PETRORROUBALHEIRA

‘Querida companhia’

O problema central é político. Está na concepção do “papel estratégico” da Petrobras como alavanca para um projeto de poder estatal quase absoluto na condução da economia

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Números falam, e nem sempre revelam coisas agradáveis. O caso da Petrobras sob o governo Dilma Rousseff é exemplar: a estatal perdeu 73% do valor das suas ações em dólares, entre janeiro de 2010 e dezembro passado.

Pela calculadora de gestoras de fundos, como a Canepa Assets, equivale a tocar fogo numa pilha de US$ 83 bilhões — mais de três vezes o valor estimado do controvertido “ajuste” nas contas governamentais.

É apenas um pedaço da conta. Menos visível é a dívida de US$ 130 bilhões acumulada nos 11 anos dos governos Lula e Dilma.

Nada menos que 80% desses débitos são em moeda estrangeira (dólar e euro). Nos próximos quatro anos vencem seis de cada dez dólares dessa monumental dívida externa.

O saldo devedor a ser liquidado no médio prazo soma-se à crescente necessidade financiamento de pesquisa, exploração e produção de petróleo nas reservas do pré-sal.

O valor de investimento não é consensual, mas as estimativas da empresa nunca são inferiores a US$ 20 bilhões anuais — ou US$ 80 bilhões nos próximos quatro anos.

Apenas para desenvolver um único campo (Libra), segundo as próprias previsões, ela precisaria investir US$ 32 bilhões na próxima década, proporcionais à sua fatia de 40% no consórcio responsável pelo negócio.

A Petrobras agora encontra-se numa situação de asfixia financeira, com evidências de supressão da respiração (pela dívida) e reduzida circulação (pela escassez de caixa e de crédito).

Inverter o quadro é difícil, mas não impossível. Nem é tarefa exclusiva do grupo de executivos financeiros no comando da “nossa querida companhia, símbolo do orgulho nacional”, como tem repetido o presidente, Aldemir Bendine.

O problema central é político. Está na concepção do “papel estratégico” da Petrobras como alavanca para um projeto de poder estatal quase absoluto na condução da economia.

Com Lula e Dilma, essa fantasia já levou a “querida companhia” a perdas de US$ 5,8 milhões por dia, ou US$ 241 mil por hora.

Aconteceu num período de seis anos e sete meses seguidos (entre julho de 2005 e o início de 2012) quando o “símbolo do orgulho nacional” ficou 2.370 dias sob guarda do “companheiro” José Sérgio Gabrielli, expoente baiano do PT.

Com a complacência de Lula e Dilma, suas digitais espalharam-se por US$ 13 bilhões em iniciativas contabilizadas como danosas ao patrimônio da estatal. A conta não inclui o custo do repasse da corrupção aos contratos. Também não reflete a escalada no endividamento realizada na gestão temerária de Gabrielli. Mostra apenas uma face da incúria.

A degradação tende a crescer. De um lado, pelo aumento da pressão governamental pelo pagamento de dividendos elevados, como contribuição ao saneamento do déficit público cavado por Lula e Dilma. De outro, pela persistência do uso da Petrobras como alavanca de um projeto de poder estatal quase absoluto na economia. Isso, sem que se tenha resposta para uma questão crucial: com qual dinheiro a empresa, hoje asfixiada, vai sustentar sua hegemonia na exploração dos campos do pré-sal?

Um feirão de ativos parece ser a alternativa, debate-se no conselho de administração da estatal. Significa privatizar — epílogo de um projeto político que ainda era construção quando se tornou ruína.*

(*) José Casado – O Globo

E QUEM ERA MESMO O PRESIMENTE – ISTO – PRESIMENTE DA REPÚBLICA?

 Irregularidades com a Petrobras começaram em 2002, diz empreiteiro na CPI

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O ex-vice-presidente da Camargo Corrêa Eduardo Hermelino Leite afirmou nesta terça-feira (26) que os contratos ilícitos da empreiteira com a Petrobras foram “celebrados a partir de 2002”. Ele depõe hoje à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Câmara dos Deputados que investiga as irregularidades na estatal.

“A partir de setembro 2009, quando assumi a diretoria de Óleo e Gás, recebi da empresa uma situação pré-existente de meus antecessores. A situação pré-existente da Camargo Corrêa consistia em combinações e contratos que foram celebrados através de consultorias a partir de 2002, conforme cópias de documentos já entregues ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal”, declarou Leite ao se referir aos pagamentos de propina.

É a primeira vez que um empreiteiro menciona contratos anteriores ao governo do PT no país — em 2002, o presidente era Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Questionado pelo relator da CPI, Luiz Sérgio (PT-RJ), sobre a origem do esquema, o executivo disse que não lhe “foi passado o histórico”.

“Minha única disposição é a de falar a verdade. Mais que arrependimento, tenho uma profunda frustração profissional, de ter batalhado e estar hoje envolvido neste escândalo de grandes dimensões”, disse o empreiteiro.

Leite realizou acordo de delação premiada com o Ministério Público. Ele se emocionou ao ser indagado sobre os motivos que levaram a colaborar com as investigações e se possui filhos. Eu penso nisso [fazer delação] desde que a operação começou. […] Essa questão da delação é um processo individual e não é uma boa decisão jurídica é uma decisão pessoal”, declarou Leite.

Ainda respondendo o que o motivou a fazer a delação, o empresário confirmou que tem filhos e chorou. “Prefiro que isso não seja um choro. [Há] um prejuízo de imagem à minha família, não me é agradável”, disse.

O empreiteiro reafirmou que o doleiro Alberto Youssef, os ex-diretores da estatal Renato Duque e Paulo Roberto Costa, o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto participavam do esquema de pagamento de propina de empreiteiras à petrolífera.

“O volume de propina que tínhamos que pagar era um absurdo, era um desconforto absurdo”, declarou Leite.

Ele também reafirmou que pagava propina de 1% do valor dos contratos para as diretorias de Serviços e Abastecimento. Leite declarou aos deputados da CPI que a relação da empreiteira com a estatal seria “muito difícil” se não houvesse o pagamento de propina a diretores.

Leite, em depoimento da delação, afirmou aos procuradores que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto cobrou pessoalmente uma suposta dívida da empreiteira superior a R$ 10 milhões de “pagamentos de vantagem indevida frente a contratos da construtora com a Petrobras” e determinou que o valor fosse pago ao PT como doação oficial eleitoral ao partido.

Leite disse ainda que que a propina não era um tema discutido entre os acionistas da companhia, e sim considerado um “custo” para a construtora.

O PT sempre negou que as doações eleitorais fossem provenientes de pagamento de propina e tivessem origem ilegal.

Leite foi preso em novembro de 2014 por suspeita de participar de um esquema de formação de cartel de empreiteiras que pagaram propina a diretores da Petrobras. Ele agora cumpre prisão domiciliar após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) no início de maio.*

(*) Bruna Borges – Do UOL, em Brasília

PEGA PRA CAPAR

NOVO CONFRONTO ENTRE

DILMA E EDUARDO CUNHA

Mesmo com a presidente Dilma no México, deflagra-se hoje mais um round entre Madame e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Os deputados começarão a examinar a reforma política, tanto faz se a partir do relatório encomendado mas contestado, ou isoladamente, uma proposta depois da outra.

Qualquer aprovação exigirá no mínimo 308 votos, número que Eduardo Cunha imagina dispor a partir de forte base do PMDB. O problema é que cada sugestão vem despertando mais discordâncias do que apoios.

O teste inicial dirá respeito ao chamado “distritão”, estabelecendo que em cada estado serão considerados eleitos os candidatos a deputado federal, estadual e vereador que obtiverem mais votos. À primeira vista parece lógico, mas há meandros capazes de conduzir à areia movediça. Sustentam os adversários, a começar pelos pequenos partidos, que a extinção das coligações partidárias favorecerá os grandes. Os que tiverem melhores estruturas e mais dinheiro garantirão a maioria das vagas.

Eduardo Cunha é o patrono do “distritão”. Já a presidente Dilma, ávida de recompor-se com o PT, fica do outro lado. Os companheiros temem que a mudança reduza suas bancadas.

PERFUMARIA

Quase todo o resto do elenco de reformas consiste em perfumaria. Alterações partidárias e eleitorais inviáveis, umas, e supérfluas, outras. A proibição de doações de empresas para as campanhas eleitorais até que serviria para moralizar as eleições, mas a Câmara, em peso, rejeita a hipótese. O Senado também. Como abrir mão de recursos fundamentais para a reeleição da maioria, mesmo que depois precisem retribuir com suas performances o auxílio jamais desinteressado? A ideia de muitos é limitar as doações empresariais, que a Justiça Eleitoral jamais conseguirá fiscalizar.

Acabar com a reeleição de presidentes da República, governadores e prefeitos é um consenso nacional, mas a confusão se estabelece quando se pretende aumentar os mandatos de deputados para cinco anos e os de senador para dez, já que será impossível reduzi-los a cinco. A coincidência de eleições, todas num só dia, tumultuará o processo. Acabar com dois suplentes de senador, reduzindo para um só, não passa de jeito nenhum na Câmara Alta. Nem a cláusula de desempenho, capaz de tirar recursos do fundo partidário dos partidos de aluguel. E assim por diante.

A presidente Dilma já foi entusiasta da reforma política, até por algum tempo aderiu ao absurdo da convocação de uma assembleia constituinte exclusiva. Depois refluiu. Derrotar Eduardo Cunha tornou-se prioridade. Melhor aguardar.*

(*) Carlos Chagas – Tribuna na Internet

E NA CASA DA MÃE DILMA…

LEVY FINGE TOSSE E NEGA TER PEDIDO

PARA SAIR DO GOVERNO

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O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, negou os rumores de que ele estaria de saída do governo por não concordar com o tamanho do corte no Orçamento, de R$ 69,9 bilhões, anunciado apenas pelo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa.

“Eu não pensei nada de sair”, afirmou Levy. “Não houve divergência, estava gripado, resfriado, enfim. Mas houve um certo alvoroço dessa história e não entendi bem o porquê. É dado o direito de todo mundo se alvoroçar”, disse ele, segunda-feira, no final da uma entrevista coletiva no Palácio do Planalto, dando uma leve tossida, que provocou risos entre os jornalistas presentes, já que ele não havia tossido nenhuma vez antes. O ministro acabou rindo também.

GRIPADÍSSIMO…

O chefe da equipe econômica da presidente Dilma Rousseff deveria fazer o anúncio junto com Barbosa, e as informações oficiais da pasta de sua ausência era que ele estava “gripadíssimo”. Levy vinha defendendo aos seus interlocutores um valor mais elevado para o contingenciamento, entre R$ 70 bilhões e R$ 80 bilhões, mas o corte ficou pouco abaixo do piso que ele havia estipulado.

Segundo assessores do Planalto, a justificativa dada para a ausência de Levy foi a avaliação de que não havia necessidade de expor os dois ministros no anúncio da maior tesourada no Orçamento da história, por isso, foi preferível deixar apenas Barbosa, que está menos desgastado com a opinião pública do que o titular da Fazenda, divulgar o número.

DESCONFORTO

Durante a coletiva no Planalto, Levy aparentava bastante desconforto ao lado do ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Ambos destacaram a importância da aprovação das medidas provisórias que alteram as regras trabalhistas e previdenciárias para ajudar a equilibrar as contas públicas, aprovadas pela Câmara dos Deputados e que agora tramitam no Senado Federal com prazo muito curto para a aprovação, pois expiram em 1o de junho.

Os dois ministros avisaram ainda que será criada uma Comissão para discutir a sustentabilidade da Previdência, que será integrada por vários quatro ministros: Levy, Mercadante, Barbosa e Carlos Gabas (Previdência). O objetivo é debater alternativas ao fim do fator previdenciário e levá-las ao fórum criado pelo governo com a sociedade civil para debater o mesmo assunto. Na sexta-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse aos ministros que participaram do encontro que o governo deveria ter uma proposta própria para o fim do fator previdenciário.

CALMA COM IMPOSTOS

Mais cedo, ao chegar ao ministério da Fazenda, Levy tomou uma atitude que surpreendeu os setoristas e resolveu falar na portaria, algo que ele havia proibido logo que assumiu, sinalizando que queria mandar algum recado. Ele alertou sobre as limitações da receita e mudou o discurso sobre a necessidade de aumentar mais tributos para conseguir tapar o buraco das contas públicas já que o corte do Orçamento não será suficiente. “A agente tem que ir com calma na parte de imposto. Não adianta a gente inventar novos impostos como se isso fosse salvar a economia brasileira”, declarou.

Levy também sinalizou que há a possibilidade de haver uma piora nos dados do Produto Interno Bruto (PIB) que serão anunciados na próxima sexta-feira. Em 2014, o segundo e terceiro trimestre tiveram queda e o país só não entrou em recessão propriamente dita porque o quarto trimestre deu uma pequena elevação, de 0,3%. “Vamos ver o que acontece. O PIB tinha um pequeno blipping (virada) no quarto trimestre, que aliás, pode ser revisto”, avisou.*

(*) Rosana Hessel e Julia Chaib – Correio Braziliense

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG DA TRIBUNA NA INTERNET – Pegou mal este fingimento de Levy, isso não é comportamento de uma autoridade. Devia sair logo do governo, mas o Bradesco não deixa. (C.N.)

O DONO DA POCILGA

Lula pede a Dilma que libere R$ 8 bi do PAC para São Paulo

Preocupado com o cenário eleitoral em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a liberação de recursos federais para ajudar o prefeito Fernando Haddad, pré-candidato do PT à reeleição na capital paulista.

A administração municipal espera, desde o ano passado, o repasse de aproximadamente R$ 8 bilhões oriundos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

O montante seria destinado à reurbanização de favelas e outros projetos. Mas a liberação da verba ainda não recebeu o aval da presidente Dilma Rousseff.

Nos bastidores, a avaliação é a de que, sem esses investimentos, Haddad terá ainda mais dificuldades para ser reconduzido ao comando da maior cidade do país.

Lula apresentou a demanda à Dilma em reunião na sexta (22) na Granja do Torto, uma das residências oficias da presidente, em Brasília.

O ex-presidente também cobrou que ministros petistas com base eleitoral em São Paulo desembarquem no Estado para fazer agenda política e, com isso, “ocupar espaço” em prol de Haddad.

Na avaliação interna, os R$ 8 bilhões do PAC serviriam para ajudar a criar uma “marca na periferia” para Haddad, dando impulso ao propósito de sua reeleição.

Pesquisas mostram a dificuldade do prefeito nesse estrato social. Levantamento do Datafolha apurado em fevereiro deste ano mostrou que sua gestão foi considerada ruim ou péssima por 44% dos paulistanos. A taxa é semelhante nas faixas de menor renda, onde os petistas tradicionalmente costuma ter melhor desempenho.

O cenário eleitoral é considerado “difícil”. Daí o esforço para melhorar a conexão com a população mais pobre. Hoje, esse espólio ainda é da ex-prefeita Marta Suplicy, que deixou o PT para desafiar Haddad no ano que vem –a tendência é que ela se filie ao PSB para disputar a eleição.

PERIFERIA

O dinheiro defendido por Lula para a cidade de São Paulo seria usado na construção de 11 corredores de ônibus, 12 obras de prevenção de enchentes e moradias para 55 mil famílias.

Petistas já não escondem um prognóstico desanimador no ano que vem. A maioria teme uma lavada nas urnas dos grandes centros urbanos.

O desgaste é motivado pela impopularidade da gestão petista em âmbito federal, somada à rejeição crescente ao PT em diversos redutos.

O escândalo de corrupção na Petrobras, desvendado pela Operação Lava Jato, ajudou a corroer a imagem da legenda e de seus representantes.

Por essa razão, investimentos extras são considerados cruciais para dar competitividade à candidatura do petista em São Paulo.

O repasse, porém, esbarra no esforço do governo federal em apertar os cintos para economizar dinheiro do orçamento.

Na mesma sexta-feira em que Lula pedia transferências do PAC para ajudar Haddad, o governo federal anunciava um corte de R$ 25,9 bilhões no próprio programa.

Apesar do empenho do ex-presidente, ministros são céticos quanto ao sucesso da demanda. “Está difícil pensar numa ajuda assim. Talvez o prefeito precise se virar sozinho”, disse um deles, sob condição de anonimato.*

(*) NATUZA NERY – MARINA DIAS – DE BRASÍLIA – FOLHA DE SÃO PAULO

CULPA DA “IMPRENSA GOLPISTA”, É?

‘Acabou o dinheiro’, diz Levy ao citar necessidade de mudança em financiamento a longo prazo

Ministro chamou ainda de ‘adequado’ o corte de R$ 69,9 bilhões no Orçamento


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BRASÍLIA — Ao chegar ao Ministério da Fazenda na manhã desta segunda-feira, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que o país precisa repensar o gasto de recursos públicos a longo prazo e que “acabou o dinheiro”. Segundo ele, há outras partes a serem levadas em conta, até mais estruturantes, como as novas concessões. Ele citou como desafio a obtenção de recursos para financiar os projetos de infraestrutura. O ministro chamou ainda da “adequado” o corte de R$ 69,9 bilhões no Orçamento de 2015, anunciado na última sexta-feira por seu colega do Planejamento, Nelson Barbosa.

— Vamos ver como reorganizamos o financiamento de longo prazo, agora que acabou o dinheiro e aquele modelo mais baseado em recursos públicos. Esses recursos acabaram.

No último fim de semana, governistas comentavam que Levy havia ficado insatisfeito com o tamanho do corte no Orçamento, por ter defendido um contingenciamento maior, em torno de R$ 80 bilhões. No dia do anúncio, por exemplo, ele não compareceu ao evento, como era esperado.

— Acho que o contingenciamento foi no valor adequado. Esta é uma das parte das políticas que estão sendo postas em prática — afirmou.

Para ele, o momento é de enfrentar temas que vão além, como competitividade e produtividade. A necessidade agora é “fazer um ajuste estrutural” porque mudaram as condições de economia brasileira e o preço internacional das commodities — que beneficiava as exportações — não é mais o mesmo.

— Apesar de o governo ter dado muito incentivo fiscal, as empresas não tiveram um desempenho muito forte. Questões de como a gente pode ter a economia brasileira ter mais vitalidade e não necessariamente só botando dinheiro público — defendeu Levy. — As receitas previstas pelo Orçamento, aprovado há um mês, não tem conexão com a realidade da arrecadação. O PIB não está devagar por causa do ajuste. O ajuste está sendo feito porque o PIB está devagar.

Ainda sobre o contingenciamento e as demais medidas de ajuste fiscal que tramitam no Congresso, o ministro argumentou que tudo isso é fundamental para o cumprimento da meta de superávit primário, de 1,13% do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano. Ele mencionou a evolução da arrecadação que, nos últimos anos, não tem atendido às necessidades de governo.

— É preciso uma situação um pouquinho mais equilibrada. As receitas não têm sido muito significativas. Tivemos um déficit primário forte, que nos colocou em risco na questão do rating, o PIB não foi muito grande, as empresas não investiram. O contingenciamento é importante. O governo cortou na carne. Tentamos chegar ao mais próximo de 2013, mas a gente sabe muito bem que a maior parte do gasto é determinado por lei, é obrigatório.

Perguntado se o governo planejava aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), ele respondeu:

— Não tenho calculado nada de IOF. A gente tem que ir com calma na parte de imposto. Não adianta imaginar que os impostos vão salvar a economia brasileira. Não é por aí. A gente tem uma coisa mais profunda, que não se resolve com coisas fáceis, por mais emocionantes que possam ser. Foi dado um passo importante, porque o anúncio que o ministro do Planejamento fez foi muito claro.

Levy voltou a afirmar que o contingenciamento é uma parte da estratégia. Acrescentou que as receitas previstas no Orçamento aprovado há um mês não têm conexão com a realidade da arrecadação. Como o Orçamento autoriza despesas, faz-se necessário que o governo corte esses gastos, “com cautela e equilíbrio, sem o menor risco ao crescimento”.

Indagado sobre sua expectativa em relação ao PIB no primeiro trimestre, o ministro lembrou que, no início do ano, havia grandes temores em relação à economia. Muitos agentes se retraíram. Segundo Levy, boa parte dos receios desapareceu. Ele destacou que está discutindo com o Ministério da Agricultura um plano de safra realista, mas com volumes que atendem às necessidades do setor agrícola, apesar da queda dos preços das commodities.

— O que interessa é o que vem pela frente. Se a gente fizer os ajustes a gente consegue botar a economia crescendo outra vez — concluiu.

A entrevista de Levy na portaria foi uma surpresa, já que o ministro — quando assumiu o posto — prometeu não falar na entrada do ministério.*

(*) ELIANE OLIVEIRA / GABRIELA VALENTE – O GLOBO

DILMA, DÉJÀ VU

 Sabe no que Dilma mudou? Ela emagreceu! E parou de ofender seus subordinados

Temer virou um diretor de Recursos Humanos. Sua principal tarefa é distribuir cargos.
Mas nada escapa à atenção de Dilma. A última palavra continua sendo dela

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Ao que tudo indica, começou a ruir a construção política na qual a República parecia acreditar – ou queria acreditar.

Qual seja: a de que a presidente Dilma Rousseff transferira o poder ao ministro Joaquim Levy, da Fazenda, e ao vice-presidente Michel Temer, e decidira sair de cena de fininho.

Claro que seria só por algum um tempo, afinal a eleita foi ela. O tempo suficiente para Levy cortar os gastos públicos e Temer apaziguar a base de sustentação do governo no Congresso.

Quando o sol voltasse a brilhar sobre o governo, Dilma estaria pronta para se reconciliar com o sucesso.

Assim seria se lhe parece. Não foi. Ou aparentemente não foi.

O tamanho do ajuste fiscal sugere que Dilma voltou antes da hora. Ou melhor: que ela não delegou a Levy o poder que se imaginava.

Levy quis fazer um ajuste muito superior ao que foi anunciado na última sexta-feira. Não fez porque Dilma não deixou.

Primeiro ela orientou seus ministros mais próximos – Mercadante, Nelson Barbosa, Rossetto – para que se opusessem às pretensões de Levy. Depois ela decidiu a parada a favor deles.

Temer virou um diretor de Recursos Humanos. Sua principal tarefa é distribuir cargos. Mas nada escapa à atenção de Dilma. A última palavra continua sendo dela. E ela não se furta a dar.

O que de fato mudou no modo de Dilma exercer o poder? Ela emagreceu. Fechou a boca para não comer e não maltratar os subordinados.*

(*) Blog do Noblat

OPOSIÇÃO PERO NO MUCHO

Sob Dilma, a oposição tornou-se desnecessária

Brasília é uma cidade dada a esquisitices. Mas poucas vezes esteve tão surrealista como agora. Nesta semana, prefeitos e manifestantes pró-impeachment encherão os espaços públicos da Capital de protestos contra o governo. Enquanto isso, nos gabinetes, PT e PMDB discutirão, como fazem há semanas, sobre quem é o responsável pela paralisia que produz a atmosfera de permanente insurreição. Um partido acusa o outro. E o ministro Joaquim Levy (Fazenda) acha que ambos estão cobertos de razão.

O PT diz que os caciques peemedebistas Renan Calheiros e Eduardo Cunha conspiram em dobradinha para fatiar as medidas fiscais enviadas por Dilma ao Legislativo. O PMDB reage, indignado, afirmando que quem tem Lindbergh Farias e Paulo Paim como filiados não precisa de traidores.

Lula aponta deficiências na articulação política de Michel Temer. E Temer queixa-se da desarticulação que Dilma provoca na política ao reunir-se com Lula e o concílio de sábios petistas pelas suas costas. O PT reclama de perda de espaços no rateio de cargos. O PMDB revolta-se com a demora na entrega das poltronas prometidas.

Diante de um cenário tão inusitado, a oposição perdeu a serventia. Não resta ao PSDB e aos seus satélites senão a alternativa de se dissolver como partidos do contra e aderir ao bloco governista. Na oposição, não conseguem ter metade do poder de destruição dos aliados.

Aderindo ao governo, os oposicionistas não precisariam mais se esgoelar da tribuna para atazanar Dilma. Passariam a combinar, em longos almoços nos melhores restaurantes de Brasília, as emboscadas contra as correções de rumo idealizadas pelo ex-colaborador tucano Joaquim Levy.*

(*) Blog do Josias de Souza

“VAI QUE DEPOIS EU VOU”…

O BONÉ DE JOAQUIM LEVY

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Cresce entre os ministros palacianos, núcleo duro do governo, a impressão de não demorar muito para o ministro Joaquim Levy pedir o boné. Ou recebê-lo no final de mais uma reunião a que não comparecer. A presidente Dilma não engoliu a ausência dele quando do anúncio dos cortes ao orçamento. Seu lugar na mesa ficou vazio e não foi por acaso que permaneceu a placa com o nome dele, diante de uma cadeira vazia. Muito menos Dilma aceitou que na mesma hora Levy tivesse viajado para o Rio, deixando como desculpa um resfriado.

Na verdade, sua proposta era para cortar de 70 a 80 bilhões, curvando-se aos 69,9 bilhões mas ficando agastado com todo mundo. No reverso da medalha, pegou mal junto aos principais assessores da presidente terem sido as mais sacrificadas as verbas para Educação, Saúde e o programa “Minha Casa, minha Vida”.

A conclusão é uma evidente má vontade nas duas margens do rio da amargura econômica: tanto o ministro quanto a presidente parecem mal satisfeitos. Para complicar ainda mais a situação, vem o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, afirmar que o empresariado não aceita pagar um centavo a mais de impostos, logo depois de nova ameaça clara do dr. Levy: se o Congresso não aprovar as medidas provisórias do ajuste fiscal, o aumento será inevitável.

SEMANA CONTURBADA

Assim começa a semana, conturbada também pela previsão de que a Câmara rejeitará todas as propostas de vulto da reforma política, limitando-se a apoiar perfumarias. Dilma mandou anunciar que estará em Salvador entre os dias 11 e 13 do próximo mês, para o congresso nacional do PT. Estaria cogitando de, ao lado do Lula, fazer uma espécie de exposição a respeito das dificuldades atuais do governo e do país. Seria bom fiscalizar a bagagem do alto comando dos companheiros para saber se não estão levando algumas panelas. Aliás, foi um fracasso a reunião da sessão paulista do partido, no fim de semana que passou. Sobraram lugares no auditório.

Para cada lado que Dilma se volte, encontra problemas. Não terá gostado da performance do senador Lindbergh Farias, cujos petardos atingiram o governo, tanto quanto as medidas provisórias do ajuste fiscal, especialmente pela versão de que o ex-presidente da UNE teria sido estimulado pelo Lula. Os amantes da astrologia sustentam que no período de um mês anterior ao aniversário de cada pessoa transcorre o seu inferno zodiacal, onde tudo de ruim pode acontecer. O aniversário de Madame é em dezembro, mas, pelo jeito…*

(*) Carlos Chagas – Tribuna na Internet

 

A PROPÓSITO

Levy não está de saída. Mas quanto tempo ele aguenta?

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Levy: quanto tempo ele aguenta?

O mercado financeiro e as grandes empresas passaram o fim de semana tensos com a gripe de Joaquim Levy. Muita especulação e um nível de ruído perto do ensurdecedor.
Mas Joaquim Levy vai usar o dia de hoje e os próximos para acalmar todo mundo. Numa palavra, não está de saída.
Por isso, fará tudo para baixar a temperatura das especulações.
Levy dirá que está preocupado mesmo é com a tramitação das medidas provisórias que tratam da desoneração e da 668, que  eleva as alíquotas de PIS e Cofins para produtos importados.
É evidente que o desagrado de Joaquim Levy com os cortes no Orçamento, aquém do que ele queria, foi um aviso que ele deu a Dilma Rousseff.
Levy mostrou que não tem receio de demonstrar publicamente o seu desconforto.
Mas esse tipo de atitude tem um limite. Levy não pode repetir gestos como o de sexta-feira ao longo do tempo – até porque perderiam a força.
Levy, portanto, não está demissionário.. Mas a pergunta que surgiu na sexta-feira se manterá de pé por algum tempo ainda: quanto tempo mais ele aguenta permanecer no governo?
Isso tudo não é nada tranquilizador para um mercado que gosta de previsibilidade.

(*) Blog do  Lauro Jardim