VANGUARDA DO ATRASO

Celso de Mello rebate frase de Damares

O ministro Celso de Mello defendeu o Legislativo como instância decisória da tipificação do crime de homofobia em sessão desta quinta, 14, do STF, apesar de admitir que o Brasil é o País que mais mata travestis e transexuais do mundo. Seu voto foi acompanhado de crítica às “doutrinas fundamentalistas”.

“Essa visão de mundo fundada na ideia artificialmente construída de que as diferenças biológicas entre homem e mulher devem determinar seus papéis sociais, ‘meninos vestem azul, e meninas vestem rosa’, essa concepção de mundo impõe notadamente em face dos integrantes da comunidade LGBT uma inaceitável restrição a suas liberdades fundamentais, submetendo tais pessoas a um padrão existencial heteronormativo incompatível com a diversidade e o pluralismo que caracterizam uma sociedade democrática, impondo-lhes ainda a observância de valores que além de conflitar com sua própria vocação afetiva, erótico-afetiva conduzem à frustração de seus projetos pessoais de vida”, disse ele em voto previsto para ser finalizado na semana que vem.*

(*) Coluna do Estadão

VAI DAR ZEBRA

Militares agem para evitar demissão de Bebianno e neutralizar filhos de Bolsonaro

A temperatura da crise se elevou após a TV Record exibir na noite de quarta-feira, dia 13, uma entrevista com o presidente, a primeira após receber alta do hospital Albert Einstein. À emissora, Bolsonaro praticamente rifou Bebianno ao dizer que ele poderá “voltar às origens” caso fique comprovado seu envolvimento em suspeitas de desvio de recursos eleitorais.

MAGOADO – O ministro, que foi presidente do PSL, disse a interlocutores que está “muito magoado”. Só que Bebianno já avisou que não pede demissão e que só sai demitido pelo presidente. Ninguém duvida também que ele pode deixar o governo atirando.

Preocupados com a ação dos filhos, que em vários momentos têm trazido diferentes crises para o governo e com a proteção que eles têm recebido do pai, os “bombeiros” do Planalto estão agindo para tentar evitar que a saída de Bebianno possa aprofundar a crise e espalhá-la para outros setores.

Mais do que proteger Bebianno, esses interlocutores do presidente estão convencidos de que “é preciso estancar” essa ação dos filhos de Bolsonaro, que estariam prejudicando o País. Lembram que misturar família e governo nunca deu bons resultados e isso, mais uma vez, está sendo provado com seguidos episódios nestes menos de dois meses de nova administração.

MOBILIZAÇÃO – Nesta quinta-feira, o vice-presidente Hamilton Mourão, e os ministros do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno e da Secretaria de Governo, Santos Cruz, estão agindo para conter essa tempestade que tomou conta de Brasília. Eles, no entanto, não são os únicos.

Outros ministros e outras pessoas próximas da Bolsonaro estavam buscando o presidente nesta quinta-feira, dia 14, para tentar lhe mostrar as implicações desses atos, com sérias consequências para o País e a governabilidade. Os desajustes do Executivo imediatamente atravessam a rua levam problemas à já desarrumada e conflituosa base aliada.

PELO TWITTER – Os auxiliares do presidente entendem que não é possível governar com ímpetos pelo Twitter, repetindo até um pouco do comportamento do norte-americano Donald Trump. Advertem que isso tem consequências, normalmente, desastrosas.

A publicação por Carlos Bolsonaro do áudio enviado pelo presidente a Bebianno pelo WhatsApp foi considerada “inadmissível” porque está ligado à violação da segurança das comunicações do presidente da República. Os interlocutores do presidente vão tentar mostrar a ele que existe uma liturgia do cargo e que ela precisa ser respeitada.*

(*) Tânia Monteiro
Estadão

CURTO E SECO

À queima roupa

+ Quero ver, doravante, quem no governo não fará tudo o que os garotos ordenem. À exceção, é claro, do general Hamilton Mourão, indemissível por ser o vice-presidente da República.

+ De todo modo, Mourão que se acautele. O presidente Jair Bolsonaro disse em sua entrevista à Record que ele, Mourão, em declarações recentes, deu algumas escorregadas.

+ Bolsonaro telefonou para o ministro Sérgio Moro, da Justiça, e pediu que ele mandasse investigar o laranjal do PSL. Por que não fez o mesmo quando soube dos rolos de Queiroz?

+ Nova palavra de ordem que começou a circular em Brasília ontem à noite: “Somos todos Bebbianno”.

+Dê-se um desconto: Bolsonaro ainda está sob o efeito de remédios tarja preta que tomou durante 17 dias no hospital.

+ Pra lá de divertido esse governo, não é? Eu disse que seria antes mesmo da eleição no segundo turno.*

(*)  Blog do Ricardo Noblat

A VIDA ‘COM MOELA’ É

Bebianno: ‘Se eu quero ficar? Não sei’

Aparentemente recuperado do pico de pressão, Gustavo Bebianno falou rapidamente a Igor Gadelha, de Crusoé, na saída do hotel onde mora, em Brasília.

“Se eu quero ficar? Não sei”, respondeu o ministro, ao ser questionado se fica no governo após Carlos Bolsonaro chamá-lo de mentiroso.

 

A PROPÓSITO

O ‘caso Bebianno’ tem feito parlamentares lembrarem, nos corredores do Congresso, uma frase do ex-governador de Minas Gerais Hélio Garcia, que morreu em 2016.

Ele dizia:

“Não leve amigos para o governo. Faça amigos no governo.”

LARANJA BICHADA

Enterrado vivo, Bebianno vira uma assombração

Azedaram-se os humores de Gustavo Bebianno em relação a Jair Bolsonaro. O ministro palaciano considera-se vítima de uma deslealdade. O que parecia apenas mais um destempero de Carlos Bolsonaro revelou-se, aos olhos de Bebianno, uma emboscada tramada junto com o pai-presidente. Ao se dar conta de que fora enterrado vivo, Bebianno recusou o papel de morto, prolongando a encenação.

Aconselhado a sair de fininho, o ministro revelou-se, num primeiro momento, disposto a pedir demissão. Depois, deu meia-volta. Se mantiver a disposição, arrastará Bolsonaro para a beira da cova. É como se desejasse forçar o capitão a imprimir as digitais no cabo da última pá de cal. Não convive bem com a ideia de ser demitido via Twitter pelo desafeto Carlos Bolsonaro. Prefere que o dono do “pitbull” assuma a responsabilidade de rubricar o ato de exoneração.

Em diálogos privados que manteve na noite de quarta-feira, Bebianno mostrou-se aborrecido com a entrevista concedida por Bolsonaro à TV Record. Nela, o presidente disse ter encomendado investigação da Polícia Federal sobre os repasses de dinheiro público do fundo eleitoral para candidatos cítricos do PSL. Acrescentou que, se Bebianno estiver envolvido com o laranjal do partido, “lamentavelmente o destino não pode ser outro a não ser voltar às suas origens”.

A entrevista fora gravada no hospital Albert Einstein, antes de Bolsonaro voar de volta para Brasília. Ficou claro para Bebianno que a postagem em que Carlos Bolsonaro o chamara de mentiroso horas depois era parte de uma trama. A irritação do ministro aumentou depois que Jair Bolsonaro reproduziu em suas redes sociais as postagens do filho e o pedaço da entrevista em que ele próprio aproximou sua cabeça da bandeja.

Afora os enroscos do filho-senador Flávio Bolsonaro com o Coaf, o capitão comanda um ministério carunchado. Inclui um condenado por improbidade administrativa (Ricardo Salles), um denunciado por fraude em licitação e tráfico de influência (Luiz Henrique Mandetta), um investigado por transações suspeitas com fundos de pensão (Paulo Guedes), uma citada em delação da JBS (Tereza Cristina), um beneficiário confesso de caixa dois (Onyx Lorenzoni) e outro suspeito de envolvimento no caso dos candidatos laranjas do PSL (Marcelo Álvaro Antônio). O capitão convive harmoniosamente com todos. De repente, decidiu oferecer o escalpo de Gustavo Bebianno num ritual de purificação ética do seu governo. A encenação pode custar caro.

Parlamentares do PSL receiam que Bebianno evolua rapidamente do estágio de zumbi para o de assombração. A pedido de Bolsonaro, ele presidiu o PSL desde a pré-campanha presidencial. Só devolveu o comando da legenda ao seu dono, o deputado Luciano Bivar (PSL-PE), depois que Bolsonaro foi guindado ao Planalto. Ex-coordenador da campanha de Bolsonaro, insinua que colecionou segredos que o presidente talvez preferisse manter a salvo da curiosidade alheia.*

(*) Blog do Josias de Souza – UOL

OLHO VIVO

Horário de verão termina no fim de semana

Na virada do próximo sábado (16) para domingo (17) termina o Horário de Verão 2018/2019. Os relógios deverão ser atrasados em uma hora à zero hora de domingo. É preciso ficar atento, já que na véspera do início do novo horário muitos celulares acabaram se adiantado antes mesmo da data oficial.

ACORDO ENTRE DITADORES

Brasileiros preenchem todas as vagas de cubanos no Mais Médicos


Ao todo, foram 8.517 vagas. Segundo o Ministério da Saúde, chamadas para médicos estrangeiros não devem mais ser realizadas
O Ministério da Saúde anunciou nesta quarta-feira, 13, que todas as vagas do edital do Mais Médicos, aberto após a saída dos médicos cubanos do programa, foram preenchidas por profissionais brasileiros. Ao todo, foram 8.517 vagas. Segundo a pasta, chamadas para médicos estrangeiros não devem ser realizadas.
Brasileiros formados no exterior ocuparam as últimas 1.397 vagas para atuar em 667 localidades que estavam disponíveis. Eles teriam até as 18h desta quinta-feira, 14, para optar pelas cidades onde atuariam. Mas, segundo o ministério, os profissionais preencheram as vagas antes das 9h desta quarta. Havia 3.828 candidatos aptos a escolher localidades para trabalhar.
Pelo cronograma da pasta, a divulgação da lista com os profissionais e as cidades onde eles vão atuar será divulgada no dia 19 deste mês. “Todos os profissionais alocados nesta etapa, que não tiverem o Registro do Ministério da Saúde (RMS), realizarão um módulo de acolhimento, onde terão aulas e passarão por avaliação da coordenação nacional do programa”, informou o ministério.
Saída de cubanos
Em novembro do ano passado, Cuba tomou a decisão de solicitar o retorno dos mais de 8 mil médicos cubanos que trabalhavam no Brasil depois que o presidente Jair Bolsonaro questionou a preparação dos especialistas e condicionou a permanência no programa “à revalidação do diploma”, além de ter imposto “como via única a contratação individual”.
“Não é aceitável que se questione a dignidade, o profissionalismo e o altruísmo dos colaboradores cubanos que, com o apoio de suas famílias, presta serviços atualmente em 67 países”, declarou, na época, o governo de Cuba.
No mesmo mês, o Ministério da Saúde anunciou a abertura de um edital para ocupar as vagas deixadas pelos profissionais cubanos. As inscrições para o programa foram prorrogadas pelo ministério até o preenchimento das vagas.”*
(*) Gazeta do Povo – Conteúdo do Estadão

TÁ FICANDO BOM DEMAIS…

E NO COVIL DOS BOLSONAROS

 

1. De saída. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, está disposto a pedir demissão. Bebianno será o primeiro ministro a deixar o governo, depois de um processo de fritura pública feito pelo presidente Jair Bolsonaro e o filho Carlos.

2. O filho tuitou. “Mentira absoluta” foi a expressão usada por Carlos Bolsonaro sobre a declaração dada por Gustavo Bebianno de que havia conversado com Jair Bolsonaro três vezes na terça-feira, 12, um dia antes da alta do presidente.

3. O pai retuitou. Durante todo o dia, o presidente não se manifestou. À noite, replicou em sua conta no Twitter as acusações do filho. E em entrevista à Record, disse que se ficar comprovada a participação de Bebianno no desvio de fundos eleitorais por candidaturas laranjas, ele vai “voltar às origens”. Ou seja, sair do governo.

4. “Breve mentira”. O ataque do filho do presidente pelo Twitter incomodou o núcleo militar do governo e irritou boa parte do PSL. O líder Delegado Waldir tentou dar razão às duas partes: falou que os filhos do presidente não podem ser censurados, mas que Bebianno não poderia sair por uma “breve mentira”. Para em seguida afirmar que o ministro não mentiu.

5. PCC transferido. Os líderes do PCC que estavam no interior de São Paulo foram transferidos para presídios federais de segurança máxima na manhã de ontem, para evitar um plano de fuga ousado. Alguns foram para Rondônia, no mesmo dia em que a Polícia Civil do estado deflagrou uma operação contra integrantes da facção que comandavam uma série de crimes de dentro das cadeias estaduais.*

(*) Revista digital Crusoé

“VIVO, NUM PAÍS TROPICAL”…

Bem aposentados


Há meses o país debate a reforma da Previdência – e fomos informados de que, se não houver reforma, o Tesouro quebra. Goiás, depois de longo período de Governo tucano, está em situação de emergência financeira. Mas nem todos ficam tristes: a folha de pagamento oficial de auditores fiscais, alguns na ativa, alguns aposentados, mostra que em dezembro o menor salário foi de R$ 54.893,00 – mais de 50% acima do recebido pelos ministros do Supremo Tribunal Federal, o máximo que poderia ser pago se no Brasil a lei fosse cumprida. O maior pagamento é de R$ 58.797,00.

Muito bem aposentados


Mas não inveje os auditores fiscais de Goiás: na Bahia, igualmente com imensas dificuldades financeiras, há pagamentos mais substanciosos. Bom exemplo é a folha de dezembro de desembargadores ativos e inativos. O mais bem aquinhoado recebeu, líquidos, após os descontos, R$105.346,66. No meio há quatro ganhando pouco acima de R$ 95 mil (e um, menos favorecido, ganhando apenas R$ 90 mil e algumas quireras). O mais mal pago das Excelências tem de sobreviver com R$ 32.370 mensais – e, como é salário líquido, também superior aos vencimentos dos ministros do STF, que deveriam ser o teto dos pagamentos feitos a servidores públicos.
Claro, este salário é em folha. Vantagens extras, como carro com chofer, gasolina, plano de saúde e vale-refeição, são pagas por fora.*
(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet