POBRE BRASIL…

O PT paga pela sua ‘compreensão’

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André Vargas deveria ter sido isolado pelo PT no ano passado, quando atacou o ex-governador gaúcho Olívio Dutra, que defendera a renúncia do deputado José Genoino depois de sua condenação no processo do mensalão. Na ocasião, disse o seguinte:

“Quando ele passou pelos problemas da CPI do Jogo do Bicho, teve a compreensão de todo mundo. Para quem teve a compreensão do conjunto do partido em um momento difícil, ele está sendo pouco compreensivo. Ele já passou por muitos problemas, né?”

Olívio Dutra nunca fora condenado em qualquer instância judicial. Genoino acabava de receber do Supremo Tribunal Federal uma sentença de seis anos e onze meses de prisão. Olívio passou pelo governo e continuou morando no pequeno apartamento que comprou como funcionário do Banrisul.

Em apenas dez anos, entre sua eleição para vereador em Londrina e sua última eleição para a Câmara, André Vargas decuplicou seu patrimônio. Teve um doleiro amigo, redirecionou R$ 836 mil de doações legais para companheiros e chegou à primeira vice-presidência da Câmara dos Deputados. Certamente foi um militante compreensivo. Felizmente, faltou-lhe a compreensão do comissariado.

A reeleição da doutora Dilma, bem como a sua possível substituição por Lula, está ameaçada pelo exercício do que André Vargas chamou de “compreensão”. Esse sentimento, amplo, geral e irrestrito, prevaleceu no PT em 2005 quando ele optou pela blindagem dos mensaleiros.

Os partidos têm horror a cortar a própria carne. O PSDB manteve Eduardo Azeredo na sua presidência depois da exposição do mensalão mineiro. Fingiu-se de surdo por quase dez anos diante das sucessivas provas de que funcionara em São Paulo um cartel de fornecedores de equipamentos pesados, liderado pela Alstom.

O comissariado marcha para uma campanha eleitoral onde enfrentará um desejo de mudança. Sua dificuldade estará em mostrar que se pode mudar com mais do mesmo. Se algo mudará com outros candidatos é um problema que caberá a cada eleitor julgar, mas, pela lógica, do mesmo, mudança não sai. Isso fica claro quando a doutora Dilma diz que há uma “campanha negativa” contra a Petrobras.

Falso, o que há, desde 2003, é um aparelhamento partidário, com bonificações pessoais, dentro da empresa. Aqui e ali foram tomadas medidas moralizadoras, sempre em silêncio, até que o doutor Paulo Roberto Costa, tentando esconder sua contabilidade, foi parar na cadeia.

Todos os governantes que fizeram campanhas políticas com a bandeira da moralidade, inclusive Lula, enganaram seus eleitores. A ferocidade com que o tucanato se opõe à manobra diversionista do PT para expandir o foco da CPI das petrorroubalheiras, é um indicador dessa “compreensão” generalizada.

Os tucanos de boa memória haverão de se lembrar do que foi a administração do doutor Joel Rennó na Petrobras (1992-1999). Em benefício de Fernando Henrique Cardoso, registre-se que ele herdou-o de Itamar Franco e manteve-o no cargo atendendo ao falecido PFL.

O rápido isolamento de André Vargas é boa notícia. Ainda assim, é pouco detergente para muito pano. O que a campanha precisa é da luz do sol, inclusive em cima das propostas dos candidatos.*

(*) Elio Gaspari, O Globo

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SE GRITAR, PEGA, LADRÃO…

Vargas e Youssef foram criados no interior do Paraná e se conhecem desde os anos 90

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Em Londrina, dono de jatinho é conhecido como o maior contrabandista de produtos do Paraguai

LONDRINA (PR) — Amigos de longa data e criados no interior do Paraná, o doleiro Alberto Youssef e o deputado petista André Vargas (PT-PR) cruzam o caminho um do outro muito antes de o parlamentar usar o jatinho particular do doleiro ou, com ele, trocar mensagens comprometedoras. O próprio deputado diz que é amigo de Youssef há 20 anos, mas que desconhecia suas atividades ilegais. Mais do que doleiro, Youssef é conhecido em Londrina como o maior contrabandista de produtos do Paraguai, sobretudo eletroeletrônicos, para abastecer os mercados do Paraná e de São Paulo. Antes de ir para a cadeia por suas ações como doleiro, Youssef já havia sido preso cinco vezes pela Polícia Federal por contrabando nas décadas de 1980 e 1990. Apesar de indiciado e processado em todas estas vezes, pagava as multas pelos produtos apreendidos e se livrava de períodos mais longos de prisão. Ganhou tanto dinheiro com a contravenção, que, na década de 90, virou doleiro, tornando-se conhecido nacionalmente pela remessa ilegal de US$ 30 bilhões para o exterior, no escândalo das contas CC-5, do Banestado. Ficou preso preventivamente duas vezes nesse processo, no início dos anos 2000, mas fez acordo de delação premiada com a Justiça e se livrou da prisão. — Todos os moradores de Londrina conhecem Youssef como o maior contrabandista da história da cidade. É impossível que o deputado desconhecesse a vida criminosa do amigo — disse ao GLOBO um policial que participou da maioria das prisões de Youssef.

Negócio de família

Youssef, hoje com 47 anos, começou cedo no contrabando, aos 17. Sua irmã Maria Youssef Parisoto trazia produtos eletrônicos e bebidas do Paraguai em ônibus e ele os revendia em Londrina. Aos poucos, Youssef foi assumindo os negócios da família; ele mesmo buscava os produtos no Paraguai, levando-os para a região de Londrina em aviões, que desciam em pequenas pistas de pouso em fazendas do interior do estado. A PF rastreou 150 pequenas pistas de pouso usadas por Youssef ou “Beto”, como é chamado pelos policiais. Maria morreu num acidente de ônibus em 2000 a caminho de Foz do Iguaçu, na divisa com o Paraguai. Mas foi a outra irmã de Youssef, Olga Youssef Soloviov, que o introduziu no ramo de casas de câmbio. Doleira no Paraguai, em São Paulo e em Ribeirão Preto, ela abriu uma casa de câmbio em Londrina em 1993 e deixou o irmão administrando o negócio. Após as prisões no caso da CC-5 do Banestado, Youssef fechou a casa de câmbio em Londrina, mas continuou a operar o mercado do majestoso escritório de um andar que possui no Twin Towers, um prédio luxuoso na Avenida Tiradentes, em Londrina. O GLOBO foi ao local, mas o escritório está fechado. A Polícia Federal sabe que neste escritório ele montou um esquema de transmissão de voz pela internet conhecido por Voip, que não era rastreado pelos policiais, através dos quais operava seus negócios nebulosos. Este sistema era muito parecido com aquele em que Youssef foi flagrado conversando com André Vargas e cujas mensagens foram interceptadas pela PF na Operação Lava-Jato. As ligações com Vargas vêm do tempo em que Youssef já era doleiro. Vargas entrou para o PT em 1990 e ajudou a coordenar campanhas eleitorais do partido até 2000, quando já era o presidente do partido em Londrina. Em 1998, foi coordenador da campanha de Paulo Bernardo para deputado federal, em dobradinha com Antonio Carlos Belinati, candidato a deputado estadual. O atual ministro das Comunicações não se elegeu, mas Vargas foi acusado pelo Ministério Publico do Paraná como responsável pelo desvio de R$ 10 mil dos cofres da Prefeitura de Londrina, então administrada por Belinati, cassado por corrupção. Vargas recebeu os R$ 10 mil de um assessor de Belinati, dinheiro usado para pagar cabos eleitorais. O petista foi absolvido da acusação de improbidade, mas condenado a devolver o dinheiro à prefeitura. Ele recorreu e o caso corre no Tribunal do Paraná. O dinheiro era da Comurb, autarquia da prefeitura de Londrina, da qual foram desviados mais de R$ 14 milhões em 1998.

Caso está na justiça desde 2000

Neste mesmo esquema de desvios de dinheiro da Comurb, Youssef foi denunciado por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, falsificação de documentos e falsidade ideológica. Ele desviou R$ 120 mil. O caso, denunciado à Justiça em 2000, ainda está tramitando em primeira instância em Londrina. O promotor Claudio Esteves, do MP do Paraná, autor das denúncias, critica a Justiça pela lentidão: — Youssef pode ser beneficiado com a prescrição dos crimes porque a ação já tem mais de 13 anos e até hoje a Justiça não deu sentença. Esteves diz que a conexão entre eles viria do fato de os dois terem recebido cheques relacionados ao esquema no mesmo dia, 1º de outubro de 1998, e da mesma pessoa. Paralelamente à trajetória política, Vargas melhorou de vida. Até 1990, quando entrou no PT, morava no proletário bairro dos Cinco Conjuntos. Hoje, mora numa mansão no condomínio Alphaville Jacarandá, com casas de R$ 1 milhão. Tem um sítio e circula na cidade com carro importado. Até a Operação Lava-Jato estourar, era visto com frequência no Hotel Blue Tree, o mais luxuoso de Londrina, e que pertence a Youssef. Com a Lava-Jato, o hotel foi bloqueado pela Justiça Federal e nada pode ser feito no local sem ordem judicial. A assessoria de Vargas informou que o deputado “nem sonhava” com as atividades ilegais de Youssef.

(*) GERMANO OLIVEIRA, ENVIADO ESPECIAL (O GLOBO)

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O GRANDE RESPONSÁVEL…

Quem paga o pato é você

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Lula fala como se não fosse em nada responsável

por tudo o que está aí. E a maioria ainda acredita nele

O maior líder da oposição atualmente, que cobra mais medidas concretas da presidente Dilma Rousseff, que mais reclama do estado preocupante da economia brasileira, que ganha mais manchetes, que mais mexe com o mercado quando abre o verbo, e que mais tem condições de ganhar a eleição, todo mundo sabe, é Lula, o criador da criatura.

Lula sempre soube que não entende nada de economia. Mas entende de povo. Sabe que os brasileiros estão pessimistas e irritados com a inflação sentida no mercado e na feira. O tal “teto da meta” já foi estourado há muito tempo no dia a dia, e isso é fatal para uma líder sem carisma. As greves começarão a pipocar, para o povo recuperar o poder aquisitivo. Lula não gosta nadinha do que vê. Você pode chamá-lo do que quiser, menos de bobo.

Em sua entrevista a blogueiros, com repercussão na imprensa que ele ataca, Lula foi direto na jugular da companheira. “Poderíamos estar melhor, e a Dilma terá de dizer isso na campanha claramente: como a gente vai melhorar a economia brasileira.” Lula fala como se não fosse em nada responsável por tudo o que está aí. E a grande maioria dos eleitores acredita nele.

Se será ou não candidato, é outro papo. Lula interveio agora na Presidência de maneira mais bruta que o Comitê Olímpico Internacional interveio na Olimpíada do Rio. É o mesmo raciocínio. Quando um projeto corre o risco de desandar, entra no ringue o mais forte para evitar danos futuros. O projeto Dilma soçobra como os Jogos no Rio. Falta credibilidade a ambos.

Lula não quer ninguém atrapalhando o PT. Nem a pupila Dilma, nem o ex-vice-presidente da Câmara, André Vargas, hoje um náufrago abandonado à própria sorte. “No final”, disse Lula, “quem paga o pato (da amizade de Vargas com o doleiro preso Alberto Youssef) é o PT.”

Quem paga hoje o pato não é o PT, mas o cidadão brasileiro. Paga o pato, a galinha, os ovos, o tomate. Paga mais do que dizem os índices oficiais de inflação. Paga o pato do despreparo e do oba-oba da equipe econômica, que deitou no sofá do Planalto em tempos fáceis e agora não consegue nem maquiar a economia real. Adiam-se aumentos nas contas de luz e de gasolina, e ninguém acredita mais em meta nenhuma.

Na corrida contra o tempo e contra o descrédito, até a eleição, Dilma tropeça em si mesma, se encolhe, não pode aparecer em público porque será vaiada, torce para a Seleção ganhar a Copa e tem de engolir as broncas públicas de Lula. “Minha candidata é a Dilma”, repete Lula. Mas ele só alimenta o que chama de “boataria”, quando se diz insatisfeito com os rumos da economia no Brasil.

“O problema maior foi deixar a inflação bater no topo da meta”, diz o economista Edmar Bacha, um dos pais do Plano Real e ex-presidente do BNDES e do IBGE. “Estavam brincando com fogo e estão colhendo o que semearam.” Está claro, segundo Bacha, que a taxa de inflação real é maior que os 6,15% anuais. “Essa taxa, parcialmente oculta pelo controle dos preços administrados, contamina muito a própria ordem social.” Bacha não se assusta com as greves nem crê na argentinização do Brasil. “Não é o fim do mundo. Quem está parando é gente com poder de barganha, operários envolvidos em obras estratégicas.”

No Leblon, bairro nobre do Rio de Janeiro, funcionários em greve das obras de expansão do metrô irromperam com paus e pedras na esquina de minha rua. Estavam furiosos com os colegas que furavam a paralisação e insistiam em trabalhar. Os grevistas exigem pagamento de 100% sobre as horas extras, aumento da cesta básica de R$ 230 para R$ 300, retroativo a fevereiro, e 10% de aumento nos salários.

É só conversar com qualquer um na rua, taxista, segurança, lojista, feirante, dona de casa, que você ouvirá o que as pesquisas detectam: insatisfação, medo e desconfiança. O Rio teve a inflação mais alta do país, 7,87% em 12 meses. A alta em alimentos e serviços é muito maior, tanto que a moeda na cidade passou a ser apelidada de “surreal”. Como a maioria não acredita em “legado social da Copa”, tornou-se visível uma torcida cada vez mais militante contra o desempenho da Seleção.

Os grevistas da linha 4 do metrô carioca reivindicam só 10% de aumento porque não leem jornal nem revista. Se fossem bem informados, saberiam que o governo federal aumentou as despesas totais em 15%, só no primeiro bimestre de 2014. A conta de pessoal e encargos sociais cresceu 13,5% em janeiro e fevereiro. Péssimo exemplo! Com as finanças públicas sem controle no Brasil de Lula e Dilma, quem paga o pato não é o PT, é você. Até rimou. *

(*) RUTH DE AQUINO – ÉPOCA

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SE ABRIR O BICO…

Fundos partidários

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Lembrem-se que o PT já expulsou deputados que votaram em Tancredo e ameaçou fazer o mesmo com quem assinasse a Constituição de 88.

Por que então, agora, o partido recusa-se a expulsar o deputado André Vargas?

É que Vargas disputou e ganhou a eleição de vice-presidente da Câmara contra Paulo Teixeira, prometendo mundos e fundos para seus eleitores.

E ameaça divulgar os mundos e, principalmente, fundos com os quais comprou alguns votos da sua própria bancada. *

 

(*) Jorge Moreno, O Globo.

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COMO DIZ O LULLA, “HONESTIDADE, GENTE!”

O doleiro dos oprimidos

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O deputado André Vargas não fez nada de mais. Apenas cumpriu o primeiro mandamento para ascender no PT: siga o dinheiro. Ou, mais precisamente, siga e consiga o dinheiro. Sua intimidade com o doleiro Alberto Youssef, preso no centro de um esquema que teria movimentado 10 bilhões de reais, não deixa dúvidas: Vargas chegou lá. Quem não entendeu como o obscuro deputado curitibano saltou de secretário de comunicação do partido para vice-presidente da Câmara dos Deputados não entende nada de PT.

O despachante de André Vargas era o homem que operava o duto entre os cofres públicos e os políticos amigos do rei (rainha). Se alguém achar que isso se parece com a quadrilha do mensalão, esqueça. O ministro Luís Roberto Barroso já explicou que a quadrilha não existiu, e o STF assinou embaixo.

A parceria fértil entre o doleiro de Vargas e o ex-diretor de abastecimento da Petrobras, também preso, tem impressionante semelhança com a tabelinha entre Marcos Valério e o então diretor de abastecimento do PT no Banco do Brasil, Henrique Pizzolato — hoje embaixador da república mensaleira na Itália. Mas isso não é quadrilha, é estilo.

E pensar que antigamente o PT mandava Waldomiro Diniz pegar dinheiro com Carlinhos Cachoeira. Que coisa cafona. Mas isso foi uma década atrás, quando o partido ainda não tinha estudado direito a planta do Estado brasileiro.

Hoje está claro que a mensagem de André Vargas a Joaquim Barbosa, levantando o punho cerrado (símbolo da resistência mensaleira), era um aviso — como o de Raul Seixas sobre as moscas: se você mata uma, vem outra em seu lugar.

Os brasileiros, esses invejosos, já estão implicando com o Land Rover dado pelo doleiro ao diretor da Petrobras. Bobagem. Como ensinou Silvinho Pereira, o mais injustiçado e esquecido dos petistas, quem trabalha bem no setor petrolífero ganha Land Rover de graça. O Brasil está pensando pequeno.

Diante da dimensão dos negócios no seio do governo popular, as propinas na Petrobras são o troco do cafezinho — aquelas moedas que você joga na mão do pedinte pela janela do seu Land Rover. Se o garoto ainda fizer uma graça com bolinhas de tênis, você pode até dar a ele uma refinaria superfaturada. Esse bilhão não fará a menor diferença no balanço.

Algumas das maiores empresas brasileiras estão sendo destroçadas, ao vivo, para fabricar bondade tarifária e esconder inflação. Esse é o jogo multibilionário que o Brasil aceita chupando o dedo, louco para virar Argentina. São esses dividendos populistas que garantem um ambiente de negócios seguro para os doleiros oficiais, mensaleiros reencarnados e demais sócios do país de todos (eles).

Até o FMI já espalhou por aí que o governo brasileiro passou a maquiar suas contas, para gastar escondido com a indústria do populismo. E vem aí mais uma transfusão bilionária do Tesouro para o BNDES, que vai injetando nas estatais vampirizadas e envernizando a orgia fiscal.

É um complexo e fabuloso trabalho de pilhagem, com alcance de gerações — que naturalmente passou despercebido aos revolucionários da Primavera Burra. Nem a CPI da Petrobras mobilizou os engarrafadores de trânsito. Eles devem estar achando que pode ser um golpe neoliberal para tomar o que é nosso.

Com todo o seu profissionalismo, André Vargas sabe que não dá para contar a vida toda com a pasmaceira da opinião pública. Por isso, além de ter os amigos certos, ele também trabalhou com afinco no projeto petista que vale por mil doleiros espertos: o controle da informação.

O PT sonha com a desinibição da companheira Kirchner na coação da mídia e no adestramento das estatísticas. André Vargas também serve para isso: assim como se presta a fazer molecagem com Joaquim Barbosa, prega sem constrangimento o “controle social da mídia”. E o ensaio vai indo muito bem, do controle social do Tesouro ao controle social do Ipea.

O tradicional e respeitado Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada ganhou de presente do governo popular uma estrelinha vermelha. Passou a ser dirigido por acadêmicos-militantes, uma espécie de transgênero com vocabulário técnico e alma ideológica.

Estrelas da coreografia estatística como Marcio Pochmann — que saiu de lá para ser candidato do PT a prefeito de Campinas —, capazes de fazer os números dançarem conforme a música, trouxeram o charme chavista que faltava ao Ipea. Quem acompanhou essa metamorfose revolucionária não acreditou um segundo na famosa pesquisa que transformou o Brasil num país de estupradores.

O mais alarmante, porém, não foi a pesquisa em si, pois já se sabe que, com o PT, a inépcia e a desonestidade intelectual são quase indistinguíveis. O impressionante foi o Brasil comprar de olhos fechados mais uma bandeira fabricada pelo império do oprimido. Dá até para ouvir o comentário de André Vargas: kkkkkk.*

(*) Guilherme Fiuza, O Globo

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“HONESTIDADE”, É LULLA?

Lula critica tucanos e diz que única forma de combater corrupção é com honestidade

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Em evento com Padilha, ex-presidente disse que tucanos escondem corrupção ‘debaixo do tapete’

SÃO PAULO – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso na noite desta sexta-feira em Araçatuba (SP), disse que no tempo em que os tucanos governavam o país, a corrupção não aparecia “porque eles a colocavam debaixo do tapete”. Falando à militância em evento da caravana de pré-campanha do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha ao governo paulista, o ex-presidente disse que a única forma de combater a corrupção é com honestidade. Ele criticou por várias vezes a gestão Geraldo Alckmin (PSDB), alvo principal também das críticas de Padilha. — Só existe um jeito de combater a corrupção (…) No tempo deles (tucanos no governo federal), a corrupção não aparecia porque eles colocavam debaixo do tapete. Para nós, aparece. Quem não quiser ter problemas, que aja com honestidade — disse o ex-presidente à militância. Lula ainda criticou “setores conservadores no estado”, os quais, segundo ele, “fazem certo terrorismo” em relação a uma suposta hegemonia do PT, caso o partido reeleja Dilma Rousseff e eleja Alexandre Padilha no estado. Ele lembrou que os críticos também se referem à prefeitura de São Paulo, hoje comandada pelo petista Fernando Haddad. — Nós estamos disputando uma eleição um pouco complicada. Os setores conservadores deste estado estão com medo porque o PT governa o Brasil, o PT governa a capital de São Paulo, e eles estão pregando um certo terrorismo dizendo que não se pode permitir que o PT governe o Brasil, a capital e o estado de São Paulo. Sobre Alckmin, o ex-presidente disse ser o governador paulista “um tucano que tem voo muito baixo”, e acrescentou que ele “não cuida de garantir água para o povo de São Paulo”. Nesse momento, em tom de brincadeira, pegou um copo d’água na mesa onde ocorria a plenária da caravana. Sem citar a CPI para apurar a cobrança de pedágio nas estradas paulistas, alvo de uma comissão na Assembleia Legislativa instaurada esta semana após pedido do PT, Lula falou: — A única coisa eficaz (no estado) é a cobrança de pedágio. Criticando a falta de apoio da imprensa ao PT, Lula conclamou a militância a trabalhar em pró da candidatura de Padilha a partir do evento da noite desta sexta-feira. O ex-presidente é o principal cabo eleitoral do ex-ministro da Saúde. Em discurso, Padilha criticou a visão do governo do estado em relação à região de Araçatuba. Para os tucanos, segundo o petista, o local é visto por Alckmin apenas como “depósito de presídios”. — O governador vê essa região aqui como se fosse um depósito de presídios. O que eles (tucanos) trazem para cá é presídio, presídio, presídio. Araçatuba é a cidade que mais gera emprego na região e no estado de São Paulo hoje.

(*) LEONARDO GUANDELINE (O GLOBO)

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RUMO À PAPUDA…

Destino selado

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O alto escalão do governo Dilma dá como certa a cassação do mandato do deputado André Vargas (PT-PR). Avalia que a questão é política e não jurídica. Um ministro diz que ele não deve ser preso por pegar carona no avião de um doleiro, mas que, em votação aberta, será condenado pelos seus pares. E pergunta: quantos deputados estarão dispostos a sacrificar suas reeleições por ele?*

(*) Blog do Ilimar Franco.

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“UM PARTIDO DIFERENTE”, É, PT?

O feitiço contra o feiticeiro

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Imagine-se o quadro atual às avessas: o escândalo da refinaria de Pasadena protagonizado pelo PSDB, com o PT na oposição. Alguém tem dúvida de que os petistas estariam mobilizando suas milícias país afora em prol de uma CPI; que estariam pedindo o impeachment do presidente da República?

As sucessivas campanhas eleitorais mostram que o PT se nutre do escândalo – não dos seus, mas dos alheios. Não havendo um, trata de inventá-lo. Para tanto, o partido montou uma usina de dossiês e a pôs para funcionar em todas as eleições da era da redemocratização. A usina, registre-se, continua na ativa.

Na eleição passada, violou o sigilo fiscal de José Serra e de sua filha, em busca de uma falcatrua. Não a encontrando, tratou de providenciá-la, sem se dar conta de que o efetivo escândalo era justamente a violação de dados sigilosos da Receita Federal.

Descobriu-se, na sequência, que os funcionários que executaram o crime eram militantes de carteirinha.

Nas eleições de 2006, houve o escândalo dos aloprados. Petistas próximos a Lula, incluindo um assessor direto do hoje ministro Aloizio Mercadante, que então disputava o governo de São Paulo, foram flagrados e presos com uma bolsa cheia de dinheiro – R$ 1 milhão e quebrados – para comprar um falso dossiê contra Serra, que também disputava o governo paulista.

Não deu certo, Serra foi eleito, a farsa desmascarada, mas o partido não se mostrou – jamais se mostra – constrangido diante de flagrantes. Faz como a adúltera de Nélson Rodrigues: nega tanto que chega a ter dúvidas sobre o delito que praticou.

Pode haver declaração mais hilária que a de José Dirceu, ao garantir, em relação ao Mensalão, que “estou cada vez mais convencido de minha inocência”? O deputado Vicentinho, do PT, acaba de ouvi-la, nos mesmos termos, de André Vargas. Não deixa de ser um interessante exercício de autoconvencimento: iludir-se antes de tentar iludir o público.

Faço esse preâmbulo para abordar a indignação do PT em relação à CPI da Petrobras. O partido acha um absurdo que, em época de eleição, se explore um tema em si mesmo escandaloso.

Não seria ético, dizem os petistas, fazê-lo e colher dividendos eleitorais. Deixemos de lado o cretinismo da contradição – típica situação em que o feitiço vira contra o feiticeiro – e fiquemos no essencial: se o escândalo fosse fabricado, a premissa seria exata. Não o sendo, como não o é, o escândalo é ignorá-lo, como se as eleições representassem uma trégua penal.

Mais estranho, porém, é constatar que, por mais absurdo, tal argumento encontra ressonância nos adversários. O ex-presidente Fernando Henrique, por exemplo, deve ter algum complexo de culpa em relação ao PT. É tratado a coices e pontapés, mas sempre socorre o partido nas suas emergências.

Opôs-se ao impeachment de Lula ao tempo do Mensalão, lamentou a prisão de José Dirceu e, agora, condena a CPI da Petrobrás, fazendo eco a José Serra, outro que é saco de pancadas do PT e tem pruridos em retribuir.

FHC parece não se lembrar de que sua falecida esposa, dona Ruth Cardoso, foi alvo de um falso dossiê, produzido na Casa Civil da Presidência, à época chefiada pela hoje presidente Dilma Roussef. O PT, horas depois da transmissão da faixa presidencial a Lula, em 2003, passou a atribuir a FHC uma “herança maldita”, com que justificaria todos os erros e dificuldades de sua administração.

Ambos, Serra e FHC, parecem não perceber que, se dependesse do PT, estariam fora da política, eles e seu partido. A diferença entre PT e PSDB é esta: enquanto o primeiro leva a sério a máxima de Carl Von Clausewitz, de que “a guerra é a continuação da política por outros meios”, o segundo a considera um jogo de cavalheiros. O resultado aí está: as oportunidades escorrem pelos dedos dos tucanos, enquanto os petistas, quando não a têm, empenham-se em fabricá-las.

 

(*) Ruy Fabiano, jornalista, no blog do Noblat.

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