E VIVA O POVO BRASILEIRO

Imprevisível ano nov0

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Costumo comprar um suco de laranja chamado Do Bem, na padaria da esquina. Não levei o nome a sério porque, nesta altura da vida, suspeito que o bem e o mal coexistem e se entrelaçam. Apenas comprava. A caixa era cheia de histórias. E o slogan: feito por jovens cansados da mesmice. Tanta novidade num suco de laranja e descubro agora que o suco Do Bem mentia ao informar que suas laranjas vinham direto da fazenda do seu Francisco no interior de São Paulo. Elas vêm dos grandes fornecedores. Da marca às historinhas, era tudo uma conversa de marketing. E isso me lembrou a atmosfera geral no País.

A própria campanha política foi uma narração dos marqueteiros: progressistas contra reacionários, desprendidos reformadores sociais contra uma elite obtusa. Muitos dos vencedores não acreditam nessa história. Sabem que o bem e o mal se entrelaçam e, passada a campanha, é preciso aproximar-se um pouco mais da realidade.

O PT contou sua história: decidiu, a partir de agora, expulsar os corruptos do partido, dando-lhes o direito de defesa. Em tese, assino embaixo. Mas há algumas laranjas do seu Francisco nesse enredo. No penúltimo escândalo, o do mensalão, os condenados foram saudados por muitos militantes como guerreiros do povo brasileiro. Uma nota completa voltaria ao tema, ou para dizer que se equivocou ou para confirmar a cínica tese de que não houve corrupção da base aliada. Nesse caso, sugiro a fórmula de Homer Simpson: seu único crime foi violar a lei.

O escândalo do petrolão segue seu curso. Esta semana foi denunciado mais um intermediário da propina. Um antigo assessor de Nei Suassuna, que foi senador pelo PMDB. Questionado sobre a atividade do ex-assessor, disse não acreditar que estivesse relacionado com o escândalo da Petrobrás: era algo em altas esferas, muito alto para ele. Pode ser verdade ou mais uma historinha, ao menos admite que se o assessor tivesse mais estatura, no universo das propinas, assaltaria também a estatal. E que na corrupção existe o topo de linha e uma segundona cujos times não jogam no campo da Petrobrás.

Uma outra narração é essa de cortar os gastos. O novo ministro da Fazenda é especialista nisso e trouxe grande otimismo ao mercado. Houve gente comemorando o crescimento de 0,1%. Os sinais são ambivalentes, pois o governo, ao mesmo tempo que fala em cortar, pode estar querendo também arrecadar mais. Fala-se na volta da Cide e da CPMF, que, ao lado dos aumentos da gasolina e da energia, iria sobrecarregar a sociedade. Talvez Dilma esteja muito ocupada com a formação do novo Ministério. Um novo presidente eleito leva vantagem nessa performance: ainda não é o presidente, não precisa responder às questões que não param de acontecer.

Nesta semana em que o mundo discutiu as mudanças climáticas no Peru, creio que duas preocupações deveriam ocupar algum espaço na agenda do governo. As divergências entre Minas, Rio e São Paulo em torno do uso do Rio Paraíba do Sul serão mediadas pelo ministro Luiz Fux. No meu entender, isso é tarefa para a Presidência, que deve ter a visão global de nossos recursos hídricos.

O petrolão suscita outro tema para além do suborno. Dilma está longe de considerá-lo, pois dedica seu tempo agora ao loteamento dos cargos, plantando as sementes do próximo escândalo. Trata-se da influência das empreiteiras no planejamento energético do Brasil. Elas querem construir e a construção ostensiva interessa ao governo, assim como as fortunas doadas à campanha eleitoral. Esse mecanismo inibe os investimentos em eficiência energética. Afasta-nos de um movimento forte no mundo a julgar pelo relatório da ONU.

Um dos polos nessa busca pela sustentabilidade é a produção descentralizada de energia, o outro é a eficiência energética. Nada disso interessa às empreiteiras, logo, nada disso interessa também aos políticos. Especialista em energia, a presidente é muito distante. O ministro Lobão, de certa forma, já não está entre nós. A crise hídrica atravessa mandatos. Ela diz respeito não só à água, como à matriz energética brasileira. É mais complicada do que construir barragens e hidrelétricas.

Nesses temas um dirigente máximo não pode vir com as laranjas do seu Santana. Estamos diante de um imprevisível ano novo. O governo vai só economizar ou nos fará gastar mais? Até onde não conflitam o propósito de economizar com a compra de deputados, a montagem de 39 ministérios? Quem garante que os corruptos do mensalão não se transfigurem, de novo, em guerreiros do povo brasileiro? Guerreiros com guerreiros fazem zigue, zigue, zá: tudo pode acontecer.

Mas o sistema de cumplicidade entre governo e empreiteiras, o universo de estatais aparelhadas, todo esse mundo de concreto armado é um bloqueio político e econômico. Ele pode ruir. Pode também não acontecer nada. Neste caso, vão precisar de muitas historinhas, algo como mil e uma noites, para nos consolar.

Não há consolo para os desempregados da Iesa, empresa envolvida no escândalo do petrolão. Passei o fim de semana em Charqueada, a 80 km de Porto Alegre. A cidade decretou calamidade pública pois vai perder 6 mil empregos, contando os indiretos. Filmei equipamentos orçados em US$ 600 milhões expostos ao sol, paralisados. Mas não eram os milhões que me interessavam, e sim como o escândalo repercutiu na vida das pessoas. Num comício, sábado, o prefeito afirmou: eles vieram com o aval da Petrobrás, prometeram investir R$ 900 milhões, como iríamos saber que era uma picaretagem?

O Ministério do Trabalho está presente em Charqueada para reduzir os danos. Mas que historinha contar a uma cidade que depositou seus sonhos no projeto, abriu novas lojas e restaurantes e descobre que a licitação foi fraudada e o dinheiro se perdeu em propinas e campanhas políticas?

Em Charqueadas, um dos centros da região carbonífera do Rio Grande do Sul, o governo está queimado.*

 

(*) Fernando Gabeira é jornalista – Estadão

ROUBOBRÁS

Lava Jato mostra que TSE

virou uma lavanderia

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No mensalão, concluiu o STF, o PT recorreu a empréstimos bancários fictícios para encobrir o dinheiro que saía de sua tesouraria pelo ladrão. No petrolão, indicam as delações da Operação Lava Jato, o partido de Lula e Dilma Rousseff descobriu uma maneira legal de ser desonesto: converteu o Tribunal Superior Eleitoral e suas ramificações estaduais numa lavanderia.

28.nov2014 – Adarico Negromonte Filho (acompanhado de duas advogadas e do filho) deixa o prédio da Polícia Federal em Curitiba, após terminar o periodo de prisão temporária expedida pela Justiça durante a Operação Lava Jato. Irmão do ex-ministro das Cidades, Mário Negromonte, Adarico é apontado como responsável por levar dinheiro de propina recolhido pelo doleiro Alberto Youssef aos representantes de partidos políticos e agentes públicos Leia mais Zanone Fraissat/ Folhapress

Um dos delatores, o executivo Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, da empresa Toyo Setal, disse que um pedaço das propinas pagas ao ex-diretor da Petrobras Renato Duque desceu à caixa registradora do PT na forma de “doações oficiais”, devidamente registradas na Justiça Eleitoral. Coisa de R$ 4 milhões entre 2008 e 2011.

Superior hierárquico da Polícia Federal, o ministro petista José Eduardo Cardoso (Justiça) apressou-se em declarar que é “incorreto” concluir que a escrituração do comitê Dilma-2010 foi irrigada com verbas provenientes da petrorroubalheira. Em busca de companhia para o PT, o ministro citou o depoimento de Júlio Camargo, outro delator da Toyo Setal

Júlio também admitiu que pagou R$ 137 milhões em propinas. Mas negou que parte desse valor tenha virado doação legal de campanha. Não que ele seja avesso a políticos. Não, não. Absolutamente. Dono de três empresas de consultoria, o delator diz ter “doado” R$ 4,2 milhões entre 2008 e 2012 a políticos de 11 partidos. Ele apenas declara que tais “doações” não incluíram verbas de má origem.

Cardozo abre o leque: “Quando você fala em contribuições neste período, você não está falando especificamente das contas de uma campanha, você está falando de todas as campanhas de todos esses partidos.”

O doutor tem razão. Os arquivos do TSE informam que, apenas em 2010, o custo total das campanhas para presidente, governador, senador e deputado federal foi de 4,9 bilhões. Sabe-se que o PT não é a única organização partidária com fins lucrativos do país.

Assim, é razoável supor que a cifra registrada no TSE carregue sujeiras alheias. Embora estrelados pelo PT, os próprios inquéritos do petrolão jogam no caldeirão outras siglas: PMDB, PP, PSB e até, numa rebarba de R$ 10 milhões, o PSDB.

Cardozo acha que “há uma leitura política dos fatos, que não condiz com aquilo que está dito” nos depoimentos. “Cada um vai ler os fatos como lhe interessa. Por que é a [campanha] presidencial e não os governadores? Onde é que está dito isso?”

De novo, o doutor tem razão. Mas o ministro deveria fazer a mesma pergunta de trás para a frente. Verá que também faz sentido: por que o dinheiro proveniente da Petrobras teria irrigado apenas as campanhas de governadores e não a da presidente da República?

Quanto à segunda indagação —“onde está dito isto?”— Cardozo faria um bem a si mesmo se desse tempo ao tempo. Convém preparar a alma. Sob pena de surpreender-se desagradavelmente quando vierem à luz os depoimentos do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef.

Quem ouviu a dupla diz que, entre muitos outros temas, ambos falaram de campanha presidencial. Caberá ao procurador-geral da República Rodrigo Janot decidir o que fazer com o material. O teor da delação de Paulo Roberto já está com Janot. O resultado do suor do dedo de Youssef chega-lhe à mesa oficialmente nesta sexta-feira.

Enquanto aguarda pelos desdobramentos do caso, a plateia divide-se em duas: de um lado os otimistas. Do outro, os pessimistas. O primeiro grupo acha que, de escândalo em escândalo, o país vai expurgando a corrupção do seu sistema político. O segundo grupo avalia que, ao descobrir que o TSE lava mais branco, a corrupção tornou-se o próprio sistema.*

(*) Blog do Josias de Souza

“DESPEZAS NÃO CONTABILIZADAS”, É?

Aécio diz que não cabe a ministros do governo explicarem doações ao PT

Para tucano, quem deve esclarecimentos é o tesoureiro do partido

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BRASÍLIA – A oposição reagiu nesta quinta-feira depois que duas autoridades do governo defenderam as doações à campanha da presidente Dilma Rousseff. O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), derrotado em outubro, afirmou que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, estão fazendo “defesa prévia” e atuando como advogados do PT.

Para Aécio, ambos estariam assumindo o papel que caberia a João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, citado na delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa como um dos operadores do esquema de distribuição de propinas na estatal. Vaccari se nega a dar entrevistas sobre o assunto.

— Acho extremamente preocupante quando o ministro da Justiça, que é chefe da Polícia Federal, e o advogado-geral da União assumem um papel que deveria ser do tesoureiro do PT. Essa defesa prévia feita pelo ministro da Justiça e pelo advogado-geral mostra uma proximidade e familiaridade muito grande deles com a contabilidade do partido. E isso pode gerar problemas para eles no futuro. Não me parece adequado que eles se transformarem em advogados de um partido político — afirmou Aécio ao GLOBO.

O senador cobrou explicações do PT sobre as denúncias e disse que, se comprovadas, o mandato da presidente Dilma perde “legitimidade”:

— Não sabemos ainda a extensão dessas denúncias, mas é um alerta que fica. Se comprovado que houve dinheiro de propina da Petrobras para pagar a campanha petista, isso é extremamente grave e o atual mandato da presidente fica sem legitimidade. O PT tem que dar explicações sobre como chegou ao poder do ponto de vista político, legal e explicar essas denúncias sobre o financiamento das campanhas — disse o tucano.

O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) também foi para o ataque e afirmou que, se houver comprovação da denúncia, Dilma terá de sofrer as “penalidades” previstas no Congresso para crime de caixa dois — mesmo que as doações sob suspeita tenham ocorrida na campanha da eleição de 2010.

— É jurisprudência nesta Casa que os políticos respondem pelos crimes praticados neste mandato ou em mandatos anteriores. Sendo provado que teve propina na campanha, Dilma sofrerá todas as penalidades a que está sujeito quem faz uso de caixa dois em campanha eleitoral. Se a presidente estivesse convencida de que isso era apenas um terceiro turno, como eles gostam de chamar, não teria loteado seus ministérios, baixado decreto para se livrar de crime de responsabilidade e, muito menos, mandado seu ministro da Justiça e o advogado-geral da União defendê-la — disse Caiado.

Assim como Aécio, o deputado frisou que a responsabilidade para dar explicações sobre o financiamento da campanha petista é do tesoureiro do partido, não de Adams e Cardozo.

— Essas pessoas não estão credenciadas a falar sobre financiamento de campanha. Quem deveria responder sobre isso é o Vaccari. Pelo que me consta, eles não foram arrecadadores nem responsáveis pela prestação de contas. Com todo respeito à polivalência deles, não é assunto para explicarem, e sim para o tesoureiro, que conhece profundamente como as doações foram feitas — pontuou Caiado.

Segundo informações dadas pelo executivo Augusto Ribeiro Mendonça Neto, que negociou acordo de delação premiada na Operação Lava-Jato, parte da propina cobrada por Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, foi paga na forma de doação oficial ao PT. Segundo o executivo, o valor alcançou cerca de R$ 4 milhões entre 2008 e 2011 e foi pago por meio das empresas MPE Engenharia, SOG Óleo e Gás e Setec Engenharia.*

(*) JÚNIA GAMA – O GLOBO

OS SETE TRABALHOS DE HÉRCULES

Será preciso bem mais

do que uma risca de giz

O novo ministro da Fazenda está fadado
a enfrentar dificuldades cada vez maiores.

000 - está no DNA do partido

A ideia do governo era “passar uma risca de giz” entre a nova equipe econômica e a anterior (O GLOBO, 25/11). A analogia é sugestiva, mas ambígua. De um lado, parece conferir nitidez à linha divisória que separaria as políticas econômicas dos dois mandatos.

De outro, sugere pouco mais do que uma linha imaginária arbitrária que, por si só, não seria capaz de assegurar reorientação tão marcada da política econômica.

A intenção inicial do Planalto era só anunciar a nova equipe quando estivesse terminado o trabalho sujo de empurrar goela abaixo do Congresso a ruidosa adulteração da LDO, e o governo, aliviado, pudesse alardear que a meta de superávit primário de 2014 havia sido cumprida, mesmo que, de fato, as contas apontassem um déficit.

Mas, com o esperneio do Congresso, o circo de horrores montado pelo Planalto no Legislativo, para viabilizar esse grand finale de falsificação das contas públicas, não pôde ser desmontado a tempo.

O espetáculo de irresponsabilidade fiscal acabou sendo mais prolongado do que se esperava. E, afinal, a essência vergonhosa da mudança da LDO só pôde ser aprovada já do lado de cá da risca de giz, quando a nova equipe econômica tinha começado a esboçar discurso mais consequente.

Para culminar, o governo aproveitou a demora para se permitir mais uma “saideira”: novo repasse de R$ 30 bilhões ao BNDES. O pretenso cordão sanitário entre o regime fiscal antigo e o novo foi rompido logo na primeira semana.

Joaquim Levy tem todas as credenciais técnicas para enfrentar o desafio de botar ordem na deprimente mixórdia fiscal em que terminou o governo.

O Planalto lavrou um grande tento ao conseguir convencê-lo a aceitar o cargo de ministro da Fazenda em condições tão adversas, mesmo estando ele plenamente ciente de que terá de lidar com uma cúpula de governo que não comunga com a maior parte das ideias que terá de implementar.

Conspira contra Levy o fato de que, dificilmente, os frutos da pesada agenda que tem pela frente poderão ser colhidos em menos de dois anos.

Em contraste com a decantada experiência de Antonio Palocci, no início do primeiro mandato do presidente Lula, desta vez a colheita de resultados promete ser muito mais tardia.

Em 2003, as circunstâncias eram bem mais favoráveis. Em poucos meses, a crise de confiança foi superada, a brutal depreciação cambial de 2002 foi revertida, a taxa de juros despencou e, na esteira do boom de preços de commodities e de um quadro fiscal muito mais sólido, a economia voltou a crescer a taxas relativamente altas a partir de 2004, com melhora das contas externas e inflação na meta.

Como agora não há perspectiva de resultados rápidos, o novo ministro da Fazenda está fadado a enfrentar dificuldades cada vez maiores, em decorrência da falta de convicção do Planalto — e do PT — sobre a agenda de política econômica que se faz necessária.

Basta ter em conta o enorme desafio imediato de converter um déficit primário da ordem de 0,5% do PIB, em 2014, em superávit primário de 1,2% do PIB, em 2015, como já anunciado por Joaquim Levy. É difícil que um ajuste fiscal dessa magnitude — 1,7% do PIB — possa ser viabilizado, ao longo de um único ano, só por contenção de dispêndio.

Parcela substancial do ajuste terá de advir do aumento de receita. Em vez de recorrer a formas exóticas de tributação, faria mais sentido desmontar boa parte do desengonçado programa de desoneração da folha de pagamentos que, nos últimos anos, converteu o financiamento da Previdência Social em indefensável colcha de retalhos, em que cada setor recolhe uma alíquota diferente de contribuição patronal sobre faturamento.

É pouco provável, contudo, que o novo ministro do Planejamento e a própria presidente da República concordem com a desmontagem desse impensado programa de desoneração, em cuja concepção estiveram profundamente envolvidos.

Será preciso bem mais do que uma risca de giz para que a presidente Dilma passe a ter as convicções necessárias para dar respaldo continuado e duradouro a Joaquim Levy.*

(*) Rogério Furquim Werneck é economista e professor da PUC-Rio – O Globo

GANGORRA

Sobe (Ministério Público Federal) e Desce (PIB)

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Em alta – O Ministério Público Federal, que pediu a condenação de Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef e de mais sete pessoas por desvios nas obras da Refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco.

Em baixa – A poupança e o Produto Interno Bruto. Em novembro, a caderneta de poupança registrou a menor entrada de recursos para o mês em três anos. Os depósitos na aplicação superaram os saques em R$ 2,53 bilhões. E, ontem, o governo baixou de 2% para 0,8% a previsão de alta do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015.*

(*) Gabriel Garcia – no blog do Noblat

CASA DA MÃE JOANA

A incrível história de Joaquim e Barbosa

Dilma Rousseff engoliu o ‘banqueiro’, imposto por Lula, expondo-se à justa acusação de estelionato político

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“São pessoas que têm elevada credibilidade junto à sociedade, junto ao mercado. Essa equipe tem o simbolismo necessário para essa tarefa que nós vamos enfrentar daqui por diante.” O senador petista Humberto Costa oferece uma primeira pista sobre o sentido das nomeações da equipe econômica. Joaquim, o Levy, assumirá a Fazenda, pois “tem o simbolismo necessário” para restaurar a “credibilidade” perdida pela política econômica. A segunda pista surge na sequência do raciocínio: “Nós vamos fazer essa inflexão, mas isso é uma coisa temporária.” Barbosa, o Nelson, assumirá o Planejamento para aguardar a passagem da etapa “temporária”, depois da qual seria transferido para a Fazenda.

“Um passo atrás para dar dois passos à frente.” Não sei se a frase célebre de Lenin sobre a Nova Política Econômica, implantada na URSS em 1921, emergiu nos conclaves fechados que precederam as escolhas de Joaquim e Barbosa, mas a ideia está aí. O “banqueiro” tem a missão de fazer o trabalho sujo: limpar a casa, restabelecendo o equilíbrio fiscal e contendo as pressões inflacionárias. Depois, na etapa prévia às eleições de 2018, o “desenvolvimentista” retomaria o fio da expansão do gasto, do crédito, do consumo e da dívida, engatilhando a já anunciada candidatura de Lula. Lenin almejava chegar ao comunismo, pela via longa da “etapa” do mercado. O lulopetismo almeja apenas eternizar-se no poder, mesmo às custas das perspectivas de longo prazo da economia brasileira.

Dilma Rousseff engoliu o “banqueiro”, imposto por Lula, expondo-se à justa acusação de estelionato político. “É do jogo”: jornalistas rendidos ao cinismo sacam sua tirada preferida para garantir que nada há de incomum no uso descarado da mentira como ferramenta eleitoral. Mas, de fato, a mentira não “é do jogo”. Nas democracias, como regra, líderes eleitos cumprem a essência do que prometem. O estelionato sinaliza uma crise de fundo, não uma oscilação circunstancial. A deterioração da linguagem é um sintoma da crise. O Planalto enviou ao Congresso uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias que cria um superávit deficitário. Guido Mantega é um ministro demitido em exercício. Joaquim e Barbosa foram ministros nomeados por boatos, antes de serem promovidos a futuros ministros em exercício na equipe de transição do governo Dilma para o governo Dilma. Novilíngua.

Os jornalistas “do jogo” adoram paralelos aparentes — e impertinentes. No primeiro mandato, quando nomeou a dupla Palocci/Meirelles, Lula não praticava estelionato, mas operava segundo a lógica da Carta aos Brasileiros. Dilma, pelo contrário, nomeia Joaquim logo depois de dizer que os “banqueiros” de Aécio e Marina conspirariam para tirar a comida da mesa dos pobres. O “banqueiro” de Dilma, cedido por um banqueiro de verdade, passou os últimos anos criticando a política econômica na qual a presidente-candidata prometeu persistir. O abaixo-assinado de protesto contra a nomeação, firmado por personagens carimbados da nossa deplorável esquerda, contém uma verdade: o governo desrespeita a democracia ao trocar seu discurso de campanha pelas propostas de política econômica da oposição. A outra, obviamente, não está no texto: tirando alguns ingênuos irrecuperáveis, seus autores apenas utilizam o nome do “banqueiro” como moeda de troca pelos nomes dos “companheiros” que sonham emplacar no Ministério.

Dirigindo-se à audiência militante do abaixo-assinado, Gilberto Carvalho disse que, “ao aceitar ser ministro desse projeto”, Joaquim, o Levy, “está aderindo a esse projeto e à filosofia econômica desse projeto”. Para além da bravata, a mensagem é que a autonomia de Joaquim está limitada à esfera do ajuste fiscal. O ministro nomeado para a Fazenda não tem a prerrogativa de avançar em reformas centradas na produtividade, na competitividade e no equilíbrio cambial. Contudo, sem elas, não se alcançará uma redução duradoura dos juros, pressuposto de um ciclo sustentado de crescimento. No fim, o “projeto” circunscreve-se a um efêmero ajuste recessivo, conduzido por um “banqueiro”, como introito a uma nova “etapa” de expansão populista, conduzida por um “companheiro”.

Joaquim aceitou a missão porque Lázaro Brandão, o chefão do Bradesco, pediu-lhe isso e porque quer desenhar um “X” no quadrado vazio de seu currículo. Mas ele deve saber que a “filosofia econômica” do governo chama-se Barbosa, o Nelson. O ministro nomeado para o Planejamento está entre os principais formuladores da “nova matriz econômica” que desembocou na crise atual. Ele só deixou o governo quando viu se abrirem as portas do inferno, depois que Dilma e Mantega resolveram seguir os doutos conselhos do secretário do Tesouro, Arno Augustin, engajando-se na maquiagem das contas públicas. O conflito entre Fazenda e Planejamento está escrito nas estrelas — e seu resultado também. Joaquim, o Breve, foi nomeado para fazer, exclusivamente, o trabalho sujo.

O lulopetismo não é um movimento de ruptura, como o chavismo. Essencialmente conservador, sua película ideológica circunscreve-se, na esfera da política econômica, à expansão dos investimentos das estatais, do gasto público, do crédito ao consumo e dos subsídios para o alto empresariado. A receita populista, mal denominada “keynesiana” por seus arautos, não é sustentável ao longo da fase de baixa do ciclo econômico — e, por isso, precisa ser corrigida periodicamente por ajustes recessivos. É aí que entra o “banqueiro”, convocado para salvar os “companheiros” das consequências de seus alegres folguedos.

A equipe econômica anunciada pela presidente é uma síntese, produzida na hora da crise, da alma dúplice do lulopetismo. De certa forma, Gilberto Carvalho tem razão. Tanto Joaquim quanto Barbosa fazem parte “desse projeto” de reiteração pendular de nossa mediocridade. O “mercado” pode celebrar; o Brasil, não.*

(*) Demétrio Magnoli é sociólogo – O Globo

NAU À DERIVA

O TRIUNVIRATO PRECISA AGIR

Na mais importante sessão da CPMI da Petrobras, terça-feira, coube ao réu Paulo Roberto Costa denunciar a existência de dezenas de políticos envolvidos na roubalheira. Mais ainda, que a lambança não se limitou à estatal petrolífera pois atingiu empresas públicas encarregadas dos setores rodoviário, ferroviário, de portos, aeroportos e hidrelétricas.

Indaga-se há quanto tempo acontece esse conluio entre o poder público e as empresas privadas. Anos? Décadas? Séculos?

Apesar dos louvores que merece a Polícia Federal na elucidação dos crimes, fica evidente a sua limitação, quando as investigações esbarram nos maiores responsáveis pela transformação do Brasil numa imensa caverna do Ali Babá. Porque nada aconteceria não fosse no mínimo a conivência deles. No caso, para começar, os chefes dos três poderes da União. Como um delegado ou uma equipe policial chegariam à suprema direção do Executivo, Legislativo e Judiciário?

Ainda esta semana um grupo de energúmenos ganhou as ruas pedindo a volta à ditadura militar. Deveriam ser todos identificados, processados e encarcerados por injúria à democracia, mas inexistirá outra solução para que se encerre esse longo período de criminalidade?

Caberia aos presidentes da República, do Congresso e do Supremo Tribunal Federal reunir-se para propor à nação um remédio amargo mas essencial à recomposição das instituições. A fiscalização implacável por parte de qualquer agente do estado e a punição intransigente dos malfeitos apurados em ritmo meteórico. Nada fora da Constituição, mas algo capaz de interromper esse festival de ladroagem incrustado na crônica recente ou longínqua. Por certo que não Atos Institucionais ou Adicionais, mas a aplicação segura das leis penais e a utilização do aparato estatal para fazer cumpri-las. Autoridade esse triunvirato possui, independente das pessoas que os ocupem. Falta-lhe confiança, fator essencial para o funcionamento da nação, em condições de ser conquistado na hipótese de assumirem suas responsabilidades na plenitude de seus poderes. Deixar as coisas como estão é que não será mais possível.

A MODA JÁ PEGOU

Aprovado o projeto da presidente Dilma que faz o deficit sepultar o superavit em todas as contas públicas, qual a consequência imediata, ontem mesmo? Foi de que os governadores, sem exceção, reivindicaram a mesma distorção. Não há mais lei de responsabilidade fiscal. Aguarda-se a mesma reação dos prefeitos.*

(*) Carlos Chagas – Tribuna na Internet

PTCANO

TUCANOS COMANDANDO A ECONOMIA

DO PT? ISSO NÃO É NOVIDADE

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O mundo gira e hoje poucos lembram que, na primeira eleição de Lula, houve um enorme desespero diante da chamada “reação do mercado”. Surgiu, então, a “Carta aos Brasileiros”, escrita por José Dirceu e um grupo de colaboradores com objetivo de acalmar banqueiros, empresários e investidores nacionais e estrangeiros.

Mas o que realmente acalmou o mercado foi a nomeação do médico sanitarista e ex-prefeito Antonio Palocci para o Ministério da Fazenda e do deputado eleito Henrique Meirelles (PSDB-GO) para presidir o Banco Central.

Durante a “fase de transição”, Palocci teve oportunidade de mostrar sua maneabilidade (digamos assim) aos grandes capitalistas. Sua vocação de “consultor de empresas” já se fazia presente e ele foi consagrado como “confiável”, digamos assim.

Quanto a Meirelles, seu nome surgiu por indicação de Aloizio Mercadante, que havia trabalhado com ele no BankBoston. Para a Secretaria do Tesouro, Meirelles então indicou o tucano Joaquim Levy, que na segunda gestão de FHC, era economista-chefe do Ministério do Planejamento.

Prazerosamente, Palocci se colocou inteiramente “à disposição” do mercado. Portanto, para o PT, na equipe econômica sobrou apenas o Ministério do Planejamento, que não fede nem cheira, pois nada decide de importância, e o obediente Guido Mantega ficou estacionado lá.

Lula não tinha alternativa e concordou, assumindo um governo que era uma espécie de Hidra de apenas duas cabeças — uma administrativa (do PT) e a outra financeira (do PSDB). O mercado então sossegou, o dólar começou a cair e o governo foi em frente.

A HIDRA DEU CERTO

Esta estranha composição PT/PSDB deu absolutamente certo. Lula sabia transmitir esperança e otimismo a todos, o panorama internacional estava favorável, o preço das commodities subiu, puxado pelo efeito China, e o PIB foi crescendo, inflando a arrecadação federal. O Brasil parecia estar “no melhor dos mundos”, como dizia o professor Pangloss a seu discípulo Cândido, na genial criação de Voltaire.

Quando Lula entregou o governo em 2010, o PIB havia subido espantosos 7,5% naquele ano. Mas a sucessora Dilma Rousseff era uma espécie de Lula pelo avesso. Não tinha carisma, não sabia transmitir esperança ou otimismo e possuía um gravíssimo defeito — julgava entender de economia, por ter conseguido se formar na UFRS em 1977.

Dilma tinha tanta ânsia de demonstrar conhecimento em Economia que sua biografia oficial, no site da Casa Civil, informava erroneamente que ela era “mestre em Teoria Econômica pela Unicamp” e também “doutoranda em Economia Monetária e Financeira” pela mesma universidade. E no site da Plataforma Lattes, que abriga currículos, Dilma estava identificada como “mestra“, com título obtido em 1979, e “doutoranda em Ciências Sociais Aplicadas” desde 1998. Mas era tudo mentira.

A FARSA DE DILMA

Quando a farsa foi descoberta, Dilma deu a seguinte declaração: “Fiz o curso de mestrado, mas não o concluí e não fiz dissertação. Foi por isso que voltei à universidade para fazer o doutorado. E aí eu virei ministra e não concluí o doutorado“.

Foi patético, porque imediatamente a Universidade de Campinas informou que ela nunca se matriculou no mestrado. E o pior é que ninguém pode fazer doutorado sem antes fazer mestrado.

Quando Dilma assumiu, o obediente Mantega já estava na Fazenda desde março de 2006, quando Palocci foi derrubado pelo caseiro Francenildo. Dilma teve de mantê-lo, por ordem de Lula, mas conseguiu demitir Meirelles. Foi seu maior erro, porque era justamente Meirelles quem orientava Mantega. Dilma, porém, se julgava candidata ao Oscar e decidiu ela própria conduzir a economia, ou seja, conduzir Mantega, que simplesmente a obedecia sem jamais discordar.

UM FRACASSO ABSOLUTO

O resultado aí está. De 7,5% caímos para PIB zero, o país está devagar, quase parando, com uma presidente sem a menor credibilidade, que mostrou inacreditável despreparo nos debates da TV. Ora, se ela não consegue raciocinar direto nem concluir frases, como pode pretender conduzir a economia de um país complexo como o Brasil?

A solução de momento foi ouvir Lula e aceitar novamente a Hidra de duas cabeças — uma administrativa (PT) e a outra, financeira (PSDB). É o famoso jeitinho brasileiro, em versão política. Se vai funcionar novamente, só depende de Dilma Rousseff. Basta que ela não atrapalhe. Mas já está atrapalhando, com a alta dos juros, que elevam a dívida, e com novo repasse de R$ 30 bilhões ao BNDES, mediante emissão de títulos.

Dilma deveria ficar à vontade lá no Alvorada, brincando com o neto e se dedicando a coisas que realmente saiba fazer.*

(*) Carlos Newton – Tribuna na Internet

VERGONHOSO

Dilma colou um código

de barras no Congresso

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Numa sessão encerrada às 4h58 da madrugada desta quinta-feira, após 19 horas de embates, o Congresso Nacional aprovou o texto-base do projeto de lei que autoriza o governo a fechar as contas públicas de 2014 no vermelho. Por ausência de quórum, faltou votar uma emenda ao texto principal. Haverá nova sessão na próxima terca-feira. Mais cinco dias para que os adversários e, sobretudo, os aliados do governo tirem mais algumas lascas da imagem de Dilma Rousseff.

Praticamente concluída, a votação desce à crônica do primeiro mandato de Dilma como uma prova da eficiência do governo. Ele fixou a meta de superávit fiscal, ele mesmo descumpriu a meta e ele mesmo se absolveu, arrancando do Congresso uma lei que o desobriga de cumprir a meta.

3.dez.2014 – A administradora Ruth Gomes de Sá (de óculos), 79, agredida em protesto nas galerias do plenário do Congresso Nacional durante a sessão tumultuada desta terça-feira (2), voltou ao Congresso e diz não querer virar “celebridade”. Ela tirou fotos com as pessoas que passavam pela entrada da Câmara e deu mais de 15 entrevistas. Ao ser questionada pela reportagem do UOL sobre por que voltou ao Congresso hoje, Ruth respondeu: “vim quebrar o pau aí” .

Para obter do Legislativo a decisão que a livrará de um eventual enquadramento no crime de responsabilidade, Dilma paga um preço. Pelo alto, negocia ministérios com cardeais dos partidos governistas. Na planície, brindou o baixo-clero parlamentar com um decreto liberando R$ 444 milhões em emendas ao Orçamento da União.

Cada deputado e senador passou a dispor de uma mesada de R$ 748 mil para aplicar em obras nos seus redutos eleitorais. Coisa de R$ 11,7 milhões por ano. Tudo isso condicionado à aprovação da manobra fiscal. Foi como se Dilma grudasse no plenário do Congresso um código de barras.

Como se sabe, nem todos os parlamentares estão sujeitos ao suborno. Mas 90% dos quadros do Parlamento dão aos 10% restantes uma péssima reputação. De resto, ao fixar num decreto o valor de cada voto —coisa inédita na história do fisiologismo nacional—, Dilma deixou claro que não faz questão de tirar da nova lei a marca do preço.

Além de rebaixar o teto de um Congresso que não consegue aumentar sua estatura, Dilma ministra um grande ensinamento aos 27 governadores e aos mais de 5 mil prefeitos de todo país: governar é desenhar com borracha. Ficou entendido que a Lei de Responsabilidade Fiscal só vale até certo ponto. O ponto de interrogação. Guiando-se pelo exemplo federal, gestores estaduais e municipais que flertarem com a irresponsabilidade fiscal poderão reivindicar o direito de desfritar um ovo.*

(*) Blog do Josias de Souza