E VIVA O BANANÃO!

Hotel da Sucessão

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Só quem conhece a história da TV brasileira recorda deste programa de sucesso de 1955, na época da eleição que levou Juscelino Kubitschek ao poder. No hotel se hospedavam os personagens da campanha. Lá circulava não muito discretamente um objeto misterioso que convencia os políticos a mudar de opinião.

Pois agora, a um ano da eleição, 58 anos depois, outro hotel entra em cena. O ex-ministro José Dirceu pediu ao Supremo que o autorize,como presidiário em regime semiaberto, a trabalhar durante o dia na gerência do Hotel St. Peter, em Brasília. José Dirceu, trabalhando em hotel, sem qualquer experiência no ramo?

Depende do ramo. O proprietário do Hotel St. Peter é Paulo Abreu, empresário de comunicações, de tradicional família de políticos (como os ex-deputados Dorival de Abreu e José de Abreu). É dele a Rede Mundial, que engloba uma série de emissoras de rádio em São Paulo, Supertupi AM e FM, Kiss FM, Scalla FM, Apollo FM, Terra AM e FM, Atual, com ótima audiência. Mas seu sonho é maior: ressuscitar a TV Excelsior, que já foi a maior rede do país sob o comando de Mário Wallace Simonsen, e destruída pelo regime militar. Paulo Abreu, ao longo dos anos, obteve os direitos da TV Excelsior; e não encontra resistência no Ministério das Comunicações. Só falta um decreto presidencial, que elimine eventuais pendências da velha Excelsior com o Governo Federal e lhe deixe o caminho livre.

Como dizia José Dirceu, quando ele dava um telefonema “era um telefonema!” Prestar-lhe um favor, tê-lo ao lado todos os dias – que mal faz?

 

Os mais iguais

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O artigo 231 do Estatuto do PT determina a expulsão de petistas condenados “por crime infamante ou práticas administrativas ilícitas, com sentença transitada em julgado”. Nenhum dos condenados com trânsito em julgado no processo do Mensalão foi expulso, ou teve o processo de expulsão iniciado.

O decreto 4.207/02 determina a cassação de medalhas oficiais de condenados com trânsito em julgado. José Dirceu tem a Medalha da Ordem do Mérito Militar; José Genoíno, a Medalha do Pacificador; Roberto Jefferson, a Medalha do Pacificador e a Ordem do Mérito Militar; Valdemar Costa Neto, a Medalha do Pacificador. A Medalha do Pacificador deve ser cassada por ato do comandante do Exército, general Enzo Peri; cabe ainda a ele notificar o Conselho da Ordem do Mérito Militar da situação dos condenados. Mas até agora ninguém se moveu, muito menos ele: essa história de obedecer às normas é para os menos iguais.

 

Economizar, jamais

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A coluna Diário do Poder (www.diariodopoder.com.br), de Cláudio Humberto, faz uma comparação impressionante entre Brasil e Estados Unidos. O Palácio do Planalto, sede do Governo brasileiro, tem 4.600 funcionários; a Casa Branca, sede do Governo americano, tem 460 funcionários. O presidente americano mora e trabalha na Casa Branca. O presidente brasileiro trabalha no Palácio do Planalto, mora no Palácio da Alvorada e dispõe da Granja do Torto; tem também à disposição o Palácio Rio Negro, em Petrópolis.

E a mania de palácios à vontade não é exclusiva dos presidentes, seja qual for seu partido: o governador de São Paulo mora e trabalha no Palácio dos Bandeirantes, tem um palácio no Horto Florestal, em São Paulo, tem outro palácio em Campos do Jordão. Para que? Para nada.

 

The British way

O primeiro-ministro britânico mora e trabalha numa casa em Downing Street, 10. A casa foi um presente do rei George 2º a seu principal ministro, Robert Walpole, por bons serviços prestados. Walpole aceitou o presente, desde que não fosse algo pessoal: a casa seria utilizada por quem quer que ocupasse o cargo.

 

Tudo numa boa

As denúncias sobre fraude em São Paulo no pagamento do Imposto sobre Serviços, ISS, são pesadas. As empresas que pagaram propina dizem ter sido chantageadas, mas os denunciantes afirmam que o pessoal da construção civil era o primeiro a saber quem iria chefiar a fiscalização da Prefeitura e que as empresas procuravam os fiscais para combinar o desconto nos impostos e o valor do suborno.

OK, não é caso de condenar antes de julgar; mas não dá para ficar por isso mesmo por anos a fio. Por que não foi solicitada ainda a quebra do sigilo bancário e fiscal das empresas denunciadas? Aquela lei que pune empresas corruptoras, afastando-as de negócios com o poder público, por onde anda?

 

Crivella na briga

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O ministro e senador Marcello Crivella acha que chegou sua hora: está pronto para disputar o Governo do Rio, na sucessão de Sérgio Cabral, enfrentando nomes como o senador Lindbergh Farias, o vice Pezão, os ex-governadores Anthony Garotinho e César Maia. A legenda de Crivella é o PRB, ligado à Igreja Universal. Ele se atribui grande poder político: segundo disse em entrevista a O Dia, foi quem convenceu o atual governador fluminense Sérgio Cabral a deixar a oposição e aliar-se ao Governo petista.

Afirma Crivella que Cabral, disputando o segundo turno no Rio contra a juíza Denise Frossard, inclinava-se a apoiar a candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência, contra Lula, mas cedeu a seus argumentos: Crivella só lhe daria apoio se largasse Alckmin e ficasse com Lula. *

 

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet.

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Blue Skies

Dani

“Seu disco soa um tom- ou vários- abaixo dos sons ensurdecedores deste Brasil instaurado, onde qualquer tentativa de reflexão é taxada de “baixo-astral”, qualquer intimismo é considerado “depressivo”. Um artista sempre é termômetro de seu tempo, e o disco da Marina revela com perfeição a face oculta de um país que não está tendo voz – essa voz das pessoas mais ou menos como a gente, um pouco acima da miséria, chegando à meia – idade, essa voz meio cansada, desiludida e muito assustada. Por trás das dores, sem medo de ser séria, a comovedora serenidade da “jovem senhora de passagem” pede que não tentem fazê-la feliz – ela aprendeu que o amor é bom, mas também dói demais sentir”. Recolhendo em minha casa alguns velhos jornais arquivados, encontro um recorte bastante envelhecido e amarelado extraído da Folha de São Paulo de 1994. Nada mais nada menos que Caio Fernando Abreu, que em cinco parágrafos precisos e incisivos traça o panorama do Brasil sonoro “histérico” que despontava em meados da década de noventa. Mais de uma década se passou e fico pensando que este texto poderia plenamente ser assinado hoje, se Caio ainda estivesse vivo entre nós. Num universo de “voices” proclamado pela mídia, toca-me uma saudade de vozes despretensiosas, se me faço entender, mais suaves, e que não tenham tanto comprometimento com virtuosismos e performances. Saudade de Nara Leão, viva Rosa Passos, saudade viva de Marina Lima. A cantora que durante a década de oitenta e início de noventa foi a elegante musa do Rio de Janeiro ensolarado Ipanema-Gávea-Leblon, envelheceu e não desfila mais seu corpo dourado e belamente definido pelas praias, e nem solta mais sua voz pelas rádios. Hoje, ainda mais que ontem, gosto intensamente da elegância minimalista de Marina. Em meio a performances expressionistas à la Ivete Sangalo, Daniela Mercury e Ana Carolina, contraponho meus ouvidos saturados de excessos à beleza do canto rouco de Marina. Como me acolhe, instiga e colore de poesia ouvir Marina cantando os versos de seu irmão, o parceiro, poeta e filósofo Antônio Cícero : “Eu tenho febre eu sei/É um fogo leve que eu peguei/Do mar ou de amar, não sei/Deve ser da idade”. “O solo da paixão não dura mais que um dia/O suco, a polpa, o frêmito, a gota/Colherei esse dia na hora antes de acordar”. Ouço Marina cantando e sinto saudade de certo ar de graça, leveza e sensualidade sugerida, que jamais perde seu prumo sofisticado e delicado. Ouço Marina cantando e penso que a canção para ser bela não precisa ser interpretada aos gritos, que a voz em entoações sutis e suaves, é capaz de elaborar uma alquimia perfeita com a desenvoltura dos acordes. Ouço Marina cantando e sinto que o amor e a dor podem ser interpretados, até mesmo rimados, por meio de uma beleza insinuante e não desgastante. Ouço Marina. Percorrendo a discografia de Marina, vejo o quão é acentuada a sua preocupação em imprimir em seus trabalhos um apuro estético-sonoro que ultrapassa significativamente o rótulo de roqueira. Marina gravou e compôs roques, mas sempre com uma concepção sonora requintada, que traz influências da música popular brasileira mais ortodoxa, da bossa nova e do jazz. É única, forte-frágil sua leitura de “Solidão”, de Dolores Duran: “Eu quero qualquer coisa verdadeira/Um amor, uma saudade/uma lágrima, um amigo/Ai, a solidão vai acabar comigo”.  A acidez de roqueira impressa no entoar dos primeiros versos se funde com uma delicadeza softy num derramamento tocante, mas sem excessos. Há um frescor aparentemente tão sincero e espontaneamente lírico, aliado a um despudor erótico sem medos ou máculas, que faz de Marina um ser meio Sui Generis hoje em dia: “A melhor música é a cerebral. Mas não estou isentando a emoção dela. Os grandes matemáticos, quando criaram suas equações, devem ter tomado um porre durante uma semana. A música é calculada, com emoção e razão juntas. Não acredito em espontaneidade na arte. Não me interesso por isso. O meu caminho quem faz sou eu. Se vou ser mais popular ou menos, é outra questão”. Despontam filigranas de belezas no cantar de Marina, grávida de vida essa menina-mulher comunga com luzes e trevas, objetos e desejos: “Eu tô grávida/Grávida de um beija-flor/Grávida de terra/De um liquidificador/E vou parir/Um terremoto, uma bomba, uma cor/Uma locomotiva a vapor/um corredor”. A energia acalorada abundante em canções mais ensolaradas como “Uma noite e meia” e “À francesa”, alterna sua força com um estremecimento “tamático”, com mais cara de inverno, cuja introspecção sofrida nas letras machuca aqueles que andam descompatibilizados com a vida. Marina tenta talvez oferecer um abrigo aos corações desabrigados, como em sua tocante interpretação de “Carente profissional”, composição de Cazuza e Frejat: “Tudo azul/No céu desbotado/E a alma lavada/Sem ter onde secar/Eu corro, eu berro/Nem dopante me dopa/A vida me endoida/ Eu mereço um lugar ao sol/Mereço ganhar pra ser/Carente profissional”. Gosto especialmente quando Marina brinca com texturas sonoras, experimenta sutilezas de acordes com jogadas mais contundentes de naipes de sopros, que trazem sua influência reelaborada do jazz, como em “Stromboli”: “Sou uma artista solo, e criava bandas para poder mostrar meu trabalho. A parafernália eletrônica me facilitou muito na composição dos arranjos. Eu me sinto meio cientista, gosto de experimentar coisas novas. E também, como João Cabral de Melo Neto, tenho a contenção como uma meta”. Marina é cosmopolita por essência, e não perde seu tempero nacional ao dialogar constantemente com músicos internacionais. Que espetáculo o desempenho do contrabaixo de Bruce Henry em diálogo com a levada cool da bateria de Cesinha, na execução da base para a entrada de sua voz que canta: “O mundo se divide/Nos bons e nos maus/E nos dez mais elegantes/Nos livros da estante/E ela dançando/À beira do abismo/E ela dançando/ À beira do vulcão”. Prevalece uma espécie de dor contida que subjaz e seduz, ternura azulada e dolorosamente pulsante de muitos céus que se anunciam em efêmeras promessas: “Blue skies/Smiling at me/Nothing but blue skies/Do I see /Bluebirds/Singing a song/Nothing but/Bluebirds/All Day long”. Nas palavras de seu irmão Cícero: “O todo, a arte de Marina, funciona como um espelho mágico, que nos devolve não a imagem da nossa realidade física ou psicológica, mas a força de sentimentos maravilhosos e obscuros, e de promessas de felicidade há muito dormentes em nosso coração”. Ouço Marina, que abre sutil e gravemente feridas com gotas de sangue misturadas a fluxos de luz. Uma fincada de veneno adocicado que deixa escorrer pétalas de rosas: “Veneno essa vida tão pouca e pequena/ Esses lábios tem todo o veneno/Que você ama e quer”. Marina Lima embala minha noite de sábado com seu gosto agridoce de veneno cor de rosa.

(*) Daniela Aragão, mineira de Juiz de Fora, é cantora e Doutora em Literatura pela PUC-RJ

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…TÁ FALTANDO UM

Dirceu pressionou Lula a defender petistas presos

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Preso em uma cela de seis metros quadrados, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu criticou Luiz Inácio Lula da Silva pela forma como ele administrou até agora a crise do mensalão. A insatisfação com o ex-presidente foi manifestada por Dirceu a pelo menos três amigos que o visitaram, nos últimos dias, no Complexo Penitenciário da Papuda. Irritado com o silêncio do Planalto, Dirceu perguntou: “E o Lula não vai falar nada?”. Era a senha para a urgência de um pronunciamento, que deveria ser feito o quanto antes, no diagnóstico do ex-ministro, sob pena de grande abalo na imagem do PT, com potencial de interferir na campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição. Três dias depois de receber o recado, Lula fez o mais veemente discurso desde que os petistas foram condenados. Sugeriu, na quinta-feira passada, que o rigor da lei só vale para o PT e dirigiu ataques ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. Em meio a protestos contra as “arbitrariedades” na execução das sentenças, Lula e dirigentes petistas também decidiram promover um desagravo a Dirceu, ao ex-presidente do PT José Genoino e ao ex-tesoureiro Delúbio Soares na abertura do 5.º Congresso da sigla, de 12 a 14 de dezembro, em Brasília. A contrariedade de Dirceu com Lula, porém, não vem de hoje. Interlocutores do ex-ministro contaram ao Estado que ele sempre reprovou a forma “conciliatória” como o então presidente conduziu o caso desde que o escândalo estourou, em junho de 2005. Em conversas mantidas no cárcere, Dirceu tem dito que Lula errou ao não fazer o “enfrentamento” necessário para não deixar a denúncia de corrupção virar uma espada permanente sobre o PT e o governo. Para Genoino, os réus do PT não têm escapatória, mesmo se conseguirem reduzir suas penas, pois perderam a batalha da comunicação. “Estamos marcados como gado”, resumiu ele a um amigo. Na avaliação de Dirceu, Lula deixou a CPI dos Correios prosperar, em 2005, quando ainda teria condições de barrá-la. Por esse raciocínio, ao não politizar a denúncia da compra de votos no Congresso, Lula abriu caminho para a “criminalização” do PT. O partido até hoje insiste que nunca corrompeu deputados em troca de apoio e só admite a prática do caixa dois.

Nomeação

Arquiteto da campanha que levou o PT ao Palácio do Planalto em 2003, Dirceu revelou que Lula chegou a consultá-lo sobre a nomeação de Luiz Fux para ministro do Supremo. “Se você está dizendo que sim, quem sou eu para dizer que não?”, disse Dirceu, segundo relato de amigos, antes de ser procurado por Fux, que pediu sua ajuda para conquistar o cargo. Fux acabou nomeado em 2011 por Dilma. Petistas juram que ele prometeu “matar no peito” a acusação, em sinal de que absolveria os réus. Quando saiu o voto pela condenação, o espanto no governo e no PT foi generalizado. Num café da manhã com Dirceu, em novembro de 2010, Lula prometeu a ele que, quando estivesse fora do Planalto, desmontaria a “farsa do mensalão”. A promessa não foi cumprida sob a alegação de que era preciso blindar o primeiro ano do governo Dilma. Depois vieram as disputas municipais de 2012 e agora o ano é pré-eleitoral. Para o líder da bancada petista no Senado, Wellington Dias (PI), o PT não soube construir uma narrativa para reagir à ofensiva da oposição e da mídia. “Sob intenso cerco político, nós acabamos permitindo que as versões da compra de votos florescessem”, avaliou Dias. A estratégia do governo e do PT, agora, é usar o escudo da “legalidade” e o discurso de que há “dois pesos e duas medidas” na Justiça para impedir que o mensalão contamine a campanha de Dilma em 2014. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.*

(*) Vera Rosa e Wilson Tosta | Agência Estado

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E NO PAÍS DA PIADA PRONTA…

O exército fantasma do comandante Dirceu foi

dizimado sem ter entrado em combate

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Em agosto de 2005, despejado da chefia da Casa Civil pela descoberta da grande roubalheira, José Dirceu resolveu assumir ostensivamente o comando do colosso paramilitar aquartelado na imaginação sempre fértil do guerrilheiro de festim diplomado em Cuba. “Vou percorrer o país para mobilizar militantes do PT, dos sindicatos e dos movimentos sociais”, ameaçou o ainda deputado federal num encontro da companheirada em São Paulo. “Temos de defender o governo de esquerda do presidente Lula do golpe branco tramado pela elite e por conservadores do PSDB e do PFL”.

Um ataque de tropas lideradas por José Dirceu só consegue matar de rir, registrou o post que desmontou a dupla tapeação: o que o orador pretendia defender com a entrada em ação do exército fantasma era o próprio mandato parlamentar. O comandante sem comandados passou as semanas seguintes mendigando votos até entre os contínuos da Câmara, amargou a cassação em dezembro e caiu fora do Congresso chamando o porteiro de “Vossa Excelência”. Encerrada a ofensiva inaugural que não houve, as tropas invisíveis a olho nu foram recolhidas ao acampamento imaginário.

Ali ficaram até agosto de 2012, quando o chefe do esquema criminoso decidiu intimidar o Supremo Tribunal Federal às vésperas do início do julgamento do mensalão. “Todos sabem que este julgamento é uma batalha política”, reincidiu o general da banda podre no congresso nacional de uma certa União da Juventude Socialista. “Essa batalha deve ser travada nas ruas também, porque senão a gente só vai ouvir uma voz, a voz pedindo a condenação, mesmo sem provas. É a voz do monopólio da mídia. Eu preciso do apoio de vocês”.

Os ministros que tratassem de inocentar os culpados, advertiu. Caso ousassem enxergar a montanha de provas e evidências que incriminavam o declarante e seus comparsas, o comandante não hesitaria em sublevar a imensidão de “companheiros das forças progressistas e dos movimentos populares”.

Qualquer torcida organizada de time de futebol tem mais militantes que o PT, replicou a coluna em outro post. Assembleias organizadas por sindicalistas pelegos são menos concorridas que reunião de condomínio. Sem duplas sertanejas, cerveja, tubaína e mortadela, as celebrações do Dia do Trabalho juntariam menos gente que quermesse de lugarejo. Todos os movimentos sociais morreriam de inanição uma semana depois de suprimida a mesada federal. O palavrório beligerante, portanto, era só mais um blefe do jogador falastrão. E se o STF resolvesse pagar para ver?

Foi o que fez o ministro Joaquim Barbosa. E então o embuste virou cinza, feito vampiro de filme B confrontado com um crucifixo. Dirceu estava entrincheirado no sítio em Vinhedo quando foi condenado à prisão. Estava de sunga branca numa praia da Bahia quando soube que seria obrigado a bronzear-se no pátio da cadeia. Para livrar-se da traseira do camburão, entregou-se espontaneamente à Polícia Federal. Mas nenhum canastrão de nascença resiste à tentação do patético. E Dirceu achou uma boa ideia posar para as câmeras com o punho esquerdo cerrado apontando para o céu.

Excitados pelo gesto do comandante, enfim deram as caras nas ruas os combatentes dispostos a matar ou morrer pelo guerreiro do povo brasileiro. Como atesta a imagem abaixo, cabem numa foto. Pelo que se vê, não amedrontam nem um pelotão de escoteiros aprendizes. Seriam neutralizados em poucos minutos por qualquer pelotão que agrupasse um oficial psiquiatra e meia dúzia de enfermeiros armados de tranquilizantes e camisas-de-força.

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(*) Blog do Augusto Nunes

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ASSUNTOS PARA MEDITAÇÃO

000- a coluna do Joauca - 500

1. Um étimo para meditarmos — Alguns dicionários etimológicos de boa aceitação atribuem ao nome “canguru” o sentido primitivo de “Não te entendo” , como o de José Pedro Machado (Dicionário etimológico da  língua portuguesa. 2.ed. Lisboa, Confluência,1967) que, no verbete próprio, transcreve a história que Shipley inseriu em seu Dictionary of Word Origins: o capitão Cook, quando pisou o solo australiano em 1770, em Queensland, ao ver um canguru, perguntou a um nativo que bicho era aquele. O nativo teria dito “canguru”, que significaria “Não te entendo”, em sua língua, mas o capitão achou que a resposta do nativo era o nome do animal.

T.F.Hoad (The concise Oxford Dictionary of english etymology. Oxford: Clarendon Press, 1986, s.v. kangaroo) não se compromete:  diz, embora citando o nome do capitão James Cook,  que a origem numa língua nativa australiana do nome canguru é defendida por alguns autores e negada por outros,

Corominas, que não conta essa história do capitão James Cook, no seu  Diccionario crítico etimológico de la lengua castellana (Madrid: Gredos, 1976, s.v. Canguro) informa que “canguru” significa “quadrúpede em geral”.

Millôr Fernandes, em sua coluna do Jornal do Brasil de 30 de janeiro de 1992, primeiro caderno, p. 11, contradiz essa história (em sua versão, “canguru” teria o significado de “eu não sei”, na língua dos nativos). Transcrevo: “…o maior lexicógrafo moderno da língua inglesa, Eric Partridge (Origins. Routledge, London, 9730 pgs.), nem toma conhecimento dessa versão. Eric, pesquisador lexicográfico genial (suas pesquisas são de tirar o fôlego de quem lê), diz apenas: ‘Kangaroo; palavra composta do verbo aborígene australiano Kanga, saltar ou pular, com o sufixo rro (possivelmente vindo de uma palavra completa, perdida) significando ‘quadrúpede ou animal’.”

Se a história do capitão Cook fosse verdadeira, caberia pelo menos uma pergunta: Se ninguém sabe nem mesmo que língua nativa australiana é essa, já que ninguém lhe dá nome, como saber que “canguru” significa “Eu não sei” ou “Não te entendo”?

2 -Uma frase para meditarmos: “No mundo tudo é como é, e acontece como acontece. Nele não há valor; e, se houvesse, o valor não teria valor.” Não sei o que essa frase significa, mas deve ser bem profunda, porque é de autoria do filósofo Wittgenstein.

3.Um fato para meditarmos – A espada de El Cid se chamava Colada; a de Roland (Orlando), Durindana (isto é, “a inflexível”); a do rei Arthur, Excalibur  (“libertada da pedra”). Mas fantástica é a espada Tizona (“sangradeira”), do rei Bucaro que ninguém sabe de que reino era nem que tenha existido.

4. Um mito para meditarmos — Os três reis magos que foram adorar Jesus recém-nascido não eram reis, mas sacerdotes persas, e talvez sejam apenas uma bela metáfora para os três continentes ou para as três raças humanas: Gaspar (a Ásia, a raça amarela), Melquior (a Europa, a raça branca) e Baltazar (a África, a raça negra).

5. Uma palavra para meditarmos – Gustavo Barroso, em Através dos folk-lores (São Paulo: Melhoramentos, 1927), usa uma palavra inexistente nos dicionários de língua: epostracismo (p. 80 e ss.), para designar a “tainha”, isto é, a brincadeira que consiste em jogar uma pedrinha à água pra fazê-la ricochetear na superfície o maior número de vezes possível. Curiosamente, Gustavo Barroso informa, nesse livro, na p. 8, que as histórias das Mil e uma noites vieram da Índia. Será?

6. Um pensamento para meditarmos – Perdão não é uma perda grande, mas, como recomendava Heinrich Heine, “deve-se perdoar aos inimigos – mas só depois de enforcados.”

7. Versos para meditarmos – Augusto dos Anjos escreveu: “Morte, ponto final da última cena,/ Forma difusa da matéria imbele…”  (poema “As cismas do destino”). Não sei bem o que ele quis dizer com isso, mas é bonito…

8. Uma definição para meditarmos: “Saudade quase se explica / nesta trova que te dou: / Saudade é a falta que fica / daquilo que não ficou… (Luiz Otávio)

9. Um haicai para meditarmos: Eis um poeta da gema: / O vento que agita as ramas / Segreda um longo poema. (JAC)

 

(José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011)

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BRAZIL…ZIL…ZIL…

As ordens desordenadas

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As sentenças do Mensalão estão sendo executadas, como manda a lei; o julgamento foi legal e democrático, na forma da lei. Mas há certos detalhes que incomodam quem acredita que a lei não deve se prestar a excessos nem abusos.

1 – Os condenados foram recolhidos pela Polícia Federal em São Paulo e Belo Horizonte e levados a Brasília. Sabendo-se que o normal é que os presos cumpram pena perto de suas famílias, por que tirá-los de São Paulo e Minas e levá-los a Brasília, apenas para depois trazê-los de volta? É caro. Além do avião, mobilizam-se agentes que poderiam fazer outras coisas. No mínimo, desnecessário.

2 – A pressa. OK, é simbólico determinar a prisão de gente poderosa no Dia da Proclamação da República. Mas este simbolismo não está na lei. E, para que existisse, os presos foram enviados à prisão sem especificação do regime, nem a reserva de acomodações para o regime semiaberto. No mínimo, desnecessário.

3 – O show. Prisão não é espetáculo; a privação de liberdade, por mais justa, correta, legal e necessária que seja, é sempre uma tragédia. Divulgar os horários, para que televisassem o avião na pista? Há quem diga que é pedagógico mostrar que a pena está sendo cumprida. É a mesma justificativa cruel usada por Governos que promovem execuções em praça pública. No mínimo, desnecessário.

4 – José Genoíno e Roberto Jefferson submetem-se a delicados tratamentos de saúde, e isso é fato público. Tratá-los como se não tivessem problemas e esperar que seus advogados informem o fato oficialmente é, no mínimo, desnecessário.

A volúpia da masmorra

00rs1119b1 - histórias do cárcere

A condenação e a prisão de uma pessoa lhe impõem a privação de liberdade. Mas, para parte da opinião pública, isso é insuficiente: é preciso tripudiar. É a história dos banhos frios, das privadas turcas: em que isso contribui para qualquer objetivo legítimo? Prisão não é masmorra, ou não deveria ser. E há coisas inaceitáveis: por exemplo, a prisioneira Kátia Rabelo não pode sequer tomar sol sem ser escrachada por câmeras de TV?

Alguém deu o horário certo. Para que?

 

Em boca própria

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Reclamar da condenação faz parte do jogo: grande parte dos condenados sempre se diz inocente, sejam quais forem as provas contra eles. Mas Genoíno e Dirceu se considerarem presos políticos é meio muito: não foram punidos pelo que pensam nem por sua posição política, e o Governo está há mais de dez anos em mãos de seu partido. Mas que eles assim o digam, vá lá.

Duro é ouvir de jornalistas a comparação entre a prisão de Genoíno e o caso Herzog. Pior é ver que Delúbio Soares se intitula “ambientalista e preso político”. Ambientalista! Pois é.

 

O Mensalão do outro lado

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Um dos grandes motivos das reclamações dos partidários dos condenados está sendo afastado: o Mensalão mineiro, berço que gerou o Mensalão nacional, deve ser julgado pelo Supremo no primeiro semestre do próximo ano, segundo o relator Luís Roberto Barroso. O Mensalão mineiro envolveu o desvio de dinheiro público para a campanha de reeleição do governador Eduardo Azeredo, do PSDB, em 1988 (Azeredo perdeu para Itamar Franco). Azeredo foi presidente nacional do PSDB e hoje é deputado federal. E quem, além dele, está citado no caso? Marcos Valério, claro; seus sócios; o Banco Rural, de novo; Clésio Andrade, da Confederação Nacional de Transportes, candidato a vice de Azeredo; Walfrido dos Mares Guia, que era vice-governador e secretário de Azeredo. Mares Guia saiu do processo por ter completado 70 anos. Extinção de punibilidade.

 

Outro lado?

NaniDirceuElba

O PT pede (com justiça) o julgamento do Mensalão mineiro. Mas, como ensinavam os antigos gregos, os deuses, quando querem destruir um homem, atendem a seus desejos. Azeredo ainda é tucano. Marcos Valério, seus sócios e o pessoal do Banco Rural mudaram de lado e já foram condenados no Mensalão; Clésio Andrade mudou de lado e hoje é lulista desde criancinha. Mares Guia também tinha mudado de lado, mas não terá problemas.

Além de Azeredo, o Mensalão mineiro deve atingir os mesmos do Mensalão propriamente dito.

 

La dolce vita

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A filha de Walfrido dos Mares Guia, Erika, dona de uma loja de roupas finas em São Paulo, casou-se na semana passada em Punta del Este, com show de Dionne Warwick.

Diz a imprensa uruguaia que a cerimônia custou US$ 3 milhões.

 

Eleição? Nada a ver

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A grande pergunta: em que o caso do Mensalão influenciará as próximas eleições presidenciais? A resposta é simples: dificilmente terá alguma influência. Há muitos anos os partidos sabem que denúncias de corrupção não afetam resultados eleitorais. Neste caso, menos ainda: faltando quase um ano para a eleição, há tempo suficiente para diluir a memória do caso. Com todas as acusações que sofreram, Jader Barbalho, Joaquim Roriz, Paulo Maluf, José Roberto Arruda sempre se elegeram com facilidade (Jader, Maluf e Arruda foram presos, fotografados na prisão e isso não se refletiu nas urnas).

A última pesquisa do Ibope, a propósito, indica que, no tumulto das condenações do Mensalão, a presidente Dilma cresceu e, hoje, venceria no primeiro turno qualquer de seus adversários.*

 

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet.

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O MENINO É PAI DO HOMEM

000- a coluna do Joauca - 500

Uma frase de Machado de Assis, que serviu de título a um capítulo de um de seus romances, acho que Memórias Póstumas de Brás Cubas, elimina, a meu ver, a responsabilidade do ser humano pelos seus atos e o livra de todos os pecados: “O menino é  pai do homem”.

Não me lembro do conteúdo desse capítulo. Citei o título de memória. Mas, analisando a frase em si, isolada do romance, imagino que, por essa ideia, se uma tara é genética, não cabe ao tarado a culpa de seus malfeitos; se a má índole é adquirida, é no meio ambiente, na família ou na desagregação social que se deve pôr a culpa. A frase de Machado de Assis significa, salvo melhor juízo,  que o que se faz a uma criança hoje se reflete depois no adulto que ela se tornará. O que o menino suporta, enfrenta ou recebe hoje é que vai decidir o caráter do adulto.

Se isso é verdade, então não existe o pecado, não existe responsabilidade, não existe o livre-arbítrio. Presume-se a incompetência ou a impossibilidade do indivíduo em vencer as forças negativas, em superar seus traumas ou em decidir seu próprio destino.

O livre-arbítrio não existe, certamente, para quem crê num deus. Como o destino de uma pessoa está previamente traçado ou já é inteiramente conhecido por esse deus, não importa o esforço que ele faça para melhorar. O que quer que ele pretenda fazer já está previamente decidido por esse deus, se for um deus onisciente… Em outras palavras, que chances teria Pedro de não negar a Cristo por três vezes, antes que o galo cantasse, se o próprio Cristo previra essa traição dele? Cristo teria sido charlatão ou mentiroso, se a profecia dele não se tivesse realizado. O mesmo se diga da traição de Judas, já prevista também. Como poderia um homem fugir do destino ingrato que lhe estava reservado, independentemente de sua vontade? O papel de Judas era necessário aos desígnios da divindade. Para que se realizassem as profecias, para que Jesus morresse pelos homens, Judas teria de fazer o que fez, ainda que não quisesse, ainda que pudesse negar-se a fazer um papel que a humanidade condenaria como traição,  mas que a humanidade deveria agradecer por ter sido seu beijo pretensamente traidor a base  de uma Igreja ou o fundamento de uma religião. Judas não traiu ninguém. Judas foi a chave que abriu uma porta e nem sequer tinha consciência da grandeza de seu papel.

Mas eu creio no livre-arbítrio, porque não acredito em divindades. Creio na responsabilidade do homem pelos seus atos e no seu poder de escolher seus próprios caminhos.

Se Machado de Assis tivesse razão, não teria sido um escritor, mas um revoltado contra a humanidade, por ter ficado órfão cedo, por ter sido pobre, ou por ter sido descendente de escravos.

Machado de Assis enganou-se. O menino que fui não é o pai do homem que sou. Afinal, não tenho nenhuma divindade a espionar o que faço entre quatro paredes ou a decidir o destino de que  sou o único dono e responsável. Eu é que decido o que faço e escolho meus próprios caminhos. Deus, segundo a Bíblia, fez o mundo em seis dias. Como ninguém é de ferro, resolveu descansar no sétimo dia. E nunca mais fez nada, a não ser traçar o destino dos que nele creem. E acabar com o livre-arbítrio.

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de
uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do
ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011.

 

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POBRE BRASIL…

NÃO SOBRA NINGUÉM…

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“A corrupção não tem partidos e é um mal em si. Nestes poucos meses, explodiram escândalos em um ministério, em um importante estado e em uma importante prefeitura”.*

(*) Luís Roberto Barroso, Ministro do STF

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FALA, PODEROSO CHEFÃO, FALA

‘Quero falar algumas coisas’ sobre o mensalão, diz Lula

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Em meio às discussões no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a possibilidade de prisão imediata dos condenados no mensalão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (13) que pretende “falar algumas coisas” sobre o que é considerado o maior escândalo de corrupção de seu governo, mas que só o fará após o final do julgamento.

“Tenho dito para todo mundo: eu, quando terminar toda a votação sobre o mensalão, aí eu quero falar algumas coisas que eu penso a respeito disso”, disse Lula, que conversou com a imprensa após um encontro com militantes do PT em Campo Grande.

Questionado sobre a possibilidade de prisão dos condenados, Lula disse “não ter autoridade para fazer qualquer julgamento sobre qualquer decisão de uma Corte suprema”.

“Ou seja, na hora que ela tomar a decisão, está tomada a decisão. Eu obedecia como presidente, acatava, acato como cidadão brasileiro”, completou.

Sobre o desejo de expressar suas avaliações sobre o caso, Lula disse que não o fará antes do final do julgamento “pelo fato de ter sido ex-presidente e ter indicado vários ministros que estão lá [no STF]”.*

(*) Folha de SP

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O FUTURO CHEGOU: FUJAM!

As portas do futuro

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O PT elegeu sua nova, e reformulada, direção. Nomes controvertidos ficaram de fora. José Dirceu, por exemplo. Mas seu filho, Zeca Dirceu, está no comando, ao lado de Mônica Valente, esposa de Delúbio Soares. Nomes consagrados perderam a disputa. A deputada, ex-senadora e ex-ministra Benedita da Silva, por exemplo, mesmo com apoio de Lula e José Dirceu, não alcançou a presidência do PT fluminense. Quem ganhou foi Washington Quaquá, prefeito de Maricá. Grande personagem, o Quaquá: nomeou 132 funcionários sem concurso, todos petistas, muitos vivendo em outros Estados. Deu R$ 3 milhões à Escola de Samba Grande Rio para que o desfile homenageasse Maricá (e pode oferecer mais um milhão). Tantas fez o Quaquá que a Justiça o tornou inelegível por oito anos.

Os concorrentes do PT também se renovam, com vistas ao futuro. O PSB, de Eduardo Campos e Marina Silva, pensa numa chapa jovem para o Governo paulista, com Luíza Erundina, 78 anos, e Walter Feldman (quando Erundina foi prefeita de São Paulo, Feldman foi um dos mais combativos vereadores da oposição). Atraiu o técnico de vôlei Radamés Lattari, o nadador Xuxa, e Magrão, goleiro do Sport Recife. O PTC convocou Joana Machado, ex-mulher do jogador Adriano, para se candidatar a deputada. O PSDB filiou o técnico de vôlei Bernardinho e quer lançá-lo para o Governo do Rio. O PMDB escolheu um ex-secretário da Segurança de São Paulo, Ferreira Pinto, para tentar a deputança.

Já o PR, de Valdemar Costa Neto, não se renovou. Vai de Tiririca, mesmo.*

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet

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