DICAS PARA QUEM ESCREVE (III)

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1. Mais bem/mais mal. – Os advérbios “bem” e “mal” formam com o particípio dos verbos um todo semântico indissociável. Por isso,  todas as palavras formadas com “mal” ou “bem” e um particípio se escrevem como compostas ou derivadas, em que “mal” e “bem” funcionam como primeiros elementos de composição ou como prefixos: mal-afortunado, mal-educado, mal-arrumado, mal-assombrado, malcriado, malconservado, malfadado, malformado, malferido, malfeito, malquerido, mal-intencionado, malsinado, malsucedido, malvisto, etc.; bem-ordenado, bem-sucedido, bem-vindo, bem-intencionado, bem-dotado, bem-visto, bem-querido, etc.

Ora, presumir que se possa dizer “melhor educado” ou “pior pago” significa admitir a quebra dessa unidade semântica e a possibilidade de se dizer “melhor vindo” ou “pior criado”, em lugar de “mais bem-vindo” ou “mais malcriado”.

Se algum escritor de renome usou “melhor” ou “pior” antes de particípio, quebrando essa unidade semântica, isso não é motivo para transformar em norma o que não é mais que feito de fala: ao escritor compete quebrar e não seguir as normas gramaticais do dialeto culto. É ilegítima, embora generalizada, a citação de escritores para abono de regras gramaticais: primeiro, porque não foi a linguagem dos escritores que sedimentou a norma culta portuguesa, mas a linguagem jurídica; e, segundo, porque o objetivo de um escritor é renovar a linguagem, ser original, ser diferente dos outros.

Portanto, apesar dos exemplos encontrados nas gramáticas e nos dicionários de língua e tirados de bons escritores, não se deve dizer “melhor” nem “pior” antes de particípio. O adequado é dizer “mais bem” e “mais mal” antes de particípio, ainda que o ouvido pouco treinado em norma culta estranhe essa prolação, quase sempre inusitada.

A propósito, nunca se deve dizer “mais bom”, mas “melhor”. Uma propaganda recente do Banco do Brasil anuncia, no final: “Banco do Brasil – cada vez mais bom para todos”. Acho que nem mesmo um analfabeto diria “mais bom”…

2. A nível de/em nível de – As gramáticas condenam indevidamente a locução prepositiva “a nível de”, porque se trata de um galicismo (ex.: “Il est à mon niveau”, isto é, “ele é do meu nível” ou “ele está no meu nível”), e ensinam que se deve dizer apenas “em nível de”. Ora, se formos condenar galicismos, temos de evitar dizer “abajur”, “avalanche”, “flamboaiã” (forma portuguesa de “flamboyant”, já dicionarizada) e muitas outras palavras. E teremos de condenar também, segundo Cláudio Brandão, em sua Sintaxe Portuguesa (Belo Horizonte: ed. do Autor, 1963, p. 559-60), certas expressões de uso corrente que também são galicismos, como “galinha ao molho pardo” (em vernáculo deveria ser “galinha em molho pardo”), ou “trabalho a fazer” (o ideal seria “trabalho para fazer”) ou “equação a duas incógnitas” (o mais recomendável seria “equação com duas incógnitas” ou “de duas incógnitas”), ou “solução à base de sal” (em vernáculo diríamos “em base de sal” ou “com base em sal”). Portanto “em nível de” é construção preferível, por ser mais portuguesa, mas isso não significa que a expressão “a nível de” esteja errada. Em outras palavras: diga “em nível de”, mas evite condenar quem disser “a nível de”, que também é forma aceitável.

 

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011.

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BANANA REPUBLIC

 O pecador que se nomeou Juiz dos Juízes escapou por pouco de enfrentar a primavera pendurado em embargos infringentes

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Na festa promovida pela OAB para celebrar o 25º aniversário da Constituição de 1988, que o PT se recusou a assinar no dia da promulgação, o ex-presidente Lula confirmou que, se descobrissem que o governo simpatizava com o calendário gregoriano, os ferozes oposicionistas do século passado proporiam a adoção do calendário chinês. “O PT foi o único partido que, no dia da instalação da Constituinte, entregou um projeto de Constituição”, lembrou o palanque ambulante. “Só tínhamos 16 deputados, mas éramos desaforados como se fôssemos 500″. (Desaforado, como ensina o glossário da novílingua lulopetista, é o adjetivo que se deve aplicar a companheiros carentes de juízo e neurônios, que não resistem à tentação da molecagem irresponsável quando deliberam sobre assuntos relevantes).

“Se a Constituição que a gente apresentou fosse aprovada”, admitiu com o sorriso jocoso de quem retransmite uma previsão de Guido Mantega, “certamente seria ingovernável, porque éramos muito duros na queda”. No glossário da novilíngua, duro na queda é a expressão que designa quem confunde teimosia com coerência, é incapaz de refletir sobre ideias divergentes, rejeita o convívio dos contrários, sonha com o partido único e persegue o poder perpétuo. Há dez anos no controle do governo federal, os devotos continuam tão “duros na queda” quanto nos velhos tempos. O mestre mudou para pior.

Nesta terça-feira, por exemplo, aproveitou o sarau na OAB para proclamar-se Patrono do Judiciário e Controlador-Geral do Supremo Tribunal Federal. Caprichando na pose de Juiz dos Juízes, informou ter descoberto que os ministros devem usar a toga por menos tempo. “Se tudo no país pode ser renovado, por que um juiz tem que ficar a vida inteira?”, comparou. “Eu acho que tem que ter mandato em tudo quanto é lugar, porque senão as pessoas ficam 35, 40 anos”. Ele garante que a nova fórmula “teria outra vantagem: a alternância”. Mas ainda não decidiu se a idade limite para a aposentadoria “vai ser 75 anos ou vai ficar como está”.

O fundador do Brasil Maravilha reiterou que, se pudesse voltar no tempo, corrigiria um dos raríssimos erros que cometeu. “Eu teria mais critério para nomear ministros do Supremo”, penitenciou-se com sotaque de pecador no confessionário. Mais critério, no caso, quer dizer mais desfaçatez, ou nenhuma vergonha. Lula nunca levou em conta os dois pré-requisitos constitucionais que antigamente orientavam o preenchimento de vagas no STF: eram indicados pelo chefe do Executivo e sabatinados pelo Senado apenas juristas dotados de notório saber e reputação ilibada.

Lula sempre indicou (e os senadores engoliram sem engasgos) doutores que lhe pareceram prontos para pagar a toga com a absolvição de bandidos companheiros e cumprir disciplinadamente as determinações do presidente que lhes garantiu o empregão. Com o julgamento do mensalão, descobriu que existem juízes independentes e sem medo. A decepção e o ressentimento induziram o estadista de galinheiro a parir a aberração com que sempre sonharam os bahcaréis de porta de cadeia: a Teoria do Mais Critério.

Dos ministros nomeados por Lula, permanecem no STF Joaquim Barbosa, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli. Os dois primeiros não chegariam lá se o chefe do Executivo tivesse seguido a teoria que inventou. O nome de Lewandowski foi soprado por Marisa Letícia, que vivia ouvindo da vizinha elogios superlativos ao filho desembargador. A indicação acabou dando certo, mas o primeiro dos selecionados com mais critério foi Dias Toffoli. Duas vezes reprovado no exame para o ingresso na magistratura, ex-advogado do PT, ex-assessor de José Dirceu na Casa Civil, ex-chefe da Advocacia-Geral da União, tinha tudo para brilhar como ministro da defesa dos quadrilheiros do mensalão. Bingo.

Lula deveria ser mais amável com juízes que qualifica de “ingratos”, caso do já aposentado Ayres Britto e, sobretudo, de Joaquim Barbosa. Se fossem menos clementes, ambos teriam argumentos de sobra para defender a instalação do ex-presidente no banco dos réus. Os ministros fingiram acreditar que Lula nunca soube de nada que ocorria nas salas ao lado, acima e logo abaixo do gabinete presidencial. Também fingiram nunca ter ouvido o que disse José Dirceu mais de uma vez: “Nunca fiz nada sem a autorização do presidente Lula”.

Se os julgadores optassem por um tratamento menos compassivo, este começo de primavera encontraria o Juiz dos Juízes pendurado em meia dúzia de embargos infringentes. E Dirceu teria muito mais chances de repassar a patente de chefe de quadrilha.*

(*) Blog do Augusto Nunes.

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DE SINÔNIMOS E ANTÔNIMOS

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A sinonímia é a propriedade que têm dois ou mais termos, expressões ou palavras reais e instrumentos  gramaticais de se empregarem um pelo outro sem prejuízo do sentido.  Por essa definição entende-se que existem dois tipos de sinonímia: a das palavras reais e a dos instrumentos gramaticais.

A sinonímia gramatical é a que se verifica com prefixos, sufixos, raízes e conjunções, como, por exemplo, in- e des- (que significam negação: inabitado/desabitado), -eiro e –ário (que significam estado, profissão:  costureiro/funcionário), digit(i) e datilo, que significam dedo (digitação/datiloscopia), pois e porque que relacionam causa e efeito  (choveu, pois a rua está molhada/porque a rua está molhada).

As gramáticas, contudo, estudam a sinonímia  lexical, isto é, a de termos ou palavras reais, como erguer/levantar, chato/enfadonho, causa/motivo.

O problema maior da sinonímia está em acreditar que o emprego de um termo por outro se processa nos dois sentidos. Em muitos casos, é possível substituir um termo pelo seu equivalente sinonímico sem alteração semântica, como nos pares seguintes: notar/observar, despido/nu, prerrogativa/privilégio. Mas a sinonímia nem sempre é simétrica, recíproca ou bitransitiva (bitransitivo aqui entendido como “o que transita em duas vias”). O sentido do texto é que vai permitir a substituição de um termo por outro sem alteração semântica. A sinonímia deve ser estudada como contextual. Assim, podemos dizer que, na frase seguinte, “mãe” é sinônimo de “causa”: “A ociosidade é a mãe de todos os vícios.” Mas não podemos dizer que a invasão da Polônia foi a mãe da II Guerra Mundial.  É importante que se leve em conta a metáfora. Em “ um monstro de ser humano”, monstro é sinônimo de horror; em “um monstro de inteligência”, monstro é sinônimo de colosso! No primeiro caso, é uma ofensa (ser humano cruel); no segundo, um elogio (pessoa inteligentíssima).

Pássaro é uma das treze ordens de aves. Podemos dizer que o gavião e o pavão são aves, mas não podemos dizer que são pássaros, porque o gavião é rapineiro, e o pavão é galináceo. Ave, portanto, é um termo de significação mais abrangente que inclui desde as corredoras (como a ema e o avestruz) aos palmípedes (como patos e gansos). Quando uma palavra tem um sentido genérico, de menor especificidade,  que abrange e inclui o significado de várias outras, dizemos que essa palavra é um hiperônimo. Flor, por exemplo, é um hiperônimo que inclui rosa, violeta, jasmim, margarida, etc. Por sua vez, rosa é hipônimo de flor. Veículo é um hiperônimo que inclui carro, bicicleta, moto, ônibus, etc.  Por sua vez, velocípede é um hipônimo em relação a veículo. Por causa do conceito de hiperônimo/hipônimo, fica sem sentido definir pronome como substituto de nome, já que o hiperônimo substitui nome sem ser pronome: O automóvel capotou na curva. A perícia verificou que o veículo estava com os pneus carecas. A palavra veículo substitui automóvel e não é pronome. E há pronomes que não substituem nome algum, como  o inglês “it”, o alemão “es “ e o francês  “il”  na frase equivalente a “chove”: it rains, es regnet, il pleut.

O hiperônimo, grosso modo, equivale à ideia de extensão, em lógica; e o hipônimo, à ideia de compreensão. Animal, por exemplo, significa:  “ser que vive”, “que sente” e “que se move”, ideia que se estende a todo ser que vive, que sente e que se move, desde a pulga ou a minhoca  ao elefante ou à baleia. Homem tem maior compreensão que animal, porque inclui “racional” em seu significado, mas tem menor extensão porque limita a ideia de animal a um único tipo de ser que vive, que sente e que se move.  Assim, homem é hipônimo em relação a animal, porque tem uma extensão menor.  O hiperônimo,  assim como a extensão,  inclui um universo maior em seu significado. Assim, assento oferece uma  ideia ampla (extensão) de objetos que inclui cadeira, poltrona, banco, sofá, etc. Sofá, por sua vez, oferece uma ideia restrita (compreensão) de assento.  Quanto maior a extensão, menor a compreensão, isto é, quanto mais genérico for um termo, menos preciso ele é.

O oposto a sinônimo é antônimo, que também é normalmente contextual. Recorde-se que nem sempre um antônimo tradicional se pode opor ao seu par: seco se opõe a molhado, mas vinho seco não se opõe a vinho molhado, que é expressão inexistente. Da mesma forma, dias úteis não se opõe a dias inúteis, vinho verde não se opõe a vinho madurocrime organizado não se opõe a crime desorganizado, arraia-miúda não se opõe a arraia-graúda, que não existe, assim como alta-roda (alta sociedade) não se opõe a baixa-roda, que também não existe.

Curiosamente, há antônimos consagrados indevidamente, como verdade/mentira. Verdade é um problema lógico; mentira é um problema moral. Só pode mentir quem conhece a verdade, mas prefere sonegá-la. Já erro (problema lógico ou paralógico) é que seria o verdadeiro antônimo de verdade, já que a pessoa que erra desconhece a verdade. Um erro dito por alguém pode levar o ouvinte a crer que esse alguém minta, já que o erro é a não coincidência da expressão com o objeto, exatamente como a mentira, que também é a não coincidência da expressão com o objeto. A diferença é que, no erro, a expressão coincide com o pensamento de quem se expressa, enquanto que, na mentira, o pensamento contraria a expressão do falante. Como não podemos saber o que está pensando a pessoa que fala, dizemos, para não agredir, que ela faltou à verdade. Faltar à verdade é sinônimo tanto de errar quanto de mentir, porque em ambos os casos a verdade faleceu. Mas a expressão faltar à verdade não ofende e traduz adequadamente a descrença ou a ideia de quem ouve.

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011.

 

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SE GRITAR, PEGA LADRÃO…

Diretor da ANS se demite após omitir dados em currículo

000-ESCÃNDALOS

O diretor da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) Elano Figueiredo pediu exoneração do cargo nesta quinta-feira (3) após a Comissão de Ética Pública da Presidência da República recomendar sua destituição. O processo foi aberto com base em reportagem do jornal o Estado de S.Paulo que revelou, no dia 3 de agosto, um dia depois de ele tomar posse, que ele omitiu do currículo público a informação sobre ter trabalhado para a operadora de saúde Hapvida.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) lançou na última segunda-feira (12) o Guia Prático sobre Planos de Saúde para esclarecer dúvidas dos beneficiários ou de quem deseja contratar uma operadora pela primeira vez. O guia será distribuído em eventos organizados por Procons e pela agência em todo o país Leia mais Reprodução

O currículo foi encaminhado pela Presidência da República ao Senado no processo de sabatina e é uma das referências dos senadores para avaliação do nome. A revelação do jornal provocou uma série de manifestações de órgãos de defesa do consumidor que pediram a saída de Elano. É a primeira vez que um diretor da ANS deixa o cargo sob questionamentos éticos.

O jornal também revelou que Elano assinou dezenas de ações em defesa da Hapvida, quando trabalhou para a empresa com carteira assinada, contra a ANS. Ele havia justificado que não incluiu o trabalho para a operadora porque apenas advogou para a empresa, mas o jornal revelou que ele foi diretor, com carteira assinada.

Em nota divulgada nesta quinta-feira, 3, Elano afirma que a decisão da Comissão de Ética foi “equivocada” e que não apontou conflito de interesse, mesmo assim pediu sua destituição. A comissão ainda não divulgou oficialmente sua determinação. O pedido de análise do caso pela comissão foi determinado pela presidente Dilma Rousseff logo após a revelação do fato pelo jornal O Estado de S. Paulo.*

(*) Estadão

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E NO PAÍS DA PIADA PRONTA…

Mantega diz que crise de Eike Batista afetou imagem do país

000 - eike aista - mamando sempre

A crise nas empresas de Eike Batista afetou a imagem da economia do país. A opinião é do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que participa de evento em São Paulo nesta segunda-feira (30).

O ministro afirmou que a queda das ações da petroleira OGX “já causou problemas para a imagem do país e para a Bolsa de Valores, que teve uma deterioração”.

Segundo Mantega, a situação das empresas controladas por Eike afeta o próprio desempenho da economia brasileira e “nossa reputação na Bolsa de Valores, que é muito boa”.

De acordo com o ministro, apesar da “Bolsa estar subindo agora, teve uma queda de perto de 10% por conta dessas empresas de Eike”.

“É o mercado o que tem que solucioná-la. Não é o Governo que tem que fazer algo. Espero que eles consigam se recompor o mais rápido possível”, disse.

As empresas do bilionário enfrentam uma séria crise de confiança no mercado e grandes perdas na Bolsa de Valores. Somente neste ano, a OGX perdeu R$ 13,3 bilhões em valor de mercado, segundo levantamento da consultoria Economatica.

Na semana passada, Mantega já tinha dito que a solução para a OGX não é problema do governo. “É um grupo privado. Não tem uma ligação com o governo e, portanto, a solução da OGX é de mercado. É o mercado quem tem de dizer quando o grupo vai ser saneado e quando vai deixar de causar problemas para o mercado de capitais.”*

(*) UOL

 

A PROPÓSITO

000 - a cara+pau

Pensando bem…

…já que não tem autossuficiência em petróleo, o Brasil bate recordes na produção de óleo de peroba.*

(*) Diário do Poder

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XEROX DE LIVROS

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Já se cogitou há algum tempo de um projeto de lei que permita a cópia xerográfica não apenas de capítulos de livro, mas também do livro inteiro, desde que seja para uso pessoal, sem intenções comerciais.  O preço do livro é alto demais no Brasil, e, sobretudo no caso de obras coletivas, é preferível  ter apenas o capítulo desejado e não o livro inteiro. A cópia é muito mais barata.

Reconheço que um estudante terá sua vida facilitada se lhe for permitido copiar o livro inteiro, já que a cópia, por mais páginas que tenha, é sempre mais barata. Mas o autor do livro copiado pode ser seriamente prejudicado.

Em 1982, Celso Pedro Luft publicou pela L& PM, de Porto Alegre, o livro O Gigolô das Palavras, título de uma crônica de Luís Fernando Veríssimo, equivocadamente analisada pelo gramático que achava estar publicando lições com embasamento linguístico. No dia 25-8-85, publiquei no Suplemento Literário do Minas Gerais uma crítica a esse livro  mostrando que muitas das observações do autor eram inadequadas, por se respaldarem em obras superadas, como a de Charles Hockett, A course in modern linguistics, publicada pela Macmillan de Nova Iorque em 1958. Uma das afirmações de Luft (que não levou em conta o fato de ter-se apoiado num livro escrito trinta anos antes) era a de que uma criança de três anos já é um adulto linguístico e sabe, portanto, fazer análise sintática (o que ele queria dizer é que a criança já constrói frases sintaticamente organizadas).  Ora, em 1974, quase uma década antes do lançamento do livro de Luft, já havia saído pela Eldorado, do Rio de Janeiro, organizado pelas professoras Maria Stella Fonseca e Moema F. Neves, o livro Sociolinguística, em cujas páginas 49-85 se encontra um estudo primoroso de William Labov intitulado “Estágios na aquisição do inglês Standard”, que mostra que é apenas a partir dos cinco anos que a criança, ao entrar na escola e ao pôr-se em contato com outras crianças, vizinhos e colegas,  aprende o dialeto do grupo e se distancia do dialeto familiar. Pode-se dizer, portanto, que uma criança de três anos apenas domina a gramática básica, em seu contato com a família.

Luft não gostou da minha crítica e partiu para uma resposta agressiva, publicada no Suplemento Literário, no dia 2 de novembro de 1985. A polêmica prosseguiu até o dia 27 de setembro de 1986, com meu artigo intitulado “Dissonância cognitiva”, em que mostro, citando Humberto de Campos, Rubem Braga  e Manuel Bandeira, entre outros cronistas, que, ao contrário do que afirmava Luft, a combinação de pronomes, a mesóclise e o emprego de tu e vós ainda se encontram em escritores brasileiros contemporâneos e não devem ser retirados das gramáticas de língua portuguesa.

No final de 1986, José Hildebrando Dacanal, que trabalhava na Editora Mercado Aberto e costumava ler o Suplemento Literário, pediu-me que reunisse todos os meus artigos da polêmica e organizasse um livro sobre o ensino da língua. Assim, em 1988, saiu, pela Mercado Aberto, o  meu livrinho Por uma política do ensino da língua, em que não cito Luft, porque, como justifiquei com o Dacanal, meu livro era uma proposta e não uma resposta.

Em 1988, ainda, a professora Edith Pimentel Pinto, pediu aos seus alunos de pós-graduação da Universidade de São Paulo, que analisassem os três livros que tratavam do mesmo assunto: o de Celso Luft, acima citado; o de Evanildo Bechara, intitulado Ensino da Gramática: Opressão? Liberdade? (São Paulo:Ática, 1985), também contradizendo Luft, embora indiretamente; e o meu. Os alunos compraram os livros de Luft e Bechara, mas acharam mais barato tirar cópia do meu, que era o mais fininho dos três… Resultado: fiquei sem receber os direitos autorais dos 30 exemplares que os alunos da Dra. Edith deixaram de comprar…

É por isso que sou contra a permissão de se fazerem cópias xerográficas de livros inteiros… Apesar de tudo, restou-me o consolo de saber que meu livro foi lido, analisado e eleito o segundo melhor dos três. O de Luft ficou em terceiro lugar.*

 

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011.

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EMPRESÁRIO CULT DO LULOPETISMO

‘Estou comendo vidro’, diz Eike sobre dificuldades no grupo

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O empresário Eike Batista atribuiu as dificuldades atuais de seu conglomerado às falhas de gestão cometidas por executivos do grupo, à impaciência dos investidores e à falta de sorte.

Em entrevista ao “Wall Street Journal”, o executivo disse ter sido enganado pelo “dream team” (time das estrelas) de diretores montado para tocar os negócios do grupo.

Em referência à OGX, uma das principais frustrações dos investidores, Eike considerou que, por ser executivo da área de mineração, não tinha conhecimento suficiente sobre a indústria de petróleo para questionar relatórios apresentados pelos executivos.

“Sou dono de um grande grupo. Eu, sozinho, não posso fazer isso. Eu poderia ser o dono de um hospital, mas sem 50 cirurgiões das suas respectivas áreas você não é nada. Não tenho conhecimento específico. Você não pediria ao dono de um hospital para operar seu rim”, diz ao jornal.

Grupo EIG será controlador da LLX

Os negócios no setor de petróleo, diz, foram uma tentativa de criar riqueza e dividi-la, uma aposta que foi beneficiada pela bolha dos altos preços da matéria-prima, segundo ele.

“Vivendo em um país que tem essas descobertas de petróleo gigantescas, por que eu não poderia ter sido abençoado com uma delas?”, diz.

Eike está no centro de uma das maiores reestruturações empresariais do país. Mergulhado em uma crise de credibilidade e com dívidas superiores a R$ 20 bilhões, o grupo EBX viu o valor de suas empresas ser reduzido a menos de 15% do pico, próximo a R$ 7 bilhões.

O executivo iniciou vendas do seu patrimônio para pagar dívidas e hoje tem posições expressivas só nas empresas que não conseguiu repassar para outros grupos, como OGX e OSX.

Um dos próximos passos, segundo ele, pode ser a venda das plataformas de petróleo para levantar cerca de R$ 1 bilhão.*

(*) Folha de SP

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Auditoria liga mulher de ministro do Trabalho a

convênios com irregularidades no Estado de SC

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Auditoria realizada pelo Tribunal de Contas de Santa Catarina detectou irregularidades em convênios irrigados com verbas do Ministério do Trabalho. Os contratos somam R$ 2,1 milhões, dos quais 83% são verbas federais. São mencionados no processo Dalva Maria de Luca Dias e Rodrigo Minotto, respectivamente mulher e chefe de gabinete do ministro Manoel Dias (Trabalho).

A revelação consta de notícia produzida pelos repórteres Andreza Matais e Fábio Fabrini. Eles contam que os papeis da auditoria foram remetidos ao TCU, órgão responsável pela fiscalização do uso das verbas federais. O envio dos documentos foi feito na segunda-feira da semana passada, mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou a Operação Esopo, aquela que apontou desvios de R$ 400 milhões na pasta do Trabalho.

Dalva Dias, a mulher do ministro, foi secretária de Assistência Social, Trabalho e Habitação do governo de Santa Catarina entre maio de 2007 a julho de 2010. Foi nessa função que ela geriu os recursos recebidos de Brasília. Rodrigo Minotto, o chefe de gabinete do atual ministro, era coordenador do Sistema Nacional de Emprego (Sine) em Santa Catarina. As verbas foram transferidas na gestão de Carlos Lupi, demitido da pasta do Trabalho em dezembro de 2011 na pseudofaxina de Dilma Rousseff.

Filiado ao PDT, Manoel Dias faz política em Santa Catarina. Foi à poltrona de ministro por indicação de Lupi, presidente nacional da legenda. De acordo com os auditores do TCE, o tribunal de contas estadual, o dinheiro do Ministério do Trabalho foi repassado a três entidades, uma delas vinculada ao PDT. As verbas deveriam ter financiado cursos profissionalizantes. Detectaram-se na contabilidade despesas “sem caráter público”, “ilegítimas” e com descrições “genéricas”. Os editais não mencionavam nem o tipo de aula que seria ministrada.

O TCU já havia analisado as formalidades da contratação das entidades. Embora a licitação tenha sido dispensada, o tribunal considerou legais os convênios. Diante das constatações da auditoria estadual, os contratos serão reavaliados em Brasília.

Ouvida, a mulher do ministro negou que tenha patrocinado malfeitos. “Estão querendo pegar coisas minhas por causa dessa história toda do ministério. Você pode fuçar minha vida quanto quiser. Foi tudo feito com a maior lisura. Eu tenho, por princípio, zelar pela coisa pública”, disse Dalva Dias. Se é assim, por que há processos no TCE? “Não há no Brasil nenhum gestor público que não tenha um processo.”

Rodrigo Minotto considerou “salutar” o envio dos documentos ao TCU. Disse que exercerá o seu direito ao contraditório. “Não dá é para fazer prejulgamento.” Afirmou que não se sente desconfortável no cargo de chefe de gabinete de Manoel Dias. Não cogita pedir para sair.*

(*) Blog do Josias de Souza.

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DICAS PARA QUEM ESCREVE (II)

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1. Uso do apóstrofo – Segundo o Formulário Ortográfico, reproduzido nas partes pré-textuais do Aurélio (p. XX-XXV) e no Volp, usa-se o apóstrofo em apenas três situações: a) para indicar supressão de uma letra ou letras num verso: c’roa, ‘star; b) para reproduzir pronúncias populares: ‘tava, ‘teve; c) para indicar a supressão da vogal em palavras compostas por hífen: pau-d’água (bêbado), copo-d’água (planta, lanche). E observa o Formulário Ortográfico: “Restringindo-se o emprego do apóstrofo a esses casos, cumpre não se use dele em nenhuma outra hipótese.” Assim: falta dágua, dele, doutro, daqui, vivalma, etc. Apesar disso, os dicionários registram “filho d’algo” (fidalgo), sem hífen e com apóstrofo.

2. Ganho-ganhado – Quando um verbo tem dois particípios (verbo abundante), o regular tem sempre função verbal; e o irregular, função adjetiva. Por exemplo: O vento tinha secado a roupa (função verbal). A roupa está seca (função adjetiva). Os particípios regulares se constroem com “ter” ou “haver”; os irregulares, basicamente, com “ser” ou “estar”. Se o particípio regular puder ser usado também como adjetivo e não apenas como verbo, então os dois particípios poderão ter sentido diferente: homem omisso (irresponsável) / homem omitido (esquecido); garota enxuta (de corpo bonito / garota enxugada (livre de umidade); carro seguro (que dá segurança ) / carro segurado (coberto por uma seguradora); trabalho correto (sem erro) / trabalho corrigido (que sofreu correções); amigo oculto (amigo X) / amigo ocultado (escondido); abstraído/abstrato; pervertido/perverso; torcido/torto; rompido/roto; corrompido/corrupto, etc.

Em contrapartida, há  três verbos que perderam seus particípios regulares há pelo menos 200 anos, restando apenas os irregulares: ganhar (ganho), pagar (pago) e gastar (gasto). Não existem mais as formas “ganhado”, “pagado” e “gastado”, apesar de aparecer na imprensa, vez por outra, a forma “ganhado”. Seu uso é um anacronismo, um arcaísmo. Numa consulta ao Aurélio, no verbete “ganhar”, item 30, ler-se-á: “a forma regular ‘ganhado’ quase não é usada hoje, a não ser em certos provérbios e  locuções, como, p. ex., vintém ganhado, vintém poupado, e viver do ganhado.” Basta conferir.

3. Ovo estalado/ovo estrelado – O Houaiss, no verbete “estalar”, registra, na acepção 6, o verbo “estalar” como sinônimo de “estrelar”, isto é, de fritar o ovo com a clara e a gema inteiriça. A primeira acepção de “estalar” é “partir, quebrar, espedaçar”, tanto no Houaiss quanto no Aurélio. Para os cozinheiros, ovo estrelado é o ovo frito inteiro, com clara e gema inteiras. E ovo estalado é o ovo frito aos pedaços, como o que se usa para fazer farofa ou recheio de frango. Portanto não existe erro nenhum em se dizer “ovo estalado”, ainda que se não queira fazer a distinção dos “chefs” de cozinha.

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011.

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Celso de Mello diz que não se sente pressionado

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O decano do Supremo Tribunal Federal, Celso de Mello, afirmou neste sábado, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, que não se sente pressionado pela circunstância de ser o responsável pelo desempate da votação que poderá garantir o direito a um novo julgamento a 12 dos 25 condenados no processo do mensalão. “Absolutamente não. Eu leio o noticiário e, a despeito do que se fala, não sinto nenhum tipo de pressão”, disse o ministro neste sábado à tarde, em entrevista por telefone. “Após 45 anos, seja como promotor ou juiz, é uma experiência que você tem e supera tranquilamente.” O fato de o presidente do STF, Joaquim Barbosa, ter encerrado a sessão na quinta-feira passada quando o placar estava empatado em 5 a 5, submetendo o decano a uma espera de quase uma semana para a revelação do voto, também não o abalou: “O adiamento da sessão, longe de significar qualquer possibilidade de pressão externa, aprofundou ainda mais minha convicção”, afirmou o ministro. Na quinta-feira, Barbosa encerrou a sessão mesmo depois de ter recebido de Celso de Mello um aviso de que estava pronto para votar e de que sua manifestação demoraria apenas cinco minutos. Com base em declarações anteriores do ministro a respeito do tema, a expectativa no STF é de que, na quarta-feira, ele desempate a votação reconhecendo o direito a uma segunda chance para os condenados que conseguiram pelo menos quatro votos absolutórios. Nesse grupo está o ex-ministro José Dirceu, condenado a 10 anos e 10 meses por corrupção ativa e formação de quadrilha. O próprio Celso de Mello disse na semana passada, em entrevista à imprensa, que no início do julgamento do mensalão, em agosto de 2012, já tinha exposto a sua posição. Na ocasião, ele afirmou que está em vigor a regra que garante a réus condenados o direito aos chamados embargos infringentes – na prática, isso significa um novo julgamento. “Não sinto nenhum tipo de pressão e estou pronto para proferir o meu voto”, afirmou Celso de Mello. “O que acho importante é que tenho a minha convicção. Aprofundei-a muito. Li todas as razões das diferentes posições. E cada vez mais estou convencido de que fiz a opção correta.” Questionado sobre a direção em que iria sua convicção, o ministro preferiu manter sigilo do voto.

(*) Mariângela Galucci – Estadão.

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