LEGADO DO LULOPETISMO

A moral e as urnas

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Mais chocante que as revelações de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras na Era PT, é ausência de efeitos concretos sobre a campanha eleitoral. Ao que parece, não houve tempo para que o eleitor avaliasse a extensão e gravidade do que foi dito.

Há ainda a esperança der que na quarta-feira próxima, na CPMI da Petrobras, ele acrescente mais revelações. Mas o procurador da República, Rodrigo Janot, não só já avisou que não revelará o depoimento de Costa, como é contrário à sua ida à CPMI. Um procurador, enfim, que não procura nada.

Costa, funcionário de carreira da Petrobras, ascendeu, no período Lula, à cúpula da estatal. Ocupou a diretoria de Refinaria e Abastecimento, cujos cofres passou a violar, seguindo as orientações da cúpula política do PT, providenciando propinas de negociatas bilionárias, que abasteciam os cofres dos aliados.

Foi o Marcos Valério do Petrolão. O dinheiro comprava lideranças políticas dos partidos aliados, para garantir a maioria governista no Congresso. Mensalão 2, como disse Aécio Neves.

Em seu depoimento, Costa garantiu que Lula sabia de tudo e despachava frequentemente com ele. Dilma foi, nesse período – que durou de 2003 até 2012 – ministra de Minas e Energia, presidente do Conselho da Petrobras e presidente da República. Não sabia de nada, como seu antecessor. Mensalão 2, mais uma vez.

O que até aqui se sabe é pouco. Presume-se que o que vazou corresponda ao que se pode provar, já que delação premiada só funciona na medida em que o delator forneça indícios concretos do que diz. Caso contrário, não recebe os benefícios. Há, portanto, muito mais, ainda por se conhecer.

Porém, o que já se sabe seria suficiente, num país normal, para causar um abalo sísmico na campanha. Não causou. Dilma, ao contrário, recuperou alguns votos e persiste na liderança. Seus antagonistas não têm sido brilhantes em dimensionar o delito em pauta, já que o público não demonstra o espanto que se esperava.

Abstenho-me de me aprofundar nos crimes revelados, que já consumiram páginas e páginas de jornais e revistas, que poucos leem. Intriga-me a indiferença do público. Se a Justiça Eleitoral não tivesse impugnado a candidatura de José Roberto Arruda, ele provavelmente seria o próximo governador de Brasília.

As denúncias sobre seu passado recente – inclusive o de ter sido apeado do governo que agora queria reocupar – estão na memória de todos. Não obstante, era o favorito. “Rouba, mas faz”, dizem seus eleitores. Os de Dilma dirão o quê?

Quando Lula foi reeleito, em pleno vendaval do Mensalão, a economia ia bem, o crédito bombava e as bolsas sociais exerciam seu efeito anestésico sobre a população mais carente. Essa circunstância sobrepôs-se ao ambiente de degradação moral exposto pelo Mensalão. Prevaleceu o bolso.

Agora, porém, a economia vai mal, a inflação voltou, o crédito está inacessível e, mesmo assim, as denúncias não colam. O que parece ocorrer é o descrédito geral em relação ao que vem do meio político. Os escândalos banalizaram-se.

Fazem parte do roteiro. Há aí uma tese sociológica a aprofundar – e que, por óbvio, não cabe num artigo, nem cabe a um jornalista. O povo não toma mais conhecimento de escândalos e prefere votar em quem lhes concede benefícios, ainda que parcos, como o Bolsa-Família. Não quer trocar o “certo” pelo duvidoso – e duvidoso tornou-se tudo aquilo que os políticos lhe prometem e não tem curso consagrado na vida real.

Marina e Aécio são promessas – e o povo, ao que parece, já não acredita em promessas de políticos. Dilma é ruim, mas já é conhecida. Esse o ponto de vista que se capta em conversas com motoristas de táxi, ambulantes e pessoas que descreem do futuro e preferem raciocinar tendo em vista o dia a dia.

Não há sentimento moral – pelo menos não se aplica às eleições. Como mudar isso? Insistindo, apesar de todos os pesares, na educação política do povo. Mas quem quer isso? O apelo a temas de natureza religiosa, comum nesses momentos, não é gratuito: parece ser o ponto vulnerável dos petistas.

E há aí um paradoxo: o mesmo povo, insensível aos desmandos dos políticos, comove-se com temas religiosos, cuja essência é de ordem essencialmente moral.

Aborto, casamento gay, legalização das drogas, nada disso depende diretamente do presidente da República. São causas que se resolvem no Congresso – e, portanto, deveriam estar sendo dirigidas aos candidatos ao Legislativo. Mas ninguém se preocupa com eles, nem eles têm tempo (ou qualificação) para explicar o que quer que seja. Dispõem de segundos no horário eleitoral.

O voto acaba sendo decidido por questões de profunda subjetividade, decorrentes da empatia que cada candidato transmite ao eleitor. Programas, projetos, compromissos passam ao largo. Essa, por enquanto, é a democracia que temos, sólida e perfumada como um flactus.*

(*) Ruy Fabiano, no blog do Noblat.

OPOSIÇÃO, É?

Aécio: se não ganhar eleição,

PSDB seguirá na oposição

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O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, voltou a dizer que se não vencer a corrida ao Palácio do Planalto, seu partido, o PSDB, continuará na oposição. Em sabatina promovida na noite desta sexta-feira, 12, pela Rede TV e Portal IG, o presidenciável tucano evitou falar sobre eventuais apoios no segundo turno dessa disputa, reiterando que espera reverter a queda nas recentes pesquisas de intenção de voto e disputar o segundo turno para vencer o pleito.

Apesar da disposição, o senador mineiro disse que se por acaso os eleitores não apostarem em sua plataforma, o PSDB será oposição. “É simples, quem ganha a eleição é governo e quem perde é oposição”, emendou. E reiterou que não deverá apoiar o projeto da candidata do PSB, Marina Silva, caso ela dispute o segundo turno contra a presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff, destacando que seu partido ficará na oposição.

Na sabatina, o senador mineiro criticou novamente as adversárias Dilma Rousseff, presidente e candidata à reeleição pelo PT, e Marina Silva. Em sua autodefesa, disse que não é um mercador de ilusões e falou que se for eleito, governará com previsibilidade. “Um de meus primeiros atos no governo será a simplificação tributária”. Ele argumentou que sua eventual eleição resgatará a capacidade de investimentos no País, pois sua candidatura tem projeto consistente e ele conta com uma equipe qualificada e competente.

“Não quero fazer como o governo do PT, que apenas administra a pobreza. Estamos querendo mobilidade com respeito, inclusive, à pobreza. Os gastos serão qualificados e direcionados para promover o desenvolvimento”, emendou. E disse que se preparou para governar o Brasil com ética e eficiência.

Minas

Na entrevista, Aécio disse acreditar que o PSDB vai ganhar as eleições em Minas Gerais, com Pimenta da Veiga. E afirmou que seu candidato deve se recuperar nas pesquisas (lideradas atualmente pelo petista Fernando Pimentel), sob o argumento de que o eleitor mineiro tem um modo próprio de ver as coisas, com mais cautela, mas no final saberá escolher o melhor projeto. “E eu espero também chegar à frente em Minas Gerais”, destacou.*

(*) Elizabeth Lopes

ELA ACREDITOU, É?

Marina chora ao falar de

Lula e se diz injustiçada

Alvo de uma série de ataques desde que entrou na corrida pelo Planalto e virou uma ameaça para a presidente Dilma Rousseff (PT), a ex-senadora Marina Silva (PSB) fez um desabafo e chorou ao ser questionada pela Folha sobre as críticas que recebeu do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem foi aliada por 24 anos.

“Eu não posso controlar o que Lula pode fazer contra mim, mas posso controlar que não quero fazer nada contra ele”, disse na noite de quinta-feira (11), no banco de trás do carro que a levava ao hotel após mais de treze horas de campanha no Rio de Janeiro.

Emocionada, disse ser quase impossível acreditar que o petista esteja fazendo isso, mas demonstrou que ainda nutre admiração pelo ex-presidente.

“Quero fazer coisas em favor do que lá atrás aprendi, inclusive com ele [Lula], que a gente não deveria se render à mentira, ao preconceito, e que a esperança iria vencer o medo. Continuo acreditando nessas mesmas coisas”, afirmou.

Marina, que frequentemente se declara “injustiçada” pelos ataques do PT, lembrou do que aconteceu com Lula nas eleições de 1989, quando ele disputou a Presidência da República e perdeu para Fernando Collor.

“Sofri muito com as mentiras que o Collor dizia naquela época contra o Lula. O povo falava: Se o Lula ganhar, vai pegar minhas galinhas e repartir’. Se o Lula ganhar, vai trazer os sem-teto para morar em um dos dois quartos da minha casa’.”

Em seguida, acrescentou: “Aquilo me dava um sofrimento tão profundo e a gente fazia de tudo para explicar que não era assim. Me vejo fazendo a mesma coisa agora”.

Na porta do hotel em Copacabana, após alguns segundos em silêncio, Marina desceu do carro recomposta. Virou o rosto e disse à reportagem: “Mas não tenho raiva de ninguém não, nem da Dilma. Vou continuar lutando”.

Desde que subiu nas pesquisas, Marina está sob ataques do PT, partido ao qual foi filiada de 1985 a 2009.

Ela deixou a legenda depois de se afastar do Ministério do Meio Ambiente, que comandou por cinco anos no governo de Lula. Marina teve várias divergências com o ex-presidente nesse período. A principal, alega, era a dificuldade para desenvolver sua agenda ambiental.

ESPETÁCULO

Em maio de 2008, entregou sua carta de demissão a Lula, que avaliou que a aliada estava fazendo de sua saída do governo um “espetáculo desnecessário”. Era o primeiro atrito público entre os dois.

Pouco mais de um ano depois, ao se desfilar do PT, comparou sua saída a um “divórcio” e disse que nem a legenda nem o governo haviam avançado no tema da sustentabilidade”. Mais desconforto com Lula.

Nos últimos dias, o PT iniciou uma campanha para desconstruir Marina, afirmando que ela não vai dar prioridade à exploração do petróleo do pré-sal e sugerindo que ela é sustentada por banqueiros, numa referência a Neca Setubal, herdeira do banco Itaú que coordena o programa de governo da candidata.

A propaganda petista também apontou problemas de governabilidade numa eventual gestão Marina, associando a candidata a presidentes que não terminaram os mandatos, como Jânio Quadros (1961) e Collor (1990-1992).

A candidata do PSB diz que é vítima de uma “indústria de boatos e mentiras”, que tem o objetivo de “fazer terrorismo” com os eleitores.

CAMPANHA CRUEL

Em seus discursos e entrevistas, porém, a ex-senadora costuma poupar Lula. O petista, por sua vez, usou um comício em Recife (PE), na semana passada, para atacar Marina indiretamente, dizendo que “tem gente querendo acabar com o pré-sal”. “Se for necessário, Dilma, me fale que vou mergulhar e buscar lá no fundo [do mar] o petróleo”.

Aliados afirmam que o petista ainda se constrange ao criticar a ex-companheira de partido mas ponderam que a disputa eleitoral é mesmo “bastante cruel”. *

(*) MARINA DIAS – FOLHA DE SÃO PAULO

O EMPRESÁRIO CUL DO LULOPETISMO…

Ministério Público denuncia Eike Batista e pede bloqueio de R$ 1,5 bilhão

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O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro (RJ) denunciou Eike Batista por dois crimes contra o mercado de capitais e pediu o bloqueio de R$ 1,5 bilhão do empresário. A informação foi divulgada neste sábado (13) e a íntegra da denúncia pode ser consultada no site do MPF.

O MPF acusa o empresário de manipulação do mercado e uso indevido de informação privilegiada no caso da petroleira OGX (atual Óleo e Gás Participações).

Se considerado culpado, ele pode ser condenado a até 13 anos de prisão.

Ao UOL, o advogado Sérgio Bermudes, que representa o empresário, disse que ainda não recebeu a denúncia, e que, se houve o pedido de bloqueio de bens, “não se trata de uma medida cabível” já que não há tentativa de Eike de “escamotear os bens ou fugir”.

Bloqueio incluiria bens transferidos para os filhos

O pedido de bloqueio de bens inclui ativos financeiros (como ações, por exemplo), além de imóveis e outros bens, como carros, barcos e aeronaves, inclusive os que foram doados pelo empresário as filhos Thor e Olin (do casamento com Luma de Oliveira), e para a mulher, Flávia Sampaio.

Segundo os promotores, as doações foram feitas “após a data dos delitos cometidos” e constituem uma “manobra fraudulenta”.

Eike doou para o filho Thor a casa onde moram, no Jardim Botânico, Rio de Janeiro, além de uma propriedade em Angra dos Reis aos dois filhos mais velhos (Thor e Olin). Segundo MPF, os imóveis são avaliados em R$ 10 milhões cada.Reportagem da “Folha” informa que eles têm valor declarado de R$ 15 milhões e R$ 3,7 milhões, respectivamente, mas que, na verdade, valem ao menos R$ 50 milhões, juntas.

O empresário também doou um apartamento em Ipanema, Rio de Janeiro, no valor de R$ 5 milhões para a mulher, Flávia Sampaio, segundo o MPF.

Manipulação de preço das ações e uso de informação privilegiada

Um dos crimes financeiros denunciado pelo MP é a manipulação do preço de ações na Bolsa de Valores. Segundo a denúncia, em outubro de 2010, Eike simulou “maliciosamente” a injeção de até US$ 1 bilhão na OGX, “de forma a iludir o público investidor”.

A operação feita pelo empresário é conhecida no mercado como “put”. Funciona da seguinte forma: Eike concedeu o direito à OGX de exigir a subscrição de ações da companhia até o limite máximo equivalente a US$ 1 bilhão, ou seja, ele se comprometeu a comprar ações da OGX por R$ 6,30 cada, no momento em que a companhia quisesse, até 30 de abril de 2014, data do vencimento do contrato.

Na época, as ações da petroleira estavam valendo R$ 4,63; agora, valem R$ 0,17. Eike disse que estava fazendo isso como sinal de confiança nas ações da OGX e no futuro da companhia.

A pena para esse crime é de até oito anos de prisão.

A segunda acusação é sobre uso de informação privilegiada, ou “insider trading”. Eike teria feito isso por duas vezes, tendo obtido lucro de R$ 236 milhões, segundo o MPF.

A pena para esse crime é de até cinco anos de prisão.

Ministério Público de SP investiga omissão da Bolsa e ex-ministros

O Ministério Público Federal de São Paulo deve investigar se houve omissão da BM&FBovespa em relação às irregularidades cometidas pela petroleira OGX, de Eike.

Também será investigada o envolvimento de ex-conselheiros da empresa. Entre eles, estão os ex-ministros Pedro Malan, Ellen Gracie e Rodolpho Tourinho.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também investiga suposta manipulação de preços e suposta utilização de informação ainda não divulgada ao mercado, mas o julgamento deve ficar para 2015.*

(*) Maria Carolina Abe e Hanrrikson Andrade –  Do UOL, em São Paulo

LEGADO DO LULOPETISMO

Dilma defende alianças, elogia legado de Sarney e diz respeitar Collor

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Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, defendeu nesta sexta-feira (12) o senador José Sarney (PMDB-MA), que integra a base aliada do governo federal. A candidata foi questionada sobre a aliança com o ex-presidente e também com outro senador que chefiou o Planalto, Fernando Collor (PTB-AL), a quem ela disse respeitar.

“Respeito bastante o ex-presidente Sarney. Acho que ele fez boas contribuições para o país”, respondeu Dilma durante sabatina do jornal “O Globo”. Sobre Collor, ela disse não ser “instância de condenação” para incriminar o senador. “A Justiça inocentou o Collor. Ele não é uma pessoa absolutamente próxima do governo, tem sua posição lá em Alagoas e eu respeito.”

Segundo ela, “as pessoas podem fazer alianças e manter suas posições”, em alusão ao fato de que os ex-presidentes estiveram em posições opostas ao PT no passado.

Candidato à reeleição pelo PTB ao Senado, Collor é apoiado pelo PT em Alagoas. Apesar disso, virou personagem da campanha petista à Presidência depois de sercomparado a Marina Silva (PSB), segunda colocada nas pesquisas, atrás de Dilma. Collor não teve seu nome citado, mas a peça mostrou imagens de jornais que noticiavam o impeachment do ex-presidente.

Já Marina, na última terça (9), disse que Dilma agradecerá a Sarney e Collor caso seja reeleita. “Se a Dilma ganhar, ela vai agradecer ao Sarney, ao Renan ao Collor e ao Maluf. Se eu ganhar, eu só tenho um a agradecer: ao povo brasileiro. É com isso que eles não se conformam”, afirmou Marina.

Dilma também foi questionada sobre Paulo Maluf, cujo partido, o PP, também integra a base aliada do governo federal. A presidente disse não ter “proximidade” com o deputado paulista e foi perguntada novamente, dessa vez sobre o acordo entre Maluf e Lula. “Aí você tem que perguntar para o Maluf e para o Lula”, respondeu.*

(*) Do UOL, em São Paulo

BLÁ-BLÁ-BLÁ…BLÁ-BLÁ-BLÁ

PAC 2: governo conclui apenas

7% das 6 mil creches prometidas

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Das cerca de 6 mil creches e pré-escolas prometidas pelo governo federal para serem entregues até o final de 2014, apenas 7% foram concluídas. A entrega desses empreendimentos foi uma das promessas eleitorais da presidente Dilma Rousseff em 2010. Os empreendimentos são realizados por meio do Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC 2).

Os dados foram levantados pelo Contas Abertas no último Balanço do PAC 2 e englobam o que foi realizado entre janeiro de 2011 e abril de 2014. A segunda etapa do programa vai ser finalizada em dezembro deste ano.

Das 5.772 creches e pré-escolas previstas para serem finalizadas durante o PAC 2, apenas 379 estão concluídas. Do total, 578 estão em ação preparatória, ou seja, o empreendimento contratado, em processo de envio ou análise de documentação para a contratação.

Outras 2.415 iniciativas estão em licitação de obra, mas sem ordem de serviço. Além disso, 582 creches e pré-escolas já foram selecionados, mas estão em processo de envio ou análise de documentação para a contratação (em contratação).

O sistema de seleção de construção de novas creches para os municípios tem prioridade nas cidades com mais crianças fora da sala de aula. O prefeito indica o terreno onde a creche vai ser construída e elabora projeto mostrando as necessidades de vagas naquela localidade. Depois, o governo avalia o projeto, e, se ele for aprovado, repassa a verba para a construção.

Apesar do baixo número de ações concluídas, o último balanço do programa afirma que 2.056 creches e pré escolas já foram contratadas até junho. Essas creches devem beneficiar 2.702 municípios em todos os estados. Os investimentos devem chegar a R$ 6,6 bilhões.

“Com todas as creches em funcionamento, 1,6 milhão de crianças devem ser atendidas em todo o país”, explica o balanço divulgado em junho.

A maioria das creches não saiu do papel mesmo com algumas facilidades implementadas em 2013, como a creche pré moldada, por exemplo, que possui construção mais rápida e deixa os empreendimentos 20% mais baratos. Outra ação foi o fato do governo adotar o Regime Diferenciado de Contratação (RDC), que possui processo menos burocrático.

Mesmo com as creches travadas na burocracia, no plano de governo que apresentou em caso de reeleição, a presidente afirma que no seu atual mandato, pela primeira vez, o governo federal estabeleceu uma política de construção de creches. “Os municípios passaram a ser apoiados no processo de expansão de vagas para a educação infantil”, explica Dilma.

De acordo com a presidente, a tarefa é garantir a todas as nossas crianças, desde cedo, os estímulos pedagógicos e cuidados de qualidade tão necessários a sua formação. “Vamos continuar ampliando o atendimento em creches para universalizar a educação infantil de 4 a 5 anos até 2016”, conclui.

No começo do ano passado, no programa “Café com a Presidenta”, Dilma afirmou que o governo estava investindo para aumentar o número de creches no país inteiro. “Até o final de 2014, o nosso compromisso é construir 6 mil creches, contratá-las e pagá-las com recurso do Tesouro Nacional”, afirmou a presidente.

Por região

A maior parcela das creches prometidas pelo governo está localizada no estado de Minas Gerais: 603. Em São Paulo, até abril de 2014, 571 creches estavam previstas. Completam o ranking os estados da Bahia, Paraná e Ceará, que possuem 520, 342 e 309 creches autorizadas para a construção.*

(*) Dyelle Menezes – Contas Abertas

 

E A FAIXA PRESIDENCIAL VAI PARA…

O FLA-FLU NINGUÉM TORCE PELO VASCO

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Não se discute com os fatos, em especial quando respaldados por números: embolou o meio campo, com Dilma e Marina empatadas no primeiro e no segundo turno. Semana que vem poderá ser diferente, mas hoje a eleição se resolveria no cara ou coroa. Apesar de pesquisas serem pesquisas, sujeitas a uma série de variações, às vezes até de manipulações, não se colocará o Datafolha e o Ibope sob suspeição.

É preciso saber porque Marina, dias atrás em posição de supremacia, cedeu espaço para Dilma, que muitos supunham em fase de desespero.

A ex-senadora colhe o que plantou. Quando emergiu após a tragédia com Eduardo Campos, ela empolgou pelo seu passado. Criada na floresta, tendo passado fome, podendo ler e escrever apenas aos dezesseis anos, negra, ambientalista e na primeira linha da luta contra o poder econômico, esperava-se que na campanha ela desse continuidade a esses valores.

Não foi o que aconteceu. Entrou em campo uma nova Marina, conciliadora, fazendo as pazes com o agronegócio, cultivando os usineiros e os bancos privados, por certo frustrando muita gente. Sua abertura ao centro-direita pode ter sido tática, à maneira do que o Lula havia feito anos atrás. Seu programa de governo desanimou muitos que imaginavam uma reviravolta no processo político e econômico. Ainda teve que ceder à sua religião, condenando a descriminalização das drogas, o aborto e o casamento gay. Isoladamente, até se compreenderia cada um desses e de outros recuos, mas o conjunto da obra desanimou uma parcela do eleitorado.

Em paralelo, Dilma empreendeu uma abertura à sinistra, desvinculando-se dos bancos privados, que fustigou, além de enfatizar iniciativas sociais adotadas desde o governo Lula. Também espalhou o medo do retrocesso no caso da vitória de Marina. Junte-se a essa estratégia o apelo à militância do PT, apavorada com a perspectiva da perda do poder, e se terá a receita de porque as duas candidatas se equivalem na disputa presidencial.

Claro que o escândalo na Petrobras ainda dará frutos. A recessão econômica, também.. Mesmo assim, a corrida parece hoje literalmente empatada. Tempo há para o eleitorado decidir-se, na dependência do comportamento de ambas. Se a presidente insistir em bater firme na adversária, poderá arrepender-se, mas Marina também se arrisca na hipótese de persistir na postura de rebater todas as agressões em vez de esclarecer o que pretende em seu governo.

Correta, mesmo, está a previsão do segundo turno, com Aécio Neves de fora. Para quem migrarão seus votos é irrelevante, porque num Fla-Flu as arquibancadas não torcem pelo Vasco.*

(*) Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa Online

SE DEFENDENDO DO TERROR LULOPETISTA

Marina se defende na

TV e pede ajuda na web

Reprodução/Facebook

Com um tempo de propaganda eleitoral cinco vezes menor que o de Dilma Rousseff, Marina Silva teve de recorrer à criatividade para tentar se defender dos ataques que frearam seu crescimento nas pesquisas. Além de veicular na tevê um comercial de 15 segundos, o comitê de Marina inaugurou no seu site uma página anti-boatos. Nela, a candidata solicita “uma doação” aos seus simpatizantes.

Em vez de dinheiro, Marina pede um pedaço do tempo alheio: “contra a mentira e a agressão, dedique uma hora, meia hora, 20 minutos nas redes sociais para combater as calúnias.” A página oferece matéria-prima aos que se dispuserem a socorrer a candidata. Para cada “boato”, o comitê contrapõe as suas “verdades”. Vão abaixo três exemplos:

1O boato: ‘Marina vai governar com o Itaú, representado pela Neca Setúbal’. A verdade: ‘Marina governará com o povo brasileiro. Neca Setúbal é hoje uma das mais importantes educadoras do Brasil. […] Participou da discussão do programa de governo de Fernando Haddad (PT), prefeito de São Paulo, em 2012. Naquela ocasião, ninguém contestou o fato de que estava lá na condição de educadora.”

2. O boato: ‘A independência do Banco Central vai impedir avanços sociais.’ A verdade: ‘Banco Central independente significa que nenhum partido ou grupo de interesse usará a instituição para se beneficiar. No governo Marina, o BC estará a serviço do povo e ajudará a conter a inflação… Com o fortalecimento do tripé macroeconômico, o Brasil voltará a crescer… Foi com essa mesma política que o governo Lula conseguiu fazer o Brasil avançar socialmente.”

3. O boato: ‘Marina vai reduzir a importância e desperdiçar o pré-sal’. A verdade: ‘Marina não reduzirá os investimentos para a exploraçãoo do pré-sal. Ela acredita que as riquezas do pré-sal garantirão projetos estratégicos para o Brasil, viabilizando investimentos significativos em saúde e educação… A candidata defende que a distribuiçãoo dos recursos não prejudique os Estados produtores e neneficie o conjunto do país.”

De resto, Marina sustenta na página eletrônica que manterá o Minha Casa… e ampliará o Bolsa Família. Afirma que não misturará religião e política na Presidência. Reitera que seu programa sofreu mudanças no trecho ‘LGTB’ por “erro processual”. Repete que “considera homofobia um crime”. Afirma que vive dos rendimentos obtidos com palestras e que só não divulga os nomes dos contratantes porque está presa a cláusulas de “confidencialidade.”*

(*) Blog do Josias de Souza

ERRAR É DO MANO

Dilma ensina: é errando

que se aprende. A errar!

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Em entrevista veiculada na noite passada pela Rede TV!, Dilma Rousseff sinalizou que, sob sua presidência, o governo jamais se acomodará. Entre o certo e o errado, haverá sempre espaço para mais erros. Na Petrobras, por exemplo, a extensão do equívoco será ilimitada.

A Petrobras, como se sabe, convive com o absurdo. Preso, um ex-diretor conta às autoridades como saqueou as arcas da companhia para saciar as pulsões patrimonialistas de políticos governistas. Contra esse pano de fundo, perguntou-se a Dilma se extinguirá o modelo das nomeações políticas.

E ela: no meu governo, escolhi dentre os que eu considerava os melhores quadros da Petrobras. Vou continuar fazendo assim. Foi o que o presidente Lula fez. Vou continuar mantendo esse critério de escolher dentre os melhores. Esse é o melhor critério.

Quem assistiu foi tomado de assalto (ops!) pela impressão de que, sob o PT, o absurdo adquiriu uma doce, persuasiva, admirável naturalidade. A menos de quatro meses de fechar a conta do seu primeiro mandato, Dilma se espanta cada vez menos. Tornou-se uma administradora de pouquíssimos espantos.

Dilma referiu-se a Paulo Roberto Costa, o ex-executivo da Petrobras que virou delator, como um competente funcionário de carreira. Lembrou-se a ela que o executivo-delator tinha virado diretor de Abastecimento da Petrobras por indicação política. Sustentavam-no PT, PMDB e PP.

A senhora acha adequado? Em vez de responder com um ‘sim’ ou ‘não’, a Dilma preferiu praticar o esporte preferido do PT: tiro ao FHC. Paulo Roberto foi alto funcionário do governo Fernando Henrique, disse ela. Se não me engano, foi diretor da Gaspetro e gerente de exploração e prospecção de petróleo da região Sul. Dilma concluiu: os melhores quadros da Petrobras transitam de governo para governo.

A entrevistada não explicou se Paulinho, como Lula chamava o ex-executivo preso, já trazia o selo partidário da gestão FHC. Para ela, o apadrinhamento é normal. Se os aliados indicarem para a Petrobras uma ratazana, Dilma não fará a concessão de uma surpresa. É ratazana? Pois que seja ratazana! Se for uma ratazana de carreira, aí mesmo é que a nomeação sai. Se for uma alta ratazana da gestão FHC, as chances quintuplicam.

Entende-se agora por que Dilma mantém na Petrobras personagens como o ex-senador Sérgio Machado. Foi alojado no comando da subsidiária Transpetro em 2003, no alvorecer do primeiro reinado de Lula. Indicou-o, decerto movido por alguma inspiração patriótica, o notório senador Renan Calheiros.

Em dezembro, Sérgio Machado completará 12 anos de Petrobras. De duas, uma: ou o afilhado de Renan é um executivo genial ou Dilma, a exemplo do que fizera Lula, suprimiu dos seus hábitos o ponto de exclamação.

Amanhã, se der algum novo rolo, Dilma repetirá o que diz agora sobre Paulo Roberto Costa, o Paulinho: eu não sabia. O que nos espantou a todos foi que um desses quadros competentes da Petrobras cometeu esses delitos, ela acrescentou.

Sem querer, Dilma revoluciona o brocardo. Se o seu governo ensina alguma coisa é o seguinte: é errando que se aprende… A errar!*

(*) Blog do Josias de Souza