O CULPADO POR TUDO

Uma bandeira coberta de vergonha

Foi Lula quem afundou o PT

000 - limpando as digitais

Tem cabimento tamanha desfaçatez?

Vejam o que disse Lula, na última quarta-feira, em Brasília, ao falar para uma plateia de militantes do seu partido:

– Cadê os intelectuais do PT? Eram tantos. Eles estavam no PT porque acreditavam nos discursos que fazíamos.

Se estiveram no PT e agora não estão mais…

Por que Lula não vai fundo na autocrítica apenas esboçada de leve, quase de passagem?

Ninguém mais do que ele poderá fazê-lo. Tem autoridade para tal. E conhecimento de sobra.

De pouco, contudo, adiantará se não for capaz de bater no peito três vezes e confessar seus próprios pecados.

O mais original deles foi quando chamou José Dirceu à sua presença, e cansado de ter perdido a terceira eleição presidencial consecutiva, avisou:

– Só disputarei novamente se deixaremos a vergonha de lado e usarmos as mesmas armas dos nossos adversários.

Se a frase não foi exatamente essa, o sentido foi o mesmo.

Valendo-se das armas dos adversários, Lula se elegeu em 2012. Para governar, socorreu-se do mensalão inventado por seus comparsas da mais sofisticada organização criminosa que já tentou se apoderar do aparelho de Estado.

Para realizar o projeto do PT de permanecer no poder o maior tempo possível, azeitou as engrenagens da máquina de corrupção que corroía a Petrobras pelo menos desde meados do governo Sarney. E foi assim que chegamos até aqui.

Cadê os intelectuais do PT?

Ora, eles não recepcionaram Dilma em um teatro do Rio de Janeiro para alimentar o programa de propaganda eleitoral dela?

Tudo bem: os nomes ali reunidos não eram todos do primeiro time. Mas fazer o quê? Vai longe o tempo em que artistas e intelectuais cantavam “Lula-lá”…

Lula poderia ter perguntado também pelos jovens do PT, pelos militantes que vendiam lembranças do partido para arrecadar dinheiro, e pelos líderes autênticos dos movimentos sociais que suavam a camisa à caça de votos sem esperar empregos em troca.

O PT, hoje, é um quadro velho pendurado na parede, uma estrelinha guardada no fundo de uma gaveta, uma camiseta descolorida pela ação do tempo, uma bandeira vermelha coberta de vergonha.

Foi Lula que o afundou. Não será Lula que irá refunda-lo.*

(*) Blog do Noblat

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FANFARRONICES COSTUMEIRAS

Desordem unida

000 - ...e o Bebum de Rosemary, quieto, calado, sumido, acovardado.

Quis o acaso que as coisas acontecessem no mesmo dia: a apresentação do inócuo relatório da CPI Mista da Petrobrás, de autoria do deputado petista Marco Maia, e o discurso do ex-presidente Lula em encontro do partido conclamando a militância a reagir contra a “pecha de corrupto que querem incutir (sic) na nossa testa”.

Uma injustiça, pois, segundo disse aos companheiros, deve-se aos governos do PT a criação de “todos” os instrumentos existentes no País de combate à corrupção. Inclusive, falou com todas as letras, o instituto da delação premiada. Faltou acrescentar o Poder Judiciário, a Polícia Federal, o Ministério Público, o Tribunal de Contas e o Código Penal.

Sim, porque foi graças a esses “instrumentos” que ontem foram denunciados os primeiros 35 suspeitos de participação do esquema de corrupção na Petrobrás. Se dependesse das investigações no âmbito do Congresso, da influência do governo sobre os aliados e da orientação do ex-presidente Lula aos parlamentares do partido para que se lembrassem do mensalão e não deixassem a CPI prosperar, os crimes continuariam impunes.

Então não será por essa inverossímil linha de defesa que o PT conseguirá sair da sinuca em que se encontra. Em seu discurso de 45 minutos, o ex-presidente ensaiou autocrítica ao reconhecer que o partido cresceu e enveredou por caminhos erráticos; ao mesmo tempo, porém, continuou na mesma linha de não falar a respeito de quais erros foram esses e seguiu atribuindo os problemas do PT às elites, aos tucanos e à imprensa.

Convidou o partido a repensar seu papel na sociedade, lembrando como “era gostoso” o tempo em que o PT não “tinha tanto voto, mas andava de cabeça erguida”. Reclamou da ausência dos jovens, dos intelectuais, das campanhas eleitorais criativas sem gastos milionários. “Nós não nascemos para isso”, constatou.

Ressaltou, no entanto, que não propunha uma “volta às origens”. Aliás, não propôs nada: nem rever as práticas e as alianças que afastaram tanta gente do PT, deram muitos votos e deixaram o partido de cabeça baixa, tampouco pronunciou uma palavra sobre a hipótese da opção por um marketing menos opulento. Disse e se contradisse o tempo todo.

A certa altura deu um aviso: “Quem não quiser cumprir o ritual ético nesse partido é melhor deixar o PT”. Não explicou qual é o ritual e quando entrou em vigor, antes ou depois da prisão da antiga cúpula, ainda filiada ao partido.

Lula falou em “construir sonhos e utopias”, fez mais uma de suas animações de auditório numa hora em que a necessidade é de soluções para problemas concretos e de uma resposta à pergunta que antigamente a militância fazia ao “comando” na esquerda: Qual é o rumo?*

(*)  Dora Kramer – Estadão

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DA SÉRIE “EU NÃO SABIA”

Diretoria da Petrobras foi alertada sobre desvios, diz jornal

Uma gerente da Petrobras advertiu a atual diretoria da Petrobras de uma série de irregularidades em contratos da empresa muito antes do início da Operação Lava Jato, segundo reportagem publicada no jornal “Valor Econômico” desta sexta-feira (12).

De acordo com a publicação, Venina Velosa da Fonseca, que foi subordinada do ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, um dos acusados por desvios na estatal, enviou denúncias por e-mail à presidente da Petrobras, Graça Foster, e ao diretor que substituiu Costa, José Carlos Cosenza.

A Petrobras divulgou nota em que afirma que todas as informações enviadas pela funcionária foram apuradas. A empresa não confirma se Foster e Cosenza receberam os e-mails publicados pelo jornal.

Os alertas são referentes a desvios que somam bilhões de reais em três áreas da empresa.

As primeiras denúncias de Venina Fonseca referiam-se a pagamentos de R$ 58 milhões por serviços que não foram realizados na área de comunicação, em 2008.

Segundo a gerente, ela procurou Costa para reclamar dos contratos. Este teria apontado uma foto do presidente Lula e questionado Venina se ela queria “derrubar todo mundo”, relata a reportagem.

Em 2009, segundo o jornal, a gerente enviou um e-mail a Graça Foster, na época diretora de Gás e Energia, alertando-a sobre a escalada de preços em obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e apresentando sugestões para mitigar o problema.

As obras da refinaria, orçadas em R$ 4 bilhões, chegaram ao custo de R$ 18 bilhões.

No mesmo ano, a gerente teria deixado o cargo de gerente na diretoria de Abastecimento e, no ano seguinte, foi enviada para trabalhar na unidade da Petrobras em Cingapura. No país asiático, teria sido orientada a não trabalhar, segundo o jornal.

Em 2011, a gerente teria escrito outro e-mail a Foster dizendo não ver mais alternativas para mudar a situação dos desvios na empresa e sugere apresentar a documentação que possui à então diretora de Gás e Energia.

“Gostaria de te ouvir antes de dar o próximo passo”, disse Venina na mensagem publicada pelo “Valor”.

Em março de 2014, Venina teria alertado Cosenza sobre perdas financeiras em operações internacionais da Petrobras, que subiram em até 15% os custos no exterior.

Segundo a reportagem, a gerente fez uma apresentação sobre as perdas na sede da Petrobras, no Rio, em maio. Uma última mensagem sobre o assunto teria sido enviada em 17 de novembro.

No dia 19 do mesmo mês, Venina foi afastada de seu cargo junto a vários suspeitos na Operação Lava Jato, apesar de não ter o nome citado em denúncias.

‘INFERNO’

O jornal traz cópia de um e-mail da gerente a Graça Foster um dia após seu afastamento.

“Desde 2008, minha vida se tornou um inferno, me deparei com um esquema inicial de desvio de dinheiro, no âmbito da Comunicação do Abastecimento. Ao lutar contra isso, fui ameaçada e assediada. Até arma na minha cabeça e ameaça às minhas filhas eu tive”, escreveu Venina.

“Tenho comigo toda a documentação do caso, que nunca ofereci à imprensa em respeito à Petrobras, apesar de todas as tentativas de contato de jornalistas. Levei o assunto às autoridades competentes da empresa, inclusive o Jurídico e a Auditoria, o que foi em vão”, continuou.

“Posteriormente, voltei a me opor ao esquema que parecia existir no projeto RNEST”, disse, referindo-se a Abreu e Lima.

“Novamente, fui exposta a todo tipo de assédio. Ao deixar a função, eu fui expatriada, e o diretor, hoje preso, levantou um brinde, apesar de dizer ser pena não poder me exilar por toda a vida.”

“Agora, em Cingapura, me deparei com outros problemas, tais como processos envolvendo a área de bunker e perdas, e mais uma vez agi em favor da empresa (…). Não chegaram ao meu conhecimento ações tomadas no segundo exemplo citado, dando a entender que houve omissão daqueles que foram informados e poderiam agir”, conclui.

OUTRO LADO

A Petrobras divulgou nota na noite de quinta (12) em que afirma que a empresa “apurou todas as informações enviadas pela empregada citada na matéria”.

A estatal diz ter instaurado comissões internas em 2008 e 2009 para averiguar os indícios de irregularidades em contratos e pagamentos da gerência de Comunicação da diretoria de Abastecimento e que o resultado das análises foi “encaminhado às autoridades competentes”.

Sobre as denúncias referentes a negócios no exterior, a companhia diz que aprimorou os procedimentos de compra e venda e adotou as providências administrativas e negociais cabíveis. Segundo a Petrobras, a área responsável pela fiscalização pelo controle de perdas de óleo combustível não constatou nenhum problema entre 2012 e 2014.

Por fim, sobre Abreu e Lima, a empresa diz já ter concluído relatório de apurações sobre contratações para a obra e que já encaminhou os resultados para órgãos de controle e autoridades competentes.*

(*)  FOLHA DE SÃO PAULO

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TREMEI CORRUPTOS & CORRUPTORES

Nova face do MP declara ‘guerra contra a impunidade’

Com idades entre 28 e 50 anos, procuradores da Lava-Jato vão à igreja, têm mestrado fora e encontram tempo para dar cursos


000 - aaaaaaa - não vai faltar patrocínio

RIO — Mesmo tendo seguido a carreira do pai, Deltan Dallagnol, que encabeça a força-tarefa da Operação Lava-Jato, deixa claro no Twitter que não foi apenas a influência paterna que o levou ao Ministério Público Federal. Na rede social, ele conta ser “procurador da República por vocação”. Aos 34 anos, diz ainda ser “seguidor de Jesus — frequenta a Igreja Batista do Bacacheri, em Curitiba —, marido e pai apaixonado”. No Facebook, onde é chamado pelos amigos de Delta, chegou a explicar aos seguidores o que era a PEC 37 depois de postar ser contrário à sua aprovação. É lá também que sua mãe, Vilse Dallagnol, declara “Filhão, você tem sido especial sempre, em tudo! Tua postura ética muito nos orgulha!”.

O mais novo dos nove procuradores que ontem ofereceram denúncia contra 36 pessoas envolvidas no esquema de corrupção na Petrobras, Diogo Castor de Mattos, de 28 anos, também seguiu a carreira do pai, Delivar Tadeu de Mattos, já falecido.

Tendo entre 28 e 50 anos, os nove — Dallagnol, Mattos, Antonio Carlos Welter, de 46 anos, Athayde Ribeiro Costa, de 34, Januário Paludo, de 49, Orlando Martello Júnior, de 42, Paulo Roberto Galvão, de 36, Roberson Henrique Pozzobon, de 30, e Carlos Fernando dos Santos Lima, de 50 — são representantes de uma nova face do MP. Trabalham em conjunto, são especialistas em diferentes áreas — de improbidade administrativa a atividade policial, passando por colaboração jurídica internacional — e a maioria já concluiu o mestrado. Dallagnol estudou em Havard, e Lima, em Cornell, nos EUA. Welter passou pela Universidade de Coimbra, em Portugal, e Galvão, pela London School of Economics, na Inglaterra. Eles ainda costumam dar cursos na Escola Superior do Ministério Público e escrever livros e artigos.

Juntos também fizeram uso da delação premiada para obter provas que viriam a embasar a denúncia. Sabiam que precisavam evitar o que aconteceu na Operação Castelo de Areia, de 2009, que teve provas anuladas. Assim, ainda durante as investigações, Mattos e Lima escreveram um artigo para a “Folha de S. Paulo” defendendo a delação. Além disso, essa não foi a primeira vez que parte do grupo usou o mecanismo. Martello, Dallagnol e Lima participaram da força-tarefa do Banestado, que, em 2002, investigou remessas ilegais de dinheiro.

— Essa nova geração do MP, que é formada por homens e mulheres do seu tempo, tem uma pauta de valores mais clara. Eles já não estão tão ligados à ideologia. Por isso, digo que essa juventude não é revolucionária, mas evolucionista. Esses novos procuradores têm consciência do poder do Ministério Público. Sabem que, com um pouco de boa vontade e destemor, podem operar contra a impunidade — disse o procurador Edilson Mougenot Bonfim, que costuma dar palestras no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) sobre a nova geração do MP:

— Muitos cresceram acompanhando as expectativas dos pais sobre o Brasil e agora podem corresponder a isso, trabalhando pelo fim da impunidade, pela igualdade de direitos e de aspirações. Se veem assim na incumbência histórica de levar à frente essas ações. Sabem que a vontade de termos uma sociedade melhor sempre existiu, mas veem que agora é o momento, que não dá mais para postergar.

‘IMPRENSA É ALIADA NESSA GUERRA’

Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, aproveitou ontem a coletiva para enaltecer o trabalho dos procuradores e reafirmar a responsabilidade do MP:

— Não tenham dúvidas de que a responsabilidade institucional do Ministério Público é sentida por todos os meus colegas, do procurador-geral ao procurador que iniciou na carreira.

Também durante a coletiva, Dallagnol mostrou não concordar com a opinião da presidente Dilma Rousseff, que havia declarado, em setembro, depois de Janot ter negado acesso ao depoimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que “não é função da imprensa fazer investigação e sim divulgar informação”. Para o procurador, a “imprensa é uma aliada” para divulgar as investigações feitas pelo Poder Judiciário:

— Nós estamos em uma guerra contra a impunidade e a corrupção. E a imprensa é uma aliada nessa guerra. Hoje, nós conversamos com aliados. A imprensa nos auxilia não só na investigação dos fatos e levando o conhecimento dos fatos apurados até as pessoas, mas a imprensa também veicula a voz da sociedade, que clama por Saúde, por Educação, e por Saneamento Básico, que são direitos fundamentais violados por cada ato corrupto.

(*) CAROLINA BENEVIDES –  O GLOBO

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ESSA “CUMPANHERADA”!!!

UMA PRESIDENTE PELA METADE

000 - a essa cumpanherada

A presença do Lula em Brasília, esta semana, para demorados encontros com a presidente Dilma e com as bancadas do PT, indica terem sido restabelecidas as relações entre o antecessor e a sucessora. Claro que o ex-presidente deu mais do que palpites na formação do novo ministério. Indicou nomes e partidos, insistindo na preservação do modelo que impôs a Dilma nos últimos quatro anos: divisão do governo em condomínio com os partidos de sua base parlamentar, permitindo que à sombra do loteamento de cargos possa ser formada maioria no Congresso, capaz de garantir a aprovação de projetos de interesse do palácio do Planalto.

Em suma, nada de novo no limiar do segundo mandato, muito pelo contrário. Fica tudo como estava, com uma presidente da República prisioneira do fisiologismo de sua base.

Indaga-se da hipótese de, dispondo de vontade política, Dilma poderia virar o jogo. A resposta é não, mesmo se desejasse. Com todo o respeito, ela exerceu e mais exercerá a função de presidente pela metade. Despojada de ideologia própria, chorou ao lembrar episódios de sua vida pregressa, ao receber o relatório final da Comissão da Verdade. Demonstrou, com isso, seu despreparo em aplicar a promessa de “governo novo, pensamento novo”. A velha fórmula de contemporizar com a chantagem defendida pelo Lula vedou esperanças e promessas feitas nos palanques, em outubro.

REPETIR O PASSADO

Fica óbvia a estratégia adotada para o futuro: repetir o passado, até mesmo com concessões à direita, tendo como propósito a permanência do mesmo grupo no poder depois de 2018.

Apenas um obstáculo poderá atrapalhar o plano diretor dos companheiros: sua desmoralização diante dos sucessivos escândalos praticados à sombra dos poderes público e privado. As denúncias não param, iniciativas adotadas e por adotar no Poder Judiciário serão capazes de erodir a estrutura plena de corrupção no Executivo e no Legislativo.

Nessa hora, tudo poderá acontecer, até mesmo o rompimento entre Lula e Dilma, já ensaiado no período seguinte às passadas eleições. Quem sabe a presidente conquiste a outra metade de suas atribuições e de seus ideais? Pode não dar tempo, caso continuem ignoradas as lições do passado, aquele que geralmente não diz o que fazer, mas deixa claro o que evitar.*

(*) Carlos Chagas – Tribuna na Internet

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É A LAMA, É A LAMA…

O medo do PT

000 - a lama

 Petistas explicitaram para o ex-presidente Lula porque temem que o líder do PMDB, Eduardo Cunha, assuma a presidência da Câmara. Alegaram que um presidente da Casa tem muitos poderes sobre as CPIs, e que o mais inquietante é que cabe a ele decidir se recebe ou não os pedidos para a abertura de processos de impeachment. Um acordo com Cunha é a última alternativa do PT.*

(*) Ilimar Franco – O Globo

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EDUCAÇÃO BÁSICA

40% dos alunos concluem o ensino fundamental sem saber interpretar textos

No 5º ano, 14% dos estudantes não conseguem sequer fazer uma conta de multiplicação com dois algarismos. Dados são da Prova Brasil 2013

No 9º ano do ensino fundamental, 37% dos alunos não conseguem assimilar a ideia de porcentagem e 40% não conseguem identificar o tema de um texto durante a leituraNo 9º ano do ensino fundamental, 37% dos alunos não conseguem assimilar a ideia de porcentagem e 40%

não conseguem identificar o tema de um texto durante a leitura

Mesmo depois de passar nove anos na escola, 40% dos estudantes brasileiros não conseguem sequer identificar o assunto principal de um texto após sua leitura. E 37% deles também não são capazes de assimilar a ideia de porcentagem em um problema de matemática. É o que revelam os dados preliminares da Prova Brasil 2013, tabulados pelo Instituto Ayrton Senna e divulgados nesta quinta-feira.

“Os resultados da avaliação mostram que o problema da educação é cumulativo: o aluno começa no ensino fundamental com o baixo desempenho e segue nesse nível para o ensino médio. Se ele não consegue interpretar um texto simples quando chega ao 9º ano, não saberá resolver um problema de física ou compreender uma questão de filosofia quando estiver no ensino médio, perpetuando um ciclo de baixa aprendizagem”, explica Mozart Neves Ramos, diretor do Instituto Ayrton Senna.

A Prova Brasil é uma avaliação do governo federal realizada a cada dois anos em escolas públicas e privadas para medir o nível de conhecimentos em português e matemática dos alunos brasileiros. Os exames são aplicadas para alunos do 5º ano e do 9º ano e consideram o que eles aprenderam (ou deveriam ter aprendido) nos anos em que passaram no ensino fundamental. Os dados completos não foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do Ministério da Educação (MEC) responsável pela prova. Apenas as escolas participantes tiveram acesso aos boletins de desempenho.

A partir da nota obtida pelos alunos na prova, as escolas são classificadas por nível de aprendizagem, que variam do nível 0 a 9. Na disciplina de língua portuguesa, por exemplo, apenas 0,03% dos alunos do 5º ano atingiram o nível máximo na prova de leitura, ou seja, são alunos capazes de entender a função dos sinais de pontuação no texto. A grande maioria — 60% — não consegue sequer identificar o narrador do texto. Em matemática, a situação é ainda pior: depois de cinco anos na escola, 14% dos alunos não conseguem fazer uma conta de multiplicação com dois algarismos.

Somadas às taxas de reprovação dos alunos, as notas da Prova Brasil ajudam a compor o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), usado como parâmetro para medir a qualidade do ensino no país. O Ideb 2013 foi divulgado pelo Ministério da Educação em setembro e mostrou o que as notas da Prova Brasil só voltaram a confirmar: a educação está estagnada. “Ainda que exista um esforço para reduzir a reprovação, a qualidade do ensino não melhora. Isso faz com que, ano após ano, os alunos abandonem a escola”, diz Ramos. Nesta segunda-feira, um estudo divulgado pela ONG Todos Pela Educação mostrou que 1,6 milhão de jovens estão fora das salas de aula sem ter concluído o ensino médio, o que representa 15,7% do total dos pessoas dessa faixa etária.*

(*) Bianca Bibiano – Veja

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É UM ESCROQUE

Meu caso é insignificante perante crimes da Petrobrás, diz André Vargas

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Após cassação, ex-deputado afirma se sentir ‘injustiçado’; ligações com doleiro da Lava Jato motivaram processo na Câmara

Brasília – O deputado cassado André Vargas (sem partido-PR), que perdeu o mandato após votação em plenário da Câmara em razão de ligações com o doleiro Alberto Youssef, afirmou na noite dessa quarta-feira, 11, que seu caso é “insignificante” dos “crimes da Petrobrás”.

“Me sinto injustiçado, pois, além de não ter tido meu direito defesa, fui cassado em função de voo que até o momento nem inquérito no Supremo virou”, afirmou. Vargas, um dos líderes do PT paranaense, deixou o partido em meio às acusações de envolvimento com Youssef, principal alvo da Operação Lava Jato.

A representação que culminou com o pedido de cassação foi originada a partir da denúncia de que Vargas usou um jatinho pago pelo doleiro para uma viagem com a família. O relator do processo no Conselho de Ética, deputado Julio Delgado (PSB-MG), defendeu que o ex-petista trabalhou em favor dos interesses da rede articulada por Youssef.

“Ceifaram 25 anos de vida pública com resultados positivos, visíveis no Paraná e no Brasil”, concluiu o agora ex-parlamentar, ressaltando que seu nome não foi citado nos vazamentos referentes à operação da Polícia Federal (PF).*

 

“Estou triste, muito triste, mas tenho certeza que este critério severo servirá para julgar aqueles casos que virão à tona o ano que vem”, complementou.

Vargas perdeu o mandato por 359 votos a favor, seis abstenções e um voto contra, do petista José Airton (PT-CE). Vai assumir sua vaga na Câmara Marcelo Beltrão de Almeida (PMDB-PR).

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CADEIA NELE

Bolsonaro repete agressão a Maria do Rosário. E só o PSDB não viu!

Há momentos em que o importante não é voto, mas a decência.

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Nada impede que PT e PSDB compartilhem das mesmas posições caso haja motivo suficiente para isso. Por tal motivo entenda-se, por exemplo, a seriedade. Ou o bem comum. Ou os interesses superiores do país.

PT, PC do B, PSB e PSOL pediram ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados a abertura de processo para cassar por quebra de decoro parlamentar o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ).

Há dois dias, no plenário da Câmara, Bolsonaro ofendeu a honra de sua colega Maria do Rosário (PT-RS) ao dizer que não a estupraria “por que ela não merece”. Bolsonaro incorreu no mesmo crime, ontem.

Disse em entrevista ao jornal Zero Hora, do Rio Grande do Sul:

– Ela [Maria do Rosário] não merece [ser estuprada] porque é muito ruim, porque é muito feia. Não faz meu gênero. Jamais a estupraria.

A frase é clara. Por “ruim” e “feia”, Maria do Rosário não merece ser estuprada. Se fosse boa e bonita… Seria capaz de fazer o gênero do deputado mais votado nas eleições deste ano no Rio de Janeiro?

A agressão de Bolsonaro a Maria do Rosário chocou todas as pessoas de bom senso que tomaram conhecimento dela. Ninguém dentro do PSDB tomou conhecimento? Se tomou, ninguém se chocou?

Exigir a cassação de Bolsonaro, um político fascista e obsceno, mal algum faria à imagem do PSDB. Pelo contrário.

Os políticos mais conservadores do país – mas não somente eles – votaram no PSDB.  A direita, que tem o direito a existir e a disputar a preferência do distinto público, votou no PSDB – mas não somente ela.

Isso não significa que conservadores e direita fossem capazes de assinar embaixo do que Bolsonaro disse. E que para não perder o voto deles, o PSDB se visse obrigado a fingir que não viu nada e que não ouviu nada.

Há momentos, mesmo para políticos e partidos, que o mais importante não é voto a se conquistar ou a manter. Mas a decência, mercadoria cada vez mais escassa por aqui.

Se quiser, o PSDB ainda poderá despertar do seu sono pesado.*

(*) Blog do Noblat

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