BALAIO DE GATOS

DO PROTESTO À REVOLTA, POR ENQUANTO…

Com raras exceções, entraram em greve os metalúrgicos do ABC, com o apoio das centrais sindicais. O efeito dominó logo chegará ao Nordeste, ampliado por conta das demissões, aliás, já iniciadas, dos trabalhadores antes contratados pelas empreiteiras envolvidas no escândalo da Petrobras. O movimento grevista não é político, mas social: como sempre as grandes empresas, com ênfase para as montadoras, demitem primeiro para obter depois, do governo, compensações capazes de evitar novas dispensas. Só que dessa vez o clima não está para elas. Até o PT faz vista grossa de seu apoio ao governo e estimula o movimento paredista, menos para demonstrar sua discordância com a presidente Dilma e a composição do novo ministério. Mais para não ser ultrapassado pela massa operária.

Estamos na véspera de uma ebulição que a presidente da República não conseguirá superar com os “ajustes” anunciados pelo ministro Joaquim Levy ou com os anacrônicos conceitos da ministra da Agricultura, Katia Abreu, ou do ministro do Desenvolvimento, Armando Monteiro. Sem falar na supressão de prerrogativas trabalhistas.

Pelas peculiaridades de seu temperamento, Dilma chegou ontem das férias na Bahia disposta a pagar para ver. Se partir para o confronto, verá repetidas em janeiro de 2015 as manifestações de julho de 2013. Em especial porque nada tem a oferecer, à exceção do aumento de impostos, depois de haver cortado pela metade benefícios tradicionais de quem vive do salário mínimo. O segundo governo que agora se inicia revela um viés conservador e acoplado aos interesses das elites. Nada tem a oferecer às massas senão sacrifícios. Junte-se a essa clássica fórmula de debelar crises econômicas mandando a fatura para os menos favorecidos e se terá a receita da transformação do protesto em revolta e desta, queira Deus que não, em convulsão.

OS LIMITES DA PROPRIEDADE

Patrus Ananias, ministro da Reforma Agrária, veio em socorro da lógica e do bom senso ao contraditar Kátia Abreu e sustentar que o latifúndio existe e que a propriedade não pode estar desvinculada de sua função social. No governo, forma-se em torno dele um polo de resistência ao neoliberalismo revelado pela presidente Dilma.

Não se chegará ao extremo de concordar com Proudhon, para quem a propriedade era um roubo, mas fica evidente que a terra precisa estar limitada ao seu uso. O interesse público deve sobrepor-se ao interesse privado, necessitando o benefício coletivo atropelar o individual, de grupos e de castas. O Estado não pode apenas constituir-se em provedor de serviços públicos. Também significa a força motriz da justiça social. A concentração da propriedade, como da renda e do poder, leva a monopólios, oligopólios e cartéis.*

(*) Carlos Chagas – Tribuna na Internet

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NEPOTISTAS JURAMENTADOS

RR inova o provérbio:

Mateus 1º, 2º e 3º os teus

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A governadora de Roraima, Suely Campos (PP), tem pressa. Mal assumiu o cargo e já nomeou 19 parentes e aderentes. Repetindo: madame enfiou dentro da folha salarial do Estado uma árvore genealógica inteira e outros galhos. Forneceu contracheques a duas filhas, uma irmã, um irmão, três primos, cinco sobrinhos do marido, o sogro e a sogra da filha… e etcétera.

A avidez nepotista da governadora subverteu até o provérbio. Em Roraima, ficou assim: Mateus, primeiro, segundo e terceiro os teus… E também o quarto, o quinto, o sexto, o sétimo… O Ministério Público exige que madame revogue as nomeações. Pena. Seria divertido observar até onde iria a desfaçatez de madame.*

(*) Blog do Josias de Souza

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HERANÇA MALDITA, É?

A parte do governo

País ainda levará algum tempo para se livrar dessa herança
do baixo crescimento com inflação e juros elevados

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Não se trata apenas de cobrir alguns buracos das contas públicas. O discurso de posse do ministro Joaquim Levy vai mais longe: revalida a tese segundo a qual a austeridade é virtude permanente e, sobretudo, a base para o crescimento da renda e do emprego.

É o contrário perfeito da política dos anos 2011/14, período em que o então ministro Guido Mantega, falando pela presidente Dilma, definia superávit primário — gastar menos do que se arrecada — como um sacrifício a fazer em determinados momentos. O certo era gastar mais para estimular a atividade. Economia, austeridade — isso só para acalmar o mercado, este entendido como a súcia de especuladores e banqueiros.

Por isso, o então ministro apresentava aquelas contas marteladas, que davam uma aparência formal de equilíbrio do Orçamento federal. No fundo, entendiam, ex-ministro e presidente, que fazer superávit primário elevado, definindo-se a austeridade fiscal como prioridade, era o caminho da recessão e do desemprego.

E quer saber? É muito provável que essas duas coisas aconteçam neste ano. O desemprego deve ser maior que em 2014. E não digo recessão, mas que o PIB vai crescer muito pouco, se crescer, não há dúvida. Isso dará a impressão de que a política anterior estava certa.

Será só impressão, porque o país ainda levará algum tempo para se livrar dessa herança do baixo crescimento com inflação e juros elevados. Ou seja, o problema não estará no remédio da austeridade, mas na lambança anterior. Mas, como isso não é simples de explicar, a turma do Mantega poderá apontar o dedo: não falei?

Não é uma disputa nova. Na verdade, debate-se sobre isso no mundo todo, sempre que há uma crise ou problemas graves a atacar. Todo mundo sabe que, em qualquer país, o governo sempre gasta bastante, e o setor público tem papel muito forte, se não dominante. A convergência acaba aqui. Como e onde gastar? Até quando se pode usar o déficit das contas públicas para animar a economia?

Para um dos lados (para simplificar: a turma que anda elogiando o ministro Joaquim Levy), esse tipo de política é sempre provisório e deve ser conduzido de modo a manter as bases do equilíbrio fiscal para o pós-crise e para quando a economia já estiver se reanimando.

Ou seja, o equilíbrio das contas é sagrado, vem na frente. E, mesmo quando não há crescimento — caso atual do Brasil —, isso não decorre da falta de gasto público, mas, ao contrário, por excesso de gastos perdulários e mal feitos.

Para o pessoal do outro lado, é um absurdo pregar e praticar austeridade quando a economia anda devagar. O Prêmio Nobel Paul Krugman vem dizendo isso há muitos anos a propósito dos EUA e da Europa. E estava errado, notou Jeffrey D. Sachs, em artigo publicado ontem pelo “Valor Econômico”.

Os números: em 2011, o déficit no Orçamento federal dos EUA era de 8,4% do PIB; caiu para 3% no ano passado; o desemprego, no mesmo período, caiu de 8,6% para 5,8%; o PIB, que crescia a 1,2% em 2011, está evoluindo no ritmo de 3% ao ano.

Querem mais? A Grã-Bretanha, cujos eleitores votaram na plataforma conservadora de David Cameron em 2010, apresenta os melhores resultados na Europa. O déficit público saiu de 8,4% do PIB para 4% no ano passado; o desemprego, de 7,9% para 6%.

E dos países do euro, a Alemanha, onde quase todo mundo é “fiscalista”, mostra o melhor desempenho. Já a França, onde François Hollande se elegeu com a plataforma antiausteridade, continua patinando.

De novo, não se trata de tirar o governo da jogada. Mas de respeitar uma simples equação: o governo deve gastar ali onde o setor privado não funciona bem para toda a população — educação, saúde e segurança, por exemplo. E deve se financiar não com déficits crescentes, mas com impostos corretos e justos. Contas públicas desarrumadas estragam todos os demais esforços.

Caramba!

E, por falar nisso, eis alguns dados compilados pelo Telebrasil, o sindicato das empresas de telecomunicações: de 2002 a 2013, os usuários pagaram R$ 1,7 trilhão (em valores correntes). Desse total, algo como o faturamento bruto, a maior parte ficou com o governo: foram nada menos que R$ 510 bilhões de tributos arrecadados (30%).

Mas há mais, segundo os números preparados pelo secretário-geral do sindicato, Cesar Rômulo. Descontando-se custos e outros gastos, o valor adicionado distribuído pelo setor, mais ou menos a riqueza gerada, foi equivalente à metade do faturamento, em torno de R$ 850 bilhões. Logo, os R$ 510 bilhões recolhidos pelo governo representam quase 60% dessa riqueza produzida.

Sabíamos que pagávamos impostos demais. Mas… caramba!*

(*) Carlos Alberto Sardenberg, O Globo

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IMPRENSA

Combate-se o terror com mais liberdade

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O dia 7 de janeiro de 2015 está destinado a entrar para a História de um jeito ou de outro. Para o bem caso tenha ajudado a fortalecer a liberdade como um direito universal e, portanto, inalienável.

Para o mal se tiver servido à restrição da liberdade e de tudo que se entende como tal – o direito à imprensa livre, o direito à livre informação e o direito à expressão sem medo.

O atentado terrorista que matou, ontem, em Paris 12 pessoas, entre elas quatro cartunistas do jornal satírico “Charlie Hebdo”, foi o ataque mais brutal contra a imprensa desde o final da II Guerra Mundial nos anos 40 do século passado.

Foi também um ataque bestial contra a civilização.

Quer tenham agido como “lobos solitários” ou como o longo braço de organizações violentas, os três assassinos que chocaram o mundo só confirmaram o que se sabe pelo menos desde o 11 de Setembro.

Ou seja: que independente de sua orientação política ou religiosa, o terrorismo é inimigo da busca da verdade e da independência de espírito. Com ele não se dialoga. Só resta combatê-lo sem ceder, contudo, ao uso dos seus métodos.

Só existe uma maneira de derrotar os inimigos da liberdade – aumentando as fronteiras da liberdade por toda parte. Limitá-las significaria se render ao mau.

Em 2014, 61 jornalistas foram trucidados em diversos pontos do planeta, alguns deles decapitados. Fora aqueles sequestrados ou feridos em explosões. Não somos heróis por causa disso. Nem mártires. Apenas exercemos o nosso ofício.

Uma vez enterradas as mais recentes vítimas do terror, só nos caberá seguir em frente publicando tudo o que possa interessar às comunidades às quais servimos. E também tudo o que deveria interessar.*

(*) Blog do Noblat

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QUARTA-FEIRA, 7 DE JANEIRO DE 2015

Petrobras cai para 5ª posição em ranking de empresas mais valiosas

Segundo dados da Economatica, valor de mercado da petroleira terminou em R$ 106,6 bi nesta terça-feira, atrás de Ambev, Itaú Unibanco, Bradesco e Vale

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A Petrobras caiu para a quinta posição no ranking que classifica as maiores empresas da BMF&Bovespa, segundo cálculos feitos pela consultoria Economatica. Nesta terça-feira, o valor de mercado da estatal fechou em 106,6 bilhões de reais, atrás de Ambev (252,89 bilhões de reais), Itaú Unibanco (179,21 bilhões de reais), Bradesco (107,40 bilhões de reais) e Vale (107,40 bilhões de reais). Até o dia 15 de outubro, a petroleira era a empresa mais valiosa da bolsa brasileira e desde 1996 ela não ocupava uma posição tão modesta na lista.

Na América Latina, a Petrobras ocupa a sétima posição na relação de maiores empresas por valor de mercado. No dia 15 de outubro, ela também era líder do ranking.

Durante o pregão desta terça-feira, a estatal chegou a perder 4,37 bilhões de reais em pouco mais de meia hora (das 16h10 até as 16h46), após rumores sobre uma possível diminuição de preços de combustíveis por parte da estatal. As ações da companhia também foram penalizadas por uma multa de 18,7 milhões de reais aplicada pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) por irregularidades em duas plataformas.*

(*) VEJA

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GUERRA É GUERRA

QUEM MANTÉM POSIÇÕES É O INIMIGO.

PIOR É QUEM RECUA

Carlos Chagas

Adversários no Norte da África e depois no continente europeu, os generais George Patton, dos Estados Unidos e Erwin Rommel, da Alemanha, tinham características iguais. Para eles, o bom soldado não era o que morria pela pátria, mas o que fazia o inimigo morrer pela dele. Só admitiam uma estratégia: avançar sempre. Jamais manter posições ou aferrar-se ao terreno, mas seguir adiante, com o objetivo da vitória final.

Do discurso da presidente Dilma, na posse, ao pronunciamento do ministro Joaquim Levy, ao receber o cargo, o que se viu foi o governo abrindo trincheiras para enfrentar o adversário. Mais ainda, recuando.

Vão perder a guerra. Nenhuma administração pode aspirar sucesso quando prega apenas aumento de impostos, ajustes fiscais, corte nos investimentos, redução dos benefícios sociais, demissões e perda do poder aquisitivo dos salários.

Falta ao governo um plano para a vitória sobre a crise econômica, impossível de ser conquistada apenas com medidas de contenção. Nem é preciso citar os presidentes da República que deram certo e os que quebraram a cara. Os que ficaram nas trincheiras e os que avançaram.

Qual o objetivo do segundo mandato de Dilma? Se for apenas garantir o bolsa-família e demais programas assistencialistas, fica fácil prever o resultado: as demandas nacionais aumentarão não apenas no campo social, mas na economia. Para atendê-las não basta arrumar as contas e pagar as dívidas. É preciso avançar.

QUEM SERÁ O PRIMEIRO?

Uma aposta toma conta da Esplanada dos Ministérios: dos 39 ministros, qual será o primeiro a pedir para sair ou ser saído? As atenções se dividem entre os ministros de primeira e de segunda classe, quer dizer, aqueles que detêm os controles do processo político, econômico e social, e aqueles que apenas enfeitam o governo. Desimportantes, uns, vigiados, outros. A presidente Dilma dá sinais de que depende dela o julgamento de todos.*

(*) Carlos Chagas – Tribuna na Internet

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PAÍS DAS BANDALHEIRAS

INCRÍVEL! SEGREDOS DO PRÉ-SAL FORAM

VENDIDOS PARA ESTRANGEIROS


Alguns dos maiores segredos da Petrobras vazaram numa operação de espionagem realizada por brasileiros, entre eles um diretor da estatal indicado por deputado do PMDB.

Parece formigueiro quando se observa da janela, no alto da torre desenhada como plataforma de petróleo. A massa serpenteia, quase atropelando vendedores de ilusões lotéricas, espertos do carteado e ambulantes de afrodisíacos à volta dos prédios. Na paisagem se destaca um paletó preto surrado. Bíblia na mão direita e “caixa-para-doações” na esquerda, ele bacoreja: “Irmãos, o apocalipse está chegando!”

Naquela quinta-feira, 7 de abril de 2011, seu palpite ecoava numa cidade perplexa com a carnificina de 12 estudantes em insano ataque numa escola de Realengo, na Zona Norte.

No alto da torre, porém, o mundo era outro. Emoções oscilavam entre a euforia das renovadas promessas de óleo fator sob a camada do pré-sal e a depressão com o rombo de caixa bilionário provocado pelo “congelamento” do preço da gasolina.

Recém-chegada à Presidência, Dilma Rousseff culpava suspeitos de sempre, os anônimos “inimigos externos”.

APENAS QUATRO TECLAS

No alto da torre, de porta fechada e solitário na sala refrigerada, ele apertou quatro teclas no computador: “SG9W”. Foi como abrir um cofre: abriu-se o acesso a valiosos papéis da Petrobras.

Procurou um documento específico (“E&P-PRESAL 21/2011”). Era novo e dos mais sigilosos da empresa naqueles dias. “Confidencial”, advertia a etiqueta na capa. Concluído três semanas antes, consolidava o “Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado do Polo Pré-Sal da Bacia de Santos”. Descrevia, em detalhes, a estratégia tecnológica e financeira da estatal para exploração de “uma nova fronteira petrolífera com elevado índice de sucesso exploratório, contendo grandes acumulações de petróleo de boa qualidade para a geração de derivados”.

O relatório com dois anexos foi copiado às 15:40:34. No dia seguinte, começou a ser analisado por um grupo de especialistas em Amsterdã.

TODOS JÁ SABIAM…

Na segunda-feira, 18 de abril, 11 dias depois, quando a diretoria da Petrobras se reuniu na sede da Avenida Chile, no Centro, para aprovar o secreto plano para o pré-sal, cópias já circulavam em Londres, Mônaco e na holandesa Schiedam, onde está instalada a SBM, fornecedora de quase um terço dos navios, sondas e plataformas alugados pela estatal brasileira. Nos meses seguintes, vieram outros três documentos sigilosos.

Nessa operação de espionagem vazaram alguns dos maiores segredos da Petrobras no governo Dilma Rousseff. Por trás, não havia nenhum serviço de informações estrangeiro, o “inimigo externo”, embora naquele abril de 2011 a americana Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) estivesse trabalhando com idêntico objetivo.

Foi uma ação de brasileiros. A senha usada para copiar era exclusiva — de uso pessoal — de Jorge Luiz Zelada, que há três anos ocupava a Diretoria Internacional da Petrobras por indicação do deputado federal Fernando Diniz (PMDB-MG), com a chancela amiga do governo Lula. A remessa ao exterior foi realizada por Julio Faerman, agente da holandesa SBM no Rio e responsável pela distribuição de US$ 102,2 milhões em propinas a “funcionários do governo brasileiro”, como confessou a SBM à Justiça da Holanda e à dos EUA.

Há pelo menos oito meses o governo e o comando da estatal sabem das ações de Zelada e Faerman, entre outros. Dilma Rousseff, no entanto, continua na praça pregando contra anônimos “inimigos externos” da Petrobras.*

(*) José Casado – O Globo

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PETROGATUNAGEM

PETROBRAS COMPROU EQUIPAMENTOS INÚTEIS

E TOMOU PREJUÍZO DE R$ 1 BILHÃO


Auditoria interna da Petrobras sobre o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) aponta que a estatal comprou equipamentos antes de definir o modelo de negócio e a estrutura de produção da refinaria, o que gerou um prejuízo de mais de R$ 1 bilhão gasto para evitar a deterioração de aparelhos e unidades sem uso.

Parte do maquinário adquirido inclusive não será mais utilizada, e agora a Petrobras estuda se será possível aproveitar os equipamentos em outras unidades.

Na investigação, funcionários da Petrobras apontaram “pressões” das diretorias de Serviços e Abastecimento da estatal, então chefiadas respectivamente por Renato Duque e Paulo Roberto Costa, investigados na operação Lava Jato, para acelerar as aquisições e obras do Comperj.

A apuração também apontou irregularidade na maior contratação citada no relatório, no valor de R$ 3,8 bilhões, feita pela Petrobras sem concorrência pública com o consórcio TUC, formado pelas empresas Odebrecht, UTC e Toyo.

Essas empreiteiras também são alvo da Lava Jato pela suposta formação de cartel e foram incluídas pela Petrobras em lista de empresas temporariamente impedidas de contratar com a estatal.

COMPRAS ANTECIPADAS

A comissão da Petrobras concluiu o relatório em novembro e enviou o trabalho para a força-tarefa da Lava Jato no mês seguinte.

A auditoria apontou que as compras de equipamentos e obras de unidades começaram em abril de 2010, “enquanto ainda era discutido o modelo de negócios para as utilidades e para a unidade de geração de hidrogênio, essenciais para a entrada em operação da refinaria”.

A estatal prevê que o Comperj comece a produzir em agosto de 2016. Para preservar os equipamentos adquiridos e ainda sem uso, a estatal gastou mais de R$ 1 bilhão.

A comissão relatou que na apuração “logo atraíram a atenção os relatos de pressões por prazo à área de Engenharia” pelas diretorias chefiadas por Duque e Costa.

Tal fato levou ao descompasso entre as contratações e as reais necessidades de cada fase de implantação da refinaria, segundo a apuração.

SEM CONCORRÊNCIA

A contratação sem concorrência pública do consórcio TUC, formado por empreiteiras investigadas na Lava Jato, foi para a implantação das unidades de geração de vapor e energia, tratamento de água e efluentes do Comperj.

A investigação apontou irregularidade no fato de a contratação direta ter sido feita sob a justificativa de urgência, em 2011, em um momento em que havia grande indefinição sobre os prazos de conclusão da refinaria.

O relatório aponta “evidências no sentido de que os gestores não possuíam, na época da contratação, a segurança necessária no cronograma do Comperj que justificasse a contratação direta”. Duque, Costa e outros quatro diretores foram responsabilizados pelas irregularidades nas contratações.

Segundo a auditoria, “as falhas de gestão, problemas de planejamento e de coordenação na execução do projeto podem ter contribuído para facilitar a ocorrência de eventuais ações criminosas” sob apuração na Lava Jato.

ESCALÕES SUPERIORESOs ex-diretores da Petrobras Renato Duque e Paulo Roberto Costa afirmaram que contratações apontadas como irregulares em auditoria sobre o Comperj foram aprovadas em escalões superiores da estatal.

A Petrobras não se manifestou sobre as conclusões de sua apuração interna.

Por meio de nota, Duque afirmou que os contratos do Comperj foram aprovados de forma colegiada pela diretoria executiva da Petrobras, após receberem parecer favorável do departamento jurídico da companhia.

O advogado de Costa, João Mestieri, disse que o relatório mostra que “a auditoria foi feita de um modo que ignora o processo de aprovação de contratos na Petrobras”.

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Segundo Mestieri, todas as contratações são decididas pelo conselho de administração da estatal, e os diretores atuam apenas como consultores para as deliberações.

Em nota, a construtora Odebrecht afirmou que desconhece o teor da auditoria da Petrobras e que “todos os contratos de prestação de serviços conquistados pela Odebrecht foram pautados nas normas e leis vigentes”.

“A Odebrecht reitera que não participou ou participa de qualquer cartel e está, como sempre esteve, à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos”, de acordo com a nota.

A UTC afirmou em nota que “não pode se manifestar sobre documentos dos quais não tomou conhecimento oficial e integralmente”.

Procuradas pela reportagem, a Petrobras e a Toyo não se manifestaram.*

(*) Flávio Ferreira, Folha de São Paulo

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“SE GRITAR, PEGA LADRÃO”…

2 investigados na linha de sucessão é demasia

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A política brasileira foi sempre tão cheia de anomalias que os escândalos agora saem gêmeos: mensalão—petrolão, por exemplo. Descobriu-se que o procurador-geral da República Rodrigo Janot decidiu incluir Eduardo Cunha no rol dos políticos passíveis de investigação na Operação Lava Jato. A despeito de o deputado negarqualquer tipo de envolvimento no caso, o chefe do Ministério Público pedirá no STF a abertura de um inquérito contra ele.

Considerando-se que o senador Renan Calheiros encontra-se em situação análoga, o país pode estar prestes a testemunhar o surgimento de mais um absurdo gêmeo. A dupla é favorita na briga pelo comando das Casas do Congresso. A eleição de Cunha para presidir a Câmara e a de Renan para continuar dirigindo o Senado os colocaria em terceiro e quarto lugar na linha de sucessão, depois do correligionário Michel Temer. O que obrigaria os brasileiros a manter permanentemente acesas duas velas —uma para Dilma e outra para o próprio Temer.

Na hipótese de um impedimento de Dilma, quem assumiria o seu lugar, você sabe, seria Temer. A partir daí, qualquer hipotética mudança provocaria insondáveis efeitos na cabeça das crianças. Impedido Temer, assumiria o impensável, cujo sucessor direto seria o inaceitável. As forças de segurança teriam de entrar em estado de alerta. Haveria um enorme risco de ocorrer um suicídio coletivo se acontecesse qualquer coisa com a Dilma e o Temer não pudesse assumir. O repórter não é afeito a armas. Mas já deu ordens à família: se algo acontecer com os dois primeiros da linha sucessória, me matem. Até para os padrões nacionais um presidente sob investigação do STF seria uma demasia.*

(*)  Blog do Josias de Souza

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CÚMPLICES

Por que Dilma não demite

a presidente da Petrobras

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Um dia ainda será desvendado o mistério da ligação para a vida ou para a morte entre a presidente Dilma Rousseff e a presidente da Petrobras, Graça Foster – a Graciosa.

Conhecedor das entranhas do que já foi apurado até agora sobre a roubalheira na Petrobras, o Procurador Geral da República recomendou a demissão de Graça e dos demais diretores da empresa.

Elegante e diplomático como sempre, o vice-presidente Michel Temer procedeu da mesma forma. Por sinal, não há um só político com juízo que pense diferente disso. E, no entanto…

Sobrou para Moreira Franco, ministro da Secretaria de Aviação Civil, que havia sido escalado por Dilma para permanecer no cargo durante seu segundo governo. Moreira teve um bom desempenho na Secretaria.

Repórteres de O Globo, Simone Iglesias e Geralda Doca apuraram que Dilma resolveu mandar Moreira embora por que ele, em uma reunião do PMDB, defendeu a demissão de Graça.

Amizade apenas não justifica o empenho desmedido de Dilma em manter Graça na presidência da Petrobras. Graça está bichada. Na melhor das hipóteses, foi incompetente por desconhecer o que se passava ao seu redor.

O comportamento de Dilma alimenta a suspeita de que ela e Graça agiram juntas para acobertar o esquema de corrupção da Petrobras montado ainda no governo Lula. Nesse caso, como ela poderia largar Graça de mão?

Dilma não é Lula. Que largou de mão José Dirceu para que uma cabeça rolasse em pagamento pelo escândalo do mensalão.*

(*) Blog do Noblat

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