A PIADA DO ANO

Raúl Castro diz que relação com os

EUA não mudará sistema de Cuba

Em discurso na Assembleia Nacional de Cuba, o ditador Raúl Castro afirmou que a reaproximação com os Estados Unidos não mudará o sistema político do país e, em gesto ao aliado Nicolás Maduro, criticou as sanções de Washington contra a Venezuela.

“Não se deve pretender que, para melhorar as relações com os Estados Unidos, Cuba renuncie às ideias pelas quais lutou por mais de um século, pela qual seu povo derramou muito e sofreu os maiores riscos”, disse Raúl.

“É necessário entender que Cuba é um Estado soberano, cujo povo, em livre referendo para aprovar a Constituição, decidiu um rumo socialista”, completou, seguido por fortes aplausos.

Raúl celebrou o restabelecimento das relações com os EUA, mas afirmou que o embargo econômico imposto pelo Congresso americano continua sendo o principal obstáculo para a aproximação entre os dois países e exortou os países latino americanos a continuarem ajudando Cuba a derrubá-lo.

Ele confirmou a participação de Cuba na Cúpula das Américas, no Panamá, no ano que vem. Cuba não participava há décadas da cúpula e os países da Alba haviam ameaçado boicotar o encontro, caso os EUA continuassem se opondo à participação de Cuba – isso tudo antes do anúncio da aproximação bilateral.
Por outro lado, criticou as tentativas dos EUA de “desestabilizar o governo legítimo de Nicolás Maduro”, em relação as sanções contra funcionários do governo venezuelano com bens nos EUA.

No final, de improviso disse que o regime cubano completa 57 anos “e, com esse povo podemos chegar ao ano 570 da revolução. Viva Fidel. Pátria ou morte. Venceremos!”

(*) PATRICIA CAMPOS MELLO
FABIANO MAISONNAVE
ENVIADOS ESPECIAIS A HAVANA – FOLHA/UOL

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VAI QUE É TUA, DILMA!

LULA DISFARÇA E DIZ QUE PROBLEMA

DA PETROBRAS É DE DILMA

 

O ex-presidente Lula disse na quinta-feira que cabe a Dilma Rousseff decidir se Graça Foster deve ou não deixar a presidência da Petrobras.

Questionado pela Folha se achava que Foster deveria deixar a estatal, Lula respondeu:

“Eu não acho nem desacho. É um problema da presidenta Dilma, não é meu”.

Lula também foi perguntado sobre até quando a Petrobras aguenta a crise envolvendo as investigações da Operação Lava Jato.

“A Petrobras tem muita força, gente.”

Ele deu as declarações após participar de solenidade no Ministério da Justiça em homenagem aos dez anos da reforma do judiciário.*

(*) Andréia Sadi e Severino Motta – Folha de São Paulo

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG  DA TRIBUNA NA INTERNET- Lula diz que não tem nada a ver com isso, mas sabe-se que desde a semana passada ele ordenou que Dilma Rousseff demitisse Graça Foster, mas ela não o fez, porque Lula ainda não conseguiu achar um grande nome que aceite. Lula diz que não tem nada a ver com isso, mas está criando no PT o tal “Gabinete da Crise”. Como dizia Bussunha, “fala sério!”. (C.N.)

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OPERAÇÃO LAVA JATO

A TEMPESTADE, O FURACÃO E O DILÚVIO

000 - as escolhas de Só Pia (pois quem manda mesmo é a lula capadócia)

Deve ter respirado aliviada a presidente Dilma Rousseff quando viu, ontem, no jornal O Estado de S. Paulo, a lista de políticos supostamente envolvidos no escândalo da Petrobras, conforme a delação premiada do ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa. Apesar de faltar a lista do doleiro Alberto Youssef, capaz de acrescentar outros nomes, Dilma fica mais ou menos livre para compor o novo ministério sem o risco de nomear alguns dos 28 acusados e precisar, depois, livrar-se deles, caso tornados réus.

Apesar dessa previsão, abre-se a hipótese da nomeação de um ou outro, como forma de a presidente demonstrar que acredita em seus veementes protestos e negativas, além de não ter sido aberto processo contra nenhum e, muito menos, haver condenação. Mesmo assim, melhor que os relacionados não alimentem esperanças de virar ou, mesmo, de indicar ministros.

Essa primeira lista é impressionante, dada a evidência de que Paulo Roberto Costa, se não tiver certeza e provas de sua delação, arrisca-se a voltar para a cadeia e lá ficar até a eternidade. Dos políticos, 7 são ou foram senadores, 11 deputados, 4 governadores e 3 ministros. Entre eles, 10 do PP, 8 do PMDB, 8 do PT, além de um do PSB e outro do PSDB. Dois morreram.

Os parlamentares reeleitos serão julgados pelo Supremo Tribunal Federal, caso denunciados pelo procurador-geral da República e se aceitas as denúncias pelo ministro-relator. O fórum para governadores é o Superior Tribunal de Justiça. Para os que não têm mandato eletivo, a justiça de primeira instância.

Não há como negar que a classe política, o Congresso e os partidos ficam muito mal. O governo também. Novidade propriamente não há na evidência de que a corrupção e os políticos relacionam-se faz muito, mas choca todo mundo conhecer os nomes relacionados, muitos até agora tidos como acima de qualquer suspeita. Por ironia, a divulgação segue-se à promessa da presidente Dilma de celebrar um pacto contra a corrupção, fazendo parte da lista alguns de seus ex-ministros.

Com relação ao Congresso, a inclusão dos ainda presidentes do Senado e da Câmara aumenta a falta de credibilidade na instituição. Quanto aos partidos, salta aos olhos a prevalência quase absoluta daqueles que formam a base parlamentar dos governos Lula e Dilma.

Em suma, e apesar dos desmentidos e das negativas, a conclusão é de que a tempestade vai virar furacão. Depois, quem sabe, o dilúvio. Marcada para fevereiro a apresentação das denúncias contra os políticos envolvidos no escândalo da Petrobras, o mínimo a esperar é o descrédito nas instituições políticas.*

(*) Carlos Chagas – Tribuna na Internet

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ROUBOBRÁS

A Petrobras resistirá à tormenta

A empresa enfrenta um golpe triplo: o uso e abuso político na manipulação de preços, os desvios do petrolão e a desvalorização do petróleo. Seu potencial produtivo, porém, permanece promissor

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A Petrobras é um colosso. Ainda assim, sente as avarias causadas pelo mar revolto. A empresa lida com uma tempestade perfeita. As suas ações não valiam tão pouco desde 2004, depois de terem caído para abaixo de 10 reais na semana passada. No auge, em 2008, cada papel chegou a valer mais de 55 reais. Para os milhares de investidores da empresa, a grande dúvida é: até quanto as ações podem cair? Ou, pior, estaria a estatal condenada a um destino semelhante ao do conglomerado X, de Eike Batista, cujas ações viraram pó? As preocupações se justificam. Não existe sinal no horizonte, neste momento, de que a tormenta se dissipará em breve.

A despeito do prejuízo bilionário de dimensões ainda desconhecidas e da perda de credibilidade com o escândalo de corrupção, a estatal não só vai sobreviver como continuará a crescer nos próximos anos, graças em boa parte às reservas já conhecidas da camada do pré-sal. A legítima preocupação de alguns investidores com o futuro da Petrobras, especialmente desconfiados da indústria de petróleo e gás natural depois da quebra da OGX, de Eike Batista, não resiste à análise dos números e das informações disponíveis. A empresa possui uma operação gigantesca de exploração, produção e venda de petróleo e derivados que não foi abalada. Ela é uma das quinze maiores companhias do mundo no setor, com uma produção média equivalente a 2,4 milhões de barris de petróleo e gás natural nos nove primeiros meses deste ano, comparável ao desempenho da francesa Total. A OGX nunca cumpriu as promessas do empresário, está agora em processo de recuperação judicial e produz meros 16 000 barris diários. Em ativos, a Petrobras é a quinta maior do setor no mundo, de acordo com levantamento da revista Forbes, com um valor estimado em 320 bilhões de dólares. Isso significa que, em uma situação de dificuldade extrema, ela poderá vender propriedades, como refinarias, ou o direito de exploração de reservas caso precise levantar recursos. Outra opção será colocar no mercado ações de subsidiárias. A maior delas é a BR Distribuidora, dona de metade do mercado brasileiro de venda de combustíveis no atacado.

Apesar de operar com fluxo de caixa negativo há oito anos, a Petrobras ainda dispunha de 62 bilhões de reais nos cofres em setembro. É um montante suficiente para honrar os 33 bilhões de reais em dívidas que vencem até o fim do próximo ano, ainda que não para bancar também todo o investimento previsto no período (e daí a importância de a empresa divulgar o seu balanço quanto antes, para que possa voltar a tomar dinheiro no mercado, mesmo que a um custo mais elevado). Mais importante é a sua capacidade de pagar a dívida por meio da geração de caixa com a sua atividade operacional: mantidos os números atuais, ela precisaria de três anos e meio para pagar todos os seus compromissos. Trata-se de uma relação acima da que é considerada saudável por analistas, mas que não denota uma situação fora de controle. Além disso, e reconhecendo o cenário de aumento das dificuldades, a estatal decidiu adotar uma série de medidas para reforçar o seu fôlego financeiro no próximo ano: vai reduzir os investimentos, antecipar o recebimento a que tem direito em algumas operações e manter ou aumentar o preço de produtos. A previsão é que a estratégia faça a empresa voltar a ter fluxo de caixa positivo no ano que vem. Em última instância, a Petrobras conta com o respaldo financeiro do governo, que é o seu principal acionista (ainda que isso não exima a ambos da obrigatoriedade de prestar contas aos brasileiros).*

(*) Marcelo Sakate – Veja

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POBRE BRASIL

Tomara que caia

No Brasil, não há nada mais claro do que a lógica de funcionamento do PT. A qualquer tempo e lugar que você queira compreendê-la, o caminho é simples: siga o dinheiro

 

Persiga o dinheiro (Foto: Arquivo Google)

Guilherme Fiuza, O Globo

Ao ser diplomada no TSE para o novo mandato, Dilma Rousseff propôs um pacto nacional contra a corrupção. Quase na mesma hora, a Controladoria-Geral da União afirmava que a compra da Refinaria de Pasadena não foi um mau negócio, foi má-fé. Dilma presidia o Conselho de Administração da Petrobras, responsável pela aprovação da negociata. A dúvida é se os critérios para a compra da refinaria e para o pacto anticorrupção serão os mesmos.

O Brasil precisa saber urgentemente qual será o papel do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, no pacto nacional contra a corrupção. Nas investigações da Polícia Federal, Vaccari é acusado de beneficiário do esquema do petrolão, e de injetar propinas na campanha de Dilma — essa mesma que foi reeleita e diplomada declarando guerra à corrupção. As faxinas da presidente deixariam o FBI de cabelo em pé.

Os EUA, aliás, já foram apresentados às entranhas do governo popular, com a chegada do escândalo da Petrobras à Justiça americana. O problema é que lá não tem um Lewandowski ou um Dias Toffoli para tranquilizar os companheiros na última instância. Também não tem um ministro da Justiça servindo de garoto de recados do marqueteiro petista. Como incluir os americanos, holandeses e suíços lesados pelo petrolão no pacto contra a corrupção? Será que o apoio deles custa mais do que os da UNE e do MST?

Uma das ascensões políticas mais impressionantes nos últimos anos foi a do ex-deputado André Vargas. Virou secretário de comunicação do PT e chegou a falar grosso com o STF no julgamento do mensalão — cuja transmissão televisiva ele queria embargar. Depois provocou Joaquim Barbosa publicamente, fazendo a seu lado o gesto do punho cerrado dos mensaleiros. André Vargas chegou à vice-presidência da Câmara dos Deputados, nada menos. Aos inocentes que não entendiam aquela ascensão meteórica, veio, enfim, a explicação: Vargas era comparsa do doleiro Alberto Youssef, o operador do petrolão.

Essa singela crônica de sucesso mostra que hoje, no Brasil, não há nada mais claro e seguro do que a lógica de funcionamento do PT. A qualquer tempo e lugar que você queira compreendê-la, o caminho é simples: siga o dinheiro.

Seguindo o dinheiro (farto) do doleiro, a polícia chegou a uma quadrilha instalada na diretoria da Petrobras sob o governo popular. Tinha o Paulinho do Lula, tinha o Duque do Dirceu, tinha o tesoureiro da Dilma, tinha bilhões e bilhões de reais irrigando a base de apoio do império petista. Um ou outro brasileiro mal-humorado se lembrou do mensalão e resmungou: mais um caso de corrupção no governo do PT. Acusação totalmente equivocada.

O mensalão e o petrolão não são casos de corrupção. Pertencem a um sistema de corrupção, montado sob a bandeira da justiça social e da bondade. Vamos repetir para os que seguiram o dinheiro e se perderam no caminho: trata-se de um sistema de corrupção. E as investigações já mostraram que esse sistema esteve ligado diretamente ao Palácio do Planalto nos últimos dez anos. Um deputado de oposição disse que o maior medo do PT não era perder a eleição presidencial, mas que depois Dilma fizesse a delação premiada.

E lá vai o Brasil para mais quatro anos dessa festa. Quem tem autoridade para acreditar que o método será abandonado? Quem em sã consciência pode apostar que um grupo político que se enraizou no Estado brasileiro para saqueá-lo irá fazer tudo diferente agora? Responda, prezado leitor: quem são as pessoas nesse governo ou nesse partido capazes de liderar uma guinada virtuosa? Lula? Dilma? Vaccari? Mercadante? Pimentel? Cardozo? Carvalho? Dirceu? Delúbio?

Mesmo depois de passada toda a propaganda suja da eleição, mesmo depois de exposta a destruição da maior empresa brasileira pelos que juravam amá-la, Dilma não recuou. Foi para cima do Congresso e rasgou a Lei de Responsabilidade Fiscal. Obrigou o parlamento a legalizar o golpe do governo popular contra a política de superávit — que é um dos pilares da estabilidade monetária. O que falta fazer?

Que passe de mágica devolverá a credibilidade a um governo desmoralizado no país e no exterior? Quem vai querer investir aqui com esse bando de parasitas mudando as regras ao sabor das suas conveniências fisiológicas? Quem tem coragem de afirmar (com alguma dignidade) que os próximos quatro anos poderão reerguer esse Brasil em processo de argentinização?

Num sistema parlamentarista razoável, a extensão do escândalo na Petrobras já teria derrubado o governo. Os acordos de delação premiada já indicaram que Dilma e Lula sabiam de tudo. Se o Brasil quiser (e o gigante abrir pelo menos um dos olhos), essa investigação chegará onde tem que chegar. Esse é o único pacto possível contra a corrupção.

Em 1992, quando Collor estava balançando, já por um fio, Bussunda resolveu dar a sua contribuição e apareceu diante do Palácio do Planalto vestindo um tomara-que-caia — “em homenagem ao presidente”. É isso que falta?

(*) Guilherme Fiuza é jornalista – O Globo

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QUEM PARIU MATEUS QUE O EMBALE

Escândalo na Petrobras –

O problema é de Lula e Dilma

Ex-presidente tenta tirar o dele da reta

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Perguntaram a Lula o que ele achava da situação de Graça Foster, presidente da Petrobras, envolvida no escândalo da empresa. Lula respondeu:

– Não acho nada. Isso é problema da presidente Dilma, não meu. Não posso dar palpite.

Quanta humildade, pois não? Quanta sensatez. Quanto respeito à dona do governo, a presidente Dilma.

O que deu em Lula? Logo nele que se mete em tudo do governo e tenta mandar mais do que Dilma?

Lembrei-me de uma frase de Rubens Ricúpero, ex-ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, dita em 1994 antes do início de uma entrevista à TV Globo, mas captada por antenas parabólicas. A frase, que cito de cor:

– O que é bom a gente mostra. O que é ruim a gente esconde.

Lula é craque em se ligar ao bom, quer o bom seja obra dele ou não, e em se distanciar do ruim. Mesmo do ruim produzido por ele. Cubra-se de glórias!

Graça na presidência da Petrobras foi escolha de Dilma, amiga dela, que a chama de Graciosa. Mas o esquema de roubalheira montado na Petrobras carrega a impressão digital de Lula.

Pressionado por partidos, Lula cedeu à vontade deles e nomeou diretores para a Petrobras destinados a roubar e a deixar roubar. Deu-se o mesmo com José Sérgio Gabrielli, nomeado por Lula presidente da empresa.

Dilma entra de santa na história?

De jeito nenhum. Por mais que negue – e diretamente até agora ele não se proclamou inocente – Dilma sabia, sim, o que estava em curso na Petrobras. E fingiu não saber.

Se era desejo de Dilma salvar a empresa da lama que ameaça engolfa-la, isso não a torna menos responsável pelo que aconteceu ali. Que arque, portanto, com as consequências. Sozinha ou na companhia de Lula.*

(*) Blog do Noblat

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O BICHO VAI PEGAR

Delação de Alberto Youssef é homologada no STF

000 - Por centavos tudo bem; por bilhões não tem.

A delação do doleiro Alberto Youssef, prestada em acordo de delação premiada da Operação Lava Jato, foi homologada nesta sexta-feira pelo ministro Teori Zavascki, relator do caso no Supremo Tribunal Federal. O teor da delação chegou às mãos do relator na última terça-feira, 16, após passar pela análise do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Além da homologação, Zavascki aceitou também o pedido de Janot para que os depoimentos tanto de Youssef quanto do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras de Paulo Roberto Costa sejam desmembrados em procedimentos autônomos para facilitar a condução do caso.

O próximo passo será o desmembramento dos casos em que não há foro privilegiado ou em que o julgamento não é de competência do STF, caso de quem não tem mandato, como parlamentares que não foram reeleitos e de governadores, cujo foro fica a cargo do Superior Tribunal de Justiça*

(*)  – Talita Fernandes

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SE GRITAR, PEGA, LADRÃO!!!

Galhos e macacos

Cada galho com seu macaco, ninguém vai chamar Zeca Pagodinho
para cantar jazz nem João Gilberto para cantar rock

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Até petistas sabem que tucanos são mais eficientes para conduzir a economia, porque têm mais conhecimento e prática do capitalismo globalizado e da sociedade de mercado em que vivemos, e que não “quebraram o país três vezes”, salvaram-no com o Plano Real.

Até tucanos sabem que petistas são mais eficientes para desenvolver projetos de inclusão social e distribuição de renda, porque estão familiarizados com essas políticas, que estão na própria origem do partido e são fruto de três décadas de experiências e acertos. Não são só mensaleiros e assaltantes da Petrobras.

É claro que economistas de formação marxista têm mais dificuldade em lidar com a economia de um país e de um mundo muito diferentes dos que estudaram, sonharam e acreditaram. Para Dilma, como economista de esquerda de origem brizolista, deve ser muito difícil entender o mundo econômico globalizado em que vivemos, com sua lógica implacável em que voluntarismos acabam resultando no oposto da boa intenção do governante, como foi baixar os juros e as tarifas elétricas no grito e na “vontade política”, o que gerou prejuízos monstruosos para todos.

Não se trata de valores de esquerda ou direita, mas de adequação. Por isso, Lula chamou o tucano Henrique Meirelles para comandar a economia em seu governo, com grande sucesso, que lhe deu os recursos para desenvolver seus programas sociais e grandes obras.

Como sabia que não sabia nada de economia, Lula foi sábio ao escolher a pessoa certa para o lugar certo. E, na hora de investir os milhões ganhos com o suor da sua garganta em palestras, com certeza não vai se aconselhar com um economista da CUT ou de sindicato dos bancários. Sei lá, vai ver que Lula investe todo o seu dinheiro em ações da Petrobras, por patriotismo… rsrs.

Cada galho com seu macaco, ninguém vai chamar Zeca Pagodinho para cantar jazz nem João Gilberto para cantar rock. Então, é melhor maneirar na hipocrisia e reconhecer as virtudes e limitações de companheiros e adversários para tentar encontrar as pessoas certas para os lugares certos, uma missão quase impossível no nosso presidencialismo de coorruptação.*

(*) Nelson Motta, O Globo

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COSA NOSTRA

Desfecho melancólico

Uma espécie de coronelismo industrial, em que a Petrobras passou
a deter o “cofre das graças e o poder da desgraça”

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Seis meses atrás, a presidente Dilma ainda não se dera conta das proporções do desastre que se abatera sobre a Petrobras. Continuava a se autocongratular por seu longo envolvimento com a empresa: “Quem olhar o que aconteceu com a Petrobras nos últimos dez anos e projetar para o futuro, conclui que fizemos um grande ciclo. Eu estive presente em todos os momentos.” (“Folha de S.Paulo”, 2/7/2014)

Seu envolvimento teve início em 2003, quando assumiu a presidência do Conselho de Administração da empresa, cargo do qual só se afastou em 2010, para disputar a eleição presidencial.

A partir de 2005, na posição privilegiada de quem também passara a ser ministra-chefe da Casa Civil e coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Dilma tornou-se a figura-chave na interface da cúpula do governo com a Petrobras.

Era por meio dela que as preferências, diretivas, prioridades e urgências do Planalto se faziam sentir na gestão da empresa. E, naturalmente, toda e qualquer nomeação de diretor, fosse a escolha técnica ou política, tinha de passar por seu crivo.

Com a descoberta do pré-sal, o envolvimento de Dilma com a Petrobras tornou-se ainda mais intenso. Especialmente a partir de 2008, quando o presidente Lula, preocupado com a falta de experiência eleitoral da sua futura sucessora, decidiu transformar o pré-sal em espalhafatosa plataforma de lançamento antecipado da sua candidatura à Presidência da República.

Para definir o arcabouço legal que pautaria a exploração do pré-sal, o governo poderia ter optado por um encaminhamento suprapartidário do problema, como questão de Estado. Mas preferiu partidarizar a discussão e brandir uma restauração nacionalista do controle estatal sobre a exploração e produção de petróleo, para exacerbar diferenças que pudessem favorecer a candidata oficial no embate político.

No novo arcabouço, concebido por uma comissão formada por Dilma Rousseff, Edison Lobão, Guido Mantega, José Sergio Gabrielli, Luciano Coutinho e três outros membros, a Petrobras acabou sobrecarregada pela tríplice exigência de: manter o monopólio da operação dos campos do pré-sal, assegurar pelo menos 30% de cada consórcio que explorar tais campos e arcar com a “nobre missão” de desenvolver a indústria de equipamentos para o setor petrolífero no pais.

Montou-se um gigantesco cartório para distribuição de benesses a produtores de equipamentos. Uma espécie de coronelismo industrial, em que a Petrobras passou a deter o “cofre das graças e o poder da desgraça”.

Sob a proteção de requisitos absurdos de conteúdo local, quem nunca construíra nem mesmo um bote foi transformado em grande produtor de equipamentos de alta tecnologia.

Esse oba-oba, regado a dinheiro barato do BNDES, repassado pelo Tesouro, criou caldo de cultura propício para a proliferação das irregularidades que, agora, vêm ganhando destaque na mídia.

Não bastasse a sobrecarga de investimento e a obrigação de arcar com preços escorchantes de bens de capital, a Petrobras ainda foi fragilizada por longo represamento populista de preços de combustíveis.

Na esteira da descoberta de um amplo esquema de desvio de recursos nos seus programas de investimento, a situação da empresa agravou-se rapidamente.

Processada por minoritários e investigada pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e pelas comissões de valores mobiliários do Brasil e dos Estados Unidos, a Petrobras já nem mesmo consegue publicar balanços auditados. Marcha para a perda do grau de investimento, enquanto suas ações despencam em queda livre.

É o desfecho melancólico de 12 anos de estreito envolvimento de Dilma Rousseff com a Petrobras. Foi, de fato, um longo ciclo, durante o qual a presidente esteve “presente em todos os momentos”.

Tendo atrelado sua trajetória política à empresa, Dilma afinal se dá conta de que está fadada a ser assombrada, no seu segundo mandato, pelos desdobramentos de fatos ocorridos no longo período em que foi a principal responsável pelos destinos da Petrobras.*

(*) Rogério Furquim Werneck, O Globo

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