A VIÚVA É RICA

Dias sem votação no Congresso em

período eleitoral custam R$ 460 mi

000 - Congresso Nacional - rato branco

Com a Copa do Mundo no Brasil e as eleições de outubro, o ritmo de votações no Congresso nunca foi tão lento. A previsão era que cada Casa tivesse 25 dias de votações em agosto e setembro, porém apenas 12 contarão com sessões. Os 38 dias sem sessões deliberativas somam o custo total de R$ 460 milhões.

A Câmara dos Deputados fará apenas quatro sessões nos dois meses que antecedem as eleições. As votações deverão ocorrer apenas nos dias 5 e 6 de agosto e 2 e 3 de setembro, apenas nas terças e quartas-feiras. O orçamento total da Câmara para 2014 é de R$ 4,9 bilhões, o que equivale a R$ 13,6 milhões por dia. Os 21 dias sem votações da Casa somam R$ 285 milhões.

O Senado Federal fará oito votações em agosto e setembro, quatro no oitavo mês do ano (dias 5,6,7 e 19) e quatro no mês seguinte (dias 2,3,4 e 16). A dotação orçamentária do Senado para 2014 é de R$ 3,8 bilhões, ou R$ 10,4 milhões por dia do ano. Os 19 dias não trabalhados pela Casa custam R$ 176,1 milhões.

Ao todo, o orçamento previsto para as duas Casas em 2014 é de R$ 8,7 bilhões, isto é, R$ 24 milhões por dia. A maior parcela dos gastos é relativa ao pagamento de pessoal, seguido por despesas correntes e investimentos (obras e compra de equipamentos).

A conta pode ser ainda maior já que o Contas Abertas não contabilizou o mês de julho, que este ano além do recesso branco (de 18 a 31 de julho), contou com os jogos da Copa do Mundo, que tem sido utilizada para justificar a baixa frequência no Congresso Nacional.

De acordo com o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, o Plenário deverá se reunir em esforço concentrado nos meses que antecedem as eleições. Ou seja, as sessões extraordinárias serão destinadas exclusivamente à discussão e votação de matérias. Durante esse período, não serão realizadas sessões ordinárias nem funcionarão as comissões permanentes.

Em entrevista ao Correio Braziliense, o diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antônio Augusto de Queiroz, afirmou que o calendário esvaziado é uma estratégia combinada entre governo e parlamentares. Os deputados e senadores podem focar na campanha eleitoral, enquanto o governo consegue adiar a votação de projeto polêmicos.

O deputado Domingos Dutra (SDD/MA) criticou o excesso de dias sem votação. “É um prejuízo para a sociedade brasileira. Fomos eleitos para exercer o mandato durante quatro anos, e as regras dos intervalos, dos recessos, estão previstas na Constituição. Não se pode criar casuísmos, como o são-joão, a Copa do Mundo e agora as eleições para praticamente paralisar as atividades legislativas”.

Para ele, quando o Congresso faz isso, só reforça a percepção da sociedade de que o Legislativo faz pouca diferença na vida do cidadão. “Quem tem mandato já conta com vários bônus, e ficar aqui durante o período eleitoral, que pode parecer uma desvantagem, é um ônus que o parlamentar tem que ter”, diz Dutra.

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), reconheceu que a situação se repete a cada ano eleitoral e afirmou que tentará assegurar quórum nas votações de esforço concentrado.

*Com informações do jornal Correio Braziliense8

(*) Contas Abertas

 

ESCANDALOBRÁS

Relatório do TCU pede punição de Mantega e Coutinho por Pasadena

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Parecer posterior do tribunal não menciona nomes das autoridades, mas relator do caso pode considerar os dois relatórios, inclusive da presidente Dilma

BRASÍLIA – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, também estão relacionados em parecer técnico do Tribunal de Contas da União (TCU) como responsáveis por supostas irregularidades na compra da refinaria de Pasadena, no Texas, pela Petrobras. A área técnica do tribunal tem pareceres divergentes sobre o tema e a menção não consta do parecer mais recente, assinado pelo supervisor da fiscalização, no qual a responsabilização de conselheiros da estatal é afastada.

A presidente Dilma Rousseff é outra ex-conselheira responsabilizada no primeiro relatório e excluída do segundo. Ela presidia o Conselho de Administração na ocasião da compra da refinaria, em 2006. Hoje, Mantega é o presidente do colegiado e Coutinho, um dos conselheiros na ativa.

A inclusão de Mantega e Coutinho entre os responsáveis foi feita pelo auditor Alberto Henriques de Araújo em 4 de junho. Ele afirma que a decisão tomada pelo conselho em 2009, referendando a posição da diretoria de recorrer de decisão arbitral que obrigava a Petrobras a comprar a parte em poder da sócia Astra Oil, ampliou o prejuízo do negócio.

AUDITOR VÊ ‘ATO DE GESTÃO ILEGÍTIMO E ANTIECONÔMICO’

Para o auditor, a presidente Dilma, o ministro da Fazenda, o presidente do BNDES e outros cinco conselheiros que participaram dessa decisão devem dar explicações sobre a suposta prática de “ato de gestão ilegítimo e antieconômico”. Segundo os cálculos apresentados, o prejuízo somente de juros decorrentes do recurso até o acordo firmado em 2012 totalizaram US$ 93 milhões.

Os nomes da presidente e dos ministros, porém, foram retirados da lista de responsáveis pelas supostas irregularidades, em parecer posterior, de 18 de junho, assinado pelo diretor da Secretaria de Controle Externo (Secex) de Estatais do TCU Bruno Lima Caldeira. A retirada, porém, não é conclusiva, uma vez que o ministro relator, José Jorge, poderá se basear nos pareceres anteriores para elaborar seu voto sobre o caso.

As divergências entre os técnicos estendem-se ao montante a ser ressarcido aos cofres da Petrobras pelo prejuízo total na compra. O valor caiu de US$ 873,1 milhões para US$ 620,1 milhões, caso as alegações dos diretores não sejam convincentes.

Dilma também tinha a responsabilidade apontada em outro ponto no parecer inicial. Alberto Henriques sustenta que a presidente e os conselheiros que participaram da compra da primeira metade em 2006 deveriam ser ouvidos em audiência para explicar suposto “exercício inadequado do dever de diligência” por não terem solicitados mais documentos para subsidiar a decisão.

O diretor responsável pelo processo mudou o entendimento, em parecer de 18 de junho. Ele não viu culpa de Dilma e dos conselheiros e retirou o grupo do rol de responsáveis. Dos 23 dirigentes e conselheiros da Petrobras constantes na lista anterior, restaram apenas nove. No mesmo dia, o secretário de Controle Externo de Estatais do TCU, Osvaldo Vicente Perrout, referendou a proposta do diretor. O processo foi aberto pelo tribunal em fevereiro de 2013 para apurar as circunstâncias da compra, que teve custo de aquisição superior a US$ 1,25 bilhão.

Os autos estavam na fase técnica, tramitando na Secex Estatais, que fica no Rio. Agora, caberá ao ministro José Jorge decidir quais responsáveis convocará para audiências e quais serão citados, para então elaborar o voto e submetê-lo ao plenário. É o colegiado que decidirá quem será responsabilizado pelas supostas irregularidades na compra de Pasadena. Não há previsão de quando isso ocorrerá. José Jorge tem mantido silêncio sobre o processo.

O parecer de Bruno Caldeira tem 28 páginas e aponta a necessidade de ressarcimento de US$ 620,1 milhões aos cofres da Petrobras por conta do negócio mal sucedido, caso os diretores responsáveis não apresentem alegações plausíveis para as irregularidades apontadas. Devem ser citados para explicar os prejuízos, na sua visão, o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli, o ex-diretor da Área Internacional Nestor Cerveró, o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, os outros integrantes da Diretoria Executiva na ocasião da compra, Almir Guilherme Barbassa, Renato de Souza Duque, Guilherme de Oliveira Estrella e Ildo Luis Sauer, e dois ex-funcionários, Luís Carlos Moreira da Silva, ex-gerente executivo da Área Internacional Desenvolvimento de Negócios, e Gustavo Tardin Barbosa, ex-chefe do escritório financeiro da Petrobras America.

O grupo deve se explicar ou ressarcir a estatal em US$ 580,4 milhões em razão do “prejuízo causado ao patrimônio da Petrobras em decorrência da celebração de contratos junto à Astra”, a companhia belga que vendeu a refinaria à empresa brasileira. Os auditores concluíram que a diretoria desconsiderou o laudo da consultoria especializada Muse & Stancil, que apontava um valor de US$ 186 milhões. A diretoria se comprometeu a comprar a segunda metade de Pasadena por US$ 766,4 milhões, “resultando injustificado dano aos cofres da companhia, em desacordo com o princípio da economicidade e da prudência”, concluiu o diretor da Secex do TCU.

Outro prejuízo apontado foi no valor de US$ 39,7 milhões. A área técnica do tribunal pede a citação do então chefe do escritório financeiro da Petrobras America, subsidiária da Petrobras responsável pelo negócio no Texas. Ele deve ressarcir o valor ou apresentar explicações por não ter cobrado da Astra uma quantia prevista em contrato.

Em relação ao conselho, o diretor entendeu que a responsabilização não é correta devido à omissão no resumo que subsidiou a decisão das cláusulas que obrigavam a compra da outra metade da refinaria e que garantiam rentabilidade mínima à sócia. “Em que pese o Conselho ter deliberado definitivamente sobre a aquisição em fevereiro de 2006, como pontuado pelo auditor, a decisão foi tomada com base em resumo executivo incompleto, elaborado pelo diretor da Área Internacional. De fato, o texto do resumo executivo citado realmente omitiu expressa ou indiretamente menção às cláusulas marlim e de put option”, cita o parecer.

PARECER POSTERIOR NÃO TEM NOME DAS AUTORIDADES

No parecer que antecedeu o de Bruno Caldeira, Dilma, Mantega, Coutinho e outros conselheiros aparecem no rol de responsáveis investigados pelo TCU, além dos diretores executivos na ocasião da compra. A proposta do auditor federal Alberto Henriques é converter o processo numa tomada de contas especial, para posteriores citações – quando há intenção de ressarcimento aos cofres públicos – e audiências – instrumento usado para apurar uma eventual irregularidade ou má gestão.

O auditor entendeu como “antieconômico” a decisão de referendar a proposta da Diretoria Executiva de postergar o imediato cumprimento da sentença arbitral relacionada à aquisição da segunda metade da refinaria, até que ocorresse uma decisão judicial em definitivo. Já os diretores, como Gabrielli e Cerveró, deveriam se explicar ou ressarcir a estatal em US$ 873,1 milhões, pelo entendimento desse primeiro parecer.

No início da noite desta quarta-feira, O GLOBO procurou as assessorias de imprensa do Ministério da Fazenda e do BNDES para que os titulares comentassem o pedido de responsabilização feito pela área técnica do TCU. Mantega não vai se manifestar sobre o assunto, segundo a assessoria do ministério, porque ele já deu as explicações necessárias no Congresso. Em 14 de maio, o ministro sustentou, em audiência em duas comissões da Câmara dos Deputados, ter sido contra a compra da segunda parte da refinaria de Pasadena. O presidente do BNDES também não comenta a respeito, conforme a assessoria de imprensa.*

(*) VINICIUS SASSINE E EDUARDO BRESCIANI – O GLOBO

“QUE PAÍS É ESTE?”

Padilha agora se jacta

de ter ‘chapa ficha limpa’

Até a última segunda-feira (30), se Deus aparecesse para o petista Alexandre Padilha e o intimasse a optar entre uma aliança com Paulo Maluf e a decência, o candidato do PT daria uma resposta fulminante: “Dane-se a decência!”

Depois que Maluf o abandonou e entregou o tempo de propaganda do seu PP para o rival Paulo Skaf, Padilha redescobriu o recato: “Nada me surpreende em política. Mas não abro mão das minhas convicções: ter Suplicy como senador e uma chapa ficha limpa.”

Beleza. O diabo é que, ao cuspir no prato que não comeu, Padilha deixa mal a companheira Dilma Rousseff, que carrega em sua coligação federal malufes e valdemares, lupis e outros azares.*

(*) Blog do Josias de Souza

TUDO PELA GOVERNABILIDADE

PMDB faz mais um na Caixa

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A presidente Dilma pediu ao vice Michel Temer que indique o novo vice-presidente Corporativo da CEF. O cargo era ocupado pelo presidente do PTB, Benito Gama, que deixou a função para concorrer à Câmara dos Deputados. O PMDB propôs um nome de carreira, o Superintendente da Regional Norte do Espírito Santo, Antônio Carlos Ferreira. A nomeação sai nos próximos dias.*

(*) Ilimar Franco, O Globo

IRRESPONSABILIDADE E INCOMPETÊNCIA

A incomPTÊncia administrativa

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Luz vai baixar 16,2% para cliente residencial, anuncia Dilma

Os consumidores residenciais terão uma redução de 16,2% na tarifa de energia elétrica, a partir do início do ano que vem. No caso das indústrias, a queda vai chegar a 28%. O anúncio foi feito na noite desta quinta-feira, num pronunciamento de Dilma Rousseff à nação, por ocasião das comemorações do feriado da Independência. Segundo a presidente, a medida — que resulta da diminuição de tributos que incidem sobre o setor — vai servir para aumentar a competitividade do Brasil em relação a outros países, permitindo atrair mais investimentos estrangeiros.

(*) Extra-o Globo, em 6/setembro/2012

 

RESULTADO

Conta de luz da Eletropaulo vai subir 18% amanhã

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Os consumidores residenciais da Eletropaulo deverão perceber um aumento de 18,06% em suas contas de luz a partir desta sexta-feira (4).

A mudança nos preços reflete a autorização dada pela diretoria da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para que a empresa corrija as tarifas praticadas desde o ano passado.

A distribuidora paulista atende 6,7 milhões de residências, escritórios e indústrias em 24 municípios da região metropolitana de São Paulo, incluindo a capital.

Para as indústrias, o aumento da tarifa será maior: 19,93%.*

(*) JULIA BORBA – FOLHA DE SÃO PAULO

QUADRILHAS…QUADRILHAS…

O PSDB amava o PSB, que amava o PT, que amava o PMDB, que amava todos…

000 - bate boca

Nos últimos dias, com os holofotes direcionados para a Copa do Mundo, os partidos realizaram convenções e definiram suas coligações nacionais e estaduais para as eleições de 2014. A falta de critérios na definição das alianças fez com que o prefeito do Rio, Eduardo Paes, apelidasse a movimentação dos partidos de “bacanal eleitoral”.

Embora todos os partidos tenham incorporado o discurso do novo, numa tentativa de se adequar às “vozes das ruas”, o que se vê é a exacerbação de uma velha prática política brasileira: o fisiologismo, motivado por tempo de TV, novos palanques ou interesses regionais. Acordos programáticos ficaram, mais uma vez, em segundo plano.

Rompimentos de alianças, viradas de casaca e união entre siglas ideologicamente antagônicas marcaram as negociações nos últimos dias.

Com isso, partidos aliados no plano nacional estarão em lados opostos em vários Estados; em São Paulo e no Rio e em várias outras unidades ocorrerá o inverso: adversários na disputa presencial irão subir nos mesmos palanques.

SP: Padilha perde Maluf; Campos apoia Alckmin

A maior surpresa em São Paulo foi a decisão de última hora do PP de Paulo Maluf de trocar o petista Alexandre Padilha por Paulo Skaf (PMDB) na disputa ao governo do Estado.

As duas siglas haviam celebrado a aliança para as eleições paulistas em 30 de maio, com direito a aperto de mão entre Maluf e Padilha e provocações a Geraldo Alckmin, que não mediu esforços para atrair o apoio de Maluf. Após perder o apoio do PP, Padilha entregou a vice candidatura ao PCdoB. Do lado tucano, a baixa foi a saída do PTB da coligação.

O PSD, que flertou com Padilha e Alckmin e até com a candidatura própria, decidiu apoiar Skaf. O principal líder do partido, o ex-prefeito Gilberto Kassab, se lançará ao Senado, tendo como concorrente seu padrinho político, o tucano José Serra, que desistiu de se candidatar a deputado federal.

Já o PSB abdicou da candidatura do deputado federal Márcio França ao governo do Estado e fechou apoio a Alckmin, contrariando a ex-senadora Marina Silva e toda a militância da Rede. A decisão teve respaldo do presidenciável Eduardo Campos, que terá Marina como vice. Com isso, Campos e Aécio Neves terão o palanque de Alckmin. Já Dilma Rousseff terá palanque duplo (Padilha e Skaf).

‘Dilminho’ e ‘Aezão’ no Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, Dilma terá quatro palanques: do senador Lindbergh Farias (PT), do ministro Marcelo Crivella (PRB), do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), e do deputado federal Anthony Garotinho (PR). O Pros, aliás, já batizou o voto conjunto emDilma e Garotinho de “Dilminho”. Já no PMDB fluminense, a maioria, descontente com a candidatura petista, prega o “Aezão”, com voto em Aécio e em Pezão.

Se em São Paulo o PSB se uniu ao PSDB, no Rio estará com Lindbergh, que ofereceu ao socialista Romário a candidatura ao Senado da chapa. A decisão também desagradou a Rede, que defendia candidatura própria.

PMDB dividido

Conhecido pela sua tendência em aderir a quem está no poder, o PMDB, principal aliado do PT no plano nacional, estará em lados opostos aos petistas em 11 Estados –entre eles Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Ceará–, número bem maior ao verificado nas últimas duas eleições.

O cenário do Ceará é um bom exemplo para ilustrar o estremecimento das relações entre PT e PMDB nos Estados. Lá, o senador Eunício Oliveira, candidato pemedebista ao governo do Estado, cedeu ao PSDB a vaga de senador em sua chapa em troca do apoio a Aécio. O candidato escolhido pelos tucanos foi Tasso Jereissati (PSDB), antigo adversário de Eunício, que volta à vida política depois de quatro anos.

Inicialmente, o PT não trabalhava com a ideia de candidatura própria e pretendia apoiar Eunício. Diante da aproximação do senador com os tucanos, os petistas decidiram lançar o deputado estadual Camilo Santana (PT) para a disputa do governo do Ceará. Santana foi escolhido por Cid Gomes (Pros).

PTB confuso

Outro partido dividido é o PTB. A sigla, que participa da base de sustentação ao governo Dilma, saiu da coligação petista e decidiu apoiar Aécio. A decisão, no entanto, desagradou os deputados federais petebistas, que decidiram manter apoio à Dilma nas eleições.

Uma imagem que representa o vai e vem petebista eram as propagandas exibidas pelo partido na convenção do último domingo (29). As peças exibiam a foto de Aécio, mas o slogan “Brasil, país rico é país sem pobreza”, usado pelo governo Dilma.

Oligarquias regionais

Alagoas vive uma das situações mais inusitadas: o PC do B irá apoiar a chapa de oposição ao governador Teotônio Vilela Filho (PSDB), que tem como candidato ao governo o deputado federal Renan Filho (PMDB) –filho de Renan Calheiros–, e o senador Fernando Collor (PTB), candidato à reeleição. A presidente do PC do B alagoano, Cláudia Petuba, declarou que “Collor é um grande exemplo de luta em defesa de Alagoas.”

No Maranhão, o PCdoB, tradicional aliado do PT, disputará o governo com Flávio Dino, que terá apoio de rivais petistas, como PSDB, PPS e DEM, além do PSB. Parte da militância petista fará campanha pelo candidato comunista. O principal adversário de Dino será Lobão Filho (PMDB), apoiado pelo PT e pela família Sarney.

No Pará, o DEM estará junto com o PT. As duas siglas irão apoiar Helder Barbalho (PMDB), filho do ex-senador Jader Barbalho, que enfrentará o atual governador Simão Jatene (PSDB).

Já no Distrito Federal, a surpresa é a candidatura de José Roberto Arruda (PR) ao governo, com apoio de outros figurões locais, como o ex-governador Joaquim Roriz e o ex-senador Luís Estêvão, ambos do PRTB. Os diretórios regionais do DEM e do PPS integrariam a coligação de Arruda, mas as executivas nacionais das siglas intervieram e vetaram o apoio.*

(*) Guilherme Balza –  UOL, em São Paulo

TÔ NEM AÍ…TÔ NEM AÍ…

Eleitor está bocejando e

andando para a eleição

000 - mensaleiro trabalhando

A grande novidade das útimas pesquisas eleitorais é a ausência de grandes novidades. No novo Datafolha, os pesquisados ajustaram a moldura. Mas não alteraram a paisagem. Sobe daqui, oscila dali o essencial é o seguinte: há um mês, Dilma tinha 34% contra 32% de todos os seus rivais somados. Agora, há um empate: Dilma 38% X 38% rivais de Dilma. Ou seja: mesmo sob o clima da Copa, cresceu a chance de a partida ser prorrogada para o segundo turno.

De resto, o que há é o mesmo desejo majoritário de que algo mude a partir de 2015. Um desejo à procura de um candidato que o personifique. Mal comparando, é como se o eleitor estivesse na posição do meio-campista que lançou a bola na grande área e espera que algum craque faça o gol. E espera. E espera. E espera… Na falta de algo menos pior, Dilma sobressai.

As coisas ficaram fáceis para os candidatos. Aécio e Campos podem passar o dia falando mal de Dilma e repetindo que, eleitos, vão baixar a inflação, elevar o PIB, cortar ministérios e remendar a ética. E Dilma pode desperdiçar o seu tempo declarando que só ela representa a mudança segura, a única capaz de avançar sem melecar os avanços sociais. E nada disso terá a menor importância.

Até agosto, a inflação deve furar o teto da meta, batendo em 6,6%. Com sorte, recua para 6,4% antes do Natal. O Banco Central acaba de rebaixar sua previsão de crescimento anual do PIB de 2% para 1,6%. Antes do Ano Novo pode chagar a 1%. A oferta de empregos é declinante.

Em janeiro de 2015, começa um novo mandato presidencial. A satanização de Dilma e a demonização dos seus rivais não levarão a inflação para o centro da meta, não reacenderão as caldeiras da economia nem salvarão os empregos. O que ganha eleição é a esperança, não raiva ou medo.

Por ora, o eleitor está bocejando e andando para a eleição. Natural. Dois espetáculos não cabem no mesmo palco. E a hora é da Copa. Mas logo, logo as pessoas vão prestar atenção nos candidatos. Convém a Dilma, Aécio e Campos extrair dos gamados um dos seus mais óbvios e sábios ensinamentos: não se olhe pra trás na hora de chutar em gol.

DatafolhaJulho

QUARTA-FEIRA, 2 DE JULHO DE 2014

SOM NAS CAIXAS

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A extraordinária cantora espanhola, de Barcelona,  Laura Simo, arrebenta em  “Waltz For Debbie”, de Bill Evans, com uma sexteto de tirar o fôlego. Fico devendo os nomes  dos músicos que constam somente na última faixa do ótimo CD.*

(*) Acir Vidal, editor do blog.

BRAZIL VARONIL…

Imagine depois da Copa

Tiririca-pior-que-ta-pode-ficar-sim

Preste atenção no dia 14 de julho. Não por ser aniversário da queda da Bastilha, na Revolução Francesa, nem pela tomada de Jerusalém aos muçulmanos, pelos cristãos da Primeira Cruzada. Mas será o primeiro dia após o final da Copa.

Teremos um Supremo sem Joaquim Barbosa, que se aposentou – homem áspero, cheio de defeitos, mas responsável por, pela primeira vez na História desse país, comandar o julgamento que mandou poderosos homens públicos para a prisão. Devemos ter José Roberto Arruda como candidato a governador de Brasília, pelo PR – partido comandado, da Papuda, por Valdemar Costa Neto, condenado do Mensalão. Arruda é um pioneiro: foi o primeiro governador preso no exercício do mandato. Renunciou ao Senado, por violar o sigilo de votação. Perdeu o Governo, cassado, por decisão da Justiça. E está bem nas pesquisas eleitorais.

Teremos em São Paulo uma chapa com Alckmin governador, Márcio França vice, Serra senador. Alckmin e Serra não se gostam, nenhum dos dois gosta de Aécio, mas é o candidato dos dois à Presidência. Márcio França gosta de Alckmin, mas é do PSB, que apoia Eduardo Campos, não Aécio. Serra e Kassab gostam um do outro, mas acabaram tendo que disputar ao mesmo posto, o Senado; e, disputando também os mesmos votos, podem ajudar a reeleger Eduardo Suplicy, do PT. O PT nem dá bola a seu candidato ao Governo, Alexandre Padilha, e discretamente está com Skaf, um líder patronal. Até mandou Maluf apoiá-lo.

Dia 14, após a Copa, o país pode estar feliz ou infeliz. Mas melhor não estará.

As alternativas

charges-do-milllor-quarta-300312-humor-politico(Millôr Fernandes, o imortal)

Não está satisfeito com nenhum dos três candidatos mais bem colocados nas pesquisas – Dilma, Aécio, Eduardo Campos? Pois ainda restam várias opções: o pastor Everaldo, por exemplo; José Maria Eymael – sim, o do Ey, Ey, Eymael; Levy Fidélix, o do Aerotrem; Rui Costa Pimenta; Zé Maria; Luciana Genro; Eduardo Jorge. Alternativa é o que não falta para a escolha de seu candidato. *

(*) Coluna Carlos Brickmann

COM MÃO DE GATO…

Programa de Dilma exclui propostas polêmicas do PT

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Nova versão abandona teses sobre mídia, reforma política e Lei da Anistia

Plataforma para a campanha à reeleição dará ênfase a sistema que estimula criação de conselhos populares

A coordenação da campanha da presidente Dilma Rousseff excluiu do programa de governo da sua candidatura à reeleição bandeiras tradicionais do PT, como a democratização da mídia e a adoção do financiamento público de campanhas políticas.

Por outro lado, o texto promete a adoção de medidas de “aprofundamento da democracia”, que irão se somar à polêmica decisão do Planalto de vincular decisões de órgãos do governo federal à opinião de conselhos populares.

A primeira versão do programa de Dilma, à qual a Folha teve acesso, ainda será analisada pela presidente e pode passar por modificações antes de ser entregue ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) até o fim da semana, quando ela registrar sua candidatura.

O documento em que o PT apresentou suas diretrizes para o programa de Dilma, aprovado em maio pela cúpula do partido, incluía o “compromisso” de discutir a democratização dos meios de comunicação em um eventual segundo mandato. Na versão do programa concluída na segunda-feira (30), o compromisso foi eliminado.

No texto aprovado há dois meses, os petistas sugeriam que, num segundo mandato, o governo discutisse ações para impedir “práticas monopolistas” da mídia, “sem que isso implique qualquer forma de censura, limitação ou controle de conteúdo”. O trecho também foi cortado.

Segundo relato de participantes da reunião de segunda, apesar de defendido pelos petistas, o tema não é consenso entre os demais partidos que compõem a coligação e, por isso, não foi incorporado.

Ministros de Dilma como o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, defenderam a retirada do trecho. O tema divide opiniões na campanha. O presidente do PT, Rui Falcão, e o ex-ministro Franklin Martins defendem o ataque aos monopólios da mídia.

Os auxiliares da presidente também retiraram do documento pontos da reforma política que têm respaldo do PT, como o financiamento público de campanhas e a convocação de uma Assembleia Constituinte exclusiva para aprovar a reforma política.

“A proposta que a presidente Dilma e o PT submetem à sociedade é que seja convocado um plebiscito. A população teria a oportunidade, então, de se manifestar sobre os pontos considerados fundamentais para transformar e recuperar a credibilidade do sistema político brasileiro”, afirma o documento.

A campanha eliminou trecho que tratava de voto em listas partidárias, aumento da participação feminina na política e o fim de coligações para as eleições proporcionais.

O plebiscito foi proposto por Dilma em resposta às manifestações de junho do ano passado. Ela chegou a propor a criação de uma Assembleia Constituinte para a reforma política, mas depois recuou.

O programa de governo também não faz menção à revisão da Lei de Anistia, citada no documento de maio.

Em uma sinalização na mão inversa, a versão acordada pela equipe de campanha defende que a participação popular na avaliação de decisões de governo deve ser transformada em uma “cultura de gestão”, a ser mantida pelos governos futuros, no espírito do polêmico decreto sobre conselhos populares baixado por Dilma em junho.*

(*) ANDRÉIA SADI – FOLHA DE SÃO PAULO