A GRAVE NÃO FOI AQUELA BRASTEMP

Brasileiro talvez queira fazer a barba, não greve


No Brasil de hoje, qualquer pensamento otimista corre o risco de ficar velho em dois minutos. Ou em duas delações premiadas. O desemprego bate recordes. A Lava Jato é o único empreendimento que prospera. Um Congresso apinhado de larápios vota medidas amargas sugeridas por um governo abarrotado de investigados. E o PMDB alcança o ápice da perfeição: ele mesmo governa, com Michel Temer. Ele mesmo lidera a oposição, com Renan Calheiros. Foi contra esse pano de fundo caótico que as centrais sindicais convocaram uma greve geral. Considerando-se o que poderia ter sido, o movimento revelou-se bem menor do que o esperado.

Houve protestos em todas as capitais. Mas o país não parou, como se prometia. Excetuando-se algumas poucas corporações, sobretudo de servidores públicos apavorados com a hipótese de perder privilégios, o brasileiro foi à luta. A taxa de adesão espontânea à paralisação foi baixa. Nos grandes centros, quem não chegou ao trabalho foi porque esbarrou em barricadas ou na falta de transporte. Parou por pressão, não por opção.

O Planalto celebra o fiasco. Exagero. Sustenta que o protesto miúdo sinaliza aprovação às reformas. Despautério! O sindicalismo festeja o sucesso da “greve geral”. Desatino. Alardeia que a sociedade brasileira demonstrou que não tolera as reformas do governo “golpista”. Ilusão. Os patrícios não sabem nem o que está sendo reformado. O governo e seus antagonistas talvez devessem desperdiçar um naco de tempo para refletir sobre uma lamentável evidência: o grosso da população apertou o botão de “dane-se.”

A plateia olha para os sindicalistas e enxerga no rosto deles o pânico do risco de perder a boquinha do imposto sindical. Bocejos. A arquibancada observa os índices de reprovação de Temer nas pesquisas e intui que ele está pouco se lixando para as ruas. Boceja novamente ao se dar conta de que o presidente tem duas prioridades que se sobrepõem a todas as outras: passar a impressão de que comanda e não cair.

Falta remédio para os aposentados nas farmácias populares! O Congresso votou assim? O Congresso votará assado? Quem se importa? Há gente que se desespera ao abrir a porta da geladeira! O Renan criticou o Temer? O Temer dará novas benesses ao Renan? O que isso tem a ver com o café com leite do cidadão comum?

Há 14,2 milhões de brasileiros humilhados na fila do desemprego. Essa gente talvez não queira fazer greve. Prefere fazer a barba —ou a maquiagem— antes de seguir para a enésima entrevista de emprego. A política precisa enxergar o Brasil. A política partidária e também a sindical. Do contrário, vão se tornar invisíveis. Vivo, Cazuza cantaria: “Suas ideias não correspondem aos fatos… E o tempo não para.”*

(*)  Blog do Josias de Souza

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GREVE OU PIQUETE?

Além da raiva social

Existe a raiva social. Em época de recessão e desemprego de 14,2 milhões de pessoas, é natural o sentimento de rejeição ao governo, ainda mais quando ele é impopular. Há também, como em toda greve, a luta política. Essa mistura fortaleceu o movimento, mas isso não quer dizer que os líderes tenham razão. O absurdo é a violência, de manifestantes e da polícia, como forma de crescer ou reprimir a paralisação.

As reformas são necessárias e afetam mais os grupos que têm privilégios. Mas este é um governo que vive um equilíbrio difícil. Ele tem apoio político, mas não social. Se a manifestação assustar os políticos, que já estão com baixa credibilidade, reduzirá a chance de aprovação de projetos do governo. Os 296 votos na Câmara para a reforma trabalhista seriam insuficientes se estivesse sendo votada uma Proposta de Emenda Constitucional. Se os protestos reduzirem o tamanho da base aliada, haverá reflexos na frágil recuperação econômica que está ocorrendo.

O desemprego continua aumentando. O governo do PT aumentou muito a oferta de emprego e depois produziu a crise que levou à escalada do desemprego em grandes proporções. No segundo e interrompido mandato do governo Dilma, o número de desempregados saltou de seis milhões para 12 milhões. O IBGE divulgou ontem que o drama já atinge 14,2 milhões de pessoas. Isso fortalece qualquer protesto.

Os que participaram da greve estão, em grande parte, convencidos que protestam em defesa dos direitos que estariam sendo subtraídos. Os líderes, contudo, sabem o que há de verdade em cada palavra de ordem. Sindicatos e centrais lutam contra o governo e também em defesa do dinheiro que a reforma trabalhista pode tirar deles com o fim do imposto sindical.

A Previdência está de fato quebrada e precisa de mudanças. Se não forem estas, quais serão? A oposição à reforma não diz que proposta tem. Há defesa de teses boas, como a de cobrança dos devedores e a redução das isenções. Mas isso não equilibra o sistema. É falso que a reforma trabalhista tenha acabado com direitos dos trabalhadores, mas também ela não é o que o governo diz, nem prepara o país para o mundo do trabalho da nova economia. Contudo, cria espaços onde trabalhadores podem regularizar sua situação no trabalho remoto, no trabalho intermitente, ou nas jornadas diferenciadas. Algumas das propostas ampliam direitos, como a da demissão negociada que permite ao trabalhador acesso ao FGTS mesmo quando pedir demissão. A Caixa e as construtoras começaram a reclamar contra isso, como se fosse delas o dinheiro do trabalhador.

Foi espantoso na noite da votação da reforma trabalhista o desfilar da demagogia no microfone da Câmara dos Deputados. Lá estavam o PT e seus satélites: PCdoB, PSOL, Rede. E repetiam, aos gritos, que defendiam os trabalhadores. Não houve uma palavra destinada aos que não têm qualquer direito. Eles defendiam os de carteira assinada, que estão no mercado formal, que têm os direitos garantidos e que acessam a Justiça do Trabalho. Os invisíveis permanecem invisíveis.

Seria bem-vinda uma oposição realmente de esquerda no Brasil. Mas só temos a corporativista. Seria bem-vinda uma esquerda que olhasse com sinceridade para os números que o IBGE havia divulgado na parte da manhã daquela quarta-feira, mostrando os milhões de trabalhadores sem proteção. Mas a esquerda brasileira tem compromissos é com os grandes sindicatos e centrais sustentados pelo dinheiro público. A reforma que está sendo votada atinge diretamente seus interesses. Tudo bem que eles se defendam, o problema é que dizem que o fazem em nome do povo.

Neste momento, é enorme o sentimento de raiva contra a crise, assim como as dificuldades e o desemprego, e muitos dos que protestaram tinham em mente essa sensação. Interessa pouco, a esta altura, dizer que foi o PT que criou a crise. Normalmente, a insatisfação social se dirige a quem governa. Esta administração foi herdeira da crise econômica e tem sua própria carga de impopularidade. Há boas razões para protestar. Isso está sendo usado pela oposição porque é natural que seja assim na luta partidária. Quem conhece a cena política sabe o quanto o movimento de ontem tinha de defesa de interesses corporativos fingindo ser a defesa dos direitos do povo.*

(*) Miriam Leitão – O Globo

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BRASIL – DE PONTA CABEÇA

 Os verdadeiros golpistas do país

Quem viu esta semana o Senado Federal, campeão de investigados da Lava-Jato, aprovar o fim do foro privilegiado deve ter pensado que a Casa deu um belo exemplo ao país, mostrando que corta na sua própria carne. Ledo engano. Não corta na sua nem na do Judiciário, principal alvo dessa tentativa de, esse sim, verdadeiro golpe.

Logo, nesse mato tem coelho. Os poucos senadores não investigados que patrocinaram inicialmente o projeto, por serem bem intencionados, serviram de bois de piranhas de uma trinca de delatados, que, e isso foi divulgado aqui, sob o comando de Aécio Neves, resolveu antecipar-se ao Supremo, que julgaria a matéria agora, para enrolar todo o processo de votação com a barriga, já que certamente ela vai ficar num vai e vem, com as mudanças que certamente serão feitas.

Ou alguém acredita na autoimolação de Renan Calheiros, Eunício Oliveira e Romero Jucá, entre outros, que foram liderados do tucano mineiro nessa empreitada?

Degola

O Palácio do Planalto e senadores aliados do PMDB trabalham a todo vapor para destituir Renan Calheiros da liderança do partido no Senado.

Avaliações

Por falar em Planalto, o governo gostou, e muito, das últimas decisões do STF de libertar Bumlai e Genu.

Acha que pode ser o começo do fim das prisões duradouras.
Para quem pensa que o Planalto não gosta de futebol, até o goleiro Bruno entrou nas avaliações das conversas por lá.

Sua volta à prisão foi interpretada como forte sinal de que o mesmo poderá acontecer com José Dirceu, caso uma decisão judicial o livre da cadeia.

Ou seja, ele até pode sair, mas volta.

O que se sabe é que os advogados de Dirceu usaram os mesmos argumentos para tentar a sua liberdade.

Ajuda

Na madrugada de quarta para quinta, Rodrigo Maia recebeu uma ligação.

Achou que era para parabenizá-lo pela votação da reforma trabalhista.

Mas era para pedir a ambulância da Câmara para o senador Eunício Oliveira. Ele passou mal, mas não havia ambulância do Senado para transferi-lo do hospital para o qual foi levado, perto de sua residência, no lago sul em Brasília.

Maia disponibilizou na hora.

No compasso

A delação de Antônio Palocci vai complementar a de Mônica e João Santana.
O casal diz na delação, homologada pelo STF, que o ex-ministro acertou caixa dois ao casal para a campanha do ex-presidente Lula em 2006.

E que Lula, assim como a ex-presidente Dilma, também sabia da existência do caixa dois.

Fumaça

A diferença é que quem tratou desses pagamentos foi Palocci diretamente com Lula e não os marqueteiros.

O casal, em relação a Dilma, alega que, mesmo sabendo de tudo, jamais tratou sobre pagamentos com a ex-presidente.

Na prática, isso significa apenas que Dilma fumou, mas não tragou.

Pé na lama

Na delação premiada de João Santana e Mônica, eles falam também de Anderson Dornelles, ex-faz tudo de Dilma, e o papel dele no governo.

Anderson, na verdade, não teve um papel no governo. Teve um papelão.

Usou e abusou do acesso à presidente para praticar tráfico de influência e vender informações privilegiadas a muitos lobistas e empresários.

Sua situação, por isso, não é nada boa. Criminalmente falando.

Caiu a ficha

Quanto a Palocci, sua negociação com a força-tarefa da Lava-Jato para uma eventual delação premiada parece um parto. Mas seus advogados dizem que vai sair. E logo.

É que o ex-ministro superou a resistência de continuar protegendo Lula.

Ética da ética

Os advogados dos ministros que tiveram sindicância aberta pelo Conselho de Ética da Presidência da República por supostas ligações com a Odebrecht — Moreira Franco, Eliseu Padilha e Gilberto Kassab — vão tentar anular essa decisão, alegando que quem faltou com ética foi o próprio Conselho ao tornar pública essa investigação sigilosa.

Os ministros alegam que até ontem, sexta-feira, não haviam sido sequer notificados do fato.*

(*) Jorge Bastos Moreno – O Globo

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ROUBALHEIRA INFERNAL

No limite do achincalhe

‘Quanto mais alto o cargo, maiores as tentações’, diz o economista Gil Castello Branco, da ONG Contas Abertas


Com a Operação Lava Jato, muitas coisas têm brotado dos subterrâneos. Algumas delas, em forma de raízes fortalecidas pelo medo da prisão e pela maturação do tempo: as delações premiadas. Tal fenômeno mostra que, de todos os bens acumulados pelos suspeitos, a liberdade é o mais indispensável. Tão indispensável que a fidelidade a alguém ao qual se foi muito próximo pula para o último plano.
As delações do ex-líder do governo no Senado Delcídio Amaral, do casal de publicitários João Santana e Mônica Moura, marqueteiros de uma campanha do ex-presidente Lula e de duas de Dilma Rousseff, e dos executivos e ex-executivos da Odebrecht provam tudo isso. Nenhuma amizade foi capaz de segurar a intangível busca pela liberdade.
Chegou agora a vez de o ex-ministro Antonio Palocci buscar um jeito de sair da prisão. Esqueça o partido, esqueça os amigos. Palocci disporia de informações que poderiam comprometer Lula seriamente com as propinas pagas pela Sete Brasil, empresa surgida em 2010, cujo plano era construir 29 sondas para o pré-sal e atrair, até 2020, cerca de US$ 25 bilhões, algo em torno de R$ 80 bilhões. Fundos de pensão pressionados pelo governo federal, bancos estatais e privados, Odebrecht e Queiroz Galvão investiram na Sete R$ 8 bilhões. Hoje a empresa está em processo de recuperação judicial.
Palocci foi ministro da Fazenda de Lula e da Casa Civil de Dilma. Fora do governo, manteve uma empresa de consultoria influente. Não é nada demais. Como ex-ministro deveria carregar apenas segredos de Estado e por eles se responsabilizar. Mas as coisas não são bem assim. Houve no Brasil, nos últimos tempos, um conluio entre o público e o privado de tal monta que o governo quase foi privatizado. Parte da própria legislação brasileira está sob suspeita de ter sido comprada.
Entrar para um ministério pode ser o sonho de muita gente, talvez até a abertura de portas para a riqueza. Mas é também uma aventura perigosa. O economista Gil Castello Branco foi cotado para assumir o Ministério da Transparência logo que se falou na possibilidade de Michel Temer chegar à Presidência da República. Ele disse não antes que o convite oficial fosse feito. Castello Branco, da ONG Contas Abertas, foi o primeiro a descobrir que o governo de Dilma Rousseff havia feito manobras para melhorar os resultados primários, depois conhecidas por pedaladas fiscais. Resultaram no impeachment de Dilma.
Especialista em contas públicas, Castello Branco é mais do que credenciado para assumir uma pasta como a da Transparência. Refugou porque, na opinião dele, o ministério, qualquer um, é uma máquina de moer homens de bem. Diz ele: “Quanto mais alto o cargo, maiores as tentações”.
Tudo o que Castello Branco fala é baseado em experiências próprias. Em 1989, funcionário de carreira dos Correios, ele foi chamado para tocar uma superintendência que cuidava dos imóveis funcionais. Logo descobriu que Maria Isabel C. Afonso Pereira mantinha um imóvel em Brasília, mas ficava lá no Maranhão. Ele requisitou o apartamento de volta para a União. Em pouco tempo, o governador do Maranhão, Epitácio Cafeteira, ligou para a repartição e mandou desfazer tudo. Perguntou se alguém ali sabia o que era o C. do nome de Isabel. Informou então que o C era de Cafeteira. E que Isabel era sua mulher.
Castello Branco foi exonerado e nomeado para a Secretaria do Patrimônio. Quis cobrar dos que ocupam terrenos de marinha, da União, uma taxa compatível. Foi obrigado a sair. Viu o balanço dos Correios pular de negativo para positivo numa manobra política. Levou o caso ao ministro. Perdeu o cargo. “Ou você se achincalha, ou tem de ir embora. Eu preferi ir embora e montar a ONG.”*

(*)  João Domingos – Estadão

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RÉUNAN É UM SANTO

Renan diz desconhecer nova operação da PF que também mira ligados a Jucá

O senador Renan Calheiros afirmou nesta sexta-feira que não havia sido informado sobre a operação deflagrada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que mira um ex-assessor, o advogado Bruno Mendes. A ação, mais uma etapa da Satélite, também faz busca em endereços do senador Romero Jucá (PMDB-RR). Renan, que está fora de Brasília, falou por telefone ao Globo: “Não estou sabendo de nada disso” – afirmou.

As buscas foram pedidas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a partir da delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. O procurador-geral quer acesso a documentos que comprovariam denúncias de corrupção, lavagem de dinheiro e até mesmo de organização criminosa. Além de Brasilia, a polícia cumpre mandados de busca em São Paulo, Alagoas, Rio Grande do Norte.

OPERADOR – Para PF, advogado ligado a Renan marcava jantares e intermediava pagamentos a campanhas. O nome do advogado Bruno Mendes apareceu pela primeira vez nas investigações da Lava-Jato a partir de um relatório da Polícia Federal ao qual o Globo teve acesso, em fevereiro do ano passado. Ele é suspeito de agendar jantares com Ricardo Pessoa, dono da UTC, e realizar pagamentos como doações de campanha.

No documento, a PF apontava indícios de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em pedidos de doação de campanha em 2014 feitos pelo senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Jucá (PMDB-RR).

CONTINUIDADE – A nova fase da Lava-Jato proveniente do STF dá continuidade à primeira operação com base na delação de executivos da Odebrecht, deflagrada em março e batizada de Satélites, onde também envolveu endereços ligados a Renan, ao presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e os demais senadores Valdir Raupp (PMDB-RO) e Humberto Costa (PT-PE).*

(*) Jailton De Carvalho – O Globo

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VAI FICAR PARA AS CALENDAS GREGAS

Após passar no Senado, PEC do foro privilegiado pode encalhar na Câmara

No prazo máximo de mais duas semanas, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 10/2013, que extingue a prerrogativa de função para mais de 35 mil autoridades no Brasil, será aprovada pelo plenário do Senado em segundo turno. A iniciativa tomada por senadores nesta semana trouxe ânimo a grande parte da sociedade, mas, segundo especialistas, a expectativa é de que a proposta ainda passe um bom tempo nas gavetas da Câmara dos Deputados.

Além do trâmite natural de uma PEC ser longo, o clima na Casa ao lado, na qual 10% dos deputados são réus no Supremo Tribunal Federal (STF) e mais de 200 são investigados, não é muito amistoso com o tema. Na opinião de um peemedebista investigado na Operação Lava-Jato, o Senado foi esperto ao jogar essa “bomba” no colo da Câmara. “Vai ter muito discurso e pouca ação. Não é do interesse de ninguém perder o foro, ainda mais neste momento”, comenta.

CHANCE MÍNIMA – O diretor de documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antonio Augusto de Queiroz, acredita que a chance de os deputados aprovarem o fim do foro privilegiado é praticamente mínima. “Passou no Senado por uma situação muito específica, que foi atrelada ao projeto de abuso de autoridade. Com o tanto de investigados, eles estão preocupados em se salvar”, diz.

O professor do mestrado de administração da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) Jésus de Lisboa Gomes é mais otimista. Segundo ele, o momento não permite que os deputados se esquivem de votar a PEC.

“A pressão vai ser muito forte. Há um rancor e um desejo de vingança muito grande na sociedade, que, realmente, acredita que o fim do foro é uma solução para fazer com que os políticos corruptos paguem por seus crimes. Provavelmente, vão fazer modificações, mas não acredito que não vão aprovar o projeto”, prevê.

PRESSÃO POPULAR – Na opinião do próprio relator da matéria no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), a Câmara não tem ideia do problema que eles terão pela frente, já que a pressão popular está muito grande para que o privilégio acabe. “Eu, honestamente, espero que os deputados deem uma resposta adequada ao tema antes até de o Supremo se manifestar. É obrigação do Legislativo acabar com o foro por prerrogativa de função”, comentou.

NO SUPREMO – O Supremo marcou para o fim de maio o julgamento de uma ação, relatada pelo ministro Luís Roberto Barroso, que diz que os detentores de foro privilegiado somente devem responder a processos criminais no STF se os fatos imputados a eles ocorrerem durante o mandato. No despacho, Barroso faz críticas ao sistema e afirma que ele é feito para não funcionar. Existem na Corte aproximadamente 500 processos contra parlamentares.

“O prazo médio para recebimento de uma denúncia pelo STF é de 565 dias. Um juiz de 1º grau a recebe, como regra, em menos de uma semana, porque o procedimento é muito mais simples”, compara no texto.

BONS MOTIVOS – Para o coordenador do projeto Supremo em Números, da Fundação Getulio Vargas (FGV), Ivar Martins Hartmann, a proposta de limitar o foro a crimes cometidos durante o cargo seria um passo importante, mas o projeto aprovado pelo Senado é a melhor alteração. Hartmann destaca dois motivos para o foro deixar de existir: a tramitação dos processos que não caminham no Supremo porque o tribunal não consegue julgá-los em tempo hábil, já que não foi feito para isso e porque ele acaba com uma longa cultura de privilégios no Brasil.

“Temos uma elite que não é julgada da mesma forma que o cidadão brasileiro médio, que o eleitor. Se um juiz de primeira instância é bom o suficiente para um cidadão brasileiro, pagador de impostos, então, ele é bom o suficiente para um deputado ou um senador”, afirma.*

(*) Natália Lambert – Correio Braziliense

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VEM MAIS CHUMBO GROSSO

Ao menos 8 depoimentos de Marcelo Odebrecht permanecem sob sigilo

Ao menos oito termos de depoimentos prestados pelo empresário Marcelo Odebrecht em sua delação premiada à Operação Lava Jato permanecem sob sigilo, conforme levantamento feito pelo blog nas decisões do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF).

São os termos de número 7, 9, 12, 35, 44, 48, 50 e 51. Esses depoimentos do herdeiro da companhia podem tratar de informações sobre crimes cometidos fora do país ou de questões no Brasil em relação as quais a procuradoria geral da República decidiu mante-las sob sigilo para não atrapalhar as investigações, segundo informado a este espaço.

As colaborações relacionados aos crimes internacionais permanecem sob sigilo devido a uma cooperação internacional que está em andamento. O Ministério Público Federal se comprometeu a mante-los sob sigilo por até seis meses para que a Odebrecht possa fechar seus acordos de leniência no exterior.*

(*) Matheus Leitão – G1

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SEM PÃO COM MORTADELA NÃO TEM GREVE

Você sabe por que está em greve?

Gostaria de lançar um desafio aos milhares de trabalhadores de diversas categorias em greve nesta sexta-feira (28) por todo o país. Você sabe por que está em greve?

Respostas genéricas como “por justiça social” ou “contra o governo golpista” serão desconsideradas. Para isso, existem as manifestações de rua.

Embora as greves tenham inegável caráter político, até mesmo as paralisações de 1978, que ajudaram a derrubar a ditadura militar, tratavam inicialmente dos reajustes salariais dos trabalhadores.

Aqueles que fugirem das generalidades vão responder que estão em greve contra as reformas da previdência e trabalhista. Daí cabe aprofundar a pergunta: a quais pontos das reformas você é contra?

É preciso entrar no detalhe, porque não dá para negar que um sistema previdenciário com um rombo de R$ 305 bilhões e uma lei trabalhista criada 74 anos atrás precisam ser revistos.

A verdade é que as pessoas estão mal informadas sobre o que vem ocorrendo no Congresso, apesar do esforço da imprensa. Isso porque os dois principais atores desse processo —governo e sindicatos— colaboram para a confusão.

Nos materiais de divulgação da greve geral, a CUT (Central Única dos Trabalhadores) convoca os trabalhadores a “reagir agora ou morrer trabalhando”—uma mentira já discutida nesse espaço.

A central diz ainda que o governo vai passar por cima da CLT e tirar todos os direitos trabalhistas, o que também não é verdade, porque a reforma não mexe no salário mínimo, no FGTS, no pagamento de férias remunerada ou no décimo terceiro.

Já o presidente Michel Temer, na ansiedade de justificar sua permanência no poder apesar das graves denúncias de corrupção contra seus auxiliares, vai empurrando as reformas a toque de caixa do jeito que dá.

A reforma da Previdência mudou tanto que está difícil acompanhar o que sobrou da proposta, enquanto a reforma trabalhista desperta razoáveis suspeitas sobre o comprometimento do governo com o empresariado, que apoiou abertamente o impeachment da ex-presidente Dilma.

Embora não mexa em direitos essenciais, a reforma trabalhista trata de questões delicadas, com a flexibilização da jornada de trabalho, o fim do imposto sindical e a preponderância do acordado sobre o legislado.

Todas essas mudanças podem ser muito positivas para as relações de trabalho e para a geração de empregos, mas, sem dúvida, deixam margem para que prevaleça a posição dos patrões se os sindicatos forem frágeis.

Resumindo: as reformas trabalhista e da previdenciária são muito complexas e importantes e o debate não deveria se resumir ao “flá-flu” em que se transformou a política brasileira.

O direito à greve é garantido pela Constituição e importantíssimo para democracia, mas também é fundamental saber o que se quer alcançar. Por isso, repito a pergunta do início desse texto: você sabe por que está em greve? *

(*) Raquel Landim – Folha de São Paulo

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O AMOR É LINDO

Kátia Abreu e Temer: tudo por amor… À Pátria

Kátia Abreu e Michel Temer viveram romance quando solteiros

Chico Buarque que me perdoe, mas nem sempre é desconcertante rever um grande amor. Quando deputados e solteiros, Michel Temer e Kátia Abreu viveram um tórrido e meteórico romance. Hoje na oposição, a senadora virou aliada de Renan no combate ao governo. Só que o presidente reencontrou seu ex-amor no aniversário de Sarney e tiveram um longo tête-à-tête. Temer saiu convencido de que Kátia vai votar a favor da reforma da Previdência. Tudo por amor. À Pátria, naturalmente!*

(*) Blog do Moreno – O Globo

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