SÁBADO, 28 DE JUNHO DE 2014

O poema das eleições

000 - a ideologia partidária

É fácil entender o que está acontecendo na campanha eleitoral. O PMDB apoia Dilma, dá a ela seu tempo de TV, mas o mesmo PMDB apoia Aécio e dá a ele seus principais diretórios estaduais. O PSD apoia Dilma e dá a ela seu tempo de TV, mas apoia também o peemedebista Skaf em São Paulo, continua ligado a José Serra e a quem mais aparecer procurando apoio e tendo algo (de interesse público, claro) a oferecer em troca. O PSB, que se apresenta como alternativa a PT e PSDB, apoia o PT no Rio e o PSDB em São Paulo, tem candidato próprio em Minas mas quem o apoia é só uma ala do partido, que a outra, a de Marina, não se mistura. O PP é Dilma, mas não no Rio nem no Rio Grande do Sul, onde é Aécio. Dilma, que carrega consigo Collor, Maluf e Sarney, ataca a oposição por representar o passado. A turma tucana do cartel do Metrô e dos trens metropolitanos critica o PT pelo Mensalão e pela ladroeira em geral. Eduardo achou que, aliando-se a Marina, ganharia os votos dela; Marina achou que, aliando-se a Eduardo, se beneficiaria de sua famosa habilidade política. Pois juntou-se a votação de Eduardo com a habilidade política de Marina e deu no que não deu.

Como diria o poeta, Dilma amava Collor que amava o PTB que ama Aécio que ama até o Zé Serra, desde que lhe traga votos. Eduardo Campos amou Marina que só ama o verde mas não amou apoiá-lo só pelo verde de seus olhos. Marina e Eduardo amavam Lula mas não amam Dilma que ama o Valdemar Costa Neto, ama Kassab, que a todos ama, e todos amam Lula que só ama a si mesmo.

A raiz de tudo

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A nota acima é inspirada num poema de Drummond, chamado Quadrilha.

Acredite: é homenagem

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Sexta-feira, dia 27, no comecinho da campanha eleitoral, com base na Lei 12.390, de 3 março de 2011, celebrou-se o Dia Nacional do Quadrilheiro.

Acredite: ele disse

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Frase do ex-presidente Lula sobre a Copa, criticando a Seleção japonesa de futebol: “O Japão é um país de primeiro mundo. Mas não ganhou um jogo sequer na Copa do Mundo. O problema do Japão é que eles só pensam em educação e saúde. Se investissem também em futebol ainda estariam na Copa”.

Acredite: ele confessa

00rs0919c - VERGONHA

Aécio Neves, candidato tucano à Presidência, comemorando a conquista do apoio do PTB, até então ligado a Dilma, revelando o que realmente pensa a respeito de seus novos aliados: “Muito mais gente já desembarcou e o governo ainda não percebeu. Vão sugar um pouco mais. E eu digo para eles: façam isso mesmo, suguem mais um pouquinho e depois venham para o nosso lado”.

Aécio não só dá esse tipo de conselho a seus companheiros como se orgulha disso.

Acredite: ele festeja

cara de  palhaco

O candidato do PMDB ao Governo do Paraná, Roberto Requião, divulga alegremente por seu Twitter a informação de que recebeu um telefonema de cumprimentos de André Vargas, aquele parlamentar que se tornou tão notório que nem o PT o quis. André Vargas, segundo Requião, disse que se defenderá “com energia” dos ataques que recebe – por exemplo, pela ligação com Alberto Youssef, preso sob a acusação de lavagem de dinheiro. Vargas viajou com a família, de férias, num jatinho alugado por Youssef para ele, ao custo de US$ 100 mil. Vargas, até ser abatido em voo, queria sair para o Senado pelo PT paranaense.

Agora, sem legenda, cumprimentou Requião com a frase “Tamo junto”.

Acredite: até ele!

000 - Quer saber  gif

Por enquanto, a coisa fica só nos comentários. Mas comenta-se muito a possibilidade de indicação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para a vaga de Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal. Não que o partido confie em Cardozo, a partir do momento em que tenha um cargo vitalício, à prova de represálias; mas indicá-lo traria uma vantagem óbvia, afastá-lo do Ministério.

Outros candidatos que vêm sendo citados: o advogado geral da União, Luís Adams, e o advogado Heleno Torres (que vêm sendo lembrados há tempos); e os ministros Benedito Gonçalves, Herman Benjamin, Maria Tereza Assis de Moura e Luiz Felipe Salomão, todos do Superior Tribunal de Justiça. A presidente Dilma ainda não tocou no assunto, mas imagina-se que o nome saia após a eleição.

Acredite: ela promete

000000000000000a vaia

A presidente Dilma Rousseff disse que está decidida a entregar a Copa do Mundo ao campeão, no Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro. A última experiência de Dilma num estádio foi meio traumática; e o próprio presidente Lula, no Maracanã, foi vaiado pelo público. Dilma, se aparecer mesmo, vai dar uma demonstração de coragem. Lula, que é mais esperto, tem ficado longe dos estádios.

Acredite: ele pode largar o osso

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Quando José Sarney chegou ao Congresso, em 1955, uma ligação interurbana podia demorar dois ou três dias, quando era completada. A Via Dutra, novinha, tinha pista única de São Paulo ao Rio. A França lançava uma novidade nos ares, o Caravelle. Pelé, adolescente, mudava-se de Bauru para Santos. A TV se expandia e chegava a Minas.

Sarney anuncia agora sua aposentadoria. Ufa!*

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet

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NUNCA NA HISTÓRIA DESTE PAÍS…

De acusador a réu

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Em entrevista ao SBT, anteontem, Lula, com ares de Conselheiro Acácio, disse, entre outras coisas, que “o PT vai ter que enfrentar o debate da corrupção”. Ontem, em Salvador, no lançamento da candidatura de Rui Costa ao governo da Bahia, voltou a falar em reforma “para moralizar a política”.

O que se percebe é que o PT ainda crê na possibilidade de retomar a bandeira da moralidade, que o levou ao Planalto, e assumir novamente o comando dessa discussão. Não percebeu que, em quase doze anos no poder, passou de acusador a réu.

Seu alto comando está (ainda) na Papuda. O debate se processará (já está, aliás, se processando) queira ou não o partido. A rigor, não queria, mas tornou-se inevitável. As manifestações que precederam a Copa do Mundo tinham menos a ver com o evento que com o ambiente em que as obras se desenvolveram.

Obras sem licitação, superfaturadas e inacabadas, constituem um velho padrão brasileiro, mas, na Era PT, mostraram-se sistêmicas; ganharam o cunho do oficialismo.

O Mensalão, que Lula diz jamais ter existido – o que colocaria o Supremo Tribunal Federal, que condenou os infratores, no banco dos réus -, não tem precedentes.

Não foi um roubo isolado, mas a tentativa de embolsar um Poder da República – e que só fracassou graças à inconfidência de um dos cúmplices, o ex-deputado Roberto Jefferson, do PTB, que se sentiu enganado. Chegou-se a tal extremo que não há exagero em afirmar que, para descobrir novas falcatruas, basta escolher aleatoriamente uma repartição qualquer do Estado.

O empenho do governo em impedir investigações na Petrobras equivale a uma confissão de culpa. O partido, que fazia das CPIs o seu principal palanque, hoje as evita a todo custo. Ao longo do exercício do poder, viu, um a um, os seus principais quadros intelectuais o abandonarem, em meio a desabafos de decepção. Restaram-lhe figuras que mais se amoldam a uma delegacia policial que a uma tribuna parlamentar.

Não será fácil a Lula enfrentar esse debate, já que ele próprio está no centro de algumas acusações. Tanto o Mensalão como a absurda compra da refinaria de Pasadena ocorreram sob seu governo. E há ainda casos constrangedores, como o de Rosemary Noronha, a namorada que chefiava a Presidência em São Paulo, e que, nessa condição – de chefe e namorada -, nomeava figurões da República e fazia bons negócios.

Lula até hoje não emitiu uma palavra sequer sobre o assunto, o que torna seu silêncio mais eloquente que as palavras.

Difícil imaginar um debate sobre corrupção que passe por cima desses temas. A estratégia até aqui exibida é a de tentar implicar o concorrente em acusações similares, na base do “eles também roubaram”. Não há como cobrar, mais de uma década depois, atos que cabem a quem estar no poder punir.

Lula ensaiou um discurso pacifista e autocrítico na entrevista do SBT, ao reconhecer que os insultos do Itaquerão não decorreram apenas da tal elite branca de São Paulo. São bem mais amplos e foram reproduzidos em outros ambientes. Gilberto Carvalho já havia dito isso em entrevista a blogueiros chapa-branca.

O partido sabe que perdeu o encanto junto à classe média e ao empresariado, sustentáculos consideráveis em sua ascensão e permanência no poder. Resta-lhe a clientela do bolsa-família, nada desprezível do ponto de vista estatístico, mas insuficiente para garantir um segundo mandato de Dilma.

Também nesse segmento, a inflação dos alimentos preocupa, semeia insatisfações e impõe perdas. E os demais candidatos também irão se comprometer com a continuidade daquele benefício, que, aliás, foi herdado da administração tucana.

O discurso do ódio, na base do nós x eles, não parece eficaz e é desaconselhado pelos marqueteiros. Mas o partido não parece ter outro. Tanto assim que ontem, em Salvador, Dilma voltou a proferi-lo, acusando seus adversário de apelar “para o ódio, os xingamentos e a política desqualificada”.

São palavras que não resistem a um exame superficial. Política desqualificada? Que tal examinar os quadros da base parlamentar governista? Xingamentos? E o que Lula disse do ex-presidente Itamar Franco, ao ofender publicamente sua mãe? E o que o PT fez com a blogueira cubana Yoani Sánchez quando de sua visita ao Brasil? E com a deputada venezuelana Maria Corina? E o apoio ao regime venezuelano?

Há bem mais: o financiamento ao porto cubano, o perdão das dívidas de regimes totalitários africanos sem audiência ao Congresso etc. etc. Por aí, não será fácil estabelecer o debate que Lula acredita ter ainda sob controle.*

(*)  Ruy Fabiano, no blog do Noblat.

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TORNIQUETE

Rivais minam base de Dilma no Nordeste

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Os dois principais adversários de Dilma Rousseff na corrida presidencial montaram palanques em vários Estados do Nordeste com candidatos de partidos que apoiam a reeleição da presidente, explorando divisões do bloco governista numa região que foi decisiva para a vitória de Dilma nas eleições de 2010.

No Ceará, o senador mineiro Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência, fechou com o senador Eunício Oliveira, candidato do PMDB a governador, indicando o ex-governador Tasso Jereissati como candidato ao Senado.

Eunício é aliado de Dilma em Brasília, mas no Ceará a presidente está com o governador Cid Gomes (Pros) e seu irmão, o ex-ministro Ciro Gomes, que devem lançar outro candidato a governador com o apoio do PT.

Aliado a Eunício, Aécio conseguiu abrir uma trinca no palanque de Dilma no terceiro maior colégio eleitoral da região Nordeste.

Na sexta-feira (27), Aécio e seu rival Eduardo Campos, pré-candidato do PSB à Presidência, visitaram o Piauí como convidados da convenção que aprovou a candidatura do governador José Filho (PMDB) à reeleição. Os dois fazem parte da chapa peemedebista. O candidato do PT no Piauí será o senador Wellington Dias.

O Nordeste funcionará nesta eleição como uma espécie de câmara de compensação dos votos presidenciais.

Longe de ser o fiel da balança como em 2010, desta vez a região será usada para compensar prejuízos dos candidatos em redutos mais populosos, como o Sudeste.

Com 38,2 milhões de eleitores, o Nordeste perde apenas para o Sudeste em número de habitantes aptos a votar, 62 milhões.

Não por acaso, os três principais candidatos ao Palácio do Planalto fizeram uma ofensiva em Estados nordestinos nesta sexta-feira (27).

Dilma desembarcou na Bahia nesta sexta. Ao lado do ex-presidente Lula, participou em Salvador da convenção que referendou Rui Costa (PT) para a sucessão do governador Jaques Wagner ao governo do Estado.

Dilma tenta manter a dianteira na região que lhe garantiu a vitória em 2010. O objetivo é amenizar eventual desvantagem em São Paulo. Aécio trabalha para reduzir as resistências a seu partido no eleitorado nordestino.

Assim como nas duas últimas corridas ao Palácio do Planalto, o programa Bolsa Família será a principal trincheira da eleição no Nordeste. Nas duas eleições passadas, a bandeira social do PT transformou-se em arma eleitoral contra os tucanos.

De todos os candidatos, o único com sotaque nordestino é Campos, ex-governador de Pernambuco. Ele aposta na origem e no fato de ter participado do início do governo Lula para convencer eleitores de que vai manter o programa social.

(*) Folha de São Paulo

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UMA ENTREVISTA

000- a coluna do Joauca - 500

RESPOSTA À ENTREVISTA de Bruna Estevanin Costa,

para a revista Mundo Estranho, da Editora Abril

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1) Qual a origem dos nomes dos dias da semana? 

Há três tipos de nomes para os dias da semana: os da astronomia ou planetários, os da mitologia nórdica e os numerados, reminiscência da tradição cristã de numerar os dias a partir do sábado. Na nomenclatura planetária, partia-se dos planetas conhecidos da época, por ordem decrescente da distância da Terra: Saturno, Júpiter, Marte, Vênus e Mercúrio. Se terminarmos a contagem pela Lua e pusermos o Sol no centro, teremos a seguinte ordem astrológica: Saturno, Júpiter, Marte, Sol, Vênus, Mercúrio e Lua. Os discípulos de Pitágoras faziam da tétrade (conjunto de quatro grãos ou micrósporos de pólen que se originam da célula-mãe mediante meiose) a chave de um simbolismo numérico que pôde dar um quadro à ordem do mundo. O quadrado era o símbolo da perfeição, por ser sempre igual de qualquer lado por que é visto. O número quatro é considerado um dos mais cabalísticos. Quatro são as fases da Lua, quatro são os elementos (fogo, terra, ar e água), quatro são as letras do nome do primeiro homem (Adão), quatro é o número de letras do tetragrama de Deus: IHWH, de Iahweh; quatro são as proposições aristotélicas (duas afirmativas, A, I) e duas  negativas (E, O), etc. Todo o sistema de pensamento jungiano, por exemplo, se fundamenta na importância fundamental do número quatro, já que a quaternidade  representa para ele o fundamento arquetípico da psique humana. Assim,  se contarmos até quatro seguindo a ordem astrológica acima a partir de Saturno, chegaremos a Sol (primeiro dia da semana); a partir de Sol, contando até quatro, chegaremos a Lua (lunes, lunedi, lundi), o segundo dia; contando até quatro, a partir de Lua,  chegaremos a Marte (martes, martedi, mardi), etc. Assim, de quatro em quatro, temos:

Saturno,     Júpiter,   Marte,  Sol = Primeiro dia (dia do Sol)

Sol, Vênus, Mercúrio, Lua = Segundo dia (dia da Lua)

Lua, Saturno, Júpiter, Marte = Terceiro dia (dia de Marte)

Marte, Sol, Vênus, Mercúrio = Quarto dia (dia de Mercúrio), etc.

Assim, quarta-feira é dia de Mercúrio (miercoles, mercoledi, mercredi); quinta-feira é dia de Júpiter (jueves, giovedi, jeudi); sexta-feira é o dia de Vênus (viernes, venerdi, vendredi). Sábado é o dia de Saturno  (Saturday, em inglês). Sábado se origina do hebraico Shabbath, que significa “repouso” e  seria o sétimo dia da semana ou o dia de descanso para os judeus. Em inglês, o dia de Júpiter é o de Thor, filho de Odin, na mitologia escandinava, ou o deus do trovão. Assim, em inglês, Thursday  é o dia de Thor; e, em alemão, é Donnerstag, pois Donner, em alemão, significa trovão. A terça-feira é dedicada a Tyw, o deus maneta da força e da guerra, na mitologia nórdica, equivalente a Marte. Assim, Tuesday é o dia de Tyw. A sexta-feira em inglês é dia da deusa Freya, esposa de Odin, deusa da juventude, do amor e da morte, na mitologia nórdica, equivalente a Vênus, donde o nome “Freiday” em inglês e “Freitag”, em alemão. A quarta-feira, em inglês, é dedicada a Odin ou Wedin ou Wotan, na mitologia escandinava, equivalente a Zeus, donde o nome “Wednesday”.

A contagem numérica dos dias da semana começou pela tradição cristã antiquíssima de numerar os dias a partir do sábado. O domingo seria a “prima sabbati”, isto é, o primeiro dia depois do sábado; o dia seguinte seria “secunda sabbati”, etc. O domingo era o dia do Senhor (em latim: Dominus). O primeiro a chamar “dia do Senhor” ou “Domingo” a um dia da semana foi São Justino, fundador da primeira escola cristã em Roma, onde foi martirizado no ano 165.  Quanto ao nome “feira”, em português, o nosso equivalente a “feira”, mercado, em latim, era a palavra nundinae (o feirante era o nundinator). Mas o nome atual feira é alteração de feriae (nome feminino plural que designava férias, descansos, donde a palavra feriado). Domingo era dia de descanso, “feira”. Os agricultores se reuniam aos domingos depois da missa no adro das igrejas para venderem seus produtos. Feira, descanso, passou a significar comércio. A segunda-feira seria o segundo dia de feira. A expressão “freguês”, cliente comercial, vem do latim “filius ecclesiae”, isto é, fiho da Igreja. Até hoje se usa a palavra “freguesia” para designar  uma paróquia.

 

2) Eles sempre tiveram essa nomenclatura ou, em algum momento da história, tiveram outro nome?

A palavra semana se origina de septimana, literalmente: sete manhãs.  Os romanos procuravam dar nomes de seus deuses aos astros e, portanto, aos dias da semana. Mas o calendário romano tinha três datas com nome próprio: calendas (o primeiro dia de cada mês), nonas (o dia 5 de todos os meses, exceto março, maio, julho e outubro, em que nonas designava o dia 7) e idos (o dia 15 para aqueles quatro meses e o dia 13 para os outros). Os dias de cada mês eram citados  a partir daqueles três nomes. Assim, o dia 3 de abril era chamado “o terceiro dia antes das nonas de abril (“ante diem tertium nonas Apriles”); o dia 9 é o quinto antes dos idos de abril; o dia 26 de abril era o sexto dia das calendas de maio. Em lugar de numerar os dias em sequência crescente, como fazemos, os romanos numeravam os dias usando as palavras calendas, nonas e idos.  Assim, a expressão “desde 3 de junho até 31 de agosto” se dizia em latim: “ante diem III Nonas Junias usque ad pridie Kalendas Septembres”, isto é, terceiro dia antes das nonas de junho até o primeiro das calendas de setembro. No ano bissexto, nós acrescentamos um dia a mais ao mês de fevereiro, mas, no calendário romano, esse dia a mais era acrescentado ao sexto dia antes do dia primeiro de março, isto é,  havia dois dias com o nome de “sexto das calendas”, daí o nome “ano bissexto”.

 

3) O que influenciou na escolha desses nomes? (Ex: a ordem dos dias, religião, sistema político, etc.) – Resposta dada na primeira questão. A influência foi astrológica e mitológica.

 

4) Você saberia me responder o que determinou a ordem dos dias das semanas?- Resposta dada na primeira questão: foi a partir dos nomes dos planetas conhecidos de então, em ordem decrescente da distância da Terra: Saturno, Júpiter, Marte, Vênus, Mercúrio. O Sol no meio; a Lua no fim, nesta ordem: Saturno, Júpiter, Marte, Sol, Vênus, Mercúrio e Lua. Para os judeus, sábado é o último dia da semana; para os cristãos, o último dia da semana é o domingo.

 

5) Oficialmente, o domingo é o primeiro dia da semana?  Reposta dada na questão 4.

 

6) Se é o primeiro dia da semana, por que é considerado `final de semana`? Quais elementos influenciaram nisso? (Ex: religião, sistema político dominante, etc.) Para os cristãos, sábado e domingo são realmente os dias finais da semana (já que domingo é o sétimo dia, o dia de descanso do Senhor). O problema é que, por causa do nome “segunda-feira”, o falante do português acha que, por isso, domingo seria o primeiro dia da semana, quando, na verdade, é o último. Para os judeus, sábado é o último dia da semana.

 

7) Desde quando essa ordem é vigente? Existiram outras ordens para os dias da semana ao longo da história, especialmente na história Antiga e Medieval?

Não sei se existiram outras ordens para os dias da semana. Acredito que não. Mas foi o Papa São Silvestre que determinou que não se desse número ao domingo (antes, os dias da semana, como vimos, eram numerados: o domingo era o prima sabbati, isto é, o primeiro dia depois do sábado). Sábado era o único dia não numerado, porque a numeração partia dele.

 

8) Quais civilizações já tiveram/tem diferentes sistemas de ordenação para os dias da semana? Eu teria de pesquisar para saber como eram  os calendários egípcio,  maia,  asteca,  chinês, persa, babilônio, caldeu, etc. para dar uma resposta mais precisa. O calendário da Revolução Francesa dava ao mês a duração de 30 dias divididos em três semanas de dez dias, em que os domingos foram abolidos por sua característica religiosa.  Os dias da semana eram assim chamados: primidi, duodi, tridi, quartidi, quintidi, sextidi, septidi, octidi, nonidi e decadi.  Mas acredito que o importante não é a ordem dos dias da semana, mas o número de dias da semana, nos diversos calendários. Foi a partir dos dias em que durava cada fase da Lua que se estabeleceu a semana hebdomadária, isto é, com sete dias, o que foi legalizado pelo Concílio de Niceia, em 325.

(Muito do que aqui digo está na minha Gramática Superior da Língua Portuguesa (2. Ed. Brasília: Thesaurus, 2011), no final de cada capítulo, como “Curiosidades Linguísticas”.

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011)

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MINISTÉRIO COMANDADO DA PAPUDA

O DIA SEGUINTE PIOR DO QUE A VÉSPERA

Razão mesmo tem mestre Hélio Fernandes, aliás, há muitas décadas, quando diz que no Brasil o dia seguinte sempre consegue ficar um pouquinho pior do que a véspera. No meio dessa lambança explícita dos partidos da base do governo para embaralhar as cartas das eleições de outubro, quem se destacou esta semana foi o PR – Partido da República. Primeiro porque suas decisões provém das celas da Papuda, de onde o ex-deputado Valdemar Costa Neto continua dirigindo o partido. Depois porque diante de óbvia queda nos índices de preferência da presidente Dilma, nas pesquisas eleitorais, esses republicanos de duvidosas intenções acabaram dando o ultimato: ou ela demitia o ministro dos Transportes, César Borges, ou eles passariam a apoiar Aécio Neves.

Esquecem-se de que nos primeiros meses de governo, Dilma precisou afastar Alfredo Nascimento, que ocupava o ministério, acusado de flagrantes irregularidades. Assumiu Paulo Sérgio Passos, técnico e não político, mas logo o PR exigiu sua defenestração: ele não estava disposto a encobrir negócios especiais no ministério. Para compor a situação, já tendo abandonado o ânimo de moralizar seu governo, a presidente aceitou a indicação de César Borges, aliás, um excelente senador e ex-governador da Bahia. O problema é que o novo ministro também não se dispôs a chefiar um balcão de negócios e começou a ser hostilizado pelos dirigentes do próprio partido, que dormiram na pontaria.

Agora, com a reeleição de Dilma sendo posta em xeque, abriu-se a temporada de nova chantagem: ou a presidente demite César Borges ou o PR manda-se para os tucanos. Aceitam até a volta de Paulo Sérgio Passos, a quem devem ter pressionado para tornar-se um ministro diferente do que foi na primeira vez.

Mais desonesta fica a equação quando se ouve que Dilma aceitou a pressão para demitir o ainda ministro. Nada a ver com seus planos de recuperação dos Transportes, muito menos diante de sua performance elogiável até agora. Sequer cogita-se da evidência de que o ministério tem sobrevida até 31 de dezembro, reelegendo-se ou não a presidente.

Ceder à chantagem costuma ser tão vil quanto promovê-la, mas é o que acontece. A ameaça de debandada dos partidos da base oficial corporifica-se a cada dia. O PTB já abandonou o governo, o PMDB apresenta-se rachado em muitos estados. O PP hesita e o PSD finge-se de morto. Convenhamos, o dia seguinte não parece pior do que a véspera?*

(*) Carlos Chagas – Tribuna da Imprensa Online

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DESMORALIZAÇÃO TOTAL…

APRESSADINHO, O MINISTRO BARROSO JÁ QUER LIBERAR GENOINO PARA TRABALHAR FORA DA CADEIA

Carlos Newton

É patética e merece repulsa a afirmação espontânea do ministro Luís Roberto Barroso, no plenário do Supremo Tribunal Federal, a respeito da situação do preso José Genoino. Na condição de relator do processo do mensalão (ação penal 470), quarta-feira Barroso tomou a iniciativa de adiantar ser favorável a que Genoino tenha autorização para trabalhar fora da penitenciária da Papuda.

O posicionamento de Barroso é injustificável, porque não leva em conta uma realidade indiscutível: antes de ser condenado à prisão e ainda na condição de deputado federal pelo PT de São Paulo, Genoino deu entrada na Mesa da Câmara com pedido de aposentadoria por “invalidez permanente”. E quem declara ser “para sempre inválido” não pode voltar a trabalhar, caso contrário fica comprovado ser um farsante.

JÁ ERA APOSENTADO…

Detalhe: desde que perdera a eleição em 2010 e ficara como suplente, Genoino já era aposentado pela Câmara com cerca de R$ 20 mil mensais, além de receber a “Bolsa Ditadura” por ter entrado na luta armada.

Quando surgiu a vaga e o suplente Genoino reassumiu o mandato, ficou suspensa a aposentadoria da Câmara, claro. Pois vejam até onde vai a ganância deste antigo “guerrilheiro”: após ser condenado a 6 anos e 11 meses de prisão no processo do mensalão, em 4 de setembro de 2013 o ainda deputado Genoino protocolou na Mesa da Câmara um novo pedido de aposentadoria, desta vez alegando “invalidez permanente”, para receber o salário integral de R$ 27 mil, ou seja, para ter um aumento de R$ 7 mil na aposentadoria.

De lá para cá, Genoino já foi submetido a vários exames, realizados pelos maiores cardiologistas de Brasília, e todos foram unânimes em atestar que ele não tem “invalidez permanente” e seu estado de saúde é tão estável que o “paciente” tem condições de cumprir a pena na Penitenciária da Papuda.

Depois desse teatro todo, com encenações as mais variadas e um escarcéu na imprensa, com a família e os amigos alegando que Genoino poderia morrer a qualquer momento, agora vem o ministro Luís Roberto Barroso e espontaneamente se manifesta a favor da autorização para que Genoino trabalhe fora da Papuda, um pedido, aliás, que ainda nem foi formalizado pelo advogado do preso.

E depois ainda chamam isso de Justiça…*

(*) Carlos Newton – Tribuna da Imprensa Online

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BOTANDO O GALHO DENTRO

Petistas repaginam discurso

sobre ‘mau humor’ das elites

000 - A INFLAÇÃO NA RODAA

 

Puxados por Lula, integrantes do partido admitem que insatisfação se espalhou e fazem mea culpa por não terem agido antes

São Paulo – Puxados pelo ministro Gilberto Carvalho e pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os petistas resolveram mudar o discurso adotado logo após os xingamentos dirigidos Dilma Rousseff no jogo de abertura da Copa do Mundo. Ao invés de atribuírem o mau humor com a presidente apenas “às elites”, passaram a admitir que ele se espalhou e que tanto o partido quanto o governo tiveram sua parcela de responsabilidade para que isso acontecesse.

Segundo pesquisa CNI/Ibope, a avaliação positiva do governo é de apenas 31% e a rejeição à Dilma chegou a 43%.

Logo após os xingamentos dirigidos a Dilma no estádio em São Paulo, Lula culpou a “elite” e os petistas passaram a apostar em um discurso que dividia o eleitorado entre “nós”, o “povo”, o PT, o governo e seus aliados, contra “eles”, a “elite branca” e os adversários políticos. O ex-presidente chegou a falar em “ódio entre classes” fomentado pela “elite” com incentivo da imprensa.

Carvalho, titular da Secretaria-Geral da Presidência, foi o primeiro a apontar a para a direção oposta em conversa com blogueiros, na semana passada, quando disse que a insatisfação já chegou a parcelas importantes da população, e que o PT estava errando no diagnóstico.

Na quarta-feira, em entrevista ao Jornal do SBT, Lula mudou o discurso e admitiu que o PT teve culpa por não “cuidar disso (do clima de insatisfação) com carinho”. Na quinta, dirigentes do partido acompanharam o ajuste no discurso do ex-presidente.

“Não temos conseguido fazer um debate político. Ficamos apanhando muito tempo sem responder adequadamente. Isso inclui o PT, o governo e tudo mais”, disse o líder do PT no Senado, Humberto Costa.

Segundo ele, pesquisas mostram que a insatisfação é difusa, não tem motivos objetivos, partiu da elite mas chegou às camadas mais populares da sociedade. “O diagnóstico está concluído. Agora estamos fazendo o debate que não fizemos”, disse.

Alberto Cantalice, vice-presidente do PT e responsável pela ação do partido nas redes sociais, disse que a ordem é não deixar acusação sem resposta. “Durante um bom período aguentamos calados todos ataques que sofremos. Nossa luta agora é para resgatar a imagem”, disse o dirigente.

‘Óbvio’

O secretário nacional de comunicação do PT, José Américo Dias, classificou como “óbvio” o descontentamento em relação ao governo. Os ajustes no discurso petista ocorreram um dia depois de uma reunião do comando da campanha dilmista em Brasília. Dessa reunião participaram, além de Dilma e Lula, ministros do governo, dirigentes petistas e o marqueteiro João Santana. *

Segundo fontes do partido, a avaliação é que o discurso de vitimização de Dilma, usado depois do episódio dos palavrões na abertura da Copa, “rendeu o que tinha que render” e agora é hora de defender o legado do governo, em especial no combate à corrupção. Isso não impede, porém, que a vitimização da presidente volte a ser usada, caso necessário, segundo petistas.

Embora as declarações de Carvalho tenham causado mal estar e críticas entre seus companheiros por supostamente desmontar o discurso de “nós” contra “eles” construído por Lula, a avaliação do ministro foi considerada correta e pesou no ajuste do discurso.

“É a opinião de um companheiro valoroso”, disse o presidente do PT, Rui Falcão.*

(*) RICARDO GALHARDO – O ESTADO DE S. PAULO

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AINDA PODE PIORAR MAIS…

Festival de pornopolítica

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Desde que foi fundido à força pela ditadura com o Estado do Rio, em 1975, o Rio de Janeiro tem sido um cemitério de governantes, como Brizola, Moreira Franco, Garotinho, Rosinha e Sérgio Cabral, que saíram do governo como zumbis políticos. Mas o tal espírito carioca, sempre celebrado por sua irreverência, criatividade e independência, na política estadual tem produzido mais desastres do que avanços.

O espetáculo constrangedor da recente orgia partidária, protagonizado por arqui-inimigos que param de se acusar das piores baixezas e vilanias para se unir na busca do poder a qualquer preço, escancara a sem-vergonhice da cena política carioca, com a contribuição do paraibano Lindbergh Farias e do pernambucano Eduardo Campos, cuja união desmoraliza as duas candidaturas.

Uma coisa eles estão provando: têm estômago e não temem o ridículo.

O Rio de Janeiro é tão peculiar que o PT e o PSDB, que protagonizam a grande polarização nacional, aqui têm mínima expressão e reduzido poder de fogo. Além do “brizolismo de resultados” do PDT, as siglas menores se misturam e se confundem, só mudam os nomes dos candidatos.

É como se essa geleia fluminense fosse um grande PMDB, como nos tempos de Chagas Freitas, ao mesmo tempo governo e oposição, marcado pelo populismo, o oportunismo e a cafajestice, mas agora com expressivo eleitorado evangélico, disputado por Garotinho e Crivella. É mole?

Apesar de toda sua importância cultural, empresarial e política, falar de partidos políticos no Rio de Janeiro nos aproxima de Alagoas e Maranhão: são bandos de interesse guiados pela melhor oportunidade, digamos que não necessariamente desonestos, mas sem nenhuma qualificação profissional ou representatividade popular.

Nesse festival de pornopolítica fluminense, que envergonha até quem apenas o testemunha, o grande vencedor é o voto branco ou nulo. Pelo menos está servindo para o eleitorado saber com quem está lidando, se é que ainda tinha alguma ilusão, e se conformar em escolher o menos pior, com os aliados menos nefastos.

Pensando melhor: em que estado o quadro é muito diferente disso?

 

(*) Nelson Motta – O Globo

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