Nunca na história deste país se roubou tanto

Custo do estádio dobrou em quatro anos

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COPA Análise aponta irregulares em compra e transporte de materiais, entre outras; reforma custaria R$ 700 mi em 2010

A reforma do estádio Mané Garrincha, a arena mais cara da Copa do Mundo, tem indícios de superfaturamento de R$ 431 milhões, segundo análise do Tribunal de Contas do Distrito Federal.

Segundo levantamento feito por técnicos do tribunal, o superfaturamento é resultado de uma série de irregularidades, como compra indevida de material, cálculo equivocado no custo de transporte, além de abono de multa pelo atraso na entrega da obra e atraso na solicitação de descontos na cobrança de impostos prevista em lei.

Os contratos analisados pela área técnica do tribunal dão pistas de como o custo do estádio dobrou desde o início da obra, passando de R$ 700 milhões, em 2010, para os atuais R$ 1,4 bilhão.

Um dos exemplos para entender o gasto excessivo “sem mais esforços”, segundo os técnicos, é o cálculo de transporte de materiais pré-moldados no canteiro de obras.

A fábrica dessas peças fica a 1,5 km do estádio, na capital federal, mas o custo de transporte foi calculado como se tivessem sido transportados de Goiânia a Brasília, uma distância de 240 km.

O custo de transporte cobrado do governo do DF foi de R$ 592 por metro cúbico desses materiais, quando para os auditores deveria ser de apenas R$ 3,70. Somente neste caso, o prejuízo estimado foi de R$ 879 mil.

“Sem mais esforços, percebe-se que os custos foram superestimados, pois o transporte de pré-moldados ocorre dentro do próprio canteiro de obras. A utilização de custo de transporte Brasília-Goiânia’ é totalmente inadequada para o serviço, não merecendo comentários adicionais para a reprovação do método”, diz o relatório.

O superfaturamento de R$ 431 milhões em discussão pelo tribunal é o somatório das irregularidades apuradas em cinco processos. Os valores apontados na auditoria ainda podem aumentar porque o cálculo foi feito com base em análise de julho de 2013.

Em janeiro, após a apresentação do relatório da área técnica, o tribunal abriu prazo de 30 dias, acrescidos de mais 90 dias, para o governo do DF justificar os gastos.

Depois disso, os auditores vão analisar as explicações e definir o valor final que deve ser considerado excessivo.

O documento será enviado ao relator do processo, conselheiro Manuel de Andrade, que poderá diminuir os valores ou mantê-los ao levar à votação no plenário do tribunal.

Desde que o Mané Garrincha começou a ser reformado para a Copa do Mundo, em 2010, o Tribunal de Contas do DF já conseguiu diminuir os custos da obra –seja com abatimento no contrato ou alterações nas licitações– em exatos R$ 179.754.554,20.

Isso somado ao prejuízo potencial em discussão agora, o valor final que pode ser economizado no processo de reforma do estádio chega a R$ 611 milhões.

DESPERDÍCIO

Na avaliação dos auditores, há casos de escolhas feitas pelos engenheiros da obra, com o aval do governo, que elevaram o orçamento.

Responsável por 19% do custo da obra, serviços relacionados ao fornecimento de aço foram considerados ineficientes pela auditoria.

Na obra, foi aplicado o método convencional de corte e dobra, causando um desperdício de 12% de aço e um prejuízo total de R$ 62 milhões.

Os auditores chamam atenção: a mesma empreiteira, com a mesma técnica, teve um desperdício de apenas 5% no estádio de Manaus. Já em Cuiabá, foi utilizado o método sugerido pelos auditores, e não houve perda de aço.

Há ainda críticas à forma com que o governo do DF gerenciou a obra. Planejado para ser entregue em dezembro de 2012, o estádio só foi inaugurado, com atraso, em 2013.

Segundo os auditores, o consórcio responsável pela obra deveria ser multado em R$ 35 milhões por causa do atraso, mas nada foi feito.

A análise também apontou atraso de 14 meses para serem pedidos ao governo federal descontos em impostos, previstos em lei. Isso fez com que o DF deixasse de economizar outros R$ 39 milhões.*

(*) FILIPE COUTINHO – FOLHA DE SÃO PAULO

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SÁBADO, 15 DE MARÇO DE 2014

O fator C

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E se a maioria do PMDB, movida não por ideologia ou algum propósito mais nobre, mas para sobreviver à voracidade predatória do PT e por oportunismo eleitoral, num eventual desgaste nas intenções de voto em Dilma e algum crescimento das candidaturas de oposição, decidir mudar de lado? Afinal, não é a perspectiva de poder que move os políticos?

Quem diria que o polêmico deputado Eduardo Cunha, odiado pelo governo e tantas vezes acusado de patifarias e fisiologismo, seria a esperança da oposição em uma eventual divisão do PMDB que poderia mudar os rumos da eleição e do Brasil?

A coisa está tão complicada que já não bastam ministérios para saciar o partido e há uma sensação de que agora seria tarde demais: o projeto petista de uma hegemonia absoluta no Congresso se tornou a maior ameaça à sobrevivência do PMDB. Ao tentar demonizar e isolar Cunha, Dilma acabou lhe dando mais poder e apoio da bancada.

Em um ano de Copa do Mundo, de grandes mobilizações populares e de incertezas na economia nacional e internacional, nunca na história deste país tantas variantes podem interferir no processo eleitoral. Até Eduardo Cunha, o fator C.

Além de ser, como o futebol, uma caixinha de surpresas, na política, o vilão de ontem pode ser o herói de hoje, dependendo dos ventos das mudanças. De governista radical, José Sarney passou para a oposição quando a ditadura começou a ruir, e acabou presidente.

O mesmo Sarney, que é atendido por Dilma e Lula em tudo que quer e retribui com a fidelidade do PMDB ao governo, é o símbolo das queixas dos liderados de Cunha, de que alguns caciques do PMDB têm cargos e poder, como Sarney e Renan, mas não o partido, que não participa das decisões de governo, é atropelado pelo PT nos estados e recebe migalhas do poder. Para eles, as eleições são locais, e as ameaças, reais.

Muitos agora estão se perguntando para que servem uma Vice-Presidência da República e meia dúzia de ministérios meio mequetrefes, diante dos 17 do PT e do seu rolo compressor na Esplanada trabalhando para se tornar hegemônico no próximo Congresso? E a campanha nem começou.*

 

(*) Nelson Motta – O Globo

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A GERENTONA

Gestão temerária

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A probabilidade de que um racionamento de energia elétrica se faça necessário tornou-se preocupantemente alta. E vem aumentando a cada dia.

Mas o governo insiste em fingir que o problema não existe. Recusa-se a tomar medidas preventivas que, se adotadas a tempo, poderiam reduzir substancialmente o risco de ocorrência de um quadro mais grave de insuficiência de oferta de energia.

A seis meses e meio das eleições, o Planalto teme, com certa dose de razão, que o reconhecimento pelo governo de que o país está à beira de um racionamento possa ter efeito devastador sobre o projeto da reeleição. Prefere jogar com a sorte.

Boa parte da mistificação que se construiu em torno das supostas qualidades de Dilma Rousseff como administradora está relacionada ao setor elétrico. E ao papel central que a presidente desempenhou, ao longo dos três últimos governos, na condução da política energética.

Tendo feito e desfeito o que bem entendeu no setor elétrico por mais de 11 anos, a presidente não tem hoje a quem repassar a culpa pela precariedade da oferta de energia que se vê no país.

Não é fácil para o Planalto reconhecer que, ao fim e ao cabo de três governos, as coisas desandaram a tal ponto nessa área, sobretudo depois de se ter permitido adotar um discurso sobre política energética constrangedoramente triunfalista.

Para perceber de forma mais concreta a real extensão desse triunfalismo, vale a pena ver de novo, à luz do quadro atual, o pronunciamento da presidente Dilma Rousseff à Nação, feito há pouco mais de um ano, em 23/01/2013 (disponível AQUI), para anunciar redução de tarifas de energia elétrica e garantir, de forma peremptória, que não havia “nenhum risco de racionamento ou de qualquer tipo de estrangulamento no curto, no médio ou no longo prazo”.

Por compreensíveis que possam ser as razões da presidente Dilma para se negar a reconhecer a dura realidade do setor elétrico, a verdade é que essa negação da existência do problema impõe ao país sério risco de que os danos dos desdobramentos da crise energética sejam muito maiores do que poderiam ser. Famílias e empresas não vêm sendo devidamente alertadas para o grave quadro de escassez que hoje se vive.

E nem estimuladas a racionalizar e conter a demanda de energia. Muito pelo contrário. Tarifas de energia continuam sendo pesadamente subsidiadas pelo Tesouro. E tudo indica que esses subsídios, com que o governo vem sustentando artificialmente suas promessas de energia barata, deverão ser intensificados até as eleições.

O que se vê, portanto, é um grave desalinhamento entre os interesses do país e os interesses do Planalto na gestão da crise energética. A essa altura do processo eleitoral, o reconhecimento explícito da real extensão das dificuldades e a adoção de medidas preventivas bem concebidas, que mobilizem os consumidores e incentivem a contenção da demanda de energia, imporiam custo político proibitivamente alto à presidente Dilma Rousseff.

Na medida do possível, o Planalto continuará apostando na sorte e nas possibilidades de prolongar a dissimulação da escassez de energia com farto uso de recursos do Tesouro.

Se essa aposta terá sucesso, é outra questão. É bem possível que o agravamento da precariedade da oferta de energia exija escalada cada vez mais custosa nessa grande operação de dissimulação.

Em meio ao desespero, o governo já aventa até a possibilidade de recorrer aos dispendiosos geradores a diesel mantidos como back up por grandes consumidores comerciais de energia, como shoppings e supermercados. O que, naturalmente, exigirá subsídios ainda mais pesados do Tesouro.

O nome do jogo é esticar a corda tanto quanto possível e tentar empurrar o problema para depois das eleições. Até lá, gostemos ou não, a gestão da crise energética estará pautada pelo marqueteiro do Planalto. A menos, claro, que a aposta não tenha sucesso e o racionamento se torne de fato inevitável. Mas aí já será outra história.

 

(*) Rogério Furquim Werneck é economista e professor da PUC-Rio. No blog do Noblat.

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SEXTA-FEIRA, 14 DE MARÇO DE 2014

É cor de rosa-choque

000 Dilma e os tres porquinhos

A presidente Dilma tem as melhores intenções, mas nem sempre dão certo. E já se sabe de quem é a culpa do que não dá certo: é da maldita realidade.

No começo do ano passado, em rede nacional de rádio e TV, Dilma anunciou a realização de seu sonho: redução da conta de luz em 18%, para pessoas físicas, e 32% para pessoas jurídicas. Passou-se um ano e pouco e o Governo (não Dilma, nem em rede nacional de TV) anuncia que o sonho acabou. O Tesouro terá de entregar R$ 21 bilhões às distribuidoras de eletricidade. Como é do couro que sai a correia, prepare seu couro: você, caro leitor, vai pagar a conta de luz com um bom aumento. E pagar ainda mais impostos para cobrir o buraco da energia.

Lamentavelmente, o mundo real se recusa a seguir as ordens da presidente, por mais que sejam dadas aos gritos. O fato é que, para qualquer pessoa, a mudança de preços é decisiva para definir seu comportamento: se a luz está mais barata, por que ficar regulando micharia? Luz acesa, que a conta baixou!

É o que ocorreu com os juros: Dilma decidiu que estavam altos e tinham de baixar (aliás, não estava sozinha: muitos empresários e economistas estavam de seu lado. Mas havia um fator que Dilma não podia ignorar: o ministro da Fazenda, Guido Mantega, concordava com ela. Se Mantega estava a favor, alguma coisa devia estar errada). Estava: os juros que a presidente mandara baixar na marra já voltaram às alturas. E ajudaram a manter a inflação acima do esperado.

Choque de gestão? Sim: para Dilma, para nós, foi um choque de alta tensão.*

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet.

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VERGONHOSO

Celso de Mello fez o gol contra que deixou

a vitória da Justiça com cara de empate

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Imagine um zagueiro que, aos 45 minutos do segundo tempo, ignora as advertências dos companheiros e faz o gol contra que leva à prorrogação. No intervalo, o dono da bola aproveita a saída involuntária de um craque do time que dominava a partida para substituí-lo por um novato disposto a ajudar o adversário. O truque não impede a derrota da pior equipe, mas a vitória fica com cara de empate. Em vez de envergonhar-se da jogada irresponsável que mudara o rumo da partida, o zagueiro trapalhão usa os segundos finais para caprichar em embaixadas, passes de trivela e outras firulas inúteis.

O ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal, primeiro condenou com singular veemência os quadrilheiros do mensalão. Em seguida, resolveu socorrê-los com a aceitação de embargos infringentes de aplicação tão duvidosa que foram rejeitados por cinco ministros. O voto de Celso de Mello forçou um segundo julgamento. Graças a mudanças espertas na composição do Supremo Tribunal Federal, os culpados já se haviam livrado da acusação por formação de quadrilha quando Celso de Mello começou a ler o seu palavrório. Sem aparentar remorso, voltou a afirmar que os corruptos juramentados são também quadrilheiros. Merecem, portanto, ficar um bom tempo na cadeia da qual logo sairão graças à vaidade e à teimosia do decano.

Celso de Mello é o zagueiro de toga.*

(*) Blog do Augusto Nunes

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O ROTO E O ESFARRAPADO

Cartel de trens atuou também na seara federal

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Estava escrito nas estrelas: empresas acusadas de formar cartel para fraudar licitações de trens realizadas pelos governos de São Paulo e Brasília agiram também em concorrências de duas estatais federais: a CBTU e a Trensurb, ambas vinculadas ao Ministério das Cidades, um feudo confiado por Dilma Rousseff ao PP.

Papeis colecionados pelo Cade, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, apontam indícios de fraude em pelo menos duas concorrências federais. Numa, compraram-se dez trens para a cidade de Belo Horizonte por R$ 172 milhões. A Alstom beliscou 7% e a empresa CAF, 93%. Noutra, adquiriram-se 15 trens para Porto Alegre por R$ 243 milhões. Dessa vez, a Alstom mordeu 93% e a A CAF, 7%.

A Alstom negou que haja mutreta nas licitações. A CAF silenciou. A Trensurb diz desconhecer a existência de fraudes. A CBTU não disse nada. A Polícia Federal e o Ministério Público tentam acomodar as coisas em pratos asseados. De concreto, por ora, apenas a impressão de que a ética não deve ser o principal mote da eleição de 2014. Matéria prima não falta. Mas quem vai atirar a primeira pedra?*

(*) Blog do Josias de Souza

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POEMAS APOÉTICOS

000- a coluna do Joauca - 500

1. Tetrástico

 

Hora de comer, comer; de dormir, dormir;

de trabalhar… Trabalhar? – Espera lá!

Que bruta falta de originalidade!
Eu já li esse troço em algum lugar…

 

2. Confissão

 

Eu escrevia um poliptoto, tentando um homeoteleuto,

com ditirambos e troqueus.

Aí chegou minha namorada e parei tudo.

Fomos ao cinema pra não ver o filme

e aproveitei melhor meu rico tempo.

 

3. Poeminha com notas de rodapé

 

Eu sinto às vezes as dores

de quem sei que não sofreu.¹

E vibro até com os amores

de quem nem mesmo nasceu.²

Se eu fosse poeta, as cores

de todo esse sofrer meu

seriam como fulgores…

Não digo mais. Que sei eu?3

Sou sombra dos estertores

dos que padecem no céu.

Respiro também as flores

da descrença de um ateu4

— a única coisa boa

que algures me aconteceu.

Sempre hesito entre os rigores

de um dátilo ou espondeu.

Quem dorme no ponto, senhores,

vai pros braços de Morfeu?5

E tanta besteira, leitores,

não fica bem pro humor seu.

Por isso, chegar de –ores,

chega de rimas em –eu.

E chega de papo chato

que nem eu me aguento mais.6

NOTAS:

1.  Verifique a voltagem da corrente elétrica antes de ligar sua escova de dentes.

2.        À noite, só alguns pardos são gatos.

3.        Ver livro de ZÊNÃO, Felipe. Do pleistoceno ao Peloponeso. Vitória, Ed. Gutenberg, 1325.

4.        Ver do mesmo autor: Os primitivos habitantes da América no período mesolítico. Cuiabá: Ed. Pantaneira, 1330.

5.         V. TAYLOR, William. Introdução ao Novo Testamento Grego. 5. Ed. Rio de Janeiro: Juerp, 1501.

6.        Poema inteiramente escrito sem um único acento circunflexo.

 

4.  Ad immortalitatem

 

Pra ser imortal hoje em dia

ou membro da Academia

de Sarney ou base aliada,

há dois quesitos a preencher:

Fazer parte do poder

e não ter escrito nada

que valesse a pena ler.

 

5. Mot de la fin

 

Não faço versos como quem morre:

sou vivo e sem compromisso.

E não reclames, leitor,

Tu não tens nada com isso.

 

(José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de  Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática  Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª  edição, Thesaurus, de Brasília,  2011)

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QUINTA-FEIRA, 13 DE MARÇO DE 2014

Chamar Renan de mentiroso dá multa de R$ 50 mil

Renan Calheiros - Obrando no Congresso

STJ aceita recurso do presidente do Senado contra o jornalista Ricardo Noblat, que o chamou de “mentiroso, patife, corrupto, pervertido, depravado, velhaco e covarde”. Inocentado em primeira instância, Noblat vai recorrer ao STF

Se você escrever que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), é mentiroso, corre o risco de pagar uma indenização de R$50 mil. Esta é a multa que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu aplicar ao jornalista Ricardo Noblat, como reparação de danos morais, por ter chamado o senador de “mentiroso, patife, corrupto, pervertido, depravado, velhaco, covarde”. A decisão foi tomada ontem (12), por unanimidade, pela Terceira Turma do STJ.

A relatora do caso, ministra Nancy Andrighi, afirmou que é natural que haja críticas dos cidadãos e da imprensa em relação a um senador da República, mas não se pode tolerar que a crítica desvie para a ofensa pessoal.

Os outros quatro ministros da turma também votaram pela condenação, acompanhando o voto da relatora. A defesa de Noblat vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) assim que a decisão for publicada.

O advogado Murilo Leitão, que representa o jornalista e blogueiro, disse ao Congresso em Foco que não houve ofensa. De acordo com o defensor, o jornalista usou as expressões com base em contextos da época em que Renan foi alvo de várias acusações em seu primeiro mandato como presidente do Senado.

Alvo de uma série de denúncias, o peemedebista renunciou à presidência e escapou, duas vezes, da cassação do mandato em votação secreta em 2007. As críticas, segundo Murilo, não foram gratuitas e tiveram amparo também em outros veículos de comunicação do país.

Na ação, Renan Calheiros argumentou que teve a honra abalada por publicações do Blog do Noblat, que afirmaram que o parlamentar mentiu em discursos feitos na tribuna do Senado, omitiu bens à Receita Federal, usou “laranja” para compra de veículos de comunicação e simulou tomada de empréstimo para beneficiar lobistas.

Em resposta à acusação, Noblat sustentou que não houve ofensas ou inverdades, já que os fatos foram amplamente divulgados na imprensa nacional e investigados pela Polícia Federal.

Na decisão de primeira instância, Renan Calheiros perdeu a causa. O juiz do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT) que examinou o caso entendeu que não houve ofensa ou injúria contra o parlamentar. “Não há que se falar em indenização por danos morais, pois o homem público está sujeito a críticas, porquanto inerentes ao sistema democrático, necessárias ao aperfeiçoamento das instituições”, considerou o magistrado.

“Os conteúdos disponibilizados pelo apelado (Noblat) em seu blog eram de conhecimento público e se basearam em diversos outros meios de comunicação que, em meados de 2007, deram ampla cobertura aos fatos”, acrescentou.

Após a decisão, a defesa de Renan Calheiros recorreu ao STJ, alegando que houve claro abuso do direito de informação e ofensa à honra na utilização das expressões “patife, corrupto, pervertido, depravado, velhaco, pusilânime, covarde”, e também quando o jornalista afirmou que o senador teria “superado seus próprios recordes de canalhices”.

A ministra Nancy rebateu a decisão do TJDFT. Para ela, a condição de homem público de Renan não justifica a utilização contra ele de “expressões altamente ofensivas”.

Nancy ressaltou que Noblat tem histórico de ser diligente na divulgação das informações sobre as investigações em andamento, mas “acabou ultrapassando a linha tênue existente entre a liberdade de expressão e a ofensa aos direitos da personalidade de outrem”.

O tribunal fixou indenização de R$50 mil, corrigidos monetariamente a partir da data do julgamento e acrescidos de juro de mora de 1% ao mês, a contar da data de sua publicação.

Renan renunciou à presidência do Senado em 2007. A principal acusação que recaia contra ele na época era de que um lobista da empreiteira Mendes Júnior pagava R$ 16,5 mil mensais à jornalista Mônica Veloso, com quem o senador tem uma filha.

Como mostrou a revista Veja, entre 2004 e 2006 a empreiteira recebeu R$ 13,2 milhões em emendas parlamentares do senador destinadas a uma obra – feita pela empresa – no porto de Maceió. Salvo pelo plenário duas vezes, o senador escapou da cassação. Passou a atuar de maneira discreta até voltar à liderança do PMDB dois anos depois.

No início do ano passado, conseguiu se eleger presidente do Senado, com o apoio do Palácio do Planalto e de setores da oposição. Dois dias antes de sua eleição até duas semanas após sua posse, dois abaixo-assinados virtuais somaram mais de 2 milhões de apoios de internautas de todo o país. Todos, contra a sua volta ao cargo.*

(*) Carol Oliveira, Congresso em Foco

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QUARTA-FEIRA, 13 DE MARÇO DE 2014

Temer e o Reino Encantado

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Curioso o destino do vice-presidente Michel Temer. O senador Antônio Carlos Magalhães se referia a ele, por seu porte e aparência, como “mordomo de filme de terror”. Quem assistiu ao clássico Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder, com Gloria Swanson e William Holden, sabe que Temer substituiria com vantagem o mordomo da fantasmagórica mansão, Max von Mayerling (no filme, Erich von Stroheim).

Mas a vida não quis assim. Temer acaba de voltar da Disneyworld. E, no retorno ao Palácio do Jaburu, continua em contato com o Reino Encantado: convive com o Pateta, multidões de ratos, um dos Três Porquinhos, o Lobão (que anda meio apagado), os Irmãos Metralha, Madame Min (muito mais mandona e grosseira que a original) e seu escudeiro bolivariano João Bafodeonça.

E com os patos que acreditam que o PMDB vai deixar os cargos no Governo.*

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet.

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SANTINHO DO PAU OCO

Dirceu nega ter usado celular na prisão

 

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Processo pode definir se ex-ministro da Casa Civil, condenado no processo do mensalão,terá atendido seu pedido para trabalhar durante o dia fora da prisão

O ex-ministro José Dirceu negou nesta terça-feira, 11, ter tido acesso a um celular dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, onde cumpre pena em regime semiaberto pela condenação no esquema do mensalão. Dirceu prestou depoimento ao juiz Bruno Ribeiro, da Vara de Execuções Penais (VEP), em processo que pode definir seu futuro como presidiário. Se concluir que ele infringiu as regras, Dirceu pode ter negado seu pedido para trabalhar fora da prisão durante o dia.

Conforme os jornais Correio da Bahia e, posteriormente, Folha de S.Paulo, o ex-ministro conversou com o secretário da Indústria, Comércio e Mineração do Estado da Bahia, James Correia, pelo celular, no dia 6 de janeiro. O telefone seria de um empresário que foi visitar Dirceu na Papuda, de nome não revelado pelas publicações. Após a polêmica, o secretário passou a negar o contato com o petista. Até ser preso, Dirceu era hóspede frequente da ampla casa do secretário na Praia do Forte (BA).

O advogado do ex-ministro, José Luis Oliveira Lima, afirmou que seu cliente disse ao juiz que os registros de entrada na Papuda mostram que ele recebeu no dia seis apenas três advogados, o que comprovaria que Dirceu não esteve com um suposto empresário. Dirceu fez, ainda, um apelo ao magistrado para que ele autorize seu trabalho fora do presídio, o que lhe permitiria passar alguns finais de semana em casa, perto da filha.

Lima pediu ao juiz, também, que ele decida sobre a autorização para o trabalho externo de Dirceu sem submetê-la ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, como quer Bruno Ribeiro. A decisão ainda não foi tomada.

O depoimento foi por teleconferência (foi usada uma televisão 40 polegadas e um microfone), e durou cerca de 30 minutos.

Proibido. O uso de celulares por presidiários é proibido. Em caso de desobediência a essa regra, o preso pode ser punido com a proibição, por exemplo, de sair da cadeia durante o dia para trabalhar. Além disso, pode ocorrer regressão ao regime fechado, perda dos dias remidos e definição de nova data-base para benefícios.

O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, por exemplo, está com o direito a trabalhar suspenso devido a suspeitas de regalias que lhe teriam sido concedidas enquanto esteve no Centro de Progressão Penitenciária (CPP). Delúbio teria recebido visitas fora do horário determinado e um cardápio diferenciado dos demais presos.

Uma apuração feita pelas autoridades penitenciárias do Distrito Federal concluiu que Dirceu não usou o aparelho celular. No entanto, a Vara de Execuções Penais resolveu pedir uma investigação mais aprofundada das suspeitas. Durante a apuração, foi decidido que a análise do pedido de autorização para trabalho externo deveria ficar suspensa.

As investigações sobre supostas regalias a dois dos petistas condenados no mensalão provocaram críticas do governador Agnelo Queiroz (PT-DF) aos juízes da VEP. “Impõe-se consignar a completa ausência de qualquer ingerência de natureza política na administração do sistema penitenciário do Distrito Federal, afigurando-se grave aleivosia afirmação despida de qualquer indício de prática de atos ilegais e ilegítimos, a merecer a devida apuração pelos órgãos correcionais competentes”, diz o ofício assinado pelo governador. Agnelo, contudo, admitiu ter visitado o amigo Dirceu na Papuda.

Nesta terça, Dirceu, o ex-deputado João Paulo Cunha e Delúbio receberam a visita do ex-deputado e advogado Luiz Eduardo Greenhalgh. Ao encontrar o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) no aeroporto, Greenhalgh afirmou que visitaria “os meninos” na Papuda.   *

(*) Andreza Matais – O Estado de S. Paulo

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