XEROX DE LIVROS

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Já se cogitou há algum tempo de um projeto de lei que permita a cópia xerográfica não apenas de capítulos de livro, mas também do livro inteiro, desde que seja para uso pessoal, sem intenções comerciais.  O preço do livro é alto demais no Brasil, e, sobretudo no caso de obras coletivas, é preferível  ter apenas o capítulo desejado e não o livro inteiro. A cópia é muito mais barata.

Reconheço que um estudante terá sua vida facilitada se lhe for permitido copiar o livro inteiro, já que a cópia, por mais páginas que tenha, é sempre mais barata. Mas o autor do livro copiado pode ser seriamente prejudicado.

Em 1982, Celso Pedro Luft publicou pela L& PM, de Porto Alegre, o livro O Gigolô das Palavras, título de uma crônica de Luís Fernando Veríssimo, equivocadamente analisada pelo gramático que achava estar publicando lições com embasamento linguístico. No dia 25-8-85, publiquei no Suplemento Literário do Minas Gerais uma crítica a esse livro  mostrando que muitas das observações do autor eram inadequadas, por se respaldarem em obras superadas, como a de Charles Hockett, A course in modern linguistics, publicada pela Macmillan de Nova Iorque em 1958. Uma das afirmações de Luft (que não levou em conta o fato de ter-se apoiado num livro escrito trinta anos antes) era a de que uma criança de três anos já é um adulto linguístico e sabe, portanto, fazer análise sintática (o que ele queria dizer é que a criança já constrói frases sintaticamente organizadas).  Ora, em 1974, quase uma década antes do lançamento do livro de Luft, já havia saído pela Eldorado, do Rio de Janeiro, organizado pelas professoras Maria Stella Fonseca e Moema F. Neves, o livro Sociolinguística, em cujas páginas 49-85 se encontra um estudo primoroso de William Labov intitulado “Estágios na aquisição do inglês Standard”, que mostra que é apenas a partir dos cinco anos que a criança, ao entrar na escola e ao pôr-se em contato com outras crianças, vizinhos e colegas,  aprende o dialeto do grupo e se distancia do dialeto familiar. Pode-se dizer, portanto, que uma criança de três anos apenas domina a gramática básica, em seu contato com a família.

Luft não gostou da minha crítica e partiu para uma resposta agressiva, publicada no Suplemento Literário, no dia 2 de novembro de 1985. A polêmica prosseguiu até o dia 27 de setembro de 1986, com meu artigo intitulado “Dissonância cognitiva”, em que mostro, citando Humberto de Campos, Rubem Braga  e Manuel Bandeira, entre outros cronistas, que, ao contrário do que afirmava Luft, a combinação de pronomes, a mesóclise e o emprego de tu e vós ainda se encontram em escritores brasileiros contemporâneos e não devem ser retirados das gramáticas de língua portuguesa.

No final de 1986, José Hildebrando Dacanal, que trabalhava na Editora Mercado Aberto e costumava ler o Suplemento Literário, pediu-me que reunisse todos os meus artigos da polêmica e organizasse um livro sobre o ensino da língua. Assim, em 1988, saiu, pela Mercado Aberto, o  meu livrinho Por uma política do ensino da língua, em que não cito Luft, porque, como justifiquei com o Dacanal, meu livro era uma proposta e não uma resposta.

Em 1988, ainda, a professora Edith Pimentel Pinto, pediu aos seus alunos de pós-graduação da Universidade de São Paulo, que analisassem os três livros que tratavam do mesmo assunto: o de Celso Luft, acima citado; o de Evanildo Bechara, intitulado Ensino da Gramática: Opressão? Liberdade? (São Paulo:Ática, 1985), também contradizendo Luft, embora indiretamente; e o meu. Os alunos compraram os livros de Luft e Bechara, mas acharam mais barato tirar cópia do meu, que era o mais fininho dos três… Resultado: fiquei sem receber os direitos autorais dos 30 exemplares que os alunos da Dra. Edith deixaram de comprar…

É por isso que sou contra a permissão de se fazerem cópias xerográficas de livros inteiros… Apesar de tudo, restou-me o consolo de saber que meu livro foi lido, analisado e eleito o segundo melhor dos três. O de Luft ficou em terceiro lugar.*

 

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011.

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EMPRESÁRIO CULT DO LULOPETISMO

‘Estou comendo vidro’, diz Eike sobre dificuldades no grupo

000 - eike aista - mamando sempre

O empresário Eike Batista atribuiu as dificuldades atuais de seu conglomerado às falhas de gestão cometidas por executivos do grupo, à impaciência dos investidores e à falta de sorte.

Em entrevista ao “Wall Street Journal”, o executivo disse ter sido enganado pelo “dream team” (time das estrelas) de diretores montado para tocar os negócios do grupo.

Em referência à OGX, uma das principais frustrações dos investidores, Eike considerou que, por ser executivo da área de mineração, não tinha conhecimento suficiente sobre a indústria de petróleo para questionar relatórios apresentados pelos executivos.

“Sou dono de um grande grupo. Eu, sozinho, não posso fazer isso. Eu poderia ser o dono de um hospital, mas sem 50 cirurgiões das suas respectivas áreas você não é nada. Não tenho conhecimento específico. Você não pediria ao dono de um hospital para operar seu rim”, diz ao jornal.

Grupo EIG será controlador da LLX

Os negócios no setor de petróleo, diz, foram uma tentativa de criar riqueza e dividi-la, uma aposta que foi beneficiada pela bolha dos altos preços da matéria-prima, segundo ele.

“Vivendo em um país que tem essas descobertas de petróleo gigantescas, por que eu não poderia ter sido abençoado com uma delas?”, diz.

Eike está no centro de uma das maiores reestruturações empresariais do país. Mergulhado em uma crise de credibilidade e com dívidas superiores a R$ 20 bilhões, o grupo EBX viu o valor de suas empresas ser reduzido a menos de 15% do pico, próximo a R$ 7 bilhões.

O executivo iniciou vendas do seu patrimônio para pagar dívidas e hoje tem posições expressivas só nas empresas que não conseguiu repassar para outros grupos, como OGX e OSX.

Um dos próximos passos, segundo ele, pode ser a venda das plataformas de petróleo para levantar cerca de R$ 1 bilhão.*

(*) Folha de SP

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SE GRITAR PEGA LADRÃO…

Auditoria liga mulher de ministro do Trabalho a

convênios com irregularidades no Estado de SC

000-ESCÃNDALOS

Auditoria realizada pelo Tribunal de Contas de Santa Catarina detectou irregularidades em convênios irrigados com verbas do Ministério do Trabalho. Os contratos somam R$ 2,1 milhões, dos quais 83% são verbas federais. São mencionados no processo Dalva Maria de Luca Dias e Rodrigo Minotto, respectivamente mulher e chefe de gabinete do ministro Manoel Dias (Trabalho).

A revelação consta de notícia produzida pelos repórteres Andreza Matais e Fábio Fabrini. Eles contam que os papeis da auditoria foram remetidos ao TCU, órgão responsável pela fiscalização do uso das verbas federais. O envio dos documentos foi feito na segunda-feira da semana passada, mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou a Operação Esopo, aquela que apontou desvios de R$ 400 milhões na pasta do Trabalho.

Dalva Dias, a mulher do ministro, foi secretária de Assistência Social, Trabalho e Habitação do governo de Santa Catarina entre maio de 2007 a julho de 2010. Foi nessa função que ela geriu os recursos recebidos de Brasília. Rodrigo Minotto, o chefe de gabinete do atual ministro, era coordenador do Sistema Nacional de Emprego (Sine) em Santa Catarina. As verbas foram transferidas na gestão de Carlos Lupi, demitido da pasta do Trabalho em dezembro de 2011 na pseudofaxina de Dilma Rousseff.

Filiado ao PDT, Manoel Dias faz política em Santa Catarina. Foi à poltrona de ministro por indicação de Lupi, presidente nacional da legenda. De acordo com os auditores do TCE, o tribunal de contas estadual, o dinheiro do Ministério do Trabalho foi repassado a três entidades, uma delas vinculada ao PDT. As verbas deveriam ter financiado cursos profissionalizantes. Detectaram-se na contabilidade despesas “sem caráter público”, “ilegítimas” e com descrições “genéricas”. Os editais não mencionavam nem o tipo de aula que seria ministrada.

O TCU já havia analisado as formalidades da contratação das entidades. Embora a licitação tenha sido dispensada, o tribunal considerou legais os convênios. Diante das constatações da auditoria estadual, os contratos serão reavaliados em Brasília.

Ouvida, a mulher do ministro negou que tenha patrocinado malfeitos. “Estão querendo pegar coisas minhas por causa dessa história toda do ministério. Você pode fuçar minha vida quanto quiser. Foi tudo feito com a maior lisura. Eu tenho, por princípio, zelar pela coisa pública”, disse Dalva Dias. Se é assim, por que há processos no TCE? “Não há no Brasil nenhum gestor público que não tenha um processo.”

Rodrigo Minotto considerou “salutar” o envio dos documentos ao TCU. Disse que exercerá o seu direito ao contraditório. “Não dá é para fazer prejulgamento.” Afirmou que não se sente desconfortável no cargo de chefe de gabinete de Manoel Dias. Não cogita pedir para sair.*

(*) Blog do Josias de Souza.

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DICAS PARA QUEM ESCREVE (II)

000- a coluna do Joauca - 500

 

1. Uso do apóstrofo – Segundo o Formulário Ortográfico, reproduzido nas partes pré-textuais do Aurélio (p. XX-XXV) e no Volp, usa-se o apóstrofo em apenas três situações: a) para indicar supressão de uma letra ou letras num verso: c’roa, ‘star; b) para reproduzir pronúncias populares: ‘tava, ‘teve; c) para indicar a supressão da vogal em palavras compostas por hífen: pau-d’água (bêbado), copo-d’água (planta, lanche). E observa o Formulário Ortográfico: “Restringindo-se o emprego do apóstrofo a esses casos, cumpre não se use dele em nenhuma outra hipótese.” Assim: falta dágua, dele, doutro, daqui, vivalma, etc. Apesar disso, os dicionários registram “filho d’algo” (fidalgo), sem hífen e com apóstrofo.

2. Ganho-ganhado – Quando um verbo tem dois particípios (verbo abundante), o regular tem sempre função verbal; e o irregular, função adjetiva. Por exemplo: O vento tinha secado a roupa (função verbal). A roupa está seca (função adjetiva). Os particípios regulares se constroem com “ter” ou “haver”; os irregulares, basicamente, com “ser” ou “estar”. Se o particípio regular puder ser usado também como adjetivo e não apenas como verbo, então os dois particípios poderão ter sentido diferente: homem omisso (irresponsável) / homem omitido (esquecido); garota enxuta (de corpo bonito / garota enxugada (livre de umidade); carro seguro (que dá segurança ) / carro segurado (coberto por uma seguradora); trabalho correto (sem erro) / trabalho corrigido (que sofreu correções); amigo oculto (amigo X) / amigo ocultado (escondido); abstraído/abstrato; pervertido/perverso; torcido/torto; rompido/roto; corrompido/corrupto, etc.

Em contrapartida, há  três verbos que perderam seus particípios regulares há pelo menos 200 anos, restando apenas os irregulares: ganhar (ganho), pagar (pago) e gastar (gasto). Não existem mais as formas “ganhado”, “pagado” e “gastado”, apesar de aparecer na imprensa, vez por outra, a forma “ganhado”. Seu uso é um anacronismo, um arcaísmo. Numa consulta ao Aurélio, no verbete “ganhar”, item 30, ler-se-á: “a forma regular ‘ganhado’ quase não é usada hoje, a não ser em certos provérbios e  locuções, como, p. ex., vintém ganhado, vintém poupado, e viver do ganhado.” Basta conferir.

3. Ovo estalado/ovo estrelado – O Houaiss, no verbete “estalar”, registra, na acepção 6, o verbo “estalar” como sinônimo de “estrelar”, isto é, de fritar o ovo com a clara e a gema inteiriça. A primeira acepção de “estalar” é “partir, quebrar, espedaçar”, tanto no Houaiss quanto no Aurélio. Para os cozinheiros, ovo estrelado é o ovo frito inteiro, com clara e gema inteiras. E ovo estalado é o ovo frito aos pedaços, como o que se usa para fazer farofa ou recheio de frango. Portanto não existe erro nenhum em se dizer “ovo estalado”, ainda que se não queira fazer a distinção dos “chefs” de cozinha.

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011.

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VAI ACABAR EM PIZZA

Celso de Mello diz que não se sente pressionado

00rs0913b - SERVIÇO COMPLETO

O decano do Supremo Tribunal Federal, Celso de Mello, afirmou neste sábado, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, que não se sente pressionado pela circunstância de ser o responsável pelo desempate da votação que poderá garantir o direito a um novo julgamento a 12 dos 25 condenados no processo do mensalão. “Absolutamente não. Eu leio o noticiário e, a despeito do que se fala, não sinto nenhum tipo de pressão”, disse o ministro neste sábado à tarde, em entrevista por telefone. “Após 45 anos, seja como promotor ou juiz, é uma experiência que você tem e supera tranquilamente.” O fato de o presidente do STF, Joaquim Barbosa, ter encerrado a sessão na quinta-feira passada quando o placar estava empatado em 5 a 5, submetendo o decano a uma espera de quase uma semana para a revelação do voto, também não o abalou: “O adiamento da sessão, longe de significar qualquer possibilidade de pressão externa, aprofundou ainda mais minha convicção”, afirmou o ministro. Na quinta-feira, Barbosa encerrou a sessão mesmo depois de ter recebido de Celso de Mello um aviso de que estava pronto para votar e de que sua manifestação demoraria apenas cinco minutos. Com base em declarações anteriores do ministro a respeito do tema, a expectativa no STF é de que, na quarta-feira, ele desempate a votação reconhecendo o direito a uma segunda chance para os condenados que conseguiram pelo menos quatro votos absolutórios. Nesse grupo está o ex-ministro José Dirceu, condenado a 10 anos e 10 meses por corrupção ativa e formação de quadrilha. O próprio Celso de Mello disse na semana passada, em entrevista à imprensa, que no início do julgamento do mensalão, em agosto de 2012, já tinha exposto a sua posição. Na ocasião, ele afirmou que está em vigor a regra que garante a réus condenados o direito aos chamados embargos infringentes – na prática, isso significa um novo julgamento. “Não sinto nenhum tipo de pressão e estou pronto para proferir o meu voto”, afirmou Celso de Mello. “O que acho importante é que tenho a minha convicção. Aprofundei-a muito. Li todas as razões das diferentes posições. E cada vez mais estou convencido de que fiz a opção correta.” Questionado sobre a direção em que iria sua convicção, o ministro preferiu manter sigilo do voto.

(*) Mariângela Galucci – Estadão.

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DICAS PARA QUEM ESCREVE (1)

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Há certas regrinhas que muitos usuários da língua desrespeitam quando escrevem, por vício de oralidade. Vejamos algumas delas.

1. Em face de/em frente de – As locuções prepositivas formadas com um substantivo têm sempre duas preposições: uma antes e outra depois do substantivo. Ex.: fim / a  fim de; atenção / em atenção a; função / em função de; respeito/ a respeito de /com respeito a; causa / por causa de; procura / à procura de, etc. Ora, como “frente” e “face” são substantivos, as locuções prepositivas correspondentes têm de ser formadas com duas preposições: à frente de/em frente a/em face de. Vale dizer: “frente a” e “face a” não existem, nem constam dos bons dicionários de língua.

As únicas locuções prepositivas com núcleo substantivo e apenas uma preposição no fim são, que eu saiba, “graças a” e “mercê de”, que são sinônimas. Esta última, com sentido de “ao capricho de”, tem também duas preposições ladeando o núcleo substantivo: “por mercê de”. A explicação para essas exceções, parece-me, prende-se à mudança de sentido ao longo do tempo. A expressão “graças a” é exceção talvez por causa da alteração semântica do latim “gratia”, agrado, para “favor” e “reconhecimento” (“dar graças a Deus”), que se manteve no sinônimo “mercê”: “mercê de Deus” (“pela mercê de Deus”). Assim “graças a” vem de “graças a Deus”, uma parte da expressão “dar graças a Deus”. As formas “graça” e “mercê” (esta, em sua tradução francesa, “merci”, denota agradecimento) estão na origem das formas respeitosas de tratamento de 2ª pessoa: vossa mercê (port.), vuestra merced (esp.), Lei (=ela, italiano), Sie (= elas, alemão). Em alemão,  a fórmula “vossa mercê” era traduzida no plural: Eure (por Euer) Gnaden, isto é, “vossas graças”.

2. Dentre – entre – de entre. “Dentre” é contração das preposições “de” e “entre”, e significa “do meio de”. Em outras palavras, se não há “de”, não há “dentre”. “Entre” significa “no meio de”, “em meio a”. Ex.: “Bendita sois vós entre (não “dentre”) as mulheres.” MAS: “Dentre nós sairá o candidato ao cargo” (sair de). “De entre” se escreve em duas palavras, quando se quer manter a percepção diferenciada das unidades de um conjunto: “Ela tirou essa idéia de entre os vários livros e professores que consultou.”

3. Afro-afra – Certos adjetivos pátrios podem ser abreviados, como luso (lusitano), afro (africano), nipo (nipônico), franco (francês), etc. Outros têm equivalentes reduzidos bastante diferentes, como galo (francês), ebúrneo (costa-marfinense), sino (chinês), etc.

Em linguística, dizemos que uma “forma” é presa quando não tem existência isolada. “Forma” é o nome que se dá a um fonema ou a um conjunto de fonemas dotados de significação. Assim, o S final de “pratos” é uma forma que significa “mais de um”, característica do plural. E é uma forma presa, porque só pode aparecer anexada a um nome (substantivo ou adjetivo).  A palavra “prato” é também uma forma, já que tem significação própria. Mas é uma forma livre, porque é capaz de, sozinha, constituir uma frase, como na resposta à pergunta: “O que você comprou? Prato ou panela?” Resposta:  “Prato”.

Adjetivos pátrios, como nipo- ou sino-, aparecem nos dicionários com um hífen aposto à vogal final, para indicar que são formas presas, que só existem na composição de formas livres, como sino-brasileiro ou nipo-americano. Assim, não podemos dizer “música sina” nem “canção nipa”. Mas “luso” e “afro”, contudo, são formas livres, isto é, são adjetivos que têm pronúncia independente de qualquer outra forma, como em “música lusa”, “dança afra”, embora possam aparecer como formas presas na composição de outras formas, como em “luso-brasileiro” ou em “afrodescendente”. O Volp e os dicionários Houaiss e Aurélio registram “afro” indevidamente como forma apenas presa, contrariando bons gramáticos, como Domingos Paschoal Cegalla (Dicionário de dificuldades da língua portuguesa) e o Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa.

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011.

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BANANA REPUBLIC

Uma lista de Drops Brasilis. Tão falsos quanto a matéria-prima

000 - acir - governo dilma

1 ─ Música de cabeceira de José Dirceu; Juventude Transviada de Luiz Melodia. Aquela que começa assim: “Lava a roupa todo dia, que agonia…”.

2 ─ Já Valdemar Costa Neto, nestes novos tempo, prefere Eu sou boy, do Kid Vinil, que acaba assim: “Chega o fim do mês, com toda aquela euforia, todos ganham bem e eu aquela mixaria…Sou boy, eu sou boy”.

3 ─ O Congresso Nacional é a única escola atual que precisa de bedéis. (É escola de bandidos e os bedéis são juízes).

4 ─ Dilma Rousseff não precisa ficar preocupada. Barack Obama ouviu tudo mas, como todo mundo (exceto Celso Arnaldo), não entendeu nada.

5 ─ Os milicianos são tão espertos que agora só falam ao telefone bem baixinho prá ninguém ouvir.

6 ─ A espionagem em mails feita pela NSA foi um fracasso. Os três mails trocados entre lulopetistas eram cópias das lições do curso de alfabetização.

7 ─ Michel Temer é o único sujeito com cara de mordomo que não é suspeito do crime. Os patrões têm preferência.

8 ─ Sansão perdeu os cabelos e a força. Lula perdeu a barba e o resto de vergonha.

9 ─ Dúvida: a próxima reunião da Executiva Nacional do PT será na Papuda ou será providenciada uma teleconferência conectando diversos presídios?

10 ─ Por que todo blogueiro chapa-branca vem da imprensa marrom? Seria o caso do vermelho-de-vergonha? Haja cores.

11 ─ José Serra dorme pouco. O último sono prolongado coincidiu com as eleições de 2010.

12 ─ Aécio Neves, depois de decidir se é mineiro ou carioca, e se é senador ou ex-governador, vai decidir se é oposição ou não. Cada coisa a seu tempo.

13 ─ Eduardo Campos já não tem dúvidas. Com ele é: “Ser e não ser. Encerrada a questão!”

14 ─ Marina Silva é coerente. Nasceu na floresta, na floresta se criou e nela há de morrer. Qualquer semelhança com outros habitantes da selva não é mera coincidência.

15 ─ Dilma sabe a que veio. Por isso, sofre. E Lula ri.

16 ─ Ouvir ainda é possível aceitar. Mas aquele olhar cínico de Obama para Dilma já é humilhação.

17 ─ A primeira comunicação interceptada de que se tem notícia no Brasil foi obra do espião que vazou a carta de Pero Vaz de Caminha endereçada ao rei de Portugal.

18 ─ Não é verdade que a Rússia pretende atacar os EUA em outubro, por causa do imbróglio na Síria, com o lançamento de Dilma em território americano.

19 ─ Caso o PT naufrague nas eleições de 2014, o PMDB já reivindica o emprego de coveiro do cemitério federal.

20 ─ Faltam opositores. Sobram aderentes. Caso ginecológico ou de higiene íntima.

21 ─ A oposição no Brasil é tão feroz e combativa que prefere o silêncio. Afinal, o silêncio é de ouro.

22 ─ Título de eleitor anda tão desmoralizado que a exigência de documento com foto é para certificar-se de que o cidadão vai mesmo fazer a bobagem que planejou.

23 ─ O mais irritante não é a corrupção generalizada e impune. É a gargalhada do corrupto a cada crime descoberto.

(*) REYNALDO ROCHA, NO BLOG DO AUGUSTO NUNES.

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COCHILOS DE QUEM ESCREVE

000- a coluna do Joauca - 500

Alberto Dines, na década de 70, quando era ombudsman da Folha de São Paulo, assinava uma coluna dominical chamada “Jornal dos jornais”, em que comentava deslizes linguísticos da mídia, não para criticar ou menosprezar, mas para orientar e reclamar mais atenção de seus colegas jornalistas.

Na coluna “Entre aspas”, Rubens Gomes publicava em A GAZETA uma seleção de frases alheias, mas evitava comentá-las porque, normalmente, eram frases que qualquer um que tenha  bom senso endossaria. Como Alberto Dines, não pretendo fazer pouco de ninguém, mas alertar os que escrevem, a fim de que tenham mais cuidado e releiam sempre seus textos antes de dá-los à estampa. Eis uma pequena lista de cochilos encontrados em textos alheios:

1.As vítimas do assassinato estavam indo embora da feira que acontece na região, dentro de uma Kombi. (A frase sugere que a feira acontece dentro de uma Kombi.)

2. Em pleno desespero, a dona de casa pulou com o filho de 1 ano e 2 meses nos braços do seu apartamento que fica no segundo andar. (A frase sugere que um apartamento tenha braços…)

3. Três suspeitos de intimidar testemunhas de crimes foram presos, a mando de presos. (Na verdade, os três eram suspeitos de intimidar testemunhas a mando de presos… Não foram os presos que mandaram prendê-los, como sugere a frase.)

4. A asa esquerda do Legacy atingiu o final da asa esquerda do Boeing  e se desprendeu. (Referência ao acidente aéreo que matou 154 pessoas. O texto dá a impressão de que foi a asa do Legacy que se desprendeu, mas foi a do Boeing.)

5. “…cumpriram, ontem, mandado de busca e apreensão na residência onde mora um casal de técnicos…”   (Melhor dizer: “na residência de um casal de técnicos”. Afinal, toda residência é lugar onde se mora…)

6. Se você tem interesse em abrir uma loja no Hortomercado, entre em contato com a empresa que irá administrar o local pelo telefone 9982… (O texto dá a impressão de que a empresa vai administrar por telefone…)

7. Avisos paroquiais ambíguos (colaboração dos amigos Roldão Simas Filho e José Lemos Sobrinho): a) Para quem tem filhos e não o saiba, temos na paróquia um espaço preparado para as crianças. b) O custo da participação na reunião sobre “Oração e Jejum” inclui refeições. c) Sexta-feira, às sete da tarde, as crianças da catequese representarão o Hamlet de Shakespeare no salão paroquial. A comunidade está convidada a participar dessa tragédia. d) Estimadas paroquianas: não esqueçais a venda de beneficência! É uma boa altura para vos livrardes de coisas inúteis que tendes em casa. Trazei vossos maridos. e) Quinta-feira que vem, às 5h da tarde, haverá uma reunião do grupo de mães. Todas as paroquianas que desejem fazer parte do grupo das mães devem dirigir-se ao escritório do pároco. f) As reuniões do grupo de recuperação da autoconfiança são às sextas-feiras, às 8h da noite. Por favor, entrem pela porta traseira. g) Assunto da catequese de hoje: “Jesus  caminha sobre as águas.” Assunto da catequese de amanhã: “À procura de Jesus.” h) O coro dos maiores de 60 anos vai ser suspenso durante o verão, com o agradecimento de toda a paróquia. i) Lembrem em suas orações todos os desesperados e cansados da nossa paróquia. j) O mês de novembro finalizará com uma missa cantada por todos os defuntos da paróquia. l) O torneio de basquete das paróquias vai continuar com o jogo da próxima quarta-feira. Venham nos aplaudir. Vamos tentar derrotar o Cristo Rei. m) Lembrem-se de que quinta-feira começará a catequese para meninos e meninas de ambos os sexos.

8. Ainda tenho e leio os contos da carochinha que há mais de cem anos encantaram meu avô, minha mãe e eu. (Crônica “Prazer de ler”, de Francisco Aurélio Ribeiro, A Gazeta, 22-06-2003) (O autor, além de usar o pronome eu como objeto direto, afirma ter mais de 100 anos. Corrija-se: Ainda tenho e leio os contos da carochinha que há mais de cem anos encantaram meu avô e minha mãe, e ainda hoje me encantam.)

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011.

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BANANA REPUBLIC

O tempo fora de tempo

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Diz o Eclesiastes, um dos livros da Bíblia, que há um tempo para tudo, um tempo para tudo o que ocorre. Há, pois, que ter o tempo como aliado; e saber quando a hora não chegou. E, quando não for o tempo, adiar o que se deseja.

É justo ou não o pedido do ministro Joaquim Barbosa de aumento de salários no STF? Pode ser; mas não é hora de elevar agora o salário do STF para mais de R$ 30 mil, quando o salário mínimo talvez vá para R$ 722, e só no ano que vem. É correto manter o mandato do deputado federal Natan Donadon, do PMDB, preso por corrupção? Este colunista acha que não, a Câmara acha que sim; mas não é hora de criar a figura jurídica do deputado sem direitos políticos, que não pode votar nem ser votado, nem comparecer às sessões, mas continua deputado.

Não é o tempo certo para que a cúpula do país faça reivindicações, por justas que lhe pareçam. Multidões foram às ruas pedir seriedade na administração pública. Não é o tempo certo para que o governador do Ceará, do PSB, compre quatro helicópteros sem licitação e contrate bufês suntuosos para servi-lo; nem para que o senador Cássio Cunha Lima, do PSDB, arranje emprego público para a namorada, a sogra e o cunhado; nem para que o governador gaúcho, do PT, gaste R$ 400 mil do Tesouro para avaliar se o jornal Zero Hora o trata com imparcialidade; nem para que o governador do Piauí, do PSB, queira pagar seu hidratante, xampu reparador e gel esfoliante com dinheiro público. Puro deboche.

Parafraseando o Eclesiastes, que proveito tirou o povo de suas manifestações?

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Sabedoria antiga

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Um grande historiador, Capistrano de Abreu (1853-1927) dizia que a nossa Constituição deveria ter apenas dois artigos: “1 – Todo brasileiro fica obrigado a ter vergonha na cara. 2 – Revogam-se as disposições em contrário”.

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O caminho das pedras

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Em duas semanas, dois jogos em Brasília, com times de fora, e duas grandes brigas no Estádio Mané Garrincha. Um torcedor do Flamengo foi seriamente machucado por são-paulinos; corinthianos e vascaínos brigaram a pauladas, ignorando a Polícia. Três dos brigões corinthianos estavam entre os detidos em Oruro, após a morte do garoto boliviano Kevin Strada. Fala-se em proibir as torcidas organizadas, mas isso não funciona: basta que troquem de nome, e pronto.

No caso Watergate, a principal fonte dos jornalistas que revelaram o escândalo repetia sempre um lema: “Sigam o dinheiro”. O que se tem de fazer no futebol é buscar o caminho do dinheiro. Como puderam os briguentos ir a Oruro, viajar de avião a Brasília, comprar os caros ingressos, fora outras despesas? Os que ficaram detidos em Oruro por vários meses certamente perderam o emprego. Quem paga suas viagens?

Achando-se a resposta, as brigas acabam na hora.

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Ela não sabia!

Eduardo Gaievski, assessor da ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Gleisi Hoffmann, está foragido: exonerou-se e desapareceu depois de ter sido acusado de abusar sexualmente de meninas pobres, pagando-lhes de R$ 150 a R$ 200 (há outras acusações contra ele, mas esta é a mais grave). Gaievski foi prefeito de Realeza, no Paraná, preparava sua candidatura a deputado estadual pelo PT e seria coordenador da campanha de Gleisi ao Governo do Estado, no ano que vem.

E que disse a petista Gleisi sobre o caso? Claro: que não sabia de nada. Que, antes de nomear o assessor, o Governo consultou a ABIN, a Justiça, cartórios “e todos os órgãos necessários”, mas não recebeu informações porque os processos contra ele corriam em segredo de justiça. Pois é. Mas talvez tenha se esquecido do Cartório da Comarca de Realeza.

A certidão, mediante simples consulta, lista 12 ações contra Gaievski, incluindo a de exploração sexual.

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Dúvida pertinente

Uma pergunta: que significa “rigoroso inquérito”? Há inquéritos dignos desse nome que não sejam rigorosos? A propósito, já existe algum resultado do “rigoroso inquérito” sobre as denúncias da Siemens a respeito do cartel nos fornecimentos para trens urbanos e Metrô em São Paulo, que conforme as denúncias funcionaria desde o Governo Mário Covas, o primeiro da atual dinastia do PSDB?

Há gente daquela época até hoje ocupando cargos importantes, e seria de seu interesse que tudo fosse logo esclarecido, para afastar qualquer suspeita.

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A fila anda

É bom que o “rigoroso inquérito” sobre o cartel em São Paulo ande logo, porque parece que há mais coisas rolando. Existe quem fale em problemas em outros Estados, em fornecimentos para usinas e trens de passageiros regionais.

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Faça o que eu digo

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Está em pleno desenvolvimento o esforço governista de demonização do senador boliviano Roger Pinto, que ficou 455 dias isolado num quarto da Embaixada brasileira em La Paz e fugiu para o Brasil com auxílio do diplomata Eduardo Saboia. Todas as acusações que o Governo boliviano fez contra ele foram descartadas pelo Governo brasileiro, ao conceder-lhe asilo; mas agora são utilizadas como se fossem verdadeiras e comprovadas.

Veja o que diz José Dirceu – o próprio – em seu blog: “Molina, que deveria estar cumprindo pena (…)”

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet.

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E NO PAÍS DA PIADA PRONTA…

Na luz, as sombras

000 - sob risco

Que há um heroi nessa história, não há dúvida: o diplomata Eduardo Saboia honrou as melhores tradições do Itamaraty e da política externa brasileira ao retirar o senador boliviano Roger Pinto, asilado político, do insalubre confinamento a que tinha sido relegado pelo nosso Governo por 455 dias. Que o Governo brasileiro agiu como comparsa das autoridades bolivianas que perseguiam o asilado político, também não há dúvida: as ordens para que a vítima não pudesse sequer tomar banho de sol partiram de dirigentes brasileiros, não dos bolivianos.

Tirando essas duas constatações, só há dúvidas. A história de que o principal adversário político do presidente Evo Morales saiu da Embaixada brasileira em La Paz na companhia de um diplomata e dois fuzileiros navais, rodou 1.600 km e chegou a Corumbá, MS, sem ser incomodado, não se sustenta. Imaginemos a cena: um diplomata determina a dois fuzileiros navais que o acompanhem numa viagem ao Brasil e os dois sequer comunicam a saída a seus chefes. Os carros são parados em vários postos rodoviários bolivianos e ninguém reconhece o passageiro, um político famoso, que vivia aparecendo na TV e nos jornais; e ninguém acha estranho que dois carros com chapa diplomática transportem fuzileiros navais. Passam a fronteira numa boa, sem identificação. E só em Corumbá, depois que telefonam às autoridades, é que o Governo descobre que fugiram.

Saboia diz que o Governo boliviano já havia indicado que não se oporia a uma fuga desse tipo.

Pelo jeito, quem se opunha era Dilma. Ou não.

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Nas sombras, a luz

Saboia é herdeiro da boa imagem do Itamaraty em Direitos Humanos. Na Alemanha nazista, dois funcionários diplomáticos brasileiros, Aracy, O Anjo de Hamburgo, e seu marido, o cônsul (e grande escritor) Guimarães Rosa desobedeceram às ordens do Governo brasileiro e deram vistos a judeus perseguidos pelos nazistas.

Na mesma época, o Governo brasileiro prendia e entregava à Alemanha a esposa do líder comunista Luiz Carlos Prestes, Olga Benário. Lá foi fuzilada.

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Nas sombras, as sombras

00rs0827b - e aí, Mantega

O chanceler Antônio Patriota levou a culpa sabe-se lá do que, e foi punido com a perda do cargo e a nomeação para a ONU, em Nova York. Ou seja, não houve punição: ganhou um belo posto e só perdeu o cargo que jamais ocupou.

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Os sombrios

Hoje, começa nas redes sociais ampla campanha de difamação do senador Roger Pinto. Ele cometeu o crime máximo: opôs-se a um Governo bolivariano.

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…sin perder la ternura

amapa-pinto-pequeno

Noticia do bem-informado e respeitado jornalista Jorge Moreno, em sua coluna Nhenhenhém (http://oglobo.globo.com/pais/moreno/), dia 24: “O caso do aposentado do Senado que exige que o plano de saúde pague sua cirurgia de colocação de prótese peniana pode se transformar num dos maiores escândalos do Congresso Nacional.O dito-cujo tem a lista de todos os senadores, incluindo ex-presidentes do Senado, que tiveram o procedimento pago com dinheiro público”.

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Hay que endurecerse…

Para que o caro leitor não tenha o trabalho de pesquisar, eis os presidentes do Senado do ano 2000 até hoje: Jáder Barbalho, Édison Lobão, Ramez Tebet, José Sarney, Tião Viana, Garibaldi Alves Filho e Renan Calheiros.

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Saúde  e educação

Protestar contra a importação de médicos estrangeiros sem que façam o exame de revalidação do diploma é uma coisa; insultar os estrangeiros que vieram a convite do Governo brasileiro é outra, e grave. Contestar quem os convidou é um direito; mas receber os convidados com cortesia é obrigação. A grosseria dos médicos brasileiros em Fortaleza tira toda a razão que possivelmente tenham.

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Risco

Há tantas acusações conturbando o ambiente que os médicos cubanos ainda vão ser denunciados por formação de padilha.

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Inzoneiro

00rs0809a - sem direção

É fácil entender a crise brasileira. Basta lembrar que:

1 – O Governo petista de São Paulo, a maior cidade do país, quer dar prioridade ao transporte público e dificultar o uso de automóveis. O Governo petista do Brasil reduz impostos para venda de automóveis e segura o preço da gasolina.

2 – Como a frota de automóveis particulares cresceu, beneficiada pelos incentivos e pela estabilidade do preço dos combustíveis, a Petrobras importa petróleo e gasolina, pagando mais caro do que cobra quando vende. Não está sobrando muito para sua prioridade declarada, a exploração do petróleo do pré-sal.

3 – O Brasil exporta minério de ferro e importa trilhos.

4 – A primeira linha de Metrô de Salvador está sendo construída há 13 anos. Ainda não foi concluída.

Mas existem equipamentos comprados há vários anos, já armazenados, já pagos e já inutilizados por falta de uso. E não é só lá, não.

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Passeando de moto

O grande filme sobre o uso de motos Harley-Davidson para espairecer é Easy Rider, com Peter Fonda e Dennis Hopper.

Em português, o título é Sem Destino.*

 

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet.

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