FAMIGLIA DO BARALHO

O filho mais poderoso

No páreo pelo título, Eduardo, Carlos e Flávio

A Constituição brasileira não admite pena de morte, a não ser em caso de guerra externa. É cláusula pétrea. Que quer dizer: um artigo que não pode ser mudado. Eduardo disse ao jornal que sabia disso, sim, mas que se poderia abrir uma exceção. Horas depois, pelo twitter, é claro, Bolsonaro ensinou ao filho: cláusula pétrea é imexível. E “não se discute mais isso”.Eduardo está deslumbrado com o poder recém-adquirido. Reeleito deputado federal com o maior número de votos da história de São Paulo, comporta-se como se fosse o porta-voz do pai para assuntos internacionais. Quer mais e mais que o Brasil se alinhe aos interesses comerciais dos Estados Unidos. Quer também que copie o modelo econômico do Chile.

Com a pretensão de exercer de fato a função de chanceler, Eduardo já é uma dor de cabeça para o futuro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Na prática, o deputado disputa com os irmãos Carlos, vereador, e Flávio, senador, a condição de o mais poderoso filho do presidente. Carlos emplacou um afilhado na chefia da Secretaria de Comunicação do governo. Quanto a Flávio…

Onde está Queiroz, o ex-assessor de Flávio desaparecido há mais de uma semana? O Ministério Público suspeita que Queiroz foi o administrador do caixinha do gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio, alimentado com uma parte dos salários devolvida pelos demais funcionários. Enquanto Queiroz não se explicar e convencer que tudo está O.K., Flávio seguirá de cabeça baixa.

A família Bolsonaro promete fortes emoções.*

(*) Blog do Ricardo Noblat

ENQUETE

Pergunta que não quer calar

A mais recente enquete deste blog no Twitter foi sobre o destino de Fabrício Queiroz, o ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro desaparecido há mais de uma semana. “Onde está Queiroz?”

Respostas de 4.456 leitores:

24% – No alto de uma goiabeira

40% – Em meio a um laranjal*

(*) Blog do Ricardo Noblat

A IMPRENSA SÓ PAGOU KING KONG

Imprensa, autocrítica urgente e propositiva

O fenômeno de desintermediação

A eleição de Jair Bolsonaro escancarou uma virada cultural profunda que sacode os alicerces do jornalismo tradicional. Vivemos um momento disruptivo. A imprensa, no entanto, parece estar paralisada pela síndrome da negação. De costas para as mudanças que estão gritando na nossa frente, na queda da circulação, na diminuição das audiências, aferra-se a um passado que não voltará mais. Sinto, com inquietante angústia, que o tempo da autocrítica e da mudança estratégica propositiva da mídia se encurta de modo acelerado.As redes sociais, por óbvio, tiveram um papel decisivo. Bolsonaro falou diretamente com o eleitorado. Rompeu, como nunca antes se tinha visto, a intermediação das empresas de comunicação. E a coisa está pegando. Mas não cola por acaso. O fenômeno de desintermediação teve, creio, precedentes que poderiam ter sido evitados não fosse o distanciamento da mídia dos seus leitores, sua incapacidade de entender o alcance das novas formas de consumo digital da informação e, em alguns casos, sua falta de isenção informativa e certa dose de intolerância ideológica.Escorregamos na largada da cobertura eleitoral. Assumimos, sem senso crítico, a estratégia petista de que Lula era candidato à presidência da República em 2018. Não apenas isso, a mídia, contra o sentimento da maioria da população, garantia que o ex-presidente, cumprindo pena por corrupção e na contramão da Lei da Ficha Limpa, era favorito disparado para ganhar. Entramos de cabeça numa hipótese muito pouco provável. Nossas manchetes, apoiadas na abstração dos institutos de pesquisa, asseguravam que Lula era imbatível. Em nenhum momento desmontamos a fabula petista.

Quando o próprio Lula, finalmente, anunciou que não era candidato, e os institutos mudaram o foco, entramos de cheio na segunda fase da estratégia petista: Haddad era a bola da vez. O poder eleitoral de Lula, transferindo milhões de votos de sua cela em Curitiba, elegeria o poste. Mas não paramos aí. Entramos, mais uma vez, na roubada dos institutos: Bolsonaro perderia de “todos os outros candidatos” no segundo turno, em “todas as pesquisas”. Lembram disso? Pois é. Deu-se o exato contrário. Perigosos desvios de rota levaram a mídia a um porto inseguro.

A verdade, limpa e pura, é que, frequentemente, a população tem valores opostos aos nossos. É, por exemplo, a favor da polícia, que a imprensa considera inimiga dos pobres, e contra os bandidos, que os jornalistas consideram vítimas da injustiça social.

A internet, o Facebook, o Twitter e todas as ferramentas que as tecnologias digitais despejam a cada momento sobre o universo das comunicações mudaram a política e mudarão o jornalismo. Queiramos ou não.

É hora de dinamitar antigos processos e modelos mentais ideológicos. A crise é grave. Mas a oportunidade pode ser imensa. A todos, feliz Natal!*

(*) Carlos Alberto Di Franco, no blog do Ricardo Noblat

MAIS UM ESCÂNDALO NO JUDICIÁRIO

Qualquer resolução do CNJ sobre o auxílio-moradia é uma vergonha inconstitucional. E Bolsonaro é que precisa ler a Constituição…

Luiz Fux revogou o auxílio-moradia pago aos juízes, como forma de compensar a falta dos reajustes anuais previstos na Constituição e que deveriam ser determinados pelo Executivo. Mas espertamente delegou ao Conselho Nacional de Justiça a tarefa de regulamentar o fim do penduricalho.

O CNJ aproveitará a oportunidade para reintroduzir o pagamento do benefício, no limite de 4,3 mil reais, para os juízes que tenham sido transferidos de suas cidades e estejam “sem teto”, mediante apresentação de recibo de aluguel. O Conselho do Ministério Público também deverá fazer o mesmo em relação a procuradores.

Não é apenas imoral porque o conselho legislará em causa própria. É inconstitucional.

O CNJ decidirá sobre o que não poderia. Estará, assim, usurpando o papel do Legislativo, encarregado de aprovar leis e regulá-las.

E depois é Jair Bolsonaro que precisa ganhar de presente exemplares da Constituição.*

(*) O Antagonista

SANATÓRIO GERAL

Zero em história

Dirceu garante que a democracia foi restabelecida pelo partido que votou contra a eleição de Tancredo em 1985 e se negou a assinar a Constituição de 1988

“Podem acusar o PT de muitas coisas, menos de ser um partido que tentou chegar ao governo por vias que não fossem democráticas. Foi o PT quem praticamente criou as condições para o fim da ditadura”.

 

 (José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil no governo Lula, condenado a mais de 30 anos de cadeia por excesso de bandalheiras, explicando que, embora o PT tenha votado contra a eleição de Tancredo Neves em 1985, a Constituição de 1988, o Plano Real, a privatização das telecomunicações e a Lei de Responsabilidade Fiscal — fora o resto —, o Brasil tem de ser eternamente grato ao partido que, entre outras façanhas criminosas, produziu o Mensalão e o Petrolão).

 

(*) Blog do Augusto Nunes

CHARLATANISMO E ÉTICA SÕ INCOMPATÍVEIS

Gurus, charlatões e curandeiros

As religiões podem melhorar nossa vida porque ajudam a carregar o fardo da mortalidade. Mas os seres humanos continuam frágeis e limitados como sempre foram

Volto de Goiás, onde revisitei o centro de João de Deus, em Abadiânia, e o sítio de Sri Prem Baba, em Alto Paraíso. Duas cidadelas espirituais, atingidas em níveis diferentes por um dos tradicionais adversários do espírito: a carne.

Na década dos 80, visitei o ashram de Rajneesh em Poona, na Índia. Faz anos, portanto, que me interesso pelo tema. Não tenho uma opinião formada, como os autores Joel Kramer e Diana Alstad, que escreveram o livro “The Guru Papers”, cujo subtítulo é: “máscaras de um poder autoritário”.

Eles afirmam que a relação entre guru e discípulos é uma espécie de deslocamento das estruturas sociais autoritárias para o âmbito das relações pessoais. Há algo, no entanto, que minha experiência individual leva a uma concordância com eles: religiões milenares não conseguiram alterar a fragilidade da natureza humana.

Mas isso não é uma grande novidade. O avanço da ciência e da tecnologia também não significou necessariamente um avanço ético.

Kramer e Alstad tratam mais de gurus de origem oriental. No capítulo em que descrevem seu poder sexual sobre os discípulos, destacam duas condições que o favorecem: o celibato e a promiscuidade, no fundo uma ausência de vínculos que deixa o discípulo mais vulnerável.

Alguns gurus de origem oriental vêm de sociedades mais rígidas. No Ocidente, tentam aplicar algumas de suas técnicas e rituais sob o argumento da liberação de impulsos reprimidos.

Em muitos casos, a relação com a discípula é vista como uma espécie de uma graça que a distingue dos outros. Mas há também a tentação de formar haréns com as escolhidas.

No caso de Sri Prem Baba, esses elementos não estão presentes. Mesmo porque, apesar de formado na Índia, ele é brasileiro, oriundo de uma sociedade mais liberal.

Ainda assim, ao me referir de passagem ao caso que teve com uma discípula, afirmei que era relativamente consensual. Isso porque o poder do guru é muito grande. Ao seguir um guru, somos convidados a nos render. Como lembram os autores, paixão significa abandono, deixar rolar: render-se, de uma certa forma, é um caminho para a paixão.

O caso de João de Deus é diferente. Ele é famoso por curar. Quando o entrevistei, percebi alguns traços do rude garimpeiro e uma certa ignorância sobre as forças ou entidades que lhe comunicavam o poder de curar.

Muito possivelmente, a relação entre um paciente e o curandeiro não tem as características de rendição emocional entre guru e discípulo.

Ora é uma necessidade de sobrevivência, ora a superação de um doença que impossibilita a vida plena, ou mesmo uma tentativa de contornar a condenação à morte pela medicina tradicional.

Ironicamente, no caminho para Abadiânia, soube que na cidade próxima, Alexânia, um padre foi condenado por abuso sexual. O mesmo aconteceu em Anápolis, onde João de Deus mora.

O mais irônico ainda é constatar que a concentração de poder nas mãos do guru ou do curandeiro os deixa espetacularmente fragilizados diante da vida.

No mundo político, as delações premiadas são validadas por provas. No universo espiritual, entretanto, basta a palavra do outro para desfechar uma onda de condenação. E isso vale inclusive para os campos onde o poder masculino se impõe: basta ver a comoção que o movimento feminista provocou no universo das artes nos EUA.

As religiões podem melhorar nossa vida porque ajudam a carregar o fardo da mortalidade. Mas os seres humanos, pelo menos foi meu aprendizado de vida, continuam frágeis e limitados como sempre foram.

Por isso, com o olhar de hoje, vejo como charlatanismo a proposta de Che Guevara de criar um novo homem. Na verdade, somos e seremos muito menos importantes do que julgamos ser. Creio que morreria de tédio num mundo perfeito. Por isso, dispenso a crença na vida eterna e procuro me ajeitar com minha condição de simples mortal.

O roteiro da minha viagem era o cinturão espiritual em torno de Brasília, uma espécie de contraponto à permissividade do universo político, onde a carne não chega ser um adversário considerável, no máximo uma distração na longa ordem do dia.*

(*) Fernando Gabeira (publicado no Blog do Gabeira)

A VOLTA DO ‘SOBRENATURAL DE ALMEIDA’

O depoimento ‘sobrenatural’ de João de Deus

A Folha relata que o depoimento de João de Deus, médium acusado de abuso sexual, ontem à noite em Goiânia teve “um quê de sobrenatural”.

Na hora de o médium falar, o computador usado para registrar seu depoimento “parecia ter vida própria”, segundo os presentes. “Você apertava uma tecla e ela OOOOOOOOO…”, descreveu a delegada Karla Fernandes.

Depois, Karla usou uma extensão para ligar o ar-condicionado. O fio explodiu e, de quebra, queimou o frigobar.

Além disso, a oitiva estava marcada para acontecer em Anápolis, mas o escrivão que deveria acompanhá-la foi atropelado na BR-060, a caminho da delegacia, e quebrou o braço.

“Estamos diante de uma situação que envolve crenças e energias”, afirmou a delegada, que se classifica como “espiritualista”.

DEPOIS, QUANDO CRESCER, ESCOLHE!

Bolsonaro:

“Ou se nasce homem, ou se nasce mulher”

Jair Bolsonaro esteve em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, para participar da inauguração do colégio Percy Geraldo Bolsonaro, nome do pai do presidente eleito.

No discurso, ele disse:

“Com o tempo passou-se a instituir outras coisas à sociedade, como por exemplo a malfadada ideologia de gênero, dizendo que ninguém nasce homem ou mulher, que isso é uma construção da sociedade. Isso é uma negação a quem é cristão, é uma negação a quem realmente acredita no ser humano. Ou se nasce homem, ou se nasce mulher.”

Em seguida, Bolsonaro sugeriu que uma passagem bíblica fosse pintada em um dos muros da escola.

GANHANDO DISPARADO DO MESTRE

MP denuncia 29 na Operação Furna de Onça

O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro denunciou hoje o ex-governador Sérgio Cabral, dez deputados estaduais e outras 18 pessoas, no âmbito da Operação Furna da Onça.

Foi nesta operação, desdobramento da Lava Jato, que o Coaf identificou movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta de um ex-motorista de Flávio Bolsonaro — o filho do presidente eleito, no entanto, não foi acusado na denúncia.

A operação desarticulou esquema de propina de R$ 54 milhões na Alerj em troca de apoio aos governos de Cabral e Luiz Fernando Pezão, entre 2007 e 2018.

Os deputados acusados são André Correa (DEM), Chiquinho da Mangueira (PSC), Coronel Jairo (SD), Edson Albertassi (MDB), Jorge Picciani (MDB), Luiz Martins (PDT), Marcelo Simão (PP), Marcos Abrahão (Avante), Marcus Vinicius “Neskau” (PTB) e Paulo Melo (MDB).