O BICHO VAI PEGAR


Caso Pasadena:

TCU encrencará Graça Foster

O ministro José Jorge, do TCU, reconheceu que o órgão cometeu um erro ao julgar o processo que resultou na responsabilização de executivos da Petrobras por prejuízos na compra da refinaria de Pasadena. Relator do caso, ele informou que o equívoco será corrigido. Com isso, Graça Foster, atual presidente da estatal, deve ser incluída no rol de pessoas que tiveram os bens bloqueados para cobrir eventual ressarcimento dos danos, orçado por ora em US$ 792,3 milhões.

São 11 os diretores e ex-diretores da Petrobras que o TCU considerou passíveis de punição por decisões consideradas lesivas. Um dele, Ildo Sauer, ex-diretor Gás e Energia, já tinha deixado a estatal na época em que uma das decisões foi tomada. Substituiu-o no cargo Graça Foster. Daí a necessidade de corrigir o acórdão do TCU. Algo que levará a uma inevitável indagação: uma gestora com os bens bloqueados terá condições políticas de continuar no comando da Petrobrass?

O POSTE DO LULA ESTA QUEIMADO

Ibope: Alckmin tem 50%, Skaf 11% e Padilha 5% na disputa em SP

Do UOL, em São Paulo

Intenção de voto

GOVERNADOR DE SÃO PAULO

Geraldo AlckminPSDB

50

Paulo SkafPMDB

11

Alexandre PadilhaPT

5

Gilberto NataliniPV

1

Laércio BenkoPHS

1

Gilberto MaringoniPSOL

1

Raimundo SenaPCO

1

Wagner FariasPCB

1

Walter CiglioniPRTB

0

Brancos e nulos

15

Indecisos

14

Ibope / TV GloboPesquisa do dia 30/07/2014, realizada entre os dias 26 e 28/07/2014; Registro nº: SP-00013/2014; Amostra: 1.512;Margem de erro: +-3 pontos percentuais.

Pesquisa Ibope divulgada na noite desta quarta-feira (30) mostra que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) se reelegeria no primeiro turno das eleições em São Paulo. O tucano aparece com 50% das intenções de voto, seguido pelo empresário Paulo Skaf (PMDB), com 11%, e pelo ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT), com 5%. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Gilberto Natalini (PV), Laécio Benko (PHS), Gilberto Maringoni (PSOL), Wagner Farias (PCB), Raimundo Sena (PCO) aparecem com 1% das intenções, cada. Walter Ciglioni (PRTB) não pontuou. Votos brancos e nulos somam 15%. O percentual de entrevistados que não quiseram ou souberam responder foi de 14%.

A taxa de rejeição de Padilha é de 19%, de Alckmin, 18% e de Skaf, 13%. Natalini e Sena têm rejeição de 7%, cada. Benko, Maringoni, Ciglioni estão com 6% de rejeição, cada. Farias tem 5%.

A pesquisa também avaliou o governo Alckmin. Ao todo, 6% consideram ótimo, 34% bom, 38% regular, 8% ruim, 4% péssimo, 3% não souberam responder.

O Ibope faz 1.512 entrevistas, em 78 municípios, entre 26 e 30 de julho. Apesquisa foi registrada sob o número SP-00013/2014 e foi contratada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” e pela “TV Globo”.*

Senado

O Ibope também ouviu os eleitores sobre suas preferências para o Senado. Nestas eleições, apenas um senador será eleito por Estado, com mandato de oito anos. O tucano José Serra obteve 30% das intenções de voto, seguido de Eduardo Suplicy, com 23%, e Gilberto Kassab (PSD), com 5%. Ana Luiza (PSTU) alcançou 3% das intenções.

Fernando Lucas (PRP), Juraci Garcia (PCO), Kaka Wera (PV) , Marlene Campos Machado (PTB) e Senador Fláquer (PRTB) obtiveram 1%. Edmilson Costa (PCB) e Genildo Moreira (PSB) não pontuaram. Brancos e nulos alcançaram 12%; 10% dos entrevistados não souberam responder.

Pesquisa Datafolha

Em pesquisa do Datafolha divulgada em 17 de julho, também com margem de erro de dois pontos percentuais, Alckmin tinha 54% das intenções de voto, Skaf, 16% e Padilha, 4%. Natalini, Benko, Sena e Farias apareciam com 1% das intenções cada. Os demais candidatos não pontuaram. Brancos e nulos somaram 13% e indecisos, 10%.

A taxa de rejeição medida pelo Datafolha foi de 26% para Padilha, 20% para Skaf e 19% para Alckmin. Na mesma pesquisa, 46% entrevistados avaliaram a administração de Alckmin como ótima ou boa, 37% como regular e 14% como ruim ou péssima.

O Datafolha também mediu as intenções de voto para senador. Serra obteve 34% das intenções, Suplicy, 29%, Kassab, 7% e Ana Luiza, 4% e Marlene Campos Machado, 2%. Edmilson Costa e Fernando Lucas tiveram 1% das intenções. Os demais candidatos não pontuaram.*

 

A FILA E A BICHA

000- a coluna do Joauca - 500

Perguntaram-me de onde teriam vindo as expressões bicha e veado para designar o homossexual masculino. Na Internet veicularam uma informação errônea, segundo a qual o animal veado, ao atingir certa idade, perderia os chifres e, para não ser surrado por outro macho ou expulso do bando, adotaria um comportamento feminino, submetendo-se a outros machos para garantir sua proteção.

A informação é falsa porque os machos nunca perdem a galhada que, pelo contrário, se renova anualmente. O que ocorre é que os cornos que nascem no animal jovem, chamado “veado estaqueiro”, têm uma cobertura de pele e crescem rapidamente. Quando chega a época do acasalamento, começa a muda de chifres, em que há reabsorção inicial do material ósseo. Isso provoca irritação e leva o animal a esfregar a cabeça contra superfícies duras para que os chifres anteriores se desprendam, e os novos cresçam.

Pode ser que bicha (para designar o homossexual masculino) tenha vindo de bicha,  nome popular por que é conhecido o verme nematódeo, parasito intestinal enteverobius vermicularis ou, simplesmente, oxiúro. Os oxiúros provocam distúrbios intestinais, dores abdominais e, sobretudo, pruridos anais. Esses pruridos anais  é que poderiam ter servido  de base para a extensão, por metonímia, do nome popular do animal para o do homossexual masculino. O mesmo verme serviu também para cunhar a expressão “estar com bicho carpinteiro”, que designa o estado em que se encontra alguém que não consegue ficar quieto um minuto, segundo a lição de Leite de Vasconcelos, em Etnografia II. Antenor Nascentes, em seu Tesouro da Fraseologia Brasileira (3.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986), no verbete bicho, cita Leite de Vasconcelos, mas sua explicação é a de que o nome teria vindo de um coleóptero do gênero xylotrophus (xylo  em grego, significa “madeira”; e trophus, “alimento”, donde “bicho carpinteiro”, o que se alimenta de madeira).

Quanto ao nome veado, para designar o homossexual masculino, a origem está na influência da língua francesa no léxico português. Em francês, biche é o feminino vicário de cerf, “veado”. É possível que, por influência francesa, o nome que designa o veado fêmea, a biche  (tradução literal, homonímica, do nosso bicha), o nome veado tenha passado a sinônimo de homossexual. O número 24 é decorrência do jogo do bicho.

Seja porque os oxiúros são  expulsos do seu hospedeiro em fila, um atrás do outro, seja porque uma fila tem a conformação de um verme ou de uma serpente, o nome bicha, em Portugal, designa, por metáfora, a fila indiana. E fila indiana tem esse nome, segundo Nascentes, no seu mencionado Tesouro da Fraseologia Brasileira, s.v. fila, porque era essa a “maneira de os índios da América caminharem em fileira através dos bosques.”

Como se vê, a metáfora e a metonímia estão sempre presentes no linguajar do povo.*

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011)

 

LEGADO DA COPA

Governo tem no semestre

o pior superavit em 14 anos

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No primeiro semestre do ano, as receitas federais superaram em R$ 17,2 bilhões as despesas com pessoal, custeio, programas sociais e investimentos, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (30) pelo Tesouro Nacional.

O saldo do governo central (governo federal, Banco Central e Previdência Social), conhecido como superavit primário, foi a metade do alcançado no primeiro semestre do ano passado e o pior para um primeiro semestre desde 2000, quando o resultado foi de R$ 15,4 bilhões.

O governo federal comprometeu-se a poupar R$ 80,8 bilhões até o fim do ano. Até a metade dele, cumpriu pouco mais de 21% dessa meta.

Em junho, o governo federal teve deficit de R$ 1,9 bilhão, o pior resultado para junho de que se tem registro. O governo federal atribui o fraco resultado à atividade econômica e aos feriados do mês, em função da Copa do Mundo.

“O resultado fiscal foi menos dinâmico. Ele é decorrente de uma receita menos forte, que tem a ver também com atividade econômica do semestre e com a temperatura da economia menor, isso significa menos inflação”, afirmou o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.

Augustin afirma que o Tesouro continua “trabalhando com a meta” e que confia em “dois fenômenos” no segundo semestre para que ela seja cumprida – mais crescimento econômico, com consequente alta de receita, e arrecadação de parcelas do Refis (programa de parcelamento de dívidas tributárias).

“Os dados de atividade econômica do segundo semestre, assim como receita, estamos estimando como sendo melhores do que no primeiro semestre. Em junho, mês de muitos feriados e eventos esportivos, diminuiu um pouco a atividade econômica e a arrecadação.”

META

O descompasso entre arrecadação de receitas, que cresce no ritmo lento da economia do país, e dos gastos do governo, em expansão mais acelerada em ano eleitoral, fica evidente nos resultados do semestre.

As receitas cresceram 7,2% de janeiro a junho, enquanto as despesas tiveram expansão de 10,6% no período, em comparação com o ano passado.

A administração petista tem afirmado que vai cumprir a meta fiscal do ano. Para tanto, vai lançar mão de expedientes contábeis, como uso de dividendos extraídos das empresas estatais e das receitas do Refis.

No semestre, o caixa do Tesouro contou com a entrada de R$ 10,5 bilhões de dividendos de estatais, valor 36,3% superior ao mesmo período do ano passado.

Até o fim do ano, conta com a entrada de R$ 18 bilhões do Refis.

CONCESSÕES

Para reforçar seu caixa, o governo trabalha ainda com a entrada de R$ 13 bilhões no ano com concessão de serviços públicos. Até junho, entrou R$ 1,2 bilhão.

Desse total, o governo estima que R$ 8 bilhões venham do leilão da faixa de frequência para internet 4G, previsto para setembro.

Arno Augustin afirmou que o governo não trabalha com adiamento ou mudança no leilão, e que conta com a entrada desses recursos ainda este ano. *

(*) SOFIA FERNANDES  E EDUARDO CUCOLO – FOLHA DE SÃO PAULO

COMO SE A FESTA CONTINUASSE NO TITANIC

Candidatos do PT são os que mais

gastam para conquistar voto

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Os candidatos do Partido dos Trabalhadores (PT) são os que vão pagar mais caro pelo voto do eleitorado nas eleições de 2014. A previsão do custo das campanhas eleitorais de todos os partidos para todos os cargos é de R$ 72,9 bilhões. Se o valor for dividido pelo quantitativo do eleitorado, é como se o voto de cada eleitor custasse R$ 510,76. O PT, cujos custos previstos das campanhas somam R$ 5 bilhões, contribuiria com R$ 35,04 por votante.

Valor semelhante será pago pelos candidatos do Democratas (DEM). Para conquistar cada eleitor, o partido pagará R$ 34,95. Os concorrentes do DEM pretendem gastar R$ 4,99 bilhões na campanha. Completa o ranking dos que menos vão se privar de recursos para ganhar o eleitorado, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). O partido, que gastará R$ 4,7 bilhões com campanhas, contribuirá com R$ 33,16.

Por outro lado, o Partido da Causa Operária (PCO), com apenas 46 candidatos cadastrados no TSE, vai contribuir somente com R$ 0,01 para garantir o sufrágio de cada um dos 142.822.046 eleitores. O custo das campanhas do PCO é de R$ 904 mil. No fim da lista ainda estão o Partido Comunista Brasileiro (PCB), que pagará R$ 0,13 pelo voto de cada votante e o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), que deve gastar R$ 0,22 por eleitor.

Eleições igualitárias

Quando comparado o valor que cada partido pretende gastar na campanha dividido pelo número de candidatos, a situação muda. Com 619 concorrentes, o DEM, caso o valor fosse dividido igualitariamente, gastará R$ 8,1 milhões para tentar eleger os candidatos do partido. O PT, por sua vez, destinará R$ 3,8 milhões a cada um dos 1.312 aspirantes. O PMDB, terceiro em custo total das campanhas, vai gastar R$ 3,9 milhões por candidato (1.228).

Os partidos com menores campanhas, entretanto, são ainda os que vão distribuir menos recursos para os candidatos filiados a eles. Cada concorrente do PCO deve receber R$ 19,7 mil. Os 296 aspirantes do PSTU vão poder contar com R$ 104,2 mil para as campanhas. Já os candidatos do PCB devem ter R$ 123,4 mil para a disputa eleitoral.

Veja lista completa

Os dados referentes aos custos das campanhas são os últimos divulgados pelo TSE, com atualização em 28 de julho. Na referida data, 24.633 candidatos estavam registrados no TSE.

(*) Marina Dutra Contas Abertas

VALE TUDO

Crime eleitoral

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Dilma balança, mas segue como favorita para a Presidência. Não faz mal: há gente no Governo para quem vale tudo. Pelo menos onze computadores do Governo Federal, localizados no Palácio do Planalto, sede da Presidência, e no Serpro, Serviço Federal de Processamento de Dados, foram usados na campanha eleitoral, gastando o dinheiro do contribuinte, seja ele favorável ou não à candidata do PT.

De computadores oficiais saíram mudanças na Wikipédia, com retirada de menção a investigações do Ministério Público sobre irregularidades na Funasa, na época em que Alexandre Padilha era diretor de Saúde Indígena; em troca, entraram elogios a Padilha. Em 2010, a Wikipédia já tinha sido alterada por um computador oficial, que incluía informações da propaganda petista sobre intenções que atribuía ao tucano Serra de “acabar com todas as empresas estatais”.

É crime eleitoral. Mas, para descobrir quem usou os computadores, o Governo Federal precisará colaborar com as investigações, o que até agora não fez.*

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet.

A VIÚVA É RICA

Gasto da Olimpíada no Rio passa a R$ 37,6 bi com novas obras

Dos 52 projetos essenciais para a Olimpíada, 15 ainda estão sem custo e prazo de início de obras definidos

Parque Olímpico no Rio de JaneiroParque Olímpico no Rio de Janeiro (Genilson Araújo/Agência O Globo/VEJA)

Com novas obras licitadas, no Complexo Esportivo de Deodoro, os custos com projetos relacionados às arenas, para os Jogos Olímpicos de 2016, passaram de 5,6 bilhões de reais para 6,5 bilhões de reais. Essa diferença representa uma atualização da Matriz de Responsabilidade da Olimpíada, documento que enumera as obras fundamentais para o evento. Agora, os gastos com os Jogos de 2016 já alcançaram 37,6 bilhões de reais, assim distribuídos: arenas: 6,5 bilhões de reais; legado: 24,1 bilhões de reais; e investimento do Comitê Organizador da Olimpíada, 7 bilhões de reais. O orçamento previsto na candidatura brasileira era de 28,8 bilhões de reais.

“Não se trata agora de um aumento de custos. Como houve a licitação de onze intervenções em Deodoro, as cifras foram atualizadas”, disse, nesta terça-feira, no Rio, o presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), general Fernando Azevedo e Silva.

Dos 52 projetos essenciais para a Olimpíada, quinze ainda estão sem custo e prazo de início de obras definidos. Quando houver a licitação, os valores do gasto total com os Jogos vão ser alterados. “Essa mudança se dá automaticamente quando a licitação é feita. Portanto, são custos previstos”, disse o general.*

(*)  VEJA ONLINE

TÁ TUDO DOMINADO

Luiz Moura e cinco empresas de ônibus são suspeitos de lavagem de dinheiro para o PCC

Parlamentar e viações que operam na zona leste de São Paulo são citados em apuração coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco); seu irmão, o vereador Senival Moura (PT), também aparece na investigação

SÃO PAULO – O deputado estadual Luiz Moura (PT) e cinco empresas de ônibus que operam em São Paulo são citados em investigação que apura esquemas de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). O procedimento, sigiloso, é coordenado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual. A informação foi antecipada pelo estadão.com.br. Moura nega as acusações.

 

Evelson de Freitas/Estadão
O deputado Luiz Moura, do PT

O Tribunal de Justiça ainda precisa dar aval para que o deputado seja investigado. Ele está suspenso do PT desde o mês passado. Moura foi flagrado pela Polícia Civil em março, em uma reunião de perueiros em que havia suspeitos de integrar a facção criminosa.

Moura apareceu na investigação do Ministério Público depois de os promotores apurarem denúncia de que o Consórcio Leste 4, grupo contratado pela SPTrans em 2007 para operar linhas de ônibus na zona leste da capital, era formado por três empresas cujos sócios eram “indivíduos que estariam lavando dinheiro, produto do cometimento de crimes” para a facção que opera nos presídios, segundo os autos. Sete pessoas foram denunciadas. Inicialmente, o nome de Moura estava fora das acusações.

Em 2010, quando as investigações tiveram início, Moura era diretor de uma das empresas citadas, a Happy Play. As outras eram a Himalaia e a Novo Horizonte. Ao investigá-las, os promotores observaram que um dos endereços da Happy Play era de uma casa de carnes. O outro era o da garagem da cooperativa Transcooper – que tinha Moura como um dos sócios e o irmão dele, o vereador Senival Moura (PT), como cooperado.

Finanças. Ao analisar a movimentação financeira dos demais investigados, os promotores descobriram ainda casas sendo compradas à vista, perueiros com patrimônio superior a R$ 22 milhões e motoristas com seguros de vida superiores a R$ 1 milhão, segundo as informações do processo.

Dois dos suspeitos, Gerson Adolfo Sinzinger e Vilson Ferrari, o Xuxa, levantaram R$ 4 milhões cada, no intervalo de dois anos, enquanto trabalhavam nas cooperativas da cidade, segundo as investigações.

O dinheiro serviu para o acúmulo de capital da empresa Happy Play, ainda de acordo com a investigação do Ministério Público. “A empresa não possuía nenhum veículo, mas recebia repasses do Consórcio Leste 4”, diz um trecho dos autos.

Ambos ainda fizeram parte do quadro societário da cooperativa Aliança Paulista, que também opera na zona leste. Essa empresa, também investigada, é citada em boletins de ocorrência anexados à investigação, acusada de usar funcionários para ameaçar motoristas e cobradores da concessionária Via Sul, que atua na mesma região.

As ameaças seriam para que a empresa cedesse linhas tidas como mais lucrativas para os perueiros – o caso resultou em ação na Promotoria do Patrimônio Público e Social.

A investigação aponta que a dupla chegou a fazer parte das três empresas que compunham o Consórcio Leste 4. A reportagem não conseguiu localizar seus representantes ontem.

Sigilos. Diante das evidências de enriquecimento ilícito – complementadas também por representação feita por sócios descontentes da Viação Novo Horizonte -, os promotores do caso pediram e obtiveram quebra de sigilo financeiro de Moura, dos outros sete suspeitos e das cinco empresas (Consórcio Leste 4, Himalaia. Novo Horizonte, Happy Play, Trascooper e Aliança Paulista), ainda em 2011. Segundo o processo, os bancos demoraram mais de um ano para repassar os dados – e chegaram a ser multados.

Agora, os promotores solicitam ao Tribunal de Justiça a instauração de um procedimento investigatório para esclarecer se o enriquecimento verificado teve relação com lavagem de dinheiro de drogas para o Primeiro Comando da Capital, como disseram as denúncias, ou se foram fruto de alguma outra irregularidade.*

(*) BRUNO RIBEIRO, DIEGO ZANCHETTA, LUCIANO BOTTINI FILHO E RAFAEL ITALIANI – O ESTADO DE S. PAULO