ME ENGANA QUE EU GOSTO…

Brasil, porta de entrada

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BRASÍLIA – Enquanto torcedores sul-americanos pediam socorro para conseguir retornar às suas casas depois da Copa, os presidentes de seus países desembarcaram em Brasília já de olho no Novo Banco de Desenvolvimento dos Brics.

O Brasil é a porta de entrada da região para essa promessa de paraíso e vieram praticamente todos, como Maduro (Venezuela), Evo (Bolívia) e Kirchner (Argentina), interessados no potencial de empréstimos do novo banco e do novo fundo dos Brics.

A motivação óbvia do banco e do fundo dos Brics, além de conferir algum grau de institucionalização ao grupo, é fugir do Banco Mundial e do FMI, organismos não apenas atrelados aos Estados Unidos, principalmente, e à União Europeia, acessoriamente, mas na prática comandados pelas duas potências.

O Brasil e a presidente Dilma Rousseff, portanto, surfam bem na onda da Copa, demonstram um esforço de socialização dos Brics e confirmam uma boa capacidade convocatória dos países da região. Evidentemente, lucram politicamente com isso. De quebra, a imagem de estadista explorada em todos os dias desta semana certamente será de boa valia na campanha de Dilma à reeleição.

Na última segunda (14), Putin (Rússia). Na terça (15), Cúpula dos Brics. Na quarta (16), Brics e presidentes da América do Sul. Nesta quinta (17), Xi Jinping (China). Nesta sexta (18), Durão Barroso (Comissão Europeia). Sem falar em América Central e Caribe no meio do caminho.

Algumas ressalvas, porém: o novo banco está apenas começando e vai levar uns bons anos até jorrar empréstimos, os Brics não são um grupo propriamente homogêneo e o Brasil nem chega perto de ser líder. Os Brics são países imensos, populosos e emergentes, mas giram em torno de um único eixo: a China.

Tal como os Brics alavancam a posição do Brasil na América do Sul, também constroem, tijolo a tijolo, a hegemonia da China no mundo.

E seja o que Deus quiser.*

(*)  ELIANE CANTANHÊDE – FOLHA DE SÃO PAULO

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PAÍS DA PIADA PRONTA

O BRASIL DOS BRASIS

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O sucesso da ‘Copa das Copas’ subiu à cabeça da presidente Dilma, que deu agora para chamar a VI Conferência de Cúpula do Brics, em Fortaleza, de ‘Cúpula das Cúpulas’. Periga tal gênero de expressão superlativa virar marca registrada do discurso da candidata na, como ela diz, ‘Eleição das Eleições’ de outubro.

Não sei se o presidente da Rússia entendeu, mas quando a Dilma o saudou como “o Putin dos Putins” fez-lhe um baita elogio. Sempre que ela define determinada coisa como a ‘Coisa das Coisas’ – ainda que não seja lá essa Coca-Cola toda –, está tentando pensar grande. Já combinou com o ministro Mantega de, ao primeiro sinal de reação do Produto Interno Bruto, anunciar à imprensa o ‘PIB dos PIBs’.

A oposição, que não é boba nem nada, já fala em convocar a ‘Manifestação das Manifestações’ para forçar o Congresso a instaurar a “CPI das CPIs”. Pobre do eleitor que precisa se decidir entre esses dois Brasis, né não?!*

(*) Tutty Vasquez, Estadão

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LEGADO DA COPA

País tem menor geração de empregos formais para junho em 16 anos

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Saldo líquido de emprego com carteira assinada foi de 25.363 vagas, queda de 83,9% ante o mesmo período de 2013

A geração de vagas formais teve forte desaceleração em junho. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, o saldo líquido (contratações menos demissões) de emprego com carteira assinada no País foi de 25.363. O resultado é o menor para o mês desde 1998 e representou uma queda de 83,9% ante junho de 2013, na série com ajuste.

O dado de junho do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) ficou abaixo do piso das previsões do mercado financeiro, que variavam de 40 mil a 110 mil vagas criadas, segundo o AE Projeções.

No acumulado do ano até junho, houve criação líquida de 588.671 vagas. Já em todo o governo Dilma Rousseff, com os dados de junho, foram geradas 5.106.855 vagas líquidas.*

(*) Estadão

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DIVINAS TETAS…

Mulher de Franklin recebeu

R$ 1,2 mi da União em 2013

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A mulher do jornalista Franklin Martins, ex-ministro da Comunicação de Lula e um dos coordenadores da campanha à reeleição de Dilma, viu multiplicar os repasses de órgãos do governo federal entre 2004 e 2014 para a empresa dela.

A Cine Group, que tem Mônica Monteiro como sócia majoritária, ganhou R$ 34,2 mil em 2004 –ano em que foi registrada na Junta Comercial do DF. Em 2013, ganhou R$ 1,2 milhão.

Em dez anos, a empresa levou um total de R$ 6 milhões por serviços prestados com e sem licitação para órgãos como a Presidência e os ministérios do Turismo, Saúde e Cidades.

A empresa, por exemplo, foi subcontratada para participar de ao menos cinco pronunciamentos em cadeia nacional de rádio e TV de Dilma entre 2011 e 2013.

O maior contrato da Cine Group, no valor de R$ 2,3 milhões, foi firmado com a EBC (Empresa Brasil de Comunicação) para produzir a segunda temporada da série “Nova África”.

Como ministro de Lula, Franklin foi um dos responsáveis pela criação da EBC. Ele diz diz que teve influência “zero” nos contratos da Cine Group com o governo.

A Cine Group afirma que o relacionamento entre Mônica e Franklin não teve “nenhum peso” nos contratos. E que seus principais clientes são canais de televisão privados e estrangeiros. *

(*) FERNANDA ODILLA – FOLHA DE SÃO PAULO

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PAÍS DA FANTASIA

O palavrório sobre o naufrágio da Seleção e a goleada por 7 a 1 sofrida pela economia atesta que a presidente padrão Felipão e o técnico padrão Dilma vivem no mundo de Lula

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Na mesma semana do naufrágio na Copa do Mundo, a política econômica amargou uma goleada tão vergonhosa quanto à imposta pela Alemanha ao futebol brasileiro: a inflação anual vai chegando a 7% e o crescimento do PIB previsto para 2014 caiu para 1%. Outro desmoralizante sete a um. A reprise do placar do Mineirão — apesar da maquiagem da contabilidade oficial e do congelamento eleitoreiro de tarifas — chancelou a comparação recitada por Dilma Rousseff em 1° de julho de 2013: “Meu governo é padrão Felipão”.

Tal padrão também orientou a forma e o conteúdo das entrevistas em que a presidente da República e o ainda treinador da Seleção tentaram provar que o desastre foi menos feio do que parece. Empenhados em manter o emprego, incapazes de montar um esquema tático eficaz, ambos recorreram a vigorosos pontapés na verdade . “O trabalho não foi de todo ruim, foi só uma derrota ruim”, delirou Felipão na entrevista coletiva em que o vexame inesquecível foi um mero acidente de percurso.

Em vez de pedir desculpas pelo fiasco, o chefe da família Scolari ironizou potências futebolísticas eliminadas antes do Brasil, esgotou o estoque de grosserias e louvou -se por ter ido tão longe na Copa. “Conseguimos chegar à semifinal com toda essa incapacidade, os capazes foram embora”, disse mais de uma vez. No sábado, depois de perder o terceiro lugar para a Holanda, tornou a cumprimentar-se pelo malogro derradeiro: “Nós, no final da competição, não fomos bem, mas conseguimos uma classificação entre os quatro melhores”.

Dilma obedeceu ao padrão Felipão na entrevista a Renata Lo Prete, exibida na sexta-feira pela Globonews. A jornalista perguntou-lhe, por exemplo, se  não considera preocupantes a inflação em alta e o PIB em baixa. A presidente driblou o tema com um palavrório tão surreal quanto o do professor de futebol. Começou por garantir que “a taxa de juros nunca esteve tão baixa”. Em seguida, jurou que “em torno de 75% da nossa população está entre as classes C, B e A”.

Como Felipão, repetiu que o que não falta é gringo com inveja do colosso tropical. Nos Estados Unidos, descobriu, o crescimento é menor do que no Brasil. “Não precisamos demitir milhões e milhões de pessoas, como ocorreu em outros países”, foi em frente. Como Felipão, ensinou que o importante é manter o otimismo: “O que eu acho mais grave no pessimismo é ele diminuir a capacidade das pessoas de entender a realidade, e superar os desafios, resolver os problemas encaminhando soluções”.

O que parece conversa de quem vive no mundo da Lua é vigarice de quem vive no mundo de Lula. Sempre que se mete em enrascadas de bom tamanho, o chefe-supremo persegue a sobrevivência política percorrendo o caminho da mentira. Acuados por vaias, desprovidos de álibis convincentes, sitiados por fatos, Felipão e Dilma se homiziaram em universos paralelos para livrar-se do merecidíssimo despejo.O professor de futebol não escapou da demissão. A supergerente de araque ainda sonha com um segundo mandato.

Os brasileiros mostraram durante a Copa que sabem receber forasteiros. Precisam agora mostrar que aprenderam a livrar-se de embusteiros. É hora de transformar vaia em voto.*

(*) Blog do Augusto Nunes

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MANDA QUEM PODE…

Dilma desvincula site de

ex-ministro da campanha

Irritada com a publicação do post que atacava a CBF após a vexatória eliminação do Brasil na Copa do Mundo, a presidente Dilma Rousseff pediu que o site Muda Mais fosse “desvinculado” como um dos sites do comitê de sua campanha à reeleição.

A determinação que atinge o site, comandado pelo ex-ministro de Lula Franklin Martins, foi transmitida semana passada a coordenadores da campanha. A informação foi confirmada por seis pessoas diretamente ligadas ao comitê e ao Planalto.

Segundo a Folha apurou, o Planalto quer evitar que o “tom de enfrentamento” do Muda Mais, uma das marcas do site, possa gerar ações na Justiça Eleitoral contra sua candidatura.

Inicialmente, a equipe de Dilma registrou dois sites para a campanha de reeleição. O dilma.com.br, sob responsabilidade do marqueteiro João Santana, classificado como site da candidata. E o dilmamudamais.com.br, listado no pedido de registro ao TSE como ”um dos sítios a ser utilizado durante o período da campanha eleitoral” da presidente petista.

O Muda Mais publicou semana passada um texto que apontava a CBF como responsável pela desorganização do futebol no país e criticava duramente o presidente da confederação, José Maria Marin.

O post incomodou assessores petistas, que pediram sua retirada por considerá-lo “muito agressivo”. O ex-ministro se recusou a excluir o texto, o que gerou mal-estar na campanha dilmista.

Para atender o pedido, a saída encontrada pela cúpula da campanha foi desvincular o Muda Mais do comitê de reeleição presidencial e transferi-lo de volta para a conta de campanha do PT.

Oficialmente, o presidente do PT, Rui Falcão, nega ter recebido qualquer ordem da presidente. “Houve um equívoco no registro. O site oficial é dilma.com.br. Tomamos a decisão de fazer a correção assim que soubemos da informação errada de incluir o Muda Mais como um site do comitê da presidente.”

Segundo Falcão, coordenador do comitê, inicialmente avaliou-se que seria necessário mudar o registro no TSE. “Depois encontramos outra solução, mais simples, no âmbito do próprio PT. O dilma.com.br é o site oficial, vinculado ao comitê de campanha da presidente Dilma. E o Muda Mais fica mantido como um site vinculado à conta de campanha do PT”, afirmou.

Segundo Falcão, com a solução, quem entra no dilmamudamais.com.br é direcionado para o dilma.com.br. Já o outro site, de apoio à campanha de Dilma, ficará com o endereço mudamais.com.

A equipe permanecerá a mesma, sob o comando do ex-ministro. “Não será feita nenhuma mudança. O Muda Mais não é o site oficial, ele dá apoio à candidatura Dilma Rousseff. Sem mudança no seu comando nem controle sobre seu conteúdo. Fica tudo como está”, diz Falcão.

Para coordenadores, Martins perdeu força na campanha e enfrenta críticas de coordenadores do comitê pelo estilo considerado combativo. Ele defende uma estratégia de ”enfrentamento” durante a disputa eleitoral. A presidente, demais ministros e o marqueteiro João Santana discordam da linha.

Martins e Dilma conversaram no final de semana. Integrantes do comitê dizem que não há divergência entre os dois. A Secretaria de Comunicação do Planalto informou que não se pronuncia sobre temas de campanha.*

(*)  ANDRÉIA SADI  E  VALDO CRUZ  FOLHA DE SÃO PAULO

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E NO PAÍS DOS MARKETEIROS…

“O fim de Tóis”00000000000000000000000000000000000000
Ninguém sabia onde queria chegar aquela confraria de homens adolescentes, sempre caminhando em fila indiana, as mãos nas costas do guerreiro que seguia na frente.O mundo adulto ria, mas eles vinham de uma civilização na floresta onde o importante era ser fofo. Foi assim que se conheceram no pátio…
 
Artigo publicado originalmente em O GLOBO, edição de 14 de julho de
2014

Os guerreiros de Tóis julgavam-se predestinados pelo sangue dos antepassados

É pau, é pedra, é o fim do caminho da Civilização Tóis, aquela que os guerreiros do condado de Comary inventaram para dominar o planeta futebol e para todo o sempre ser invencível. Ela exigia de seus súditos o cumprimento em que a mão direita fazia o poste enquanto o antebraço esquerdo servia de travessão, formando o T da palavra mágica. “Pelos poderes de Tóis”, gritavam no meio das rodinhas antes das batalhas — e se julgavam mais motivados.

Ninguém sabia onde queria chegar aquela confraria de homens adolescentes, sempre caminhando em fila indiana, as mãos nas costas do guerreiro que seguia na frente. O mundo adulto ria, mas eles vinham de uma civilização na floresta onde o importante era ser fofo. Foi assim que se conheceram no pátio escolar, meninos com alegria nas pernas, e assim caminhariam, uma chuteira de cada cor, a barra da cueca à mostra. Diziam-se uma família.

Os guerreiros de Tóis julgavam-se predestinados pelo sangue vitorioso de seus antepassados e com poderes suficientes para viver isolados na nova civilização de orgulho que fundaram. João Gilberto sussurrou e criou a bossa nova. D. Pedro inventou um país com o “Independência ou morte”. Agora, os canarinhos tropicais fundaram Tóis, abaixo da fortaleza do Dedo de Deus. A rocha energizava seus pés, eles acreditavam, ajoelhados contritos no meio do campo.

Durante um mês, estes 23 soldados furaram o nevoeiro da serra onde se aquartelavam e, como se fossem entidades divinas surgindo em meio às brumas de Avalon, desciam à várzea para enfrentar os fariseus que ousavam desafiá-los, eles, os autoproclamados reis eternos do futebol mundial. Sentiam-se semideuses, falavam da magia do bigode grosso e da união do grupo. Eram os valores do mundo Tóis. Zero de conversa sobre futebol, pois já de tudo sabiam.

Os guerreiros de Tóis eram os mais tatuados das guerras, todos rabiscados com a miríade de possibilidades inventadas para se imprimir qualquer maluquice na pele de um ser humano. Julgavam que isso seria tática terrível para assustar outras tribos. Pintavam-se de caveiras, dragões, morcegos e hieróglifos. Um desses guerreiros, além da cabeleira em volutas como a Hidra de Lerna, escreveu no braço “Não sou dono do mundo, mas sou filho do dono” — e supunha agora carregar ali a arma mortal de um para-choque de FNM. Morreria mais adiante, atropelado por um jogador alemão.

 

…”Os guerreiros de Tóis chegaram a levar para o campo de batalha a túnica de um soldado ausente, ferido num combate anterior, numa tentativa mediúnica de incorporar as forças dele aos sobreviventes. Achavam possível utilizar a túnica de pano como arma de guerra. Vertiam lágrimas sob qualquer pretexto. Chorava mãe, chorava pai, chorava todo mundo. O mais velho conversava com uma imagem de Nossa Senhora de Caravaggio. Definitivamente, o ar rarefeito da montanha onde viviam isolados começava a lhes fazer mal. Gol, só de canela. A qualquer contato com o próximo, caíam ao chão, contorcendo-se em dores invisíveis ao mais detalhista dos raios x”…
Antes das pugnas, os meninos de Tóis faziam questão de cantar inteiro o hino de seu condado, num impressionante festival de cenhos franzidos, gargantas arreganhadas e outros exageros da espécie. Seus antepassados, vencedores em cinco torneios, nunca souberam uma frase do tal hino, complicadíssimo. A encenação do canto a capela não tinha nada a ver com o jogo, não marcava gols e deixava os guerreiros emocionalmente exauridos. De onde estavam, no entanto, podiam ouvir o locutor dizer: “Estamos todos arrepiados”. Achavam por isso que estavam com a mão na taça.

Os guerreiros de Tóis chegaram a levar para o campo de batalha a túnica de um soldado ausente, ferido num combate anterior, numa tentativa mediúnica de incorporar as forças dele aos sobreviventes. Achavam possível utilizar a túnica de pano como arma de guerra. Vertiam lágrimas sob qualquer pretexto. Chorava mãe, chorava pai, chorava todo mundo. O mais velho conversava com uma imagem de Nossa Senhora de Caravaggio.

Definitivamente, o ar rarefeito da montanha onde viviam isolados começava a lhes fazer mal. Gol, só de canela. A qualquer contato com o próximo, caíam ao chão, contorcendo-se em dores invisíveis ao mais detalhista dos raios x.

As ordens com que administravam os combates vinham de um velho pajé, gordo de tanto anunciar lasanha na TV. Sua tática era sempre a mesma: “Atacar com motivação, defender com autoajuda”. Ele agora tinha como truque principal a capacidade de se transformar em sósias e espalhar a confusão. Ninguém sabia afirmar com certeza quem era quem, mas diante de algum comentário mais lúcido costumava-se creditar as palavras ao sósia. Na Civilização Tóis todo mundo achou a multiplicação do técnico como uma versão moderna da multiplicação dos pães, o sinal metafísico de que a guerra, ao findar do sétimo passo, estaria ganha.

Os guerreiros de Tóis se achavam acima do bem, do mal e também por cima da carne-seca, o alimento da infância que agora havia sido trocado pelas marmitas mandadas trazer da Espanha, do novo restaurante do chef Ferran Adrià. Alguns pintavam o cabelo todo dia, mas nunca acertavam o corte. A guerra do futebol passou a ser apenas um detalhe, algo transmitido no telão onde avaliavam como lhes ia a beleza.

Não treinavam. Tinham a força, a espada de Grayskull, o grito de Shazan, o apito do japonês, o licor de jurubeba e o pó de pirlimpimpim. Na hora agá, resolveriam. Tóis era a reunião de todos os poderes mais aqueles que os marmanjos adolescentes tinham visto nos videogames da caserna na serra — e, dedicados a se curtirem e se compartilharem nas redes sociais, nem perceberam o bicho vindo pelo meio de campo desocupado. Foram sete dentadas na vaidade, na preguiça, na ignorância e nos pescoços onde estava tatuado “Tudo passa”.

Nada passa, tudo fica — e fez-se o apagão eterno em Comary.

Nunca mais Tóis.

Joaquim Ferreira dos Santos– É Escritor, jornalista e colunista de O GLOBO, onde escreve às segundas-feiras

 

A PROPÓSITO

Tudo claro

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Já sabemos por que a Seleção brasileira sofreu contra a Alemanha o apagão citado por Luiz Felipe Scolari, e levou de sete. A explicação é dada por Rui Costa Pimenta, candidato do PCO, Partido da Causa Operária, à Presidência da República (www.pco.org.br): “A derrota esmagadora da seleção brasileira aconteceu muito antes deste fatídico 8 de julho no Mineirão. Foi preparada pela direita nacional organizada pelo imperialismo, pelos monopólios capitalistas do esporte, pela imprensa ‘nacional’ (vendida para o capital estrangeiro) e, inclusive pela esquerda pequeno-burguesa que trabalha a serviço da direita como o PSOL, o PSTU e outros grupos menores do mesmo quilate. Acuaram os brasileiros para não torcer pelo Brasil, buscaram de todos os meios desestabilizar o time brasileiro. A seleção foi derrotada pela política, mais precisamente pela pressão política”.

Completando

Hulk jogou um bolão, Fred atormentou as defesas adversárias, Fernandinho mostrou que é craque. Se não fossem a imprensa e o imperialismo, seria “tóis”! (Coluna Carlos Brickmann, na Internet)

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BANANA REPUBLIC

Se Dilma for reeleita, ela quer ter um PT diferente do atual — e chamará para isso (quem diria!!!) os irmãos Ciro e Cid Gomes, hoje no PROS

(Ilustração: Rob)

(Ilustração: Rob)

O PT DE DILMA

Nota publicada na seção “Holofote” de edição impressa de VEJA

Dilma Rousseff tem planos de ter um PT para chamar de seu.

O grupo mais próximo da presidente se diz cansado de ficar sempre a reboque dos políticos que comandam o partido há pelo menos duas décadas e planeja ganhar espaço.

Uma das estratégias é apostar em figuras novas que possam defender os interesses de Dilma.

Fazem parte desse plano os irmãos Ciro e Cid Gomes. Eles estão filiados ao novato PROS, mas podem desembarcar no PT a partir de janeiro de 2015 — claro, se Dilma se reeleger.

A parceria não é nova.

No Ceará, em vez de lançar nomes do PROS para o governo do Estado, os irmãos Gomes optaram pelo deputado estadual Camilo Santana, do PT.

A operação vitimou a candidatura do deputado José Guimarães – dono de cerca de 80% do diretório petista cearense — ao Senado.

Ciro e Cid vão brigar pela presidente no PT.

Observação do blog:

Se este cenário se consolidar, Ciro Gomes, 56 anos, atingirá níveis elevados de troca-troca partidário. Foi filiado ao PDS, o partido que sucedeu a Arena do regime militar, depois a PMDB, PSDB, PPS, PSD e PROS.

Indo para o PT, pois, estará no sétimo partido desde que começou a carreira de político eleito, em 1979, como deputado estadual. O irmão Cid, seis anos mais novo, percorreu a mesma trajetória pula-pula, excetuado o PDS.

Para quem, como Ciro, critica os vícios da vida política “neztepaiz”…*

(*) Blog do Ricardo Setti

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AS “ZELITES BRANCAS”

A “ELITE BRANCA” E AS SAÚVAS

Isto é que é elite,a capacidade de produir o refinamento da vida em benefício de todos. Serem brancos ou não, o que importa? Drummond, Vinicius, Bandeira, Quintana, Paulo mendes Campos, imensos poetas que ajudaram a unir o Brasil pela palavra e pelo tom de pele, relevando o país e povo mestiço que somos

Isto é que é elite: a capacidade de produzir o refinamento da vida em benefício de todos. Serem brancos ou não, o que importa? Drummond, Vinicius, Bandeira, Quintana, Paulo Mendes Campos, imensos poetas que ajudaram a unir o Brasil pela palavra e pelo tom de pele, relevando o país e povo mestiço que somos

“Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”, dizia na década de 40 uma campanha do Ministério da Agricultura. Desnecessário dizer que não aconteceu nem uma coisa nem outra, mas o ultimato, proferido originalmente em 1822 pelo naturalista francês August Saint-Hilaire (1779-1853) dá idéia da guerra sem quartel entre duas formas de vida muito bem organizadas: os homens e as formigas”, diz texto de SuperInteressante.

Agora, o Governo resolveu dividir os brasileiros também em duas formas organizadas de vida: a elite branca e os outros. Nós e eles. Uma guerra de propaganda, com finalidades apenas políticas, que busca opor o que nunca opomos: uns contra os outros.

De certa forma, a frase proferida pela presidente da República, em entrevista à GloboNews, quase dois séculos depois de Saint-Hilaire, não opõe brasileiros contra formigueiros, mas cria evidente constrangimento pelo seu conteúdo e pela extemporaneidade (estar fora do tempo):

“Quem compareceu aos estádios, não podemos deixar de considerar, foi dominantemente quem tinha poder aquisitivo para pagar o preço dos ingressos, dominantemente uma elite branca. Em alguns casos, devia ter 90%, em outros 80% ou 75%, mas era dominantemente elite branca”

Elite… branca? Estamos no século 21, mas, no princípio do século 20, ainda estávamos dominados pelas teorias morfológicas originárias de Cesare Lombroso (1835-1909), adepto da fisiognomia, que propôs um extenso estudo das características físicas de loucos, criminosos, prostitutas e “pessoas normais” em sua Itália natal. Para começar, os criminosos seriam mais altos que a média (e isso significava 1,70 m na Inglaterra), teriam crânios menores que os dos homens “normais” e maiores do que os crânios dos “loucos”, além de uma aparência desagradável, mas não deformada, sendo que estupradores e sodomitas teriam feições feminilizadas. Outras características comuns seriam orelhas de abano, nariz adunco, queixo protuberante,  maxilar largo, maçãs do rosto proeminentes, barba rala, cabelos revoltos, caninos bem desenvolvidos, cabelos e olhos escuros.”

Todas estas definições (que incluíam, por óbvio, cor da pele) nós sabemos onde desaguaram: na então Alemanha hitlerista.  Aqui no Brasil, encontraram eco em Tobias Barreto, Nina Ribeiro e outros sociológos-juristas, defensores das teorias de “embranquecimento” da população, que nos tornaria mais ágeis, capazes… Essa foi a toada vigente até à chegada do livro “Casa Grande & Senzala”, de Gilberto Freyre, em 1933, que nos definiu como o grande país mestiço que somos. Constatava Freyre que “o português que embarcou ao Brasil já era um povo mestiço”.

Pois bem, voltamos a ser uma elite… branca. Que os que estejam sentados nas arquibancadas dos estádios, diante dos preços escorchantes cobrados, sejam pessoas da elite econômica — e o são! –, só revela o desnível da concentração de renda no Brasil, inacessível aos pardos, mulatos ou negros, que se encontram, em sua maior parte, vivendo em periferias ou favelas.

No entanto, por sermos mestiços, este tema de separar população brancarrona (que não o somos) dos demais – tão ao gosto das teses arianas de superioridade da raça – eu nunca ouvira falar no Brasil, desde que nasci em 1950. Ao contrário! Numa pesquisa de campo do IBGE, de 1976,  as pessoas definiram o tom de sua pele por 136 nomes diferentes. À pergunta de “Qual é a sua cor?” responderam com ‘Café com leite’, ‘Cor firme’, ‘Morenão’, ‘Encerada’ e ‘Queimada de sol’, entre outras. Um ato de beleza, de congraçamento, de poética.

O grande espetáculo que o povo brasileiro ofereceu nesta Copa do Mundo não foi seu futebol, mas sua capacidade de aceitar a convivência de opostos. Colocar a pele como conceito definidor de algo, ao melhor estilo lombrosiano, é ir contra tudo o que somos, em essência. É preconceito fora de época, fora de contexto, fora do Brasil.*

(*) Blog do Leonel Kaz

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