A VOLTA DA VANGUARDA DO ATRASO

Os preços dos combustíveis e o populismo

A afirmação do presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), de que “entre os ‘Parentes’ e os consumidores vou ficar com os consumidores”, revela muito sobre o populismo predominante entre os políticos do País.

 Em vez de aplaudirem a atitude do presidente da Petrobrás, Pedro Parente, de gerenciar a empresa com a filosofia da iniciativa privada, ajustando os preços dos combustíveis conforme as oscilações do mercado externo, eles defendem o uso da companhia como ferramenta de política econômica. No fundo, o que querem mesmo é que Petrobrás seja administrada como nos tempos de Lula e Dilma, quando eles a tungavam com a colaboração do Planalto e quase a levaram à bancarrota. *
(*)  José Fucs – Estadão

OH, MINAS GERAIS, ÔN CÔ TÔ!!!

Minas, não há mais!

PSDB e PT passaram o rodo entre as montanhas

A desqualificação da política brasileira é ampla, geral, irrestrita, e vem de muito tempo. Atinge todos os Estados. Mas logo em Minas, por uma série de circunstâncias, ela ganhou destaque.

Fernando Pimentel (PT), o governador, é acusado de usar caixa 2 para se eleger, de receber propina de empresas em troca de favores e de omissão de contas à Justiça. Responde a processo de impeachment.

Renato Azeredo (PSDB) foi condenado a 20 anos e um mês de prisão por peculato e lavagem de dinheiro no caso que ficou conhecido como “o mensalão dos tucanos”. Dormiu, ontem, sua última noite em casa.

Afastado do mandato de senador, posto em prisão domiciliar, solto depois, Aécio Neves (PSDB), que governou Minas duas vezes e quase se elegeu presidente, é acusado de corrupção e está fora da política.

Minas de Juscelino Kubistchek, Tancredo Neves e outros tantos não há mais. É uma fotografia pendurada na parede e esmaecida pelo tempo.*

(*)  Blog do Ricardo Noblat

O HOMEM DO PLANALTO

Meirelles é corajoso. Será o candidato do “Tem que manter isso, viu?”

Henrique Meirelles sempre sonhou em se aventurar numa corrida presidencial. Não imaginou que receberia um carro batido, com os pneus furados e na última posição do grid.

O primeiro desafio do ex-ministro é conseguir dar a largada. Seus maiores adversários estão no próprio MDB. Figurões do partido, como Renan Calheiros, prometem fazer de tudo para impedi-lo de entrar na pista.

A sigla não lança candidato ao Planalto há 24 anos. Sua especialidade é outra: eleger parlamentares e vender apoio ao governo, seja quem for o presidente.

Se sobreviver à convenção partidária, em julho, Meirelles passará a enfrentar a sabotagem interna. Em 1989, o ex-PMDB abandonou Ulysses Guimarães à própria sorte. Em 1994, repetiu a dose com Orestes Quércia. Os dois tiveram desempenho de nanicos, com menos de 5% dos votos.

As perspectivas deste ano não parecem muito melhores. Apesar da superexposição na Fazenda, Meirelles não passa de 1% nas pesquisas. Está empatado com rivais não correm o risco de ser reconhecidos na rua, como João Amoêdo e Paulo Rabello de Castro.

O ex-ministro queria chegar a 2018 num cenário bem diferente. Esperava ser reconhecido como o homem que tirou a economia do buraco. Agora a recuperação empacou, e o país volta a enfrentar a disparada do dólar e do preço dos combustíveis.

Meirelles ainda terá que carregar a impopularidade alheia. Segundo o Datafolha, 86% dos brasileiros rejeitam votar em alguém apoiado por Michel Temer. O presidente virou um espantalho de votos. Nem o Papa seria capaz de vencer como o candidato do “Tem que manter isso, viu?”.

O ex-ministro sabe disso, mas ainda não pode abandonar o ex-chefe. Ontem ele declarou que Temer será “um cabo eleitoral positivo”, e que a palavra “coragem” é a melhor definição do governo que está aí. Precisará de mais coragem ainda para repetir isso na campanha.*

(*) BERNARDO MELLO FRANCO – O GLOBO

***

“O ideal de Maquiavel é um Príncipe que não precisa prestar satisfações aos súditos. Hoje, quando governantes se calam é sinal de que não estão sendo pressionados a se manifestar. E esta pressão só pode ser exercida pela imprensa” — Alberto Dines (1932-2018).

IMBLÓGIO NACIONAL

Com greve de caminhoneiros, preços disparam na feira

Já faltam verduras em supermercados

Os verdureiros foram os que sentiram o maior impacto e tiveram que repassar os custos, pois precisam comprar mercadorias frescas diariamente: a alface crespa, por exemplo, está custando R$ 5.

— Só vem trabalhar quem tem coragem, porque as verduras aumentaram 100%. A caixa de alface saía por R$ 10. Comprei por R$ 60 — contou Adolfo Almeida, verdureiro há 25 anos.

Com altos preços, o consumidor deixa de comprar. O vendedor de cenouras Ailton Fernandes comprou a caixa do produto, na terça-feira, por R$ 120, quando o usual é desembolsar R$ 40. O feirante teme ter ainda mais prejuízos:

— A cenoura é muito perecível. Tenho que vender tudo até amanhã.

Há 52 anos trabalhando como feirante, dona Aureni Oliveira, de 80, tem medo de não ter mercadorias para trabalhar.

— Eu pago uma funcionária para me ajudar na barraca. Se faltar mercadoria, vou ter o prejuízo por não vender e por pagar o salário sem ela trabalhar — lamentou.

A feirante conta que, normalmente, compra a saca de batatas lavadas por R$ 70. Nesta quarta-feira, foi informada de que o custo do produto subiu para R$ 300.

– Já sentimos efeito no segmento de hortifruti, que não estão sendo entregues. Para os demais produtos, temos estoque. Se acontecer de faltar itens de uma marca específica, temos como substituir por um equivalente de outra marca – explica Sérgio Leite, diretor comercial da rede Supermercados Mundial.

No box Guaibim, da Ceasa-RJ, apenas um caminhão conseguiu chegar. O normal, segundo os vendedores do local, é que cinco ou seis cargas sejam entregues diariamente. Para evitar os bloqueios de caminhoneiros em protesto nas principais vias de acesso à capital, o motorista fez um trajeto por Angra dos Reis, na Costa Verde.

Entre os produtos que já estão sumindo dos pontos de venda está a cenoura. Já as poucas sacas de chuchu, pimentão e repolho dobraram de preço.

— Não chega nada. Está todo mundo reclamando — disse o dono do box Guaibim, Marcel Ribeiro Barbosa.

Se antes o lote de 20 quilos de chuchu saía por R$ 15 nos boxes, hoje custa de R$ 30 a R$ 40. O pimentão, que na semana passada era encontrado por R$ 15, foi vendido por R$ 25, nesta terça-feira, e agora já custa R$ 50.

— O problema vai continuar, porque muitas mercadorias vão apodrecer nas estradas — lembrou Barbosa.

Dono do mercadinho Dona Jolina, na Ilha do Governador, Robson Silva Lima se assustou com os valores cobrados pelos vendedores da Ceasa-RJ:

— Os preços dobraram, e vamos ter que repassar a alta para o consumidor.

Dono de uma pizzaria em Jacarepaguá, na Zona Norte, Marcelo Moura se preocupou ao ver os estabelecimentos da central de abastecimento com tão pouca oferta de frutas, legumes e verduras:

— Geralmente, encontro três variedades de tomates. Hoje, só há uma opção, que nem está com a qualidade que costuma ter.*

(*) MARCELA SOROSINI / LETYCIA CARDOSO / GLAUCE CAVALCANTI – O GLOBO

MINISTRO SINISTRO

Gilmar solta ex-secretário de Obras do Rio e operador financeiro de Sérgio Cabral

Ministro do Supremo converteu regime preventivo em medidas cautelares alternativas para Hudson Braga e Carlos Emanuel de Carvalho Miranda


O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu colocar em liberdade o ex-secretário de obras do Rio de Janeiro Hudson Braga, que atuou na gestão do ex-governador Sérgio Cabral (MDB-RJ). O ministro também deferiu a liminar para tirar da prisão Carlos Emanuel de Carvalho Miranda, apontado como operador financeiro do ex-governador Sérgio Cabral.

Nos dois casos, Gilmar converteu as prisões preventivas em medidas cautelares alternativas.

Réu da Lava Jato, Hudson Braga disse em dezembro do ano passado em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal Criminal do Rio, que a chamada “taxa de oxigênio”, 1% do valor de contratos públicos durante o governo Cabral, paga pelas empreiteiras como forma de propina, era algo institucionalizado, e que não foi criada por ele.

Braga é acusado de atuar no esquema milionário de propinas atribuído ao ex-governador, controlador de planilhas de pagamento. Ele negociaria os valores pagos por empreiteiras que atuaram no Rio nos dois mandatos de Cabral (2007-2014), época de grandes obras, por conta da realização da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016.*

(*) Rafael Moraes Moura e Amanda Pupo/ BRASÍLIA – ESTADÃO

SÓ BLÁ-BLÁ-BLÁ…BLÁ-BLÁ-BLÁ

“Fake news” anunciam que Lula quer indulto, mas ele sonha mesmo é com anistia

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Charge do Nani (nanihumor.com)

O noticiário político está infestado de “fake news”, uma especialidade cultivada pelos marqueteiros de todos os partidos e também pelo Palácio do Planalto, que divulga um factóide atrás do outro. Nos últimos dias, os jornalistas foram municiados com a informação de que Lula da Silva, em nome dos “serviços prestados ao país”, quer receber um indulto presidencial que o coloque em liberdade, e já teria acertado essa possibilidade com Ciro Gomes, do PDT.

Como diz o grande compositor João Roberto Kelly, todo boato tem um fundo de verdade. Neste caso, é realidade que existe um Plano B para salvar Lula, caso nenhum outro tenta êxito. Mas não se trata de indulto presidencial. O que se pretende é uma anistia.

SEM NOVIDADE – Não há nada de novo, aliás. A possibilidade de indulto é uma aventura, porque pode ser derrubada pelo Supremo, como ocorreu no indulto presidencial assinado por Temer em 2017, que até agora não aconteceu, devido à reação da procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, que foi ao Supremo Tribunal Federal e conseguiu suspender os efeitos do ato irresponsável baixado por Temer.

A anistia, pelo contrário, é uma hipótese concreta, conforme o jurista Jorge Béja denunciou aqui na Tribuna da Internet em 18 de janeiro, com absoluta exclusividade e abundância de detalhes. Trata-se de prerrogativa do Congresso Nacional, através de lei ordinária, explicou Béja, acrescentando que geralmente se destina a crimes políticos, mas nada impede que possa também abranger todas as outras figuras de delitos.

“Sua concessão pode se dar antes do trânsito em julgado da condenação (Anistia Própria) e depois do trânsito em julgado (Anistia Imprópria)”, assinalou o jurista.

TODOS JUNTOS – A proposta é acalentada pelo Planalto e ganhou força depois que as pesquisas indicaram que a possibilidade de reeleger Temer simplesmente “non ecziste”, como diria o célebre padre Óscar Quevedo.

Esta anistia deve ser votada após a eleição presidencial, no apagar das luzes da legislatura. É um benefício que somente o Congresso Nacional pode conceder e implica no “perdão” à prática de fato criminoso. A tramitação é de lei ordinária, com votação por maioria simples, que significa apoio de um quarto dos parlamentares em cada casa (Câmara e no Senado). Ou seja, apenas 22 senadores e 129 deputados, uma moleza de conseguir.

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P.S. 1
 – Sob justificativa de “descriminalizar a atividade política”, a anistia beneficiaria todos os parlamentares corruptos já condenados, como José Dirceu, Pedro Correia, Eduardo Cunha e Sérgio Cabral, o que respondem a processo ou inquérito, como Michel Temer, Eliseu Padilha, Moreira Franco, Fernando Pimentel, Luiz Fernando Pezão e tantos outros envolvidos em corrupção, vejam a que ponto pode chegar a desfaçatez da classe política.

P.S. 2 – É inacreditável que se pretenda uma anistia nesses moldes, mas essa gente é capaz de tudo. Além disso, todo boato tem um fundo de verdade, convém sempre repetir. Mas resta saber qual seria a reação das Força Armadas diante de um absurdo desses. *

(*)  Carlos Newton – Tribuna na Internet

FIM DE LINHA

Eduardo Azeredo enfim se entrega à Polícia Civil e é levado à delegacia

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Charge do Nani (nanihumor.com)

O ex-governador Eduardo Azeredo já está sob os cuidados da Polícia Civil de Minas Gerais. O seu advogado Castellar Guimarães Neto fez um acordo para a entrega do político, que já está na 1ª Delegacia de Polícia Civil Sul, na rua Carangola, na região Centro-Sul.

O tucano era aguardado no local desde essa terça-feira (22), após ter sido condenado por peculato e lavagem de dinheiro no caso que ficou conhecido como Mensalão Mineiro.

A tendência é que ele fique no Batalhão do Corpo de Bombeiros de Contagem. Ele não deve ficar sozinho na cela. O seu companheiro deve ser um cabo.

MANDADO – A Polícia Civil recebeu o mandado de prisão de Azeredo ainda ontem, após esgotadas as possibilidades de recurso relativos à condenação de 20 anos e um mês de cadeia no Mensalão Mineiro.

Por unanimidade, desembargadores da 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais rejeitaram os embargos declaratórios, que eram a última possibilidade de recurso de Eduardo Azeredo.

A PRISÃO

O ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB) deverá ficar preso em unidade militar de Belo Horizonte, preferencialmente do Corpo de Bombeiros, em vez uma das unidades do sistema prisional.

Além disso, o tucano não precisará usar os uniformes vermelhos característicos da Secretaria de Administração Prisional e será dispensado do uso de algemas. A decisão é do juiz Luiz Carlos Rezende e Santos.

No ofício, o magistrado afirma que Azeredo possui status de ex-governador de Estado e que tem prerrogativa de se manter em uma unidade especial, além de reclamar segurança individualizada.

SEM UNIFORME – O juiz determina ainda que Azeredo poderá levar suas próprias roupas, vestuário para banho e cama “mínimos para sua dignidade”. O uso de algemas só pode ser feito devidamente justificado em “situações excepcionalíssimas”.

A opção por uma unidade dos bombeiros é justificada pelo menos fluxo de pessoas, “o que notadamente permitirá maior segurança ao sentenciado”, diz o juiz.

Além do mais, o governo deverá disponibilizar agentes penitenciários para acompanhar o ex-governador no cárcere.*

(*) O TEMPO

AJUSTES FINAIS COM A JUSTIÇA

Prisão de Azeredo é ruim para o PT, ao mostrar que não há perseguição política

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

No início da tarde, o ex-governador de Minas Eduardo Azeredo entrou em contato para avisar que iria se apresentar à polícia ainda hoje à tarde. “Apenas não o fiz antes porque fui consultar meu cardiologista. Afinal, não tem sequer 24 horas, ao contrário do Lula, que teve três dias e comício.”

A condenação e a decretação da prisão de Eduardo Azeredo eram inevitáveis. Com isso, o PT perde o mote de campanha política muito forte, que era dizer que Lula é perseguido e só petistas são presos. Agora foi para a cadeia um ex-governador e ex-presidente do PSDB. A prisão encerra um processo muito longo, mas reafirma que a justiça é para todos e não há escolha de partidos políticos para as punições devidas.*

(*) Merval Pereira
O Globo

PIADA PRONTA

Os recibos sumiram

Depoimento de filha de Temer torna mais nebuloso o enredo sobre a reforma da casa dela


O presidente Michel Temer deve anunciar nesta semana que desistiu de tentar a reeleição. Não passou de devaneio político de meia dúzia de aliados a possibilidade de uma candidatura do emedebista. A hipótese nunca foi levada a sério em Brasília. O “se colar, colou” não colou.

Um dos fatores que solaparam esse delírio palaciano foi o fortalecimento do inquérito da Polícia Federal sobre supostas irregularidades no decreto dos portos. As investigações tendem a ser concluídas até julho em meio às convenções partidárias.

Ao apurar as falcatruas no setor portuário, a PF trombou com a estranha história de uma reforma na casa de uma das filhas de Temer, a psicóloga Maristela, em São Paulo.

A polícia suspeita que a obra seja fruto de esquema envolvendo o coronel João Baptista Lima Filho, amigo do peito do presidente e apontado como um possível elo de recebimento de propinas do emedebista.

A mulher do coronel, Maria Rita Fratezi, é peça-chave no enredo. Foi quem escolheu e pagou, em dinheiro vivo, os fornecedores. Ela visitava a casa de Maristela regularmente para acompanhar as mudanças que seriam feitas na residência em 2014.

A Folha divulgou na sexta-feira (18) o teor do depoimento prestado pela filha do presidente à PF no dia 3 de maio. O que ela disse torna mais nebuloso o caso. Maristela não esclareceu nada e deu uma versão que prejudica o rastreamento do dinheiro, o “follow the money” da reforma.

Ela afirmou que gastou em torno de R$ 700 mil, mas que “não possui e não guardou nenhum comprovante” de quitações e contratos. Confirmou que a mulher do coronel fez pagamentos. E como a ressarciu? Maristela disse que não lembra. Afinal, segundo ela, fez repasses em espécie à Maria Rita com dinheiro de pacientes atendidos em seu consultório.

A defesa da filha de Temer pode dificultar a ação de investigadores porque carece de dados sobre a origem e o destino dos recursos. E não afasta as suspeitas que pairam sobre a obra e a influência de seu pai presidente para bancar as despesas.*

(*) Leandro Colon – Folha de São Paulo