GOVERNO DE ILUSIONISTAS

ENTENDA A META DO SUPERÁVIT E A

MAQUIAGEM FEITA PELO GOVERNO

Com a aprovação pelo Congresso de um projeto que muda meta de superávit primário, esta semana, o governo Dilma Rousseff deixa de respeitar o limite fixo de R$ 67 bilhões para o abatimento das desonerações tributárias e dos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Com isso, o governo poderia abater da meta todo o volume de investimentos do PAC e de desonerações que for feito até o final deste ano. Na prática, portanto, o projeto elimina a meta fiscal.

  1. O que é superávit primário?

É a diferença entre receitas e despesas, exceto gastos com juros. Simplificando: é aquilo que o governo consegue economizar para pagar sua dívida.

  1. Para que serve o superávit?

Para pagar os juros da dívida pública e evitar seu crescimento.

  1. Por que é importante?

É um indicador para avaliar se o governo é bom ou mau pagador da dívida (que existe na forma de títulos públicos). Se é bom pagador, os credores nacionais e internacionais concordam em emprestar (na forma de investimentos), recebendo juros mais baixos. Se é mau pagador, o juro fica mais caro.

  1. O que é a meta de superávit primário?

A cada ano, o governo fixa um objetivo de economia para reduzir ou pelo menos estabilizar a dívida pública. Essa meta faz parte da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Neste ano, ela é de R$ 167,4 bilhões para o setor público (União, Estados e municípios), sendo R$ 116,1 bilhões para o governo central, que inclui apenas resultado de Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência.

  1. O que são os abatimentos?

São itens de despesa que podem ser descontados do cálculo do superávit primário, o que equivale a reduzir a meta. Na LDO de 2014, somavam R$ 67 bilhões e eram compostos por gastos com o PAC (investimentos em infraestrutura) e as desonerações tributárias. Na prática, o resultado poderia ficar até R$ 67 bilhões abaixo da meta, que ainda assim estaria formalmente cumprida.

  1. O que é a mudança que o governo anunciou?

Houve um aumento nos abatimentos e a eliminação do limite de R$ 67 bilhões. Assim, tudo o que for gasto no PAC e tudo o que houver de desonerações tributárias até o fim do ano poderá ser descontado da meta. Pelos cálculos do economista Felipe Salto, da consultoria Tendências, são cerca de R$ 165 bilhões. Como os abatimentos são maiores do que a meta, será possível cumpri-la mesmo se o resultado das contas públicas fechar no vermelho (o chamado déficit).

  1. Por que o governo fez isso?

Porque a meta não seria cumprida. De janeiro a setembro, o saldo acumulado nas contas do setor público está negativo em R$ 25,5 bilhões. O Ministério do Planejamento diz que a crise mundial enfraqueceu o crescimento econômico do País e, consequentemente, as receitas ficaram abaixo do esperado.

  1. Isso resolve o problema?

Não necessariamente. Com o descumprimento da meta fiscal, além do aumento da dívida pública, o prejuízo é eminentemente político, com a obrigação de as autoridades terem de explicar as causas do mau desempenho. Mas há interpretações mais estritas pelas quais seria possível enquadrar as autoridades do governo federal em crime de responsabilidade, já que a Lei de Diretrizes Orçamentárias teria sido descumprida.*

(*) ESTADÃO

PETROLÃO

ESCÂNDALO DA PETROBRAS SIGNIFICA

UMA NOVA FICHA LIMPA

000 - ...e o Bebum de Rosemary, quieto, calado, sumido, acovardado.

 

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já fez saber ao público em geral que dispõe do conteúdo necessário para encaminhar o pedido de processo do escândalo da Petrobras ao Supremo Tribunal Federal, o que pode ocorrer ainda antes do recesso do Judiciário, em 19 de dezembro. Essa é apenas uma etapa preliminar para um processo que deverá se estender por todo o próximo ano, mas suficiente para estabelecer o fim do segredo de justiça que mantém os políticos com seus nomes preservados.

Essa singular circunstância dá uma medida da crise política instalada pelas investigações do caso Petrobras, que já paralisa o processo legislativo antes mesmo de conhecida em toda a sua dimensão.

Sem conhecimento dos nomes dos parlamentares, fica obstruída a composição ministerial e as negociações interligadas que dizem respeito às eleições no Parlamento para a definição das mesas diretoras de Câmara e Senado.

QUEM ESTÁ ENVOLVIDO?

O processo investigativo passa a funcionar como uma espécie de ficha limpa fora do âmbito eleitoral, estendendo à rotina parlamentar o critério seletivo do mecanismo legal responsável pela eliminação de candidaturas, agora uma realidade também para a preservação dos mandatos conquistados nas urnas.

Trocando em miúdos, muitos não alcançados pela ficha limpa, que puderam chegar ao Congresso, ou a ele retornar, estarão agora com seus mandatos obstruídos pelo envolvimento no escândalo de corrupção que assusta o país pela dimensão, logística, método e volume de recursos desviados para financiamento político.

Se não se sabia até certo ponto da fase da pré-campanha eleitoral quem poderia concorrer, agora inicia-se uma nova etapa que determinará quais, entre os eleitos, terão condições de desempenhar o mandato. Não resta dúvida de que o país ingressou em um ciclo seletivo pela via dos costumes, que guarda relação com a quebra de padrões históricos de comportamento respaldados por legislações internacionais que também vivem fase de transformação.

SEM SIGILO

Um exemplo é a ruptura da Suíça com legislações que preservavam o sigilo bancário de correntistas cujos recursos provêm de esquemas de corrupção espalhados por todo o planeta. O estado suíço decidiu pela quebra histórica de um sistema de proteção ao delinquente do colarinho branco, surpreendendo os governos paralelos que se formaram em muitos países, desafiando a ordem instituída.

O Brasil se insere nesse contexto, como mostra a devolução, por parte de infratores sob a delação premiada, de fortunas jamais imaginadas, por maior fosse a imaginação dos mais atentos à corrupção no país, guardadas em contas em paraísos fiscais.

A equipe de procuradores brasileiros que foi à Suíça em busca de alguma informação passível de agregar às investigações em curso no país, voltou com as pastas mais cheias do que supunham possível seus integrantes quando daqui sairam. E mais: abriram uma via de mão dupla, com os suíços programando uma vinda ao Brasil para agregar informações às suas próprias investigações.

O fato que se impõe é que antes de conhecidos os nomes de parlamentares envolvidos nesse escândalo inédito em suas proporções, qualquer ação política mais objetiva é temerária e sujeita a revogação pelos fatos.*

(*) João Bosco Rabello – Estadão

NO FUNDO DO POÇO

O PAÍS ESTÁ PARADO E AINDA

VAI CONTINUAR ASSIM

O governo não escondeu a satisfação de ver o Brasil sair da recessão, mas, em conversas restritas, a nova equipe econômica admite que o avanço de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) foi erro na margem (ou margem de erro). Quer dizer: o país continua parado e continuará assim ainda por algum tempo, até que a onda de desconfiança que vem de empresários e consumidores comece a refluir.

Uma análise mais profunda dos números do PIB revela o quanto foi nociva ao país a política econômica que agora a presidente Dilma Rousseff está jogando no lixo. A começar pelo consumo das famílias, que recuou 0,3% ante abril e junho. Com a inflação persistentemente acima do teto da meta, de 6,5%, entre julho e setembro, as donas de casa foram obrigadas a frear as compras. Para piorar, o crédito encareceu e escasseou, e que quem já estava endividado, sobretudo no cartão de crédito e no cheque especial, viu as finanças ruírem.

Do lado dos investimentos produtivos, houve um sopro de vitalidade, com a alta de 1,3% entre julho e setembro. Mas a confiança que o novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tanto precisa para resgatar o crescimento ainda está distante no horizonte. Em 12 meses, a chamada Formação Bruta de Capital Fixo acumula contração de 8,5%, o que derrubou a taxa de investimentos de 19% para 17,4% do PIB, nível insuficiente para sustentar uma avanço superior 2% da atividade sem que a inflação dispare.

UM ANO PERDIDO

Os dados do terceiro trimestre confirmam o que todos já imaginavam: 2014 foi um ano perdido. Mesmo que alguns economistas vejam um quarto trimestre melhor, tudo indica que o PIB anual terá variação próxima de zero ou mesmo poderá ser negativo. E como nada aponta para melhora substancial em 2015, independentemente dos recados passados pela nova equipe econômica, o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, acredita que, no ano que vem, o avanço será de apenas 0,5%, com viés de baixa. “A probabilidade de termos um ano igualmente ruim como 2014 está cada vez maior”, afirma.

OTIMISMO NO PLANALTO

A avaliação do Palácio do Planalto é de que será possível salvar o primeiro ano do segundo mandato de Dilma, com crescimento em torno de 1,5% do PIB. A projeção oficial será divulgada à medida que a equipe chefiada por Levy refizer as contas e trouxer para a realidade a proposta de Orçamento que está tramitando no Congresso.

Todos concordam — Levy, Alexandre Tombini (presidente do Banco Central) e Nelson Barbosa (ministro do Planejamento) — que a peça encaminhada pelo governo ao Legislativo é uma obra de ficção. Nada do que está previsto no projeto reflete o Brasil real.

DIÁLOGO COM EMPRESÁRIOS

A determinação da presidente Dilma é para que o novo trio da economia mantenha um discurso consistente de que o governo está disposto a reconstruir a credibilidade com ações concretas. Está se pensando, inclusive, na possibilidade de Levy e Barbosa darem início a uma série de encontros com empresários e investidores para detalhar o que lhes espera em 2015 em termos de medidas do governo. Serão conversas francas, sem rodeios.

O estreitamento das relações deve, inclusive, já mostrar resultados melhores da economia no segundo semestre de 2015. Lá, acreditam assessores da presidente, estará claro que as mudanças prometidas são para valer. O teste ao qual o governo será*

(*) Vicente Nunes – Correio Braziliense

A VERDADEIRA “ZELITE”

 À espera de denúncia da Procuradoria,

empreiteiras já sentem o bafo da lei

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Os procuradores que atuam na Operação Lava Jato farão hora extra neste final de semana. Fecharão o primeiro lote de denúncias contra executivos de empreiteiras que fraudaram concorrências na Petrobras para elevar os lucros e pagar propinas a agentes públicos. A Procuradoria planeja protocolar as peças na Justiça nos próximos dias. Dá-se de barato que serão convertidas em ações penais.

As grandes construtoras nacionais vivem dias atípicos. Com os porões invadidos pelo instituto da delação premiada, deixaram de ser logomarcas inalcançáveis. Sentem o hálito corrosivo da lei como jamais sentiram antes. Habituaram-se aos escândalos. Mas eles não costumavam render nada além dos 15 minutos de má- fama nas manchetes. Hoje, adicionou-se à encrenca algo que o repórter Elio Gaspari chamou de “efeito Papuda”.

Tentaram um acordo com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Admitiriam a formação de cartel na Petrobras e pagariam uma multa polpuda. Mas queriam que seus executivos fossem deixados em paz. Por ora, não colou. Conversando com o preposto de um dos empreiteiros encrencados, o repórter percebeu que eles se consideram fruto do meio.

No fundo, as construtoras acham que a culpa é da sociedade. Com todas as facilidades que receberam —do direito ao sobrepreço à impunidade vitalícia— foram praticamente intimados a ser o que são. E tudo continuaria assim, não fosse a indiscrição dos delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Yossef, cujos depoimentos puxaram outras delações, desorganizando o esquema.

É como se os mandachuvas das empreiteiras, pegos com a boca suja de óleo, esperassem que o Brasil sentisse remorso pelo que o juiz Sérgio Moro e os procuradores estão fazendo com eles. Tratam-nos como vilões irreversíveis, sem direito à atenuante do meio apodrecido que os produziu. Parece que ainda acreditam que a aliança com o amoralismo político os desobriga de levar em conta as próprias culpas.*

(*)  Blog do Josias de Souza

GERENTONA INCOMPETENTA

Em Quito, Dilma continua culpando a ‘crise internacional’ pelos problemas no Brasil

000 - a Natal antecipado com dinheiro alheio

Depois de nomear uma equipe econômica com a função de limpar os estragos do primeiro governo, presidente volta a elogiar a própria gestão

A presidente Dilma Rousseff voltou a culpar a crise internacional pela desaceleração da economia brasileira durante a cúpula da Unasul, em Quito, no Equador. A afirmação vem depois de a presidente fazer alterações drásticas na equipe econômica de seu segundo governo, justamente em resposta aos efeitos colaterais das decisões tomadas no primeiro mandato.

A presidente disse, nesta sexta, que  a recuperação mundial ainda é “tênue”, o que exigirá mais esforços da região para garantir a manutenção dos ganhos sociais obtidos nos últimos anos.

Em discurso de 14 minutos durante a sessão plenária presidencial na Cúpula Extraordinária da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), a presidente fez questão de elogiar os processos eleitorais na região este ano, em que também foram reeleitos os presidentes Evo Morales, na Bolívia, Michele Bachelet, no Chile, Juan Manuel Santos, na Colômbia, e José Mujica, no Uruguai. Segundo Dilma, dessas eleições “saiu vitoriosa a agenda da inclusão social, do desenvolvimento com distribuição de renda e, portanto, do combate à desigualdade e da garantia de oportunidades, que caracteriza a nossa região nos últimos anos”.

O discurso da presidente derrapou até mesmo para algumas incorreções. Diz ela: “O Brasil se dispôs a, nesse período, avançar no combate à desigualdade, assegurando o crescimento com inclusão social. Nós, nessa eleição, mostramos que diante da crise, que nos afetou profundamente, defendemos sobretudo o emprego e, por isso, mantivemos uma das menores taxas de desemprego de toda a nossa história”.

A última edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) mostrou estagnação da desigualdade, enquanto a análise social dos dados da pesquisa, feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), evidenciou aumento no número de brasileiros abaixo da linha da pobreza.

A presidente lançou mão do emprego para justificar o “sucesso” de seu governo. Mas não mencionou que a criação de vagas em 2014 teve o pior desempenho em mais de 10 anos.

Leandro Narloch: País rico é país sem pobreza?

Apesar da troca de sua equipe econômica, que agora terá o economista Joaquim Levy no comando da Fazenda, Dilma voltou a defender as políticas de seu governo, afirmando que foram as mais acertadas. Em período de vacas magras, com arrecadação desacelerando e despesas subindo, o país não conseguirá cumprir o superávit primário de 2014. Mas, diz a presidente, não há o que temer. Segundo ela, o governo está disposto a ampliar o investimento em infraestrutura logística, energética, social e urbana, além de impulsionar o desenvolvimento tecnológico e a inovação.*

(*) VEJA

O GRANDE LEGADO

Maior empresa do pré-sal está

sem dinheiro e perde sócios

Criada pela Petrobras para construir e alugar as sondas bilionárias para exploração do pré-sal, a companhia Sete Brasil enfrenta uma situação dramática.

Não tem dinheiro para os compromissos de curto prazo, dois sócios minoritários acabam de abandonar o projeto e o escândalo de corrupção na Petrobras bate à sua porta.

As dificuldades da Sete, que tem hoje um dos maiores contratos com a Petrobras, no valor de US$ 25 bilhões (R$ 64 bilhões), já comprometeram os ganhos que os acionistas esperavam obter.

A última reunião entre eles, na quinta (26), virou um encontro para “lavar a roupa suja” com a Petrobras.

Alexandre Gentil/Divulgação
Sonda encomendada pela Sete Brasil chega de Cingapura a Angra dos Reis (RJ)
Sonda encomendada pela Sete Brasil chega de Cingapura a Angra dos Reis (RJ)

A Sete tem entre seus sócios a Petrobras, os bancos BTG Pactual, Bradesco e Santander, e vários fundos de pensão ligados ao governo como Petros (Petrobras), Funcef (Caixa) e, Previ (Banco do Brasil). Além deles, há sócios minoritários em cada uma das sondas –conhecidos como operadores. A Sete confirmou que dois deles deixaram o negócio: Petroserv e OAS/Etesco. Eles participavam da construção de cinco das 28 sondas. A Sete procura substitutos.

É mais um problema para a empresa que, pela segunda vez em dois meses, pode atrasar pagamentos aos estaleiros que fazem as sondas.

A Sete precisa de US$ 900 milhões (R$ 2,3 bilhões) para pagar contratos que vencem entre dezembro e fevereiro e não tem dinheiro em caixa. Em outubro, a companhia atrasou pela primeira vez o pagamento e foi socorrida pela Caixa Econômica com cerca de R$ 900 milhões.

Esses empréstimos de emergência elevam os custos do projeto e reduzem a taxa de retorno anual dos sócios.

Na reunião da semana passada, alguns acionistas reclamaram que, desde sua entrada no empreendimento, em 2011, o ganho anual caiu de 30% para 20%.

Para resolver os problemas financeiros, a Sete tenta receber ainda este ano um primeiro empréstimo de US$ 5 bilhões, do BNDES e do UK Export Finance, da Inglaterra, que ainda não saiu por desavenças com aqueles sócios operadores que se recusavam a assinar os contratos de financiamento porque queriam sair do negócio.

Estrangulada pelos gastos mais urgentes, a Sete agora pede R$ 800 milhões ao Banco do Brasil. É um terço do que precisa no curto prazo, para não atrasar seus pagamentos.

MEDO

Segundo a Folha apurou com três executivos que participaram da última reunião, os acionistas criticaram a Petrobras pela indicação de Pedro Barusco, primeiro diretor de operações da Sete.

Ex-executivo da estatal, Barusco confessou participação no suposto esquema de corrupção da Petrobras. Na Sete, estruturou todos os contratos para construção de sondas. Essas operações estão passando por auditoria, com ajuda de escritórios de advocacia contratados.

O medo é que Barusco tenha superfaturado os contratos da Sete, replicando o esquema da Petrobras. Além de comprometer o projeto, o “efeito Barusco” pode arranhar a imagem dos acionistas privados.

OUTRO LADO

Por meio de sua assessoria, a Sete Brasil informou que está honrando os pagamentos com os recursos ainda disponíveis no caixa enquanto negocia a obtenção de linha de curto prazo para fazer frente aos compromissos que passaram a vencer a partir de 25 de novembro.

A empresa diz que tem um plano de financiamento prevendo, além da injeção de capital do acionista, a obtenção de linhas de curto prazo para fazer frente ao investimento até que haja a liberação dos recursos de longo prazo.

A Petrobras não quis se manifestar. *

(*) DAVID FRIEDLANDER – JULIO WIZIACK – FOLHA DE SÃO PAULO

DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS…

COMO CONVIVER COM A LAMBANÇA?

__sempre (2) - sempre

Argumentos jurídicos podem ser despejados em cascata para justificar a liberdade do ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, concedida em habeas-corpus pelo ministro Teori Savaski, do Supremo Tribunal Federal. Mas parece no mínimo vingança da natureza que no mesmo dia, quarta-feira, tenha sido conhecida a delação premiada do empresário Augusto Ribeiro de Mendonça, da Toyo Setal, braço brasileiro de uma multinacional japonesa. Porque o agora candidato à diminuição da pena a que será condenado revelou haver a empresa repassado 152 milhões de reais a título de suborno, por orientação de Renato Duque, para o clube das empreiteiras conseguir contratos com a Petrobras. Aliás, 4 milhões foram doados a campanhas eleitorais do PT.

Os outros 148 milhões foram distribuídos entre dirigentes da Petrobras e políticos de variados partidos, registrando-se que um subordinado de Renato Duque na estatal petrolífera, o ex-gerente Pedro Barusco, por enquanto preso, comprometeu-se a devolver 248 milhões depositados em bancos na Suiça. Ele também pretende uma condenação menor, aguardando-se com curiosidade sua delação premiada, certamente mais explosiva ainda.

Dá para entender que um ladravaz confesso se encontre fora das grades apenas porque o ministro Teori considerou que dinheiro depositado no exterior não justifica prisão preventiva? Mesmo tendo sua origem sido confessada?

Não se passa um dia sem que mais detalhes do escândalo da Petrobras ganhem as manchetes. Pelo jeito, não só da Petrobrás, mas conforme depoimento de outro bandido, por sinal cumprindo pena em casa, estão envolvidas várias empresas públicas encarregadas dos setores hidroelétricos, rodoviários, ferroviários e ligados a portos e aeroportos. Toda essa roubalheira aconteceu nos últimos anos, parecendo difícil ter sido ignorada pelo primeiro escalão do governo.

Só falta, agora, conhecer a lista de dezenas de políticos implicados nesse assalto aos cofres públicos na forma de contratos superfaturados, escolhas fajutas de empreiteiras, propinas entregues a partidos e centenas de milhões desviados para o exterior.

Pode um governo conviver com tamanha lambança? Agora que se aguarda a composição do novo ministério, que tal se candidatarem o Tigrão, o Melancia e o Eucalipto?

VALEU PARA SUAS EXCELÊNCIAS

Espantou o país inteiro o esforço feito por deputados e senadores durante 19 horas acomodados no plenário do Congresso para, no final, a maioria aprovar o projeto da presidente Dilma que transforma déficit em superávit. Poucos arredaram pé, mesmo dormindo nas poltronas e comendo biscoitos. Valeu, porque por promessa da chefe do governo, 444 milhões serão destinados a financiar as emendas individuais ao orçamento apresentadas por cada parlamentar, com a média de 750 mil reais por cabeça. Não se garante que esses recursos serão todos aplicados em obras e realizações municipais, mas essa é outra história. O preço de cada voto, pelo menos, foi conhecido.*

(*)  Carlos Chagas – Tribuna na Internet

E NO PAÍS DA PIADA PRONTA…

PIADA DO ANO: MANTEGA SE ELOGIA

E DIZ TER MELHORADO ECONOMIA

 

Em clima de despedida, o ministro Guido Mantega (Fazenda) disse) que termina sua gestão com a convicção de entregar o país com a menor taxa de desemprego da história e a economia mais firme e sólida do que a recebeu.

Um dos principais responsáveis pela chamada “contabilidade criativa” das contas públicas no governo Dilma Rousseff, o ministro fez a afirmação ao receber homenagem da Academia Brasileira de Ciências Contábeis.

“Como estou terminando minha gestão à frente do Ministério da Fazenda, acabarei fazendo um balanço, uma avaliação rápida, do que foi esse período no governo”, disse Mantega no início de seu discurso.

“PIRES NA MÃO”

No início de sua fala, o ministro criticou a política econômica anterior à do governo Lula (2003-2010), ao dizer que entrou no governo “com a economia abalada” e o país “com os cofres vazios e com o pires na mão”.

Depois, atribuiu os problemas recentes econômicos do país à crise financeira internacional e defendeu sua gestão, que classificou como bem sucedida. “Enquanto muitos países trilharam o tortuoso caminho da ortodoxia, fizemos uma corajosa política anticíclica que manteve ritmo razoável de crescimento para momentos de crise”, disse.

Segundo o ministro, para a classe média, praticamente não houve crise. Sobre o futuro, afirmou acreditar que a crise financeira está chegando ao fim e que, com o mundo melhorando nos próximos anos, o Brasil tem plenas condições de engatar um novo ciclo de crescimento.

HOMENAGEM

O motivo da homenagem ao ministro foi a publicação de uma portaria, em 2008, sobre as diretrizes a serem observadas no setor público quanto a procedimentos e divulgação das demonstrações contábeis.

Sobre esse assunto, Mantega afirmou que essa legislação deu início a um processo, ainda em curso, de modernização da contabilidade brasileira.

Afirmou ainda ter adquirido mais conhecimento sobre o assunto durante seu trabalho na prefeitura de São Paulo no governo Luiz Erundina (1988-1991), na Secretaria de Planejamento. Na época, Mantega afirmou ter sido seduzido para as práticas contábeis, que, segundo ele, muitas vezes são alvo de preconceito “daqueles economistas pouco esclarecidos”.*

(*) FOLHA DE SÃO PAULO

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
  DA TRIBUNA NA INTERNET – A matéria é uma sucessão de piadas e bobagens econômicas. E termina apoteoticamente, com Mantega autoelogiando a famosa “contabilidade criativa” que ele introduziu na economia brasileira, para maquiar os números negativos e apresentá-los como positivos. Agora, com justa razão, Mantega deixa o governo para mergulhar no ostracismo, de onde nunca deveria ter saído. (C.N.)

E VIVA O POVO BRASILEIRO

Imprevisível ano nov0

 000 - acir - governo dilma

Costumo comprar um suco de laranja chamado Do Bem, na padaria da esquina. Não levei o nome a sério porque, nesta altura da vida, suspeito que o bem e o mal coexistem e se entrelaçam. Apenas comprava. A caixa era cheia de histórias. E o slogan: feito por jovens cansados da mesmice. Tanta novidade num suco de laranja e descubro agora que o suco Do Bem mentia ao informar que suas laranjas vinham direto da fazenda do seu Francisco no interior de São Paulo. Elas vêm dos grandes fornecedores. Da marca às historinhas, era tudo uma conversa de marketing. E isso me lembrou a atmosfera geral no País.

A própria campanha política foi uma narração dos marqueteiros: progressistas contra reacionários, desprendidos reformadores sociais contra uma elite obtusa. Muitos dos vencedores não acreditam nessa história. Sabem que o bem e o mal se entrelaçam e, passada a campanha, é preciso aproximar-se um pouco mais da realidade.

O PT contou sua história: decidiu, a partir de agora, expulsar os corruptos do partido, dando-lhes o direito de defesa. Em tese, assino embaixo. Mas há algumas laranjas do seu Francisco nesse enredo. No penúltimo escândalo, o do mensalão, os condenados foram saudados por muitos militantes como guerreiros do povo brasileiro. Uma nota completa voltaria ao tema, ou para dizer que se equivocou ou para confirmar a cínica tese de que não houve corrupção da base aliada. Nesse caso, sugiro a fórmula de Homer Simpson: seu único crime foi violar a lei.

O escândalo do petrolão segue seu curso. Esta semana foi denunciado mais um intermediário da propina. Um antigo assessor de Nei Suassuna, que foi senador pelo PMDB. Questionado sobre a atividade do ex-assessor, disse não acreditar que estivesse relacionado com o escândalo da Petrobrás: era algo em altas esferas, muito alto para ele. Pode ser verdade ou mais uma historinha, ao menos admite que se o assessor tivesse mais estatura, no universo das propinas, assaltaria também a estatal. E que na corrupção existe o topo de linha e uma segundona cujos times não jogam no campo da Petrobrás.

Uma outra narração é essa de cortar os gastos. O novo ministro da Fazenda é especialista nisso e trouxe grande otimismo ao mercado. Houve gente comemorando o crescimento de 0,1%. Os sinais são ambivalentes, pois o governo, ao mesmo tempo que fala em cortar, pode estar querendo também arrecadar mais. Fala-se na volta da Cide e da CPMF, que, ao lado dos aumentos da gasolina e da energia, iria sobrecarregar a sociedade. Talvez Dilma esteja muito ocupada com a formação do novo Ministério. Um novo presidente eleito leva vantagem nessa performance: ainda não é o presidente, não precisa responder às questões que não param de acontecer.

Nesta semana em que o mundo discutiu as mudanças climáticas no Peru, creio que duas preocupações deveriam ocupar algum espaço na agenda do governo. As divergências entre Minas, Rio e São Paulo em torno do uso do Rio Paraíba do Sul serão mediadas pelo ministro Luiz Fux. No meu entender, isso é tarefa para a Presidência, que deve ter a visão global de nossos recursos hídricos.

O petrolão suscita outro tema para além do suborno. Dilma está longe de considerá-lo, pois dedica seu tempo agora ao loteamento dos cargos, plantando as sementes do próximo escândalo. Trata-se da influência das empreiteiras no planejamento energético do Brasil. Elas querem construir e a construção ostensiva interessa ao governo, assim como as fortunas doadas à campanha eleitoral. Esse mecanismo inibe os investimentos em eficiência energética. Afasta-nos de um movimento forte no mundo a julgar pelo relatório da ONU.

Um dos polos nessa busca pela sustentabilidade é a produção descentralizada de energia, o outro é a eficiência energética. Nada disso interessa às empreiteiras, logo, nada disso interessa também aos políticos. Especialista em energia, a presidente é muito distante. O ministro Lobão, de certa forma, já não está entre nós. A crise hídrica atravessa mandatos. Ela diz respeito não só à água, como à matriz energética brasileira. É mais complicada do que construir barragens e hidrelétricas.

Nesses temas um dirigente máximo não pode vir com as laranjas do seu Santana. Estamos diante de um imprevisível ano novo. O governo vai só economizar ou nos fará gastar mais? Até onde não conflitam o propósito de economizar com a compra de deputados, a montagem de 39 ministérios? Quem garante que os corruptos do mensalão não se transfigurem, de novo, em guerreiros do povo brasileiro? Guerreiros com guerreiros fazem zigue, zigue, zá: tudo pode acontecer.

Mas o sistema de cumplicidade entre governo e empreiteiras, o universo de estatais aparelhadas, todo esse mundo de concreto armado é um bloqueio político e econômico. Ele pode ruir. Pode também não acontecer nada. Neste caso, vão precisar de muitas historinhas, algo como mil e uma noites, para nos consolar.

Não há consolo para os desempregados da Iesa, empresa envolvida no escândalo do petrolão. Passei o fim de semana em Charqueada, a 80 km de Porto Alegre. A cidade decretou calamidade pública pois vai perder 6 mil empregos, contando os indiretos. Filmei equipamentos orçados em US$ 600 milhões expostos ao sol, paralisados. Mas não eram os milhões que me interessavam, e sim como o escândalo repercutiu na vida das pessoas. Num comício, sábado, o prefeito afirmou: eles vieram com o aval da Petrobrás, prometeram investir R$ 900 milhões, como iríamos saber que era uma picaretagem?

O Ministério do Trabalho está presente em Charqueada para reduzir os danos. Mas que historinha contar a uma cidade que depositou seus sonhos no projeto, abriu novas lojas e restaurantes e descobre que a licitação foi fraudada e o dinheiro se perdeu em propinas e campanhas políticas?

Em Charqueadas, um dos centros da região carbonífera do Rio Grande do Sul, o governo está queimado.*

 

(*) Fernando Gabeira é jornalista – Estadão