CPIs, quem deve não teme!

A voz das ruas

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O governo está melando a CPI da Petrobras porque não há um clamor da opinião pública pela investigação. Esta é a leitura dos mais antigos senadores da Casa. Estes dizem que a CPI tem o apoio de quem já era contra o governo, mas não dos que usufruem do Bolsa Família, da farra do crédito e do Minha Casa Minha Vida. A oposição esperneia, mas teme o risco de sua postura ser confundida com uma ação contra um patrimônio nacional.*

(*) Blog do Ilimar Franco.

 

A PROPÓSITO

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Esta CPI não vai dar em nada. Esta CPI é uma farsa. É melhor ficar em cima do TCU, do Ministério Público e da Polícia Federal.*

(*) Jarbas Vasconcelos, Senador do PMDB-PE, protestando contra a criação de uma CPI com vários fatos determinados, também no blog do Ilimar Franco.

CARA-DE-PAU É POUCO…

Doleiro reconhece que pediu ajuda ao vice-presidente da Câmara para firmar contratos com o governo

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Alberto Yousseff, preso em operação da PF, também cedeu um jatinho para André Vargas (PT-PR)

BRASÍLIA — O doleiro Alberto Yousseff, preso por suposta lavagem e remessas ilegais de dinheiro ao exterior, confirmou nesta quarta-feira que pediu ajuda ao vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), numa sondagem sobre eventuais contratos do Laboratório Química Fina e Biotecnologia (Labogen) com o governo federal. Ele negou, no entanto, que tenha pedido favores ilegais ou que tenha oferecido vantagens indevidas ao deputado. — Olha, André, veja se você pode me ajudar no meu projeto — disse o doleiro, numa das conversas que os dois tiveram antes da deflagração da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Yousseff lembrou trechos do diálogo que teve com Vargas numa conversa nesta quarta-feira à tarde com o advogado Antônio Figueiredo Basto. Segundo o advogado, Yousseff estava comprando o Labogen e recorreu ao vice-presidente da Câmara para saber se a empresa teria chances de fazer contrato de fornecimento de medicamentos para o Ministério da Saúde. O laboratório venceu uma licitação de R$ 31 milhões, mas o contrato não chegou a ser assinado. — Ele fez o pedido (a André Vargas), mas poderia ter feito o mesmo pedido a qualquer outro deputado para realizar uma aproximação no sentido de conseguir efetivar seus projetos futuros. A conversa entre os dois foi informal, uma conversa de amigos de 20 anos. Não houve tráfico de influência — disse Figueiredo. O doleiro também confirmou que providenciou o avião usado por Vargas para fazer uma viagem de férias de Londrina a João Pessoa, no início do ano, com a família. O valor do aluguel de um jato para fazer o percurso é estimado em mais de R$ 100 mil. Yousseff disse que o deputado pediu ajuda para conseguir passagens aéreas de Londrina a João Pessoa. — Como não conseguiu, ele (Yousseff) se sentiu na obrigação de colocar o voo a disposição dele (Vargas). Não havia nada vinculado a nenhum negócio — disse. Yousseff confirmou também que deu uma caminhonete Land Rover para o Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras. Segundo ele, foi um pagamento por consultoria sobre energia oferecida por Costa. Yousseff foi preso na Operação Lava Jato, investigação sobre lavagem de dinheiro e outros crimes. Yousseff é acusado também de evasão de divisas. A partir da Lava Jato, a PF está investigando os negócios supostamente ilegais de mais três outros grandes doleiros do país. A polícia identificou movimentações financeiras suspeitas de empresas que estariam em nome de doleiros e, agora, está indo atrás dos clientes que teriam recorrido a estes serviços. Figueiredo nega que Yousseff esteja envolvido em corrupção. — Se ele foi usado, não era como corruptor. Era um meio para fazer negócios — disse o advogado. A Polícia Federal negou nesta quarta-feira que esteja investigando André Vargas. Por se tratar de um parlamentar, Vargas só poderia ser investigado em inquéritos criminais oficiados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A Operação Lava Jato está sob a responsabilidade da Justiça Federal do Paraná. “Não existe investigação (na Lava Jato) com relação a quem tem foro privilegiado”, sustenta a assessoria de imprensa da PF.

(*) JAILTON DE CARVALHO – O GLOBO

QUARTA-FEIRA, 2 DE ABRIL DE 2014

DILMA JÁ LANÇOU 23 PACOTES PARA ESTIMULAR

A ECONOMIA, MAS O PIB NÃO REAGE

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O governo Dilma Rousseff lançou 23 pacotes com medidas para estimular a economia brasileira, mas todo esse ativismo, até agora, não gerou uma taxa de crescimento do PIB próxima ao patamar de 3%. Depois do mais recente pacote, que consistiu numa injeção de R$ 12 bilhões no setor elétrico para manter a conta de luz baixa e competitiva para as empresas e famílias, as críticas do mercado ao “intervencionismo” do governo voltaram com força.

Internamente, os próprios técnicos da equipe econômica admitem que houve um excesso de medidas, mas a visão do governo é clara: não fossem os estímulos fiscais e monetários concedidos nos últimos anos, o ritmo da economia brasileira seria ainda mais lento, e a inflação ainda mais alta. No Palácio do Planalto, o entendimento é que as medidas estruturais, como a desoneração da folha de pagamentos, as concessões ao setor privado e a desvalorização da taxa de câmbio, ainda vão surtir efeito pleno sobre a atividade produtiva.

“A economia entrou em compasso de espera, porque as regras do jogo foram mudando rapidamente, tanto setorialmente, como no caso dos ramos automobilístico, da mineração e do setor elétrico, quanto no campo macro, com juros e câmbio subindo e descendo bruscamente em pouco tempo”, disse Juan Jensen, sócio da Tendências Consultoria e responsável pela área de macroeconomia e política do grupo.

Para Jensen, o elevado número de pacotes com medidas para estimular a economia não só deixaram de cumprir seu objetivo principal, como acabaram por minar as expectativas com a atividade econômica. “Todo remédio tem efeito colateral. O problema do governo é que ele atacou os efeitos colaterais dos seus remédios com novos medicamentos”, disse o economista, que citou o caso do setor de combustíveis. Para auxiliar a Petrobrás, mas ao mesmo tempo evitar que um reajuste da gasolina chegasse ao consumidor, o governo zerou o principal tributo do setor, a Cide. Com isso, reduziu sua arrecadação, e deixou a gasolina mais competitiva que o etanol. Então, concedeu um pacote ao etanol, com redução do PIS/Cofins, o que reforçou a piora fiscal.*

(*) João Villaverde – O Estado de S. Paulo

PAÍS DOS IMORAIS

André Vargas e o PT 2.0

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Quem não se lembra do deputado André Vargas (PT-PR)? Quando o ex-governador gaúcho Olívio Dutra sugeriu que o deputado José Genoino renunciasse ao mandato, o companheiro foi-lhe à jugular:

“Quando ele passou pelos problemas da CPI do Jogo do Bicho, teve a compreensão de todo mundo. (…) Ele está sendo pouco compreensivo. Ele já passou por muitos problemas, né?”

Falso. Olívio Dutra nunca assinou empréstimos fraudulentos, nunca foi acusado de envolvimento no caso do bicho e jamais foi condenado pela Justiça. Ao contrário, é uma das poucas lembranças da moralidade petista.

Quem não se lembra desse episódio talvez se recorde da cena em que o comissário Vargas, vice-presidente da Câmara, saudou seus companheiros com o punho cerrado, estando ao lado do presidente do Supremo Tribunal Federal. Parecia um Pantera Negra dos anos 60.

Vargas é um representante do PT 2.0. A repórter Andréia Sadi apanhou-o voando para as férias nas asas do doleiro Alberto Youssef, figurinha fácil de inquéritos policiais e poderoso intermediário na Petrobras.

Desde que os jatinhos tornaram-se símbolo de poder e conforto, hierarcas de todos os partidos recorrem a amigos para não voar com a patuleia.

Vargas, contudo, inovou na justificativa. Disse que cometeu uma “imprudência”. Teria sido imprudência se tivesse entrado por engano no avião fretado pelo doleiro, depois de ter sido chamado para embarcar num voo comercial. Não foi imprudência, mas onipotência.

Novo argumento: pediu o jatinho a Youssef porque os voos comerciais estão muito caros. Certo. A escumalha que vai para a rodoviária por esse mesmo motivo merece o desconforto porque não tem doleiro amigo.

O melhor momento do companheiro deu-se quando revelou que conhece Youssef há mais de 20 anos, mas não sabia com quem estava se relacionando. Seria então a única pessoa que não sabe a atividade de um amigo com quem se relaciona há mais de 20 anos.

Youssef fornece jatinhos para amigos poderosos desde 2001. Anos depois, frequentou o noticiário do escândalo do Banestado, passou pela cadeia, refrescou-se colaborando com o Ministério Público, mas não se livrou de uma condenação.

Numa troca de mensagens com Youssef (cuja atividade comercial Vargas desconhecia), o companheiro tratou de um interesse da empresa Labogen junto ao comissário Carlos Gadelha, do Ministério da Saúde. Por coincidência, essa pequena empresa teria sido usada pelo doleiro para remeter US$ 37 milhões ao exterior.

O amigo de André Vargas não é um doleiro petista, mas um operador suprapartidário. Já cedeu jatinhos para gente do PFL e tem relações no PP, pelo menos com o ex-deputado José Janene, um dos ases do mensalão.

A presença de Youssef em negócios da Petrobras, cobrando pedágios a fornecedores, é um sinal de que mudou de patamar. Ele tratava com o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, a quem presenteou com uma Range Rover. Há um enorme cheiro de outro velho escândalo no ar. Quando por nada, pelas coincidências.

Em 2005 descobriu-se que outro fornecedor da Petrobras presenteara Silvio Pereira, secretário-geral do PT, com uma Land Rover. André Vargas nunca diria uma palavra contra Silvinho, pois sabe quão compreensivo ele foi.

 

(*) Elio Gaspari, O Globo.

PERDER AS TETAS, JAMAIS!

Pressão do Planalto atesta necessidade de CPI

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O cenário de ruína da Petrobras justifica a abertura de uma CPI. E a operação montada pelo Planalto para evitá-la comprova a sua necessidade. Por isso mesmo, o risco de dar certo é mínimo.

PMDB e PT são sócios em diretorias com teto de vidro na Petrobras. Na CPI, os interesses dessas duas potências do Legislativo se ajustam às conveniências do Executivo. Uma mão suja a outra.

Se não conseguirem convencer pelo menos três silvérios governistas a retirarem suas assinaturas do pedido de CPI, já protocolada no Senado, o Planalto e seus aliados reencenarão o teatro que assou pizzas nas últimas CPIs. O enredo é conhecido.

Começa com o recrutamento de uma milícia parlamentar para compor a maioria na CPI. Passa pelo duopólio do comando: o PMDB na presidência e o PT na relatoria. Ou vice-versa.

Para o grand finale, um relatório que combine com esse contexto geral em que eles mesmos cometem os delitos, eles mesmos investigam e eles mesmos absolvem. Em minoria, resta à oposição gritar contra os exageros da coreografia.

O espetáculo tende a melhorar se algum detalhe escapar às preocupações cenográficas do Planalto. Não se deve esquecer que essa CPI nasceu da nota escrita por Dilma com o propósito de puxar para baixo o fio da meada que acomodara no seu colo o descalabro da refinaria de Pasadena.

É preciso saber se Nestor Cerveró, o ex-diretor da Petrobras a quem Dilma terceirizou o desastre, já foi devidamente ensaiado por seus padrinhos do PMDB e do PT para desempenhar o papel de incompetente ou de desonesto. Uma declaração enviesada de Cerveró pode fazer o melado escorrer.

Os presidenciáveis Aécio Neves e Eduardo Campos não perdem por esperar. Ganham. Suas pretensões políticas nunca tiveram tanta visibilidade como agora. As mancadas de Dilma tornaram-se oportunidades que a dupla aproveita.

A infantaria do Planalto esfrega na cara dos antagonistas de Dilma o escândalo Alstom-Siemens e as suspeitas de malfeitos no porto pernambucano de Suape. A tropa rival ameaça trazer à boca do palco a Eletrobras e a Transpetro, feudos de José Sarney e de Renan Calheiros.

Há na PF, no TCU e no Ministério Público inquéritos, processos e ações sobre as mazelas em debate. Diz-se que esse trabalho torna dispensável a CPI. Meia-verdade. O lufa-lufa da CPI no mínimo dá visibilidade às tramóias. Com sorte, pode esbarrar num “fato novo”.

A inteligência convencional ensina que um governo que leva a Petrobras ao balcão não é sério. E os políticos que enfiam na estatal seus apadrinhados não fazem isso por patriotismo. A CPI obriga o Planalto e seus sócios a executarem sob refletores um balé de elefantes. É horroroso. Porém, a sete meses da eleição, pode ser útil na hora de decidir em quem votar.*

(*)Blog do Josias de Souza