UM CANALHA JURAMENTADO

Alguém precisa defender Marisa do seu marido

 

Repentinamente, verifica-se que Lula e seus advogados perderam o respeito pela memória de Marisa Letícia. De mulher exemplar, a ex-primeira dama foi transformada numa doidivanas que pagou em dinheiro vivo, durante quase cinco anos, os aluguéis do apartamento malcheiroso de São Bernardo, vizinho à cobertura da família Silva. Nessa versão, a mulher de Lula foi acomodada pela defesa do homem com quem viveu por 43 anos, ao lado de personagens como Aécio Neves, outro inconsequente que tem uma predileção pelas formas mais primitivas e inseguras de transferência de valores: os envelopes, as malas, as mochilas.

No total, Marisa teria manuseado entre 2011 e 2015 algo como R$ 189 mil. Com esse dinheiro, teria quitado os aluguéis do apartamento que a Lava Jato sustenta que a Odebrecht comprou para Lula com dinheiro sujo desviado da Petrobras. No caso de Aécio, a Polícia Federal filmou as malas e mochilas utilizadas para transportar parte dos R$ 2 milhões que o senador tucano alega ter tomado emprestado do benfeitor Joesley Batista. Quanto a Marisa, ainda não foi explicado como ela fazia chegar os envelopes, mês a mês, às mãos do locador.

Chama-se Glauco Costamarques o hipotético locador. Segundo a força-tarefa de Curitiba, trata-se de um laranja que o amigo José Carlos Bumlai providenciou para funcionar como proprietário de fachada do imóvel que a Odebrecht deu de presente a Lula. Reside em Campo Grande. Não há notícia de que Marisa tivesse o hábito de visitar amiúde a capital do Mato Grosso do Sul. Aécio confiou ao primo Frederico Pacheco a missão de buscar a grana provida pelo dono da JBS. Os advogados de Lula ficaram devendo o nome do portador dos aluguéis que Marisa mandou pagar.

Em depoimento a Sergio Moro, Lula disse que nunca teve tempo para cuidar do ordenamento das despesas da família. Delegou a tarefa a Marisa. Foi ela quem assinou o contrato de locação. Era ela a responsável pelos pagamentos. O juiz da Lava Jato cobrou os recibos. E a defesa anexou aos autos um papelório malcheiroso. Agora, mais essa: dinheiro vivo! Lula costuma dizer que seus investigadores mentem. E inventam novas mentiras para justificar as anteriores. O pajé do PT enxerga mentirosos em toda parte, menos no espelho.

Viva, Marisa talvez não se importasse de emprestar seu nome para ser usado na fábula que a defesa de Lula compõe para justificar os confortos do ex-mito. Mas não estava previsto no contrato de locação —ou na certidão de casamento— que a veneranda senhora, depois de recolhida à sepultura, deveria servir de álibi post-mortem para um marido indefeso.

Alguém precisa defender Marisa Letícia do marido dela. É pena que os filhos não se animem a convocar uma entrevista coletiva. Não seria preciso muita coisa para salvar a imagem da mãe. Bastaria uma declaração singela. Algo assim:

“Mamãe era honesta. E nunca foi uma mulher imbecil. Como qualquer criança de cinco anos, ela sabia o que é um DOC. Para realizar o pagamento de um aluguel de quase R$ 4 mil mensais, mamãe não trocaria o ‘Documento de Ordem de Crédito’, uma forma de pagamento e transferência de dinheiro disponível em qualquer agência bancária, devidamente regulamentada pelo Banco Central, por envelopes de dinheiro vivo. Em tempos tão inseguros, com tanto ladrão ao redor, mamãe não se atreveria a retirar o dinheiro do ambiente eletrônico para levá-lo até o meio da rua.”

De resto, convém aos filhos de Marisa mandar confeccionar uma lápide nova para colocar no túmulo dela. Sugere-se a seguinte inscrição: “Não contem mais comigo!”.*

(*) Blog do Josias de Souza

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E OS CANALHAS AVANÇAM

Fora Temer, quem mais os petistas odeiam?

Compartilho com os petistas uma profunda antipatia por Eunício Oliveira. Só que eles o achavam simpaticíssimo quando era ministro das Comunicações de Lula

A coluna endossa sem restrições esse texto do jornalista Eduardo Affonso, que voltou a circular nas redes sociais:

Pois é. Eles dizem que o governo de Temer é ilegítimo, inconstitucional, fisiológico, entreguista, feio, bobo, golpista etc.

Compactuo com o horror que os petistas têm ao Temer, ao seu governo, aos seus ministros. Acho que ele deve ser julgado, cassado e enviado para a Papuda.

Com a ressalva de que eu não votei no Temer.

Eles, sim.

O Temer me caiu de paraquedas, me foi enfiado goela abaixo.

Os petistas, ao contrário, escolheram-no.

E não uma vez só, mas duas.

Aceitei o Temer como quem aceita uma injeção de Benzetacil.

Não queria, não gostava, era horrível – mas era isso ou uma infecção generalizada.

Respirei fundo, prendi o choro, xinguei a mãe do moço da farmácia e toquei o barco.

Como os petistas, não suporto olhar para a cara do Edison Lobão, nobre presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

Mas, ao contrário dos petistas, eu também não o suportava quando ele era Ministro de Minas e Energia de Lula e de Dilma.

Compartilho com os petistas uma profunda antipatia pelo Presidente do Senado, Eunício Oliveira.

Só que eles o achavam simpaticíssimo quando era Ministro das Comunicações de Lula.

Eliseu Padilha, braço direito do golpista, quem consegue confiar nesse sujeito?

Os petistas, certamente – pelo menos enquanto foi Ministro da Aviação Civil da finada Presidenta.

Como não me solidarizar com os petistas no asco pelo Geddel Viera Lima, o do apartamento com vista pro mar em Salvador?

Mas o asco deles é recente, só desabrochou depois que ele deixou de ser Ministro da Integração Nacional do viúvo de D. Marisa.

Ah, Romero Jucá, o sorumbático Romero Jucá…

Impossível não ser tomado de ojeriza ao vê-lo, ouvi-lo, imaginá-lo.

Exceto os petistas, que surubaram com ele sem pudor algum enquanto era Ministro da Previdência Social do Lula.

E Silas Rondeau, encalacrado na Lava Jato, indiciado por tráfico de influência?

Abominável, diriam os petistas — e eu concordo.

Mas os petistas só acham isso depois que ele deixou de ser Ministro de Minas e Energia.

De quem?

Ganha um sítio em Atibaia quem adivinhar.

E tem ainda Moreira Franco, estrategicamente nomeado pelo nefasto Temer apenas para adquirir foro privilegiado.

Se bem me lembro, ele teve o mesmo foro como Ministro de Assuntos Estratégicos de Dilma, e ninguém falou nada.

Eu não gosto do Temer, mas desde sempre.

Os petistas, esses só começaram a desgostar quando ele se cansou de ser um vice decorativo e resolveu partir para novos desafios e se reposicionar no mercado.

Por isso entendo quando entram em transe (e em loop) com seu mantra “Fora, Temer”.

É que levaram cinco anos para perceber que ele existia (e que existiam Moreira Franco, Jucá, Eunício, Rondeau, Padilha, Geddel), e só aí começar a ladainha.

Sabe como é, ficha de petista demora um pouco a cair.*

(*) Blog do Augusto Nunes

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BRAZIL COM Z

Cinco letras que choram

Michel Temer está com a popularidade abaixo de cauda de jacaré, mas sai dessa; e, em algum momento até o final do mandato, dezembro de 2018, alguém reconhecerá os êxitos de seu Governo num setor-chave, Economia. Com o mesmo problema da área política, basicamente a necessidade de dar um agrado a numerosos parlamentares, conseguiu reduzir a inflação para baixo da meta, ampliar as atividades de maneira a indicar crescimento futuro, tomar providências que um dia forçarão o Governo a reduzir seus monumentais, extraordinários gastos. Na política e na economia, seguiu a oração de São Francisco: é dando que se recebe. E talvez ganhe para sua memória a frase seguinte do santo, “é perdoando que se é perdoado”.

Já Aécio, tanto faz ter ou não seu mandato mantido pelo Senado. Pois não há como manter um mandato que já não existe: por algum motivo, as delações de Joesley Batista, que abalaram mas não derrubaram o poder de Temer, foram catastróficas para Aécio. De repente, o segundo colocado na eleição presidencial, com 51 milhões de votos, quase metade do eleitorado, cujos aliados se cansaram de dizer que só perdeu por ter sido prejudicado na apuração, virou um zero político. O antigo presidente do Senado demonstrou-se incapaz de coordenar sua própria defesa, de articular-se com seus colegas senadores, de defender-se sem choramingos, sem argumentos.

As acusações foram aceitas como verdade. Deve haver motivo para isso.
Os passos de Temer


O presidente não deve tentar a reeleição. Acha que haverá um bloco à direita, com Jair Bolsonaro ou alguém menos flutuante (Bolsonaro já esteve em nove partidos, inclusive o Ecológico, diz defender o liberalismo mas gosta de estatais); um à esquerda, sob o comando do PT – ou, mais precisamente, de Lula, preso ou solto); um em cima do muro, o esfacelado PSDB; e quer chefiar a sucessão unindo partidos como PMDB, DEM, PSD, PTB, PTB, PR, PRB. Candidato provável, Henrique Meirelles. É cedo para prever, mas no meio da briga partidária, pode sobrar para ele. Ou Dória.
Como diria Caetano


Ou não. Lula neste momento lidera as pesquisas, mas ninguém vence a eleição com o nível da rejeição que ostenta: metade dos eleitores diz que não vota nele de jeito nenhum. Mas falta um ano e isso pode mudar. E Lula nem precisa ser candidato: basta que possa proclamar que “a zelite” usa as leis para prejudicá-lo e, por isso, em vez de sair candidato, lança outro. Quem conseguiu eleger Dilma sabe a força de que um poste é dotado.
A força do adversário


Lula conta, na campanha para que o eleitor o veja como perseguido, com o valioso apoio dos adversários. Os procuradores da Lava Jato já fizeram o que não deveriam com aquele “power point” segundo o qual, com ou sem investigações, Lula era apontado como ponto central da ladroeira. Já havia ocorrido, há tempos, o caso “Vavá dois pau”, uma operação contra Genival, irmão de Lula, que teria pedido “dois pau pra eu” para usar sua influência num caso. Que influência, cara pálida? Alguém que, entre Petrolão, Mensalão e Quadrilhão, aceita “dois pau”? E agora houve o caso mais obscuro de todos; a pressão sobre o filho de Lula.
Vale tudo


Há pouco mais de uma semana, no dia 10, um delegado da Polícia Civil de Paulínia, SP, com três policiais armados, invadiu com ordem judicial a casa do psicólogo Marcos Lula da Silva, o mais velho dos filhos de Lula. Segundo se soube, com base em denúncia anônima, acreditavam que na casa houvesse drogas e armas. Não havia. Recolheram então dois computadores, pendrives, CDs e DVDs; foram a outro endereço, com base na mesma suspeita, e o resultado foi o mesmo: nenhum.
A juíza Marta Pistelli, que dera a ordem de busca e apreensão de “armas e drogas”, disse ter sido enganada pela Polícia Civil. Mandou devolver tudo o que tinha sido ilegitimamente apreendido e foi mais longe: disse que tinha autorizado a busca e apreensão em um endereço, não em dois.
E até agora o governador Geraldo Alckmin, PSDB, que pretende ser candidato à Presidência, talvez contra Lula, ficou mudo. Nada disse – nem ele nem seu secretário da Segurança. Abriu-se uma investigação e o delegado foi afastado do caso – aliás, de qual caso? Por que adversários de Lula tanto querem estimular sua candidatura?
Como se faz


As investigações sobre corrupção no Brasil ocorreram também em Portugal, com manobras casadas e sócios ultramarinos. Mas, em Portugal, sem delações premiadas, a acusação é completa e não dá margem à criação de vítimas (http://wp.me/p6GVg3-41C). Atingiu do banqueiro Ricardo Salgado (Banco Espírito Santo) a José Sócrates, preso enquanto era primeiro-ministro. Sócrates se diz perseguido mas ninguém lhe dá bola. Juiz e procurador podem andar tranquilos pelas ruas, sem ser reconhecidos. *

(*) Carlos Brickmann, na Internet.

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O “RONALDINHO” DO LULA

Executivo denuncia como Fábio Luís, filho de Lula, virou um ‘fenômeno’ empresarial

“A Gol conseguiu um tratamento que não existe dentro da operadora”, afirma. As empresas de Suassuna receberam R$ 66,4 milhões da Oi entre 2004 e 2016, segundo relatório da PF.

SÍTIO DE ATIBAIA – O empresário é dono de metade do sítio em Atibaia (SP) atribuído a Lula. No terreno de sua propriedade não houve reformas – só a instalação de uma cerca – o que o livrou de ser denunciado pelo Ministério Público Federal.

Suassuna iniciou a relação comercial com a família de Lula em 2007, quando se tornou sócio da Gamecorp, de Lulinha, Kalil Bittar (irmão de Fernando Bittar, dono da outra metade do sítio) e da Oi.

Vitale falou à Folha após ser intimado pela Receita Federal, à qual ele afirma ter apontado irregularidades nas empresas. Ele diz não ter participado de atos ilícitos e quer escrever um livro, cujo nome provisório é “Sócio do filho”.

Vitale foi funcionário do Grupo Folha, que edita a Folha, entre os anos de 1992 e 2001 na área comercial, sem ligação com a Redação. Foi quando conheceu Suassuna, que vendeu CDs da Bíblia na voz de Cid Moreira em jornais, projeto que deixou o empresário milionário.

Como o sr. começou a trabalhar com Jonas Suassuna?
Conheci Suassuna entre 1997 e 1998, quando eu era gerente de marketing da Folha. Saí desse mercado, mas em 2009 apresentei ao Jonas um projeto. É quando ele me chama para trabalhar. A sociedade com Lulinha [Fábio Luís] já existia. Ela sempre foi colocada como uma sociedade lícita que não traria benefícios diretos para o Jonas. Exceto o fato de ser sócio do filho do presidente, o que te dá uma visibilidade natural.

Era mais do que isso?
A empresa não tinha negócios para suportar o custo dela. Era possível pensar que fosse algum investimento futuro. Mas isso se perpetua.

O Grupo Gol é conhecido pela “Nuvem de Livros” e como fornecedora de material didático. Eles não eram suficientes?
A editora de fato vendia os livros, com períodos de vendas altas e baixas. A “Nuvem” teve faturamento significativo, mas foi criada em passado recente [2011]. Como a empresa sobrevive de 2008 a 2011? A receita que existia era da Oi. Diretores sabiam que existiam contratos e receitas milionárias, mas nunca ficou claro quanto e pelo quê a Oi pagava.

O que Suassuna falava sobre esses contratos?
Ele não falava. O modelo de gestão sempre foi muito centralizado. Qualquer assunto era tratado de forma fechada com Fábio, Kalil e Fernando. Esporadicamente se encontravam com Lula em São Paulo.

Mas em nenhum momento os diretores questionaram [a relação com a Oi]?
Um deles um dia me viu muito agitado, trabalhando muito ainda no início, e disse: “O que você está fazendo? Aqui é para ganhar dinheiro e não fazer nada”. Porque tinha os contratos com a Oi. Eu corria atrás. Mas a percepção que eu tinha era que os inimigos políticos não faziam negócio, e os amigos não faziam com medo de se comprometer.

E como era a relação com os executivos da Oi?
A Gol conseguiu um tratamento que não existe dentro da operadora. Os projetos não passavam pela área de compras, não existia proposta, e eram valores muito elevados tratados e aprovados diretamente pela presidência da Oi. Toda vez que mudava o presidente da Oi, existia um esforço do Jonas, do Kalil, e muitas vezes do Fernando, de ir até a presidência, fazer reuniões. Dava para notar que tinha que explicar por que se pagava dinheiro tão alto para negócios que não tinham fundamento. Era como se fossem pagamentos com compromisso de realização sem lógica comercial.

Qual era o motivo desses contratos?
Muitos dizem que seria uma contrapartida pela mudança da lei da telecomunicação para permitir a compra da Brasil Telecom. Nunca ouvi falarem disso. Esse assunto não era tratado dessa maneira. Mas Jonas e suas empresas foram utilizadas, na minha opinião, como uma fachada necessária para que o Fábio e Kalil realizassem seus negócios através da ligação familiar. Nesse movimento, os negócios não eram o mais importante. O importante era a entrada de dinheiro.

O nome do ex-presidente era usado?
No caso da Oi, não se falava o nome do ex-presidente porque eles queriam buscar outros negócios e existia dentro da Oi uma noção clara de que a Gol só estava lá por causa do então presidente. As pessoas da Oi não se sentiam à vontade de falar sobre isso. Mas, em almoços que Jonas fazia com empresários, ele sempre se posicionava como sócio do filho do presidente, amigo do presidente.

Lula frequentava a empresa?
Não. Só vi uma vez quando já ele tinha saído da Presidência. Jonas queria mostrar as instalações.

Já se sabia do sítio na empresa?
Sabíamos do sítio, mas ele era do Lula. Nunca foi dito que era do Jonas. Ele nunca tratou sendo como dele, sempre tratou como sítio do Lula. [Após a divulgação do caso,] ele fala, em almoço na empresa, que tinha um sítio ao lado, que comprou como investimento.

Como ficou a empresa depois?
Jonas sempre colocou que era injustiça, perseguição.

Por que permaneceu na empresa por tanto tempo?
Eu trabalhava corretamente e ganhava um bom salário. Não fazia uma operação criminosa. Não cometi ilegalidade.

E por que decidiu falar agora?
Chegou o momento. Você não tem a noção da quantidade de pessoa que sabe do que foi feito. Mas ninguém fala.*

(*) Italo Nogueira – Folha de São Paulo

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E NO LARANJAL DO LULA…

Suassuna, sócio de ‘Lulinha’, se enrola todo ao tentar explicar o que é inexplicável

“Tudo isso já passou pelo escrutínio da Receita Federal. Já prestei todas as contas e não fui multado. Levei muito tempo para chegar aonde cheguei. Tenho currículo, respeitabilidade e um carimbão da Polícia Federal e do Ministério Público. Em nenhuma delação eu apareci”, disse o dono do Grupo Gol,

DENÚNCIA DO DIRETOR – A entrevista foi dada à Folha em resposta ao executivo Marco Aurélio Vitale, por sete anos diretor comercial do grupo empresarial de Jonas Suassuna. O executivo  revelou à Folha como alguma firmas foram usadas como fachada para receber recursos da operadora Oi direcionados a Fábio Luís Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, e seus sócios.

De acordo com Vitale, o grupo Gol – que atua nas áreas editorial e de tecnologia e não tem relação com a companhia aérea de mesmo nome – mantinha contratos “sem lógica comercial” tendo como único objetivo injetar recursos da empresa de telefonia nas firmas de Suassuna.

SÓCIO DA OI – Suassuna negou que tratasse de seus negócios diretamente com a presidência da Oi. Apresentou sua agenda telefônica em que constam nomes e números de executivos da companhia, além de e-mails de gerentes e diretores.

“Tratava diretamente com os executivos de venda.” Reconheceu, porém, que teve contato com os presidentes da Oi em razão da sociedade comum na Gamecorp, com o filho de Lula. “Aí [quando se tornou sócio da Gamecorp] eu comecei a entender os caras da Oi. Não precisava do Fábio ou do Lula para falar com a Oi. Eu sou sócio dela num canal de televisão”, disse.

O empresário negou também ter usado o nome do ex-presidente para fechar negócios. “Não preciso do presidente Lula. Eu não quero. Ganhei nesses anos todos mais dinheiro com a Fundação Roberto Marinho do que com a Oi.”

CDS DA BÍBLIA – Suassuna afirmou que a Oi demonstra interesse no conteúdo da “Bíblia na Voz de Cid Moreira” desde 2003, quando apresentou uma proposta de compra do conteúdo. Conta ainda que o fato dos CDs da Bíblia terem vendido mais de 65 milhões de cópias entre o fim da década de 1990 e início de 2000 comprova que o valor pago pela Oi em 2009 não foi superfaturado.”A Oi não fez um mau negócio. Ela teve por quatro anos exclusividade de um produto que é um espetáculo.”

Questionado sobre o baixo acesso ao portal de voz em mais da metade do contrato, ele disse que a Bíblia pode ter sido oferecida em pacotes da operadora para atrair mais clientes – o que não seria computado no acesso.

Inicialmente, ele negou que o contrato previsse divisão de receita. Depois, porém, admitiu que não acompanhava o volume de acesso mensal ao portal. “A Oi me pagou bonitinho. Fiz o que me competia: divulguei o produto, paguei a Cid Moreira, cumpri toda a minha história. Tudo como manda a santa amada Igreja.”

SÍTIO EM ATIBAIA – Suassuna disse ainda que comprou um dos terrenos do sítio em Atibaia, atribuído ao ex-presidente Lula, a pedido de Jacó Bittar, pai de Fernando e Kalil Bittar e amigo do petista.

“Ele [Jacó] me disse: ‘Comprei um sítio, mas o cara só vende dois. O presidente Lula vai sair da Presidência e quero que ele fiquei comigo, porque ele é meu amigo. Quero fazer isso para ele’. Eu tinha R$ 1 milhão. Tinha muito mais. Fui lá e comprei. Com meu dinheiro eu compro o que eu quiser”, disse ele.

 “CHANTAGEM” – Em nota, assessoria de Suassuna afirmou que a as acusações de Vitale são “fruto de tentativa frustrada de chantagem”.

“A Gol não pactua com qualquer irregularidade, muito menos com tentativa absurda de extorsão, o que significaria uma tentativa de obstrução de Justiça”, diz a nota.

A Oi afirmou, em nota, que as empresas do Grupo Gol “são reconhecidas no mercado e fornecedoras de grandes companhias que operam no país”.

SEM ILÍTICOS – A defesa de Lula afirmou que os fatos relacionados à Oi e às empresas de Lulinha “já foram objeto de inquéritos e todos eles foram arquivados porque não foi identificada a prática de qualquer ato ilícito, seja do ex-presidente, seja por seu filho”.

Em relação ao sítio, a defesa do petista alega que ele “foi adquirido pelas pessoas que constam na matrícula do imóvel como proprietárias, que aplicaram recursos próprios e com origem demonstrada”.

Lulinha, Kalil e Fernando Bittar não se pronunciaram até a conclusão desta edição.*

(*) Italo Nogueira – Folha de São Paulo

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FALSIFICARDOR JURAMENTADO

Contador de Lula reconhece que não sabe se os aluguéis foram pagos

O contador João Muniz Leite confirmou a Veja que trabalhou tanto para o empresário Glaucos Costamarques como para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No período entre 2011 a 2015, ele foi o responsável por fazer a declaração do imposto de renda dos dois.Primo do pecuarista José Carlos Bumlai, Costamarques comprou o apartamento vizinho ao do petista e celebrou um contrato de aluguel com a ex-primeira-dama Marisa Letícia no fim de 2010. A força-tarefa da Operação Lava Jato diz que o acordo foi uma farsa arquitetada para esconder uma transação espúria — o apartamento teria sido dado pela Odebrecht a Lula como pagamento de propina por favores na Petrobras; e Glaucos teria atuado como um laranja no esquema.

Para corroborar essa alegação, a procuradoria afirmou que Lula só passou a pagar pelo imóvel em novembro de 2015, quando Bumlai, notório amigo do petista, foi preso na Lava Jato. A defesa do ex-presidente contestou a acusação, entregando ao juiz Sergio Moro 26 recibos do pagamento de aluguel — os documentos continham datas que não existiam e erros de português. Mesmo assim, conforme a defesa, são prova suficiente de que a locação foi paga.

ASSINOU NO HOSPITAL – Posteriormente, Costamarques afirmou por meio de sua defesa que, enquanto estava internado no Hospital Sírio Libanês para fazer uma cirurgia cardiovascular, recebeu a visita do contador João Muniz Leite, que lhe trouxe os recibos referentes a 2015. Ele assinou os documentos de uma só vez, mas garantiu que não recebeu nenhum tostão do aluguel até o fim de 2015, o que reforçou a tese da procuradoria de que a locação era apenas um embuste.

Tanto Lula como Costa Marques são réus no processo pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Já o contador Leite não responde a ação e o seu nome só veio à tona agora por causa da polêmica dos recibos.

NÃO PODE CONFIRMAR – À revista Veja, o contador afirmou que não sabe dizer se os pagamentos, de fato, foram realizados. “Eu fazia a contabilidade de ambas as partes, o imposto de renda de ambas aspartes, eu tinha conhecimento de que um pagava e que o outro recebia. Agora, como pagava e em que local, aí eu desconheço. Eu atuava meramente como um executor do imposto de renda. Não era mentor nem controlador de absolutamente nada”, disse.

Contador experiente, Leite trabalha há 14 anos com o compadre de Lula, Roberto Teixeira, que também é réu no processo. Foi ele que apresentou o contador a Costamarques, que, por sua vez, topou comprar apartamento por um pedido de Bumlai. Apesar de serem primos distantes, os dois são amigos desde a infância e Costamarques é padrinho de um filho dele.

Sobre os erros nos recibos, o contador disse que isso é um detalhe insignificante. “A pessoa talvez tivesse um arquivo único que mensalmente só modificava a data ou o mês. Isso é insignificante, a meu ver”, comentou.

INTERNAÇÃO – Atendendo a um ofício do juiz Sergio Moro, o hospital Sírio Libanês confirmou que o empresário ficou internado entre 23 de novembro e 29 de dezembro de 2015. Costamarques disse a Moro que só começou a ser pago pelo apartamento depois que recebeu uma visita de Teixeira no hospital. A instituição, no entanto, não encontrou nenhum registro de entrada do advogado.  Computou apenas três visitas do contador e oito do filho de Bumlai.

Apesar disso, a procuradoria elencou ao processo os registros telefônicos de Costamarques que mostram que o escritório de advocacia de Teixeira ligou para ele dez vezes enquanto estava internado no hospital.*

(*) Eduardo Gonçalves – Veja

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A VANGUARDA DO ATRASO AVANÇA

Fecha-se o cerco à Lava Jato

Se dependesse do senador Romero Jucá (RR), presidente do PMDB e um dos mais poderosos nomes do governo Temer, “a sangria” provocada pela Lava Jato no meio político e empresarial já teria sido estancada há muito tempo. Desde, pelo menos, o início de 2015 quando conversou por telefone com Sérgio Machado, o ex-presidente da Transpetro que gravou seu desabafo.

 

Embora com atraso, está em curso a mais nova tentativa de estancar a sangria. E até aqui, pelo menos, ela avança com sucesso. O cerco à Lava Jato está se fechando com a colaboração do governo, do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF). Se não for revertido, a mais bem-sucedida operação de combate à corrupção da história do Brasil irá simplesmente para o brejo.

Depois de ter sepultado a primeira denúncia de corrupção contra o presidente Michel Temer, o governo está pronto para sepultar a segunda. Pagou caro pelo enterro da primeira, distribuindo cargos, verbas e outras sinecuras com partidos e deputados acostumados a tirar vantagem de tudo. Pagará mais caro pelo enterro da segunda. Adeus reforma da Previdência Social!

O Senado livrou um dos seus filhos mais ilustres, Aécio Neves (PSDB-MG), da punição que lhe foi imposta pela Primeira Turma do STF. Devolveu-lhe o mandato suspenso. E a livre circulação à noite. Aécio foi salvo pelo voto nada constrangido de algumas dezenas de senadores às voltas com um monte de processos.  Suspeitos de crimes uniram-se para se proteger. Natural.

O STF protagonizou a patacoada de abdicar de uma de suas funções a pretexto de evitar a eclosão de uma nova crise. Não mais será dele a última palavra quando se tratar da punição de um parlamentar, mas sim do parlamento – Câmara dos Deputados, Senado, assembleias legislativas e câmaras de vereadores. Políticos, unidos, jamais serão vencidos!

Em breve, o STF desfechará mais um duro golpe na Lava Jato, ao recuar da decisão de que condenado em segunda instância da Justiça poderá ser preso de imediato. Caberá à terceira instância autorizar  ou não a prisão. Não é nada, não é nada, mas é por isso que o privilégio de só ser julgado pelo STF dificilmente será revisto. Processos ali costumam prescrever. As condenações são escassas.

Se necessário, o Congresso votará novas leis para que algo parecido com a Lava Jato não se repita jamais. Não sentirá o mínimo pingo de vergonha por proceder assim. É o Brasil velho que esperneia, estrebucha e resiste ainda cheio de energia ao nascimento do novo.*

(*) Blog do Ricardo Noblat

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HAJA CADEIA NO LOMBO DELE

Urgente:

mais 13 anos de prisão para Sérgio Cabral

Marcelo Bretas acaba de condenar Sérgio Cabral a 13 anos de reclusão.

É a terceira condenação do ex-governador do Rio na Lava Jato.

Ele já havia sido sentenciado a 45 anos e 2 meses –por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa– pelo próprio Bretas, em setembro.

Antes, em junho, Sérgio Moro o condenara a 14 anos e 2 meses, também por corrupção e lavagem de dinheiro.

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SANATÓRIO GERAL

Operário modelo

Gilmar Mendes deixa claro que, embora trabalhe demais, não pretende largar o empregão no STF

“Eu, por exemplo, acho que me submeto a um trabalho exaustivo, mas com prazer. Eu não acho que faço trabalho escravo”. (Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, confirmando que o que a lei considera trabalho escravo não inclui um empregão vitalício que garante férias superiores a 30 dias, 13º salário, salário mensal de R$ 30 mil e viagens bancadas com dinheiro dos pagadores de impostos, fora o resto)*

 

(*) Blog do Augusto Nunes

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