REBOBINADO

Para nunca mais esquecer

Memórias do blog

Hoje, há um ano, Dilma foi reeleita depois da campanha mais suja e agressiva desde a que elegeu Fernando Collor presidente em 1989. Lula foi vítima de Collor. Aécio e Marina, de Dilma.

Candidatos mentem muito para se eleger. Nenhum candidato a presidente depois de Collor mentiu tanto quanto Dilma.

O que faz Dilma ser rejeitada como um presidente jamais foi, nem mesmo Collor, não é a crise econômica. É a mentira. As pessoas que votaram nela sentem-se roubadas.

O ruim para Dilma é que ela governará assim até o fim . E pior: sem saber até quando exatamente governará.

Herança maldita de quase cinco anos de Dilma presidente: recessão; inflação de quase 10%; taxa de desemprego de 7,6%; juros do cheque especial de 253% ao ano.

A variação negativa do PIB em 3%, estimada para este ano, é o pior resultado desde 1990.

Faz parte da herança maldita a corrupção que reduziu o valor da Petrobras e emporcalhou a imagem do Brasil lá fora.

Por sinal, tão próxima de Lula presidente, Dilma nunca soube do mensalão. Nem desconfiou. Eleita presidente, nunca soube da roubalheira na Petrobras. Nem desconfiou.

Se soube do mensalão e da roubalheira na Petrobras, foi cúmplice nos dois casos. Se não soube foi incompetente.

Debite-se na conta de Lula a escolha de Dilma para sucedê-lo. E na da maioria da nossa gente, o engano cometido.

Mas que sirva de consolo: somente o erro ensina.*

(*) Blog do Noblat

SE NÃO FOR O QUE O REIZINHO QUER…

Argumento fraudulento

Um julgamento em que o único resultado aceito é a absolvição do réu não passa de uma fraude. A declarada disposição dos petistas, através de seus mais destacados membros, de considerar golpe a confirmação da condenação de Lula no julgamento do dia 24 do Tribunal Regional Federal de Porto Alegre (TRF-4) é mais um passo para a confrontação, que seria apenas política se ficasse na retórica, e não passasse ao desrespeito a uma decisão judicial ou ao incitamento às “lutas de rua”, como fez o senador Lindbergh Farias.

Da mesma maneira que a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffman, disse que ao afirmar que para prender Lula teriam “que matar muita gente” estava usando “uma força de expressão”, também Lindbergh disse que ao chamar os militantes petistas para o “enfrentamento, as lutas de rua” estava se referindo ao “embate político”.

O juiz federal Marcelo Bretas, responsável pelos processos da Lava-Jato no Rio, criticou no twitter o senador petista, classificando sua declaração de conclamação “de grupos de pessoas para atos de violência”. O uso, premeditado ou não, de palavras ou expressões marcadas por violência pode ser irresponsável ou malicioso, dependendo do entendimento de cada um, mas nunca um instrumento normal da política.

No caso de Lindbergh, ele afirma ainda que o PT e seus militantes não devem mesmo aceitar uma nova condenação de Lula, pois ele é inocente. Em uma democracia, não há maneira de não aceitar uma decisão da Justiça, e portanto o senador petista está sugerindo ações fora da lei, mesmo que essa não seja, como diz, sua intenção. A tentativa do PT de desqualificar a decisão dos juízes do TRF-4 é despropositada e necessariamente não democrática.

Não é posição de um partido que disputa pelas regras democráticas, disposto a respeitar as leis. Lula vai fazer tudo para ganhar tempo com os recursos cabíveis, em duas frentes. O mais importante no primeiro momento é, se a condenação for confirmada, ter um voto favorável para permitir os chamados embargos infringentes, que retardariam uma virtual prisão, consequência natural da condenação.

O procurador da República Mauricio Gotardo Gerum, que vai pedir o aumento da pena para Lula no julgamento por considerar que ele cometeu três crimes diferentes e não apenas um, desmentiu que pedirá a prisão cautelar de Lula. Qualquer medida relativa ao cumprimento da pena seguirá o andamento normal da execução penal, disse ele, indicando que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) será seguida, só levando à prisão ao final dos recursos.

Na questão eleitoral, somente a partir das convenções partidárias oficiais, até 5 de agosto, é que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determina a inelegibilidade do candidato condenado em segunda instância, com base da Lei da Ficha Limpa. Depois disso, o candidato pode recorrer ao STJ e ao STF e, dependendo do ritmo dos processos, Lula pode conseguir chegar ao dia 20 de setembro em condições de registrar seu nome na urna eletrônica.

Antes disso, até o dia 17, Lula poderá renunciar e indicar um substituto, e essa será uma indicação claríssima do ânimo que o embala. Se apresentar um substituto, demonstrará que está disposto a continuar jogando o jogo democrático. Se insistir em ter seu nome na urna, pode estar criando uma crise institucional brutal, pois se perder o recurso final, os votos dados a ele serão anulados pela Justiça Eleitoral.

Os recursos, de acordo com a Lei das Inelegibilidades, terão prioridade sobre todos os demais processos, justamente para tentar impedir a protelação da decisão final. O ideal é que nesses 43 dias entre 5 de agosto e 17 de setembro os tribunais superiores se pronunciem para não deixar margem a uma crise institucional por falha da legislação. *

(*) Merval Pereira – O Globo

PEDALA, LULA, PEDALA!

Do pedalinho ao viaduto

O Brasil está brincando de passar a mão na cabeça de bandido simpático para ver se salva a lenda populista

O Viaduto Dona Marisa Letícia leva ao paraíso. Não o bairro paulistano, mas o Nirvana mesmo. O lugar onde não há culpa, só prazer. Exemplo: o contribuinte brasileiro (você) está pagando US$ 3 bilhões aos americanos pelo assalto de Lula à Petrobras. Enquanto isso, o próprio Lula é convidado para uma animada partida de futebol com Chico Buarque – uma espécie de celebração à delinquência, provando de uma vez por todas que o crime compensa, se tiver a embalagem certa. A única injustiça é você pagar e não ser convidado para jogar também.

Aí a maior cidade da América Latina inaugura uma obra viária com o nome da recém-falecida esposa do maior assaltante da história nacional. Criminoso este já condenado e, agora, em vias de ser preso. Detalhe: a própria homenageada, antes de falecer, estava sendo investigada como cúmplice do marido em seus crimes de corrupção passiva – sendo os mais visíveis deles o do tríplex em Guarujá e o do sítio em Atibaia, aquele que tinha os pedalinhos personalizados “Lula & Marisa”. Os autores da homenagem devem ter imaginado que quem já batizou pedalinho pode batizar viaduto sem problema nenhum.

É disso que o Brasil está brincando nos dias de hoje: passar a mão na cabeça de bandido simpático para ver se salva a lenda populista. Está dando certo. Existe por exemplo uma horda de indignados com o desabafo comovente do mesmo Chico Buarque, dando conta de que não consegue mais andar nas ruas do Leblon sem ouvir o bordão “vai pra Cuba, viado”. É mesmo uma grosseria. Resta saber onde estariam os grossos se o cantor não tivesse virado marqueteiro de bandido. Possivelmente estivessem remoendo em silêncio a sua grossa insignificância.

É um enigma insondável essa compulsão de alguns grandes artistas por causas vagabundas. Em Hollywood há uma penca de estrelas, também de inegável talento, comprometidas com a ditadura sanguinária da Venezuela – todos fingindo que o chavismo é a redenção dos pobres do Terceiro Mundo. Assim como os falsos heróis brasileiros, são personalidades que não precisariam dessas lendas fajutas, por já serem, eles mesmos, figuras lendárias (graças à sua própria obra). Ou seja: renunciam à grandeza para besuntar a reputação de verniz falso. Poderia ser altamente pedagógico se, entre um e outro “vai pra Cuba, viado”, surgisse um “se olha no espelho, querido”.

Enquanto houver gente para propor e para tolerar um viaduto homenageando a primeira-dama do petrolão, esse espelho vai sempre refletir um líder revolucionário em lugar do oportunista melancólico. E esse oportunismo faz escola. Entre os candidatos a reabilitar o PT do maior assalto da história estão também procuradores, juízes e outros fascinados com os ganhos fáceis proporcionados pelo tal verniz de esquerda – cuja falsidade se constata num simples olhar para Lula ou Maduro: picaretagem não tem lado, muito menos ideologia.

Rodrigo Janot, de triste memória, está sendo convocado pela Polícia Federal para depor sobre a farsa da delação de Joesley – na verdade uma conspiração tosca para tentar devolver o poder aos companheiros. Entre os cúmplices da malandragem malsucedida estão ministros do STF como Edson Fachin, hoje também conhecido como Edson Facinho, dada a celeridade sem precedentes com que homologou o truque mambembe – contando com a altiva cobertura da companheira presidenta da Corte. Aí você fica sabendo que as provas de Mônica Moura (alguém se lembra dela?) contra Lula e Dilma ficaram sete meses paradas no Supremo – e constata até que ponto pode chegar o altruísmo para com os protagonistas da lenda.

Personagens soltinhos da silva como Dirceu, Dilma e agora até o lendário mensaleiro Pizzolato (obrigado, companheiro Barroso) estão conspirando à vontade e falando pelos cotovelos, com o caixa cheio para promover suas micaretas revolucionárias. Enquanto isso, os outrora diligentes investigadores da Lava Jato – destaque cheio de purpurina para o mosqueteiro Dartagnol Foratemer – estão fazendo comício no Twitter e cuidando, também eles, de se besuntar da lenda salvacionista à prova de espelho.

Ou o Brasil sobe o viaduto das panelas acelerando para ver se chega ao paraíso ou mostra com todas as letras que futebol de bandido é no presídio.*

(*) Guilherme Fiúza – ÉPOCA

NO PAÍS DO FAZ DE CONTA

Primeiro, estranha-se; depois, estranha-se

Ah, se os companheiros Deltan Dallagnol e Carlos Fernando conhecessem o Twitter na época em que Lula e Dilma desgovernavam

A Suécia não tem graça. Coisa modorrenta assolada por paisagens de quebra-cabeças com castelos e lagos; mesmice iluminada por Ingrid, dirigida pelo grande Ingmar e musicada pelo ABBA (com uma das dicções mais perfeitas do inglês); sem-gracice de um país sem sol onde o sol nasce para todos; aquele tédio de nações sem corrupção, sem selvageria urbana, sem balas perdidas encontradas em corpos de inocentes, sem analfabetos nem desdentados. Acabo de ler “Um País Sem Excelências e Mordomias” (Geração Editorial, 336 páginas, 2014), da jornalista brasileira Claudia Wallin, que mora lá há um tempão. O livro é consistente e, para analisar a robustez da democracia e da cidadania na belíssima Suécia, faz uma retrospectiva sobre a passagem do poder da monarquia para a sociedade na figura do parlamento. Há pouco mais de 100 anos, o país era tão animado quanto o Brasil, sem sol nascendo para todos e nem cantava “The Winner Takes it All”, mas compensava tudo com a corrupção generalizada, baixa educação da população e alta criminalidade, o que a tornava um dos países mais atrasados da Europa.

Os suecos são gente como a gente; mas, sem a desgraça de contar com um salvador Lula da Silva para tirar da miséria sua população e ainda transformá-la quase inteiramente “nazelite” de olho azul abrigada numa das democracias mais aborrecidamente sólidas do mundo, tiveram de apelar. Assim, a soteriologia sueca apostou em educação e pesquisa, em princípios econômicos liberais, na aplicação das leis segundo elas mesmas, no aperfeiçoamento de suas instituições com uma cultura que desestimula privilégios de tal forma que políticos e magistrados usam transporte público ou os próprios carros sem auxílio-gasolina. O Estado concede imóveis funcionais, mas apenas para o ocupante do cargo público; se ele trouxer o cônjuge, este tem de pagar a metade correspondente ao valor de mercado do aluguel.

Mas quem pensa que o Brasil não tem jeito não sabe que isso aqui está assim “ó” de brasileiros, gente que não desiste nunca: o salvador Lula não deu certo? Pois há viveiros de heróis no Judiciário, no Ministério Público, no showbiss e até na política sob medida para nosso puerilismo patológico. Agora mesmo, depois de quieto enquanto o Brasil padecia sob vexames como Aloizio Mercadante que, no Ministério da Educação, ensinava que museu nada tem a ver com educação, o Judiciário descobre que pessoas “sem currículo compatível com a tarefa” não podem ser ministros. Piadas cansadas simulando análises sobre Temer insistir na prerrogativa de errar, ainda que erre em favor do bem maior que é a reforma da previdência, não enxergam e/ou omitem a marcha insana do Judiciário em decidir que Temer não governará enquanto a reforma da previdência estiver no horizonte. Ela também motiva a liminar contra a privatização da Eletrobras, concedida para desgastar o governo. A pátria dos nacionalistas-corporativistas não é o Brasil, mas a privilegiatura camuflada num discurso mofado de nacionalismo politiqueiro. Críticos a isso são promovidos a defensores-de-bandido, anticristos legalistas. Estes, os argumentos mais maduros. Os demais, arremessados por seguidores das igrejinhas erguidas por radicaloides à direita e à esquerda para serem glorificados, xingam e tentam intimidar.

Ah, se os companheiros Deltan Dallagnol e Carlos Fernando conhecessem o Twitter naquela época em que deixavam Lula e Dilma desgovernarem! Mas salvadores estão na hora e no lugar certo que eles escolhem, assim o impeachment de Dilma levou os procuradores foratemeristas a matar o empregão para nos atualizar, via redessociolândia, sobre os crimes de toda essa gente que sucedeu a súcia-salvadora e que tenta destruir a Lava Jato, ao passo que a própria, estranhamente, não incomoda a mãe de Pasadena e mantém solto o criador do petrolão que, em troca, atacam a Justiça. Enquanto os procuradores silenciam sobre a escalada dos ataques ao juiz Moro e aos desembargadores do TRF-4, o procurador-tuiteiro Helio Telho adicionou ao berreiro contra a reforma da previdência o vídeo em que Gilmar Mendes é hostilizado em Portugal. Porque uma coisa é atacar Moro e outra completamente idêntica é atacar Mendes: o silêncio e o barulho estranhos dos procuradores e os ataques aos dois magistrados aviltam o estado de direito democrático. Em países estranhos, muita gente acha que ele só serve para proteger bandidos, quando, na verdade, estes são protegidos se ele for extinto.

Mendes é execrado por juízes/MPF em razão do anticorporativismo que reafirmou numa entrevista ao site CONJUR explicando a inconstitucionalidade da liminar de 2014 do ministro Fux que concedeu auxílio-moradia a juízes e procuradores mesmo que tenham residência própria e trabalhem onde residem. Nessa nova hemorragia, o orvalho sangrante da privilegiatura já drenou quase R$ 5 bilhões que o Brasil não tem. Se as decisões de Moro e Mendes fossem explicadas por jornalistas e demais formadores de opinião, os ataques talvez se diluíssem, dando uma chance à racionalidade; perigo afastado cotidianamente. De todo modo, o senso de justiça ─ com toda sua carga de subjetividade ─ não se satisfaz com esclarecimentos técnicos, isso é natural, e é um direito de todo cidadão não gostar de decisões jurídicas e pressionar juízes (que devem cumprir sua obrigação de não ceder); bom seria fazê-lo com civilidade, mas nem o que houve com Mendes em Lisboa nem o que os petistas fazem contra Moro é positivo.

Lula permaneceu livre pelas “medidas menos gravosas” do juiz Moro que, quando o condenou, admitiu ser cabível a prisão preventiva; entretanto, para “evitar traumas decorrentes da prisão de um ex-presidente”, preferiu deixá-lo solto. “Certos traumas” é figura jurídica inexistente que adensou a aura de intocável de Lula e nutriu a insânia de sua grei fanática. Falo com todo o respeito a Moro, que já fez um trabalho admirável pelo bem do Brasil, mas falo também com a frustração de uma brasileira que sonha com o sol e a lei nascendo para todos neste país que a gente primeiro estranha e, depois, estranha: quem, no lugar de Lula, ainda estaria solto? Não reduzo Moro a herói, eu o vejo como um homem íntegro passível de erros como qualquer pessoa. E acho que ele errou nesse estranho xadrez que poupa o rei. Também Mendes erra quando, por exemplo, não se declara impedido em determinados casos, mas acerta quando não cede à ideia absurda de que juiz tem de ser um fofo que ouve as ruas. Tem nada! Não por soberba, mas porque Thomas Hobbes merece uma chance mesmo num país estranho.

“Currículo incompatível com a tarefa” não está na lei, mas a isso se dá um jeito no país do jeitinho. A nação do futuro roubado por Lula que continuará solto não perde tempo com leis e isolou o mal: a fábrica de habeas corpus cujos críticos não conseguem demonstrar quais dispositivos legais viola. Desnecessário: se não foi o Ministro Barroso quem soltou ─ né, Pizzolato? ─, está errado. Ademais, aonde chegaremos com essa frescura de leis? Em 100 anos, talvez à Escandinávia, aquela sem-gracice. Nada disso, a ideia é limpar o Brasil, a Suécia levou tanto tempo porque não tem Twitter nem o jeitinho brasileiro.

Não compreendo o Brasil que, ansiando pelo novo e por limpeza, atrela-se a duas versões do atraso sujas de primitivismo e que repelem reformas; uma é o pai do petrolão; a outra, um mito radicaloide só visível em tempos desoladores. Antes de chegarmos a outubro, todos os oráculos juram que nossos salvadores dão expediente no TRF-4. Com salários de até R$270 mil, segundo dados oficiais, não querem nem ouvir falar em reformar a previdência. Tem salvação um país que sustenta salvadores a esse preço?*

(*) Valentina de Botas, no blog do Augusto Nunes

FALA SÉRIO!

É brincadeira

Salário cobiçado pelos vice-presidentes, já aprovado em assembleia da Caixa: R$ 87.398. Os R$ 15 bilhões para cobrir o rombo da roubalheira viriam do FGTS.

 

Primeiro quebraram a Caixa. Agora os diretores querem se presentear com aumento de 37%.

Ministério Público e diretoria de Fiscalização do Banco Central alertaram o presidente da República que era necessário demitir todos os 12 vice-presidentes, sob pena dele, presidente, ser responsabilizado por crimes cometidos pela diretoria ali instalada. São pessoas indicadas pelos políticos aliados. Depois de resistir por mais de um mês, Temer demitiu 4 dos 12 vices na terça-feira, dia 16.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que os 8 que ficaram seriam avaliados. Não diga!

E ainda não foram, ministro?

Pior: para cobrir o rombo dos irresponsáveis, o presidente Temer sancionou, no comecinho deste mês, lei aprovada pelo Congresso que autoriza o trabalhador a “emprestar” R$ 15 bilhões para a Caixa. Dinheiro do Fundo que, não à toa, existe para “Garantia por Tempo de Serviço”. E que, assim como todo o resto da Caixa, é de propriedade do trabalhador, e não deles.

O ministro Benjamin Zymler, do Tribunal de Contas da União, disse que a operação “envolveria elevados riscos para o FGTS“, e que a legalidade está em exame na corte. Sem o ok do TCU, o dinheiro não sai, apesar da lei de Temer. (E depois ainda se queixam da “excessiva” ingerência do Judiciário em questões de governo.)

Debaixo de uma rajada de perguntas, Meirelles disse ontem que procura outras alternativas para salvar a instituição.

Agora, eles vêm com essa: espantoso aumento salarial, já aprovado em assembleia da Caixa em 14 de dezembro, para quem afunda o banco público. Mas ainda sujeito à aprovação do mesmo Meirelles, ah bom.

Diz a reportagem  do Estadão, fechada para assinantes: “Mesmo em crise, Caixa prevê aumento de 37% no salário anual de seus vice-presidentes “, cuja remuneração ode chegar a R$ 87.398. Por mês.  O mesmo texto, reproduzido aqui por jornal de Goiânia, está liberado.*

(*) Lillian Witte Fibe –  veja.com

CHEGA DE REGALIAS

Sérgio Cabral foi ali e espera voltar logo

Quer escracho maior do que a defesa do ex-governador Sérgio Cabral alegar, como informa a coluna “Painel” da Folha de São Paulo, que a transferência dele da penitenciária de Benfica, no Rio, para outra no Paraná só trará prejuízos aos cofres públicos?

Desde quando Cabral se preocupou com o estado dos cofres públicos a não ser para escandalosamente limpá-los em proveito próprio? Por isso já foi condenado a penas que somam 87 anos e 4 meses de cadeia. Outras penas virão.

Cabral foi transferido para o Paraná porque, no Rio, assumira o controle de Benfica sem dar um único tiro. Sabe-se lá o que deu…*

(*) Blog do Noblat

 

A PROPÓSITO

Cabral algemado

FAKE NEWS

Lula, o leitor

Aproveito o ensejo para pedir ao Lula que insista com sua correligionária Gleisi Hoffmann para que ela se dedique também às artes da leitura

 Ler Os Sertões não é para qualquer um, já sabemos. Saber que Lula se dedicou à leitura dessa obra até entusiasma, não é não? Como é natural, ele, neófito em literatura, sobretudo na leitura de livros de alta erudição como o livro do grande Euclydes da Cunha, ficou meio atrapalhado. Eu, por exemplo, gostaria de saber quem sugeriu essa leitura ao Lula. Não sei se vou ser injusta, mas penso que quem o fez quis dar uma rasteira no Lula, fazê-lo sentir-se como um dos sertanejos de Canudos. Distraído, o coitadinho do Lula confundiu a história e fez do Antonio Conselheiro uma vítima do oficial Flores da Cunha. Lula atrapalhou-se: Flores da Cunha morreu três meses antes do Conselheiro…
O fato concreto, como gosta de dizer o ex-presidente, é que fiquei feliz ao ver que o Lula se rendeu às delícias da leitura, ao prazer de pegar um bom livro e ler para aprender! Não é por torcer para que ele nunca mais chegue nem perto do Planalto que vou desejar que o pobre coitado tenha uma velhice infeliz. Pelo contrário, além de lhe desejar uma velhice saudável e tranquila, desejo-lhe uma temporada na prisão menos dolorosa e nada como bons livros para que isso possa acontecer.

Aproveito o ensejo para pedir ao Lula que insista com sua correligionária Gleisi Hoffmann para que ela se dedique também às artes da leitura. Desse modo, ela também terá uma vida mais agradável quando for condenada à prisão, de fato, ou domiciliar. Afinal, não vejo como uma senhora que declarou que para cumprir um eventual pedido de prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva muitas pessoas teriam que ser presas e outras mortas possa escapar de ser condenada e detida. Ela tentou consertar dizendo que isso foi força de expressão, de tanto que ela e os petistas amam o Lula. Falta leitura à dona Gleisi…

Vem aí o dia 24. As fake news e seus adeptos se agitam espalhando notícias de todo tipo. As redes sociais dizem de tudo um pouco. Pena, fazem mais mal que bem ao país. Sugiro que esperemos calmamente a solução que nossa Justiça trará. As provas falarão. E nós, cidadãos que queremos fortalecer cada vez mais a Justiça, receberemos a sentença com tranquilidade já que tudo que nos importa é um Brasil cada vez mais justo e sólido.*

(*) Maria Helena RR de Sousa é professora e tradutora, no blog do Noblat

DEBI & LÓIDE

Lula e Bolsonaro são piores que analfabetos funcionais

As duas faces da mesma moeda no desprezo aos livros e à leitura

Na última semana, uma matéria da edição impressa da Veja fez um levantamento dos hábitos de leitura dos dois primeiros colocados nas pesquisas para as eleições presidenciais de 2018. Ou melhor, um levantamento dos hábitos de não-leitura, já que Lula e Bolsonaro dão provas abundantes de que consideram os livros um mal desnecessário — e desnecessário é a palavra para eles.— Há três ou quatro anos eu não tenho tempo para falar em livro — disse Bolsonaro. — Eu fico no WhatsApp.

— Vejo televisão — disse Lula. — Quanto mais bobagem, melhor para mim.

Eis o perfil intelectual dos homens que se apresentam para ocupar o cargo mais importante do país. Não é de admirar que sejam ambos estouvados, teimosos, arrogantes e autoritários — características típicas de quem usa a ignorância como troféu.

Muito já se falou sobre o medo ou mesmo o ódio que o brasileiro médio possui dos livros. São sentimentos que se manifestam tanto no iletrado que não concluiu o fundamental quanto no universitário que se gaba de ter conseguido o diploma sem nunca entrar numa biblioteca.

Por que seria diferente com os homens públicos?

O simples fato de fazermos essa pergunta demonstra o beco sem saída em que se encontra o Brasil. Pergunte a qualquer presidente europeu o que ele está lendo e receberá uma resposta na ponta da língua — mesmo que seja mau leitor, citará títulos relevantes porque sabe que também será avaliado por suas leituras.

É claro que o truque não serve para Lula, Bolsonaro e a esmagadora maioria dos políticos brasileiros. E é isso o que mais impressiona na dupla de presidenciáveis. Ainda pensam que livros são enfeites ou passatempo de ociosos, e não fontes de ideias capazes de construir uma visão de mundo decisiva no comando de uma nação.

Ideologias à parte, se Lula e Bolsonaro lessem um pouco, mas só um pouquinho, deixariam de proferir 90% das barbaridades irresponsáveis que estão incitando ódios primários entre a população. A despeito de suas origens humildes, uma eterna desculpa esfarrapada para o despreparo intelectual, tiveram tempo de sobra para se aproximar e se beneficiar dos livros.

A matéria da edição impressa termina com uma história que indica o abismo em termos de leitura existente entre nós e o mundo anglófono. Durante a Segunda Guerra Mundial, o presidente americano Franklin Roosevelt e o premiê britânico Winston Churchill comemoraram uma ação militar bem-sucedida recitando trechos de Shakespeare um para o outro.

A cena é impensável no nosso caso, a não ser como piada, e tanto faz se fosse Lula ou Bolsonaro a ocupar o Palácio do Planalto. Ligaria o presidente de Portugal e faria uma citação d’Os Lusíadas. Diante do silêncio ao telefone, explicaria que é uma obra de Camões.

— É uma testemunha pra mim? — diria Lula. — Não? Então cadê as prova, companheiro?

— Deixa o vagabundo comigo — diria Bolsonaro. — Prendo e mando torturar.*

(*) Maicon Tenfen, coluna do leitor, veja.com