DE PAI PRA FILHO…

 

EMPRESA DE FILHO DE MINISTRO FATURA R$148 MILHÕES

000 - AAA RATAZANA
A Petra Energia S/A, que tem como vice-presidente Pedro Barros Mercadante Oliva, filho do ministro Aloízio Mercadante, faturou R$ 148,1 milhões do governo federal entre 2013 e 2014, quando o petista se transformou no poderoso chefe da Casa Civil. Segundo o Sistema Integrado de Informações Financeiras do Governo Federal (Siafi), a verba foi empenhada pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, que foi comandado pelo mesmo Aloizio Mercadante nos anos de 2011 a 2012.

MEU PAIPAI
Da verba empenhada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do ministério, R$ 47,1 milhões já foram pagos à Petra Energia.

UM ATRÁS DO OUTRO
Em 2013, o ministério empenhou R$ 42,8 milhões para a Petra Energia em agosto, e mais R$ 47,6 milhões no mês seguinte, setembro.

LUCRO BILIONÁRIO
Fundada em 2008 para explorar petróleo e gás, a Petra virou a maior  concessionária de blocos de terra do País, tem áreas em MG, MA e AM

OLHO NA ÁFRICA
O presidente da Petra, Roberto Viana, já perfurou 16 poços na Bacia de São Francisco (MG), e tem expandido negócios para África. Hum… *

(*) Diário do Poder

AOS AMIGOS – TUDO. AOS INIMIGOS – A LEI

Saída de Graça Foster é

discutida entre aliados

000 - a caixa

— E aí, quando é que a presidenta vai começar a presidir?, perguntou um congressista do PT a um auxiliar de Dilma Rousseff.

— Calma, rapaz! O segundo mandato só começa no dia 1º de janeiro, tentou atalhar o colaborador da presidente.

— Engano seu. Isso vale pra mim e pra você. Na folhinha da Dilma, 2015 começou na noite do dia 26 de outubro. O segundo mandato tem 47 dias de idade. E a gente parece estar com o pé na cova. Quando vamos interromper a marcha fúnebre?

O diálogo transcrito acima aconteceu nesta sexta-feira. Foi relatado ao repórter pelo parlamentar autor das perguntas. Ele disse ter tocado o telefone para o auxiliar da presidente em busca de orientação. Ecoando um desalento que se espraia entre petistas e aliados, criticou a “paralisia” de Dilma diante dos problemas, sobretudo a crise que carcome a Petrobras.

Acabara de ler notícia sobre a dinamite mais recente. O repórter Juliano Basileinformara que, bem antes do estouro da operação Lava Jato, uma servidora graduada da Petrobras alertara dirigentes da estatal sobre a roubalheira. Reportara-se inclusive à atual presidente companhia, Graça Foster. E nada sucedera.

A tese de que Dilma tem de promover um expurgo na diretoria da Petrobras já não é exclusividade do procurador-geral da República Rodrigo Janot nem da oposição. Cresce no próprio PT e em salas vizinhas ao gabinete presidencial a adesão à ideia. Já há inclusive um grupo defendendo internamente a saída de Graça Foster antes do Natal.*

(*) Blog do Josias de Souza

DA SÉRIE “EU NÃO SABIA DE NADA”

E-mails internos de ex-gerente da Petrobras implodem estatal

Oposição quer demissão da presidenta Graça Foster após denúncia que atinge cúpula

000 - papai noel

escândalo de corrupção na Petrobras ganhou mais um capítulo decisivo nesta sexta-feira. A geóloga Venina Velosa da Fonseca, funcionária de carreira da maior estatal brasileira desde 1990, perdeu seu emprego na tentativa de avisar a atual diretoria da empresa sobre os ilícitos investigados pela Operação Lava Jato, revelou reportagem do jornal Valor Econômico. Rica em detalhes, a matéria dá conta de que Venina informou, desde 2008 até este ano, vários diretores da empresa, entre eles a atual presidenta da companhia, Graça Foster, e seu antecessor, José Sérgio Gabrielli, sobre suspeitas de malfeitos na diretoria de Abastecimento, então dirigida por Paulo Roberto Costa, preso na operação da Polícia Federal.

E o que ganhou a funcionária por tentar proteger a empresa que até outro dia era motivo de orgulho para seus funcionários? Antes de ser afastada, no mês passado, após auditorias internas na estatal, a ex-gerente da Petrobras foi enviada para o escritório da petroleira em Cingapura, em 2010, onde teria sido instruída a não trabalhar e aconselhada a fazer um curso de especialização. Meses depois, Venina enviou uma mensagem para Graça Foster dizendo que “do imenso orgulho que eu tinha pela minha empresa passei a sentir vergonha”.

As minúcias da denúncia, que a ex-gerente pretende apresentar ao Ministério Público Federal, aumentam o cerco sobre os já encurralados dirigentes da petroleira e animaram a oposição do Governo Dilma no Congresso Nacional a pedir o afastamento imediato da diretoria da Petrobras. Para o senador Alvaro Dias, um dos líderes do PSDB, a “demissão de Graça Foster e dos demais diretores é umas medidas que já deveria ter sido tomada pelo Planalto desde que veio à tona o esquema de corrupção na Petrobras”.

Líder do PPS na Câmara, o deputado Rubens Bueno descreve a denúncia como “um enredo estarrecedor”. “Não há mais qualquer desculpa para a permanência de Graça Foster na presidência da Petrobras. Se tiver o mínimo de juízo, a presidente Dilma tem a obrigação de demitir sua protegida e toda a diretoria da empresa. Se não o fizer, vai sinalizar que também faz parte da quadrilha que saqueou a Petrobras”, desafiou o deputado, que cobra a inclusão das denúncias da ex-gerente da diretoria de Abastecimento da Petrobras na apuração da Operação Lava Jato.

No material enviado por Venina Velosa da Fonseca aos superiores durante um período de seis anos, fica registrado que Graça Foster e José Carlos Cosenza, que substituiu Paulo Roberto Costa na diretoria de Abastecimento, foram avisados de desvios no pagamento de um total de 58 milhões de reais em serviços de comunicação que não foram realizados e no aumento de 4 bilhões de dólares (10 bilhões de reais) para 18 bilhões de dólares (45 bilhões de reais) no orçamento para a construção da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco.

No último e-mail enviado por Venina a Graça Foster, em 20 de novembro deste ano, um dia depois de ser afastada, a ex-gerente diz que desde 2008 sua vida “se tornou um inferno”. “Me deparei com um esquema inicial de desvio de dinheiro, no âmbito da Comunicação do Abastecimento. Ao lutar contra isso, fui ameaçada e assediada. Até arma na minha cabeça e ameaça às minhas filhas eu tive”, escreveu Venina, que diz que não havia exposto toda a documentação do caso à imprensa por respeito à Petrobras e destaca que, quando foi “expatriada” para Cingapura, “o diretor hoje preso [Costa] “levantou um brinde, apesar de dizer ser pena não poder me exilar por toda a vida”.

A Petrobras divulgou nota nesta sexta-feira para comentar a reportagem publicada pelo Valor Econômico, e a companhia assegura que “apurou todas as informações enviadas pela empregada citada na matéria”. “A Petrobras esclarece que (…) instaurou comissões internas em 2008 e 2009 para averiguar indícios de irregularidades em contratos e pagamentos efetuados pela gerência de Comunicação do Abastecimento. O ex-gerente da área foi demitido por justa causa em 03 de abril de 2009, por desrespeito aos procedimentos de contratação da companhia. Porém, a demissão não foi efetivada naquela ocasião porque seu contrato de trabalho estava suspenso, em virtude de afastamento por licença médica, vindo a ocorrer em 2013. O resultado das análises foi encaminhado às autoridades competentes”, diz a nota.

Após a Petrobras sair do centro das investigações da Operação Lava Jato, que concentrou sua sétima etapa nos corruptores e levou à cadeia dezenas de diretores e presidentes de empreiteiras, a maior estatal brasileira retorna ao foco do maior escândalo de corrupção da história do Brasil, e, agora, tem como protagonista a presidenta Graça Foster, amiga da presidenta Dilma Rousseff, e num momento em que os primeiros investigados do caso começam a virar réus.

juiz responsável pelas investigações da Operação Lava Jato, Sérgio Moro, aceitou nesta sexta-feira denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal contra nove dos suspeitos de participação em crimes como corrupção, formação de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Entre os novos réus estão diretores da Engevix, o doleiro Alberto Youssef, acusado de ser o chefe do esquema, e o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa. Resta ainda a decisão sobre os outros 27 nomes denunciados pelo MPF.*

(*)   – EL PAÍS

NÃO DÁ PRA MENTIR O TEMPO TODO…

A hora das verdades

Uma das vantagens da democracia é que ela não espera meio
século para descobrir o que aconteceu de bom e de ruim

000 ali

Foi uma semana de catarse, isto é, de expiação de traumas e culpas, em que verdades desagradáveis vieram à tona — algumas de ontem, outras de hoje.

Um dia depois que o insuspeito procurador-geral da República, Rodrigo Janot, declarou com todas as letras o que já se sabia, mas faltava admitir oficialmente — que a Petrobras fora assaltada e as denúncias de corrupção eram “um incêndio de grandes proporções” —, a Comissão Nacional da Verdade publicou seu relatório final revelando o que as Forças Armadas negaram durante quase 50 anos: que elas torturaram e mataram presos políticos no período da ditadura militar.

Resultado de dois anos e sete meses de trabalho, o documento conclui citando o nome de 243 desaparecidos e 191 mortos, além de detalhar 30 formas de tortura usadas contra os prisioneiros.

E mais: pela primeira vez, os cinco generais-ditadores que governaram o país de 1964 a 1985 foram formalmente acusados de graves violações dos direitos humanos: Castelo Branco, Garrastazu Médici, Costa e Silva, Ernesto Geisel e João Figueiredo.

Uma das vantagens da democracia é que ela não espera meio século para descobrir o que aconteceu de bom e de ruim, doa a quem doer. Agora, por exemplo, está doendo tanto que muitos, por um mecanismo psicológico de fuga, ou por simples cinismo, preferem negar.

Já li pessoas dizendo que a “televisão é uma usina de escândalos”, como se eles fossem fabricados pela imprensa. Não adianta argumentar que os malfeitos da Petrobras foram revelados por executivos da própria estatal — a lama vazou de dentro para fora.

Não foi um repórter, mas um poderoso ex-diretor que delatou os subornos e desvios que alimentaram os bilionários propinodutos da petroleira. O gerentinho que se dispôs a devolver quase R$ 100 milhões não confessou o seu roubo debaixo de tortura, como antigamente, mas de maneira espontânea.

Pior foi a conclusão da CPI mista da Petrobras. Quase ao mesmo tempo em que o Ministério Público terminava uma parte de sua devassa, denunciando 36 pessoas acusadas de desviarem cerca de R$ 1 bilhão, o relator da Comissão do Congresso concluía sua investigação sem pedir indiciamento e sem apontar envolvimento de políticos no que o procurador chamou de “aula de crime”.

E, acredite, achou normal a Petrobras pagar US$ 1,25 bilhão pela Refinaria de Pasadena, que um ano antes fora vendida por US$ 42,5 milhões. Admitiu que possa ter havido pagamento de propina, mas achou que, apesar disso, não houve prejuízo na operação.

Negócio assim até eu. Vou tentar vender meu apartamento ao relator da CPI nas mesmas condições de valorização.*

(*) Zuenir Ventura, O Globo

O CULPADO POR TUDO

Uma bandeira coberta de vergonha

Foi Lula quem afundou o PT

000 - limpando as digitais

Tem cabimento tamanha desfaçatez?

Vejam o que disse Lula, na última quarta-feira, em Brasília, ao falar para uma plateia de militantes do seu partido:

– Cadê os intelectuais do PT? Eram tantos. Eles estavam no PT porque acreditavam nos discursos que fazíamos.

Se estiveram no PT e agora não estão mais…

Por que Lula não vai fundo na autocrítica apenas esboçada de leve, quase de passagem?

Ninguém mais do que ele poderá fazê-lo. Tem autoridade para tal. E conhecimento de sobra.

De pouco, contudo, adiantará se não for capaz de bater no peito três vezes e confessar seus próprios pecados.

O mais original deles foi quando chamou José Dirceu à sua presença, e cansado de ter perdido a terceira eleição presidencial consecutiva, avisou:

– Só disputarei novamente se deixaremos a vergonha de lado e usarmos as mesmas armas dos nossos adversários.

Se a frase não foi exatamente essa, o sentido foi o mesmo.

Valendo-se das armas dos adversários, Lula se elegeu em 2012. Para governar, socorreu-se do mensalão inventado por seus comparsas da mais sofisticada organização criminosa que já tentou se apoderar do aparelho de Estado.

Para realizar o projeto do PT de permanecer no poder o maior tempo possível, azeitou as engrenagens da máquina de corrupção que corroía a Petrobras pelo menos desde meados do governo Sarney. E foi assim que chegamos até aqui.

Cadê os intelectuais do PT?

Ora, eles não recepcionaram Dilma em um teatro do Rio de Janeiro para alimentar o programa de propaganda eleitoral dela?

Tudo bem: os nomes ali reunidos não eram todos do primeiro time. Mas fazer o quê? Vai longe o tempo em que artistas e intelectuais cantavam “Lula-lá”…

Lula poderia ter perguntado também pelos jovens do PT, pelos militantes que vendiam lembranças do partido para arrecadar dinheiro, e pelos líderes autênticos dos movimentos sociais que suavam a camisa à caça de votos sem esperar empregos em troca.

O PT, hoje, é um quadro velho pendurado na parede, uma estrelinha guardada no fundo de uma gaveta, uma camiseta descolorida pela ação do tempo, uma bandeira vermelha coberta de vergonha.

Foi Lula que o afundou. Não será Lula que irá refunda-lo.*

(*) Blog do Noblat

FANFARRONICES COSTUMEIRAS

Desordem unida

000 - ...e o Bebum de Rosemary, quieto, calado, sumido, acovardado.

Quis o acaso que as coisas acontecessem no mesmo dia: a apresentação do inócuo relatório da CPI Mista da Petrobrás, de autoria do deputado petista Marco Maia, e o discurso do ex-presidente Lula em encontro do partido conclamando a militância a reagir contra a “pecha de corrupto que querem incutir (sic) na nossa testa”.

Uma injustiça, pois, segundo disse aos companheiros, deve-se aos governos do PT a criação de “todos” os instrumentos existentes no País de combate à corrupção. Inclusive, falou com todas as letras, o instituto da delação premiada. Faltou acrescentar o Poder Judiciário, a Polícia Federal, o Ministério Público, o Tribunal de Contas e o Código Penal.

Sim, porque foi graças a esses “instrumentos” que ontem foram denunciados os primeiros 35 suspeitos de participação do esquema de corrupção na Petrobrás. Se dependesse das investigações no âmbito do Congresso, da influência do governo sobre os aliados e da orientação do ex-presidente Lula aos parlamentares do partido para que se lembrassem do mensalão e não deixassem a CPI prosperar, os crimes continuariam impunes.

Então não será por essa inverossímil linha de defesa que o PT conseguirá sair da sinuca em que se encontra. Em seu discurso de 45 minutos, o ex-presidente ensaiou autocrítica ao reconhecer que o partido cresceu e enveredou por caminhos erráticos; ao mesmo tempo, porém, continuou na mesma linha de não falar a respeito de quais erros foram esses e seguiu atribuindo os problemas do PT às elites, aos tucanos e à imprensa.

Convidou o partido a repensar seu papel na sociedade, lembrando como “era gostoso” o tempo em que o PT não “tinha tanto voto, mas andava de cabeça erguida”. Reclamou da ausência dos jovens, dos intelectuais, das campanhas eleitorais criativas sem gastos milionários. “Nós não nascemos para isso”, constatou.

Ressaltou, no entanto, que não propunha uma “volta às origens”. Aliás, não propôs nada: nem rever as práticas e as alianças que afastaram tanta gente do PT, deram muitos votos e deixaram o partido de cabeça baixa, tampouco pronunciou uma palavra sobre a hipótese da opção por um marketing menos opulento. Disse e se contradisse o tempo todo.

A certa altura deu um aviso: “Quem não quiser cumprir o ritual ético nesse partido é melhor deixar o PT”. Não explicou qual é o ritual e quando entrou em vigor, antes ou depois da prisão da antiga cúpula, ainda filiada ao partido.

Lula falou em “construir sonhos e utopias”, fez mais uma de suas animações de auditório numa hora em que a necessidade é de soluções para problemas concretos e de uma resposta à pergunta que antigamente a militância fazia ao “comando” na esquerda: Qual é o rumo?*

(*)  Dora Kramer – Estadão

DA SÉRIE “EU NÃO SABIA”

Diretoria da Petrobras foi alertada sobre desvios, diz jornal

Uma gerente da Petrobras advertiu a atual diretoria da Petrobras de uma série de irregularidades em contratos da empresa muito antes do início da Operação Lava Jato, segundo reportagem publicada no jornal “Valor Econômico” desta sexta-feira (12).

De acordo com a publicação, Venina Velosa da Fonseca, que foi subordinada do ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, um dos acusados por desvios na estatal, enviou denúncias por e-mail à presidente da Petrobras, Graça Foster, e ao diretor que substituiu Costa, José Carlos Cosenza.

A Petrobras divulgou nota em que afirma que todas as informações enviadas pela funcionária foram apuradas. A empresa não confirma se Foster e Cosenza receberam os e-mails publicados pelo jornal.

Os alertas são referentes a desvios que somam bilhões de reais em três áreas da empresa.

As primeiras denúncias de Venina Fonseca referiam-se a pagamentos de R$ 58 milhões por serviços que não foram realizados na área de comunicação, em 2008.

Segundo a gerente, ela procurou Costa para reclamar dos contratos. Este teria apontado uma foto do presidente Lula e questionado Venina se ela queria “derrubar todo mundo”, relata a reportagem.

Em 2009, segundo o jornal, a gerente enviou um e-mail a Graça Foster, na época diretora de Gás e Energia, alertando-a sobre a escalada de preços em obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e apresentando sugestões para mitigar o problema.

As obras da refinaria, orçadas em R$ 4 bilhões, chegaram ao custo de R$ 18 bilhões.

No mesmo ano, a gerente teria deixado o cargo de gerente na diretoria de Abastecimento e, no ano seguinte, foi enviada para trabalhar na unidade da Petrobras em Cingapura. No país asiático, teria sido orientada a não trabalhar, segundo o jornal.

Em 2011, a gerente teria escrito outro e-mail a Foster dizendo não ver mais alternativas para mudar a situação dos desvios na empresa e sugere apresentar a documentação que possui à então diretora de Gás e Energia.

“Gostaria de te ouvir antes de dar o próximo passo”, disse Venina na mensagem publicada pelo “Valor”.

Em março de 2014, Venina teria alertado Cosenza sobre perdas financeiras em operações internacionais da Petrobras, que subiram em até 15% os custos no exterior.

Segundo a reportagem, a gerente fez uma apresentação sobre as perdas na sede da Petrobras, no Rio, em maio. Uma última mensagem sobre o assunto teria sido enviada em 17 de novembro.

No dia 19 do mesmo mês, Venina foi afastada de seu cargo junto a vários suspeitos na Operação Lava Jato, apesar de não ter o nome citado em denúncias.

‘INFERNO’

O jornal traz cópia de um e-mail da gerente a Graça Foster um dia após seu afastamento.

“Desde 2008, minha vida se tornou um inferno, me deparei com um esquema inicial de desvio de dinheiro, no âmbito da Comunicação do Abastecimento. Ao lutar contra isso, fui ameaçada e assediada. Até arma na minha cabeça e ameaça às minhas filhas eu tive”, escreveu Venina.

“Tenho comigo toda a documentação do caso, que nunca ofereci à imprensa em respeito à Petrobras, apesar de todas as tentativas de contato de jornalistas. Levei o assunto às autoridades competentes da empresa, inclusive o Jurídico e a Auditoria, o que foi em vão”, continuou.

“Posteriormente, voltei a me opor ao esquema que parecia existir no projeto RNEST”, disse, referindo-se a Abreu e Lima.

“Novamente, fui exposta a todo tipo de assédio. Ao deixar a função, eu fui expatriada, e o diretor, hoje preso, levantou um brinde, apesar de dizer ser pena não poder me exilar por toda a vida.”

“Agora, em Cingapura, me deparei com outros problemas, tais como processos envolvendo a área de bunker e perdas, e mais uma vez agi em favor da empresa (…). Não chegaram ao meu conhecimento ações tomadas no segundo exemplo citado, dando a entender que houve omissão daqueles que foram informados e poderiam agir”, conclui.

OUTRO LADO

A Petrobras divulgou nota na noite de quinta (12) em que afirma que a empresa “apurou todas as informações enviadas pela empregada citada na matéria”.

A estatal diz ter instaurado comissões internas em 2008 e 2009 para averiguar os indícios de irregularidades em contratos e pagamentos da gerência de Comunicação da diretoria de Abastecimento e que o resultado das análises foi “encaminhado às autoridades competentes”.

Sobre as denúncias referentes a negócios no exterior, a companhia diz que aprimorou os procedimentos de compra e venda e adotou as providências administrativas e negociais cabíveis. Segundo a Petrobras, a área responsável pela fiscalização pelo controle de perdas de óleo combustível não constatou nenhum problema entre 2012 e 2014.

Por fim, sobre Abreu e Lima, a empresa diz já ter concluído relatório de apurações sobre contratações para a obra e que já encaminhou os resultados para órgãos de controle e autoridades competentes.*

(*)  FOLHA DE SÃO PAULO

TREMEI CORRUPTOS & CORRUPTORES

Nova face do MP declara ‘guerra contra a impunidade’

Com idades entre 28 e 50 anos, procuradores da Lava-Jato vão à igreja, têm mestrado fora e encontram tempo para dar cursos


000 - aaaaaaa - não vai faltar patrocínio

RIO — Mesmo tendo seguido a carreira do pai, Deltan Dallagnol, que encabeça a força-tarefa da Operação Lava-Jato, deixa claro no Twitter que não foi apenas a influência paterna que o levou ao Ministério Público Federal. Na rede social, ele conta ser “procurador da República por vocação”. Aos 34 anos, diz ainda ser “seguidor de Jesus — frequenta a Igreja Batista do Bacacheri, em Curitiba —, marido e pai apaixonado”. No Facebook, onde é chamado pelos amigos de Delta, chegou a explicar aos seguidores o que era a PEC 37 depois de postar ser contrário à sua aprovação. É lá também que sua mãe, Vilse Dallagnol, declara “Filhão, você tem sido especial sempre, em tudo! Tua postura ética muito nos orgulha!”.

O mais novo dos nove procuradores que ontem ofereceram denúncia contra 36 pessoas envolvidas no esquema de corrupção na Petrobras, Diogo Castor de Mattos, de 28 anos, também seguiu a carreira do pai, Delivar Tadeu de Mattos, já falecido.

Tendo entre 28 e 50 anos, os nove — Dallagnol, Mattos, Antonio Carlos Welter, de 46 anos, Athayde Ribeiro Costa, de 34, Januário Paludo, de 49, Orlando Martello Júnior, de 42, Paulo Roberto Galvão, de 36, Roberson Henrique Pozzobon, de 30, e Carlos Fernando dos Santos Lima, de 50 — são representantes de uma nova face do MP. Trabalham em conjunto, são especialistas em diferentes áreas — de improbidade administrativa a atividade policial, passando por colaboração jurídica internacional — e a maioria já concluiu o mestrado. Dallagnol estudou em Havard, e Lima, em Cornell, nos EUA. Welter passou pela Universidade de Coimbra, em Portugal, e Galvão, pela London School of Economics, na Inglaterra. Eles ainda costumam dar cursos na Escola Superior do Ministério Público e escrever livros e artigos.

Juntos também fizeram uso da delação premiada para obter provas que viriam a embasar a denúncia. Sabiam que precisavam evitar o que aconteceu na Operação Castelo de Areia, de 2009, que teve provas anuladas. Assim, ainda durante as investigações, Mattos e Lima escreveram um artigo para a “Folha de S. Paulo” defendendo a delação. Além disso, essa não foi a primeira vez que parte do grupo usou o mecanismo. Martello, Dallagnol e Lima participaram da força-tarefa do Banestado, que, em 2002, investigou remessas ilegais de dinheiro.

— Essa nova geração do MP, que é formada por homens e mulheres do seu tempo, tem uma pauta de valores mais clara. Eles já não estão tão ligados à ideologia. Por isso, digo que essa juventude não é revolucionária, mas evolucionista. Esses novos procuradores têm consciência do poder do Ministério Público. Sabem que, com um pouco de boa vontade e destemor, podem operar contra a impunidade — disse o procurador Edilson Mougenot Bonfim, que costuma dar palestras no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) sobre a nova geração do MP:

— Muitos cresceram acompanhando as expectativas dos pais sobre o Brasil e agora podem corresponder a isso, trabalhando pelo fim da impunidade, pela igualdade de direitos e de aspirações. Se veem assim na incumbência histórica de levar à frente essas ações. Sabem que a vontade de termos uma sociedade melhor sempre existiu, mas veem que agora é o momento, que não dá mais para postergar.

‘IMPRENSA É ALIADA NESSA GUERRA’

Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, aproveitou ontem a coletiva para enaltecer o trabalho dos procuradores e reafirmar a responsabilidade do MP:

— Não tenham dúvidas de que a responsabilidade institucional do Ministério Público é sentida por todos os meus colegas, do procurador-geral ao procurador que iniciou na carreira.

Também durante a coletiva, Dallagnol mostrou não concordar com a opinião da presidente Dilma Rousseff, que havia declarado, em setembro, depois de Janot ter negado acesso ao depoimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que “não é função da imprensa fazer investigação e sim divulgar informação”. Para o procurador, a “imprensa é uma aliada” para divulgar as investigações feitas pelo Poder Judiciário:

— Nós estamos em uma guerra contra a impunidade e a corrupção. E a imprensa é uma aliada nessa guerra. Hoje, nós conversamos com aliados. A imprensa nos auxilia não só na investigação dos fatos e levando o conhecimento dos fatos apurados até as pessoas, mas a imprensa também veicula a voz da sociedade, que clama por Saúde, por Educação, e por Saneamento Básico, que são direitos fundamentais violados por cada ato corrupto.

(*) CAROLINA BENEVIDES –  O GLOBO

ESSA “CUMPANHERADA”!!!

UMA PRESIDENTE PELA METADE

000 - a essa cumpanherada

A presença do Lula em Brasília, esta semana, para demorados encontros com a presidente Dilma e com as bancadas do PT, indica terem sido restabelecidas as relações entre o antecessor e a sucessora. Claro que o ex-presidente deu mais do que palpites na formação do novo ministério. Indicou nomes e partidos, insistindo na preservação do modelo que impôs a Dilma nos últimos quatro anos: divisão do governo em condomínio com os partidos de sua base parlamentar, permitindo que à sombra do loteamento de cargos possa ser formada maioria no Congresso, capaz de garantir a aprovação de projetos de interesse do palácio do Planalto.

Em suma, nada de novo no limiar do segundo mandato, muito pelo contrário. Fica tudo como estava, com uma presidente da República prisioneira do fisiologismo de sua base.

Indaga-se da hipótese de, dispondo de vontade política, Dilma poderia virar o jogo. A resposta é não, mesmo se desejasse. Com todo o respeito, ela exerceu e mais exercerá a função de presidente pela metade. Despojada de ideologia própria, chorou ao lembrar episódios de sua vida pregressa, ao receber o relatório final da Comissão da Verdade. Demonstrou, com isso, seu despreparo em aplicar a promessa de “governo novo, pensamento novo”. A velha fórmula de contemporizar com a chantagem defendida pelo Lula vedou esperanças e promessas feitas nos palanques, em outubro.

REPETIR O PASSADO

Fica óbvia a estratégia adotada para o futuro: repetir o passado, até mesmo com concessões à direita, tendo como propósito a permanência do mesmo grupo no poder depois de 2018.

Apenas um obstáculo poderá atrapalhar o plano diretor dos companheiros: sua desmoralização diante dos sucessivos escândalos praticados à sombra dos poderes público e privado. As denúncias não param, iniciativas adotadas e por adotar no Poder Judiciário serão capazes de erodir a estrutura plena de corrupção no Executivo e no Legislativo.

Nessa hora, tudo poderá acontecer, até mesmo o rompimento entre Lula e Dilma, já ensaiado no período seguinte às passadas eleições. Quem sabe a presidente conquiste a outra metade de suas atribuições e de seus ideais? Pode não dar tempo, caso continuem ignoradas as lições do passado, aquele que geralmente não diz o que fazer, mas deixa claro o que evitar.*

(*) Carlos Chagas – Tribuna na Internet