FORMIGUEIRO DO LULOPETISMO

E a grana da Petrobras?

As formigas comeram!

Dilma não viu com a antecedência desejável um dos piores negócios feitos pela empresa.

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Há muitas perguntas sobre o escândalo da Petrobras que suplicam por respostas.

A mais óbvia: é possível que Dilma ignorasse o mar de lama capaz de afogar a empresa que ela sempre controlou desde o primeiro governo do presidente Lula?

Pois antes de suceder José Dirceu na chefia da Casa Civil, Dilma foi ministra das Minas e Energia. Presidiu o Conselho de Administração da Petrobras entre 2003 e 2010.

Nada de relevante se faz na Petrobras sem autorização prévia do Conselho.

Ao deixar o Conselho em março de 2010 para concorrer à presidência da República, Dilma comentou que se sentia feliz pelo que fizera.

“É um orgulho passar pelo Conselho de Administração da Petrobras, e maior ainda presidi-lo”, disse. “Você tem uma nova visão do Brasil. Vê a riqueza do Brasil”.

De fato, ela viu. O que não viu, como diria mais tarde, foi por culpa dos outros. Elas é inocente. Completamente.

Não viu com a antecedência desejável um dos piores negócios feitos pela Petrobras – a compra da refinaria Pasadena, nos Estados Unidos.

Ela pertencia à empresa belga Astra Oil, que a comprara em 2005 por US$ 42,5 milhões.

Um ano depois, a Petrobras pagou US$ 360 milhões. E só por 50% da refinaria. Três anos depois, pagou mais US$ 639 milhões pelos outros 50%. Demais, não?

Os jornais belgas celebraram a venda da Pasadena à Petrobras como o negócio do século. Para a Astra Oil, é claro.

Dilma alegou no ano passado que se baseara em “informações incompletas” e em um parecer técnico “falho” para aprovar a compra da primeira metade da refinaria.

E nós com isso?

O Procurador Geral da República aceitou a alegação e culpou a diretoria da Petrobras pelo mau negócio. O Tribunal de Contas da União (TCU) também livrou a cara de Dilma.

Foi Lula quem disse que Dilma era melhor gestora do que ele. Imagine!

No dia 29 de setembro de 2009, segundo a edição mais recente da revista VEJA, Paulo Roberto Costa, então diretor de Abastecimento da Petrobras, informou a Dilma por e-mail que o TCU havia recomendado ao Congresso a paralisação das obras das refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e Getúlio Vargas, no Paraná, e de um terminal petrolífero no Espírito Santo.

Esquisito comportamento, o de Paulo Roberto. Por que se dirigiu a Dilma se era subordinado a José Sérgio Gabrielle, presidente da Petrobras?

No dia seguinte, Dilma reclamou de público da determinação do TCU de paralisar obras do governo federal: “É impossível a paralisação. Os custos são grandes”. Lula deu-lhe razão.

Quase quatro meses depois, Lula vetou uma decisão do Congresso que suspendia a execução de quatro obras da Petrobras salpicadas de fortes indícios de corrupção apontados pelo TCU.

Em momento algum, Lula falou em corrupção. Ao justificar seu veto, preferiu se referir vagamente a “pendências”, informa o jornal O Estado de S. Paulo.

O veto acabou mantido pelo Congresso de folgada e bovina maioria governista.

Graças à decisão de Lula, a Petrobras injetou mais de R$ 13 bilhões nas refinarias de Abreu e Lima e Getúlio Vargas, e em complexos petroquímicos do Rio de Janeiro e de Barra do Riacho, no Espírito Santo.

As quatro obras foram superfaturadas. A de Abreu e Lima começou custando R$ 2 bilhões. Está por R$ 20 bilhões.

Nos governos de Lula e Dilma, a Petrobras virou o maior cliente das empreiteiras cujos donos e principais executivos acabaram presos há 10 dias.

Por sinal, Lula viaja pelo mundo à custa das empreiteiras e na condição de lobista delas.

O TCU calcula que a Petrobras nos últimos quatro anos fechou negócios no valor de R$ 70 bilhões. Desse total, cerca de 60% não dependeram de licitação. De nenhuma licitação. A lei permite que a Petrobras proceda assim.

Um negócio no Espírito Santo, por exemplo, rendeu à empreiteira Mendes Júnior o adicional de R$ 65 milhões pagos pela Petrobras por causa da saúva-preta, uma espécie de formiga em extinção cuja descoberta teria atrasado a obra em 15 dias.*

(*) Blog do Noblat

ESCANDALOBRÁS

Macunadilma

Dilma parece acreditar que vai enfrentar

a tempestade com marketing. Vai se molhar

000 - Conte com 150 milhões de Sanchos Panças, valente Juiz paranaense

Dois dias depois do Juízo Final, fui nadar como de costume. Um grupo de torcedores do Flamengo desceu do ônibus e bloqueou o passeio. Eram do Espírito Santo, vieram num ônibus especial. Um deles me olhou com raiva e disse que eu tinha cara de vascaíno. Ele vestia uma camisa vermelha e preta com o símbolo da Alemanha. Um alemão me aporrinhando, pensei, e deixei para cuidar disso, como faço com toda irritação matinal, depois dos 400 metros na água.

A ideia da divisão emergiu na minha cabeça. Estamos divididos. O olhar que me lançou era um olhar de desdém ao vascaíno. O outro dele era o vascaíno com uma série de defeitos que se atribui a ele. Eu mesmo, ao pensar num alemão, no sentido em que se usa nos morros do Rio, fortalecia a ideia de divisão, entre mim e o outro, nós e eles. Passamos por uma campanha eleitoral pesada. O outro do petista era o tucano e vice-versa. Todos falamos em superar a divisão, depois de outubro, e achar saídas para os grandes problemas nacionais.

Entre o lugar onde estamos agora e a ilha onde nos reconciliaremos há um oceano de petróleo, na verdade um petrolão, o maior escândalo de nossa História.

Dilma afirmou na Austrália que seu governo foi o primeiro a combater a corrupção. Jogou o Lula na fogueira, tentando, como um canguru, driblar a tempestade que a ameaça.

Dilma não quis investigar. O que apareceu no escândalo surgiu de um trabalho autônomo da polícia e da Justiça.

Nesse período, Dilma brincou de esconde-esconde. Orientou sua base a boicotar a CPI. Abriu-se um inquérito na Petrobras para apurar denúncias de suborno na compra de plataformas, e constatou-se que nada houve de errado. Inocentes. Na Holanda, a empresa SBM confessou ao governo de seu país que pagou US$ 139 milhões a diretores da Petrobras.

Milhões pra cá, milhões pra lá, um diretor indicado pelo partido na cadeia, o tesoureiro do partido denunciado na delação premiada, a cunhada do tesoureiro levada à PF, tudo isso acontecendo, Dilma e o PT fazem cara de paisagem, como se não fosse com eles.

Nos depoimentos até agora, mais de R$ 200 milhões foram entregues ao homem do PT na Petrobras. O homem é amigo do tesoureiro. Talvez Dilma acredite que esse dinheiro todo foi doado à Africa para combater o surto do ebola. Mas a lógica indica que tenha sido usado nas campanhas políticas. Campanhas caras, de líderes e postes, estes mais caros ainda, porque demandam profissionais para redesenhá-los da cabeça aos pés, passando, naturalmente, pelo cérebro.

Estamos entrando numa tempestade, e a única forma de atravessá-la é admitir as evidências e aceitar que o bloco no poder assaltou a Petrobras.

Isto vale também para as empresas. Os advogados vão orientá-las a negar, embora já existam tantos depoimentos incisivos. No exterior, o conselho óbvio seria admitir o erro, pagar por ele, reformular sua estratégia. A visão macunaímica de que não importam os fatos, mas sim as versões, certamente será superada pelo realismo.

O bloco no poder pensou que isso poderia ser apenas do tamanho do mensalão. Ignorou que estava assaltando uma empresa com vínculos internacionais. Investigam na Holanda, nos Estados Unidos: o cerco está fechado. Dilma e o PT não perceberam que estão no fim da linha. E acabaram de ganhar as eleições. Será preciso muita humildade para sobreviver.

E isso não é o forte de quem quer dobrar a aritmética nas contas públicas, esconde o salto de 122% no desmatamento da Amazônia, põe para baixo do tapete números da redução da miséria.

Tudo por um modelo que preserva o emprego, dizia Dilma. Enquanto isso, 30.283 pessoas perderam seus postos de trabalho no mês em que ela se reelegeu. E como não bastasse o domínio dos números, querem o domínio das mentes: o ministro da Justiça diz à oposição como ela deve se comportar diante do escândalo. Todo um complexo político-empresarial que atrasa o Brasil foi por terra no dia do Juízo Final. Nem precisava de um impulso tão grande: estava podre.

Quando Dilma se distanciou, olimpicamente, do escândalo da Petrobras, lembrei-me do primeiro artigo que escrevi sobre o tema: “Passa passa Pasadena, quero ver passar”. Era o seu título. E veio o petrolão como uma onda gigantesca.

Dilma aprovou a compra de Pasadena “sem ter os dados”. Isso cola no Brasil. Nos Estados Unidos, onde a negociata está sendo investigada, a responsabilidade alcança também os dirigentes. Ao se distanciar do escândalo da Petrobras, Dilma parece acreditar que nasceu de novo nas eleições e vai enfrentar a tempestade com guarda-chuva e galochas do marketing.

Vai se molhar. Há uma crise econômica pela frente. Investidores estrangeiros observam cautelosos. Precisamos deles, inclusive no pré-sal. Não dá para enganar mais e erguer o punho cerrado entrando na cadeia. Já era patética a performance de José Dirceu no mensalão. No petrolão, seria um gesto, num certo sentido, libertador: sair dali para uma clínica psiquiátrica.

(*) Fernando Gabeira, O Globo

MAIS UMA BOLA FORA…

PLANALTO CRITICA DE NOVO A VEJA,

QUE AGIU CORRETAMENTE

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Em nota divulgada sábado, o Palácio do Planalto criticou reportagem publicada pela revista “Veja” sobre uma mensagem de e-mail enviada, em 2009, pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa para a então ministra da Casa Civil Dilma Rousseff.

Costa, que é um dos delatores do esquema de desvio de recursos da estatal desbaratado pela Polícia Federal, Costa informa no e-mail enviado para Dilma que o TCU (Tribunal de Contas da União) havia recomendado ao Congresso a imediata paralisação de três grandes obras da estatal. E o Planalto não gostou.

Depois de tentar interferir no resultado das eleições presidenciais, numa operação condenada pela Justiça eleitoral, ‘Veja’ tenta enganar seus leitores ao insinuar que, em 2009, já se sabia dos desvios praticados pelo senhor Paulo Roberto Costa“, acrescenta o Planalto, lembrando que o executivo foi demitido em março de 2012 pelo governo Dilma.

Na nota, o governo afirmou ainda que as “práticas ilegais” do ex-executivo da Petrobras só foram conhecidas em 2014, “graças às investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público“.

O QUE INTERESSA

A nota do Planalto é extensa e se perde em devaneios. Diz um velho ditado: Se você não consegue explicar alguma coisa em poucas linhas, é porque não sabe a explicação”. No caso, o teor da mensagem por e-mail tem apenas um interesse relativo. O que realmente importa é o fato de Paulo Roberto Costa, na condição de diretor da Petrobras, não tinha o direito de se corresponder com a então chefe da Casa Civil, salvo se o fizesse em termos pessoais de amizade e relacionamento próximo.

Na hierarquia funcional, que se dirige a ministro de Estado ou a presidente da República é sempre o presidente da estatal, nunca um simples diretor. Este importante detalhe, que o Planalto tenta desconhecer ou ocultar, demonstra o grau de intimidade entre Paulo Roberto Costa, um diretor que à época (2009) já era suspeito de corrupção e estava sendo processado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por ter provocado alta artificial da cotação das ações da Petrobras.

QUEBRA DE HIERARQUIA

Não há nenhum exagero na matéria da Veja, que questiona essa estranhíssima quebra de hierarquia praticada por Paulo Roberto Costa, a qual jamais poderia ser admitida, nem mesmo se o então diretor da Petrobras ainda fosse um cidadão acima de qualquer suspeita.

Por fim, o Planalto não tem nada a ver com as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público, mas fica se vangloriando, como se o combate à corrupção fosse uma das realizações do governo. Este comportamento é patético e ridículo.*

(*) Carlos Newton – Tribuna na Intrernet

“SE GRITAR PEGA LADRÃO”…

LÍDER DO PT, HUMBERTO COSTA

TERIA RECEBIDO R$ 1 MIHÃO

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O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou em depoimento à Justiça que o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), recebeu R$ 1 milhão do esquema de fraudes envolvendo a estatal, informa a edição deste domingo (23) de “O Estado de S. Paulo”, que está nas bancas.

Segundo o jornal, a citação foi feita em depoimento sigiloso que integra a delação premiada assinada pelo ex-diretor, por meio da qual ele espera ter sua pena reduzida.

O jornal afirma que, segundo Paulo Roberto, o dinheiro a Costa foi solicitado pelo empresário Mário Barbosa Beltrão, presidente da Associação das Empresas do Estado de Pernambuco (Assimpra).

Paulo Roberto teria dito que o dinheiro saiu da cota de 1% do PP. Segundo o jornal, o ex-diretor não soube informar como ocorreu o repasse do dinheiro, mas declarou que o empresário lhe confirmou o pagamento.

LIDER NEGA

Procurado pela reportagem, o líder do PT classificou de “totalmente fantasiosa” a acusação de que teria recebido R$ 1 milhão do esquema.

Ele disse que não tem qualquer relação com algum integrante do PP que pudesse intermediar alguma arrecadação para ele. “Essa [acusação] é totalmente fantasiosa. Como o PP mandou passar uma cota? Não tenho relação com ninguém do PP. A matéria não diz se é uma doação oficial, quem levou, de onde saiu”.

Costa afirmou que deve divulgar uma nota à imprensa neste domingo rebatendo pontos da reportagem. O senador disse que recebeu, na campanha de 2010, R$ 150 mil em doações feitas pelo empresário Mário Barbosa Beltrão, de quem é amigo desde a adolescência.

Mário Beltrão, segundo o “Estado”, chamou as acusações de “leviandades” e negou ter pedido dinheiro à campanha para o ex-diretor da Petrobras.

Alguns nomes de uma lista de parlamentares que teriam sido beneficiados do esquema de corrupção na Petrobras veio à tona. Entre eles, estaria a ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o ex-senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), já morto. Gleisi negou as acusações.

A reportagem tentou falar com Mário Beltrão mas, até as 19h30, não obteve retorno.*

(*) Estadão

PAÍS DAS FALCATRUAS

“EMPRESAS” DE YOUSSEF GANHARAM

R$ 22 MILHÕES DE EMPREITEIRAS

Extratos bancários apreendidos pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Lava Jato revelam que as nove empreiteiras investigadas de participar do esquema de corrupção na Petrobras pagaram R$ 21,7 milhões para as quatro empresas comandas por Alberto Youssef. As investigações apontam que as empresas de Youssef eram empresas de fachada, utilizadas somente para o recebimento de propina das empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção revelado pela Lava Jato.

Em depoimento tomado na segunda-feira pela PF, o vice-presidente da Mendes Júnior, Sérgio Cunha Mendes, afirmou que a empresa efetuou depósitos de R$ 8 milhões às empresas GFD Investimentos LTDA e Empreiteira Rigidez como forma de pagamento de propina a Alberto Youssef e ao ex-diretor de refino e abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Mendes disse que efetuou o pagamento para manter contratos e pagamentos, que chegavam à R$ 300 milhões, da empreiteira com a Petrobras.

Conforme os relatórios de análise da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado (Drcor) da Polícia Federal do Paraná, foram confirmados 48 depósitos bancários entre os anos de 2009 e 2012, relacionados a contratos que as empreiteiras tinham com as empresas de Alberto Youssef. Além da Rigidez e a GFD Investimentos, os policiais federais também encontraram depósitos em favor da RCI Software e Hardware Ltda e M.O. Consultoria Comercial e Laudos Estatísticos Ltda.

LAVAGEM

As investigações apontam que os pagamentos, na realidade, eram uma forma de se “legalizar” o pagamento de propina das empreiteiras, tanto para Youssef, quanto para Paulo Roberto Costa, ex-diretor de refino e abastecimento da Petrobras. Nas investigações, os policiais suspeitam que para legalizar o recebimento da propina, as empresas de Alberto Youssef “criavam” serviços a serem tomados pelas empreiteiras. Depois disso, era formalizado um contrato entre as empreiteiras e as empresas de Youssef. Cada contrato gerava uma nota fiscal e as empreiteiras efetuavam os pagamentos nas contas de Youssef, mas sem que as empresas do doleiro efetuassem os serviços previstos nos contratos.

CONTRATO

Os contratos na área de Petróleo e Gás entre a Galvão Engenharia e a M.O. Consultoria eram um caso específico. A Galvão realizou vários contratos com a Rigidez, com teores semelhantes.

“O contrato possui o mesmo teor dos citados anteriormente, ou seja, se mostra confuso em relação aos serviços que serão contratados”, detalha o relatório da Polícia Federal sobre os pagamentos da Galvão Engenharia às empresas fantasmas de Alberto Youssef. O relatório é datado do dia 05 de novembro deste ano.

Outro contrato que chamou a atenção dos investigadores foi um firmado entre a OAS e a Rigidez para a execução de serviços de engenharia de um shopping de Maceió.

“Apesar de as empresas realizarem as formalidades legais na contratação dos serviços já citados, fica a questão de que qual seria a motivação de uma empresa do porte da OAS, a qual está presente em várias unidades da federação executando grandes obras de engenharia, desta forma, presume-se que a mesma possui corpo técnico especializado em elaboração de projetos de construção, mas, mesmo assim, terceirizou os serviços deste projeto para uma empresa que nem sequer possui quadro de funcionários, conforme consulta realizada nos sistemas Caged/Rais”, apontam os investigadores em relatório do dia 08 de outubro deste ano.

O iG manteve contato com a Galvão Engenharia e a OAS mas as empresas não enviaram resposta até o fechamento desta matéria.*

(*) Wilson Lima – iG Brasília

“NUNCA NA HISTÓRIA DESTE PAÍS”…

CONFIRMADO: DOLEIRO TAMBÉM ATUAVA

JUNTO AOS FUNDOS DE PENSÃO

O “clube” de empreiteiras descrito por investigados nos processos decorrentes da Operação Lava Jato não é a única consequência do aparelhamento político de estatais como a Petrobras. Os fundos de pensão de funcionários de estatais e servidores públicos, que administram juntos um patrimônio de mais de R$ 450 bilhões, são descritos como integrantes do chamado “Clube do Amém”, apelido dado por participantes e funcionários dessas entidades que encaminharam denúncias de má gestão à Polícia Federal, ao Ministério Público Federal e à Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), órgão regulador do setor.

As denúncias apontam o direcionamento de investimentos dessas entidades fechadas de previdência complementar para negócios suspeitos, em que geralmente dividem com outras fundações do setor público prejuízos milionários.

Investigadores da Lava Jato já encontraram indícios de ramificações do esquema do doleiro Alberto Youssef em fundos de pensão. Em outubro, o advogado Carlos Alberto Pereira Costa, um dos principais auxiliares de Youssef, disse em depoimento que o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, frequentou uma empresa em São Paulo entre 2005 e 2006 para tratar de negócios com fundos de pensão com um operador do doleiro.

Carlos Alberto Costa menciona, ainda, um suposto pagamento de propina a dirigentes da Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras. A PF também encontrou e-mails em computadores de pessoas ligadas a Youssef atribuindo à influência de Vaccari a aplicação, em 2012, de R$ 73 milhões das fundações Petros e Postalis, este último dos funcionários dos Correios, na empresa Trendbank, que administra fundos de investimentos, causando prejuízos às fundações. Vaccari negou as acusações. Também em 2012, o Postalis teve prejuízo ao aplicar R$ 40 milhões num fundo no banco BNY Mellon, por meio de uma gestora de investimentos indicada a dirigentes da fundação por operadores de Youssef.

APARECE MAIS UM DOLEIRO

No início deste mês, em novo depoimento à Justiça, Alberto Youssef afirmou que Carlos Habib Chater, dono de postos de combustíveis em Brasília que distribuiu propinas a políticos em nome dele, também opera com outro doleiro, Fayed Traboulsi. Uma das vertentes da Lava-Jato apura possíveis relações financeiras e societárias entre Youssef e Traboulsi, investigado na Operação Miqueias, em 2013.

Essa investigação da PF desvendou um esquema de lavagem de dinheiro e má gestão de recursos de entidades previdenciárias públicas envolvendo principalmente investimentos em papéis relacionados ao banco BVA, que sofreu intervenção do Banco Central em 2012 e teve a falência decretada este ano. Traboulsi foi apontado como o dono da Invista Investimentos Inteligentes, que intermediou aplicações de vários fundos de pensão, principalmente de prefeituras, no BVA.

A quebra do BVA é um dos exemplos mais recorrentes nas denúncias de participantes dos fundos de pensão sobre o direcionamento de investimentos da entidade por personagens como Traboulsi e Youssef por meio de conexões políticas. Cerca de 70 fundos de pensão investiram R$ 2,7 bilhões no BVA e perderam pelo menos R$ 500 milhões com a derrocada do banco, cujo crescimento exponencial em pouco tempo estava justamente na capacidade de atrair investimentos das entidades de previdência do setor público. A concentração de recursos dos fundos de pensão não era tão visível porque se desdobrava numa enorme teia de operações indiretas, que terminavam até em aplicações deles no capital do próprio banco.

PREJUÍZOS DOS FUNDOS

É o caso da aplicação das fundações Serpros, dos funcionários do Serviço Federal de Processamentos de Dados, e Refer, dos empregados da Rede Ferroviária Federal no Fundo de Investimento em Participações (FIP) Patriarca — que, por sua vez, detinha 24% das ações do BVA. Após a liquidação do banco, o Serpros teve uma perda de 97% das cotas de R$ 50 milhões que havia aplicado nesse fundo. Já a Refer perdeu aproximadamente R$ 40 milhões.

Uma denúncia enviada pela Associação dos Aposentados e Pensionistas do Serpros (Aspas) e pela Associação Nacional dos Participantes de Fundos de Pensão (Anapar) à Previc no ano passado sobre o caso BVA aponta “uma possível articulação entre os fundos para a realização de aplicações nem sempre de acordo com o interesse dos participantes”. As entidades estimaram que, dos R$ 146 milhões aplicados pelo Serpros no Patriarca e em outros fundos do BVA, sobraram cerca de R$ 20 milhões. E estranharam semelhanças dos investimentos como os da Refer.

O secretário de Finanças do Sindicato dos Empregados de Previdência Privada do Rio (Sindepperj), Aristótelis Arueira, coleciona outros casos de FIPs ligados ao BVA que deram prejuízos a vários fundos de pensão. Ele relacionou pelo menos sete numa denúncia que encaminhou para a Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros (Delefin) da PF no Rio, que abriu um inquérito para investigar a Refer. Segundo ele, a Refer integra um grupo de fundos que têm seus investimentos direcionados pelos partidos que controlam as estatais que os patrocinam. No caso da Refer, os gestores são indicados por PR e PT:

– O caso BVA mostra uma lista de fundos idêntica àquela que também foi investigada no escândalo do mensalão. De lá para cá, nada mudou. O aparelhamento continua o mesmo: políticos indicam dirigentes e ficam de Brasília indicando em que operações os fundos devem entrar. E os gestores dizem “Amém”. Se o fundo perde, alguém ganha na outra ponta.*

(*) Alexandre Rodrigues e Daniel Biasetto  – O Globo

PETRORROUBALHEIRA

Um projeto de extorsão contra a patuleia

A tese é engenhosa. Pressupõe que empresas angelicais que fazem
negócios com a Petrobras tornaram-se vítimas de dois demônios.

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Dois diretores de empreiteiras disseram à Justiça que foram extorquidos pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e seu operador financeiro, Alberto Youssef. Se não pagassem, teriam seus contratos prejudicados ou até mesmo cancelados.

A tese é engenhosa. Pressupõe que empresas angelicais que fazem negócios com a Petrobras tornaram-se vítimas de dois demônios. Para que a pizza fosse ao forno, faltaria só o orégano.

A primeira denúncia da extorsão veio de Sérgio Mendes, vice-presidente e herdeiro da tradicional Mendes Junior, fundada em 1953 por seu avô. Ele contou que em 2011, a mando de Paulinho, pagou R$ 8 milhões a Youssef. Se não fizesse isso, estariam fechadas as portas e os guichês da Petrobras.

A Mendes Junior opera com o governo brasileiro há três gerações e com a Petrobras há pelo menos duas. Teve negócios bilionários (em dólares) com a cleptocracia de Saddam Hussein no Iraque. Admita-se que jamais molhou mãos alheias. Tendo sido obrigada, em 2011, não denunciou o malfeito. Seria tudo coisa do Paulinho e do Youssef.

A segunda denúncia de extorsão veio do diretor de Óleo e Gás da Galvão Engenharia, doutor Erton Medeiros. Seu advogado, José Luis de Oliveira Lima, explicou por que a Galvão ficou calada: “Se ele denunciasse o que estava acontecendo, era ameaçado de perder os contratos. Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef estão longe de serem Madres Teresas de Calcutá”.

Bingo! Paulinho e Youssef são delinquentes, mas colaboram com a Viúva. Madres Teresas seriam a Galvão Engenharia e suas colegas. Segundo o doutor Erton, na origem de tudo estaria o deputado José Janene (morto um ano antes), e o dinheiro do achaque iria para o Partido Progressista. Bingo de novo, e surge mais uma Madre Teresa: o PT.

Durante a última campanha eleitoral, a Galvão Engenharia deu R$ 1,4 milhão ao Diretório Nacional do PT, partido da doutora Dilma. Portanto, a empresa foi achacada por dois delinquentes, não se queixou, e fez uma bela doação ao partido que, governando o país, nomeou Paulinho para uma diretoria da Petrobras. Entre 2006 e 2012, as grandes petroempreiteiras torraram R$ 856 milhões em doações para campanhas eleitorais. O PT ficou com R$ 266 milhões.

Nessa batida, a coisa fica assim: os dois delinquentes que estão colaborando com a Viúva achacavam empresas, e uma delas entrou na dança levada por um deputado que morreu, em benefício de um partido subsidiário. Tudo o mais seria golpismo, terceiro turno, e coisa de uma elite contrariada. Já a elite lubrificada, à qual ascendeu o comissariado petista, vai bem, obrigado. *

(*) Elio Gaspari, O Globo

SÁBADO, 22 DE NOVEMBRO DE 2014

 

Dilma agora frita ministros

antes de nomeá-los

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Dilma Rousseff tornou-se uma mandatária sui generis. Tem dois ministros da Fazenda e não tem nenhum. Guido Mantega foi demitido em setembro. E permanece no cargo como um ministro cenográfico. Joaquim Levy foi convidado nesta sexta-feira (21). Mas seu nome não foi anunciado formalmente. A presidente já tinha avisado que, reeleita, seria a mudança de si mesma. Mas ninguém suspeitou que tentaria compensar a carência de miolos na área econômica com o excesso de cabeças.

Lula aconselhara Dilma a apressar a escalação do seu time econômico, para disputar com o petrolão o espaço nas manchetes. A pupila deu ouvidos ao patrono. Mas conduziu o processo à sua maneira. Inovadora, levou o novo titular da Fazenda à frigideira antes mesmo de nomeá-lo. Maquiavel não teria feito melhor. Nunca nenhum presidente fizera o mal tão bem.

Para a Fazenda, Dilma chamou o preferido de Lula: Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco. Que refugou o convite. Além de deixar boquiabertos Armínio Fraga e Neca Setúbal, a presidenta informou para Joaquim Levy, hoje também um executivo do Bradesco, que ele não era sua primeira opção. O mercado festejou mesmo assim. A Bolsa chegou a subir cinco pontos.

Na pasta do Planejamento, Dilma decidiu acomodar Nelson Barbosa, que sonhava com a Fazenda. No Banco Central, manteve Alexandre Tombini, que também vinha sendo estimulado a acalentar a perspectiva de virar o novo Mantega. Consumada a escalação, armou-se no Planalto o palco para o anúncio. A imprensa mobilizou-se.

Súbito, Dilma mandou dizer que decidira adiar a formalização de suas escolhas. Por quê? Sabe Deus! Talvez queira dar ao PT, crítico feroz do pensamento médio de Joaquim Levy, a oportunidade de bombardeá-lo por uma semana.

Ficou entendido que, antes de tomar uma decisão tão importante quanto a escolha da equipe que vai gerir a herança perversa deixada pela velha Dilma, a nova Dilma pensa duas vezes, analisa todas as possibilidades, consulta o Lula… Uma vez tomadas as decisões, faz o contrário. Ou faz aquilo mesmo que decidiu. Pouco importa. Tudo é ocasional. Certo mesmo só o novo gosto da presidente. Ela agora prefere ministros bem tostadinhos.*

(*) Blog do Josias de Souza

E VIVA O POVO BRASILEIRO

O eleitor consciente não sabia

Manifestações contra o petrolão são coisa da direita, alertam os progressistas.

Os eleitores progressistas de Dilma Rousseff estão radiantes. Foi muito importante a esquerda ganhar a eleição no Brasil. O candidato burguês da elite branca jamais celebraria o Dia da Consciência Negra como o fez a presidente mulher e oprimida. Devota de Zumbi (o que fica claro pelo estilo do seu governo), Dilma exaltou um Brasil que “se orgulha da sua cor”.

Se você não sabia, eleitor derrotado da direita capitalista, agora ficou sabendo: o Brasil tem uma cor. E não é a sua, seu branco azedo. Aí você perguntaria: se o Brasil de Dilma é negro, não seria melhor ela entregar logo a Presidência a Joaquim Barbosa e se exilar na Argentina?

Pronto, lá vem a elite branca com a sua vocação golpista. É bem verdade que também há brancos entre os eleitores conscientes que salvaram o Brasil, garantindo mais quatro anos ao PT. Mas é só aparência. São todos negros por dentro. Negros como o petróleo viscoso que jorrou nas contas bancárias do PT e aliados nos últimos dez anos.

O eleitor progressista do bem votou na candidata do povo já sabendo o que tinha acontecido com a Petrobras. Desde o início do ano a Operação Lava-Jato da Polícia Federal veio mostrando, como numa novela de Aguinaldo Silva, capítulo por capítulo da privatização da maior empresa brasileira pela maior quadrilha brasileira — instalada na diretoria da estatal com as inconfundíveis digitais petistas.

Nada disso abalou o eleitor de esquerda, porque ele sabe que privatização perigosa é a dos neoliberais. Se o PT e sua gangue tomam posse do que é do povo, isso é socialismo. No máximo na próxima encarnação você recebe a sua parte.

O que talvez tenha chateado um pouco o eleitor antenado de Dilma foi um detalhe desagradável do caso Petrobras. Só depois de passada a eleição, ele ficou sabendo o nome da empresa offshore do ex-diretor de serviços Renato Duque — um dos prepostos petistas no esquema, que está preso.

A empresa depositária das propinas no exterior se chama “Drenos”. Isso magoa um progressista. Mensalão, petrolão, enfim, drenar o dinheiro do povo por 12 anos, prorrogáveis por mais quatro, tudo bem. Mas fazer piada interna com isso é demais. Os companheiros Valério, Delúbio e Vaccari jamais fariam isso. Parece até coisa da elite branca.

Os desvios criados pelo PT nesses três mandatos do governo popular sempre foram coisa séria — dinheiro sujo para financiar a revolução limpa e gloriosa (e os charutos do Delúbio, que ninguém é de ferro). Enfim, roubaram sem perder a ternura.

O eleitor progressista e libertário do Rio de Janeiro — que junto com Minas Gerais decidiu a eleição em favor de Dilma — sabia de tudo isso, e explodiu de orgulho do seu voto no PT. Só não sabia que, no meio de toda a sucção revolucionária de dinheiro público, havia um engraçadinho batizando uma offshore do esquema de Drenos.

Como assim? Como um companheiro do bem que ama o Nordeste, os negros e os pobres faz uma coisa dessas? Será que ele confundiu socialismo com drenagem?

Vamos acalmar o eleitor de Dilma que livrou o Brasil da direita careta que adora Miami: está tudo bem. Não vá entrar em crise de consciência agora, que tudo deu certo. Quem sabe até “Drenos” seja o nome de um deus grego que simboliza a igualdade entre os homens — uma espécie de Hugo Chávez do Olimpo.

Bem, seja qual for o significado de drenagem no novo dicionário da revolução companheira, o que importa é que Dilma e Lula já anunciaram que vão trabalhar duro para “resgatar a imagem” da Petrobras. E nem será preciso trabalhar tão duro assim: com a fortuna do petrolão, dá para comprar toneladas de batom, rímel e blush. A Petrobras vai ficar linda.

Falando em maquiagem, a contabilidade criativa do governo popular precisará ser aprimorada. Com toda a perícia no embelezamento dos números, o déficit público estourou. Os companheiros estão tentando dar o seu jeito, propondo retirar a palavra “superávit” da norma de metas fiscais.

É uma solução interessante, altamente progressista. Se der certo, poderá ser estendida a outras áreas — retirando, por exemplo, a palavra “corrupção” do Código Penal. Aí a elite vermelha poderá tocar a sua drenagem revolucionária em paz, sem a chateação dessa imprensa burguesa que odeia o povo.

A gasolina aumentou, a energia vai aumentar muito, o teto da meta de inflação virou piso e os juros voltaram a subir. O que pensam disso os eleitores conscientes e solidários, magnetizados pelo carisma de Dilma Rousseff?

Eles não têm dúvida: isso certamente foi alguma maldade neoliberal do Armínio Fraga uns 15 anos atrás. Valha-nos, ó soberano Drenos, e livrai-nos desses conservadores desalmados, filhotes da ditadura. Esquerda unida jamais será vencida, caminhando e cantando e seguindo o cifrão.

Manifestações contra o petrolão são coisa da direita, alertam os progressistas. Dilma fará a mudança. Sendo assim, que o frete não demore, e ela não esqueça suas apostilas no palácio.*

(*) Guilherme Fiuza, O Globo