ESCANDOLOBRÁS

ARRENDEMENTO DE NAVIOS, A COBIÇA

DOS POLÍTICOS NA PETROBRAS

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POLÍTICOS ADORAM ARRENDAMENTO DE NAVIO PELA PETROBRAS OU TRANSPETRO: RENDE COMISSÃO DE 10 MIL DÓLARES/DIA POR ATÉ 20 ANOS

A Polícia Federal investiga o que seria uma das principais fontes de propina para políticos na Petrobras e sua subsidiária Transpetro: intermediadores (“shipbrokers”) de fretamento de navios, tanqueiros etc. A intermediação do “aluguel” de embarcações pela estatal rende entre 1% e 5% (até US$ 15 mil) por dia de contratos que podem durar 20 anos, se o fretamento é por toda vida útil do navio, o que é habitual. Uma comissão de praxe, a “address comission”, é estipulada pelo fretador (a Petrobras) e é paga em fatura oficial ao shipbroker. A Petrobras opta pelo frete, já que um navio-tanque de grande porte (Very Large Crude Carrier) custa no mínimo US$ 100 milhões. O frete de apenas um navio-tanque (tanqueiro), por 20 anos, pode render US$ 70 milhões aos intermediadores (shipbrokers) do negócio. Por levar o negócio ao estaleiro, o shipbroker recebe comissão da empresa, estipulada em adendo, além da comissão da Petrobras.*

(*) Diário do Poder

“ÍCONE” DO EMPRESARIADO LULOPETISTA

Justiça do RJ autoriza quebra

de sigilo bancário de Eike

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A Justiça Federal do Rio de Janeiro autorizou nesta sexta-feira a quebra dos sigilos bancário e fiscal do empresário Eike Batista, acusado de crime financeiro por supostamente operar em benefício próprio no mercado de capitais, confirmou a assessoria do grupo EBX. “Foram três decisões proferidas, sendo uma do bloqueio e outras duas de sigilos”, disse mais cedo à Reuters uma fonte judicial, em condição de anonimato. A decisão representa mais um revés para o empresário que já sofreu esta semana o bloqueio de bens no valor de 122 milhões de reais, por determinação da Justiça. Segundo nota à imprensa divulgada pelo grupo EBX, a quebra do sigilo bancário “coincide com o propósito de mostrar aos órgão judiciários, ao Ministério Público e a todos os interessados a regularidade de tais elementos”. “Tanto assim que a defesa não interporá qualquer recurso dessa decisão”, adicionou. Segundo a empresa, no momento oportuno, a própria defesa irá pedir a verificação de todas as operações bancárias, bem como de todas as informações prestadas à Fazenda. “A assessoria voltará ao assunto assim que os advogados tiverem vista do processo judicial, o que ainda não aconteceu.” Procurada, a assessoria de imprensa da Justiça Federal informou que não pode comentar o assunto, já que o processo corre em sigilo. Os processos relacionados a Eike Batista correm na 3ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Todos as decisões tomadas pelo magistrado atendem a demandas feitas pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, que junto com a Polícia Federal apura a prática de crimes financeiros pelo empresário à frente da OGX, que depois foi rebatizada de Óleo e Gás Participações, atualmente em processo de recuperação judicial. Uma investigação também foi aberta pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para apurar operações feitas pelo empresário na Bolsa de Valores. Eike Batista é acusado de vender ações de sua empresa para evitar futuros prejuízos pessoais. O empresário saberia que a companhia passava por dificuldades financeira e detinha reservas menores que as estimadas inicialmente. A acusação é de, mesmo sabendo dos problemas, ele continuava dando declarações positivas à imprensa sobre a petroleira.

(*) Rodrigo Viga Gaier e Luciana Bruno – O Globo

DECIFRANDO A PETROBRAS

Privatizaram a Petrobras

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Dilma Rousseff falou grosso. Declarou que considera “inadmissível” a privatização da Petrobras. Com toda a bravura do seu gesto, a presidente, infelizmente, está atrasada. A Petrobras já foi privatizada.

A maior empresa brasileira pertence hoje, majoritariamente, a um consórcio de franco-atiradores que prosperaram no seio do governo popular. Se não, vejamos: uma empresa que, numa única transação, transfere a terceiros mais de 500 milhões de dólares, a fundo perdido, de patrimônio público, é uma empresa dos brasileiros?

Poderia ser. Mas, e se essa empresa perde metade do seu valor de mercado sob um governo que asfixia seus preços para mascarar a inflação? Considerando-se que, em tal manobra, essa empresa foi utilizada por um grupo partidário para se perpetuar no poder, ela está servindo aos brasileiros? Quais brasileiros?

E se um grupo de fornecedores e intermediários investigados pela Polícia Federal, com contratos suspeitos com essa empresa, faturou mais de 30 bilhões de reais nos últimos dez anos? Você ainda acha que essa empresa é sua? Tudo bem, talvez você ache que o Land Rover do Silvinho Pereira também é seu. Aliás, agora você tem também o Land Rover do ex-diretor da empresa Paulo Roberto Costa, presente do doleiro Alberto Youssef. Pode escolher com qual dos dois você não levará sua mãe para passear no dia dela.

Segundo a Polícia Federal, o esquema centralizado por Costa, que está preso, funciona desde 2004. Era o segundo ano do governo Lula, e a nova presidente do Conselho de Administração da Petrobras era Dilma Rousseff. Nesses dez anos, floresceram os negócios do doleiro Youssef, regendo uma formidável orquestra de contratos superfaturados, propinas e dinheiro de graça para políticos amigos do povo. Um deles era André Vargas, que o PT de Dilma tirou do anonimato e aninhou na vice-presidência da Câmara dos Deputados, nada menos. O governo popular sabe valorizar um bom engenheiro de prospecção de dólares. O petróleo é deles.

Aí vem a oposição pedir a CPI da Petrobras. Pura inveja. Choro de quem não participou desse bem-sucedido processo de privatização. Muitos não entenderam por que, em meio às revelações sobre lucrativos negócios privados com esse doce de mãe que é a Petrobras, Dilma veio falar que não admite a privatização da empresa. Alguns acharam até que a presidente estivesse esclerosada, respondendo a coisas que ninguém perguntou. Nada disso. Pensando bem, a lógica de Dilma está perfeita: é inadmissível privatizar algo que já foi privatizado.

Lula e Dilma escalaram Renan Calheiros para barrar a CPI da Petrobras, ou, pelo menos, sabotá-la. É a pessoa certa no lugar certo. O presidente do Senado entende dessa matéria de prospecção de vantagens privadas à sombra do Estado (já provou que um eficiente servidor da nação não deixa ex-namorada sem pensão). E o cenário político é o melhor possível para barrar essa tentativa de fuxicar a petrolífera dos companheiros. Os novos manifestantes e revolucionários urbanos, que, segundo se lê por aí, vieram vocalizar um poderoso anseio de mudança, não estão nem aí para a CPI da Petrobras. O governo popular está cozinhando o assunto há dois meses, tranquilo, sem nenhum ninja, mascarado ou tranca-rua para lhe causar nem um sorriso amarelo.

O Brasil está satisfeito com o padrão petista de concubinato estatal (em comunhão de bens). A privatização do Banco do Brasil pelo valerioduto, por exemplo, encheu o PT de dinheiro público e foi saudada pela nação com a reeleição de Lula. A entrega do PAC à conexão Delta-Cachoeira foi chancelada com aprovação recorde a Dilma em 2012. A CPI do Cachoeira, aliás, não levou às ruas um gato pingado com cartolina de protesto. A mulher do bicheiro virou musa, e a farra dos superfaturamentos no Ministério dos Transportes retornou no ano seguinte, nova em folha. A CPI da Copa, que trataria da privatização do BNDES na jogada dos estádios bilionários, foi engavetada pelo Congresso — sem nenhuma alma penada gritando que não vai ter Copa.

É claro que, com todas essas privatizações estatais do governo popular, está ficando difícil fechar as contas públicas (mesmo com a maquiagem contábil). Mas não tem problema. O ministro da criatividade fazendária, Guido Mantega, já anunciou que pode haver um aumento de impostos sobre bens de consumo. Perfeito. O contribuinte precisa ser chamado a completar o caixa, porque os sócios de Youssef não podem morrer de fome.

Agindo assim, o governo Dilma está em consonância com a coqueluche mundial dos progressistas, o best-seller “O capital no século XXI” — obra de mais um autor da bondosa esquerda francesa. Basicamente, ele propõe mais impostos para quem consegue juntar dinheiro. É isso aí. Preservem Youssef, Rousseff e demais companheiros do povo. Como diria Thatcher, o socialismo será eterno enquanto durar o dinheiro dos outros.*

(*) Guilherme Fiuza, O Globo

E QUEM É O RESPONSÁVEL?

Mais chutes no traseiro. Merecemos isso?

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O secretário geral da Fifa, Jérôme Valcke, trocou o sapato e deu mais um chute no nosso traseiro, dois anos depois do primeiro, quando nos mandou trabalhar para evitar atrasos nas obras dos estádios. Adiantou?

Esta semana, demonstrando que o limite de sua paciência coincide com o início da Copa, na mesma proporção em que cresce sua indelicadeza e grosseria com o país anfitrião, Valcke aconselhou os turistas:

“Não adotem  o mesmo comportamento e o mesmo planejamento como se estivessem na Alemanha, na Copa de 2006. Não apareça (no Brasil) achando que é (a Alemanha)”.

Mais adiante, o dirigente voltou a um assunto que já sabíamos: a ideia de 12 cidades-sedes foi do então presidente Lula, com o argumento de que “a Copa deveria ser para todo o Brasil e não apenas para poucas cidades”.

Não é bem assim. Lula estava de olho nos apoios políticos das cidades-sedes para a campanha de Dilma Rousseff ao Palácio do Planalto. A decisão foi política, e o ônus e o desgaste daquela decisão pagamos agora, uma conta que vai durar muito tempo a ser liquidada. Merecemos isso?

A vantagem é que, encerrada a Copa, Valcke não vai aparecer mais por aqui.*

(*) José Cruz – UOL

CASTELO DE AREIA…

As pesquisas reforçam a advertência:

Dilma Rousseff é o Celso Pitta do Lula

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Ambos deslumbrados com os altos índices de aprovação registrados nas pesquisas de popularidade, o prefeito Paulo Maluf em 1995 e o presidente Lula em 2007 resolveram mostrar-se capazes de instalar qualquer nulidade no cargo que ocupavam. Para que cumprissem sem resmungos a missão de guardar o lugar do chefe, como registrou um post publicado em julho de 2010, os escolhidos deveriam ser desprovidos de autonomia de voo e luz própria. Quanto mais medíocre, melhor.

Maluf pinçou no secretariado municipal um negro economista. Lula pinçou no primeiro escalão federal uma mulher economista. Ao apresentar o sucessor, o prefeito repetiu que foi Maluf quem fez São Paulo. Mas quem arranjou o dinheiro foi um gênio da raça chamado Celso Pitta, secretário de Finanças. Ao apresentar a sucessora, o presidente reiterou que foi Lula quem pariu o Brasil Maravilha. Mas quem  amamentou o colosso foi uma supergerente chamada Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil e Mãe do PAC.

Obediente ao criador e guiado pelo marqueteiro Duda Mendonça, Pitta atravessou a campanha driblando debates e entrevistas, declamando platitudes e louvando o chefe de meia em meia hora. Como herdara uma cidade mais que perfeita, restou-lhe embelezá-la com espantos de matar alemão de inveja. Nenhum fez mais sucesso nos programas na TV do que  o Fura-Fila, um veículo leve sobre trilhos instalados em viadutos. Grávido de orgulho com o desempenho do poste que fabricara, o padrinho ordenou aos eleitores que nunca mais votassem em Paulo Maluf se o afilhado fracassasse.

Obediente ao criador e tutelada pelo marqueteiro João Santana,  Dilma percorreu o circuito eleitoral driblando debates e entrevistas, gaguejando frases descartáveis e bajulando o chefe a cada 15 minutos. Como herdara um país pronto, restou-lhe acrescentar refinamentos que fariam do País do Carnaval uma Noruega com praia, samba e futebol. A campanha eleitoral nem começara quando os primeiros apitos do trem-bala anunciaram a chegada do Fura-Fila de Dilma. Grávido de confiança no poste que esculpira, o padrinho deixou claro que disputava o terceiro mandato disfarçado de Dilma, já conhecida nas lonjuras da nação como a “mulher do Lula”.

São Paulo demorou três anos para descobrir que era governada pelo pior prefeito de todos os tempos. Descoberta a tapeação, os iludidos escorraçaram Pitta do emprego e Maluf nunca mais foi eleito para qualquer cargo executivo. Milhões de brasileiros já constataram que a nação é presidida por uma fraude. Os eleitores que ainda não enxergaram a vigarice são suficientemente numerosos para que a pior governante desde o Descobrimento continue a sonhar com um segundo mandato. Mas também sobram motivos para que a oposição acredite  e a última pesquisa Datafolha publicada nesta sexta-feira deixa ainda mais evidente – que uma era pode estar chegando ao fim.

“Volta, Lula!” não é uma palavra de ordem. É um grito de medo. Não é a senha para a ofensiva. É um pedido de socorro inútil. Se a afilhada naufragar, o padrinho não escapará do abraço de afogado. Dilma Rousseff é o Celso Pitta de Lula.*

(*) Blog do Augusto Nunes.

EXTRA-EXTRA

JOAQUIM BARBOSA NEGA PEDIDO

DE TRABALHO EXTERNO DE ZÉ DIRCEU

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, negou o pedido de autorização para trabalho externo feito pelo mensaleiro petista José Dirceu. O ex-ministro de Lula está detido no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, desde novembro, após ser condenado a 7 anos e 11 meses de prisão no processo do mensalão. Dirceu solicitou autorização para trabalhar como auxiliar no escritório do advogado José Gerardo Grossi, em Brasília, recebendo um salário de R$ 2,1 mil. A recusa de Barbosa acontece horas após denúncia de que a filha do mensaleiro, Joana Saragoça, conta com privilégios para visitar Dirceu na Papuda. Joana foi flagrada usando carro do Governo do Distrito Federal para entrar na penitenciária sem enfrentar fila. Ontem (8) o presidente do STF já havia revogado a autorização de trabalho de outros dois mensaleiros, Romeu Queiroz e Rogério Tolentino. Barbosa afirmou ser contra a jurisprudência que permite ao condenado trabalhar fora antes de cumprir um sexto da pena. No caso de Dirceu, o STF ainda não divulgou detalhes da decisão do magistrado.

(*) Diário do Poder

RETRATO EM 3 X 4

O Brasil para inglês ver

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Algumas informações para oferecer aos 600 mil torcedores que desembarcarão em terras brasileiras para assistir aos jogos da Copa do Mundo

Alinhavamos algumas informações, que esperamos ser úteis, para oferecer aos 600 mil torcedores que desembarcarão em terras brasileiras para assistir aos jogos da Copa do Mundo.

NOSSO CAMPO – Na última década, 2004 a 2013, foram mortas 338 pessoas por conflitos agrários, segundo levantamento da Comissão Pastoral da Terra. Somente no ano passado, houve 34 assassinatos, sendo que 15 vítimas eram índios. Metade das terras do país pertence a apenas 46 mil pessoas.

NOSSAS ESCOLAS – Um em cada cinco professores do ciclo final do ensino fundamental (do 6º ao 9º ano) não tem curso universitário. E um em cada três não é habilitado, ou seja, não fez licenciatura. No ensino médio, um em cada cinco professores não fez licenciatura – são profissionais como administradores, advogados e jornalistas dando aulas de física, química, matemática, línguas. Os dados são da ONG Todos pela Educação. Cerca de 9% da população permanece analfabeta e 20% são classificados como analfabetos funcionais – ou seja, um em cada cinco adultos não tem capacidade de ler e interpretar os textos mais simples.

NOSSAS CADEIAS – Há hoje encarceradas quase 580 mil pessoas, o quarto maior contingente do mundo. Conforme relatório do Ministério da Justiça, entre 1992 e 2013, enquanto a população cresceu 36%, o número de confinados aumentou 400%. E se a média mundial é de 144 presos para cada 100 mil habitantes, no Brasil é de 300, majoritariamente jovens (entre 18 e 34 anos), pobres, negros ou pardos, e de baixa instrução escolar.

NOSSAS CIDADES – De cada dez assassinatos ocorridos no mundo, um acontece no Brasil. Relatório da ONU mostra que o país tem uma taxa de homicídios quatro vezes maior que a média mundial – 25 assassinatos por 100 mil habitantes, mais de 50 mil pessoas mortas em 2012. Alagoas, o estado mais violento, registra 61 mortes por 100 mil habitantes, mais que o dobro da média nacional. E das 30 cidades mais perigosas do mundo, 11 são brasileiras, sendo quatro delas sede de jogos da Copa do Mundo: Fortaleza, Natal, Salvador e Cuiabá.

NOSSAS MULHERES – Estima-se que a cada ano ocorram 527 mil casos de estupro, mas que somente 10% cheguem ao conhecimento das autoridades. Do total das vítimas, 89% são mulheres. No estado mais rico do Brasil, São Paulo, o número de registros vem crescendo assustadoramente. Entre 2005 e 2010, o aumento chegou a 230%: foram computados no período quase 53 mil estupros, 128 pessoas a cada 100 mil habitantes. Em 2012, 13 mil pessoas foram estupradas, o que significa 35 ocorrências por dia.

NOSSAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES – Estima-se que 70% dos casos de estupro sejam contra crianças e adolescentes, praticadas por pai ou padrasto ou por conhecidos, parentes e amigos da família. Em 2012, foram registradas mais de 120 mil denúncias de maus-tratos contra crianças e adolescentes. Dados da Unicef mostram que há cerca de 250 mil crianças e adolescentes prostituídas perambulando pelas ruas do Brasil.

NOSSAS MINORIAS SEXUAIS – Pelo menos 312 gays, lésbicas e travestis foram assassinados no ano passado, média de um homicídio a cada 28 horas, conforme pesquisa do Grupo Gay da Bahia (GBB). A entidade estima que 99% dos crimes tiveram como motivação a homofobia. O local onde se realiza a mais importante parada gay do mundo, que chega a reunir mais de três milhões de participantes, a Avenida Paulista, em São Paulo, é o mesmo que concentra o maior número de ataques homofóbicos da cidade.

NOSSO TRÂNSITO – O país vai perder, em 2014, cerca de 48 mil vidas, vítimas de acidentes de trânsito, o que coloca o Brasil como o quarto mais violento do mundo também nesse quesito. São cerca de quatro mil mortes por mês, 132 por dia, seis por hora, uma a cada 10 minutos. E, segundo o Mapa da Violência, editado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais e o Centro Brasileiro de Estudos Latino-americanos, entre 2000 e 2010, a taxa de mortalidade no trânsito, entre jovens de 15 a 19 anos, cresceu 376%.

NOSSOS ÍNDIOS – O Brasil tem uma das taxas de suicídio mais baixas da América Latina, cinco ocorrências a cada 100 mil habitantes, mas, quando se isola a população indígena, esse número sobe significativamente. O número de suicídios entre os índios é 34 vezes superior à média nacional, e sobe ainda mais entre os jovens, alcançando inacreditáveis 446 casos por 100 mil habitantes.

NOSSOS AFRODESCENDENTES – Relatório das Desigualdades Raciais no Brasil mostra que, por ter menos acesso à previdência social, a expectativa de vida entre afrodescendentes é de 67 anos, contra a média nacional de 73,4 anos. A taxa de analfabetismo entre negros e pardos é mais que o dobro da apresentada entre os brancos. Nem metade dos pré-adolescentes deste grupo, entre 11 e 14 anos, estuda na série esperada, e 85% das crianças até três anos não freqüentam creches.

NOSSOS HOMENS PÚBLICOS – Segundo a Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp), o custo da corrupção no Brasil equivale a 1,4% e 2,3% do Produto Interno Bruto, ou seja, algo por volta de R$ 42 bilhões a R$ 69 bilhões. Estudo da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) revela que entre 1988 e 2007 nenhum agente público foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal e que neste mesmo período o Superior Tribunal de Justiça condenou apenas três autoridades.

NOSSA ECONOMIA – O Brasil é a sétima maior economia do mundo, movimentando 2,2 trilhões de dólares em produtos e serviços por ano.

NOSSA DISTRIBUIÇÃO DE RENDA – O Brasil tem a sexta pior distribuição de renda do mundo. Para cada dólar que os 10% mais pobres recebem, os 10% mais ricos ganham 68.

NOSSO ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO – O Brasil ocupa o 85º lugar do mundo – o IDH leva em consideração indicadores de renda, saúde e educação.

NOSSOS UNIVERSITÁRIOS – Pesquisa do Instituto Paulo Montenegro e da Ong Ação Educativa revela que 38% dos estudantes do ensino superior são analfabetos funcionais, ou seja, um em cada três universitários não domina habilidades básicas de leitura e escrita.

NOSSAS UNIVERSIDADES – Apesar de importantes ações afirmativas, como a criação de cotas raciais e sociais, mantém-se uma estranha distorção no ensino superior: os filhos de famílias ricas usufruem de boas universidades públicas (ou seja, estudam de graça), enquanto os filhos de famílias pobres cursam universidades privadas de qualidade duvidosa (ou seja, pagam para estudar, diretamente ou por meio de financiamento governamental). Segundo dados do Ministério da Educação, oito em cada dez universitários estão matriculados em instituições que cobram matrícula e mensalidade.

NOSSO SISTEMA DE SAÚDE – Embora todos tenham direito ao Sistema Único de Saúde, a má qualidade dos serviços oferecidos empurrou 48 milhões de pessoas para planos de saúde privados. Entre 2005 e 2012, segundo o Conselho Federal de Medicina, o número de leitos hospitalares credenciados pelo SUS diminuiu 10,5%. A presença de médicos na rede privada é quatro vezes maior que na rede pública. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam a existência de 17,6 médicos para cada 10 mil habitantes – metade do encontrado em países da Europa. Em alguns estados, como o Maranhão, esse número cai para sete médicos para cada 10 mil habitantes.

NOSSA MORTALIDADE INFANTIL – O Brasil diminuiu em 73% a taxa de mortalidade infantil (crianças que não chegam a atingir um ano de idade) nos últimos vinte anos. No entanto, o índice permanece alto, 16,7 por mil nascidas vivas, segundo a OMS, longe do ideal, que é de 10 mortes por mil nascimentos. O Brasil ocupa o 97º lugar no ranking mundial.

NOSSO SANEAMENTO BÁSICO – Apenas 46% do total das residências têm coleta de esgoto – e, destes, somente 38% dos dejetos recebem tratamento, conforme dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento do Ministério das Cidades. Estudo do Instituto Trata Brasil e do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável revela que 340 mil pessoas tiveram infecções gastrintestinais em 2013, registrando 2.235 mortes.

NOSSOS RIOS – Levantamento da Ong SOS Mata Atlântica, que avaliou 96 rios em sete estados, constatou que a qualidade da água em 49% deles é regular, 35% ruim e 9% péssima. Apenas 11% dos rios e mananciais mostraram boa qualidade. E nenhum dos locais analisados foi avaliado como ótimo.

NOSSAS FLORESTAS – De acordo com o IBGE, restam apenas 12% de mata nativa da Mata Atlântica, 46% da caatinga e do pampa, 51% do cerrado, 80% da Amazônia e 85% do Pantanal. Entre 2000 e 2005, o Brasil se tornou o maior desmatador do mundo, respondendo por 47% das perdas globais. Na Amazônia, entre agosto de 2012 e junho de 2013, as perdas acumuladas chegaram a 1.885 quilômetros quadrados, um aumento de 103% em relação ao período anterior. Existem 650 espécies em risco de extinção no país.

NOSSO SALÁRIO MÍNIMO – Com R$ 724 (cerca de 324 dólares) o trabalhador deve suprir suas necessidades básicas e de sua família: alimentação, moradia, educação, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social. É o que consta da nossa Constituição. Em 2012, conforme pesquisa do IBGE, 43% das famílias brasileiras apresentaram renda média mensal equivalente a menos de um salário mínimo.

NOSSA DISTRIBUIÇÃO DE RENDA – Segundo pesquisa do IBGE, 10% da população ganha, por mês, o equivalente à metade de toda a renda recebida pelos brasileiros. De um total de 190 milhões de habitantes, 760 mil pessoas, ou 0,4% da população, recebem acima de 20 salários mínimos por mês (R$ 14.480 ou 6,5 mil dólares). A lista de bilionários da revista Forbes deste ano inclui 65 brasileiros – eram 46 no ano passado.

NOSSA MOBILIDADE – No ar, a cidade de São Paulo concentra 411 helicópteros em operação, a maior frota do mundo – são 2.200 pousos e decolagens por dia. No chão, conforme dados do Denatram, são seis milhões de veículos, e a cada dia são incorporados novos 365 – com média de um carro para cada dois habitantes. Por conta do trânsito, em 2008, 63% dos paulistanos perdiam entre 30 minutos e três horas por dia para se deslocar entre a casa e o trabalho ou a escola.

NOSSOS IMÓVEIS – O índice FipeZap mostra que, desde janeiro de 2008, quando foi criado, o preço dos imóveis subiu 200% em São Paulo e 250% no Rio de Janeiro.

NOSSA ECONOMIA – O Brasil é a sétima maior economia do mundo, movimentando 2,2 trilhões de dólares em produtos e serviços por ano.*

(*) Luiz Ruffato, escritor, é mineiro de Cataguases, no El País.

CAINDO A MÁSCARA

Protestos e morte de operário ofuscam

visita de Rousseff a estádio da Copa

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Série de manifestações por moradia e contra os gastos do Mundial e a morte de mais um operário nas obras em estádios, a nona no total, prejudica injeção de otimismo do governo em São Paulo

O que era para ser um dia de injeção de ânimo do Governo brasileiro na opinião pública acabou se tornando mais um balde de água fria na presidenta Dilma Rousseff, a pouco mais de um mês do início da Copa do Mundo e em plena corrida eleitoral. O otimismo que possivelmente seria vendido na visita da governante ao estádio de abertura do Mundial, em São Paulo, foi ofuscado nesta quinta-feira por mais uma morte de operários nas obras dos estádios do torneio –a nona até agora– e por protestos de movimentos sociais por moradia e contra os gastos da realização da competição, reforçando também o alerta em relação a possíveis manifestações durante a Copa nos moldes das que reuniram dezenas de milhares de pessoas em junho de 2013.

Logo pela manhã, antes do embarque da presidenta a São Paulo, centenas de integrantes de movimentos sociais invadiram as sedes de três grandes construtoras na cidade: a Odebrecht, a Andrade Gutierrez e a OAS, todas responsáveis por obras de infraestrutura para o Mundial. Muros e painéis na entrada dos edifícios foram pichados e a segurança foi reforçada nesses locais. As principais reclamações dos protestos eram a construção de moradias populares e os gastos excessivos com a Copa, em detrimento da aplicação de recursos em áreas de maior carência. Uma das portas da Odebrecht, por exemplo, trazia a pichação “Copa das Tropas e das Empreiteiras”. As manifestações foram organizadas pelos Movimentos dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e dos Sem Terra (MST).

Os atos que trouxeram caos à circulação de pessoas nas redondezas fizeram com que a equipe do governo federal encaixasse na agenda de Rousseff um encontro com cinco representantes dos movimentos. Em cerca de 20 minutos, a presidenta esclareceu aos ativistas que as reivindicações seriam encaminhadas a programas de habitação do governo federal e que o Ministério das Cidades assumiria a situação. “As reivindicações foram apresentadas de forma pacífica”, resumiu horas depois o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, também do Partido dos Trabalhadores (PT) e um dos interlocutores.

A menos de um quilômetro do próprio estádio de abertura do Mundial, no bairro de Itaquera, por exemplo, há uma comunidade composta por 300 famílias que esperam moradias populares e convivem com esgoto a céu aberto e problemas de falta de luz. As obras de melhoria viária no entorno da Arena Corinthians, conhecida popularmente como Itaquerão, acabam moldando um bolsão de riqueza no meio de uma das áreas mais pobres da cidade. O bairro fica na zona leste de São Paulo, uma região onde vive 37% da população da capital paulista e que é a segunda mais densa da cidade. A área tem cerca de 300 favelas e registra a menor renda familiar de São Paulo.

Dilma visitou posteriormente as obras do entorno do Itaquerão, como as de um anel viário –e que, segundo o prefeito de São Paulo, deverão estar liberadas na próxima semana ao tráfego de veículos– e o estádio pouco depois, mas optou por não falar com a imprensa. A presidenta entrou no gramado e cumprimentou operários vigiada por dezenas de jornalistas, brasileiros e estrangeiros, que se aglomeraram em uma das laterais do gramado. Haddad acrescentou ainda que, para a presidenta, as obras no Itaquera serão um dos grandes legados desse Mundial.

Morte em Cuiabá

A quinta-feira, no entanto, terminaria pior. Mais uma morte nas obras de estádios foi anunciada, elevando para nove o total de vítimas fatais desde que o país foi escolhido como sede do torneio, em 2007. Muhammad Ali Maciel Afonso, de 32 anos, foi eletrocutado enquanto trabalhava no setor leste da Arena Pantanal, em Cuiabá (Centro-Oeste). Ele prestava serviços na instalação de equipamentos de tecnologia, informação e comunicação do estádio – que receberá quatro jogos da primeira fase do Mundial–, segundo informou em nota oficial a Secretaria Extraordinária da Copa do Mato Grosso (Secopa-MT). Peritos da Polícia Técnica local investigam as causas do acidente.

Antes, já haviam perdido a vida nas arenas da Copa quatro operários em Manaus, três em São Paulo e um em Brasília. Com a morte de Cuiabá, nada menos que um terço dos 12 estádios que participarão do torneio passou a registrar vítimas fatais durante a sua construção. O alto número de mortes levanta ainda questões sobre a aceleração das obras à medida que a Copa se aproxima e nem todos eles estão 100% prontos.

O Brasil virou o ano passado, por exemplo, com seis arenas ainda não entregues. Ainda faltam ser totalmente concluídas, além da Arena Corinthians e a Arena Pantanal, a Arena na Baixada (no estado do Paraná, sul); e o Beira-Rio (Porto Alegre, sul). A Arena Corinthians é o caso mais emergencial: sediará o jogo de abertura do Mundial entre Brasil x Croácia, em 12 de junho. A Arena da Baixada, por sua vez, deverá receber a visita de Rousseff nesta sexta-feira.

O acidente em Cuiabá também ajuda a esfriar o ânimo pela realização da Copa um dia após a convocação do técnico Luiz Felipe Scolari dos 23 jogadores que representarão o país no torneio. Algo que, no Itaquerão na tarde desta quinta, praticamente só pôde ser sentido na passagem de um carro com bandeiras e buzinando na saída dos jornalistas.*

(*) El País

BRASIL PANDEIRO…

Brasil F.C.

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Meu amigo Spike é um rapper afro-americano louco por futebol, mas não sabe nada da história política recente do Brasil. Como vem pra Copa, me pediu um resumo. Som na caixa!

Depois de um início promissor em 2010, com apoio maciço da torcida, o atual campeão passa por má fase, com chutões para frente, muitas faltas e passes errados; começa a perder terreno e a ser envolvido por manobras adversárias pelas extremas e, principalmente, pelo centro. Parte da torcida começa a vaiar. Parte pede a volta do técnico anterior.

Esse estilo de jogar para a torcida, mas evitando tomar gol, começou com o time bicampeão do técnico Lula, capitaneado pelo impetuoso e catimbeiro Zé Dirceu, que tinha o seu ponto forte no meio de campo, com o craque Meirelles como volante protegendo a defesa, e o fino armador Palocci tocando a bola e distribuindo o jogo pela esquerda e pela direita.

O jogo virou quando Dirceu foi expulso, por trocar socos e pontapés com o volante Jefferson (do seu próprio time!) e por ofensas ao árbitro, e Lula improvisou a cabeça de área Rousseff para capitã do time. Cintura dura, ela não tinha a habilidade de Dirceu, mas era disciplinada, chegava junto e corria o campo todo. Com o time sob pressão, era preciso fechar a defesa diante de uma virada iminente, e Lula seguiu a máxima de Neném Prancha: “Arrecua os arfe pra evitar a catastre.”

Jogando com todo o time atrás da linha da bola, os adversários não conseguiam entrar na área e nem chutar em gol e começaram a cansar e a bater cabeça. O time de Lula cresceu e passou a fazer rápidos contra-ataques e a envolver o adversário bisonho, que tomava bola nas costas, errava nos passes e na tática de jogo, e, depois de perder várias oportunidades com o gol vazio, acabou tomando uma virada surpreendente.

Com vantagem no placar, Lula cozinhou o jogo e, aproveitando a fraqueza do adversário, teve uma vitória folgada, com a capitã Rousseff fazendo os dois gols, um de canela e outro de barriga, e se tornando a nova técnica do time campeão.

Mas isso foi no campeonato passado. Agora é outro jogo. E a política, you know, is a small box of surprises.*

(*) Nelson Motta, O Globo.