VAMOS A LA PRAIA OU ÀS URNAS?

Exterminadores da razão

O desejo de mudança se transformou na liderança folgada dos situacionistas Dilma (PT), Alckmin (PSDB) e Pezão (PMDB). Vai entender

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No Brasil, como ensina o professor Pedro Malan, até o passado é incerto. Há três meses, 75% dos brasileiros se diziam insatisfeitos com o país e exigiam mudanças urgentes, mas hoje, quando todos os indicadores econômicos, que já eram ruins, pioraram ainda mais, o desejo de mudança se transformou na liderança folgada dos situacionistas Dilma (PT), Alckmin (PSDB) e Pezão (PMDB). Vai entender. Será que eles mentiram aos pesquisadores? Ou eram felizes e não sabiam? Ou gostavam de sofrer? Ou o medo do desconhecido é maior que a esperança no futuro?

Mas como mudar, se nenhum governante municipal, estadual ou federal jamais reconhece seus erros, atribuindo-os sempre a outros, a conspirações políticas ou a circunstâncias adversas? Sem reconhecê-los, como corrigi-los?

Quem está na chuva é para se queimar, dizia o folclórico presidente corintiano Vicente Matheus, mas na fogueira eleitoral, além de sonhos e reputações, a razão é a primeira a arder. Mentiras, golpes baixos e jogo sujo são o motor das campanhas, um vale-tudo sem limites na luta pelo poder que deve envergonhar a todos que não acreditam, como Lula, que vergonha é perder eleição.

Uma das piores consequências da selvageria das campanhas para conquistar, radicalizar e fidelizar os eleitores é criar condições para que cada um expresse os seus piores sentimentos, os mais covardes e abjetos, contra os adversários eleitorais, fazendo da política mais um estimulo ao ódio, à inveja e ao ressentimento entre indivíduos do que um espaço de discussão democrática. Não há razão que sobreviva quando os marqueteiros usam seus ilimitados recursos para inflamar as emoções mais primitivas dos eleitores.

E depois os eleitos que se virem e os eleitores que se danem, os gênios da comunicação e da estratégia vão para casa mais ricos e partem para novas campanhas em que a razão será a principal adversária a ser derrotada.

Mas é com a razão que os eleitos vão governar, que a oposição vai criticar e fiscalizar, ou com o que restar dela, depois de quase exterminada pelas emoções baratas que custarão caríssimo ao país, e a cada um.

(*) Nelson Motta – O Globo

DECADÊNCIA OU DEMÊNCIA?

PIADA DO DIA: LULA DIZ QUE FOI

‘TRUCIDADO’ OITO ANOS PELA IMPRENSA

000 - a vida de gado

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou suas críticas à imprensa durante comício nesta quinta-feira, 2, em Diadema e disse que durante seus oito anos de mandato como presidente ele foi “trucidado” pela imprensa e que “apenas nove famílias” determinam o que e como as coisas serão publicadas.“Existe uma doutrina de nove famílias que dominam a comunicação nesse País, que determina quem é o inimigo, quem é bom e quem é ruim neste País, o que vai mostrar e o que não vai mostrar”, disse. “Aqui no Brasil, quando uma pessoa que não faz parte da elite e chega ao governo, normalmente, é trucidado pela imprensa. Eu fui durante oito anos”, afirmou, em seu segundo discurso do dia.
Lula lembrou que quando foi candidato contra Fernando Collor, enquanto ele aparecia todo suado na televisão, o concorrente aparecia “sempre em pé, bonitinho, parecia um pôster”. “Eu não estou me queixando”, disse. “Estou contando isso para que as pessoas saibam que a perseguição ao PT é um negócio descomunal.”Segundo Lula, no governo tucano que o antecedeu a imprensa fazia justamente o contrário. “Fernando Henrique Cardoso ganhou as eleições e a imprensa fez oito anos de silencio, era um País onde tudo parecia que estava bom”, disse. “O dado é que eles me massacraram e quando chegou no final do meu mandato, pela primeira vez na história, um presidente tinha 87% de bom e ótimo”, disseManchetômetro

Lula trouxe um papel com dados do manchetômetro, criado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com análise das manchetes e notícias dos candidatos a presidência divulgados pela imprensa. “Eles avaliaram para quem a imprensa torcia, se era neutra, favorável ou contra. Presta atenção no número você que acha que a imprensa muito democrática”, declarou.

De acordo com os dados divulgados pelo ex-presidente, o Jornal Nacional não veiculou nenhuma notícia negativa contra a candidata do PSB, Marina Silva. Já o candidato Aécio Neves teve 5’35 (cinco minutos e 35 segundo) de matérias negativas, e Dilma teve 1h46m57s de noticias negativas. “É mais do que uma partida de futebol de notícia negativa contra a companheira Dilma Rousseff”, afirmou.

A mesma pesquisa mostrou que em matérias positivas também haveria uma postura prejudicial à candidata petista. Marina teve 10m47s de matérias positivas, contra 7m42s de Aécio e 4m15s de matérias positiva a respeito de Dilma.

DILMA, A VÍTIMACitando mais dados – que incluíam a cobertura do jornal O Estado de São Paulo, a Folha de S. Paulo, O Globo e o Jornal Nacional -, Lula afirmou que do dia 6 de julho até agora, quando começou a campanha, Dilma também é o alvo preferencial para críticas.Segundo ele, as notícias negativas em manchetes dos jornais em relação aos candidatos aconteceu na seguinte proporção: Aécio Neves (39), Marina (75) e Dilma (490). “Estou querendo dizer a vocês que o grande partido de oposição ao nosso partido e a presidente Dilma chama-se imprensa brasileira”, reforçou.

Lula voltou a dizer que pensou que o “ódio” era contra ele, mas disse que contra Dilma os ataques são ainda piores.

O ex-presidente lembrou ainda que hoje é o último dia permitido pela lei eleitoral para atos de campanha e disse que a partido de agora é preciso usar o boca a boca. “Vamos fazer da nossa boca o microfone. Não tem que brigar, discutir ou romper amizade”, disse. Segundo ele, o argumento que dele ser usado “quando estiverem falando mal” do partido e do governo é dizer para que as pessoas lembrem “como era o Brasil antes do Lula governar esse País”.*

(*) Estado de Minas, via Tribuna da Imprensa Online

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG  DA TRIBUNA DA IMPRENSA– Em deplorável final de carreira, Lula vai se transformando cada vez mais numa figura altamente caricata. É uma pena. Se após deixar o poder tivesse se comportado com a discrição e a humildade de Nelson Mandela, se não vivesse dando demonstrações de enriquecimento, se fosse comedido e modesto, Lula ficaria na História como um dos maiores líderes mundiais, em função de sua impressionante trajetória. Mas a vaidade fala mais alto e hoje ele é um pastiche de novo rico, falastrão e arrogante, com uma imensa capacidade de dizer uma idiotice atrás da outra. Não pode mais ser levado a sério. Virou uma espécie de comediante stand up, que vai falando bobagens e levando a plateia às gargalhadas. É uma pena. Ele não percebe que, quando faz papel ridículo, a imagem do país também fica ridicularizada. Olhem de novo a foto e digam se Lula não é um comediante em cena. (C.N.)

SALVE-SE QUEM PUDER

UM PAÍS DE ACOMODADOS

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A economia vai mal, o futebol também. O dólar chegou a patamares há muito não alcançados. A bolsa de valores caiu, o desemprego é uma realidade. Pela primeira vez em muitos anos o FMI volta a censurar o Brasil. O custo de vida aumenta sempre que visitamos as prateleiras dos supermercados, enquanto os serviços públicos vão de mal a pior. Das promessas do governo, nem a metade foi cumprida, com ênfase para as obras do PAC. Em matéria de segurança pública, basta atentar para o predomínio do crime organizado. E do desorganizado, também.

Santa Catarina orgulhava-se de ser um oásis de tranqüilidade, hoje está entregue à baderna engendrada de dentro dos presídios. As filas aumentam nos hospitais públicos, sem o mínimo atendimento digno. Nas escolas, o tal tempo integral resume-se a deixar as crianças jogando bola nos terrenos vizinhos, sem as anunciadas cinco refeições diárias. Da corrupção, melhor calar, agora que até o chefe da quadrilha da roubalheira na Petrobras acaba de ir para casa. Dos mensaleiros condenados a vastas penas de prisão, cinco já se encontram fora das grades, aguardando-se mais dois até o fim do ano.

Por que diabos, então, Dilma cresce nas pesquisas, Marina cai e Aécio conforma-se em ficar fora do segundo turno? Estarão os institutos de consultas eleitorais perdidos e atrapalhados, ou o eleitorado prefere, em maioria, ficar de fora, como se tudo não lhe dissesse respeito? Dirão os sociólogos ser essa a resposta do andar de baixo, majoritário, em sinal de desprezo pelo andar de cima.

A verdade é que se não surgirem surpresas monumentais na votação de domingo, e na outra, do dia 26, o país terá demonstrado estar satisfeito com o governo que tem. Sempre haverá o raciocínio de que tendo ficado ruim a véspera, o dia seguinte poderia ficar pior.

MADRE SUPERIORA

Será necessário, porém, prospectar mais fundo. Dilma deverá reeleger-se em função de sua postura autoritária, prepotente e irascível? Estaria o país satisfeito em assistir a Madre Superiora do convento enquadrando as feirinhas e obrigando-as a permanecer ajoelhadas, rezando seu catecismo? A atual presidente carece de potencial para tanto, apesar de suas tentativas, mas representa esse papel.

Devemos buscar as razões do segundo mandato, caso não irrompa uma alteração despercebida dos doutos pesquisadores, na índole egoísta da maioria da população. Os empresários protestam, estrilam e reivindicam, mas ajeitam-se para continuar a viver nessa situação sofrível. A classe média sofre cada vez mais, ainda que tentando conservar suas ilusórias conquistas, por isso permanecendo insossa e inodora. O proletariado urbano troca a indignação pela falta de coragem para exigir mais direitos, com medo de cair dos patamares já alcançados. Assim estão as instituições nacionais: acomodadas. Acovardadas diante da hipótese de mudanças capazes de mudar suas vidas, que ninguém, aliás, define como seriam,

Também, jamais com Marina, nem com Aécio, a sociedade poderia sonhar em alterações profundas. Somos um país de acomodados, explicando-se porque Dilma tem todas as chances de conquistar o segundo mandato. Para ficar tudo como está.*

(*) Carlos Chagas – Tribuna da Imprensa Online

NADA MUDOU…

Petrobras: esquema continuou

após a saída de Paulo Roberto Costa

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Paulo Roberto Costa, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, deixou o cargo em 2012, mas o esquema de corrupção que ele montou continuou operando normalmente na estatal. A Polícia Federal já sabe que, de outubro de 2010 a dezembro de 2013, pelo menos 37,7 milhões de reais desviados da obra da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, foram repassados a empresas do doleiro Alberto Yousseff.

O golpe foi aplicado da seguinte maneira: para repassar o dinheiro desviado, o consórcio responsável pela obra, liderado pela empreiteira Camargo Correa, simulou a contratação de serviços da empresa Sanko Sider. Esta, por sua vez, simulou a contração de duas empresas de Alberto Youssef.  Ninguém prestou serviço algum. O dinheiro, na prática, saiu dos cofres da Petrobras para os corruptos que se alimentavam no caixa da estatal.

(*) Veja, via blog do Noblat

APARELHAMENTO GERAL E IRRESTRITO

Dilma e o voto que vem pelo Correio

“Isso é um absurdo, pô”.

Você pensa que a presidente da República está indignada com o aparelhamento e uso de uma empresa estatal para trabalhar na campanha de sua reeleição?

Nem que a vaca tussa. A presidente não está indignada com o fato, mas com a divulgação do fato, que ela atribui à “proximidade da eleição”. Mas nem é uma denúncia da oposição nem de seus adversários. É a exibição pura e simples de um vídeo onde um deputado petista se vangloria do “dedo forte dos petistas dos Correios” na  virada das intenções de voto dos candidatos do partido a presidente e a governador.

No centro da mesa do evento filmado, impávido e colosso, o presidente da estatal, Wagner Pinheiro, que mais tarde divulgaria sua indefectível nota oficial desmentindo que os Correios estejam favorecendo alguém.

O PT costuma alegar “falta de provas” em qualquer caso de denúncia de malfeitos do partido, e pelo que se vê, o partido nao aceita nem as provas que ele mesmo produz.

Assim realmente fica difícil cumprir uma das tarefas fundadoras do PT, que é a de empunhar a bandeira da ética na política. Nao importa que a bandeira esteja um tanto esgarçada pelo mau uso que foi feito dela, desde que algumas  pessoas ainda acreditem nela-ou pelo menos deixem de considerá-la importante, já que “todo mundo faz a mesma coisa, nao é mesmo?”.

Mas se ninguém se incomoda em nivelar a prática política por baixo, nem mesmo o PT, que supostamente nasceu para nivelar por cima, será preciso acreditar em outra coisa, para diferenciar o partido dos outros.

A temporada festejada de inclusão social não teria começado sem a estabilidade econômica, e isso é consenso entre todos as pessoas sérias, e embora o PT tenha votado contra ela, se assenhorou de todos os frutos da árvore, que ele não só não ajudou a plantar, como apedrejou o quanto pôde.

Lula, o palanqueiro, disse em um comício recente, ao comentar as oscilações da Bolsa em função das pesquisas eleitorais, que ele “nunca pediu votos ao mercado”. Claro que a platéia que o ouvia pode ter ido ao delírio, porque a excitação coletiva com frases de efeito faz parte da prática populista, e ninguém naquele ambiente teria o mau gosto de lembrar que ele só ganhou as eleições de 2002 depois de acalmar o mercado com a “Carta ao Povo Brasileiro”, onde o programa do PT foi sepultado para descansar em paz.

Na propaganda eleitoral muito pouco fraterna, o PT destruiu a ex-companheira Marina, dedicando-lhe a acusação de “neoliberal”, que no dialeto das esquerdas pós-modernas é algo pior do que “lacaio do imperialismo” na segunda metade do século passado.

Não importa que não haja nenhuma semelhança entre o que o PT diz e o que ele faz. Afinal, a alma daquele partido que muitos idealistas adotaram por ser “diferente de tudo que está aí” já morreu e o corpo espera uma extrema unção digna.*

(*) Sandro Vaia, jornalista, no blog do Noblat.

ELEIÇÕES 2014

Depois de ganhar o da Record,

Aécio ganha o debate da Globo

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Foi assim domingo último no debate entre os presidenciáveis promovido pela Rede Record de Televisão. E novamente foi assim, ontem à noite, no debate patrocinado pela Rede Globo de Televisão – o último do primeiro turno.

Aécio Neves, candidato do PSDB, ganhou com folga os dois debates. No da Record, ele enfrentou principalmente Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição. No da Globo, mais à vontade, enfrentou Dilma e Marina de uma vez.

De dedo em riste, em um dos momentos mais tensos do debate, Aécio chamou de leviana a candidata do PSOL Luciana Genro. Acusou-a de não estar preparada para presidir o país. “Não me aponte o dedo”, reagiu Luciana. E o bate-boca terminou por aí.

No primeiro dos quatro blocos do debate, Aécio e Marina se confrontaram diretamente. Aécio lembrou que Marina era do PT quando estourou em 2005 o escândalo do mensalão. Marina deu o troco: disse que o mensalão do PSDB antecedeu o do PT.

Era visível a mágoa que Marina sente de Aécio. A amigos, ela confidenciou que jamais imaginou ver Aécio aliado de Dilma na tarefa de lhe fazer oposição. A certa altura do debate, Marina passou recibo de sua mágoa:

– Você falou que eu fui atacada injustamente pelo PT. Eu também fui atacada injustamente por Vossa Excelência, que pela primeira vez na história desse país se uniu com o PT para tentar me desconstituir.

O ponto alto do debate foi a troca de acusações entre Dilma e Aécio, que puxou o assunto da corrupção da Petrobras. Dilma valeu-se de uma cola para responder:

– Acho que corruptos há em todos os lugares. […] E quero dizer uma coisa, não acredito que tenha alguém acima de corrupção. Acho que todo mundo pode cometer corrupção, as instituições é que têm que ser virtuosas e impedirem que isso ocorra.

Aécio sugeriu que Dilma mentiu ao dizer que Paulo Roberto da Costa, ex-diretor da Petrobras, foi demitido da empresa por ela. “Existe uma ata que prova que ele pediu demissão. E depois de roubar a Petrobras ainda saiu elogiado”, atacou Aécio.

Dilma leu uma declaração de Paulo Roberto onde ele disse que fora demitido pelo Ministro das Minas e Energia. Aécio não deixou por menos:

– Vocês entregaram a nossa maior empresa, e isso quem diz é a Polícia Federal, a uma quadrilha, a uma organização criminosa. O diretor está preso. Esse é o lado perverso do aparelhamento da máquina pública, a pior marca do governo do PT.

No meio do debate, pesquisas com grupos de eleitores bancadas pelo PT indicavam que Aécio estava sendo melhor avaliado. Ao fim do debate, era visível a frustração de assessores e correligionários de Marina com o fraco desempenho dela.*

(*) Blog do Ricardo Noblat

O PAÍS DOS MARKETEIROS

Licença para enganar

Fica, pois, assentado que campanha é assim mesmo, um vale-tudo emocional, sem relação com os fatos e com a lógica

 

000 - acabar corrupção

Dá para compreender: eleição tem muito de emoção, de modo que as campanhas, dominantemente de rádio e TV, precisam apelar para o sentimento dos eleitores. Mas vale enganar, especialmente, as pessoas mais desinformadas?

Pessoal que trabalha com Dilma tem dito que muitas afirmações feitas pela presidente, como a que os banqueiros querem dominar o Banco Central para tirar a comida do povo, são “coisa de campanha”. Reparem: o pessoal faz essa ressalva para os eleitores mais informados, líderes de setores, formadores de opinião ou, para usar a linguagem de Lula, a elite rica.

Supondo que vale a ressalva, fica assim, portanto: a campanha tem umas mentirinhas para pegar o voto daquela turma que, vocês sabem, não é muito esperta; mas no governo será diferente, mais razoável e menos emocional.

Se for isso, a conclusão é inevitável: campanha é uma licença para mentir; e não se trata “apenas de propaganda”, mas de propaganda enganosa.

Muita gente diz que nos Estados Unidos é pior. Não é. Sobram lá os ataques pessoais, assim entendidos como a crítica feita diretamente à pessoa do candidato, não tanto a suas posições. Por exemplo: dizer que o adversário é incompetente, falso e sem moral.

Acontece. Cada campanha assume os riscos desses ataques. Sim, riscos, porque muitas vezes produzem efeito contrário. De todo modo, os candidatos não têm como escapar de posições definidas sobre os grandes temas nacionais e internacionais. Trata-se de uma cobrança do ambiente político.

Considerem os debates pela televisão, aliás, uma invenção da democracia americana. As regras são mínimas, em geral, selecionando apenas o assunto central, por exemplo, diplomacia ou economia. Os mediadores, jornalistas, têm ampla liberdade para perguntar e reperguntar, para gastar tanto tempo quando considerem necessário para esclarecer uma posição.

Aqui, por exigência dos candidatos, nisto apoiados pela legislação eleitoral, não por acaso feita pelos próprios políticos, as regras são colocadas de modo a criar menos riscos para os participantes. Falando francamente: são regras para permitir que os candidatos se escondam nas generalidades e não sejam cobrados por isso.

Fica, pois, assentado que campanha é assim mesmo, um vale-tudo emocional, sem relação com os fatos e com a lógica, e, sobretudo, não constitui um compromisso de governo. Eis uma ideia generalizada por aqui.

Trata-se de um dano para a democracia. Primeiro, porque coisas de campanha acabam sendo coisas de governo. O candidato passa o tempo todo fugindo de temas como reforma da Previdência, da legislação trabalhista ou ineficiência do serviço público — e não terá como introduzi-los no governo, mesmo porque logo haverá outra eleição.

Segundo, essas campanhas não formam opinião geral ou consensos ou mesmo maiorias sobre políticas de governo. Surgiu assim uma geração de líderes de campanha, tão vagos e tão indefinidos como suas propagandas de rádio e TV. No governo, esses líderes tratam de empurrar com a barriga, atender clientelas organizadas e não criar caso com ninguém.

Por isso, aliás, acontecem alianças que parecem estranhas, mas que, na verdade, são muito lógicas, pois estão todos na geleia geral.

Claro, não é todo mundo igual. Há níveis e escalas. Marina, por exemplo, foi surpreendentemente clara, para os padrões vigentes, quando propôs a independência do Banco Central ou a flexibilização da legislação trabalhista. Verdade que precisou depois “amenizar” a última proposta, mas foi um avanço.

Pequeno. Por exemplo, ninguém discutiu a sério, em todo o período eleitoral, um tema crucial para a produtividade da economia brasileira: a terceirização do trabalho.

E a campanha da presidente Dilma está no lado oposto, no lado do máximo vale-tudo: banqueiro é ladrão de comida, os ricos querem expulsar os pobres dos aeroportos, a imprensa é contra o povo, as empresas querem matar os seus trabalhadores para ter mais lucro, ter uma colaboradora acionista de banco é grave falta pessoal.

Já ter aliados na cadeia ou perto disso é perseguição política do Judiciário das elites.

Classificar isso de esquerda, progressista ou popular, é até injusto com as doutrinas socialistas ou trabalhistas. Cai mesmo no lado dos bolivarianos. E se é tudo coisa de campanha, é pior ainda: um falso bolivarianismo seria o quê?*

(*) Carlos Alberto Sardenberg, jornalista  O Globo

 

BAIXARIAS

CARTÃO VERMELHO PARA DILMA E MARINA

Quando a gente imaginava que não podia ficar pior, ficou. E mais ficará, estendendo-se a certeza até o segundo turno, dia 26. Fala-se da baixaria que assola não apenas a campanha presidencial, mas o pudor e a paciência de todos nós.

Dilma chama Marina de mentirosa, acusando-a de desvio de caráter por conta da votação da emenda da CPMF. Marina retruca que mentirosa é a Dilma, por sustentar não ter conhecimento dos escândalos na Petrobras.

As duas vão se encontrar cara a cara no último debate entre os candidatos, dentro de horas, na Rede Globo. Irão armadas? Porque já prepararam novas injúrias, além das que dispararam ontem, durante as campanhas. Fosse num campo de futebol e teriam recebido o cartão vermelho, tanto pelas agressões quanto pelas mentiras.

Do fundo da memória, só se encontra paralelo nessa lambança promovida pelas candidatas quando Jânio Quadros e Ademar de Barros disputaram o governo de São Paulo, em 1954. Um levava para os comícios um rato morto pendurado num bambu, por um fio. O outro reagia com um gambá, na mesma situação – ambos sustentando ser o adversário.

A pergunta que se faz é se tanto Dilma quanto Marina terão condições emocionais para dirigir o país pelos próximos quatro anos. No Congresso, adversários serão transformados em inimigos? E nos governos estaduais? A presidente, quando de sua eleição contra José Serra, em 2010, jamais levou a campanha para tamanho baixo nível. Nem a ex-senadora, ao disputar o mesmo pleito, ficando em terceiro lugar. Qualquer uma que vença agora carregará o peso da falta de equilíbrio.

PESQUISAS EM XEQUE

Longe de levantar suspeitas, mas como explicar que as pesquisas indicavam Garotinho em primeiro lugar, na disputa pelo governo do Rio, com Luís Pezão lá em baixo, mas, pouco depois, inverteu-se o pêndulo? Eunício Oliveira, no Ceará, já podia encomendar o terno da posse, agora corre o risco de perder. E no Rio Grande do Sul, com Ana Amélia considerada eleita e hoje perdendo para Tarso Genro? Os exemplos da inconstância do eleitorado se multiplicam. Ou os institutos de consulta popular se enrolaram? Vale aguardar a verdadeira pesquisa, domingo.*

(*) Calos Chagas – Tribuna da Imprensa Online

RETA FINAL…

DEBATE NA GLOBO PODE INFLUIR NO DESFECHO DO PRIMEIRO TURNO

000 - A DILMA ELEITORA

Num artigo publicado na edição de terça-feira 30 no Globo, a jornalista Patrícia Kogut apontou quais, a seu ver, foram as maiores deficiências registradas no debate levado ao ar pela Rede Record na noite de domingo entre sete candidatos à presidência da República.
Ela destacou a necessidade de o modelo adotado para os debates sofrer modificações, a começar pela possibilidade, hoje inexistente, de os autores das perguntas, inclusive os jornalistas, poderem também cobrar mais exatidão nas respostas. Importante este aspecto da questão, essencial até para elevar o nível dos confrontos. Patrícia Kogut lembra que, até agora, os debates estão servindo mais as candidaturas e menos ao eleitorado.
Muito bem. É de esperar, portanto, que no debate da Rede Globo introduza alterações capazes de tornar a apresentação das mensagens mais dinâmicas e, sobretudo, mais inteligente. Partindo do prisma que mais destaque o interesse dos espectadores, enfim do eleitorado.
Principalmente porque, em função da grande audiência da emissora, o debate pode inclusive tornar-se decisivo para definir a segunda colocação no primeiro turno, fundamental para revelar, entre Marina Silva e Aécio Neves, quem enfrentará Dilma Rousseff nas urnas de 26 de outubro, desfecho final das eleições presidenciais.
Digo isso com base nas últimas pesquisas do IBOPE e Datafolha, as quais asseguram o primeiro posto para a atual presidente, que não poderá ser ultrapassada no primeiro turno. Como na realidade só existem de fato três candidaturas, a única possibilidade,  será a de Aécio Neves aproximar-se de Marina nos dois dias que faltam para consolidar o resultado do primeiro turno.
A ÚNICA DÚVIDA
Não estou dizendo que Aécio vá evoluir ao ponto de ameaçar a colocação de Marina, nem afirmo, hipótese, nesta altura dos acontecimentos, mais provável, que Marina chegará na frente do ex-governador de Minas Gerais. Sustento que essa é a única dúvida que persistirá até a abertura das urnas eletrônicas. Nenhuma outra resiste à mais leve análise. Pois dos onze candidatos ao Palácio do Planalto, oito são de expressão secundária, porém de importância para evitar um desfecho decisivo já no primeiro turno. Eles acrescentam algo em torno de 3 pontos, que podem se tornar essenciais para impedir a vitória de Dilma na primeira fase das eleições. Para esse efeito, até um ponto pode atingir um significado maior. Como no futebol, se por um gol se vence, por um gol também se perde.
A algumas horas do início da eleição, aliás das eleições, já que temos os pleitos (nessa ordem) para deputado estadual, federal, senador, governador e finalmente presidência da República, no que se refere à sucessão presidencial, Marina Silva e Aécio Neves jogam tudo no ultimo debate , pois não existe nada na campanha que possa ser mais abrangente do que a força da audiência da Globo. Cada ponto representa em torno de 60 mil domicílios, do total de 60 milhões existentes em todo o país. Pode-se calcular a média de 2,5 eleitores por residência. Por aí se constata o raio de penetração que o debate vai fornecer (a favor ou contra) os candidatos que estarão na tela.
O resultado final vai depender do desempenho de cada um deles. Como alguém muito importante na história deixou registrado, antes até de Jesus Cristo, a sorte está lançada. A frase é de Júlio Cesar, imperador romano.*
(*) Pedro do Coutto– Tribuna da Imprensa Online