VAI DEIXAR SAUDADES…

Barbosa diz que comprou briga no STF, mas sai “com alma leve”

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No seu último dia no STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Joaquim Barbosa disse nesta terça-feira (1º) que “sai com a alma leve”. Ele deixa a Corte após 11 anos.

“Saio absolutamente tranquilo, como eu disse, com a alma leve, aquilo que é fundamental para mim, o cumprimento do dever. É exatamente aquilo que eu disse hoje na sessão: é importante que o brasileiro se conscientize da importância, da fundamentalidade, da centralidade da obrigação de todos cumprirem as normas, ouvirem a lei, cumprirem a Constituição. Esse é o norte principal da minha atuação. Pouca condescendência com desvios, com essa inclinação natural a contornar os ditames da lei, da Constituição.”

Questionado sobre sua atuação e seu temperamento dentro do tribunal, alvo de críticas de outros ministros e de advogados, respondeu: “Comprei briga nessa linha, sempre que eu achei que havia desvios, tentativas de desviar-se do caminho correto que aquele traçado pela Constituição. Isso é o que interessa, o resto não tem importância”.

Barbosa disse considerar um “privilégio” o período de 11 anos que passou no STF. “[A sensação] É boa, foi um período de privilégio imenso, de tomar decisões importantes para o nosso país. Foi um período que não em razão da minha atuação individual, mas coletivamente, o Supremo Tribunal Federal, teve um papel extraordinário no aperfeiçoamento da nossa democracia. Isso é que é o fundamental para mim.”

Barbosa deixou a sessão desta terça-feira (1º) antes do fim e não fez um discurso formal de despedida. Ele afirmou que pretende adotar uma postura “low profile” e por isso não se despediu oficialmente.  A presidência do STF deve ser assumida pelo ministro Ricardo Lewandowski.

O ministro reiterou que pretende descansar em sua aposentadoria e, ao ser questionado sobre as eleições e se concorreria a algum cargo eletivo futuramente, disse que “a política não tem na minha vida essa importância toda (…) Eu não tenho esse apreço todo por essa política do dia a dia”.

Ele também criticou o que chamou de “constante quebra-de-braço” na Corte ao comentar o recente episódio em que Luiz Fernando Pacheco, advogado do ex-presidente do PT José Genoino, foi expulso do plenário. “Com relação a agressões de advogados, essa foi uma das coisas mais chocantes desses 11 anos. (…) [O advogado] perde no argumento e quer ganhar no grito, desmoralizar a autoridade”. Pacheco foi expulso do plenário por ordem do presidente da Corte ao subir à tribuna para pedir que o tribunal decida sobre pedido da defesa para que Genoino volte a cumprir pena em regime domiciliar. Ele acusou Barbosa de abuso de autoridade, que respondeu: “Quem está abusando de autoridade é Vossa Excelência. A República não pertence a Vossa Excelência e nem a sua grei [seu grupo], saiba disso”.*

(*) Fernanda Calgaro – Do UOL, em Brasília

ECONOMIA DE AVESTRUZES

Governo federal mantém alíquotas reduzidas

de IPI de veículos e móveis até fim do ano

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Taxa para veículos de até 1 mil cilindradas vai

continuar em 3% até dezembro

SÃO PAULO – O governo federal decidiu prorrogar até o fim deste ano as alíquotas reduzidas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos novos e móveis, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta segunda-feira. O IPI voltaria à alíquota normal amanhã, 1º de julho. O anúncio foi feito depois de reunião com representantes de ambos os setores. A renúncia fiscal do governo pela prorrogação em automóveis será de R$ 800 milhões só no segundo semestre, calculou o ministro. Já por conta do setor moveleiro, a renúncia será de R$ 161,6 milhões no mesmo período.

Para veículos de até 1000 cilindradas, a alíquota do imposto, que seria reajustado para 7%, foi mantida em 3%. Os veículos flex acima de 1000 cilindradas e até 2000 cilindradas, que teriam a alíquota reajustada para 11%, continuam tributados em 9%.

Já para os carros a gasolina com as mesmas 1000 ou 2000 cilindradas, o IPI será mantido em 10% ao invés de subir para 13%. De acordo com o ministro, as medidas foram tomadas para “estimular as vendas do setor e para que a indústria consiga manter o nível de emprego”.

— Estamos trabalhando para que este ano as vendas de veículos sejam semelhantes às do ano passado — disse o ministro a jornalistas ao final do encontro com os representantes da indústria.

Durante a reunião, o crédito mais escasso e a realização da Copa do Mundo no País, que diminuiu a quantidade de dias úteis do ano, foram os motivos apontados para o recuo nas vendas de veículos neste ano. Sobre o ritmo mais fraco do crescimento do crédito neste ano, Mantega sugeriu que uma das soluções pode ser a retomada do uso do leasing pelos bancos, “já não há mais impedimento legal” para isso.

Para o presidente da Anfavea, Luiz Moan, a manutenção do IPI menor até 31 de dezembro vai se “converter em um grande fator para que a indústria tenha um segundo semestre melhor”.

— A expectativa é voltarmos a construir um ritmo de crescimento normal nas vendas — afirmou Moan.

‘COPA VAI AJUDAR A MUDAR O HUMOR DO CONSUMIDOR’

De manhã, o ministro também se reuniu com representantes do varejo, que pediram a prorrogação do IPI menor para móveis, laminados e painéis, que também terminaria amanhã. Por volta das 18 horas, Mantega entrou em nova reunião com os membros da indústria moveleira para decidir se estenderia o benefício.

No fim, ficou decidido que móveis, painéis e revestimentos de móveis continuam com IPI de 4% e não são elevados para a alíquota de 5%. As luminárias prosseguem com taxa de 12%, ao invés de 15%

Antes do anúncio do benefício ao setor moveleiro Mantega, ponderou que o varejo não foi tão mal quanto a indústria automotiva. De acordo com ele, houve um desempenho “moderado” do segmento, com alta de 5,4% em maio, impactados pela inflação, menor confiança do consumidor e também da Copa.

O ministro ponderou que já está havendo uma reversão deste cenário, com o aumento da confiança dos consumidores e do comércio, além da redução da inflação. De acordo com Mantega, levantamento feito pelos supermercados, levando em conta 35 itens que representam 80% das vendas, mostram uma inflação de 4,23% neste ano.

— Isso mostra que a inflação está caindo e o consumidor está reconstruindo seu poder de compra. O sucesso da Copa também vai ajudar a mudar o humor do consumidor.

Mantega também afirmou que o “sucesso da Copa também vai ajudar a mudar o humor do consumidor”.*

(*) LINO RODRIGUES – O GLOBO

ENTERRO DE QUINTA CATEGORIA…

PP abandona Padilha e anuncia apoio ao PMDB de Skaf

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Um mês depois de formalizar apoio ao PT, Maluf vence presidência nacional do partido e muda coligação

SÃO PAULO – O diretório estadual do PP-SP, presidido pelo deputado Paulo Maluf, decidiu nesta segunda-feira, último dia do prazo para a composição das alianças, abandonar a campanha de Alexandre Padilha, candidato do PT ao governo do estado de São Paulo, para apoiar a candidatura de Paulo Skaf (PMDB).

Com o recuo do PP – um mês depois do aperto de mão entre Maluf e Padilha para selar o apoio -, o PT perde mais um partido da base aliada do governo federal. PDT, PROS e PSD também já declararam apoio a Skaf.

Além disso, Padilha perde cerca de um minuto na propaganda eleitoral e conta agora apenas com o apoio do PR e do PCdoB. O candidato petista aparece em terceiro lugar nas pesquisas com 3% das intenções de voto, atrás de Skaf, com 21%, e do governador Geraldo Alckmin (PSDB), com 44%.

A decisão do PP foi formalizada após um dia inteiro de reunião entre os membros da executiva estadual, que aprovou a debandada por maioria dos presentes. A sigla estava descontente com a falta de espaço na chapa petista e entendeu que com o PMDB teria mais chances de aumentar sua bancada de deputados.

O senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional da sigla, viajou para São Paulo para tentar demover Maluf da articulação.

– O que pesou foi a questão de composição da chapa majoritária, eles queriam um espaço maior. Conversei com Maluf, deixei clara minha posição contrária a essa mudança – afirmou Nogueira.

Skaf afirmou não houve negociação para o PP compor chapa e que o partido “é muito bem-vindo”.

A assessoria de Padilha informou que ele só irá se manifestar sobre o caso amanhã.*

(*) JULIANNA GRANJEIA – O GLOBO

POSTE CAÍDO

Haddad vira ‘bola de ferro’

do PT em São Paulo

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Eleito em 2012 como último grande feito político de Lula, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, virou uma ‘bola de ferro’ que o PT arrasta em 2014. O partido atribui ao mau desempenho do prefeito parte das dificuldades que enfrenta para empinar Alexandre Padilha e revitalizar Dilma Rousseff no maior colégio eleitoral do país.

Em privado, dirigentes do PT admitem: o azedume do eleitorado do Estado de São Paulo é um principais problemas que a legenda enfrenta na atual temporada eleitoral. Munido de pesquisas internas, o petismo concluiu que a baixa popularidade do prefeito da capital é uma das causas do nariz torcido do eleitor, embora não seja a única.

Datafolha informa, em nova sondagem, que, na bica de completar em ano e meio de duração, o governo municipal de Fernando Haddad é avaliado como ótimo ou bom por apenas 17% dos paulistanos.

Empurrado às profundezas pelas manifestações de junho de 2013, Haddad não conseguiu mais colocar o nariz acima da linha de impopularidade para tomar ar. Nas pegadas do ronco do meio-fio, ele amargara no Datafolha uma aprovação miúda: 18%. A taxa se repetiu em sondagem de novembro. Agora, oscilou um ponto para baixo.

Editoria de Arte/Folha

Convidados a dar uma nota para Haddad, os pesquisados do Datafolha cravaram uma média de 4,8. Quer dizer: se estivesse num banco de escola, o prefeito, ex-ministro da Educação, seria reprovado. Ou ficaria de recuperação. Para 77% dos paulistanos, Haddad entregou menos do que se esperava dele.

De acordo com as sondagens que o PT encomendou para consumo interno, ajuda a compor o cenário adverso um certo mau homor do eleitorado de São Paulo com a deterioração moral da política.

Diferentemente do que sucedera em eleições anteriores, o mensalão não é mais um processo pendente de julgamento. Hoje, o escândalo é um conjunto de sentenças que colocou atrás das grades ex-dirigentes do PT. O partido paga o preço da eterna lealdade aos companheiros presidiários.

Contra esse pano de fundo, Alexandre Padilha, virou um “poste” difícil de ser eletrificado por Lula. Lançado como grande aposta do PT para interromper a hegemonia de duas décadas do tucanato em São Paulo, frequenta as pesquisas como um sub-Skaf. Por ora, é uma derrota esperando para acontecer.

É precária também a situação de Dilma em São Paulo. Nesse pedaço do mapa, informou o Datafolha no início de junho, 83% dos eleitores desejam mudanças no plano federal. Apenas 23% aprovam o governo Dilma. E 46% afirmam que não votariam na reeleição da presidente de jeito nenhum.

Vem daí que, num eventual segundo turno, Dilma perderia em São Paulo tanto para Aécio Neves quanto para Eduardo Campos. O primeiro prevaleceria por 46% a 34%. O segundo, por 43% a 34%. O PT receia que, se não for contida, a erosão de São Paulo termine engolindo a vantagem que Dilma deve ter na região Nordeste.*

(*) Blog do Josias de Souza

A CONTA CHEGOU SALGADA…

Economia entra em julho com pé no freio

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Após paradeira por causa da Copa, indústria e comércio iniciam segundo semestre com estoques altos e antecipação de liquidações

 

O segundo semestre começa com o freio de mão puxado para a indústria e o comércio. Após a paradeira provocada pela Copa e que afetou a atividade em junho, o cenário é pouco animador para julho e agosto. As encomendas do comércio para a indústria de eletrônicos e eletrodomésticos da Zona Franca de Manaus estão devagar e atreladas à expectativa dos varejistas de desovar estoque, especialmente de TVs, antes do fim da Copa.

No setor de vestuário, a situação é inusitada: as lojas começaram a liquidação de inverno praticamente com a abertura da estação, em 21 de junho. “Tínhamos uma previsão que não era boa, mas este mês foi muito ruim”, afirma o presidente da Associação de Lojistas de Shoppings (Alshop), Nabil Sahyoun.

O início de um segundo semestre em desaceleração para o comércio está estampado nas projeções de vendas para julho do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV). Segundo projeções feitas por 56 grandes redes varejistas, o faturamento deve crescer 1% em relação a julho de 2013, descontada a inflação, depois de ter avançado 5,4% em maio e 3,9% em junho em comparação aos mesmos meses do ano passado.

De acordo com o Índice de Antecedente de Vendas (IAV), apurado pelo IDV, julho deve ter as menores taxas de crescimento de vendas para todos os segmentos pesquisados. A expectativa é que o faturamento real com bens não duráveis, que são alimentos e produtos de higiene e limpeza, caia 0,2% este ano ante julho de 2013, e no caso dos bens duráveis, que abrange eletroeletrônicos e móveis, é esperado um acréscimo de apenas 0,5% na comparação anual.

As projeções indicam que o melhor desempenho em julho é esperado para o segmento de bens semiduráveis, que envolve artigos de vestuário, com crescimento de 4,7%. Mesmo assim, essa variação é praticamente a metade da esperada para maio e junho, de 10,1% e 9,3%.

“Essas projeções são uma profecia autorrealizável”, afirma o vice-presidente do IDV, Fernando de Castro. Ele explica que as grandes varejistas consultadas para elaborar o índice, que juntas representam 28% do varejo nacional, fazem suas encomendas às indústrias levando em conta essa projeção de vendas.

O descompasso entre os estoques no comércio e as vendas e um estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC) feito com base nos últimos dados do IBGE explicam a cautela nas projeções dos comerciantes e De janeiro a abril, as vendas do comércio varejista restrito, que não inclui veículos, cresceram 5% ante 2013, enquanto os estoques aumentaram 5,2%.

Segundo Fabio Bentes, economista da CNC, os estoques estão pesando mais no varejo no segmento de vestuário e de móveis e eletrodomésticos. Entre janeiro e abril, as vendas de itens de vestuário caíram 1,2% e os estoques aumentaram 0,4% em relação a igual período de 2013. Nos móveis e eletrodomésticos, os estoques cresceram 9,6% no período e as vendas avançaram 4,4%.

Tudo indica que esse quadro de desajuste entre estoque e venda piorou nos últimos meses. “As vendas no varejo saíram fora dos trilhos entre abril e junho”, afirma um executivo do varejo que prefere o anonimato. Os comerciantes já esperavam algum enfraquecimento nos negócios, mas o fraco desempenho do período extrapolou as expectativa.*

(*) MÁRCIA DE CHIARA – O ESTADO DE S. PAULO

“MORALIZANDO A POLÍTICA”

PT oficializa Agnelo Queiroz para candidato ao governo do DF

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Vídeo com mensagem do ex-presidente Lula foi exibido durante o ato que oficializou a candidatura

BRASÍLIA – Com indício de superfaturamento de R$ 431 milhões na reforma do Estádio Mané Garrincha, ainda não explicado ao Tribunal de Contas da União, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, teve sua candidatura a reeleição aprovada hoje em convenção do PT, em evento marcado por discursos e vídeo do ex-presidente Lula batendo na tecla de que ele e seu grupo vieram para moralizar a administração de Brasília.

No vídeo, exibido na convenção que ratificou a chapa de Agnelo, com o deputado Tadeu Filipelli como vice, e o deputado Geraldo Magela (PT) para o Senado, Lula defende sua reeleição e diz que é preciso dar continuidade ao projeto que “moralizou a política da capital federal”.

Nem Lula nem a presidente Dilma Rousseff, que cancelou viagem ao Acre, compareceram à convenção. A mensagem de Lula e os discursos dos petistas na convenção são uma reação ao lançamento da candidatura do ex-governador cassado e preso, José Roberto Arruda, pelo PR.

– Essa não é apenas mais uma eleição. Vamos ter que impedir que personagens que fizeram parte de um capítulo triste e sombrio da história de Brasília cheguem ao governo novamente – discursou Agnelo.

No mesmo tom, o deputado Geraldo Magela ataca a turma de Arruda e defende a moralização da administração petista.

– Esta é a coligação das realizações. Há quatro anos, Agnelo e Filippelli começaram a limpar Brasília. Agora estamos juntos de novo para não deixar a sujeira e a corrupção voltar ao Distrito Federal – discursou o petista, atualmente candidato ao Senado.*

(*) O Globo

É LIXO SÓ…

MORDERAM DILMA

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Na última sexta-feira, em Salvador, ao participar da convenção que lançou o candidato do PT ao governo do Estado, Lula afirmou que a política vive um momento de descrédito e que é preciso moralizá-la.

E completou: “Aos olhos do povo parece uma coisa vergonhosa”. E não é? Ora, Lula e o PT, mas não somente eles, contribuem para que boa parcela dos brasileiros sinta nojo da política e dos políticos.

Um dia antes, em Brasília, a presidente Dilma Rousseff havia dado posse a Paulo Sérgio Passos, o novo ministro dos Transportes.

Ministro costuma ser empossado em uma das amplas salas do segundo andar do Palácio do Planalto. As cadeiras, ali, jamais são suficientes para o número pessoas interessadas em prestigiar o novo ministro.

Pois a cerimônia ocorreu numa sala menor do terceiro andar. Durou menos de 20 minutos. E foi quase clandestina. Políticos de peso não compareceram. O discurso de Dilma não passou de uma peça chocha e cínica.

Ela disse que a ocasião se prestava para uma “pequena reorganização do time que toca a infraestrutura e logística do governo”. E concluiu: “Estou realocando as melhores pessoas em funções diferentes”.

Referia-se à transferência de Paulo Sérgio, presidente da Empresa de Planejamento e Logística, para o lugar de César Borges, até então ministro dos Transportes.

Borges foi rebaixado à condição de ministro da Secretaria Especial dos Portos em substituição a Antônio Henrique Silveira, que doravante responderá pela secretaria-executiva do ministério de Borges. Por que esse troca troca?

A implacável faxineira ética do início do governo, a dura executiva que não perdoa falhas dos seus auxiliares, a mulher valente que se orgulha de manter distância dos políticos por considerá-los desprezíveis, enfim essa senhora antipática e refratária a salamaleques rendeu-se à pressão de uma agremiação inexpressiva chamada Partido da República (PR).

Piscou primeiro. E ofereceu o ombro para ser mordido. Arrancaram-lhe uma fatia de autoridade.

Preocupada em assegurar o apoio do PR à sua reeleição e, por tabela, pouco mais de um minuto de propaganda eleitoral na televisão e no rádio, Dilma demitiu do Ministério dos Transportes quem mais de uma vez apontara como um dos seus melhores ministros.

Borges é filiado ao PR – assim como Paulo Sérgio. Mas o PR se queixava de que Borges não atendia aos pedidos dos seus parlamentares.

A escolha de Paulo Sérgio desagradou ao PR, que o considera resistente à ideia de facilitar negócios inconfessáveis. Por isso, nenhum nome do partido foi visto na posse dele.

O anúncio oficial do apoio do PR a Dilma está marcado para esta segunda-feira. É improvável algum recuo. Salvo se o inquilino de uma das celas da Penitenciária da Papuda, em Brasília, acordar de mau humor.

Valdemar da Costa Neto é o nome dele. Envolvido com o mensalão do PT, acabou condenado por corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. É ele que manda no PR.

A República sabe disso. Como sabe que foi de uma cela do presídio Ary Franco, no Rio, a do ex-deputado Roberto Jefferson, condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, que partiu a ordem para o PTB abandonar Dilma e aderir à candidatura a presidente de Aécio Neves (PSDB).

A propósito: Fernandinho Beira-Mar não movimenta milhões de reais de dentro de cadeias de segurança máxima?

Por que tenebrosas transações políticas não podem aproximar da Praça dos Três Poderes outro gênero de bandidos?*

(*) Blog do Noblat.