelo combate à roubalheira por que então barra qualquer iniciativa das duas CPIs da Petrobras de apurar o que se passou na empresa nos últimos 12 anos?

Só a Polícia Federal pode ser livre? “Eu sou a favor de, doa a quem doer, as pessoas têm que responder pelo que fazem, seja de que partido for”, prega Dilma. Não convence.

Arrisco-me a ser impiedoso com a presidente por entender que o jornalismo não cobra piedade de quem o exerce, mas senso de justiça.

Dilma posa de incorruptível, e deve ser. Nada se conhece que indique o contrário. Quanto a ser conivente com a corrupção…

Ela o é, assim como a maioria dos governantes por toda parte.

Paulo Roberto roubou desde que foi nomeado por Lula diretor da Petrobras. Lula ignorava o que Paulo Roberto fazia por lá a serviço do PP?

O que fazia meia dúzia de diretores nomeados também por ele a pedido do PP, PT e PMDB?

Dois anos antes de se eleger presidente, Dilma convidou Paulo Roberto para o casamento de sua filha. Não sabia que ele era ladrão?

Demitiu-o “a pedido” em 2012. Paulo Roberto deixou a Petrobras cercado de elogios. Dilma desconhecia seu prontuário?

Ora, faça-me o favor!

Na semana passada, Dilma cogitou demitir Sérgio Machado, um economista cearense que há mais de 10 anos preside a Transpetro, subsidiária da Petrobras. Paulo Roberto contou à Justiça que recebeu de Sérgio R$ 500 mil em espécie.

O padrinho de Sérgio é Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, citado por Paulo Roberto como envolvido com a corrupção na Petrobras. Além de cogitar, o que mais fez Dilma?

De volta de um comício em Maceió, onde ao lado do senador Fernando Collor segurou no microfone para que discursasse Renan Filho, governador de Alagoas, Dilma esbarrou na oposição de Renan, o pai, à demissão de Sérgio. E deixou de cogitá-la.

Para demitir Sérgio seria preciso que Dilma conseguisse o afastamento de João Vaccari Neto do cargo de tesoureiro do PT, argumentou Renan. Vaccari é outro emporcalhado pela lama da Petrobras.
Lula disse que está de “saco cheio” com denúncias de corrupção contra o PT feitas às vésperas de eleições.

Eu também estou.

E você? *

(*) Blog do Ricardo Noblat.