RETRATO EM 3 X 4

O Brasil para inglês ver

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Algumas informações para oferecer aos 600 mil torcedores que desembarcarão em terras brasileiras para assistir aos jogos da Copa do Mundo

Alinhavamos algumas informações, que esperamos ser úteis, para oferecer aos 600 mil torcedores que desembarcarão em terras brasileiras para assistir aos jogos da Copa do Mundo.

NOSSO CAMPO – Na última década, 2004 a 2013, foram mortas 338 pessoas por conflitos agrários, segundo levantamento da Comissão Pastoral da Terra. Somente no ano passado, houve 34 assassinatos, sendo que 15 vítimas eram índios. Metade das terras do país pertence a apenas 46 mil pessoas.

NOSSAS ESCOLAS – Um em cada cinco professores do ciclo final do ensino fundamental (do 6º ao 9º ano) não tem curso universitário. E um em cada três não é habilitado, ou seja, não fez licenciatura. No ensino médio, um em cada cinco professores não fez licenciatura – são profissionais como administradores, advogados e jornalistas dando aulas de física, química, matemática, línguas. Os dados são da ONG Todos pela Educação. Cerca de 9% da população permanece analfabeta e 20% são classificados como analfabetos funcionais – ou seja, um em cada cinco adultos não tem capacidade de ler e interpretar os textos mais simples.

NOSSAS CADEIAS – Há hoje encarceradas quase 580 mil pessoas, o quarto maior contingente do mundo. Conforme relatório do Ministério da Justiça, entre 1992 e 2013, enquanto a população cresceu 36%, o número de confinados aumentou 400%. E se a média mundial é de 144 presos para cada 100 mil habitantes, no Brasil é de 300, majoritariamente jovens (entre 18 e 34 anos), pobres, negros ou pardos, e de baixa instrução escolar.

NOSSAS CIDADES – De cada dez assassinatos ocorridos no mundo, um acontece no Brasil. Relatório da ONU mostra que o país tem uma taxa de homicídios quatro vezes maior que a média mundial – 25 assassinatos por 100 mil habitantes, mais de 50 mil pessoas mortas em 2012. Alagoas, o estado mais violento, registra 61 mortes por 100 mil habitantes, mais que o dobro da média nacional. E das 30 cidades mais perigosas do mundo, 11 são brasileiras, sendo quatro delas sede de jogos da Copa do Mundo: Fortaleza, Natal, Salvador e Cuiabá.

NOSSAS MULHERES – Estima-se que a cada ano ocorram 527 mil casos de estupro, mas que somente 10% cheguem ao conhecimento das autoridades. Do total das vítimas, 89% são mulheres. No estado mais rico do Brasil, São Paulo, o número de registros vem crescendo assustadoramente. Entre 2005 e 2010, o aumento chegou a 230%: foram computados no período quase 53 mil estupros, 128 pessoas a cada 100 mil habitantes. Em 2012, 13 mil pessoas foram estupradas, o que significa 35 ocorrências por dia.

NOSSAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES – Estima-se que 70% dos casos de estupro sejam contra crianças e adolescentes, praticadas por pai ou padrasto ou por conhecidos, parentes e amigos da família. Em 2012, foram registradas mais de 120 mil denúncias de maus-tratos contra crianças e adolescentes. Dados da Unicef mostram que há cerca de 250 mil crianças e adolescentes prostituídas perambulando pelas ruas do Brasil.

NOSSAS MINORIAS SEXUAIS – Pelo menos 312 gays, lésbicas e travestis foram assassinados no ano passado, média de um homicídio a cada 28 horas, conforme pesquisa do Grupo Gay da Bahia (GBB). A entidade estima que 99% dos crimes tiveram como motivação a homofobia. O local onde se realiza a mais importante parada gay do mundo, que chega a reunir mais de três milhões de participantes, a Avenida Paulista, em São Paulo, é o mesmo que concentra o maior número de ataques homofóbicos da cidade.

NOSSO TRÂNSITO – O país vai perder, em 2014, cerca de 48 mil vidas, vítimas de acidentes de trânsito, o que coloca o Brasil como o quarto mais violento do mundo também nesse quesito. São cerca de quatro mil mortes por mês, 132 por dia, seis por hora, uma a cada 10 minutos. E, segundo o Mapa da Violência, editado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais e o Centro Brasileiro de Estudos Latino-americanos, entre 2000 e 2010, a taxa de mortalidade no trânsito, entre jovens de 15 a 19 anos, cresceu 376%.

NOSSOS ÍNDIOS – O Brasil tem uma das taxas de suicídio mais baixas da América Latina, cinco ocorrências a cada 100 mil habitantes, mas, quando se isola a população indígena, esse número sobe significativamente. O número de suicídios entre os índios é 34 vezes superior à média nacional, e sobe ainda mais entre os jovens, alcançando inacreditáveis 446 casos por 100 mil habitantes.

NOSSOS AFRODESCENDENTES – Relatório das Desigualdades Raciais no Brasil mostra que, por ter menos acesso à previdência social, a expectativa de vida entre afrodescendentes é de 67 anos, contra a média nacional de 73,4 anos. A taxa de analfabetismo entre negros e pardos é mais que o dobro da apresentada entre os brancos. Nem metade dos pré-adolescentes deste grupo, entre 11 e 14 anos, estuda na série esperada, e 85% das crianças até três anos não freqüentam creches.

NOSSOS HOMENS PÚBLICOS – Segundo a Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp), o custo da corrupção no Brasil equivale a 1,4% e 2,3% do Produto Interno Bruto, ou seja, algo por volta de R$ 42 bilhões a R$ 69 bilhões. Estudo da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) revela que entre 1988 e 2007 nenhum agente público foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal e que neste mesmo período o Superior Tribunal de Justiça condenou apenas três autoridades.

NOSSA ECONOMIA – O Brasil é a sétima maior economia do mundo, movimentando 2,2 trilhões de dólares em produtos e serviços por ano.

NOSSA DISTRIBUIÇÃO DE RENDA – O Brasil tem a sexta pior distribuição de renda do mundo. Para cada dólar que os 10% mais pobres recebem, os 10% mais ricos ganham 68.

NOSSO ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO – O Brasil ocupa o 85º lugar do mundo – o IDH leva em consideração indicadores de renda, saúde e educação.

NOSSOS UNIVERSITÁRIOS – Pesquisa do Instituto Paulo Montenegro e da Ong Ação Educativa revela que 38% dos estudantes do ensino superior são analfabetos funcionais, ou seja, um em cada três universitários não domina habilidades básicas de leitura e escrita.

NOSSAS UNIVERSIDADES – Apesar de importantes ações afirmativas, como a criação de cotas raciais e sociais, mantém-se uma estranha distorção no ensino superior: os filhos de famílias ricas usufruem de boas universidades públicas (ou seja, estudam de graça), enquanto os filhos de famílias pobres cursam universidades privadas de qualidade duvidosa (ou seja, pagam para estudar, diretamente ou por meio de financiamento governamental). Segundo dados do Ministério da Educação, oito em cada dez universitários estão matriculados em instituições que cobram matrícula e mensalidade.

NOSSO SISTEMA DE SAÚDE – Embora todos tenham direito ao Sistema Único de Saúde, a má qualidade dos serviços oferecidos empurrou 48 milhões de pessoas para planos de saúde privados. Entre 2005 e 2012, segundo o Conselho Federal de Medicina, o número de leitos hospitalares credenciados pelo SUS diminuiu 10,5%. A presença de médicos na rede privada é quatro vezes maior que na rede pública. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam a existência de 17,6 médicos para cada 10 mil habitantes – metade do encontrado em países da Europa. Em alguns estados, como o Maranhão, esse número cai para sete médicos para cada 10 mil habitantes.

NOSSA MORTALIDADE INFANTIL – O Brasil diminuiu em 73% a taxa de mortalidade infantil (crianças que não chegam a atingir um ano de idade) nos últimos vinte anos. No entanto, o índice permanece alto, 16,7 por mil nascidas vivas, segundo a OMS, longe do ideal, que é de 10 mortes por mil nascimentos. O Brasil ocupa o 97º lugar no ranking mundial.

NOSSO SANEAMENTO BÁSICO – Apenas 46% do total das residências têm coleta de esgoto – e, destes, somente 38% dos dejetos recebem tratamento, conforme dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento do Ministério das Cidades. Estudo do Instituto Trata Brasil e do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável revela que 340 mil pessoas tiveram infecções gastrintestinais em 2013, registrando 2.235 mortes.

NOSSOS RIOS – Levantamento da Ong SOS Mata Atlântica, que avaliou 96 rios em sete estados, constatou que a qualidade da água em 49% deles é regular, 35% ruim e 9% péssima. Apenas 11% dos rios e mananciais mostraram boa qualidade. E nenhum dos locais analisados foi avaliado como ótimo.

NOSSAS FLORESTAS – De acordo com o IBGE, restam apenas 12% de mata nativa da Mata Atlântica, 46% da caatinga e do pampa, 51% do cerrado, 80% da Amazônia e 85% do Pantanal. Entre 2000 e 2005, o Brasil se tornou o maior desmatador do mundo, respondendo por 47% das perdas globais. Na Amazônia, entre agosto de 2012 e junho de 2013, as perdas acumuladas chegaram a 1.885 quilômetros quadrados, um aumento de 103% em relação ao período anterior. Existem 650 espécies em risco de extinção no país.

NOSSO SALÁRIO MÍNIMO – Com R$ 724 (cerca de 324 dólares) o trabalhador deve suprir suas necessidades básicas e de sua família: alimentação, moradia, educação, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social. É o que consta da nossa Constituição. Em 2012, conforme pesquisa do IBGE, 43% das famílias brasileiras apresentaram renda média mensal equivalente a menos de um salário mínimo.

NOSSA DISTRIBUIÇÃO DE RENDA – Segundo pesquisa do IBGE, 10% da população ganha, por mês, o equivalente à metade de toda a renda recebida pelos brasileiros. De um total de 190 milhões de habitantes, 760 mil pessoas, ou 0,4% da população, recebem acima de 20 salários mínimos por mês (R$ 14.480 ou 6,5 mil dólares). A lista de bilionários da revista Forbes deste ano inclui 65 brasileiros – eram 46 no ano passado.

NOSSA MOBILIDADE – No ar, a cidade de São Paulo concentra 411 helicópteros em operação, a maior frota do mundo – são 2.200 pousos e decolagens por dia. No chão, conforme dados do Denatram, são seis milhões de veículos, e a cada dia são incorporados novos 365 – com média de um carro para cada dois habitantes. Por conta do trânsito, em 2008, 63% dos paulistanos perdiam entre 30 minutos e três horas por dia para se deslocar entre a casa e o trabalho ou a escola.

NOSSOS IMÓVEIS – O índice FipeZap mostra que, desde janeiro de 2008, quando foi criado, o preço dos imóveis subiu 200% em São Paulo e 250% no Rio de Janeiro.

NOSSA ECONOMIA – O Brasil é a sétima maior economia do mundo, movimentando 2,2 trilhões de dólares em produtos e serviços por ano.*

(*) Luiz Ruffato, escritor, é mineiro de Cataguases, no El País.

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CAINDO A MÁSCARA

Protestos e morte de operário ofuscam

visita de Rousseff a estádio da Copa

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Série de manifestações por moradia e contra os gastos do Mundial e a morte de mais um operário nas obras em estádios, a nona no total, prejudica injeção de otimismo do governo em São Paulo

O que era para ser um dia de injeção de ânimo do Governo brasileiro na opinião pública acabou se tornando mais um balde de água fria na presidenta Dilma Rousseff, a pouco mais de um mês do início da Copa do Mundo e em plena corrida eleitoral. O otimismo que possivelmente seria vendido na visita da governante ao estádio de abertura do Mundial, em São Paulo, foi ofuscado nesta quinta-feira por mais uma morte de operários nas obras dos estádios do torneio –a nona até agora– e por protestos de movimentos sociais por moradia e contra os gastos da realização da competição, reforçando também o alerta em relação a possíveis manifestações durante a Copa nos moldes das que reuniram dezenas de milhares de pessoas em junho de 2013.

Logo pela manhã, antes do embarque da presidenta a São Paulo, centenas de integrantes de movimentos sociais invadiram as sedes de três grandes construtoras na cidade: a Odebrecht, a Andrade Gutierrez e a OAS, todas responsáveis por obras de infraestrutura para o Mundial. Muros e painéis na entrada dos edifícios foram pichados e a segurança foi reforçada nesses locais. As principais reclamações dos protestos eram a construção de moradias populares e os gastos excessivos com a Copa, em detrimento da aplicação de recursos em áreas de maior carência. Uma das portas da Odebrecht, por exemplo, trazia a pichação “Copa das Tropas e das Empreiteiras”. As manifestações foram organizadas pelos Movimentos dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e dos Sem Terra (MST).

Os atos que trouxeram caos à circulação de pessoas nas redondezas fizeram com que a equipe do governo federal encaixasse na agenda de Rousseff um encontro com cinco representantes dos movimentos. Em cerca de 20 minutos, a presidenta esclareceu aos ativistas que as reivindicações seriam encaminhadas a programas de habitação do governo federal e que o Ministério das Cidades assumiria a situação. “As reivindicações foram apresentadas de forma pacífica”, resumiu horas depois o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, também do Partido dos Trabalhadores (PT) e um dos interlocutores.

A menos de um quilômetro do próprio estádio de abertura do Mundial, no bairro de Itaquera, por exemplo, há uma comunidade composta por 300 famílias que esperam moradias populares e convivem com esgoto a céu aberto e problemas de falta de luz. As obras de melhoria viária no entorno da Arena Corinthians, conhecida popularmente como Itaquerão, acabam moldando um bolsão de riqueza no meio de uma das áreas mais pobres da cidade. O bairro fica na zona leste de São Paulo, uma região onde vive 37% da população da capital paulista e que é a segunda mais densa da cidade. A área tem cerca de 300 favelas e registra a menor renda familiar de São Paulo.

Dilma visitou posteriormente as obras do entorno do Itaquerão, como as de um anel viário –e que, segundo o prefeito de São Paulo, deverão estar liberadas na próxima semana ao tráfego de veículos– e o estádio pouco depois, mas optou por não falar com a imprensa. A presidenta entrou no gramado e cumprimentou operários vigiada por dezenas de jornalistas, brasileiros e estrangeiros, que se aglomeraram em uma das laterais do gramado. Haddad acrescentou ainda que, para a presidenta, as obras no Itaquera serão um dos grandes legados desse Mundial.

Morte em Cuiabá

A quinta-feira, no entanto, terminaria pior. Mais uma morte nas obras de estádios foi anunciada, elevando para nove o total de vítimas fatais desde que o país foi escolhido como sede do torneio, em 2007. Muhammad Ali Maciel Afonso, de 32 anos, foi eletrocutado enquanto trabalhava no setor leste da Arena Pantanal, em Cuiabá (Centro-Oeste). Ele prestava serviços na instalação de equipamentos de tecnologia, informação e comunicação do estádio – que receberá quatro jogos da primeira fase do Mundial–, segundo informou em nota oficial a Secretaria Extraordinária da Copa do Mato Grosso (Secopa-MT). Peritos da Polícia Técnica local investigam as causas do acidente.

Antes, já haviam perdido a vida nas arenas da Copa quatro operários em Manaus, três em São Paulo e um em Brasília. Com a morte de Cuiabá, nada menos que um terço dos 12 estádios que participarão do torneio passou a registrar vítimas fatais durante a sua construção. O alto número de mortes levanta ainda questões sobre a aceleração das obras à medida que a Copa se aproxima e nem todos eles estão 100% prontos.

O Brasil virou o ano passado, por exemplo, com seis arenas ainda não entregues. Ainda faltam ser totalmente concluídas, além da Arena Corinthians e a Arena Pantanal, a Arena na Baixada (no estado do Paraná, sul); e o Beira-Rio (Porto Alegre, sul). A Arena Corinthians é o caso mais emergencial: sediará o jogo de abertura do Mundial entre Brasil x Croácia, em 12 de junho. A Arena da Baixada, por sua vez, deverá receber a visita de Rousseff nesta sexta-feira.

O acidente em Cuiabá também ajuda a esfriar o ânimo pela realização da Copa um dia após a convocação do técnico Luiz Felipe Scolari dos 23 jogadores que representarão o país no torneio. Algo que, no Itaquerão na tarde desta quinta, praticamente só pôde ser sentido na passagem de um carro com bandeiras e buzinando na saída dos jornalistas.*

(*) El País

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BRASIL PANDEIRO…

Brasil F.C.

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Meu amigo Spike é um rapper afro-americano louco por futebol, mas não sabe nada da história política recente do Brasil. Como vem pra Copa, me pediu um resumo. Som na caixa!

Depois de um início promissor em 2010, com apoio maciço da torcida, o atual campeão passa por má fase, com chutões para frente, muitas faltas e passes errados; começa a perder terreno e a ser envolvido por manobras adversárias pelas extremas e, principalmente, pelo centro. Parte da torcida começa a vaiar. Parte pede a volta do técnico anterior.

Esse estilo de jogar para a torcida, mas evitando tomar gol, começou com o time bicampeão do técnico Lula, capitaneado pelo impetuoso e catimbeiro Zé Dirceu, que tinha o seu ponto forte no meio de campo, com o craque Meirelles como volante protegendo a defesa, e o fino armador Palocci tocando a bola e distribuindo o jogo pela esquerda e pela direita.

O jogo virou quando Dirceu foi expulso, por trocar socos e pontapés com o volante Jefferson (do seu próprio time!) e por ofensas ao árbitro, e Lula improvisou a cabeça de área Rousseff para capitã do time. Cintura dura, ela não tinha a habilidade de Dirceu, mas era disciplinada, chegava junto e corria o campo todo. Com o time sob pressão, era preciso fechar a defesa diante de uma virada iminente, e Lula seguiu a máxima de Neném Prancha: “Arrecua os arfe pra evitar a catastre.”

Jogando com todo o time atrás da linha da bola, os adversários não conseguiam entrar na área e nem chutar em gol e começaram a cansar e a bater cabeça. O time de Lula cresceu e passou a fazer rápidos contra-ataques e a envolver o adversário bisonho, que tomava bola nas costas, errava nos passes e na tática de jogo, e, depois de perder várias oportunidades com o gol vazio, acabou tomando uma virada surpreendente.

Com vantagem no placar, Lula cozinhou o jogo e, aproveitando a fraqueza do adversário, teve uma vitória folgada, com a capitã Rousseff fazendo os dois gols, um de canela e outro de barriga, e se tornando a nova técnica do time campeão.

Mas isso foi no campeonato passado. Agora é outro jogo. E a política, you know, is a small box of surprises.*

(*) Nelson Motta, O Globo.

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E LÁ NO SPA DO LULUPETISMO…

Filha de Dirceu fura a fila para visitar o pai na prisão

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Furando a fila dos parentes de detentos, um dos chefes de inteligência do sistema penitenciário do Distrito Federal, governado pelo petista Agnelo Queiroz, levou em um carro com placas frias a filha do ex-ministro José Dirceu para visitar o pai na penitenciária da Papuda.

A Folha acompanhou e fotografou a carona da filha de Dirceu, Joana Saragoça, anteontem, em um carro utilizado em operações sigilosas de Estado e conduzido pelo servidor da Sesipe (subsecretaria do sistema prisional) Wilton Borges.

Com a carona, Joana não enfrentou a longa fila de familiares de presos, de carro ou a pé, que começa a ser formada no final da tarde do dia anterior na entrada do presídio. Ela chegou às 8h55 e passou direto pela entrada de funcionários.

O objetivo dos familiares, ao chegar com antecedência, é passar o mais rapidamente possível pela série de procedimentos de segurança da Papuda, que pode durar até duas horas. São cerca de 2.000 pessoas em dia de visita, que dura de 9h às 16h

A Folha recebeu a informação de que visitas do gênero estavam ocorrendo há pouco mais de um mês. A reportagem apurou que ao menos uma visita ocorreu também numa quarta-feira e gerou mal-estar entre servidores da Papuda, que a apelidaram de “atendimento a domicílio” para familiares de Dirceu.

Em um primeiro momento, o governo do DF afirmou que não sabia da carona que facilitou o acesso da filha de Dirceu ao presídio.

GREVE DE FOME

Depois, divulgou nota segundo a qual a carona aconteceu porque Joana ajudava em uma investigação interna sobre a possibilidade de Dirceu fazer uma greve de fome em protesto por ainda não ter sido autorizado a trabalhar fora do presídio.

Na quinta-feira passada, reportagem da Folha já afirmava que, apesar de ter cogitado a medida, Dirceu já a havia descartado.

Segundo o governo, como notícias da greve de fome estavam “tendo repercussão no presídio”, Joana foi “convidada a colaborar” com a apuração, mas estava “se sentindo insegura” de ir sozinha ao presídio da Papuda, o que motivou a carona.

Por fim, a Sesipe concluiu que Dirceu não está fazendo greve de fome. O governo do DF não explicou qual seria o exato risco para o sistema penitenciário que uma hipotética abstinência alimentar de Dirceu provocaria. A Vara de Execuções Penais do DF, que usualmente seria comunicada de uma investigação do gênero, disse não ter “informação sobre esse fato”.

TRATAMENTO

O governo não respondeu se Borges já transportou parentes de outros presos da mesma forma à Papuda. Joana afirmou à Folha que “não conversa com jornalistas”.

A assessoria de Dirceu informou que “cabe à Secretaria de Segurança do DF se posicionar sobre as visitas”. Seu advogado, José Luis de Oliveira Lima, afirmou que só cuida de questões jurídicas.

Desde que foi preso após ser condenado a 7 anos e 11 meses ao regime semiaberto no processo do mensalão por corrupção ativa, Dirceu foi acusado, com outros presos do caso, de obter privilégios na Papuda, como comida diferenciada e até o uso de celular. Esta última acusação contra Dirceu teve investigação arquivada pelo presídio.

Em parecer encaminhado ao STF, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que “há indicativos bastante claros” de que os presos do mensalão recebem tratamento diferenciado. *

(*) MATHEUS LEITÃO – SÉRGIO LIMA – FOLHA DE SÃO PAULO

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FAZENDO ÁGUA

Aécio sobe, e chance de Dilma ser reeleita no 1º turno diminui

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Diminuiu a chance de a presidente Dilma Rousseff vencer no primeiro turno a eleição de 5 de outubro. Uma das principais razões foi o crescimento das intenções de voto do pré-candidato do PSDB, o senador Aécio Neves (MG).

Segundo o Datafolha, no cenário mais provável a petista teria hoje 37% das intenções de voto e os outros candidatos estariam com 38%, somados. É uma situação de empate técnico, pois a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

O levantamento do Datafolha foi feito ontem e anteontem com 2.844 entrevistas, em 174 municípios do país.

Apesar de ter variado na margem de erro, a curva de Dilma não é estável. Ela tem recuado gradualmente nos levantamentos do Datafolha –enquanto seus dois principais rivais estão em ascensão.

No cenário hoje mais provável para a disputa de outubro, liderado por Dilma com 37%, o segundo colocado é Aécio, com 20%. Ele tinha 16% no início de abril. O tucano ganhou quatro pontos e apresentou a maior variação entre todos os candidatos.

O terceiro colocado é Eduardo Campos (PSB), que registrou 11% agora e também apresenta curva ascendente, sempre dentro da margem de erro –tinha 10% em abril e 9% em fevereiro. O pessebista é conhecido muito bem ou um pouco por 25% dos eleitores. Essa taxa é de 86% para Dilma e de 42% para Aécio.

Segundo o Datafolha, 16% dos entrevistados dizem que votariam hoje em branco, nulo ou em nenhum dos candidatos. Outros 8% declaram que ainda estão indecisos.

Dilma e o PT fizeram um esforço nos últimos dias para estancar sua perda de popularidade e frear o movimento pela volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como candidato a presidente.

Segundo o Datafolha, 58% dos eleitores acham que Lula deveria ser o candidato do PT. Entre os que declaram preferência pelo partido, 75% dizem preferir Lula como candidato nas eleições deste ano.

Embora a variação de suas intenções de voto tenha sido negativa, Dilma ficou dentro da margem de erro da pesquisa. A aprovação ao governo (soma de quem acha o governo “ótimo” ou “bom”) hoje é de 35%. Há um mês, era 36%.

Um aspecto positivo para a presidente é que as expectativas econômicas dos eleitores pararam de deteriorar.

Mas continuou a crescer o anseio do eleitorado por mudanças. Hoje, 74% dos eleitores dizem querer mudanças na forma como o país é governado. Para 38%, Lula é o mais preparado para fazer essas mudanças. Dilma foi citada por 15%. Ela tinha 16% há um mês e 19% em fevereiro.

Aécio e Campos melhoraram seu desempenho de fevereiro para cá. Há cerca de dois meses, o tucano era apontado como o mais preparado para fazer mudanças por 10% dos eleitores. Agora, 19% pensam assim. Campos era apontado por 5% e agora tem a simpatia de 10%.

O bloco dos nanicos é liderado por um ex-apoiador do PT e de Dilma, o candidato Pastor Everaldo (PSC), que tem 3% das intenções de voto e está empatado tecnicamente com os outros nanicos.

Eduardo Jorge (PV), José Maria (PSTU), Denise Abreu (PEN) e Randolfe Rodrigues (PSOL) registraram 1% cada um. Eymael (PSDC), Levy Fidelix (PRTB) e Mauro Iasi (PCB) tiveram menos de 1%. *

(*) FERNANDO RODRIGUES – FOLHA DE SÃO PAULO

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TERÇA-FEIRA, 6 DE MAIO DE 2014

Mercadante em Itaipu

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Dilma Rousseff nomeou Aloizio Mercadante para o Conselho de Administração de Itaipu. Os integrantes do colegiado recebem jetons de aproximadamente 20 000 reais por mês.

As reuniões ordinárias ocorrem uma vez a cada sessenta dias, além dos encontros extraordinários, que podem ser convocados a qualquer momento. A nomeação de Mercadante vale até maio de 2016.

(*) Blog do Lauro Jardim

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NA MOSCA

“Dilma é o Eike da política”

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Do sociólogo Antonio Lavareda fazendo uma comparação inusitada:

– Dilma ameaça se tornar um Eike Batista da política: apareceu de modo fulminante, teve o seu ápice rapidamente e fracassou mais rápido ainda. Só tem paralelo mesmo com o Eike.

(*) Blog do  Lauro Jardim

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É muita incomPTência

ADEUS, AMOR

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Foi bom enquanto durou. Agora, a Petrobras está se livrando de 8.300 funcionários, graças ao Plano de Demissão Voluntária que implantou. São 12,4% dos empregados, parte de uma equipe de grande competência, que ajudou a transformar a Petrobras numa das maiores empresas do mundo. O objetivo do PDV é “adequar o efetivo da companhia aos desafios do Plano de Negócios e Gestão 2014-2018”. Em nota, a Petrobras diz que as dispensas ocorrerão por etapas, de modo a garantir “a necessária retenção do conhecimento, indispensável ao crescimento e à continuidade operacional, segura e sustentável, da companhia”. Com o PDV, a Petrobras espera reduzir suas despesas em R$ 18 bilhões até 2018.*

 

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet.

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SALVE-SE QUEM PUDER…

NEGÓCIO NA ÁFRICA DE BANQUEIRO AMIGO VAI À CPI

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Será alvo da CPI a venda amiga dos poços de petróleo da Petrobras na África para o BTG, banco de André Esteves, quando ainda era “amigo de infância” do ex-presidente Lula e de Antônio Palocci, em 2012. A oposição quer saber como ativos na Nigéria, Tanzânia, Angola, Benin, Gabão e Namíbia, avaliados em US$ 7 bilhões por Jorge Zelada, ex-diretor da área internacional, foram dados ao BTG por US$ 1,5 bilhão.

PREÇOS ALTERADOS

O valor dos ativos da Petrobras na África foram reestimados depois da posse de Graça Foster na presidência da estatal, em 2012.

PECHINCHA AMIGA

Avaliados em US$ 7 bilhões, os poços africanos caíram para US$ 4,5 bi, US$ 3,16 bi, até o BTG levar o negócio pela bagatela de US$1,5 bi.

IMPRESSIONANTE

Com a CPI, a oposição quer entender como em menos de 1 ano o BTG obteve retorno de US$ 150 milhões na África, a título de dividendos.*

 

A PROPÓSITO

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REVELAÇÕES DE EX-DIRETOR PODEM ‘INCENDIAR’ O PAÍS

Pessoas ligadas ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso na Operação Lava Jato, garantem: ele não repetirá Marcos Valério, que aguentou firme, não entregou ninguém, preservou o ex-presidente Lula e foi condenado a 37 anos de prisão. Costa pode “incendiar” o País, recorrendo a delação premiada, e contar tudo sobre negociatas, não só na Petrobras, e o envolvimento de autoridades federais e estaduais.

PRIMEIRO A FAMÍLIA

A delação premiada de Paulo Roberto Costa poderá reduzir sua pena e livrar familiares, que correm risco de cadeia por obstruírem a Justiça.

SOB PROTEÇÃO

São tão graves as esperadas revelações do ex-diretor que sua defesa poderá solicitar sua inclusão no Programa de Proteção a Testemunhas.

SEGURANÇA MÁXIMA

Paulo Roberto Costa foi levado de volta à carceragem da PF para sua segurança. No presídio comum, poderia ser alvo de queima de arquivo.

SILÊNCIO DE OURO

Fornecedores ou parceiros de grande e médio portes da Petrobras, estão insones, rezando para que Paulo Roberto Costa fique calado.*

(*) Diário do Poder

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OBSERVAÇÃO

REBOBINANDO

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Em evento na cidade de Timon, no Maranhão, no final do mês passado, o ex-governador de Pernambuco e pré-candidato do PSB à presidência, Eduardo Campos, afirmou que o senador José Sarney (PMDB) ficará no campo da oposição em seu eventual governo. Ele publicou a declaração realizada no evento em sua conta no microblog Twitter: “O senador Sarney terá meu respeito, mas no meu governo ele será oposição durante os quatro anos”.

A PROPÓSITO

Desde a redemocratização, o apoio político da família Sarney e sua participação no governo só foi rejeitada numa gestão, a de Fernando Collor.*

(*) Blog do Ilimar Franco.

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