E NO PAÍS DA PIADA PRONTA…

O IBGE descobre o ‘aglomerado subnormal’ e

acaba com as favelas do Brasil Maravilha

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Primeiro, Lula criou o Fome Zero e acabou com os famintos que herdou de FHC, e todos os brasileiros passaram a saborear pelo menos três refeições por dia. Depois, Lula criou a nova classe média e acabou com a pobreza que herdou de FHC, e todos os pobres foram intimados a subir para a divisão superior sem que tivesse subido o salário.

Mais tarde, Dilma Rousseff criou o programa Brasil sem Miséria e acabou com os indigentes que Lula, decerto por distração, esquecera de incluir na classe média, e todos os miseráveis da nação aprenderam que podem viver muito bem com 3 reais por dia, e se não forem perdulários logo estarão viajando de avião ou embarcando no trem-bala.

Sem fome, sem pobreza, sem miséria, o que estaria faltando para que o Brasil Maravilha virasse uma Noruega com muita praia, carnaval, mulata, futebol e jabuticaba? Acabar com os milhões de nativos que se espremem em barracos pendurados nos morros, hasteados nos pântanos ou fincados na periferia das cidades, decidiu o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Depois da divulgação de um estudo que abrange a população que sobrevive nesses tumores urbanos, já não falta mais nada. Pelo que se lê no papelório, os alquimistas do IBGE decretaram que, a partir deste começo de novembro, o que parece uma favela é um “aglomerado subnormal”. Isso mesmo: “aglomerado subnormal” é a grande novidade apresentada nesta primavera pela novilíngua companheira.

Embora a imensidão de favelados esteja onde sempre esteve, as favelas não existem mais. Haja cinismo.*

(*) Blog do Augusto Nunes.

 

A PROPÓSITO

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O brasileiro, depois do Lulla, nunca amou tanto, e com tanto ardor, o dinheiro…

Mas só platonicamente…*

(*) Acir Vidal, editor do blog.

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LIÇÃO DA COPA

000- a coluna do Joauca - 500

Uma das lições da copa de 2014 talvez nunca seja realmente aprendida. Não vou falar de futebol, porque não entendo nada desse jogo e não torço para time nenhum, nem mesmo em disputas internacionais. Não se fale em “patriotismo”, quando é a Seleção Brasileira que joga. Patriotismo não é isso e é muito mais que isso. Quanto treinava a Seleção Japonesa, Zico comandou contra a Seleção do Brasil um jogo de sua equipe, e nem por isso deva ser chamado de antipatriota. Filipão já comandou a Seleção portuguesa contra a brasileira e não é antipatriota. O jogador de futebol, em qualquer situação, em qualquer jogo, luta pela vitória para engordar o bolso, e não por amor à pátria. Quem torce pela Seleção torce por um time e apenas por um time, ainda que esse time se arrogue o direito de representar seu país. Mas vamos ao assunto a que vim.

Grafema é um sinal gráfico distintivo, que pode ser uma letra, como a que distingue  < pato > de  < pago > , ou a cedilha, que distingue <  paco > de     < paço > ou um acento, como o que distingue  < pode  > de < pôde >.  Isso significa que qualquer letra é um grafema, mas nem todo grafema é letra.

O < x > é um grafema que pode representar vários sons: ora  [z], como em exame; ora  [ks], como em fixo; ora [s], como em máximo, ora  [š], como em lixo. Em todas as palavras começadas por < hex-> , o < x > representa os seguintes sons: [z], [gz] ou [ks]. Ex.: hexágono, hexassílabo, hexaedro, hexacloreto, hexógeno, hexâmetro, hexagrama, hexacampeonato, etc. O Houaiss registra as pronúncias [z, ks, gz] nas palavras que têm < hex->, como  hexaedro e hexacampeão, embora o povo só diga hekzaedro, hekzacampeão. Se o < x > é um dífono, isto é, se representa dois sons, então a pronúncia deveria ser [ks], e não [kz], que não existe para o < x  > em português. Assim, se fôssemos aceitar o < x > como dífono, nas palavras começadas por <hexa->, então a pronúncia seria heksacampeão, heksacampeonato, e não hekzacampeão, hekzacampeonato.

Existe na língua um fenômeno chamado “assimilação”, que consiste na mudança de um som por influência de outro. O < s > de “deste” ou de “vespa” soa [s], como o     < c > de “cebola”. Da mesma forma, em “mesmo ou em “desde o < s > soa [z ] (mezmo, dezde), porque a sonoridade das vogais e consoantes se transferiu para o < s >, que soa sonoro. O  < x > em <hexa-> poderia soar [ks], porque ambas as consoantes são surdas, ou [gz], em que ambas as consoantes são sonoras, ou como [z], sonoro entre vogais sonoras. O mesmo fenômeno de assimilação ocorre em “cosquinha” (oriunda de “coceguinha”, diminutivo de “cócega”), com síncope da vogal pré-tônica anterior). Como seria difícil pronunciar “cosguinha” (uma consoante surda antes de uma consoante sonora), houve um ensurdecimento da consoante da sílaba tônica e ambas soam surdas [sk]. Assim, é mais difícil dizer “ekza” do que “eksa”” na pronúncia da palavra “hexacampeão” (ou ambas as consoantes soam surdas, ou ambas soam sonoras). A sequência kz existe em português, em algumas poucas palavras, como “eczema” e derivados ou “czar” e derivados,  mas nunca para o valor de < x >. Mas essa pronúncia é reforçada pela própria escrita com < z >. É por causa da assimilação que o povo pronuncia “subzídio” por “subsídio” ou “subzistência” por “subsistência”, fazendo soar sonoro o < s > depois de consoante sonora (o < s > depois de < b > soa [s] , surdo, segundo a prosódia oficial, exceto em “obséquio” e derivados). Em francês o < x > também representa vários sons: [s] (dix), [z] (dix amis), [ks] (fixer), [gz] (examen), ou  [Ø] antes de nome começado por consoante  (dix livres).

No Dicionário de dificuldades da língua portuguesa (Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996),  no verbete hexa-, Domingos Paschoal Cegalla recomenda a pronúncia “egza”. Consequentemente, para ele, o torcedor da Seleção brasileira deveria dizer egzacampeonato” (hexacampeonato).

Como será que os torcedores vão pronunciar “hexacampeão” na copa de 2014?

NOTA: No texto, os parênteses quebrados (< >) indicam grafemas; os colchetes ([ ]), sons da fala.

 

 

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011.

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TÁ TUDO DOMINADO

Pesquisa aponta que 70% dos brasileiros não confiam na polícia

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A insatisfação da população com a polícia cresceu no primeiro semestre de 2013 em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo o Índice de Confiança na Justiça Brasileira (ICJBrasil), realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) para integrar a 7ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), 70,1% da população não confia no trabalho das diversas polícias no País, 8,6 pontos porcentuais acima do registrado no primeiro semestre de 2012.

O FBSP destacou que a credibilidade das polícias está mais próxima da apresentada pelos partidos políticos (95,1% dos brasileiros afirmam que não confiam em legendas políticas) do que pela apresentada pelas Forças Armadas (34,6% não confiam), o que, mostra o documento, indica a necessidade de rever a atuação dos agentes de segurança pública.

De acordo com o fórum, as atuações das polícias desde as manifestações iniciadas em junho são apenas um ponto que precisa ser revisto na política de segurança adotada nos dias de hoje.

Cinco pessoas morrem em média todos os dias no país vítimas da ação policial, de acordo com o Anuário. No ano passado, 1.890 pessoas foram mortas em episódios envolvendo policiais em serviço. Além disso, considerando as taxas de mortes por homicídio da população e de policiais, o risco de um policial morrer assassinado no Brasil é três vezes maior que o de um cidadão comum.

A taxa de homicídio geral da população foi de 24,3 por 100 mil habitantes, enquanto a de policiais mortos em serviço e fora de serviço foi de 72,1 por 100 mil policiais. “A polícia está matando muito e morrendo muito”, disse o coordenador do Anuário, Renato Sérgio de Lima. Ele afirmou que os dados são uma evidência forte de que a forma como o Estado brasileiro atua para lidar com crimes é “anacrônica e falida”.

Lima disse que, embora o gasto do País com segurança pública tenha atingido R$ 61,1 bilhões em 2012, alta de 16% ante o ano anterior, cerca de 40% desse valor é destinado a aposentados e inativos. “O Brasil gasta muito, mas investe mal”, resumiu.*

(*) – Estadão – UOL

 

A PROPÓSITO

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BANANA REPUBLIC

Em novo recurso, Dirceu diz que quadrilha

é imaginária e pede sua absolvição

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Condenado a 10 anos e 10 meses de prisão, o ex-ministro José Dirceu enviou um novo recurso ao STF (Supremo Tribunal Federal) para tentar ser absolvido do crime de formação de quadrilha e escapar de uma pena de prisão no regime inicialmente fechado.

Num recurso de 29 páginas, a defesa do ex-ministro diz que não passa de imaginação a ideia de uma quadrilha atuando para a realização do mensalão. Os advogados ainda alegam que Dirceu não poderia ser chefe de um grupo de pessoas que cometeram mais de 150 crimes quando ele foi condenado apenas por corrupção ativa.

“A denúncia imputa aos demais membros da imaginada instituição criminosa a prática de mais de 150 crimes (…) contraditoriamente, o ‘chefe da quadrilha’ só foi condenado pela prática de corrupção ativa em continuidade (…) Não é possível vislumbrar traços de estrutura de decisão numa suposta quadrilha na qual o chefe não participa da imensa maioria dos delitos”, diz trecho do recurso.

No documento os advogados de Dirceu repetem argumentos dos ministros que absolveram os réus pelo crime de formação de quadrilha, como Ricardo Lewandowski e Rosa Weber.

Eles votaram pela absolvição de Dirceu por entender que uma quadrilha só é configurada quando há união estável e permanente para “o fim de perpetração de uma indeterminada série de crimes”. Além disso, para estes ministros, é preciso que os integrantes vivam exclusivamente do fruto dos crimes, o que, na visão da defesa, não é caso de Dirceu e dos demais réus.

Para reforçar este ponto de vista, o recurso cita que Dirceu chegou à chefia da Casa Civil após “décadas de atuação política transparente e sem máculas”. Diz que, no posto, ele não cometeu nenhum crime dos possíveis de serem praticados por agentes públicos e teria como única mácula o delito da corrupção.

“Inúmeras provas atestam que exercia o cargo de ministro da Casa Civil de forma correta e sem indícios de irregularidade. A única conduta ilícita reconhecida (…) refere-se à prática de corrupção ativa em continuidade”.

Para os advogados, nem mesmo no chamado núcleo politico, formado por Dirceu, pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e pelo ex-presidente da sigla José Genoino seria possível se enquadrar o crime de formação de quadrilha.

A alegação é de que Delúbio foi eleito secretário de finanças do partido pelo voto dos correligionários. Da mesma forma, Genoino tinha total autonomia em sua função.

“[Delúbio] Não assumiu seu posto por determinação de José Dirceu e tampouco lhe devia obediência”, diz o recurso.

REDUÇÃO DA PENA

Apesar de pedir prioritariamente a absolvição pelo crime de formação de quadrilha, fazendo com que Dirceu ficasse unicamente com a condenação de 7 anos e 11 meses por corrupção, a defesa tenta, no caso de manutenção do crime, a redução da pena.

O argumento usado é que em dois momentos distintos sua pena foi elevada por um mesmo motivo: o fato de ele ter sido dirigente do PT e chefe da Casa Civil. A defesa diz que a duplicação do agravante é ilegal, por isso a condenação precisaria ser menor.

No mesmo sentido diz que, no cálculo da pena, Dirceu teve a condenação agravado por ter “papel proeminente” na quadrilha e por “dar a palavra final”, o que, para a defesa, é a mesma coisa.

“No fundo, no fundo, os argumentos são os mesmos”, diz.

Caso consiga a reduzir a pena de 2 anos e 11 meses por formação de quadrilha para qualquer uma abaixo de 2 anos, devido ao tempo passado entre a apresentação da denúncia e o julgamento, ela estaria prescrita.

Além de Dirceu, que apresentou nesta quinta-feira seu recurso conhecido como embargos infringentes, outros réus, como Delúbio, Genoino e o operador do esquema Marcos Valério, também têm o direito de apresentá-lo. O prazo vai até o dia 11 de novembro.

A expectativa é que o julgamento deste tipo de recurso aconteça somente no ano que vem.*

(*) SEVERINO MOTTA, DE BRASÍLIA, FOLHA DE SÃO PAULO

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VERSO CONFUSO DO HINO NACIONAL

000- a coluna do Joauca - 500

Hilário Soneghet, no soneto “Saara”, do livro Quase toda a poesia (Vitória: Florecultura, 1999, p. 36) tem no segundo quarteto os dois versos iniciais seguintes: “O meu camelo, magro, vacilante,/ de peso esmaga a carga de marfim.”  Trata-se de uma inversão sintática chamada anástrofe, pouco comum na obra do poeta, que primava pela simplicidade e pela clareza. Em ordem direta, os versos querem dizer: “a carga de marfim de peso esmaga o meu camelo, magro, vacilante”. O adjunto adnominal  “de peso” equivale ao adjetivo  “pesada” (a carga de marfim pesada). Repare-se que, na anástrofe, o objeto direto (o meu camelo…) ficou no lugar do sujeito, e o sujeito (carga de marfim de peso) ficou no lugar do objeto.

A letra do Hino Nacional, do mau poeta e péssimo gramático Osório Duque Estrada, está cheia de palavras difíceis (lábaro, plácidas, fúlgidos, garrida, impávido colosso, penhor dessa igualdade, florão da América…), tem versos de empréstimo da “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias (“Nossos bosques têm mais vida; / nossa vida, mais amores”), num encaixe desajeitado, porque torna descontínuo o segundo verso (“em tem seio”), para manter o ritmo; tem um cacófato bravo (herói cobrado), uma ofensa ao país e ao povo, involuntária, embora, numa leitura denotativa que o “poeta” não percebeu ou ignorou (deitado eternamente em berço esplêndido); e tem inversões sintáticas terríveis que prejudicam a compreensão do hino (“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heroico o brado retumbante”, isto é, as margens plácidas do Ipiranga é que ouviram o brado retumbante de um povo heroico), e, além de tudo, é extremamente longa, com dois momentos semelhantes que levam à confusão, na hora do canto (“Brasil de um sonho intenso…” e “Brasil de amor eterno…”). Nesses momentos, as pessoas param de cantar, esperando que um mais afoito comece a estrofe problemática. Todos esses defeitos já bastariam como argumento legítimo para que a letra do Hino seja inteiramente substituída por outra mais fácil de entender e de cantar.

Mas o que pretendo nesta croniquinha é apontar, no Hino Nacional, uma inversão sintática, no verso “E o teu futuro espelha essa grandeza”, que confunde até mesmo professores de português e “tradutores” do Hino. Ora, como o futuro ainda não existe, não pode espelhar nada. Como nos versos acima citados de Hilário Soneghet, o sujeito e o objeto da sentença estão com suas posições trocadas. A grandeza é que espelha o futuro. Traduzindo: como o país é grande, essa grandeza espelhará o futuro, isto é, o futuro terá igual grandeza.

Na sua Introdução à lingüística teórica  (São Paulo: Nacional / Edusp, 1979), John Lyons, na nota 5 da página 101,comenta exemplos semelhantes em que o sujeito e o objeto estão invertidos em sua posição na sentença. Em Os Lusíadas, canto V, estrofe 24, Camões também utiliza uma anástrofe semelhante: “Enquanto o mar cortava a armada”. Na verdade, a armada é que cortava o mar.

Se queremos que o povo brasileiro aprenda a cantar corretamente o Hino Nacional, já é mais que tempo de propor  uma substituição dos versos infelizes de Osório Duque Estrada. Ou todos continuaremos a ignorar a letra e/ou a esperar que  alguém diga primeiro “Brasil de um sonho intenso” para que a arraia-miúda continue a cantar o Hino…

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011.

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CHAMEM O LULLA

Estaleiro OSX, de Eike, tenta levantar R$ 400 milhões

000 - Eike Batista Mendigo

A empresa naval OSX, de Eike Batista, tenta levantar até R$ 400 milhões para escapar da recuperação judicial. O destino da companhia será decidido até o início da próxima semana.

A empresa vem sendo pressionada pelos fornecedores, que estão com pagamentos em atraso e já protocolaram protestos na Justiça.

A OSX quer evitar seguir o mesmo caminho da petroleira OGX, que pediu recuperação judicial ontem. A medida provocaria um constrangimento para o governo, porque significaria um calote de R$ 1 bilhão de empréstimos dados por Caixa e BNDES.

O dinheiro novo pode vir de três fontes: uma parceria com o grupo espanhol Dragados no estaleiro localizado no porto do Açu; um empréstimo de R$ 100 milhões dos bancos Santander e Votorantim; e R$ 200 milhões da venda de um equipamento, conforme antecipou a Folha.

Votorantim e Santander garantem, respectivamente, os empréstimos de BNDES e Caixa. Os quatros bancos negociam a renovação da linha de crédito por um ano e a injeção de dinheiro novo.

Segundo apurou a reportagem, a renovação do crédito ainda não foi concluída, porque o Santander gostaria que a Caixa reduzisse um pouco o tamanho da sua garantia.

O Santander também é o responsável por aproximar a OSX da espanhola Dragados.

A situação da OSX é menos desesperadora que a da petroleira OGX, porque tem ativos valiosos, que superam o montante da dívida.

Segundo fontes próximas à companhia, se os fornecedores aceitarem negociar, as dívidas da OSX ficariam em R$ 4 bilhões. Já suas plataformas de petróleo e outros equipamentos valem um pouco mais que isso.

O problema é que a OSX precisa de tempo para vender as plataformas e pagar as dívidas. Os fornecedores menores estão protocolando processos na Justiça.*

(*) RAQUEL LANDIM, DE SÃO PAULO. RENATA AGOSTINI, DE BRASÍLIA. – FOLHA DE SP

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DICAS PARA QUEM ESCREVE (IV)

000- a coluna do Joauca - 500

1. Fato real — Alguns gramáticos acham que é redundante a expressão “fato real”, na pressuposição de que todos os fatos são necessariamente reais. Leiamos o que dizem os melhores dicionários de língua, no Brasil. O Houaiss, no verbete “história”, acepção 11, define: “narração de eventos fictícios ou não”. No verbete “narrativa”, lemos: “exposição de um acontecimento ou de uma série de acontecimentos mais ou menos encadeados, reais ou imaginários, por meio de palavras ou imagens”. No subverbete “conto de fadas”, do verbete “conto 1”, lê-se: “LIT. conto infantil que narra encantamentos e fatos maravilhosos com a intervenção de fadas (boas ou más)”. No verbete “romance”, na acepção 7, lê-se: “prosa, mais ou menos longa, na qual se narram fatos imaginários, às vezes inspirados em histórias reais, cujo centro de interesse pode estar no relato de aventuras, no estudo de costumes ou tipos psicológicos, na crítica social, etc.”. Finalmente, no verbete “novela”,  na parte referente à etimologia do termo, lemos: “narração de um acontecimento real ou imaginário”.

O Aurélio, no verbete “novela”, diz: “narração, usualmente curta, ordenada e completa, de fatos humanos fictícios, mas, por via de regra, verossímeis”. E no verbete “romance”, do Aurélio, há a seguinte lição, na acepção 7: “fato ou episódio real, mas tão complicado que parece inacreditável”.

Em resumo: um fato, evento ou acontecimento pode ser real, fictício, maravilhoso, imaginário, verossímil e até inacreditável. Vale dizer: “fato real” não é pleonasmo.

2. Parece que os bancos estão de briga com a língua. O Banco do Brasil termina uma propaganda recente com a seguinte frase: “Um banco cada vez mais bom para todos”. Até mesmo um falante semianalfabeto diria “melhor” em lugar de “mais bom”. O Bradesco entra nessa briga, inovando na conjugação verbal. Numa de suas propagandas, a mulher chega ao caixa de uma loja, talvez uma confeitaria ou padaria, e diz: “Não me dá uma barra de chocolate”. Teria sido melhor dizer: “Não me dê uma barra de chocolate”.  Será que os donos do dinheiro também têm poder de mudar a língua?

3. Sequer – Há uma tendência geral entre os bons usuários da língua a utilizar a partícula de exclusão ou o advérbio “sequer” com o sentido negativo, como na frase: “Ele sequer pagou o almoço, porque sequer tinha um real na carteira.”  Os dicionários de língua de Cândido de Figueiredo, Moraes Silva, Aurélio Buarque de H. Ferreira, Caldas Aulete, Antenor Nascentes e Antônio Houaiss; e os dicionários etimológicos de J. T. da Silva Bastos e A. G. Cunha ensinam que “sequer” significa “ao menos”, “pelo menos”, tendo, portanto, valor afirmativo. O Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa, ensina:  “Usa-se com valor enfático em contexto negativo ou em orações condicionais, sendo parafraseável por “nem que seja/fosse”, “(nem) ao menos”. Não tem sequer um amigo. Não escreveu sequer a introdução do artigo. Não moveu sequer um dedo. Faria o trabalho, se me dessem sequer uma oportunidade. nem sequer, loc. adv., serve para formar a negação de uma frase e apresenta valor enfático sendo parafraseável por “nem ao menos”, “nem mesmo”. Nem sequer estava preocupado com isso. Embora o Houaiss reconheça que “sequer” é “usado modernamente quase sempre na negativa”, bons autores ainda o usam com o valor positivo de “ao menos”, “pelo menos”. Eis o que diz o Pe. Lemos Barbosa a respeito da língua tupi, no primeiro parágrafo do prefácio ao seu Curso de Tupi Antigo (Rio de Janeiro: São José, 1956, p. 9):  “Língua vulgar  prevalente nos primeiros tempos da Colônia, falada na catequese e nas bandeiras, instrumento das conquistas espirituais e territoriais da nossa história, o seu conhecimento, sequer superficial, faz parte da cultura nacional”. O uso de “sequer” negativo pode provocar ambigüidades, em confronto com o uso adequado, como em: “Há pacientes que sequer sabem o nome do médico”.

Que o leitor responda: segundo o texto, os pacientes sabem ou não o nome do médico?

Sigamos, pois, a orientação dos bons dicionários de língua…

 

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011.

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MULHER ABANDONADA É FOGO…

Em 2009, depois de ameaçar ficar longe de Brasília se não festejasse o Dia da Independência no camarote presidencial, Rose viu o desfile ao lado de Lula. Quatro anos mais tarde, é bom que se cuide

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Em 6 de setembro de 2009, o Cerimonial do Palácio do Planalto foi alvejado por um inquietante pito eletrônico: “Não foi autorizada minha presença e de meu acompanhante no camarote do PR. Gostaria de saber de quem partiu a restrição. Ou vou no do PR, ou simplesmente não vou. Desculpe o jeito, mas estou muito ofendida”. Oficialmente, a mensagem fora remetida pela chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo. Mas o tom e o teor do recado lembraram aos destinatários que Rosemary Noronha era muito mais que isso.

Tanto era que a chefia do Cerimonial só precisou de alguns minutos para fazer chegar ao presidente Lula o que lhes parecia um grave assunto de Estado: se não ficasse ao lado do PR, iniciais do cargo ocupado pelo homem a quem se referia como “meu namorado” quando alguém precisava saber com quem estava falando, Rose não assistiria ao desfile do Sete de Setembro em Brasília. Imediatamente, Lula incumbiu o secretário Gilberto Carvalho de resolver o problema. Sem fazer barulho e, claro, sem provocar ruídos no doce convívio com a mulher ofendida.

Especialista na lida com material inflamável, a caixa-preta mais abarrotada do país deve ter achado aquela missão coisa para principiantes. Bastou-lhe anexar dois nomes à lista dos convidados para o camarote e remanejar posições na fila do gargarejo. Na manhã seguinte, lá estavam Lula e a segunda dama lado a lado, trocando sorrisos entre a passagem da ala dos cadetes e uma pirueta da esquadrilha da fumaça. Bem mais complicada foi a missão confiada a Gilberto Carvalho em dezembro passado, depois das explosivas descobertas da Operação Porto Seguro.

Para que o casal não ficasse ainda pior no retrato, o agora secretário-geral da Presidência foi encarregado de evitar que investigações internas confirmassem que, durante anos, Rose usou o posto de Primeiríssima Amiga para ganhar dinheiro como quadrilheira de quinta. Gilberto Carvalho entrou em ação assim que soube da sindicância aberta pela Casa Civil para investigar o caso da ex-secretária de sindicato que subiu na vida pela porta dos fundos.

Deu tudo errado, mostra a reportagem de VEJA. Primeiro, o ex-seminarista que hoje só celebra missas negras abriu um inquérito paralelo concebido para dar em nada. Falhou. Depois, armou sucessivas tramoias para bloquear o avanço da sindicância. A ministra Gleisi Hoffmann não gostou da intromissão abusiva. Além de interpelar o colega, queixou-se a Dilma Rousseff e foi instruída para seguir em frente. No fim de setembro, além de Rosemary Noronha, foram exonerados dois auxiliares diretos de Gilberto Carvalho.

Envolvidos na trama, perderam o emprego o secretário de Controle Interno, Jerri Coelho, e seu subordinado Torbi Rech, coordenador-geral de Correição. Atropelados por Gleisi, não foram socorridos pelo chefe que articulou a conspiração. Caprichando na pose de quem nunca soube de nada, Gilberto Carvalho tentou assumir a paternidade da ideia de demitir os comparsas que “inexplicavelmente adotaram todas as medidas sem consultar qualquer um dos seus superiores”.

Neste domingo, em entrevista ao jornal espanhol El Pais, Lula jurou que nada tem a ver com as patifarias do partido que fundou e sempre comandou. “Por que queríamos chegar ao governo? Não para fazer o que os outros fazem, mas para atuar de maneira diferente”, fingiu indignar-se o chefão do bando que juntou os incapazes capazes de tudo — como Gilberto Carvalho. Haja cinismo.

Gente assim não tem afetos reais. Rose Noronha que se cuide.*

(*) Blog do Augusto Nunes.

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VALE TUDO

Como a oposição parece achar que não se bate em mulher nem com palavras, Dilma inaugura até casas sem água e sem luz

00rs1017a - sem luz, sem água e sem vergonha

 

Confrontados com a notícia de que Dilma Rousseff anda enxergando um cachorro oculto atrás de cada criança brasileira, os craques do duelo retórico que desapareceram da paisagem política teriam demolido a usina de maluquices com meia dúzia de frases de grosso calibre. Um Carlos Lacerda, por exemplo, provavelmente sugeriria que a chefe de governo dedicasse ao exame dos incontáveis problemas reais o tempo que desperdiça em visões mediúnicas. Um Jânio Quadros talvez perguntasse se os cães também são distribuídos de acordo com as classes sociais ou se a presidente já viu um galgo afegão seguindo um pequeno favelado (ou vira-latas escoltando a filharada da elite golpista).

Para sorte de Dilma, a Era da Mediocridade transformou numa espécie em extinção a tribo dos bons de briga, ágeis no raciocínio e rápidos no gatilho ─ o antagonista mal acabara de disparar uma bala bêbada e lá vinha o revide imediato, certeiro, letal. Em vez de Lacerda, Jânio e tantos outros que nunca negavam fogo, que jamais deixavam de apanhar a luva atirada pelo desafiante, o neurônio solitário lida com adversários exemplarmente gentis, que insistem em valsar com quem só dança quadrilha. Previsivelmente, os candidatos à Presidência não abriram a boca sobre a história do cachorro oculto.

Poupada de merecidíssimas lambadas, é natural que Dilma tenha desembarcado em Itajubá, dois dias depois da discurseira alucinada em Porto Alegre, tão à vontade quanto Rosemary Noronha num voo noturno do Aerolula. Caprichando na pose da supergerente que chegou de trem-bala para passear de barco nas águas já transpostas do Rio São Francisco, a candidata à reeleição inaugurou uma fábrica que não construiu, jurou em comícios disfarçados de entrevistas que não está em campanha e, antes de seguir viagem, decidiu dar conselhos aos interessados em tomar-lhe o emprego.

“Acredito que, para as pessoas que querem concorrer ao cargo, elas têm de se preparar, estudar muito, ver quais são os problemas do Brasil”, ensinou. Um Leonel Brizola teria retrucado que, se os demais pretendentes precisam estudar para melhorar a cabeça, a cabeça de Dilma é que precisa ser estudada antes que fique ainda pior. É coisa para uma junta de especialistas. É um caso clínico e tanto (e, como a ciência não para de avançar, pode até ter cura). Os líderes da oposição oficial, sempre cavalheirescos, limitaram-se a murmurar algumas ressalvas e esquecer a provocação grosseira.

A falta de contragolpes vigorosos ajuda a entender o crescente atrevimento da governante à caça do segundo mandato. Nesta terça-feira, Dilma apareceu em Vitória da Conquista, na Bahia, para entregar aos eleitores 1.740 casas populares. O lote incluiu mais de mil moradias sem água e sem luz. Até agora, os adversários não pareceram indignados com outro monumento ao cinismo. Devem achar que não se deve bater em mulher nem com palavras. Podem acabar apanhando do vasto exército de eleitores que desistiu de acompanhar generais que não combatem.*

(*) Blog do Augusto Nunes

 

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DICAS PARA QUEM ESCREVE (III)

000- a coluna do Joauca - 500

1. Mais bem/mais mal. – Os advérbios “bem” e “mal” formam com o particípio dos verbos um todo semântico indissociável. Por isso,  todas as palavras formadas com “mal” ou “bem” e um particípio se escrevem como compostas ou derivadas, em que “mal” e “bem” funcionam como primeiros elementos de composição ou como prefixos: mal-afortunado, mal-educado, mal-arrumado, mal-assombrado, malcriado, malconservado, malfadado, malformado, malferido, malfeito, malquerido, mal-intencionado, malsinado, malsucedido, malvisto, etc.; bem-ordenado, bem-sucedido, bem-vindo, bem-intencionado, bem-dotado, bem-visto, bem-querido, etc.

Ora, presumir que se possa dizer “melhor educado” ou “pior pago” significa admitir a quebra dessa unidade semântica e a possibilidade de se dizer “melhor vindo” ou “pior criado”, em lugar de “mais bem-vindo” ou “mais malcriado”.

Se algum escritor de renome usou “melhor” ou “pior” antes de particípio, quebrando essa unidade semântica, isso não é motivo para transformar em norma o que não é mais que feito de fala: ao escritor compete quebrar e não seguir as normas gramaticais do dialeto culto. É ilegítima, embora generalizada, a citação de escritores para abono de regras gramaticais: primeiro, porque não foi a linguagem dos escritores que sedimentou a norma culta portuguesa, mas a linguagem jurídica; e, segundo, porque o objetivo de um escritor é renovar a linguagem, ser original, ser diferente dos outros.

Portanto, apesar dos exemplos encontrados nas gramáticas e nos dicionários de língua e tirados de bons escritores, não se deve dizer “melhor” nem “pior” antes de particípio. O adequado é dizer “mais bem” e “mais mal” antes de particípio, ainda que o ouvido pouco treinado em norma culta estranhe essa prolação, quase sempre inusitada.

A propósito, nunca se deve dizer “mais bom”, mas “melhor”. Uma propaganda recente do Banco do Brasil anuncia, no final: “Banco do Brasil – cada vez mais bom para todos”. Acho que nem mesmo um analfabeto diria “mais bom”…

2. A nível de/em nível de – As gramáticas condenam indevidamente a locução prepositiva “a nível de”, porque se trata de um galicismo (ex.: “Il est à mon niveau”, isto é, “ele é do meu nível” ou “ele está no meu nível”), e ensinam que se deve dizer apenas “em nível de”. Ora, se formos condenar galicismos, temos de evitar dizer “abajur”, “avalanche”, “flamboaiã” (forma portuguesa de “flamboyant”, já dicionarizada) e muitas outras palavras. E teremos de condenar também, segundo Cláudio Brandão, em sua Sintaxe Portuguesa (Belo Horizonte: ed. do Autor, 1963, p. 559-60), certas expressões de uso corrente que também são galicismos, como “galinha ao molho pardo” (em vernáculo deveria ser “galinha em molho pardo”), ou “trabalho a fazer” (o ideal seria “trabalho para fazer”) ou “equação a duas incógnitas” (o mais recomendável seria “equação com duas incógnitas” ou “de duas incógnitas”), ou “solução à base de sal” (em vernáculo diríamos “em base de sal” ou “com base em sal”). Portanto “em nível de” é construção preferível, por ser mais portuguesa, mas isso não significa que a expressão “a nível de” esteja errada. Em outras palavras: diga “em nível de”, mas evite condenar quem disser “a nível de”, que também é forma aceitável.

 

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011.

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