FALA, PODEROSO CHEFÃO, FALA

‘Quero falar algumas coisas’ sobre o mensalão, diz Lula

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Em meio às discussões no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a possibilidade de prisão imediata dos condenados no mensalão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (13) que pretende “falar algumas coisas” sobre o que é considerado o maior escândalo de corrupção de seu governo, mas que só o fará após o final do julgamento.

“Tenho dito para todo mundo: eu, quando terminar toda a votação sobre o mensalão, aí eu quero falar algumas coisas que eu penso a respeito disso”, disse Lula, que conversou com a imprensa após um encontro com militantes do PT em Campo Grande.

Questionado sobre a possibilidade de prisão dos condenados, Lula disse “não ter autoridade para fazer qualquer julgamento sobre qualquer decisão de uma Corte suprema”.

“Ou seja, na hora que ela tomar a decisão, está tomada a decisão. Eu obedecia como presidente, acatava, acato como cidadão brasileiro”, completou.

Sobre o desejo de expressar suas avaliações sobre o caso, Lula disse que não o fará antes do final do julgamento “pelo fato de ter sido ex-presidente e ter indicado vários ministros que estão lá [no STF]”.*

(*) Folha de SP

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O FUTURO CHEGOU: FUJAM!

As portas do futuro

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O PT elegeu sua nova, e reformulada, direção. Nomes controvertidos ficaram de fora. José Dirceu, por exemplo. Mas seu filho, Zeca Dirceu, está no comando, ao lado de Mônica Valente, esposa de Delúbio Soares. Nomes consagrados perderam a disputa. A deputada, ex-senadora e ex-ministra Benedita da Silva, por exemplo, mesmo com apoio de Lula e José Dirceu, não alcançou a presidência do PT fluminense. Quem ganhou foi Washington Quaquá, prefeito de Maricá. Grande personagem, o Quaquá: nomeou 132 funcionários sem concurso, todos petistas, muitos vivendo em outros Estados. Deu R$ 3 milhões à Escola de Samba Grande Rio para que o desfile homenageasse Maricá (e pode oferecer mais um milhão). Tantas fez o Quaquá que a Justiça o tornou inelegível por oito anos.

Os concorrentes do PT também se renovam, com vistas ao futuro. O PSB, de Eduardo Campos e Marina Silva, pensa numa chapa jovem para o Governo paulista, com Luíza Erundina, 78 anos, e Walter Feldman (quando Erundina foi prefeita de São Paulo, Feldman foi um dos mais combativos vereadores da oposição). Atraiu o técnico de vôlei Radamés Lattari, o nadador Xuxa, e Magrão, goleiro do Sport Recife. O PTC convocou Joana Machado, ex-mulher do jogador Adriano, para se candidatar a deputada. O PSDB filiou o técnico de vôlei Bernardinho e quer lançá-lo para o Governo do Rio. O PMDB escolheu um ex-secretário da Segurança de São Paulo, Ferreira Pinto, para tentar a deputança.

Já o PR, de Valdemar Costa Neto, não se renovou. Vai de Tiririca, mesmo.*

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet

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E NO PAÍS DOS “RECURSOS INFRINGENTES”…

Delúbio entra com novo recurso no STF para

reiterar pedido de absolvição por quadrilha

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A defesa de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, apresentou nesta segunda-feira (11) novo recurso ao STF (Supremo Tribunal Federal) pedindo a sua absolvição pelo crime de formação de quadrilha no julgamento do mensalão. Delúbio também foi condenado por corrupção ativa, e a sua pena total foi de 8 anos e 11 meses de prisão em regime fechado, além de multa de R$ 300 mil.

Ele já havia questionado a sua condenação num recurso em maio, chamado de embargos infringentes, que acabou rejeitado pelo presidente do tribunal, ministro Joaquim Barbosa, que é relator da ação.

O advogado Arnaldo Malheiros recorreu da decisão, e o pedido foi analisado por todos os demais ministros em plenário em agosto, que acabaram decidindo por aceitar os tais embargos.

Esse tipo de recurso permite reverter a condenação, uma vez que obriga os ministros a analisarem novamente todas as provas do processo. Em tese, só pode ser apresentado pelo réu que tiver tido ao menos quatro votos favoráveis, mas há diferentes interpretações sobre o número exigido.

No recurso apresentado hoje, o advogado diz que ele serve para “ratificar e aditar os embargos infringentes já apresentados em maio”.

Ele reitera que espera do tribunal que absolva Delúbio do crime de quadrilha. No entanto, caso os ministros decidam manter a sua condenação, que ao menos diminuam a sua pena.

O argumento da defesa é que o aumento da pena foi desproporcional. Afirma que, na definição da pena, os ministros consideraram que, das oito circunstâncias judiciais possíveis, trÊs eram desfavoráveis ao réu. No entanto, a pena fixada foi mais do que o dobro da pena mínima prevista aquele crime e chegou perto da máximam, que é de três anos.

No recurso de maio, o advogado alegou que Delúbio “jamais se associou a outras pessoas com o fim de cometer crimes” e que o STF deveria considerar “simples coautoria na alegada prática do delito de corrupção ativa”.

O julgamento dos embargos infringentes pelo STF deve ocorrer apenas no ano que vem. Nesta semana, o tribunal julga a segunda rodada dos chamados embargos declaratórios, recursos que não têm o poder de reverter condenações, mas podem corrigir erros e omissões do texto (acórdão) do julgamento.*

(*) Fernanda Calgaro , do UOL

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BANANA REPUBLIC

Em nome da “felicidade”, Maduro decreta

Natal antecipado na Venezuela

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Segundo Maduro, o objetivo da medida é garantir “felicidade para todo o povo” e derrotar a amargura.

“Hoje, sexta-feira, 1º de novembro, quisemos decretar a chegada do Natal. Queremos a felicidade para todo o povo, a paz”, disse Maduro durante a Feira Natalina Socialista 2013, na capital Caracas.

“O Natal antecipado é a melhor vacina para aqueles que querem inventar tumulto e violência. Aqueles que andam amargurados por aí terão uma canção natalina para alegrar a alma”, continuou o presidente.

Maduro também aproveitou a ocasião para rebater as críticas ao recém-criado Vice-Ministério para a Suprema Felicidade Social do Povo Venezuelano.

“Ninguém poderá com a gente, ninguém poderá com a felicidade e o direito à paz, ninguém poderá com o nosso direito de viver e de ter um bom Ano-Novo. Novembro e dezembro têm que ser um bom fim de 2013, para que seja premonitório do que será um tremendo 2014 para a economia e a sociedade”, concluiu.

Imagem de Chávez

Na última quarta-feira (31), Maduro exibiu uma imagem nas obras de um túnel do metrô de Caracas que ele afirma que é do rosto do ex-presidente Hugo Chávez, morto em março deste ano.

“Olhem a figura, um rosto. Esta foto foi feita pelos trabalhadores, os operários. Quem está neste rosto? Um olhar (…) É o olhar da pátria que está em todos os lados(…) Os trabalhadores estão ali, trabalhando e lhes aparece uma imagem na parede e, assim como apareceu, desapareceu. Chávez está em todas as partes”, disse Maduro.

Em abril, durante a campanha para a eleição presidencial convocada após a morte de Chávez, Maduro afirmou ter visto o comandante encarnado em um “pássaro”.*

(*) UOL

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E NO PAÍS DA PIADA PRONTA…

O IBGE descobre o ‘aglomerado subnormal’ e

acaba com as favelas do Brasil Maravilha

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Primeiro, Lula criou o Fome Zero e acabou com os famintos que herdou de FHC, e todos os brasileiros passaram a saborear pelo menos três refeições por dia. Depois, Lula criou a nova classe média e acabou com a pobreza que herdou de FHC, e todos os pobres foram intimados a subir para a divisão superior sem que tivesse subido o salário.

Mais tarde, Dilma Rousseff criou o programa Brasil sem Miséria e acabou com os indigentes que Lula, decerto por distração, esquecera de incluir na classe média, e todos os miseráveis da nação aprenderam que podem viver muito bem com 3 reais por dia, e se não forem perdulários logo estarão viajando de avião ou embarcando no trem-bala.

Sem fome, sem pobreza, sem miséria, o que estaria faltando para que o Brasil Maravilha virasse uma Noruega com muita praia, carnaval, mulata, futebol e jabuticaba? Acabar com os milhões de nativos que se espremem em barracos pendurados nos morros, hasteados nos pântanos ou fincados na periferia das cidades, decidiu o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Depois da divulgação de um estudo que abrange a população que sobrevive nesses tumores urbanos, já não falta mais nada. Pelo que se lê no papelório, os alquimistas do IBGE decretaram que, a partir deste começo de novembro, o que parece uma favela é um “aglomerado subnormal”. Isso mesmo: “aglomerado subnormal” é a grande novidade apresentada nesta primavera pela novilíngua companheira.

Embora a imensidão de favelados esteja onde sempre esteve, as favelas não existem mais. Haja cinismo.*

(*) Blog do Augusto Nunes.

 

A PROPÓSITO

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O brasileiro, depois do Lulla, nunca amou tanto, e com tanto ardor, o dinheiro…

Mas só platonicamente…*

(*) Acir Vidal, editor do blog.

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LIÇÃO DA COPA

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Uma das lições da copa de 2014 talvez nunca seja realmente aprendida. Não vou falar de futebol, porque não entendo nada desse jogo e não torço para time nenhum, nem mesmo em disputas internacionais. Não se fale em “patriotismo”, quando é a Seleção Brasileira que joga. Patriotismo não é isso e é muito mais que isso. Quanto treinava a Seleção Japonesa, Zico comandou contra a Seleção do Brasil um jogo de sua equipe, e nem por isso deva ser chamado de antipatriota. Filipão já comandou a Seleção portuguesa contra a brasileira e não é antipatriota. O jogador de futebol, em qualquer situação, em qualquer jogo, luta pela vitória para engordar o bolso, e não por amor à pátria. Quem torce pela Seleção torce por um time e apenas por um time, ainda que esse time se arrogue o direito de representar seu país. Mas vamos ao assunto a que vim.

Grafema é um sinal gráfico distintivo, que pode ser uma letra, como a que distingue  < pato > de  < pago > , ou a cedilha, que distingue <  paco > de     < paço > ou um acento, como o que distingue  < pode  > de < pôde >.  Isso significa que qualquer letra é um grafema, mas nem todo grafema é letra.

O < x > é um grafema que pode representar vários sons: ora  [z], como em exame; ora  [ks], como em fixo; ora [s], como em máximo, ora  [š], como em lixo. Em todas as palavras começadas por < hex-> , o < x > representa os seguintes sons: [z], [gz] ou [ks]. Ex.: hexágono, hexassílabo, hexaedro, hexacloreto, hexógeno, hexâmetro, hexagrama, hexacampeonato, etc. O Houaiss registra as pronúncias [z, ks, gz] nas palavras que têm < hex->, como  hexaedro e hexacampeão, embora o povo só diga hekzaedro, hekzacampeão. Se o < x > é um dífono, isto é, se representa dois sons, então a pronúncia deveria ser [ks], e não [kz], que não existe para o < x  > em português. Assim, se fôssemos aceitar o < x > como dífono, nas palavras começadas por <hexa->, então a pronúncia seria heksacampeão, heksacampeonato, e não hekzacampeão, hekzacampeonato.

Existe na língua um fenômeno chamado “assimilação”, que consiste na mudança de um som por influência de outro. O < s > de “deste” ou de “vespa” soa [s], como o     < c > de “cebola”. Da mesma forma, em “mesmo ou em “desde o < s > soa [z ] (mezmo, dezde), porque a sonoridade das vogais e consoantes se transferiu para o < s >, que soa sonoro. O  < x > em <hexa-> poderia soar [ks], porque ambas as consoantes são surdas, ou [gz], em que ambas as consoantes são sonoras, ou como [z], sonoro entre vogais sonoras. O mesmo fenômeno de assimilação ocorre em “cosquinha” (oriunda de “coceguinha”, diminutivo de “cócega”), com síncope da vogal pré-tônica anterior). Como seria difícil pronunciar “cosguinha” (uma consoante surda antes de uma consoante sonora), houve um ensurdecimento da consoante da sílaba tônica e ambas soam surdas [sk]. Assim, é mais difícil dizer “ekza” do que “eksa”” na pronúncia da palavra “hexacampeão” (ou ambas as consoantes soam surdas, ou ambas soam sonoras). A sequência kz existe em português, em algumas poucas palavras, como “eczema” e derivados ou “czar” e derivados,  mas nunca para o valor de < x >. Mas essa pronúncia é reforçada pela própria escrita com < z >. É por causa da assimilação que o povo pronuncia “subzídio” por “subsídio” ou “subzistência” por “subsistência”, fazendo soar sonoro o < s > depois de consoante sonora (o < s > depois de < b > soa [s] , surdo, segundo a prosódia oficial, exceto em “obséquio” e derivados). Em francês o < x > também representa vários sons: [s] (dix), [z] (dix amis), [ks] (fixer), [gz] (examen), ou  [Ø] antes de nome começado por consoante  (dix livres).

No Dicionário de dificuldades da língua portuguesa (Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996),  no verbete hexa-, Domingos Paschoal Cegalla recomenda a pronúncia “egza”. Consequentemente, para ele, o torcedor da Seleção brasileira deveria dizer egzacampeonato” (hexacampeonato).

Como será que os torcedores vão pronunciar “hexacampeão” na copa de 2014?

NOTA: No texto, os parênteses quebrados (< >) indicam grafemas; os colchetes ([ ]), sons da fala.

 

 

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011.

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TÁ TUDO DOMINADO

Pesquisa aponta que 70% dos brasileiros não confiam na polícia

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A insatisfação da população com a polícia cresceu no primeiro semestre de 2013 em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo o Índice de Confiança na Justiça Brasileira (ICJBrasil), realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) para integrar a 7ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), 70,1% da população não confia no trabalho das diversas polícias no País, 8,6 pontos porcentuais acima do registrado no primeiro semestre de 2012.

O FBSP destacou que a credibilidade das polícias está mais próxima da apresentada pelos partidos políticos (95,1% dos brasileiros afirmam que não confiam em legendas políticas) do que pela apresentada pelas Forças Armadas (34,6% não confiam), o que, mostra o documento, indica a necessidade de rever a atuação dos agentes de segurança pública.

De acordo com o fórum, as atuações das polícias desde as manifestações iniciadas em junho são apenas um ponto que precisa ser revisto na política de segurança adotada nos dias de hoje.

Cinco pessoas morrem em média todos os dias no país vítimas da ação policial, de acordo com o Anuário. No ano passado, 1.890 pessoas foram mortas em episódios envolvendo policiais em serviço. Além disso, considerando as taxas de mortes por homicídio da população e de policiais, o risco de um policial morrer assassinado no Brasil é três vezes maior que o de um cidadão comum.

A taxa de homicídio geral da população foi de 24,3 por 100 mil habitantes, enquanto a de policiais mortos em serviço e fora de serviço foi de 72,1 por 100 mil policiais. “A polícia está matando muito e morrendo muito”, disse o coordenador do Anuário, Renato Sérgio de Lima. Ele afirmou que os dados são uma evidência forte de que a forma como o Estado brasileiro atua para lidar com crimes é “anacrônica e falida”.

Lima disse que, embora o gasto do País com segurança pública tenha atingido R$ 61,1 bilhões em 2012, alta de 16% ante o ano anterior, cerca de 40% desse valor é destinado a aposentados e inativos. “O Brasil gasta muito, mas investe mal”, resumiu.*

(*) – Estadão – UOL

 

A PROPÓSITO

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BANANA REPUBLIC

Em novo recurso, Dirceu diz que quadrilha

é imaginária e pede sua absolvição

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Condenado a 10 anos e 10 meses de prisão, o ex-ministro José Dirceu enviou um novo recurso ao STF (Supremo Tribunal Federal) para tentar ser absolvido do crime de formação de quadrilha e escapar de uma pena de prisão no regime inicialmente fechado.

Num recurso de 29 páginas, a defesa do ex-ministro diz que não passa de imaginação a ideia de uma quadrilha atuando para a realização do mensalão. Os advogados ainda alegam que Dirceu não poderia ser chefe de um grupo de pessoas que cometeram mais de 150 crimes quando ele foi condenado apenas por corrupção ativa.

“A denúncia imputa aos demais membros da imaginada instituição criminosa a prática de mais de 150 crimes (…) contraditoriamente, o ‘chefe da quadrilha’ só foi condenado pela prática de corrupção ativa em continuidade (…) Não é possível vislumbrar traços de estrutura de decisão numa suposta quadrilha na qual o chefe não participa da imensa maioria dos delitos”, diz trecho do recurso.

No documento os advogados de Dirceu repetem argumentos dos ministros que absolveram os réus pelo crime de formação de quadrilha, como Ricardo Lewandowski e Rosa Weber.

Eles votaram pela absolvição de Dirceu por entender que uma quadrilha só é configurada quando há união estável e permanente para “o fim de perpetração de uma indeterminada série de crimes”. Além disso, para estes ministros, é preciso que os integrantes vivam exclusivamente do fruto dos crimes, o que, na visão da defesa, não é caso de Dirceu e dos demais réus.

Para reforçar este ponto de vista, o recurso cita que Dirceu chegou à chefia da Casa Civil após “décadas de atuação política transparente e sem máculas”. Diz que, no posto, ele não cometeu nenhum crime dos possíveis de serem praticados por agentes públicos e teria como única mácula o delito da corrupção.

“Inúmeras provas atestam que exercia o cargo de ministro da Casa Civil de forma correta e sem indícios de irregularidade. A única conduta ilícita reconhecida (…) refere-se à prática de corrupção ativa em continuidade”.

Para os advogados, nem mesmo no chamado núcleo politico, formado por Dirceu, pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e pelo ex-presidente da sigla José Genoino seria possível se enquadrar o crime de formação de quadrilha.

A alegação é de que Delúbio foi eleito secretário de finanças do partido pelo voto dos correligionários. Da mesma forma, Genoino tinha total autonomia em sua função.

“[Delúbio] Não assumiu seu posto por determinação de José Dirceu e tampouco lhe devia obediência”, diz o recurso.

REDUÇÃO DA PENA

Apesar de pedir prioritariamente a absolvição pelo crime de formação de quadrilha, fazendo com que Dirceu ficasse unicamente com a condenação de 7 anos e 11 meses por corrupção, a defesa tenta, no caso de manutenção do crime, a redução da pena.

O argumento usado é que em dois momentos distintos sua pena foi elevada por um mesmo motivo: o fato de ele ter sido dirigente do PT e chefe da Casa Civil. A defesa diz que a duplicação do agravante é ilegal, por isso a condenação precisaria ser menor.

No mesmo sentido diz que, no cálculo da pena, Dirceu teve a condenação agravado por ter “papel proeminente” na quadrilha e por “dar a palavra final”, o que, para a defesa, é a mesma coisa.

“No fundo, no fundo, os argumentos são os mesmos”, diz.

Caso consiga a reduzir a pena de 2 anos e 11 meses por formação de quadrilha para qualquer uma abaixo de 2 anos, devido ao tempo passado entre a apresentação da denúncia e o julgamento, ela estaria prescrita.

Além de Dirceu, que apresentou nesta quinta-feira seu recurso conhecido como embargos infringentes, outros réus, como Delúbio, Genoino e o operador do esquema Marcos Valério, também têm o direito de apresentá-lo. O prazo vai até o dia 11 de novembro.

A expectativa é que o julgamento deste tipo de recurso aconteça somente no ano que vem.*

(*) SEVERINO MOTTA, DE BRASÍLIA, FOLHA DE SÃO PAULO

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VERSO CONFUSO DO HINO NACIONAL

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Hilário Soneghet, no soneto “Saara”, do livro Quase toda a poesia (Vitória: Florecultura, 1999, p. 36) tem no segundo quarteto os dois versos iniciais seguintes: “O meu camelo, magro, vacilante,/ de peso esmaga a carga de marfim.”  Trata-se de uma inversão sintática chamada anástrofe, pouco comum na obra do poeta, que primava pela simplicidade e pela clareza. Em ordem direta, os versos querem dizer: “a carga de marfim de peso esmaga o meu camelo, magro, vacilante”. O adjunto adnominal  “de peso” equivale ao adjetivo  “pesada” (a carga de marfim pesada). Repare-se que, na anástrofe, o objeto direto (o meu camelo…) ficou no lugar do sujeito, e o sujeito (carga de marfim de peso) ficou no lugar do objeto.

A letra do Hino Nacional, do mau poeta e péssimo gramático Osório Duque Estrada, está cheia de palavras difíceis (lábaro, plácidas, fúlgidos, garrida, impávido colosso, penhor dessa igualdade, florão da América…), tem versos de empréstimo da “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias (“Nossos bosques têm mais vida; / nossa vida, mais amores”), num encaixe desajeitado, porque torna descontínuo o segundo verso (“em tem seio”), para manter o ritmo; tem um cacófato bravo (herói cobrado), uma ofensa ao país e ao povo, involuntária, embora, numa leitura denotativa que o “poeta” não percebeu ou ignorou (deitado eternamente em berço esplêndido); e tem inversões sintáticas terríveis que prejudicam a compreensão do hino (“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heroico o brado retumbante”, isto é, as margens plácidas do Ipiranga é que ouviram o brado retumbante de um povo heroico), e, além de tudo, é extremamente longa, com dois momentos semelhantes que levam à confusão, na hora do canto (“Brasil de um sonho intenso…” e “Brasil de amor eterno…”). Nesses momentos, as pessoas param de cantar, esperando que um mais afoito comece a estrofe problemática. Todos esses defeitos já bastariam como argumento legítimo para que a letra do Hino seja inteiramente substituída por outra mais fácil de entender e de cantar.

Mas o que pretendo nesta croniquinha é apontar, no Hino Nacional, uma inversão sintática, no verso “E o teu futuro espelha essa grandeza”, que confunde até mesmo professores de português e “tradutores” do Hino. Ora, como o futuro ainda não existe, não pode espelhar nada. Como nos versos acima citados de Hilário Soneghet, o sujeito e o objeto da sentença estão com suas posições trocadas. A grandeza é que espelha o futuro. Traduzindo: como o país é grande, essa grandeza espelhará o futuro, isto é, o futuro terá igual grandeza.

Na sua Introdução à lingüística teórica  (São Paulo: Nacional / Edusp, 1979), John Lyons, na nota 5 da página 101,comenta exemplos semelhantes em que o sujeito e o objeto estão invertidos em sua posição na sentença. Em Os Lusíadas, canto V, estrofe 24, Camões também utiliza uma anástrofe semelhante: “Enquanto o mar cortava a armada”. Na verdade, a armada é que cortava o mar.

Se queremos que o povo brasileiro aprenda a cantar corretamente o Hino Nacional, já é mais que tempo de propor  uma substituição dos versos infelizes de Osório Duque Estrada. Ou todos continuaremos a ignorar a letra e/ou a esperar que  alguém diga primeiro “Brasil de um sonho intenso” para que a arraia-miúda continue a cantar o Hino…

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011.

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CHAMEM O LULLA

Estaleiro OSX, de Eike, tenta levantar R$ 400 milhões

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A empresa naval OSX, de Eike Batista, tenta levantar até R$ 400 milhões para escapar da recuperação judicial. O destino da companhia será decidido até o início da próxima semana.

A empresa vem sendo pressionada pelos fornecedores, que estão com pagamentos em atraso e já protocolaram protestos na Justiça.

A OSX quer evitar seguir o mesmo caminho da petroleira OGX, que pediu recuperação judicial ontem. A medida provocaria um constrangimento para o governo, porque significaria um calote de R$ 1 bilhão de empréstimos dados por Caixa e BNDES.

O dinheiro novo pode vir de três fontes: uma parceria com o grupo espanhol Dragados no estaleiro localizado no porto do Açu; um empréstimo de R$ 100 milhões dos bancos Santander e Votorantim; e R$ 200 milhões da venda de um equipamento, conforme antecipou a Folha.

Votorantim e Santander garantem, respectivamente, os empréstimos de BNDES e Caixa. Os quatros bancos negociam a renovação da linha de crédito por um ano e a injeção de dinheiro novo.

Segundo apurou a reportagem, a renovação do crédito ainda não foi concluída, porque o Santander gostaria que a Caixa reduzisse um pouco o tamanho da sua garantia.

O Santander também é o responsável por aproximar a OSX da espanhola Dragados.

A situação da OSX é menos desesperadora que a da petroleira OGX, porque tem ativos valiosos, que superam o montante da dívida.

Segundo fontes próximas à companhia, se os fornecedores aceitarem negociar, as dívidas da OSX ficariam em R$ 4 bilhões. Já suas plataformas de petróleo e outros equipamentos valem um pouco mais que isso.

O problema é que a OSX precisa de tempo para vender as plataformas e pagar as dívidas. Os fornecedores menores estão protocolando processos na Justiça.*

(*) RAQUEL LANDIM, DE SÃO PAULO. RENATA AGOSTINI, DE BRASÍLIA. – FOLHA DE SP

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