VULCÃO ADORMECIDO

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A Alemanha foi arrasada em duas guerras mundiais e hoje é a maior potência econômica da Europa. O Japão, vítima de terremotos e tsunamis devastadores, também arrasado na Segunda Guerra, dá a volta por cima e é também uma potência industrial e econômica. A Inglaterra, mesmo com a capital arrasada pelas bombas da Luftwaffe, não esmoreceu nem perdeu a dignidade. Talvez a desgraça que assola um país seja um estímulo para sacudir a poeira e dar a volta por cima, como aconselha a letra do samba.

A condição de judeu humilhado e perseguido levou Kafka e Stephan Zweig, entre outros grandes autores, a buscar na arte a sua compensação; a tuberculose levou Manuel Bandeira a ser um grande poeta. Se o sofrimento não existe, talvez se possa inventá-lo por amor à arte, como fez Augusto dos Anjos que se fingia de tuberculoso por atitude poética. Fernando Pessoa já dizia que o poeta é um fingidor  que acaba por sentir de verdade a dor que finge ter. A tristeza ou o sofrimento  é a grande inspiradora da Arte.

Tudo isso leva a crer que Proust tinha razão ao dizer que “a dor é estímulo para a reconstrução”. Mas Proust, Fernando Pessoa e outros grandes poetas e escritores não pensaram nos políticos, que desmentem essa ideia.

O Brasil não tem vulcões, não tem tsunamis, não sofreu consequências  arrasadoras nas guerras de que participou. Embora padeça com enxurradas à menor chuva e com enchentes de rios e com secas prolongadas, não dá a volta por cima  por causa dos políticos. O ladrão rouba apenas o que a gente tem no bolso. O político rouba a nossa saúde, a educação, a aposentadoria, o salário  e os nossos sonhos, e as consequências, por piores que sejam, não afetam superficialmente o país como um todo, como no caso das catástrofes naturais ou das guerras. Mas afetam-no  em profundidade, porque a corrupção, a roubalheira, a luta por um quinhão de poder, os privilégios, as mordomias e os altos salários dos políticos e detentores do poder corroem o país por dentro, sem que haja uma aparente destruição externa. Mas é por dentro da montanha que se esconde o vulcão

Até o futebol, paixão do brasileiro, por causa dos gastos exorbitantes com a construção de estádios, em detrimento da saúde e da educação, chegou a ser motivo de vergonha  e de repúdio. Muitos brasileiros torcem para que a Seleção Brasileira não seja campeã para que os políticos não possam capitalizar em seu benefício a conquista da Taça.

A aversão aos políticos e o descrédito crescente da classe política são a fumaça que a montanha exibe antes que o vulcão acorde…*

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011)

ESCANDOLOBRÁS

Prejuízos decorrentes dos ‘feriados’ impostos pela inépcia do governo aumentam a gastança da Copa em mais de R$ 60 bi

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Os R$ 1,7 bilhão que transformaram a Arena Mané Garrincha, em Brasília, num dos estádios mais caros do mundo, ou a bolada de R$ 1,7 milhão consumida no puxadinho construído para fingir por 90 dias que o aeroporto de Fortaleza ficou maior, vão parecer “dinheiro de pinga” – expressão cada vez mais comum entre os figurões federais – perto dos prejuízos decorrentes dos feriados impostos pela conjugação da inépcia do governo com as correrias da Copa prestes a começar. O país deixará de ganhar pelo menos R$ 60 bilhões nos dias em que terá de parar porque é incapaz de mover-se normalmente quando a Seleção Brasileira entra em campo.

A conta é tão simples que até Guido Mantega pode entender. Graças aos oito feriados de verdade que caíram ou cairão no meio da semana, 2014 terá um calendário de 244 dias úteis. Baseado no PIB de 2013 (R$ 4,8 trilhões), André Perfeito, economista chefe da corretora Gradual Investimentos, calcula que a perda por dia parado seja de R$ 19,7 bilhões.

Só na primeira fase da Copa, a seleção de Luiz Felipe Scolari vai paralisar o país três vezes. Embora o governo federal tenha feito de conta que não haverá feriados nacionais, feriados informais já foram programados por escolas, fábricas, empresas e órgãos públicos. Todos avisaram que, se não estiverem fechados o dia inteiro, depois do meio-dia até creches e pré-escolas onde os alunos mal aprenderam a falar gol, deixarão de funcionar.

Os argumentos para justificar as interrupções das atividades vão desde questões logísticas com transporte até preocupações com segurança por causa de possíveis manifestações. Mas todas essas hipóteses convergem para mascarar a verdade solar: a inépcia do poder público não permitiu que o Brasil cumprisse o que prometeu. E a decretação desses “feriados” é a prova contundente de que as obras de mobilidade urbana não foram feitas. O país precisa parar pela simples razão de que não tem condições de andar.

As contas feitas por André Perfeito indicam que nem mesmo as horas extras programadas por algumas empresas ou os possíveis lucros do comércio varejista com a venda de aparelhos televisão ou geladeiras, conseguirão compensar o tempo perdido. O aumento de 30% nas vendas do comércio popular, esperado pelos comerciantes da Rua 25 de março, em São Paulo, também serão infinitamente menores do que os ganhos que o país poderia ter com o Mundial.

“Não é exatamente a Copa que faz crescer um país”, explica Perfeito, baseando-se num estudo feito com os países que sediaram os jogos nos últimos 30 anos. “O campeonato permite principalmente melhorar gargalos de infraestrutura, forçar o poder público a investir em determinadas áreas e gerar um potencial de crescimento para os anos seguintes. Este definitivamente não foi o caso do Brasil”.

Se depender dos esforços do governo, nem o turismo será alavancado da maneira como poderia. Além de ser um fato que os turistas brasileiros continuarão a gastar mais nas viagens ao exterior, os estrangeiros têm cada vez menos motivos para desembarcar por aqui. Numa de suas últimas entrevistas, Aldo Rebelo, ministro do Esporte, usou um argumento no mínimo esdrúxulo para tentar atrair para o país os visitantes preocupados com a violência: “Não creio que o Brasil vá trazer mais riscos para os ingleses do que o risco que eles enfrentaram nas províncias iraquianas, nas guerras que praticaram recentemente”.

Se o Brasil tem muito o que lamentar, Joseph Blatter e outros dirigentes da Fifa estão rindo à toa. Uma reportagem publicada no Estadão desta quinta-feira mostrou que a renda da entidade com a Copa no Brasil ultrapassará a marca de US$ 4 bilhões, mais de US$ 800 milhões do que faturou na África do Sul em 2010.

Também nesta quinta, números publicados na Folha de S. Paulo mostram que os gastos e os empréstimos dos governos federal, estaduais e municipais com os jogos somam R$ 25,8 bilhões. O valor equivale, por exemplo, a um mês de gastos públicos com educação e ao triplo do que se planeja gastar na transposição do Rio São Francisco. Só com estádios foram R$ 8,5 bilhões, 36% a mais dos que os iniciais R$ 5,9 bilhões.

Em julho de 2010, o ex-presidente Lula disse, durante a Copa da África do Sul, que era “descabido alguém se preocupar com alguma coisa sobre a Copa de 2014″. “O Brasil vai investir em infraestrutura até 2014 o que não investiu em 30 anos”, delirou o palanque ambulante. “Se com tudo isso o Brasil não tiver condições de realizar uma Copa, volto ao país a nado”. Pouco depois, Lula voltou ao país. De avião.

A menos de 20 dias do início dos jogos, não há dúvida: vai ter Copa. Também está fora de dúvida que o que foi planejado para ser o grande acontecimento esportivo-eleitoreiro para 2014 não passará de um fiasco político-econômico.*

(*) Branca Nunes no blog do Augusto Nunes.

A MAIOR ROUBALHEIRA DA HISTÓRIA

Custo da Copa equivale a um mês de gastos com educação

MiguelDilmaBlock

Despesa equivale ao custo de Belo Monte, maior obra financiada pelo governo

Intervenções custarão R$ 4,5 bi a mais que o previsto originalmente; conta dos estádios sobe 36%, para R$ 8 bi

Mesmo mais altos hoje do que o previsto inicialmente, os investimentos para a Copa representam parcela diminuta dos orçamentos públicos.

Alvos frequentes das manifestações de rua, os gastos e os empréstimos do governo federal, dos Estados e das prefeituras com a Copa somam R$ 25,8 bilhões, segundo as previsões oficiais.

O valor equivale a, por exemplo, 9% das despesas públicas anuais em educação, de R$ 280 bilhões.

Em outras palavras, é o suficiente para custear aproximadamente um mês de gastos públicos com a área.

A comparação deve ser relativizada porque haverá retorno, no futuro, de financiamentos. O Corinthians, por exemplo, terá de devolver os recursos que custearam o Itaquerão. Além disso, os gastos da Copa começaram a ser feitos há sete anos –concentrados nos últimos três.

Isso não quer dizer que as cifras sejam corriqueiras: num país em que os governos privilegiam a área social e têm pouca sobra para investir, são raros os projetos que mobilizam tantos recursos.

Na lista dos grandes empreendimentos, a Copa custará o triplo do que se planeja gastar na controversa transposição do rio São Francisco, exclusivamente em verbas do Orçamento federal.

Como os números ainda devem ser atualizados, é provável que se aproximem mais dos R$ 30 bilhões da usina de Belo Monte (PA), a maior obra de infraestrutura financiada pelo governo Dilma Rousseff.

No pacote da Copa, as despesas mais questionadas têm sido os R$ 8 bilhões destinados aos estádios. Os gastos restantes são, na maior parte, com projetos de transporte urbano, aeroportos e portos.

Esse conjunto de obras de infraestrutura custará ao menos R$ 4,5 bilhões acima das previsões iniciais, segundo levantamento feito pela Folha.

As variações mais expressivas estão nos aeroportos, cujo valor total estimado chega a R$ 6,2 bilhões, numa expansão de R$ 1,7 bilhão –R$ 900 milhões só em Guarulhos.

No caso dos estádios, o custo total calculado de início era de R$ 5,9 bilhões. De lá para cá, a conta subiu 36%.

O maior exemplo é o Mané Garrincha (Brasília), que foi de R$ 745 milhões para R$ 1,4 bilhão. O Tribunal de Contas (DF) apontou irregularidades, contestadas pelo governo.

Os gastos atuais desconsideram 11 obras retiradas da lista, mas que seguem sendo tocadas com verba do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). A retirada ocorreu porque as obras não ficariam prontas a tempo.*

(*) GUSTAVO PATU – DIMMI AMORA – FILIPE COUTINHO

FOLHA DE SÃO PAULO

O BICHO TÁ PEGANDO…

Rejeição alta e resistente é o problema de Dilma

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Se a última pesquisa do Ibope revelou alguma coisa foi que o Brasil da sucessão presidencial de 2014 continua sendo aquilo que Nelson Rodrigues chamava de “elefante geográfico”. Falta-lhe um rajá, isto é, um líder que o monte. A boa notícia para Dilma é que ela conseguiu segurar nas orelhas do bicho. Mas sua estabilidade ainda é frágil.

Beneficiada pelo medo que a propaganda de João Santana instilou no pedaço do eleitorado que ainda se deixa assustar pelos “fantasmas do passado”, Dilma subiu de 37% para 40%. Mas seus antagonistas também subiram. Em um mês, Aécio Neves saltou de 14% para 20%. E Eduardo Campos pulou de 6% para 11%. A vantagem da presidente sobre a soma de seus rivais é de escassos quatro pontos. Para quem sonha em prevalecer no primeiro turno, é pouco.

Apesar de toda a esperteza marqueteira da propaganda petista, o Ibope ficou muito parecido com o Datafolha do início de maio. Nessa sondagem, feita antes do comercial do pânico, Dilma tinha 37%, Aécio colecionava os mesmos 20% e Campos amealhava idênticos 11%. Uma evidência de que parte dos eleitores não teme o risco de o Brasil “voltar atrás”. Tem medo de o país não ir para a frente.

No momento, o maior problema de Dilma chama-se taxa de rejeição: 33% dos eleitores informaram que não votariam nela de jeito nenhum. É o mesmo percentual que o Ibope havia anotado no mês passado. Quer dizer: para atenuar a aversão que desperta em um terço do eleitorado, Dilma precisa vender sonhos novos, não medo. Para desassossego do petismo, deu-se coisa diferente com Aécio e Campos.

Segundo o Ibope, o índice de rejeição do presidenciável do PSDB caiu em um mês de 25% para 20%. A aversão ao candidato do PSB despencou de 21% para 13%. Aécio e Campos também desfrutaram das janelas abertas no horário nobre da tevê pelas respectivas propagandas partidárias. Aparentemente, uma parte da plateia gostou tanto do que viu que deixou de torcer o nariz para o que não conhecia. Considerando-se que ambos são bem menos manjados do que Dilma, pode-se intuir que têm potencial para crescer mais.

O segundo maior problema de Dilma é a avaliação do governo dela. Cresceu o percentual dos que consideram a atual administração federal ruim ou péssima: 33%. É coisa jamais vista. Na outra ponta, somam 35% os que avaliam o governo como ótimo ou bom. Mais um pouco e as curvas se cruzam.

A combinação da taxa de rejeição com a avaliação precária de sua presidência, faz com que Dilma frequente os cenários de segundo turno com um tamanho muito parecido com o do primeiro round. Numa disputa direta com Aécio, ela somaria, hoje, 43% dos votos. Num embate contra Campos, teria 42%. Ou seja: a presidente acrescentaria à votação do primeiro turno exíguos dois ou três pontos. É pouquíssimo.

O grande diferencial de Dilma em relação aos seus dois principais contendores é o tempo de propaganda no rádio e na tevê. Mantidas as alianças partidárias costuradas até aqui, João Santana deve dispor de pouco mais de 15 minutos para demonstrar ao eleitorado mudancista que Dilma pode ser a mudança de si mesma. Terá de vender bem mais do que o medo. Sobra-lhe talento. Resta saber se terá matéria prima para ir além da mistificação.

A vitrine eletrônica de Aécio é bem menor. Coisa de cinco minutos e uns quebrados. A de Campos é infinitamente menor. Pouco mais de dois minutos. Nessa trincheira, a batalha favorece quem está no governo. No Brasil, o tempo de propaganda dos partidos é sinônimo de verbas, favores e cargos —mercadorias que não estão disponíveis nas gôndolas da oposição.

A conjuntura não ajuda Dilma: inflação em alta, PIB em baixa, Petrobras no liquidificador, gastos da Copa sob questionamento… Mas não se deve desprezar os “fantasmas do passado”. Ficou entendido, desde a eleição do embuste Fernando Collor, que, com boa propaganda, o eleitor pode acreditar até em ovo sem casca.*

(*) Blog do Josias de Souza

PENSANDO BEM…

Índice de desaprovação de Dilma é igual ao de Fernando Henrique

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“Aprova ou desaprova a maneira como o presidente Fernando Henrique Cardoso vem administrando o país?” – perguntou o Ibope em pesquisa nacional de junho de 2002.

43% responderam que aprovavam contra 48% que desaprovavam.

Em outubro daquele ano, Lula se elegeu pela primeira vez.

A mesma pergunta foi repetida em maio de 2010 com relação ao presidente Lula.

86% responderam que aprovavam contra 11% que desaprovavam.

Em outubro daquele ano, Lula elegeu Dilma para sucedê-lo.

Na pesquisa Ibope divulgada ontem, a pergunta foi feita com relação à presidente Dilma.

47% responderam que aprovam a maneira como ela vem administrando o país contra 48% que desaprovam.

O índice de desaprovação, pois, é igual ao do ex-presidente Fernando Henrique mais ou menos nessa mesma época.

Por mais que os assessores dela neguem, a luz amarela está acesa nos bastidores da campanha de Dilma. E se tornou mais intensa.*

(*) Blog do Noblat.

NOVIDADE

A cachaça de maconha febre no sertão

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Encravado no “polígono da maconha”, região pernambucana famosa pela produção da erva em áreas irrigadas pelo rio São Francisco, o município de Cabrobó (a 531 km do Recife) vem se tornando conhecido por um “souvenir” peculiar: uma cachaça artesanal com raiz de maconha, a “Pitúconha”.

É fácil encontrá-la em bares e carrinhos que vendem espetinhos de carne.

Os interessados encontram o produto tanto em dose (R$ 1) como em garrafa.

Com o rótulo que se apropria da tradicional marca pernambucana de aguardente Pitú, essa caninha sai por R$ 30.

“Aguardente de cana adoçada com raiz de maconha”, informa, sem pudor, o rótulo da garrafa de 965 ml. “O Ministério do Transporte adverte: o perigo não é um jumento na estrada. O perigo é um burro no volante”, completa, em tom jocoso, o aviso da embalagem.

A Folha conversou com um servidor municipal que, aos finais de semana, vende doses de cachaça de maconha em seu carrinho de churrasco.

Ele diz que algumas pessoas coletam as raízes que sobram das operações policiais de erradicação dos pés de maconha e vendem para os produtores de cachaça. Um saco de 30 kg sai a R$ 100.

O servidor, que vende a cachaça há cinco anos, afirma que chega a comercializar até seis garrafas por semana. “Já virou souvenir. Tem um pessoal do banco que compra de carrada. O pessoal tem muito interesse de conhecer. Houve até um leilão na capital. Saiu por R$ 200″, afirma.

ILEGAL

Segundo a Polícia Federal, ainda não há clareza sobre a situação legal da bebida. Perícia feita pela PF no ano passado indicou pequenas concentrações de THC (tetraidrocanabinol), o princípio ativo da maconha, nas raízes.

Desde o início do ano, policiais federais e colaboradores que participam das operações de erradicação de plantações da droga foram proibidos de trazer e distribuir as raízes, que, ao contrário do restante da planta, não são incineradas.

“Se você for levar ao pé da letra, seria crime [a comercialização da raiz e, consequentemente, da bebida] porque tem o princípio ativo. Só que a concentração é baixíssima. É uma questão que ainda não se tem uma posição definida”, afirma Carlo Correia, chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal em Pernambuco.

De acordo com o artigo 2º da lei 11.343/2006, “ficam proibidas, em todo o território nacional, as drogas, bem como o plantio, a cultura, a colheita e a exploração de vegetais e substratos dos quais possam ser extraídas ou produzidas drogas”.

A exceção é para autorizações legais e para o que estabelece a Convenção de Viena (1971) a respeito de plantas de uso “ritualístico-religioso”.

“A lei não especifica a quantidade de THC. A questão é de ordem prática: a concentração é muito pequena. Não existe uma repressão sistematizada até hoje”, diz o delegado.

Correia afirma que há quem peça raízes aos policiais para tratar dor na coluna, problemas de estômago e asma. “Não existe nenhuma comprovação científica de que a raiz de maconha tenha alguma função terapêutica”, diz o delegado.*

(*) DANIEL CARVALHO, DE CABROBÓ (PE) – FOLHA-UOL

ISTO NÃO TEM PREÇO

Barbosa suspende trabalho externo

de mais 4 condenados do mensalão

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O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Joaquim Barbosa, decidiu nesta quinta-feira (22) suspender a autorização de trabalho externo para mais quatro condenados no processo do mensalão, incluindo o ex-deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP).

Também tiveram a autorização revogada os ex-deputados Bispo Rodrigues e Pedro Corrêa (PP-PE) e o ex-tesoureiro do PL Jacinto Lamas.

Costa Neto trabalhava em um restaurante industrial no entorno de Brasília; o Bispo Rodrigues, em uma rádio; Lamas era assistente de uma construtora em Brasília; e Corrêa atuava como médico em Pernambuco, onde cumpre a sua pena.

Barbosa alegou que os presos do regime semiaberto têm que cumprir um sexto da pena para ter direito a deixar a prisão para trabalhar durante o dia.

O argumento é o mesmo que foi usado anteriormente para revogar o trabalho do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, do ex-deputado Romeu Queiroz e do advogado Rogério Tolentino, ligado ao publicitário Marcos Valério, operador do esquema. As defesas deles já recorreram, incluindo a de Delúbio, e agora aguardam análise do recurso pelo plenário.

O presidente do STF, que é relator do mensalão, também se baseou no mesmo fundamento para rejeitar pedido do ex-ministro José Dirceu para trabalhar em um escritório de advocacia durante o dia. O advogado dele também recorreu.

Outro lado

Procurado pela reportagem, o advogado do ex-deputado Pedro Correa informou que pretende recorrer da decisão. “A redação da lei é mal feita, o que leva a essa interpretação equivocada. A jurisprudência já entendia que a decisão [envolvendo a autorização para trabalho externo] não poderia prejudicar o condenado. Temos argumentos e vamos recorrer”, defendeu Marcelo Leal, do escritório Eduardo Ferrão Advogados Associados.

As defesas dos demais condenados não haviam sido localizadas pela reportagem até por volta das 18h30.*

(*) Bruna Borges e Fernanda Calgaro – UOL

A VIÚVA É RICA

Salas vip em aeroporto custam R$ 650 mil aos cofres públicos

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As autoridades máximas dos poderes Legislativo e Judiciário possuem atendimento especial no aeroporto de Brasília com o custo de R$ 650 mil anuais aos cofres públicos. O valor inclui o aluguel de salas vip da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior do Trabalho (TST). O atendimento privilegiado inclui serviços como emissão, alteração e cancelamento de bilhetes, apoio e segurança das autoridades, realização de check-in, despacho de bagagens e acompanhamento on-line dos horários de chegada e partida dos voos. Os ambientes reservados são geralmente em locais discretos, não muito vistos pelos passageiros comuns. Normalmente, na área só transitam os funcionários da companhia e do próprio aeroporto. O contrato de aluguel da sala vip mais caro encontrado pelo Contas Abertas foi o do STF, que contempla R$ 240,4 mil por ano. O valor também atende às autoridades do TST. “O TST repassa ao STF metade desses valores em razão do uso compartilhado da sala”, completa a assessoria. De acordo com o Tribunal, o espaço é necessário para assegurar às referidas autoridades maior segurança e privacidade durante os procedimentos de embarque e desembarque.

Legislativo

O aluguel da sala de atendimento vip dos senadores custa R$ 207 mil ao ano, enquanto o dos deputados é de R$ 201,6 mil anuais. No Senado Federal, de acordo com a assessoria, o Serviço de Apoio Aeroportuário que é realizado nas salas vips é subordinado à Secretaria de Polícia do Senado e tem a incumbência de “planejar, coordenar, e executar os trabalhos referentes à assistência às autoridades e convidados do Senado Federal no embarque e desembarque no aeroporto da Capital Federal; e executar outras tarefas correlatas”. Dentre os oito servidores lotados no Serviço, há cinco no cargo de Técnico Legislativo e três no cargo de Auxiliar Legislativo. De acordo com a Casa, a sala é necessária em razão da base política da maioria dos senadores não estar em Brasília, e sim nos seus estados de origem. Além dos parlamentares, servidores de outros estados que vão à Casa também pode utilizar o local como ponto de contato. Já a sala alugada pela Câmara dos Deputados possui 42 metros quadrados, e, funciona como ponto de apoio no embarque e no desembarque de representantes de entidades civis, empresariais e sindicais que venham participar de audiência pública nas comissões da Câmara, de comitivas internacionais e de servidores em viagem a trabalho, explicou o órgão ao Contas Abertas. O Senado possui 81 parlamentares e apenas três são provenientes do Distrito Federal. Dos 513 deputados federais, somente oito são do distrito brasileiro. Dessa forma, também é objetivo das salas de apoio garantir a permanência dos parlamentares por mais tempo no Congresso durante as votações ou debates mais longos nos plenários. No entanto, as principais companhias aéreas mantêm no Senado e na Câmara guichês para vendas de passagens e realização de check-in antecipado. Além disso, até pela grande frequência com que viajam, parlamentares já são tratados pelas companhias aéreas como clientes preferenciais, o que lhes garante uma espécie de fila exclusiva nos aeroportos e atendimento diferenciado na hora de embarque. Os montantes referentes ao aluguel das salas vip são pagos ao consórcio Inframerica, que desde o início de março atua sozinho na operação do Aeroporto Internacional de Brasília. O grupo foi o vencedor do leilão que definiu o responsável por ampliar e operar o local.

STJ

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui um empenho de R$ 227,5 mil para alugar a sala vip no aeroporto. O Tribunal informou ao Contas Abertas, no entanto, que desde que as obras de ampliação e modernização do aeroporto começaram, não existe mais a referida sala. “Quando o STJ precisa, a instituição utiliza a sala vip do próprio aeroporto”. De acordo com a Corte, o empenho é mantido aberto para uma possível utilização no futuro.

(*) Dyelle Menezes e Thaís Betat, CONTAS ABERTAS

APARELHAMENTO DO PT INDO PRO BREJO

Reação contra aparelhamento

petista em fundos de pensão

Deu no Valor: Petistas perdem disputa na Funcef e lutam pela Previ

Por Renata Batista | Do Rio

As reclamações sobre ingerência e aparelhamento provocaram a primeira derrota significativa para o governo em um fundo de pensão desde que o PT chegou à Presidência da República. Uma chapa formada por auditores da Caixa Econômica Federal, sem vinculação partidária ou com o movimento sindical, ganhou a disputa para representantes eleitos do Fundo de Pensão da Caixa (Funcef). A eleição foi realizada no início do mês e seu resultado, que saiu no dia 9, está sendo explorado em outra disputa de peso: a escolha dos representantes no fundo de pensão do Banco do Brasil, a Previ, maior do país.

Na Funcef, o terceiro maior, a oposição conquistou três vagas para diretores executivos, duas para o conselho deliberativo e uma para o conselho fiscal. Na Previ, são duas vagas de diretores, três conselheiros deliberativos e três conselheiros fiscais. Nos dois casos, a participação dá acesso a informações sobre as estratégias dos fundos e participação na tomada de decisão.

“A Funcef está deficitária em alguns planos e isso gerou insatisfação”, diz o secretário-geral da entidade, Geraldo Aparecido da Silva. Segundo ele, o discurso da chapa vencedora também foi muito calcado em críticas ao aparelhamento político.

Será o começo de uma resistência contra o avanço petista nos fundos de pensão, tradicionais fontes de recursos dessa turma? Será que finalmente haverá uma reação organizada contra os cupins? Será que isso representa mais um sinal dos ventos de mudança no país, cansado de 12 anos de estragos causados pelo PT no poder? É a hora da virada chegando? Pelo bem do país, espera-se que sim. Pois ninguém aguenta mais tanta infiltração da máfia petista em tudo que é instituição…