TUDO AZUL…

Um ano após protestos, satisfação de brasileiros cai igual à de países da Primavera Árabe

000 - no clima

Pesquisa de instituto americano mostra que problemas na economia e frustração com políticos derrubam humor da população em níveis comparáveis ao do Egito e de nações que passaram por crises institucionais

WASHINGTON – A percepção do brasileiro em relação à situação do País, à conjuntura econômica e ao governo Dilma Rousseff se deteriorou de maneira acentuada em apenas um ano, desde que milhares de pessoas tomaram as ruas do País para protestar contra a corrupção e a má-qualidade dos serviços públicos, como revela levantamento inédito do Pew Research Center, um dos principais institutos de pesquisa dos EUA.

A radical mudança de humor em um espaço tão curto de tempo é rara, disse ao Estado Juliana Horowitz, brasileira responsável pelo trabalho. Segundo ela, o Pew Research realizou levantamentos em 82 países desde 2010 e só viu oscilações tão acentuadas em lugares que passaram por crises ou rupturas institucionais, como o Egito.

“O nível de frustração expressado pelos brasileiros em relação à direção de seu país, sua economia e seus líderes não tem paralelo em anos recentes”, diz o texto de apresentação da pesquisa.

Horowitz ficou surpresa com a magnitude da transformação na opinião pública e atribuiu essa mudança principalmente à piora da situação econômica e ao aumento da inflação. A insatisfação com a realização da Copa do Mundo no Brasil também contribuiu: 61% dos entrevistados responderam que o evento é ruim para o País, por tirar recursos que poderiam ser usados em serviços públicos.

Na comparação com o ano passado, a mudança mais acentuada de humor ocorreu na percepção da situação econômica. O porcentual dos entrevistados que a classifica de “ruim” subiu de 41% para 67%, enquanto o índice dos que a consideram boa caiu de 59% para 32%. A inflação foi apontada como o principal problema brasileiro por 85% dos entrevistados, pouco acima da criminalidade e da assistência médica, ambos com 83% das menções.

Apesar de o desemprego estar em patamares historicamente baixos, 72% disseram que a falta de oportunidades de trabalho é o maior problema do Brasil, o que colocou essa questão em quinto lugar entre 14 itens.

Até o ano passado, havia um descolamento entre a avaliação da economia e da situação do País como um todo. Apesar de 55% declararem que estavam insatisfeitos “com as coisas” no Brasil, 59% diziam que a situação econômica era boa. Na nova pesquisa, as duas linhas convergiram, observou Juliana Horowitz. O porcentual de insatisfeitos subiu para 72%, enquanto o dos que reprovam a economia saltou para 67%. “Em parte isso reflete o fato de que o País não está crescendo”, afirmou.

Depois de ter expansão de 2,3% em 2013 – abaixo da média dos países emergentes -, o PIB brasileiro aumentou apenas 0,2% no primeiro trimestre de 2014, na comparação com os três meses anteriores. A inflação fechou 2013 em 5,91% e há o risco de que, em 2014, ela supere o teto de 6,5% definido pelo Banco Central.

Segundo o levantamento, a frustração com a situação econômica azedou a avaliação da gestão Dilma, cuja atuação no enfrentamento de problemas-chave é desaprovada por maioria expressiva dos entrevistados. Para 86%, o governo é inepto no combate à corrupção, e 85% desaprovam sua performance em relação à criminalidade e à assistência médica. A administração da economia é reprovada por 63% dos entrevistados.

A influência de Dilma sobre o Brasil é avaliada como negativa por 52% dos consultados e como positiva por 48%, o que mostra uma população divida. Os números indicam que no último ano de seu mandato, em 2010, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha avaliação muito melhor: 84% diziam que sua influência no Brasil é positiva e apenas 14% a classificaram de negativa.

Mas Dilma conseguiu resultados mais positivos que os de seus principais adversários na disputa eleitoral, Aécio Neves e Eduardo Campos. Em um placar quase de empate, uma ligeira maioria (51%) disse ter opinião favorável da presidente, enquanto 49% optaram pelo desfavorável. No caso do tucano, a visão desfavorável alcançou 53% e a favorável, 27%. A opinião em relação a Campos, do PSB, é desfavorável entre 47% dos entrevistados e favorável para 24%.

Ainda há uma parcela do eleitorado sem opinião formada sobre os dois candidatos de oposição, o que poderá aumentar ou diminuir sua popularidade no futuro, ponderou Juliana Horowitz. Vinte por cento dos entrevistados não se manifestaram sobre Aécio. Em relação a Campos, o porcentual foi de 27%.

O Pew Research elaborou os questionários da pesquisa e o trabalho de campo no Brasil foi feito pela empresa Market Analysis, de São Paulo. Foram ouvidos 1.003 adultos representativos da população do País. Esse é o quarto levantamento anual que o Pew Research realiza no Brasil. O instituto é um dos mais importantes do mundo e fez pesquisas em 82 países desde 2010.*

(*) CLÁUDIA TREVISAN –  O ESTADO DE S. PAULO

“NUNCA NA HISTÓRIA DESTE PAÍS”…

2015 JÁ COMEÇOU

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SÃO PAULO – O Brasil vai crescer menos ainda em 2014 do que se previa. Essa é a resultante, considerados a estagnação da economia no primeiro trimestre deste ano e o alinhamento dos astros apontando pessimismo sobre os próximos meses.

A massa de salários e de crédito empacou. A indústria não desatola do buraco em que se meteu há cinco anos. Exauriram-se todos os sortilégios desenvolvimentistas, como a explosão de empréstimos estatais, o abatimento setorial de impostos e a contenção de preços à unha.

A economia brasileira começa a pagar uma conta que, imaginava-se, só seria sentida na pele das pessoas, porque debitada mais fortemente, a partir do ano que vem, depois da eleição presidencial. Em casa que falta pão, aumenta a confusão.

Se a renda per capita para de crescer, as disputas sociais se tornam mais escancaradas e lesivas. Para que um grupo possa ganhar, o outro tem de perder. Acabou a fase em que todos evoluíam, embora uns mais depressa do que os outros.

Uns querem aumentar o subsídio dos transportes, outros não suportam mais pagar impostos. Uns querem desapropriação de terrenos para a “reforma urbana”, outros só aceitam financiar a juros soberbos os governos desapropriadores.

Uns querem gastar 10% do PIB no ensino das crianças, outros não abrem mão da gratuidade nas universidades estatais para os adultos e exigem ainda mais dinheiro do governo. Uns não aceitam gasolina mais cara, outros precisam do reajuste para investir, empregar e crescer.

Não há recurso para tudo isso. Nunca há, na verdade. Mas, em tempo de produção inerte, é mais difícil esconder esse fato dos grupos em conflito num labirinto congestionado por 200 milhões de almas.

O longo ano de 2015 já começou. Tomara que acabe ainda nesta segunda década do século, o que dependerá das respostas dos governantes eleitos em outubro.*

(*) VINICIUS MOTA – FOLHA DE SÃO PAULO

O FRACASSO LHE SUBIU À CABEÇA

Balança comercial tem pior saldo para maio em 12 anos

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Exportações superam importações em US$ 712 milhões no mês mas, no acumulado do ano, o saldo está negativo em US$ 4,854 bilhões

A balança comercial brasileira registrou superávit de 712 milhões de dólares em maio, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MIDC). O resultado é o pior para o mês desde 2002, quando houve saldo positivo de 384,2 milhões de dólares. Enquanto as exportações somaram 20,752 bilhões de dólares, com média diária de 988,2 milhões, as importações totalizaram 20,040 bilhões de dólares no mês passado, com média diária de 954,3 milhões de dólares.

O resultado do mês de maio ficou acima das previsões dos analistas, de saldo negativo de 75 milhões de dólares. As projeções variavam de um resultado negativo de 600 milhões de dólares a um superávit de 100 milhões de dólares.

Na última semana de maio, houve um superávit de 1,057 bilhão de dólares. No acumulado dos primeiros cinco meses de 2014, o saldo ficou negativo em 4,854 bilhões de dólares, com exportações de 90,064 bilhões de dólares e importações de 94,918 bilhões de dólares.

Na semana passada, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Mauro Borges, afirmou que continuava com a expectativa de um saldo positivo em 2014. “Vamos esperar para ver qual efetivamente foi o saldo (de maio), mas eu continuo acreditando que nós teremos saldo positivo no final do ano”, afirmou.*

(*) VEJA

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O fenômeno Joaquim Barbosa

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O ministro se encaminha ao banco dos reservas num momento em que todos se engalfinham pela camisa de titular

Se já era espantosa a capacidade do presidente da Suprema Corte de ocupar o centro das atenções, o anúncio na última quinta-feira da sua aposentadoria imediata reforçou substancialmente o seu poder e a sua magia.

O mistério em torno dos reais motivos que o levaram a interromper uma fulgurante carreira, as versões logo divulgadas – inclusive supostas ameaças de morte – tudo contribui para alimentar a magistral perícia deste magistrado para surpreender e empolgar.

A opção pela renúncia é, em si, uma formidável alavanca para produzir admirações. Num ambiente marcado pela ambição desmedida, cobiça exorbitante e sofreguidão pelo poder, o simples gesto de abdicar e abrir mão contrasta vivamente com a legião de mãos sorrateiras, prontas para apoderar-se de tudo.

Barbosa conhece a dinâmica do sebastianismo, o magnetismo exercido pelos encobertos, o fascínio dos sumidos. Escolheu o ostracismo como proteção e reforço. Espontaneamente, encaminha-se ao banco dos reservas num momento em que todos se engalfinham pela camisa de titular. Numa paisagem marcada pelo desgaste das lideranças e a evaporação das idéias-força, Barbosa prefere recolher-se para lustrar o capital acumulado.

O horizonte sombrio sugere incertezas, trepidações, fissuras e até rupturas. Não apenas aqui ou no nosso entorno, mas também nos laboratórios do hemisfério norte e nos acervos do Velho Mundo. Os indícios fornecidos no último domingo pelo pleito europeu se avolumam e ganham relevância na medida em que a galeria de lideranças — independente das colorações partidárias – converte-se em mostruário de nulidades e insignificâncias. As exceções vão por conta de Angela Merkel (interessante mix de pragmatismo, moderação e racionalidade) e Vladimir Putin (com apetite, treino e instinto para audácias), o restante do time de chefes de governo é deplorável: David Cameron, François Hollande e Mariano Rajoy são medíocres, canhestros, o recém-chegado Matteo Renzi ainda não rodou o suficiente para mostrar atributos.

O quase ex-presidente do STF sabe que o nível dos competidores dá dimensão aos torneios, por isso deve aguardar desafios mais qualificados. Na arena do STF seria compelido a desgastar-se com embates menores. Prefere preservar-se. E, periodicamente, fazer intervenções surpreendentes. Tem calibre, saber e senso de oportunidade para cultivar esperanças e expectativas.

Joaquim Barbosa entrou em cena por vontade alheia, o presidente Lula queria um negro na corte suprema. Em apenas onze anos, o ilustre desconhecido tornou-se o mais visível e respeitado chefe do Judiciário de todos os tempos. Diz o que pensa, faz o que lhe dita a consciência e o dever cívico e, como se não bastasse, consegue irradiar sua imagem e mensagens para grande parte da população, sem dispor de qualquer máquina partidária, midiática ou empresarial.

É um fenômeno.*

(*)  , EL PAÍS

APARELHAMENTE GERAL E IRRESTRITO

Petrobras contrata sete vezes mais terceirizados do que concursados

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Quadro da estatal tem 80% de terceirizados, inclusive em funções de concursados

RIO — Ao defender a gestão da Petrobras no embate com a oposição nas CPIs abertas no Congresso, o governo cita a realização de 18 concursos públicos desde 2003, que fizeram dobrar o quadro de efetivos da estatal nos mandatos de Lula e Dilma. O número de concursados saltou de 40 mil para 86 mil. No entanto, a participação desses concursados no total da força de trabalho da Petrobras caiu de 25% para 20% nos últimos 12 anos. Isso porque, no mesmo período, houve uma explosão na contratação de terceirizados, que saltaram de 121 mil para 360 mil, um crescimento de quase 200%. Nos últimos 12 anos, entraram “pela janela” sete vezes mais contratados indiretamente do que o total de concursados efetivados. Em 2002, ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), os concursados já eram apenas 25% dos empregados. A continuidade da política de terceirização reduziu essa participação ainda mais, para 20% do quadro de trabalhadores da Petrobras. A contratação de terceirizados — que hoje formam 80% do quadro — não é ilegal, mas é proibida para as chamadas atividades-fim, relacionadas ao negócio principal da empresa, que são reservadas aos concursados, como determina o no artigo 37 da Constituição. São cargos como os de engenheiro, geólogo, economista, administrador, contador e até advogado, listados no plano de carreiras da estatal.

Hoje, para cada funcionário de carreira há quatro terceirizados trabalhando em diferentes áreas da companhia e de suas subsidiárias, de áreas administrativas a plataformas de produção de petróleo no mar. Essa relação ficará ainda mais desfavorável para os concursados a partir deste mês, quando começam a deixar a Petrobras os 8.300 funcionários efetivos que aderiram ao programa de demissão voluntária criado pela presidente da empresa, Graça Foster, para economizar cerca de R$ 13 bilhões até 2018. Ela indicou que pretende repor apenas 60% das vagas dos demissionários.

USO DE TERCEIRIZADOS É ALVO DE 30 AÇÕES JUDICIAIS

A ocupação de vagas como estas por terceirizados é alvo de pelo menos 30 ações judiciais propostas por sindicatos e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) desde a década passada. Em 2006, a estatal fez um acordo para regularizar a situação até 2010, que não foi cumprido. Os profissionais são admitidos como prestadores de serviços, contratados por empresas que, por sua vez, são contratadas pela Petrobras por projetos de, em média, quatro anos. Em tese, prestadores de serviços nem deveriam trabalhar nas dependências da Petrobras. Muito menos ter como chefes funcionários efetivos. Segundo o MPT, a empresa só deveria recorrer à contratação indireta para atividades complementares, como manutenção, vigilância, comunicação.

Segundo a estatal, as empresas terceirizadas montam suas equipes sem subordinação à Petrobras, mas de acordo com o projeto contratado. Não é o que dizem funcionários ouvidos pelo GLOBO sob a condição do anonimato. Eles reconhecem que a prática não é nova na estatal, mas vem aumentado nos últimos anos, levantando dúvidas sobre os critérios de escolha dos profissionais. Indicações até de parentes dos altos executivos e de políticos são comentadas nos corredores.

Listas telefônicas da estatal obtidas pelo GLOBO mostram as equipes das gerências formadas tanto por funcionários efetivos quanto por terceirizados, que podem ser identificados pelo nome da empresa contratante no endereço de email. Na Gerência Executiva de Programas de Investimentos da Diretoria de Gás e Energia, por exemplo, o gerente executivo, os cinco gerentes gerais e os 19 gerentes são concursados. Mas entre seus subordinados, efetivos e terceirizados se misturam. Na gerência de Energia, 21 dos 31 profissionais são terceirizados em posições como engenheiro, técnico em elétrica ou contabilista, também ocupadas por concursados.

— Fiscalizar plataforma em alto-mar, por exemplo, é uma atividade de alto risco que só deveria ser exercida por concursados, que têm melhor treinamento. Mas as plataformas estão cheias de terceirizados — diz o procurador do Trabalho Marcelo Fernandes da Silva, que há dez anos investiga a escalada das contratações indiretas na empresa. — A prestação de um serviço deve ser feita de forma autônoma ou sob liderança das empresas contratadas. Se o profissional está subordinado a um gerente da Petrobras, não é prestação de serviço. É mera intermediação de mão de obra.

A existência de concursados e terceirizados trabalhando lado a lado é a principal evidência encontrada pelos procuradores do trabalho e por uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) realizada em 2010. Os auditores apontaram a dificuldade de diferenciar prestadores de serviço de caráter temporário dos terceirizados com funções permanentes, iguais às dos concursados. Foram encontrados funcionários com mais de 20 anos na Petrobras com contratos indiretos. Isso só é possível porque eles mudam de empresa a cada fim de contrato, num sinal de que gerentes da Petrobras fazem indicações para as prestadoras.

A demanda crescente leva a estatal a firmar contratos bilionários com várias intermediárias. Uma das maiores é a Hope RH, que aparece na lista de supostos beneficiários do esquema investigado pela Polícia Federal na Operação Lava-Jato. A empresa aparecia em documentos do ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, apreendidos quando ele foi preso. A Hope nega ter relações com ele.

Enquanto a terceirização cresce, a Petrobras deixa de convocar boa parte dos aprovados em seleções nos últimos anos, levando muitos à Justiça para prorrogar a validade de concursos e garantir a contratação. O MPT estima que mais da metade dos selecionados ainda não tenha sido chamada. A empresa disse já ter contratado 32.221 aprovados desde 2003, mas não informou o total de vagas oferecidas nos editais. O número de funcionários próprios subiu mais do que isso por causa da incorporação de funcionários de empresas adquiridas no Brasil e no exterior, como usinas termelétricas.

TERCEIRIZAÇÃO CAUSOU RACHA ENTRE SINDICATOS

Segundo a Petrobras, a estimativa de Graça de repor apenas 60% das vagas dos demissionários voluntários, feita em conversa com investidores, ainda é preliminar. Mesmo assim, o plano foi criticado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), representação sindical filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT). Líderes da FUP se reuniram com Graça na ultima sexta-feira para pedir reposição de 100% das vagas, mas ela não se comprometeu.

Emanuel Cancella, dirigente do Sindipetro-RJ, órgão dissidente da FUP, diz que as terceirizações foram um dos motivos do racha entre os sindicatos do setor no governo Lula. Ex-dirigentes da FUP chegaram a assumir a gerência de recursos humanos, mas não frearam as contratações indiretas:

— Essa foi uma das razões para a nossa saída da FUP. Em vez de acabar com a terceirização, os sindicalistas indicados pelo PT na Petrobras fizeram pior do que no governo anterior. Vangloriam-se dos concursos, mas mudaram o plano de cargos e fizeram a terceirização crescer avassaladoramente.

Em nota ao GLOBO, a Petrobras afirmou que, entre os 360 mil funcionários contabilizados como terceirizados, cerca de 165 mil trabalham em obras com claro caráter temporário e afirmou que o grande número de prestadores de serviço se justifica pelo aumento do volume de investimentos da companhia, cuja média anual cresceu dez vezes na última década. O plano de investimentos de 2014 a 2018 vai aplicar US$ 220 bilhões na exploração do pré-sal e na conclusão de refinarias atrasadas, entre outros programas, para aumentar a produção de petróleo e de derivados. O GLOBO tentou contato com representantes da FUP, mas não obteve retorno.*

(*) ALEXANDRE RODRIGUES – O GLOBO

MARIA I, A LOUCA

A afilhada de Dom Pedro III está ficando

parecida com a mãe de Dom João VI

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Deslumbrado com a vitória do PT na eleição de 2010, o marqueteiro João Santana resolveu transformar o gabinete presidencial em sala do trono e promover Dilma Rousseff a rainha. “Ela tem tudo para ocupar esse espaço que só foi parcialmente ocupado pela princesa Isabel”, caprichou no chute o vidente baiano. A bola de cristal bateu na trave.

Não há semelhanças entre a afilhada de Lula (que se nomeou Dom Pedro III ao decretar a transposição das águas do São Francisco) e a princesa que aboliu a escravidão. Cartas escritas ao pai e outros documentos históricos mostram que Isabel sempre teve a cabeça no lugar. Mas o falatório de Santana faria algum sentido se, em vez da filha de Dom Pedro II, tivesse evocado a mãe de Dom João VI. Como notou nosso Reynaldo-BH, quem tem muito a ver com Dilma é dona Maria I de Portugal, a primeira rainha do Brasil.

Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana de Bragança já se tornara conhecida como Maria, a Louca quando chegou ao Brasil em 1808. Até morrer oito anos depois, justificou diariamente o cruel cognome. Ela acordava no meio da madrugada, por exemplo, para ordenar que todos ficassem longe do Pão de Açúcar:  era ali a morada do diabo, advertia aos berros.

Dilma Rousseff, faça-se justiça, ainda não enxerga demônios a serviço da oposição pendurados nas encostas do Corcovado. Mas a safra de sandices em dilmês colhida nos últimos dias deixaria assustada a mais antiga mucama de Maria I. Dois exemplos:

“Nesses dez anos nós lutamos para quê? Nós lutamos para que a saúde bucal, os nossos dentes, todo o tratamento bucal, que, como disse o Chioro, é a porta de entrada daquilo que nos alimenta e faz com que nós continuamos vivendo, daquela água que nós bebemos e faz com que nós sobrevivamos, que faz também que nós sejamos humanos, porque uma coisa que nos diferencia de qualquer outra espécie, nós nos comunicamos pela fala, e ainda mais humano do que tudo, nós somos aquela espécie que sorri e também chora, mas sorri, que acha graça, que ri”.

“A gente ia de helicóptero e eu olhei para as propriedades, era em plena região do semiárido. E o que a gente via? A gente via uma porção de pontos brancos, alguns cinzas, via cinza também, porque cinza é mais difícil de ver de lá cima, mas você via isso. E o que me parecia? Eu falei, olha é a quantidade de estrelas no céu é a quantidade de cisternas no chão. As cisternas era uma espécie das estrelas no chão. Isso porque, de fato, ela permite que as pessoas tenham acesso à água”

Neste sábado, a presidente que enxerga um cachorro oculto por trás de cada criança baixou no Rio para festejar a incorporação ao “legado da Copa” de uma das raríssimas “obras de mobilidade urbana” visíveis a olho nu. Segundo o Portal do Planalto, ficou tão emocionada que disse o seguinte:

“E aí eu chego aqui no Transcarioca. O quê que é, eu vou dizer para vocês o quê que é, de fato, absolutamente fantástico nesse BRT Transcarioca. Quê que é?”

Alucinações verbais de calibre semelhante precipitaram a interdição de Maria I, obrigada a repassar ao filho regente o efetivo comando do reino. Embora viva dizendo coisas sem pé nem cabeça há muito tempo, Dilma Rousseff quer continuar no trono pelo menos até 2018.*

(*) Blog do Augusto Nunes

A CATERVA DE SEMPRE

Lula critica erros do PT

sem olhar no espelho 

000 - a caterva de sempre

Inconformado com as pessoas que desvirtuam o PT, Lula decidiu reagir. No início de maio, já havia criticado a rendição da legenda ao dinheiro. Agora, em entrevista à CartaCapital, disse: “A gente não pode permitir que meia dúzia de pessoas deformem esse partido, ele é muito grande.”

O PT deveria mesmo expulsar quem sistematicamente desmoraliza a legenda, afastando-a de suas origens. Infelizmente, os que fazem isso geralmente comandam o partido. Lula deu o diagnóstico: “O PT erra quando começa a entrar na mesmice dos outros partidos. Erra quando usa a mesma prática dos outros partidos.” Perfeito!

Noutra constatação precisa, Lula disse que “o Brasil não tem tradição de partido nacional, a tradição são tribos locais, com caciques regionais.” No tempo em que era uma estrela que apontava para costumes renovados na política brasileira, o PT execrava Sarneys, Renans e outros Barbalhos. Mas, no poder, Lula aliou-se ao atraso. E chamou isso de amadurecimento. Para alguém que se pretendia reformador, banhou-se no pântano da “mesmice” com acintosa naturalidade.

Lula disse que vai “ajudar o PT a voltar ao seu leito natural.” Olhar no espelho seria um bom começo. Pode ser após o despertar, barriga colada à pia do banheiro, enquanto espalha o dentifrício pelas cerdas da escova.
 Levando a experiência a sério, depois de bochechar e lavar o rosto, Lula enxergará no espelho, no instante em que erguer os olhos para pentear os cabelos, o reflexo de um culpado. Sua imagem refletida dirá: “Bom dia, vim apresentar você a você mesmo.”*

(*) Blog do Josias de Souza

FEITO NAS COXAS…

Improviso é retrato do palco de

abertura da Copa do Mundo

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SÃO PAULO – É difícil imaginar que Brasil e Croácia entrarão no Itaquerão em apenas onze dias para dar o pontapé inicial da Copa. Às vésperas de um torneio que o país sabia que iria receber desde 2007, o palco de abertura do Mundial é um retrato fiel do improviso que ameaça caracterizar o torneio. Falta muita coisa para que a casa corintiana esteja realmente pronta para receber milhares de torcedores, autoridades e jornalistas do mundo inteiro sem correr o risco real de passar vergonha.

Nos próximos dias, será preciso trabalhar sem parar para que o estádio esteja minimamente preparado para um evento de tamanha magnitude. Desde as dificuldades de acesso de carro até a falta de sinalização e informações precisas, o torcedor não goza de facilidades para chegar ao local.

O setor Oeste, mais luxuoso do complexo, é um canteiro de obras. A maior parte dos camarotes estiveram fechados e o hall de entrada não foi aberto para o público porque operários ainda precisam concluir as obras. “É um estádio bonito, mas inacabado. Fica uma sensação generalizada de que ele não está pronto”, disse o botafoguense Alexandre Lacerda.

Vale lembrar que o evento – primeiro e único sob tutela da Fifa – não foi uma simulação exata do que será a estreia, já que as arquibancadas provisórias do setor Norte foram vetadas pelos bombeiros por falta de laudos de segurança e parte do setor Sul conseguiu a liberação parcial pelo mesmo motivo; apenas 40mil dos 68 mil lugares foram liberados – quase 38 mil pagantes acompanharam a partida. Dada a falta de testes e simulações, é impossível dizer que tudo transcorrerá da forma adequada no dia 12, quando alguns assentos receberão torcedores pela primeira vez.

Chegar ao estádio de carro é uma tarefa indigesta. Os bloqueios para criar o perímetro exigido pela Fifa trouxeram transtornos aos motoristas, que em muitos casos se viram obrigados a estacionar a mais de três quilômetros de distância pagando R$ 25 por uma vaga. As congestionadas vias de acesso ficaram piores por causa da falta de sinalização e das informações desencontradas dos agentes de trânsito.

O metrô e o Expresso Copa foram opções bem melhores e justamente por isso que tanto governo quanto prefeitura reforçaram durante toda a semana que o ideal era deixar o carro em casa. Vale lembrar que o evento-teste poderia ter sido no meio de semana, mas a próprias autoridades ficaram temerosas em relação ao trânsito.

OBRAS

Por todo canto que se olha, percebe-se que o estádio não está pronto. Há pedras, pedaços de pau, cavaletes espalhados em volta da arena. No elevador, por exemplo, os plásticos de proteção das paredes não foram tiradas. As lanchonetes também não funcionaram em sua capacidade total e a cobertura não existirá para o Mundial.

É verdade que alguns pontos melhoraram, como a presença de mais voluntários (foram cerca de 400, o dobro do registrado na partida contra o Figueirense), e o aperto na fiscalização a ambulantes – alguns conseguiram se aproximar do entorno, mas com muito mais dificuldade do que no primeiro teste Ainda assim, não dá para dizer que o Itaquerão está aprovado.

Quando o Itaquerão estiver pronto será uma arena moderna e apta a receber qualquer jogo. O problema é que isso precisaria acontecer em dez dias e, pelo que foi visto, está cristalino que esse prazo é muito curto para reverter o cenário.

As autoridades admitem os atrasos, mas insistem que apesar dos inúmeros problemas a serem resolvidos a toque de caixa, tudo estará pronto e funcionando perfeitamente para a Copa do Mundo. A dúvida é saber se ainda dá tempo.*

(*) Fernando Faro e Paulo Favero – O Estado de S. Paulo

DOMINGO, 1º DE JUNHO DE 2014

Reescrevendo a história e nivelando por baixo:

o culto à mediocridade

Alguns leitores podem ter estranhado o fato de que ainda não me manifestei sobre as “adaptações” das obras de Machado de Assis para uma linguagem mais, digamos, simples e popular. É que certas aberrações eu procuro evitar, pois já lido com uma cota excessiva de lixo diário, tendo de acompanhar as falcatruas do PT na política e a mediocridade dos resultados econômicos.

Mas creio que minha opinião sobre o assunto não seja algo difícil de inferir. Condeno o culto à mediocridade, o “igualitarismo” de resultados que nivela todos pelo menor denominador comum. Logo, é claro que considero um acinte a iniciativa da tal “escritora”, financiada com vastos recursos públicos, de “popularizar” a linguagem do grande escritor brasileiro para torná-la mais acessível.

Este foi o tema da coluna de João Ubaldo Ribeiro hoje no GLOBO. Com sua fina ironia, o escritor baiano ridicularizou a coisa toda, e ainda antecipou algumas prováveis conseqüências desse marco inicial, que abre as porteiras para novas medidas “democráticas” na literatura. Por que parar aí? Se o estilo da escrita não é parte indissociável de uma obra, e se o único objetivo em mente é “popularizar” tudo, então há muito mais que ser feito. Por exemplo:

Os laços lógicos desse paternalismo condescendente desafiam a imaginação e, num contexto em que cada vez mais o Estado (ou seja, no nosso caso, o governo) mete o bedelho na vida individual de seus súditos, podemos temer qualquer coisa. Quanto a Machado de Assis, não se pode fazer mais nada, além de reescrever seus textos. Mas, quanto aos autores vivos, pode-se incentivá-los (ou obrigá-los, conforme o momento) a ater seus escritos ao Vocabulário Popular Brasileiro, que um dia destes pipoca por aí, tem muita gente no governo sem ter o que fazer. Constará ele das 1.200 palavras compreensíveis pela melhor parte da juventude e do povo brasileiros e, para não ser elitista, quem publicar livro ou matéria de jornal não deve passar delas e quem usar uma palavra considerada difícil não apenas será sempre vaiado quando em público, como pagará uma multa por vocábulo metido a sebo.

Novos empregos serão abertos, para enfrentar a tarefa hercúlea de atualizar nossa literatura. Para que os poetas precisam de tantas palavras, quando as do Vocabulário seriam suficientes para exprimir qualquer sentimento ou percepção? Ou o elitista diria o contrário, menosprezando preconceituosamente a sensibilidade e a criatividade do povão? E rima, meu Deus do céu, para que se usou tanto rima, uma coisa hoje em dia completamente superada? E ordens inversas, palavras postas fora do lugar, que só podem confundir o leitor comum? Por essas e outras é que os jovens também não lêem poesia.

A gente ri para não chorar. Não dê ideia, João Ubaldo! Em nome da “democracia”, da “inclusão social” e do combate ao “elitismo”, os ressentidos estão dispostos a atacar com todas as armas tudo aquilo que presta. É a revolta dos recalcados e rancorosos, contra tudo que vem de cima, superior, melhor. “Nóis pega o peixe” é uma forma “apenas diferente” de se expressar, e ai de quem disser que está errado!

O relativismo é total, estético e, por tabela, ético. Quem disse que lixo não é arte? Lixo é arte sim! Tudo é arte, logo, nada é arte. E assim os incompetentes, sem vocação e habilidade verdadeiras, incapazes de produzir uma obra de valor, conseguem matar a arte legítima. “Chega da ditadura do belo!”, eles bradam. É preciso dar um espaço ao feio, ruim, medíocre, “popular”. E João Ubaldo tem mais algumas dicas a essa turma:

E a lição se estende da literatura às outras artes. O povo não gosta de música erudita porque são aquelas peças vagarosas e demoradas demais. De novo, a solução virá ao adaptarmos Bach a ritmos funk, fazermos arranjos de sinfonias de Beethoven em compasso de pagode e trechos de no máximo cinco minutos cada e organizarmos uma coleção axé das obras de Villa-Lobos. Tudo para distribuição gratuita, como acontecerá com os livros de Machado reescritos, pois continuamos a ser um dos poucos povos do mundo que acreditam na existência de alguma coisa gratuita. E talvez o único em que o governo chancela, com dinheiro do cidadão, o aviltamento de marcos essenciais ao autorrespeito cultural e à identidade da nação, ao tempo em que incentiva o empobrecimento da língua e a manutenção do atraso e do privilégio.

Bach a ritmo de funk e Beethoven em compaso de pagode? É, a gente ri para não chorar. O culto à mediocridade venceu. Parabéns aos invejosos e niilistas…

(*) Blog do Rodrigo Constantino