INTERVENÇÃO JÁ!

COLUNA DOS LEITORES DA FOLHA DE SÃO PAULO

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Maranhão

A barbárie que tomou conta de São Luís nos últimos dias e que resultou na morte da menina Ana Clara é o desfecho de uma tragédia anunciada, resultado do somatório de descaso, omissão e malversação de recursos por parte das autoridades do governo. Ao expor as mazelas do Maranhão, a Folha só mostra ao Brasil e ao mundo um pouco da triste e vergonhosa situação que nós, maranhenses, vivenciamos. FREDERICO COSTA E SILVA (São Luís, MA)

– Em “Intervenção já!” (“Opinião”, ontem), Eliane Cantanhêde foi na jugular. Como pode uma família dominar um Estado durante tanto tempo mantendo a miséria de um povo desse jeito? É impressionante como o povo do Maranhão e o resto do país permitiram esse absurdo. ARNALDO VIEIRA DA SILVA (Aracaju, SE)

 

A PROPÓSITO

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Resposta do lacaio da família Sarney à Folha de SP:

– Impressiona na coluna de Eliane Cantanhêde a desinformação e a paixão política em relação ao Maranhão. Os brasileiros conhecem as mazelas do sistema carcerário do país, e esses problemas existem também no Maranhão. O governo do Estado investe mais de R$ 130 milhões na construção de presídios, reforma e modernização dos já existentes. O Maranhão tem o 16º PIB do Brasil, e o IBGE mostra que crescemos 10,3%, a maior taxa do Nordeste. O vídeo sobre “dissecação”, citado pela jornalista, está no ar há mais de 700 dias. O fato não ocorreu no Maranhão. Não aceitamos a divulgação de inverdades sobre o nosso Estado. JOSÉ ROBERTO COSTA SANTOS, deputado estadual (PMDB-MA) e presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Maranhão

RESPOSTA DA COLUNISTA ELIANE CANTANHÊDE – A descrição e as imagens da reportagem “Presos filmam decapitados no Maranhão” (“Cotidiano”, ontem) e o vídeo veiculado pelo site da Folha falam por si. O vídeo anterior, renegado pelo missivista, foi entregue pelo sindicato dos agentes penitenciários do Maranhão ao Conselho Nacional de Justiça, que o incluiu em relatório de 27 de dezembro de 2013.

– O texto de Eliane Cantanhêde reflete a sua coragem moral. O descalabro da administração do Maranhão, que tem os piores índices sociais do país, demonstra incapacidade de gestão pública. RICARDO MUTRAN (São Paulo, SP)

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Filhos de reis

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Falam tanto do Lulinha aqui no Brasil, mas parece que a filha do rei Juan Carlos andou fazendo coisas muito mais cabeludas na Espanha!*

(*) Tutty Vasquez, in Estadão.

 

A PROPÓSITO

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Isto o povo não vê, ô raça!*

(*) Acir Vida, editor do blog.

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E VIVA O POVO BRASILEIRO

Aviso aos governantes

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O governador paulista Geraldo Alckmin disse que faltou água nos municípios à beira-mar devido “ao aumento inesperado do consumo na região”. Alguém precisaria informar ao governador que: 1) todos os anos, nesta época, é verão, e costuma fazer calor; 2) quando há feriados, o que costuma acontecer sempre na época de Natal e Ano Novo, muitos turistas visitam as cidades litorâneas; 3) aumenta a população, aumenta o consumo de água, veja só! E, como está calor, as pessoas bebem mais água e tomam banhos mais longos, para refrescar-se. Tudo bem, são informações de cocheira, sigilosas, mas bem que ele poderia recebê-las.

A governadora maranhense Roseana Sarney começou negando que houvesse qualquer problema na Penitenciária de Pedrinhas. Roseana, pessoa de prestígio, pertencente a uma família de prestígio, não mente: se errou é porque não sabia.

Alguém precisaria contar a ela que: 1) a capital de seu Estado, o Maranhão, é São Luís; 2) em São Luís existe um presídio em que várias rebeliões, ocorridas durante seu Governo, destruíram portas, derrubaram as paredes entre as celas; 3) que os presos assumiram o controle da prisão e lá implantaram a pena de morte com tortura para punir os integrantes de facções criminosas inimigas. Tudo bem, como é que Roseana, preocupada com a reeleição, poderia saber dessas coisas?

Alguém precisaria contar ao prefeito paulistano Fernando Haddad que os ônibus funcionam todos os dias. Não é só quando há repórteres fotografando, como quando entrou num busão pela primeira e única vez.

Será que não gostou?

Os desinformados 1

Sergio Cabral - merda pura  GIF

O governador fluminense Sérgio Cabral é surpreendido todos os anos por dois fenômenos: o verão (de novo? Já não teve no ano passado?) e as chuvas ( de novo? Na época das férias em Paris?) Na hora em que ele prepara a recuperação das áreas serranas destruídas, onde moradias desabaram e muita gente morreu, as chuvas param. Cabral imagina, portanto, que o problema, ufa!, acabou. E não é que, no fim do ano, recomeça o tal do verão e as chuvas voltam a destruir as áreas de risco?

Alguém precisaria contar-lhe que o verão se repete todos os anos, há milhares de anos. E que encosta desprotegida é um péssimo lugar para morar.

Os desinformados 2

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O Ministério Público Federal estuda um pedido de intervenção federal nos presídios maranhenses. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ofereceu ao Maranhão 25 vagas em presídios federais. Alguém precisaria contar-lhes que: 1) Os presídios maranhenses são péssimos, mas no resto do país também são ruins; 2) o presídio de Pedrinhas tinha sido destruído há muito tempo por presos rebelados e ninguém tomou qualquer providência; 3) o crime organizado comanda a cadeia; 4) 25 vagas é melhor do que nada, mas estão longe de resolver a superlotação, que envolve vários milhares de presidiários; 5) que o Governo Federal já prometeu ajudar o Maranhão a melhorar os presídios, mas esqueceu tudo.

Os caloteiros

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Como? Em 2011, o Governo maranhense assinou convênio com o Depen, do Ministério da Justiça (já ocupado pelo mesmo José Eduardo Cardozo que acha o sistema penitenciário “medieval”, mas se limita a reclamar). Pelo convênio, a União repassaria R$ 20 milhões para o Maranhão construir dois presídios – ainda pouco, mas um passo para aliviar a superlotação. O Maranhão cumpriu então as exigências para receber o dinheiro. Cumpridas as exigências, o Governo Federal resolveu esquecer o assunto.

É mais barato reclamar do que resolver o problema.

Os grosseiros

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A história é divulgada por um excelente jornalista, Mauro Mug, cujo filho é um dos protagonistas. Aconteceu em Osasco, SP. Uma senhora de idade empurrava, numa cadeira de rodas, outra senhora de idade. Tentavam, sem êxito, atravessar na faixa de pedestres. Nenhum motorista lhes deu passagem. O rapaz, filho do Mug, que passava de moto, parou para ajudá-las. Passou então, sem lhes dar atenção, um carro da PM. O rapaz gritou: “Nem o carro da Polícia parou!”

Aí o carro da PM parou. Os soldados voltaram, grosseiros: “Qual é o problema?” O rapaz explicou: “Nem a Polícia parou para ajudar as velhinhas”. Reação dos PMs: “Mãos para cima!” Revistaram o rapaz. Como nada encontraram, dispensaram-no e foram embora.

Naturalmente, sem ajudar as velhinhas.

Boa notícia

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Respire fundo: a Agência Nacional de Petróleo determinou que, já agora, tanto o diesel quanto a gasolina sejam de melhor qualidade, menos poluentes. Na gasolina, o teor de enxofre está reduzido a um quarto do que era; no diesel, a 10 partículas de enxofre por milhão, ou um quinto do limite anterior. Cai também a quantidade de outras substâncias que poluem o ar.

Segundo a ANP, a emissão de poluentes em geral, nos veículos mais modernos, cairá 59%; e a de enxofre, 94%. O combustível tem especificações semelhantes às europeias e americanas.

É Brasil!

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O Supremo Tribunal Federal empenhou R$ 914.900,00 para comprar sete carros Azeera, informa o portal Contas Abertas. Para que o STF precisa de sete novos carros?

Nos EUA, só o presidente da Suprema Corte tem carro oficial.*

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet.

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QUEM DÁ MAIS?

VERDES EM LEILÃO

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O presidente do Partido Verde, José Luiz Penna, tem encontros marcados até o fim de janeiro com os presidentes do PT, do PSDB e do PSB.

Embora afirme em público que o PV terá candidato próprio a presidente, ele quer saber o que os presidenciáveis estão dispostos a oferecer por seu apoio.

(*) Veja

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Queimou a língua

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O senador José Sarney, há duas semanas, afirmou em sua rádio em São Luís (MA):

– Aqui no Maranhão, conseguimos que a violência não saísse dos presídios para a rua.*

(*) Aziz Ahmed, O Povo do Rio.

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AINDA OS DICIONÁRIOS

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Diz-se que um verbo é transitivo direto quando tem objeto direto. O objeto se chama direto porque é um complemento diretamente ligado ao verbo, sem auxílio de preposição, como em “Maria viu Pedro”, em que o sentido de “viu” é completado por “Pedro”, sem preposição. O objeto indireto, no entanto, é sempre preposicionado, como em “Preciso de você”, em que “de você” completa o sentido de “preciso” com a ajuda de uma preposição.

Ocorre que o objeto direto pode ser preposicionado e, nesse caso,  a preposição se emprega para desfazer ambiguidades  (exemplo 1, abaixo), ou por eufonia (exemplo 2),  ou antes do indefinido quem, ou antes de pronome pessoal tônico ou reto em emprego oblíquo (exemplos 3), ou quando se pretende dar ideia de parte, com verbos como puxar ou pegar, sempre com a preposição de (exemplos 4):

1. Viu ao ladrão o soldado. (A preposição empregada com o objeto direto “ao ladrão” impede que, por causa da inversão sintática, o leitor ou ouvinte fique sabendo qual é o sujeito de “viu”, pois o sujeito raramente é preposicionado (como em “Aqui acontece de tudo”, em que o sujeito “tudo” aparece preposicionado).

2. Vemos a Deus como Criador do Universo (o objeto direto “a Deus” é preposicionado por eufonia, e a preposição poderia ser suprimida).

3. A quem você viu? (Isto é: quem você viu?). Ele não viu a mim, nem eu vi a ele (isto é, ele não me viu , nem eu o vi).

4. Desta água não beberei. Puxou do revólver. Pegou do pano. Soube da história.

O Houaiss comete deslize na predicação de alguns verbos. O fato de um objeto direto ser preposicionado não significa que o verbo seja transitivo indireto. No entanto, no verbete satisfazer, verbi gratia, o Houaiss “ensina” que o verbo é transitivo indireto, exemplificando com a frase “Finalmente, pude satisfazer aos meus desejos”. No exemplo seguinte, o Houaiss registra o verbo como transitivo direto e transitivo indireto, pondo a preposição entre parênteses numa clara demonstração de que a preposição pode ser suprimida, caracterizando um caso de objeto direto preposicionado: “satisfazer (a) uma promessa”. Nos dois exemplos, o verbo é transitivo direto com objeto direto preposicionado. A preposição é mero recurso estilístico.

No verbete macho, o Houaiss, no boxe “Gramática e uso”, explica:

“a) como adj., aceita as flexões habituais da língua: javali macho, jacaré macho: toutinegra macha, formiga macha; b) por ser masculino na significação, o feminino (macha) do adj. é menos us. do que o substantivo macho, para formar femininos compostos; tal emprego exige, porém, o uso de hífen, por passar a tratar-se de palavra composta por dois substantivos: toutinegra-macho, formiga-macho; esse subst., colocado após outro subst. denominador de um ser sexuado, é um determinante específico invariável em gênero, mas não em número, e indica que o ser é do sexo masculino (a cobra-macho, as aranhas-machos) ou um ser viril (um cabra-macho) ou um ser masculinizado (mulher-macho); c) após nome de ser inanimado, ger. peças de encaixe em mecanismos, peças de carpintaria, dobradiças etc., indica qualquer peça que se combina ou ajusta com outra, penetrando-a (colchete-macho).”

Pela lição do Houaiss, a ausência do hífen tem não só o poder de transformar o substantivo (macho/fêmea) em adjetivo, mas também o poder de designar o gênero dos nomes macho/fêmea: formiga macha, sem hífen; formiga-macho, com hífen! As boas gramáticas recomendam que se diga, por exemplo, cobra-macho / cobra-fêmea, ou o macho da cobra /a fêmea da cobra, nunca cobra macha. Nem jacaré fêmeo. Linguistas, como Mattoso Câmara (Dicionário de Filologia e Gramática. 6.ed. Rio de Janeiro: J. Ozon, 1974, s.v. gênero) e gramáticos, como Adriano da Gama Kury (Português básico. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,1990, p.102) só se referem a macho e fêmea como invariáveis em gênero. Fazer variar macho e fêmea em gênero é transformar esses dois nomes em adjetivos, quando, na verdade, são substantivos que exercem a função de apostos especificativos.

O Aurélio registra macho e fêmea como adjetivos (verbete macho), omitindo a formação de epicenos.

No verbete pastel, o Houaiss informa que se trata de um adjetivo de dois gêneros e dois números: calças pastel. Como no caso de macho e fêmea, pastel não é um adjetivo, mas um aposto especificativo. Cf.: vestidos laranja, guerras-relâmpago, Óticas Visual, cópias Xerox, Praça Quinze, notícias bomba, comandos surpresa, mandatos tampão, desvios padrão, etc. O aposto é função substantiva e não adjetiva.

O Aurélio é o único dicionário de língua portuguesa a registrar um verbete no mínimo estranho: por-favor-me-pegue, com a seguinte explicação: “Na Ilha da Trindade, peixe de uns 30cm de comprimento, muito abundante, e que é pescado com balde pelos marinheiros que servem ali.” Segue-se um exemplo tirado do romance Maria de cada porto, de Moacir C. Lopes.

Confrontemos essa explicação com a apresentada no verbete sardinha, por exemplo: “Designação comum a várias espécies de peixes actinopterígios, clupeiformes, isospôndilos, clupeídeos. Vivem aos cardumes e são utilizadas largamente, frescas ou industrializadas, na alimentação humana. Também se usam em óleos, farinhas e adubos. No rio Amazonas existem sete espécies de sardinhas verdadeiras.”

Aí vêm as perguntas: A que ordem e a que raça pertence o “por-favor-me-pegue”? Qual é o seu nome científico?  Não teria sido uma invenção do escritor Moacir C. Lopes que não saberia o nome  do peixe que se pesca com baldes e inventou esse nome como recurso legítimo em obra ficcional?

Consta que o Aurélio vai acrescentar (se já não acrescentou) termos hoje usados e ainda não abonados por outros dicionários. Parece-me uma temeridade, já que não se sabe se as palavras a serem inseridas permanecerão na linguagem do povo ou sumirão com o tempo. Um dicionário de língua não é um dicionário de gírias nem de expressões populares. Incluir no dicionário uma palavra malformada só porque é frequentemente usada, sem a contrapartida de sua forma adequada, parece-me algo temerário. O Aurélio registra corretamente a forma completitude (bem-formada) e também a forma haplológica popularizada completude. Mas não será recomendável registrar chocólatra, forma popular que designa o adorador de chocolate, mas que também designa (sem atestação nos dicionários) o adorador de choco, um tipo de polvo também conhecido como siba, se não registrar a forma paralela mais adequada embora não usada, para o adorador de chocolate: chocolatólatra. Pelo menos o Houaiss, ao registrar o verbete privacidade (oriunda do inglês privacy, surgido na década de 70, equivalente à antiga e clássica forma privança, dicionarizada), registrou também uma forma paralela mais bem-formada: privatividade, ainda que ninguém a use.

De tudo isso fica a sensação de desconfiança nos métodos usados por nossos dicionários no registro e na atestação de seus verbetes.

O que é uma pena.

 

(José Augusto Carvalho, Mestre em Linguística pela Unicamp e Doutor em Letras pela USP, é autor da Gramática Superior da Língua Portuguesa e do Pequeno Manual de Pontuação em Português, ambos em 2ª edição, da Thesaurus, de Brasília.)

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SE NÃO TÊM PÃO, COMAM BRIOCHES

Em meio a caos nos presídios Roseana Sarney

licita 80 kg de lagosta

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O banquete de Roseana Com os presídios em chamas, o Maranhão escolherá nesta semana as empresas que abastecerão as geladeiras de Roseana Sarney (PMDB) em 2014. A lista de compras da governadora inclui 80 kg de lagosta fresca, uma tonelada e meia de camarão e oito sabores de sorvete. As iguarias deverão ser entregues na residência oficial e na casa de praia usada pela peemedebista. O Estado prevê gastar R$ 1 milhão para alimentar a família Sarney e seus convidados até o fim do ano.

Fartura – O pacote para os palácios maranhenses também inclui 750 kg de patinha de caranguejo, por R$ 39 mil. O governo do Estado comprará ainda duas toneladas de peixe e mais de cinco toneladas de carne bovina e suína.

Para adoçar – As residências oficiais receberão 50 caixas de bombom e 30 pacotes de biscoito champanhe. Outro item curioso: R$ 108 mil em ração para peixes.

Jesus tá vendo – O edital ainda prevê a compra de 2.500 garrafas de 1 litro de “refrigerante rosado” com “água gaseificada, açúcar e extrato de guaraná”. Descrição sob medida para a compra do guaraná Jesus, bebida famosa do Maranhão.*

(*) BERNARDO MELLO FRANCO – EDITOR INTERINO DO “PAINEL” –

FOLHA DE SÃO PAULO

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CÂNCER NACIONAL

Intervenção já!

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BRASÍLIA – Não bastasse ser o último, ou estar na rabeira, do IDH, do ensino de matemática, do ensino de português, do saneamento básico e por aí afora, o Maranhão dos Sarney choca o país, quiçá o mundo, com atos de pura barbárie.

Só os cineastas mais violentos, talvez nem eles, poderiam produzir cenas em que dissecam a perna de um preso (ou seja, sob a custódia do Estado brasileiro). Tiram a pele, depois músculos, veias, artérias, até o osso.

Também só cineastas doentios, talvez nem eles, armariam o cenário, destacariam atores e filmariam pessoas (também sob a responsabilidade do Estado) sendo decapitadas.

Onde nós estamos?

Foram estupros e 60 mortes em 2013, e 2014 já começou com mais duas. A crise extrapolou as grades e foi parar nas ruas, onde vândalos atacaram ônibus e atearam fogo numa menininha na… “Vila Sarney”. Ela morreu ontem. A mãe está mal.

Meu pai nasceu em Pedreiras, o foco macabro é a penitenciária de Pedrinhas e essa nova crise não deixa pedra sobre pedra na biografia do patriarca José Sarney no seu Estado de origem. O vandalismo dos presos não é isolado. Apenas reflete a situação carcerária que, por sua vez, reflete a calamidade pública geral.

Folheiam-se os jornais e encontram-se ali, entre os recordes do pior nisso, pior naquilo, outras muitas histórias horripilantes. Cito uma, porque o espaço é curto: os carros, carteiras, cadeiras e os materiais escolares que foram enviados pelo governo federal para a Prefeitura de São Luís, novíssimos, apodreceram debaixo de sol, chuva e descaso, sem jamais terem sido usados.

Tudo se encaixa. Ontem mesmo, a empregada lá de casa comentou: “A moça da vizinha não sabe ler nem escrever. Pensei que não existia mais isso”. De onde ela é? “Do Maranhão”.

A realidade supera a ficção mais macabra e soa patético o governo Roseana se irritar e responder à Procuradoria Geral que são “inverdades”.

Intervenção já!*

(*) ELIANE CANTANHÊDE – FOLHA DE SÃO PAULO

 

A PROPÓSITO

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“A oligarquia Sarney só se sustenta com ajuda federal. Só que, desta vez, demoraram demais para reconhecer a própria incompetência.”

DO PRESIDENTE DA EMBRATUR, FLÁVIO DINO (PC do B-MA), sobre Roseana Sarney ter aceitado ontem ajuda do Ministério da Justiça para o Maranhão.

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“O BICHO VAI PEGAR”

“Não vai ter Copa”

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Manifestações marcadas para começar no dia 25 podem embaralhar previsões para este 2014

“NÃO VAI TER COPA” é o mote de protestos marcados para o dia 25 de janeiro, em todas as capitais, ou pelo menos nas “capitais da Copa”. Seria um ensaio da reestreia dos protestos, iniciativa de alguns daqueles grupos que desencadearam as manifestações de 2013.

Como tais grupos são desarticulados e dispersos, é difícil saber o que articulam. Muito menos é possível saber se vai haver repeteco da articulação esdrúxula, acidental e mesmo indesejada entre pequenos grupos de esquerda e massas indignadas mas apolíticas, o grosso de quem foi às ruas.

A Copa é, óbvio, um prato cheio de desperdício, politicagem autoritária, incompetência e outros acintes. A depender do gosto do freguês manifestante, não vai ser difícil contrastar essa despesa perdulária e arbitrária com algum motivo de revolta com a selvageria social e a inércia política brasileiras.

Vai colar? O 25 de janeiro pode ser um fiasco, ao menos em termos midiáticos, pois os ponta de lança da onda inicial de junho, os estudantes, ainda estarão de férias. Mas não convém especular com hipóteses fáceis.

Junho de 2013 não apenas começou como se desenvolveu e terminou de modo imprevisto, com ondas de choque se espraiando em direções diversas, um miniBig Bang político-social.

Houve os notórios, midiáticos e então subitamente submersos Black Blocs, mas muito mais. Houve revoltas contra a violência polícial em bairros paulistanos de “classe média baixa”, um dia bastiões de voto conservador. Houve séries de protestos de associações de gente deserdada da periferia, a bloquear estradas e avenidas nos fundões da cidade. Não há como saber se mesmo um 25 de janeiro fraco vai reanimar brasas dormidas ou revelar novas organizações.

Pode haver fastio: muita gente pode ter se desencantado com a inconsequência prática dos protestos; de resto, revolução permanente não é o estado habitual de gente alguma, exceto em cataclismos históricos raros, seculares. A tentativa de repeteco de 2013 pode, assim, não colar.

Pode haver oportunismos: as manifestações fizeram estrago sério no prestígio de governos. O tumulto nas ruas pode ser obviamente um instrumento para avariar, ao menos, o prestígio de quem quer que esteja no poder, mas de petistas em especial. Repetir 2013 pode ser arma eleitoral.

O leitor, que é perspicaz, pode refutar tudo isso com um “especulativo, protesto”, como se diz em filme de tribunal americano. Mas há de concordar que são demasiadamente ricas para não serem exploradas as oportunidades políticas e politiqueiras de um ano de Copa com eleição e eventual tumulto de rua transmitido pelo mundo inteiro.

Enfim, o caldo socioeconômico pode estar mais azedo e contribuir para os protestos; ou os protestos podem azedar o caldo.

A tendência básica do ano é de tudo crescendo mais devagar ou na mesma: renda, emprego, consumo, inflação. Há riscos de tumultos no câmbio, de o Congresso aprovar coisas como renegociação de dívidas de Estados e municípios ou de o Supremo dar uma tunda nos bancos no caso dos reajustes das poupanças dos planos econômicos velhos. Tudo isso intoxicaria o ambiente econômico e, assim, ânimos políticos, ao menos entre as elites.*

(*) VINICIUS TORRES FREIRE – FOLHA DE SÃO PAULO

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MAIS UMA ARMAÇÃO DO “PODEROSO CHEFÃO”

BNDES volta a favorecer grupo Marfrig

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Com acordo na virada do ano, banco estatal adia, em um ano e meio, pagamento de dívida de R$ 2,15 bilhões

Trato também inclui trocar dívida por ações, a um preço muito acima do mercado; banco e empresa não comentam

Em meio às celebrações da virada do ano, o BNDES selou um acordo para, mais uma vez, favorecer o grupo Marfrig, um dos “campeões nacionais” do governo Lula.

Com uma dívida de quase R$ 6,7 bilhões e valendo R$ 2,1 bilhões na Bolsa, o Marfrig está numa situação financeira muito delicada.

O banco estatal aceitou adiar em um ano e meio o vencimento de uma debênture (título de dívida) de R$ 2,15 bilhões do Marfrig –de junho de 2015 para janeiro de 2017.

O frigorífico também terá seis meses a mais para pagar R$ 130 milhões em juros dessa dívida, que venciam em junho deste ano.

O BNDES concordou ainda em manter um dos pontos mais polêmicos da operação: a conversão das debêntures em ações, a um preço muito acima do mercado.

O BNDESPar, braço de participação do BNDES em empresas, se comprometeu a pagar em 2017 a quantia de R$ 21,50 por ação do Marfrig.

O valor é um pouco inferior aos R$ 24,50 acertado no primeiro contrato dessas debêntures, selado em junho de 2010, mas está muito acima do preço em Bolsa.

Na sexta-feira, as ações do Marfrig fecharam a R$ 3,96.

O acordo deve garantir algum fôlego financeiro ao frigorífico, que cresceu com a ajuda estatal, comprando concorrentes no exterior, e hoje não consegue administrar suas dívidas e é castigado pelos investidores.

De acordo com comunicado divulgado na sexta-feira, a operação com o BNDES vai permitir ao Marfrig obter um caixa positivo de R$ 100 milhões neste ano. Sem essa ajuda, “queimaria” mais R$ 150 milhões de caixa.

PÉSSIMO NEGÓCIO

O BNDES, por sua vez, tenta postergar um péssimo negócio. Se as debêntures fossem convertidas hoje em ações, o banco pagaria R$ 2,15 bilhões por uma fatia do Marfrig que vale atualmente menos de R$ 400 milhões na Bolsa –um prejuízo de 81,4%.

No final de 2012, o BNDES teve a oportunidade de converter, a preços de mercado, todas as debêntures (que chegavam a R$ 2,5 bilhões) e se tornar dono do Marfrig. Na época, as ações valiam R$ 8.

No contrato entre o frigorífico e o banco estatal, estava prevista essa prerrogativa se a empresa realizasse um aumento de capital. O BNDES, no entanto, optou por converter apenas R$ 350 milhões, o que gerou pesadas críticas.

O banco argumentou que foi uma exigência do Marfrig para fazer o aumento de capital. O frigorífico, que já enfrentava problemas, levantou R$ 2,3 bilhões no mercado e ganhou uma sobrevida.

Em meados de 2013, o grupo repassou a Seara ao concorrente JBS, que assumiu R$ 5,85 bilhões em dívidas. Por questões cambiais e outros débitos, o endividamento líquido da empresa, no entanto, caiu apenas R$ 3,168 bilhões e continua altíssimo.

O Marfrig é um dos principais problemas da BNDESPar, que, entre compra direta de ações e debêntures, já investiu R$ 3,5 bilhões na empresa e é o segundo maior acionista, com 19,6%. O BNDES não comenta a operação, e o Marfrig afirmou que vai se pronunciar apenas amanhã.*

(*) RAQUEL LANDIM, DE SÃO PAULO – FOLHA DE SÃO PAULO

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