PELA BOLA SETE

UMA PRESIDENTE EM SINUCA

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A presidente Dilma tem quinze dias para definir o ministério do segundo mandato, ou, pelo menos, o ministério que começará o segundo mandato. Já se reuniu com líderes e dirigentes dos partidos que apóiam seu governo, encontrou-se mais de uma vez com o Lula e com o vice-presidente Michel Temer, conversa todos os dias com Aloísio Mercadante, chefe da Casa Civil, mas, até agora, dos 39 ministros novos e velhos a ser nomeados em solenidade no palácio do Planalto, no primeiro dia de janeiro, poucos receberam convites formais.

A hesitação deve-se ao desconhecimento, pela presidente, da lista de políticos que serão denunciados pelo procurador-geral da República como envolvidos na roubalheira da Petrobras. A versão é de que seriam mais de trinta deputados e senadores, entre eles caciques em condições de ser escolhidos ministros ou, ao menos, de recomendar seus preferidos. O governo ficará desmoralizado caso um político indicado para ministro fizer parte das denúncias. Pior, no entanto, se acontecer depois da nomeação e da posse, com prazo já fixado.

Uma solução, para Dilma, seria fazer chegar a Rodrigo Janot a importância de pronunciar-se até 31 de dezembro. Envolto na análise das delações premiadas, ninguém garante que ele atenderia a um suposto apelo nesse sentido. Sendo assim, caracteriza-se uma situação singular: a presidente prestes a inaugurar seu segundo mandato ainda não sabe com quem irá governar. Está em sinuca.

LEMBRANÇAS

Houve tempo em que os presidentes da República tomavam posse a 31 de janeiro, aliás, data bem mais oportuna do que a fixada atualmente pela Constituição, quando metade do país amanhece de ressaca.

Getúlio Vargas havia sido eleito em outubro de 1950 e ficou recolhido em sua fazenda, no Rio Grande do Sul. Não se sabia ao certo quando chegaria ao Rio de Janeiro. Naqueles idos, os políticos não viajavam de jatinhos particulares, mas em aviões de carreira. Os principais jornais da então capital federal designaram seus melhores repórteres para ficar de plantão na calçada do edifício onde o presidente eleito tinha apartamento, na Avenida Rui Barbosa. Certa noite, de um taxi vindo do Aeroporto Santos Dumont, Getúlio desembarca, acompanhado de um auxiliar. Cercado imediatamente pelos jornalistas, improvisa uma entrevista onde o tema principal era a formação do ministério. Revelou alguns nomes, até aceitando a afirmação de um repórter sobre ser aquele o “ministério da experiência”, ou seja, sem muita convicção de que os escolhidos permaneceriam ministros até o final de seu mandato.

Junto com os cardeais da reportagem encontrava-se um jovem foca, representante de uma estação de rádio, com um daqueles imensos gravadores da época, que mais parecia um paraquedas colado em suas costas. Tímido, nada falou, até que Getúlio notou seu embaraço e indagou: “você, jovem, não tem nenhuma pergunta?”

Nervoso, tremendo, ele percebeu que todas as indagações importantes já tinham sido feitas. Embotado pela presença do novo presidente, soltou a primeira que lhe veio à cabeça: “O que o senhor acha da campanha das Casas Gebara para baratear o custo de vida?”

As emissoras há dias divulgavam aquela publicidade, com um jingle que tomou conta do país. Surpreso, Getulio respondeu tratar-se de uma iniciativa muito louvável, digna de elogios. O jovem voltou para a redação arrasado, disposto a não seguir a carreira de jornalista, sentindo-se desmoralizado por não ter feito uma pergunta relacionada com o futuro governo. Um diretor ia passado, ouviu as lamentações e logo exigiu a gravação, feita em fio. Procurou o dono das Casas Gebara, faturou horrores e no dia seguinte a publicidade que o Brasil inteiro aplaudia ganhou um acréscimo, junto com o jingle: “Agora, ELE vai falar!” Seguia-se o comentário de Getúlio Vargas, para deleite dos ouvintes.

O jovem, Mário Garófalo, fez brilhante carreira no rádio brasileiro, tornando-se proprietário de uma das emissoras mais populares de Brasília. Mas comentava com muita graça não haver recebido um centavo sequer por conta daquele furo monumental…*

(*) Carlos Chagas – Tribuna na Internet

E A VACA FOI PRO BREJO…

 ‘O estranho caso de uma empresa

que quebrou um país’

000 - os tronos

O lulopetismo conseguiu outra proeza sem comparativos históricos: usar uma empresa estatal para quebrar um país. A Petrobras seria privatizada por tucanos irresponsáveis, diziam os companheiros. Foi privatizada pela quadrilha do PT. Antes da descoberta do pré-sal, tinha um valor de mercado superior ao atual. Chegou a valer 737 bilhões de reais. Agora, vale 127 bilhões.

 

A Petrobras hoje não tem crédito em nenhuma birosca financeira. E é a petrolífera mais endividada do mundo. Não terá com honrar encomendas e empréstimos. Os papéis da estatal na Bolsa de Nova York estão sendo “derretidos” por vendas de bilhões, às pressas, pelos investidores. Melhor do que ficar com o mico na gaveta.

Mais: prevê-se que, nos próximos dois anos, a cotação do barril no mercado internacional permaneça na faixa dos U$ 50. O patamar anterior era de U$ 120. (A causa principal é a guerra de preços entre o petróleo dos sheiks e o petróleo do xisto, mas isto é assunto para outro comentário). Só a extração do barril do pré-sal custa U$ 90.

A Petrobras também terá de pagar algumas centenas de bilhões de dólares aos investidores americanos que foram enganados. Eles desconheciam o que o PT fez na empresa (e com a empresa).

E nós com isso? Simples. Quebramos juntos.

Qual empresa brasileira (privada ou estatal) terá acesso a financiamentos para a produção depois da descoberta dessa parte podre do país? Se a maior entre todas está falida, se deu garantias eque não cumpriu, se não consegue sequer apresentar um balanço (algo obrigatório no mundo inteiro), o que dizer das outras? Os recursos públicos (infindáveis, na lógica distorcida da seita petista) serão usados para salvar a Petrobras, como sempre aconteceu e continua acontecendo, via BB, CEF e BNDES?

Sinto informar: nossas reservas, que Dilma apresentava como uma prova de sucesso fenomenal, são menores que os buracos. Só conseguirão cobrir o rombo da Petrobras. Os bancos brasileiros estão expostos a riscos ,medidos em bilhões, decorrentes do Petrolão. Se a conta vai ficar no prejuízo do banco, ele tratará de transferir o espeto para quem? É óbvio que não haverá crédito para nenhuma empresa, seja qual for seu tamanho.

A destruição de uma das maiores empresas do mundo é obra do lulopetismo. Na farra do pré-sal, o PT inventou o leilão com um participante só (um consórcio chinês). A seita é a mãe do marco regulatório que obriga a Petrobras a estar em todos os blocos de perfuração do pré-sal, o que afastou investidores pelos quais se interessam todos os países. Agora sabemos por quê.

Quem criticava o marco bolivariano era um sabujo do capitalismo internacional. Bilhões e bilhões, (que estão e estarão por muito tempo) a 4 mil metros da superfície) seriam aplicados em saúde e educação. Foram desperdiçados ou embolsados pelos gatunos.

Era Marina que iria acabar com o pré-sal! Eram Aécio e os malditos tucanoss que planejavam quebrar a Petrobras para privatizá-la. Os cínicos iludiram o povo com o conto da privatização da empresa que já haviam privatizado.

Esperemos que o beco em que se meteu a Petrobras tenha saída. Mas a mentira que o PT repetiu durante anos sobre a gestão FHC agora é real. Com a quebra da Petrobras, o PT quebrou o Brasil. O projeto de poder dos companheiros incluía a política de terra arrasada. Conseguiram.

Quebramos. Feliz 2015?*

(*) REYNALDO ROCHA, no blog do Augusto Nunes

AS “ZELITE BRANCA” DO LULOPETISMO

Na Lava Jato, poder econômico

prolonga cadeia

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O dinheiro, como se sabe, não traz felicidade. Mas isso jamais chegou a ser tratado pelos milionários como uma questão financeira realmente relevante. A Operação Lava Jato subverteu a ordem natural das coisas. O poder econômico é um dos fatores que esticam a hospedagem compulsória dos executivos de grandes empreiteiras nas dependências da subsidiária curitibana do PF’s Inn.

Alega-se que, soltos, os endinheirados —alguns com conta no estrangeiro— poderiam fugir. No caso de um dos presos, José Aldemário Pinheiro, vulgo Leo Pinheiro, até a mobilidade aérea foi mencionada como motivo para a permanência no xilindró. Presidente da OAS, Leo dispõe de um jatinho particular.

Na contabilidade da Polícia Federal, o mandachuva da OAS voou 11 vezes para o estrangeiro entre junho e outubro. Passou por cidades como Nova Iorque, Joanesburgo, Madri e Buenos Aires. A conta não inclui uma viagem para o Peru, que Leo fizera às vésperas de ser preso, em novembro.

Advogado de poderosos, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, foi um dos primeiros a notar que a grande jurisprudência não-escrita do país começa a ser invertida. “Antes, dizia-se que cadeia no Brasil era para pobre, preto e puta. Agora é o seguinte: fica preso quem tem dinheiro.”

No mensalão, os abastados do núcleo financeiro do Banco Rural também estão em cana. Mas só perderam a liberdade após a conclusão do julgamento. No Petrolão, o juiz Sérgio Moro como que antecipou o castigo. O pessoal das empreiteiras receia ser condenado preso, sem direito de recorrer em liberdade.

Espraiou-se pela hospedaria da PF em Curitiba uma nova moléstia: a ‘Morofobia’. Os mensaleiros sem mandato parlamentar guerrearam sem sucesso para que seus processos fossem julgados na primeira instância do Judiciário. Os petro-réus pegam em lanças para levar seus casos ao STF. Preferem enfrentar a bala de prata da última instância a esperar na cadeia por uma sentença passível de recurso.

Para desassossego dos presos, o ministro Teori Zavaski, do STF, indeferiu na semana passada 11 pedidos de liberdade. Significa dizer que os presos, habituados à vida faustosa, terão de passar o Natal nas celas coletivas de 6 m² do PF’s Inn —sem tevê, dormindo em colchonetes rentes ao chão e com apenas uma hora de banho de sol por dia.

Mantido esse ritmo, haverá uma revolução no sistema prisional brasileiro. As próprias empreiteiras terão interesse em aperfeiçoar os projetos das cadeias. Logo, logo as instalações carcerárias incorporarão facilidades própria de condomínios fechados. Naturalmente, sem superfaturamento.*

(*) Blog do Josias de Souza

ROUBOBRÁS

É preciso refundar a Petrobras

Caso se queira refundar a Petrobras e pôr um fim na tempestade perfeita,
a solução estrutural é promover políticas que incentivem a concorrência

000 - Petrolão - Lula deve depor na PF. Vai dizer que não sabia de nada.

A Petrobras vive a sua tempestade perfeita. A operação Lava-Jato, que prendeu diretores da empresa, revelou seus males: desvios de recursos que lesaram drasticamente os seus acionistas; perdas no caixa, decorrentes da utilização da empresa para conter a inflação; a assunção de uma dívida que já ultrapassa os R$ 300 bilhões; o não cumprimento das metas de produção de petróleo e a sua atual posição de importadora de petróleo e de derivados, que continua a adiar a sempre e tão almejada autossuficiência.

E quais seriam as razões que levaram a Petrobras à pior situação desde a sua criação? A principal explicação, sem dúvida, foi o fato de o governo do PT — sob o argumento de que estava protegendo o patrimônio do povo brasileiro e, mesmo, reforçando o valor da empresa e seu papel na economia — ter implantado políticas que aumentaram o poder de monopólio e monopsônio da companhia, o que estimulou a ineficiência administrativa e as práticas de corrupção.

Ao estimular o poder de monopólio, o governo, ao mesmo tempo, passou a tratar a Petrobras como se a empresa fosse 100% estatal, esquecendo-se inteiramente dos interesses dos acionistas minoritários. O exemplo maior é a condução da política de preços da gasolina e do diesel.

Nos últimos quatro anos, o governo, ao impedir que a Petrobras tivesse o preço da gasolina e do diesel reajustado de acordo com o mercado internacional, transformou a estatal no único produtor e importador de gasolina e diesel e gerou um rombo no caixa da empresa de R$ 100 bilhões.

No segmento de exploração e produção, o monopólio foi reforçado com a criação do modelo de partilha para a exploração de petróleo no pré-sal e a sanção de uma lei na qual a estatal passaria a ter no mínimo 30% de todos os blocos leiloados, além de ser a única operadora desses campos de petróleo. Ou seja, quem quiser explorar petróleo no pré-sal brasileiro terá que ter, obrigatoriamente, a Petrobras como sócia e será impedido de operar os campos.

Esse aumento do poder de monopólio da Petrobras transformou o mercado de fornecimento de bens e serviços para o setor de óleo e gás em um monopsônio, estimulando as práticas de corrupção.

Ao converter a Petrobras, praticamente, na única compradora da indústria fornecedora de bens e serviços, o governo deu um poder demasiado aos gestores da estatal, conduzidos aos cargos por partidos políticos da base governista.

Essa estrutura, aliada a uma política de conteúdo local, que estimula reserva de mercado e elege com isso os “amigos do rei”, criou a atmosfera perfeita para um conluio entre partidos políticos, funcionários da Petrobras e as empresas fornecedoras.

Caso se queira refundar a Petrobras e pôr um fim na tempestade perfeita, a solução estrutural é promover políticas que incentivem a concorrência.

Ao estimular a concorrência, a estatal passaria a criar uma blindagem contra as interferências políticas, obrigaria a empresa a ter uma governança e uma administração eficientes, protegeria os interesses dos acionistas e se criariam, no mercado brasileiro, as condições para que outras empresas passem a ser compradoras da indústria fornecedora de bens e serviços.

A Petrobras, ao contrário do que o governo de forma populista transmite para a sociedade brasileira, está totalmente preparada para atuar num mercado competitivo. A Petrobras tem um quadro técnico altamente qualificado, é detentora de tecnologia de explorar petróleo no mar e possui a quarta reserva de petróleo do mundo.*

(*) Adriano Pires é diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura, O Globo

PETRORROUBALHEIRA

Por uma cabeça! (Ou o escudo de Dilma)

Foi o PT que corrompeu a Petrobras

000 - cena íntima

O que o PT tem a dizer sobre a roubalheira na Petrobras? Afinal, ele sempre disse que a Petrobras seria privatizada se o PSDB, um dia, conseguisse voltar ao poder.

Pois a empresa foi corrompida pelo PT, desmoralizada pelo PT e empurrada buraco a baixo pelo PT.

Hoje, o PT é uma camiseta puída com cheiro de suor, uma estrela guardada no fundo de uma gaveta, uma bandeira vermelha coberta de vergonha.

Na Petrobras, é fato, o roubo existe desde meados do governo José Sarney nos anos 80 do século passado.

Atravessou os governos Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. Mas foi no governo Luiz Inácio Lula da Silva que alcançou uma escala gigantesca, segundo investigação da Polícia Federa.

Surpreso com a herança maldita, caberia ao governo Dilma livrar-se dela. Certo? Errado.

Você é ingênuo o bastante a ponto de acreditar que Dilma ignorasse o que se passava com a Petrobras?

Dilma foi ministra das Minas e Energia. A Petrobras era subordinada a ela.

Foi chefe da Casa Civil da presidência da República, o segundo posto mais importante do governo. Acumulou o cargo com a presidência do Conselho de Administração da Petrobras.

Nada se fez ou se faz na Petrobras sem a aprovação do Conselho. Da compra de uma refinaria, como a de Pasadena, por exemplo, a aditivos a contratos bilionários.

A Petrobras é a empresa campeã no Brasil em contratos firmados sem licitação.

Comprada a um grupo belga, Passadena representou um prejuízo enorme para a Petrobras. Para os belgas foi o “negócio do século”. Encheram as burras de dinheiro.

Uma vez eleita para suceder Lula, Dilma nomeou para o Ministério das Minas e Energia um nome indicado por Sarney – o do senador Edison Lobão. E para a presidência da Petrobras uma de suas amigas de fé, irmãs, camaradas, Graça Foster.

Lobão foi ministro de faz de conta – quem mandava no ministério era Dilma. Quanto a Graça… Mandou na Petrobras consultando Dilma para tudo.

Em depoimento à CPI da Petrobras em junho último, Graça afirmou que jamais ouvira falar antes de corrupção na empresa.

“Só com a suspeita, nós ficamos muito envergonhados”, disse, e em seguida choramingou. Comovente! Mas pura lorota como se sabe hoje.

Graça ouvira falar de corrupção, sim. E, no mínimo, três vezes. Vamos a elas.

Pouco antes de comparecer à CPI, Graça fora informada pelo Ministério Público Holandês sobre propinas pagas pela empresa holandesa SBM na venda à Petrobras de um navio-plataforma.

A SBM ainda recebeu US$ 25 milhões extras pela antecipação da entrega do navio.l Lula queria inaugurá-lo às vésperas da possível eleição de Dilma para presidente em 2010. E assim foi.

No final de 2009, em e-mail enviado a Graça, Venina Fonseca, então gerente da Petrobras, alertou-a sobre o aumento de gastos com a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

De US$ 4 bilhões, o negócio passara a custar US$ 18 bilhões.

Em outro e-mail de 2011, Venina confessou a Graça que o “imenso orgulho” que tinha de trabalhar na Petrobras dera lugar à “vergonha”. Ofereceu-se para lhe contar o que sabia. Não obteve resposta.

Demitir ou não demitir Graça?

Eis a questão que tira o sono de Dilma desde que o Procurador Geral da República cobrou a demissão da diretoria da Petrobras.

A empresa perdeu 80% do seu valor entre dezembro de 2004 e dezembro deste ano.

Graça serve à Dilma de escudo contra o mar de lama que se acumula ao pé da rampa do Palácio do Planalto.  Se ele sair do meio, Dilma ficará face a face com a lama.

Lula entregou a cabeça de José Dirceu e salvou a sua, ameaçada em 2005 pelo escândalo do mensalão. Deu certo.

Dilma acabará entregando a cabeça de Graça. Resta ver se dará certo.*

(*) Blog do Noblat

ROUBOBRÁS

Petrolão: políticos recebiam a propina em domicílio

Confira as revelações do homem que entregava dinheiro da Petrobras na casa de deputados, senadores, governadores, ministros e na sede nacional do PT

000 - o lulopetismo é um verdadeiro kinder-ovo; cada dia uma surpresa

Depois de tantas revelações sobre engenharias corruptas complexas de sobrepreços, aditivos, aceleração de obras e manobras cambiais engenhosas, a Operação Lava-Jato produziu agora uma história simples e de fácil entendimento. Ela se refere ao que ocorre na etapa final do esquema de corrupção, quando dinheiro vivo é entregue em domicílio aos participantes. Durante quase uma década, Rafael Ângulo Lopez, esse senhor de cabelos grisalhos e aparência frágil da fotografia acima, executou esse trabalho. Ele era o distribuidor da propina que a quadrilha desviou dos cofres da Petrobras. Era o responsável pelo atendimento das demandas financeiras de clientes especiais, como deputados, senadores, governadores e ministros. Braço-direito do doleiro Alberto Youssef, o caixa da organização, Rafael era “o homem das boas notícias”. Ele passou os últimos anos cruzando o país de Norte a Sul em vôos comerciais com fortunas em cédulas amarradas ao próprio corpo sem nunca ter sido apanhado. Em cada cidade, um ou mais destinatários desse Papai Noel da corrupção o aguardavam ansiosamente.

Os vôos da alegria sempre começavam em São Paulo, onde funcionava o escritório central do grupo. As entregas de dinheiro em domicílio eram feitas em endereços elegantes de figurões de Brasília, Recife, Porto Alegre, Curitiba, Maceió, São Luís. Eventualmente ele levava remessas para destinatários no Peru, na Bolívia e no Panamá. Discreto, falando só o estritamente necessário ao telefone, não deixou pistas de suas atividades em mensagens ou diálogos eletrônicos. Isso o manteve distante dos olhos e ouvidos da Polícia Federal nas primeiras etapas da operação Lava-Jato. Graças à dupla cidadania — espanhola e brasileira —, Rafael usava o passaporte europeu e ar naturalmente formal para transitar pelos aeroportos sem despertar suspeitas. Ele cumpria suas missões mais delicadas com praticamente todo o corpo coberto por camadas de notas fixadas com fita adesiva e filme plástico, daqueles usados para embalar alimentos. A muamba, segundo ele disse à polícia, era mais fácil e confortável de ser acomodada nas pernas. Quando os volumes era muito altos, Rafael contava com a ajuda de dois ou três comparsas.

A rotina do trabalho permitiu que o entregador soubesse mais do que o recomendável sobre a vida paralela e criminosa de seus clientes famosos, o que pode ser prenúncio de um grande pesadelo. É que Rafael tinha uma outra característica que poucos sabiam: a organização. Ele anotava e guardava comprovantes de todas as suas operações clandestinas. É considerado, por isso, uma testemunha capaz de ajudar a fisgar em definitivo alguns figurões envolvidos no escândalo da Petrobras. VEJA apurou que o entregador já se ofereceu para fazer um acordo de delação premiada, a exemplo do seu ex-patrão.

Veja dois dos destinatários da proprina que Rafael Ângulo Lopez transportava.

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(*) Robson Bonin e Hugo Marques – Veja

DE PAI PRA FILHO…

 

EMPRESA DE FILHO DE MINISTRO FATURA R$148 MILHÕES

000 - AAA RATAZANA
A Petra Energia S/A, que tem como vice-presidente Pedro Barros Mercadante Oliva, filho do ministro Aloízio Mercadante, faturou R$ 148,1 milhões do governo federal entre 2013 e 2014, quando o petista se transformou no poderoso chefe da Casa Civil. Segundo o Sistema Integrado de Informações Financeiras do Governo Federal (Siafi), a verba foi empenhada pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, que foi comandado pelo mesmo Aloizio Mercadante nos anos de 2011 a 2012.

MEU PAIPAI
Da verba empenhada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do ministério, R$ 47,1 milhões já foram pagos à Petra Energia.

UM ATRÁS DO OUTRO
Em 2013, o ministério empenhou R$ 42,8 milhões para a Petra Energia em agosto, e mais R$ 47,6 milhões no mês seguinte, setembro.

LUCRO BILIONÁRIO
Fundada em 2008 para explorar petróleo e gás, a Petra virou a maior  concessionária de blocos de terra do País, tem áreas em MG, MA e AM

OLHO NA ÁFRICA
O presidente da Petra, Roberto Viana, já perfurou 16 poços na Bacia de São Francisco (MG), e tem expandido negócios para África. Hum… *

(*) Diário do Poder