QUARTA-FEIRA, 4 DE MAIO DE 2014

Do mau humor e das estrelas: se o PT

quer um culpado, que procure no espelho!

“Os que crêem que a culpa de nossos males está em nossas estrelas e não em nós mesmos ficam perdidos quando as nuvens encobrem o céu.” (Roberto Campos)

O ex-presidente Lula, a presidente Dilma e o ministro Mantega acertaram o compasso e fizeram coro na narrativa: o resultado medíocre da economia é responsabilidade do “mau humor” dos brasileiros, em especial dos empresários. Em suma, tudo culpa das estrelas!

O discurso oficial, que agride a lógica e ofende nossa inteligência, foi endossado por Zuenir Ventura em sua colunade hoje no GLOBO. Ele busca em Domenico de Masi apoio para defender o modelo brasileiro, que estaria na vanguarda mundial do “ócio criativo”. Diz ele:

Algumas pessoas já perceberam que uma onda de mau humor nos atingiu. O sociólogo italiano Domenico De Masi, admirador e estudioso do Brasil, aonde vem com frequência, declarou em entrevista que o país está “deprimido”, e sem motivo para isso, pois acha que poucas nações avançaram tanto nesses últimos 30 anos. Ele acredita que podemos contribuir para a construção de um modelo de vida universal, “baseado na miscigenação, na sabedoria, na beleza e na harmonia”. E, eu acrescentaria, na vocação para a alegria.

Para Zuenir, estamos demonstrando um mau humor sem sentido, reclamando de “tudo isso que está aí”, como se não houvesse motivo para reclamar realmente de tudo. Somos masoquistas, diz o intelectual. A Copa é só o pretexto do momento. Não fosse isso, estaríamos nos queixando de qualquer outra coisa “insignificante”, só pelo prazer de reclamar.

O que Lula, Dilma, Mantega e Zuenir Ventura parecem ignorar é que o mau humor não vem do nada, não surge do além, não é ocasionado pelo alinhamento errado das estrelas ou por falta de lítio em nossos cérebros. Normalmente, como é o caso hoje, ele tem fundamento, encontra respaldo nos fatos, na dura e lamentável realidade.

Os governantes e intelectuais não conseguem imaginar razões para tanto mau humor? Que tal o caos urbano, com engarrafamentos cada vez mais caóticos? Que tal a violência, já que o Brasil, com menos de 3% do total da população mundial, concentra 10% dos homicídios do planeta? Que tal a corrupção escancarada do governo, que toma as páginas dos jornais diariamente?

Não basta? Que tal, então, o resultado patético da economia, sem crescimento e com alta inflação? Alexandre Schwartsman, em sua coluna da Folha hoje, fala do “pibículo”, diminutivo adequado de PIB, pois rima com ridículo. Diz ele:

Tudo indica que nos encaminhamos para um número mais perto de 1% do que 1,5% em 2014. Se confirmado, o crescimento médio do PIB no governo Dilma ficaria em 1,8% ao ano, o pior desempenho desde a estabilização da economia.

Eis o resultado da “nova matriz econômica”, anunciada com fanfarra há alguns anos, e hoje pouco defendida, seja pelo governo, seja pelos nossos “keynesianos de quermesse”: crescimento medíocre, inflação em alta, desequilíbrio externo, queda do investimento e desarrumação geral da economia.

Não seriam bons motivos para tanto mau humor? No mesmo jornal, Vinicius Torres Freire fala do mau humor também, mas não acha graça alguma na piada do governo, de que a fraqueza da economia tem ligação com o estado de espírito dos empresários, em vez de ser o contrário. O PT adora trocar a causalidade das coisas. Diz ele:

Mas de onde vem o mau humor? De uma epidemia de enxaqueca? Do clima seco? De um surto de alheamento da realidade, que levou consumidores e empresários a enxergar arame farpado em ovo, dado que estaria tudo bem no país?

[…]

No mais, o argumento do governismo é oportunista e “ad hoc”, como de costume. O país cresceria a 6% ou 4%, era a história do governo até 2013. Não cresceu. A culpa era da crise mundial, que no entanto está aí desde 2008. Antes de o crescimento minguar sistematicamente, era o governo que ignorava os efeitos da crise.

Agora, o governo atribui o crescimento parco e minguante deste ano ao mau humor dos “empresários”, a quem no mais o governo tratou muito bem com muitos subsídios e empréstimos a juros de pai para filho.

Essa conversa fiada evidencia um equívoco constrangedor e primário a respeito do funcionamento da economia e uma desconversa descarada sobre as condições econômicas do Brasil nos últimos três anos.

Primeiro, o governo acredita que a economia é movida à base de cenoura e porrete, de agrados e castigos ao “empresariado”.

Sinais de preços, custos, expectativas de lucros ou outros incentivos, previsibilidade de médio prazo ao menos, que no fundo influenciam a massa de decisões da economia, não parecem relevantes. O negócio é administrar a demanda e rendas na conversa com, digamos caricatamente, o “comitê da burguesia”.

Quem liga para os fundamentos, não é mesmo? O mais preocupante é que o PT parece crer mesmo que tudo depende do “estado de espírito” dos agentes econômicos, de suas expectativas, e não de sólidos fundamentos econômicos que amparam as suas previsões. É o rabo que balança o cachorro!

Não é à toa que os petistas se tornaram mestres em bravatas, discursos, narrativas: tentam apenas administrar crenças e expectativas, já que são totalmente incapazes de administrar o país, a economia. Mas não dá para enganar todos o tempo todo, para levar apenas no “gogó”. Um dia a máscara cai, e os fundamentos ruins começam a pesar.

Ao que tudo indica, chegou esse momento. Atônitos, os petistas olham para as estrelas atrás de culpados, enquanto deveriam buscá-los diante de um espelho.

(*) Blog do Rodrigo Constantino

A GRANDE FAMIGLIA

Todos juntos, vamos

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Esta notícia mostra como funciona o Brasil. A Qualicorp, intermediária de planos de saúde, segunda colocada em reclamações de clientes no site ReclameAqui, pertence a José Seripieri Jr. Seripieri Jr. se casou na Quinta da Baronesa, em Bragança, SP, com uma festa luxuosíssima para 600 convidados, com champanhe francês Premium Ruinart e show de Roberto Carlos. Coisa bem próxima de dois milhões de reais. Entre os presentes, Lula e sua esposa Marisa; Alckmin e sua esposa Lu; o prefeito paulistano Fernando Haddad; Marta Suplicy e seu marido, Márcio Toledo. PSDB, PT, confraternizando em torno do empresário que ganha dinheiro desagradando aos clientes.

Amigos de fé, irmãos camaradas.*

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet.

CAIU A MÁSCARA…

A grande família

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Maria Ferreira da Silva Moreno, dona de casa, viúva, filha de dona Lindu e do sr. Aristides, por alcunha Maria Baixinha ou Maria Pequena, pediu a Romeu Tuma Jr., ex-secretário nacional da Justiça, que autografasse seu livro Assassinato de Reputações.

Normal: muita gente fez o mesmo. O livro, escrito pelo jornalista Cláudio Tognolli a partir do depoimento de Tuma Jr., está há meses na lista dos campeões de venda. Agora, as curiosidades: no livro, Tuma Jr. diz que Lula, codinome Barba, era informante de seu pai, o delegado de Ordem Política e Social Romeu Tuma; e Maria Baixinha é irmã de Lula. Aliás, sua irmã favorita.*

(*)  Coluna Carlos Brickmann, na Internet

CUMEQUIÉ?

Campanha ‘Bunda de cigarro é lixo’

recebe mais de 100 queixas no Conar

 

Errou a mão

A campanha “Bunda de cigarro é lixo”, do Rio Eu Amo Eu Cuido, recebeu mais de cem denúncias no Conar. A propaganda, de caráter educativo, tratava “bunda caída” como sinônimo de lixo e foi considerada “desrespeitosa e discriminatória” pelas mulheres, autoras da maioria das queixas. Para o Conar, a ONG realmente “errou a mão”. Como tinha reconhecido o erro e interrompido a campanha, ficou tudo por isso mesmo. As denúncias foram arquivadas. *

(*) CLEO GUIMARÃES, COLUNA GENTE BOA, O GLOBO

PEGA NA MENTIRA

Para provar que é vítima de calúnias, Lula

conta outra mentira desmentida pela foto

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Num trecho da entrevista que se derramou por dez páginas da Carta Capital desta semana,o ex-presidente Lula disse o seguinte:

“Um dia desses eu vejo O Que Sei de Lula, um livro. O autor não conviveu comigo um único segundo para escrever a orelha do livro. Fico pensando o que faço com um cidadão desse? Acabo percebendo que o melhor é a desmoralização pela mentira. O Romeu Tuma Jr. não merece o comportamento do pai dele. O pai dele foi um cidadão digno”.

Divulgada já na segunda-feira pelo Facebook de Romeu Tuma Junior, autor do best-seller Assassinato de Reputações (Topbooks), a foto abaixo comprova que o entrevistado pela revista amiga é que não para de contar mentiras desmoralizantes. Quem aparece a seu lado é o jornalista José Nêumanne, autor da obra citada pelo estadista que nunca leu um livro. Faz muito tempo que o ex-presidente e o jornalista se conhecem. Nêumanne sabe tanto do personagem que Lula acha melhor fazer de conta que nem sabe quem é.*

(*) Blog do Augusto Nunes

A CASA CAIU

Marqueteiro do PT traça cenário ruim para Dilma

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Nuvens negras O publicitário João Santana traçou um cenário sombrio na reunião da campanha de Dilma Rousseff à reeleição, anteontem, no Palácio da Alvorada. Diante de Lula e da presidente, ele apresentou pesquisas mostrando que caiu a confiança do eleitor na capacidade do governo para promover mudanças. Até quem melhorou de vida nos últimos anos desconfia que sua renda pode parar de aumentar. A análise preocupou os petistas e deve exigir uma guinada na estratégia eleitoral.*

(*) Coluna “Painel” – Folha de São Paulo

ESTUPIDEZ

PROJETO OBSCURANTISTA PRETENDE
PROIBIR LIVROS ESTRANGEIROS
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LÍDER DO PT QUER PROIBIR LIVROS IMPORTADOS;

AINDA NÃO PROPÔS QUEIMÁ-LOS

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Vicentinho (SP), acaba de dar entrada em um projeto de lei obscurantista, que objetiva proibir a importação de livros no Brasil, sob a alegação risível de coibir a “evasão de divisas”.

Na justificação do seu projeto, Vicentinho se revela indignado com o “impressionante” número de publicações gráficas utilizadas em organismos públicos, destacando que são hoje “potenciais compradores” e que, por esse motivo, não devem “favorecer o mercado externo”.

Logo no artigo 1º do seu projeto, verdadeiro monumento à ignorância e à estupidez, Vicentinho tascou: “É vedado aos órgãos públicos federal, estaduais e municipais a aquisição de publicações gráficas de procedência estrangeira para utilização de qualquer espécie e natureza da administração pública”.

Compreensivo, o obtuso parlamentar ainda propõe a exceção de publicações “de natureza especial”, sabe-se lá o que isso significa, mas “sem similaridade com produtos fabricados nopaís”.

O deputado Vicentinho ainda não propôs a queima de livros estrangeiro em praça pública, como na Inquisição ou no III Reich.*

(*) Diário do Poder

ACORDA, BRASIL!

Salve, salve, o padrão Brasil

Devemos nos conformar? Ou podemos almejar

outro padrão além daquele que orgulha Dilma?

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Deixa que digam, que pensem, que falem. Você comemorará cada gol brasileiro na Copa, se emocionará a cada vitória, sofrerá se nossos craques pisarem na bola, vai gritar e até chorar. Isso não significa que, fora do estádio ou do sofá, você precise parar de criticar o péssimo planejamento deste Mundial, a inadmissível quebra de promessas para a população, a aparente roubalheira nas obras superfaturadas e o inferno dos serviços públicos. O Brasil tem abusado de nossa cordialidade, nossa paciência e nosso otimismo, ano após ano.

Na semana passada, foi comovente o esforço do governo e das autoridades para derreter o coração canarinho e evitar protestos durante a Copa. A reação nacionalista a “acusações” de estrangeiros foi uma tentativa patética de transformar críticos em traidores da pátria. A presidente Dilma Rousseff afirmou, com orgulho cara-pálida, que os aeroportos do Brasil não são “padrão Fifa” mas “padrão Brasil”. Lindo. A gente sabe que padrão é esse quando precisa ir ao banheiro, pegar uma escada rolante ou aguardar a chegada das malas.

O secretário de Turismo do Rio de Janeiro e homem de confiança do prefeito Eduardo Paes, Antônio Pedro Figueira de Mello, disse que “o Rio não é a Suíça”, ao se referir às longas filas que os turistas terão de enfrentar na cidade. Antônio Pedro também reconheceu que o Rio não se preparou para receber deficientes porque, na Copa do Mundo, “não há tanto esse público”. Depois pediu desculpas pela bola fora.

Talvez por o Rio não ser a Suíça, o Exército tenha sido convocado para dar segurança aos turistas nas praias, nas ruas, no Maracanã. As duas polícias, PM e Civil, não dariam conta. Sabe como é, esse é nosso padrão. No padrão Brasil, professores manifestantes cercam o ônibus da Seleção, em protesto contra baixos salários. Mas não torcem contra a Seleção. Torcem por um Brasil à altura de nossa Seleção, por uma Educação à altura de nosso futebol. Deu para entender ou precisa desenhar?

Tudo se encaixa no padrão Brasil. Na capital, Brasília, índio flecha PM, arcos enfrentam a cavalaria. Nos arredores de estádios da Copa, em diversas cidades, há cenários lastimáveis. Lixo entulha a favela que fica a 300 metros do Maracanã, como mostrou o jornal O Globo. Comunidades junto aos novíssimos estádios convivem com água de poço, esgoto a céu aberto, zona de prostituição baixa, luz de vela, invasões de sem-teto. Digamos que na África também é assim. Mas a gente espera mais do Brasil.

Esperávamos que o governo de Dilma e Lula cumprisse uma promessa para estimular o ecoturismo no Brasil. Foi anunciado há quatro anos que o governo federal investiria R$ 668 milhões na infraestrutura de 23 parques federais. Eram os “Parques da Copa”, uma parceria dos ministérios do Turismo e do Meio Ambiente. Do total de R$ 668 milhões, quanto foi investido? Apenas R$ 1 milhão. Mas, sabe, esse é o padrão Brasil. É para se orgulhar?

Não é só o governo federal. Segundo o jornal Valor Econômico, Dilma colocou à disposição de governadores e prefeitos R$ 12,4 bilhões para obras de mobilidade urbana, ônibus e metrôs. Só R$ 479 milhões foram sacados por Estados e municípios. É muita incompetência. Devemos nos conformar? Ou podemos almejar um outro padrão? Agora, o governo pede ao povo que se comporte. Os gringos não podem falar mal do país do sol, da alegria, da cachaça, do Carnaval e do futebol.

Nessa reta final antes da Copa, apareceu até uma “miss” padrão Brasil. É a filha do ex-todo-poderoso da CBF Ricardo Teixeira e neta de João Havelange, ex-comandante da Fifa. Joana Teixeira Havelange tem 37 anos, é do Comitê Organizador Local da Copa e publicou um texto em apoio ao Mundial, “até porque o que tinha que ser gasto, roubado, já foi”. Joana tem linhagem. Seu pai renunciou em meio a denúncias de corrupção depois de 23 anos à frente da CBF. Joana é formada em administração e ganha cerca de R$ 80 mil por mês, ou R$ 100 mil, incluindo extras e bônus, segundo dizem. Joana é ou não a cara do padrão Brasil?

Nem os mais céticos imaginavam que, a poucos dias da Copa, o país ainda estivesse nessa correria para maquiar os equipamentos essenciais. O cenário mais pessimista previa um legado maior para a população. Infelizmente, a ficha ainda não caiu para os governantes. As autoridades não fizeram mea-culpa de nada. Só se preocupam com o vexame e com “o que os outros vão dizer” se os brasileiros lavarem a roupa suja diante dos convidados. É muita cara de pau.

Vamos, sim, torcer para que o Brasil seja hexacampeão. Vamos torcer também para que, fora do gramado, o Brasil honre suas cores e sua gente. E mude de padrão.*

(*)  BLOG DA RUTH DE AQUINO

PAÍS RICO É OUTRA COISA…

BB, Caixa e outros órgãos gastam R$ 9 mi em ingressos da Copa para VIPs

Um grupo de milionários, empresários e parceiros “estratégicos” vai assistir os jogos da Copa do Mundo sem pagar nada, com ingressos pagos por bancos e outros órgãos públicos ou de economia mista.

No total, a Folha mapeou compras de R$ 9,1 milhões em ingressos. As compras foram acertadas com a operadora da Fifa desde 2012 —bem antes da liberação deste último e concorrido lote de ingressos.

A maior fatia, R$ 5 milhões, foi paga pelo Banco do Brasil, empresa de economia mista que tem o governo federal como o principal acionista. O BB não revela quantos ingressos comprou, nem para quais jogos.

Os ingressos serão distribuídos a clientes escolhidos a dedo pelo banco. A prioridade do BB é o seguimento “ultra high”, para clientes com investimentos acima dos R$ 50 milhões. Representantes de grandes empresas também foram agraciados pelo banco.

A Caixa Econômica, por outro lado, abriu os cofres para agradar seu público interno. No total, serão 480 ingressos, para 14 partidas, a R$ 1,8 milhão.

A campanha “Bateu é Gol”, destinada aos donos das lotéricas, distribuiu 320 ingressos, a R$ 1,5 milhão.

O resto foi para a campanha de incentivo “Vai Brasil”, destinados aos empregados do banco. O melhor jogo pago pela Caixa é da fase de quartas de final.

Em Brasília, o BRB, banco cujo acionista majoritário é o governo do Distrito Federal, gastou R$ 1,2 milhão em 30 ingressos para clientes para cada um dos sete jogos na capital.

Na arena de Recife, uma empresa do governo de Pernambuco garantiu com a Fifa um camarote para os cinco jogos que acontecerão no local. A compra foi feita pela administração do Porto de Suape, que selecionará executivos de empresas “estratégicas” para irem aos jogos e, também, visitarem o complexo.

O camarote tem 18 lugares —dois representantes do porto vão ciceronear os empresários. A ideia é, a cada jogo, mudar o grupo de convidados. A ação custará R$ 745 mil.

No Rio, o Brasil Resseguros comprou R$ 411 mil, para jogos na capital fluminense. A compra foi feita em março. Em outubro, foi finalizado o processo de privatização da estatal —entre os principais acionistas está o Banco do Brasil.

Folha questionou esses órgãos se entre os recebedores de ingressos havia políticos. Banco do Brasil, BRB, Caixa e o Porto de Suape negaram. O Brasil Resseguros informou que os ingressos irão para “clientes selecionados em função de parcerias negociais”.

RECOMENDAÇÃO

Nos últimos meses, promotorias de diversos Estados recomendaram aos governos locais que não usem dinheiro público para comprar ingressos. Em Brasília, por exemplo, a promotoria do DF afirma que a compra pode se enquadrar em “irregularidade e desvio de finalidade na despesa pública, pois o gasto não almeja o atendimento do interesse público”.

O Ministério Público do DF avalia se o caso do BRB, por ser um banco, se enquadra na recomendação. O banco respondeu aos questionamentos da promotoria, que analisa a documentação.

O governo de Pernambuco também recebeu recomendação similar.

Em 2013, apesar de questionado pelo MP do DF, foram adquiridos ingressos e camarotes no valor de quase R$ 3 milhões por outra estatal do governo distrital. A compra foi parar na Justiça.

OUTRO LADO

Os bancos públicos e órgãos que compraram ingressos para a Copa do Mundo defendem a prática.

Segundo o Banco do Brasil, estratégia semelhante é adotada pelos concorrentes de mercado. “O Banco do Brasil adquiriu ingressos para convidar os melhores clientes do segmento de alta renda e representantes de grandes empresas, como parte de sua estratégia de marketing”.

A justificativa do BRB vai na mesma linha do Banco do Brasil. O banco disse ainda que a compra foi feita antes da recomendação do Ministério Público.

“O BRB esclarece que se trata de uma ação estratégica de negócio e mercadológica, comum no segmento de varejo bancário, e que visa a consolidação da marca na cidade, perante seus clientes e a população”, disse.

A Caixa, por sua vez, disse que a compra serviu como incentivo para os funcionários e donos de lotéricas que bateram metas.

A administração do Porto de Suape disse que o complexo serve como “âncora” para investimentos em Pernambuco.

“O camarote é exclusivo para que representantes de Suape recepcionem executivos de empresas consideradas estratégicas para Pernambuco, para o adensamento e/ou estímulo de cadeias produtivas”.

A administração de Suape esclarece, ainda, que a compra foi feita antes da recomendação do Ministério Público, dentro da legislação, e que tem receita própria, sem depender de repasses do governo.

O Brasil Resseguros informou que a “aquisição de ingressos para competições esportivas é uma das ações de relacionamento voltada, exclusivamente, para clientes selecionados em função de parcerias negociais”. *

(*) FILIPE COUTINHO – FOLHA DE SÃO PAULO