A BRUXA ESTÁ SOLTA

Caneladas de início

Agora, passada a fantasia eleitoral, o caminho recomeça a ser trilhado
com muitas dificuldades e uma grave herança maldita na política.

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Nem bem começou, já acabou a lua de mel com a presidente eleita: o PMDB deu as boas-vindas coordenando a aprovação do decreto legislativo que derruba o decreto presidencial sobre os conselhos populares. O tema em si foi mal costurado, mal debatido, mal encaminhado e inoportuno quanto a seu timing. O governo merecia ser derrotado por ter embalado tão mal uma boa ideia.

Já na sequência, o PMDB anunciou que Eduardo Cunha é o seu candidato à presidência da Câmara dos Deputados. Talvez o candidato menos desejado pelo Palácio do Planalto. E o partido parece disposto a compor com a oposição para evitar que o PT tenha o controle da Casa. No Senado, o roteiro será semelhante. O PMDB deve buscar uma composição com o PSDB e os demais partidos e ameaçar de isolamento o PT.

O PMDB tem outra bomba na manga. A pauta da Câmara neste final de ano ameaça criar mais confusão, incluindo aposentados, bombeiros, policiais e municípios. Tudo o que pressiona fortemente a política fiscal.

Para não ir muito longe, o PTB anunciou que vai apoiar uma nova CPI para continuar as investigações da Petrobras. Mais um problema à vista. Assim, engorda o apoio para que as investigações continuem.

Ainda atordoado pela vitória eleitoral, o governo caminha para purgar alguns de seus problemas insepultos. Mencionarei apenas um deles: sua precária coordenação política, que terminou por permitir que muitas minas terrestres fossem plantadas no caminho. A derrota de terça-feira não é totalmente inesperada. E tem raízes antes mesmo das eleições. As disputas e os conflitos no processo somente ampliaram uma insatisfação latente.

Outro problema sério é a divisão do PMDB. O partido voltou a ser cindido em diversos grupos cujas agendas são, nada menos, do que três: uns vão ser contra, outros independentes e, talvez, a maioria a favor. A união será pontual ou perene, se existir uma construção política excepcional.

Contra os prognósticos, temos o fato de que a política e o governo não funcionaram bem no primeiro mandato de Dilma. Obrigatoriamente, isso terá de melhorar, só não se sabe se o suficiente. Falta reflexividade e sobra voluntarismo em muitos dos atores principais. No passado recente, todos os mecanismos de diálogo político e social, tais como as reuniões do Conselho Político, foram abandonados e sabotados por uma agenda que não priorizava o político.

Nas eleições presidenciais, o risco de derrota sempre existiu. Uma das causas foi a inapetência em simplesmente fazer política, lubrificada sobretudo pela conversa mole. Agora, passada a fantasia eleitoral, o caminho recomeça a ser trilhado com muitas dificuldades e uma grave herança maldita na política.  Para piorar, ronda, tal qual um dragão alado sobre o universo político, o avanço das investigações do Petrolão! *

(*) Murilo Aragão, cientista político, no blog do Noblat

CORRUPÇÃO? ONDE?

A se acreditar nas estatísticas, o Brasil é um dos países menos corruptos do planeta. Você acredita nisso?

000 - brasil, parabéns

De duas, uma. Ou a corrupção que grassa no Brasil não ultrapassa nossas fronteiras ou ultrapassa, sim, mas os poderes encarregados de combatê-la estão pouco se lixando para isso.

Dilma Rousseff atravessou os dois turnos da recente eleição presidencial empenhada em convencer os brasileiros que seu governo, e os dois anteriores de Lula, sempre travaram o bom combate contra a corrupção.

Segundo o novo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre a Convenção de Combate ao Suborno de Funcionários Públicos Estrangeiros em Transações de Negócios Internacionais, na verdade falta ao Brasil vontade política para aplicar de forma eficaz os progressos de sua legislação contra a corrupção transnacional.

O número de inquéritos sobre esse tipo de corrupção foi considerado extremamente baixo por Patrick Moulette, chefe da Divisão Anticorrupção do OCDE. Nos últimos 15 anos, houve 14 casos suspeitos, apenas cinco inquéritos, três deles ainda em curso, e nenhuma condenação. Jamais um indivíduo foi condenado no Brasil por corrupção transnacional.

– Não estamos falando de corrupção em nível doméstico, mas, sim, transnacional, ou seja, a corrupção de empresas quando concluem contratos no exterior. Não sei se todos os brasileiros são conscientes de que grandes empresas possam recorrer à corrupção para vencer concorrências públicas no exterior –  observa Moulette.

Os repórteres Edson Sardinha e Rodolfo Torres do site O Congresso em Fococonferiram em novembro de 2013 que das 548 mil pessoas que superlotavam os presídios do país, somente 722 lá estavam acusadas de corrupção. Isso equivale a 0,1% do total de presos.

O nível de honestidade do Brasil é um exemplo para os demais países. Ou o de desleixo com a corrupção é um péssimo exemplo.

Cadê a Polícia Federal que Dilma considera um órgão de governo e não de Estado? E que obedece às ordens dela quando investiga? Onde está sua eficiência tão louvada pelo PT?*

(*) Blog do Ricardo Noblat

QUARTA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2014

Quem com Battisti feriu

com Pizzolato foi ferido

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O petista Henrique Pizzolato, mensaleiro condenado a 12 anos e 7 meses de cana dura, venceu o primeiro round da luta que trava com o Estado brasileiro na Justiça da Itália. A Corte de Apelação de Bolonha negou o pedido de extradição do fugitivo. O principal argumento foi o de que as prisões brasileiras não oferecem garantias de vida a Pizzolato. Realçou-se a cadeia maranhense de Pedrinhas. A decisão favorável deu ao Brasil a aparência de uma espécie de Maranhão hipertrofiado.

Os julgadores deram de ombros para as garantias oferecidas pelo Brasil de que Pizzolato cumpriria pena em segurança num presídio como o da Papuda, que hospedou em Brasília as figuras mais ilustres da bancada do mensalão. A decisão da Itália é mais política do que jurídica. O processo exala um cheiro de troco pelo indeferimento do pedido de extradição do italiano Cesare Battisti.

No caso de Battisti, condenado a prisão perpétua por envolvimento em quatro assassinatos praticados na década de 70, o STF deferiu a extradição. Mas Lula, a quem o tribunal atribuiu a palavra final, preferiu manter Battisti no Brasil. Concedeu-lhe o status de refugiado político.

Brasil e Itália firmaram um tratado de extradição em 1989. A peça prevê que os dois países devem devolver um ao outro pessoas que estejam em seus territórios e que sejam procuradas pelas autoridades judiciais para responder a processo penal ou cumprir pena de prisão já definida em sentença.

O texto estabelece que Brasil e Itália podem optar pela “recusa facultativa da extradição” quando a pessoa procurada for um nacional. Dono de dupla cidadania, Pizzolato é, aos olhos da lei, tão italiano quanto brasileiro. Ou seja, se quiserem, as autoridades da Itália podem refugar o pedido de extradição.

O Brasil recorrerá à Corte de Roma, o STF da Itália, contra a decisão tomada nesta terça-feira em Bolonha. Mantido o indeferimento, ainda caberá um apelo ao Ministério da Justiça da Itália. Considerando-se que o governo brasileiro fez ouvidos moucos para os pedidos da Itália, pode-se intuir o seguinte: quem com Battisti feriu com Pizzolato foi e continuará sendo ferido.

Hoje, a melhor forma de se vingar do petista seria enviar o abacaxi ítalo-brasileiro para a Papuda. Mas a Itália ainda não se deu conta disso.

O petista Henrique Pizzolato, mensaleiro condenado a 12 anos e 7 meses de cana dura, venceu o primeiro round da luta que trava com o Estado brasileiro na Justiça da Itália. A Corte de Apelação de Bolonha negou o pedido de extradição do fugitivo. O principal argumento foi o de que as prisões brasileiras não oferecem garantias de vida a Pizzolato. Realçou-se a cadeia maranhense de Pedrinhas. A decisão favorável deu ao Brasil a aparência de uma espécie de Maranhão hipertrofiado.

Os julgadores deram de ombros para as garantias oferecidas pelo Brasil de que Pizzolato cumpriria pena em segurança num presídio como o da Papuda, que hospedou em Brasília as figuras mais ilustres da bancada do mensalão. A decisão da Itália é mais política do que jurídica. O processo exala um cheiro de troco pelo indeferimento do pedido de extradição do italiano Cesare Battisti.

No caso de Battisti, condenado a prisão perpétua por envolvimento em quatro assassinatos praticados na década de 70, o STF deferiu a extradição. Mas Lula, a quem o tribunal atribuiu a palavra final, preferiu manter Battisti no Brasil. Concedeu-lhe o status de refugiado político.

Brasil e Itália firmaram um tratado de extradição em 1989. A peça prevê que os dois países devem devolver um ao outro pessoas que estejam em seus territórios e que sejam procuradas pelas autoridades judiciais para responder a processo penal ou cumprir pena de prisão já definida em sentença.

O texto estabelece que Brasil e Itália podem optar pela “recusa facultativa da extradição” quando a pessoa procurada for um nacional. Dono de dupla cidadania, Pizzolato é, aos olhos da lei, tão italiano quanto brasileiro. Ou seja, se quiserem, as autoridades da Itália podem refugar o pedido de extradição.

O Brasil recorrerá à Corte de Roma, o STF da Itália, contra a decisão tomada nesta terça-feira em Bolonha. Mantido o indeferimento, ainda caberá um apelo ao Ministério da Justiça da Itália. Considerando-se que o governo brasileiro fez ouvidos moucos para os pedidos da Itália, pode-se intuir o seguinte: quem com Battisti feriu com Pizzolato foi e continuará sendo ferido.

Hoje, a melhor forma de se vingar do petista seria enviar o abacaxi ítalo-brasileiro para a Papuda. Mas a Itália ainda não se deu conta disso.*

(*) Blog do Josias de Souza

SEIS POR MEIA DÚZIA?

Indefinição de equipe econômica mina credibilidade de Dilma

A definição do novo ministro da Fazenda é a primeira medida que a presidente Dilma Rousseff (PT), reeleita no domingo (26), precisa adotar nos próximos dias.

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A definição do novo ministro da Fazenda é a primeira medida que a presidente Dilma Rousseff (PT), reeleita no domingo (26), precisa adotar nos próximos dias. É o que garante o cientista político do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), Carlos Melo.

Após derrotar o candidato Aécio Neves (PSDB) por um placar apertado, 51,64% contra 48,36% dos votos, Dilma não venceu o pessimismo do mercado financeiro, insatisfeito com a falta de clareza sobre a condução da economia brasileira.

“As expectativas são nebulosas. Ela está tranquila demais diante de um resultado apertado que obteve nas urnas”, avalia Melo.

Para o cientista político, há um desafio político pela frente: acabar com o discurso que dividiu a sociedade brasileira. Durante a campanha, Dilma estimulou o discurso dos ricos contra os pobres, dos rincões contra os centros urbanos.

No caminho da divisão, existem dois polos distintos. De um lado, a avaliação positiva das políticas sociais do governo. Do outro, a baixa qualidade dos serviços, como saúde, segurança, transporte público e educação.

O que representa a reeleição de Dilma Rousseff?

A margem pequena da vitória de Dilma significa uma divisão clara da sociedade. De um lado, a sociedade tem uma avaliação positiva das políticas sociais do governo. Do outro lado, uma parcela grande da sociedade avalia de forma negativa a qualidade dos serviços e a condução do processo político-econômico dos últimos anos.

Quais são os desafios da presidente para os próximos 4 anos?

O desafio é acabar com esse mal-estar causado por causa de uma sociedade dividida. Para tanto, ela precisa de respostas rápidas em dois campos. Na economia, o desempenho da atividade precisa melhorar. Sem desenvolvimento econômico, não tem distribuição, não tem inclusão social, não tem aumento de renda. No campo político, é necessário resgatar a ideia de uma política elevada, que não se dê só pela ocupação de cargos.

Quais as medidas que devem ser tomadas nos próximos 100 dias?

A primeira coisa que ela precisa definir é quem será o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central. É preciso deixar claro o perfil da sua equipe. Existem várias expectativas da sociedade a respeito do governo dela. As expectativas são nebulosas. Ela está tranquila demais diante de um resultado apertado que obteve nas urnas.

O clima tenso que tomou conta da campanha presidencial se estenderá durante o novo mandato de Dilma?

Ela é a principal figura do país, ela tem o papel de desfazer o clima. Ela precisa fazer gestos, estabelecer as pontes de diálogo e reverter expectativas pessimistas. No presidencialismo, quem tem a iniciativa política é o presidente. Vai depender muito da Dilma.

Aécio Neves será um líder diferente da oposição porque teve uma votação maior?

O Aécio era dado como morto há 50 dias. Acabou saindo do processo como o mais bem votado candidato tucano nas últimas eleições. Tem chance de mostrar que tem força. Agora, terá competidores fortes: Geraldo Alckmin e o José Serra. É preciso saber se ele conseguirá manter a presidência do PSDB e conduzi-lo a uma mudança e manter o capital político da eleição. Ao mesmo tempo, Aécio deve explicação clara porque ele perdeu em Minas Gerais.

Como manter as políticas sociais com uma economia que dá sinais de desgaste?

Os programas sociais dependem de orçamento (recursos). Os recursos dependem de arrecadação. A arrecadação depende de desenvolvimento. Se não tem atividade econômica, diminui arrecadação e o cobertor fica curto. Acaba-se com o fluxo. É preciso retomar o desenvolvimento para garantir a continuidade de políticas sociais que são importantes.

A Dilma vai ter que adotar medidas impopulares, que tanto criticou, para levar a economia brasileira de volta aos trilhos?

Algum ajuste vai ter que fazer. Não há alternativa. Ninguém sabe em que grau e com que dinâmica. Temos problemas de tarifa de energia e gasolina. Ela aumentará. Mas em que proporção? Como vai fazer? Não sabemos. Dilma será obrigada a aumentar as tarifas, mas o ritmo é uma incógnita. Ela não esclareceu o que pretende fazer, nem quando começará.

O sistema de coalizão, com partidos tão diferentes ideologicamente, não é um dos motivos de tanta corrupção?

É o motivo. Precisamos de reforma e mudar a lógica. A lógica do presidencialismo de coalizão é mais do mesmo. Novamente, ela não deixa claro como irá fazer mudança. Ganhou a eleição sem esclarecer como mudará o sistema. É natural que agentes econômicos e políticos fiquem ansiosos com a situação. A bola está com ela, que está demorando a passar a bola. *

(*) Gabriel Garcia – O Globo

ROTA DE COLISÃO

Depois de reeleita, Dilma colhe na

Câmara dos Deputados sua primeira derrota

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A presidente do diálogo começa a ser testada

Péssima a estreia de Dilma Rousseff como presidente da República reeleita, a pouco mais de 60 dias de sua festa de posse.

No domingo, defendeu a reforma política mediante consulta popular por meio de um plebiscito. Diante da resistência dos partidos que a apoiam, recuou. Aceita que a reforma se faça via referendo. Aguardem para ver: não haverá reforma.

Para completar, o PMDB juntou-se aos partidos de oposição e aprovou ontem à noite na Câmara dos Deputados o projeto que susta os efeitos de um decreto editado por Dilma e responsável pela criação de novas instâncias de participação popular.

Publicado no final de maio último, o decreto presidencial institui a Política Nacional de Participação Social e o Sistema Nacional de Participação.

Embora não crie novos conselhos populares, o decreto estabelece que órgãos e entidades da administração pública federal, direta e indireta, ouçam instâncias de participação social para a formulação de políticas públicas. Vale o mesmo para agências reguladoras.

Oposição e boa parte do PMDB enxergam no decreto uma forma de ferir as prerrogativas do Congresso. Por isso sempre se opuseram a ele. Aconselhado a trocar o decreto por um projeto de lei a ser votado pelo Congresso, o governo preferiu testar a fidelidade de sua base de sustentação política. Deu no que deu.

O PT obstruiu a sessão e acusou a oposição de buscar “um terceiro turno” da eleição presidencial. Pressionou Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), presidente da Câmara, para que retirasse o decreto de votação. De nada adiantou. A decisão da Câmara ainda será apreciada pelo Senado.

Até o início do recesso de fim de ano do Congresso, ali por meados de dezembro, o presidente da Câmara pretende votar uma série de “projetos-bomba” que desagrada o governo. Um deles: a proposta de emenda à Constituição que torna obrigatório o pagamento de emendas parlamentares individuais ao Orçamento da União.

Outro: a proposta que concede aposentadoria integral para o servidor que se aposentar por invalidez. Mais um: o aumento de repasses do Fundo de Participação dos Municípios.

O fim do primeiro mandato de Dilma e o segundo mandato inteiro servirão à farta para que ela corresponda à sua nova imagem da presidente do diálogo. A se ver.*

(*) Blog do Ricardo Noblat

PETRORROUBALHEIRAS

Petrobras: falta autocrítica

no enredo de Dilma

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Alguém precisa levar para Dilma Rousseff uma cópia do último depoimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa à Justiça Federal. Ocorreu em 8 de outubro, em Curitiba. Coisa pública. Nada a ver com a delação premiada feita em segredo. Presidiu a audiência o juiz Sérgio Moro. Antes de encerrar o interrogatório, ele perguntou a Paulo Roberto se desejava dizer algo.

E o interrogado: “Queria dizer só uma coisa, Excelência. Eu trabalhei na Petrobras 35 anos. Vinte e sete anos do meu trabalho foram trabalhos técnicos, gerenciais. E eu não tive nenhuma mácula nesses 27 anos.”

Paulo Roberto emendou: “Se houve erro —e houve, não é?— foi a partir da entrada minha na diretoria por envolvimento com grupos políticos, que usam a oração de São Francisco, que é dando que se recebe. Eles dizem muito isso. Então, esse envolvimento político que tem, que tinha, depois que eu saí não posso mais falar, mas que tinha em todas as diretorias da Petrobras, é uma mácula dentro da companhia…”

Nesta segunda-feira, já reeleita para um novo mandato de quatro anos, Dilma falou ao Jornal Nacional. Questionada sobre o escândalo da Petrobras, sucedâneo do mensalão, a presidente respondeu que espera justiça, “doa a querm doer”. Disse que fará “o possível para colocar às claras o que aconteceu.”

Dilma vociferou: “Não vou deixar pedra sobre pedra. Vou investigar. […] Eu vou fazer questão que a sociedade brasileira saiba de tudo. Eu não concordo que isso leva à crise. Acho que o que leva à crise no Brasil é as suposições, as ilações e as insinuações.”

Pois bem, para evitar suposições, ilações e insinuações sobre sua dificuldade de entender o sentimento de mudança que quase a arrancou do Planalto, Dilma deveria convocar os jornalistas para repassar-lhes três declarações:

1. ‘Lula errou ao entregar diretorias de estatais como a Petrobras a prepostos de partidos políticos’.

2. ‘Eu errei duas vezes: como presidente do Conselho de Administração da Petrobras, por silenciar ante a chegada da ilicitocracia à estatal. Como presidente da República, ao manter o doutor Paulo Roberto no comando da diretoria de Abastecimento da Petrobras entre janeiro de 2011 e abril de 2012′.

3. ‘No meu segundo mandato, diretores de empresas públicas serão escolhidos pelapresidenta da República, não por aliados políticos de baixa qualificação moral’.

Enquanto Dilma não pronunciar essas três frases, o lero-lero do “doa a quem doer” e a conversa mole do “não deixarei pedra sobre pedra” serão palavras ocas. O repórter acredita que a encrenca funciona como o futebol. Ou o vôlei. O sujeito pode ser supertalentoso, mas não marca gol, não faz o ponto sozinho.

Tem toda uma engrenagem por trás do lance: a agremiação, o preparador físico, o massagista, o técnico e, mais importante, o time em ação, armando toda a jogada que resultará no chute ou na cortada indefensáveis.

Na corrupção é igualzinho. O governo se autodefine como “de coalizão”, leva as diretorias da Petrobras ao balcão, esquece o recato, confunde a atividade pública com a privada… Enfim, arma toda a jogada. O corrupto apenas pratica a corrupção.*

(*) Blog do Josias de Souza

DOIS NEURÔNIOS EM CHOQUE

Confusa como sempre, Dilma diz

por que perdeu em São Paulo

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Ela ainda não se refez do susto que levou

Sabe por que Dilma Rousseff foi impiedosamente derrotada em São Paulo pelo dilatado placar de 64% dos votos contra 25,8%? Porque a imprensa não noticiou direito a crise da falta de água no Estado.

Abismado com tamanha asneira? Queixe-ser ao bispo.

A autora da asneira foi a presidente reeleita Dilma Rousseff durante em entrevista, ontem à noite, à TV Record.

Não, ela não corou quando disse isso. Nem pareceu acanhada. Enfrentou alguma dificuldade para se expressar, mas nada de excepcional. O de costume.

Há mais de três meses que a falta de água é notícia diária na imprensa paulista. E também fora dali. Certamente não foi disso que Dilma se queixou.

Ela queria que a imprensa culpasse o governo estadual pela crise com mais ênfase do que ela o fez. Assim, raciocina Dilma, o voto a favor dela poderia ter sido maior.

A tradução do pensamento de Dilma pode torná-lo mais compreensível, imagino. Nem por isso mais aceitável.

Dilma é da mesma escola de Lula – ambos gostariam que a imprensa se comportasse como um aliado deles. Uma vez, disse Lula (cito de memória):

– Não gosto de ver publicada notícia. Gosto de ver publicada publicidade.

Livre tradução: gosto de ser incensado. Criticado, não.

É muito simples: Dilma perdeu de lavagem a eleição em São Paulo porque os paulistas jamais gostaram do PT. É por isso que um petista nunca se elegeu governador.

O candidato de Lula ao governo foi contemplado com a votação humilhante de menos de 20%. No ABC paulista, onde o PT nasceu, o PSDB ganhou outra vez.

Em São Bernardo do Campo, cidade onde Lula mora, Dilma perdeu para Aécio.

Dilma ganhou outro mandato, mas parece perdida. Ainda não se refez do susto que levou ontem. Por mais que não queira, será refém de um Congresso conservador e fisiológico.

Podem me cobrar em um futuro próximo: o PT ainda se arrependerá de ter ganhado com ela. Se tivesse perdido, e por pouco, Lula já estaria em campanha para voltar em 2018.*

(*) Blog do Ricardo Noblat

FOI A SOBERBA

Aposta no voto personificado e excesso

de confiança derrubaram Aécio em MG

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Aécio Neves está um poço de mágoas com os eleitores mineiros. Perdeu para a presidente Dilma no Estado nos dois turnos.

Tucanos de alta plumagem reconhecem que, pela baixa diferença de votos no resultado nacional, se Aécio vencesse em Minas como apostavam nos prognósticos – uma vantagem de 3 milhões de votos – ele seria eleito presidente.

Dilma obteve 52,41% dos votos no Estado (5.979.422 votos), contra 47,59% de Aécio (5.428.821).

Ontem, tucanos estupefatos com o resultado no reduto eleitoral que Aécio governou por dois mandatos ainda tentavam entender o que houve e fizeram um discreto mea culpa sobre os motivos da derrota.

A turma elenca: excesso de confiança no voto personificado; PSDB não colocou a militância nas ruas; não investiu no Norte e Nordeste do Estado, bolsões ainda com baixo IDH e alvo do Bolsa-Família; e principalmente não tem o apoio dos prefeitos das principais cidades do interior: Uberlândia (56,4% para a petista, contra 43,5%) , Uberaba (57,6% x 42,4%) e Juiz de Fora (63,3% x 36,6%).

Uberlândia (356 mil votos válidos) é administrada pelo petista Gilmar Machado, ex-deputado federal que foi vice-líder do Governo durante a gestão Lula. Uberaba (166,9 mil votos) e Juiz de Fora (294 mil votos) estão nas mãos do PMDB, com prefeitos aliados de Dilma.

A presidente também deu uma lavada no tucano numa cidade da região metropolitana. Venceu em Betim por 56,21% a 43,79% – a cidade teve 208 mil votos válidos. Já Aécio venceu em Contagem (340 mil votos válidos) por 51,98% contra 48,02%. Na capital (1,45 milhão de votos), o resultado ficou bem a favor do tucano – 64,27% a 35,73%.

MÁQUINA MUNICIPAL

Pesou a favor de Dilma o uso da máquina municipal. Prefeitos do PT e PMDB no Estado investiram pesado com nas propagandas nas ruas com apoio do comitê nacional.

MILITÂNCIA OFICIAL

Outra militância a favor de Dilma: 30 dos atuais 53 deputados federais são governistas, entre eles campeões de votos petistas como Reginaldo Lopes e Gabriel Guimarães.

PATRUS & PIMENTEL

Aécio só venceu em Belo Horizonte e nas cidades do Sul. Em BH, puxaram votos para Dilma dois ícones do PT: Fernando Pimentel e Patrus Ananias, ex-prefeitos da capital.*

(*) Leandro Mazzini – UOL

SEGUNDA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2014

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PLURAL DOS NOMES PRÓPRIOS

 

Nome próprio de pessoa tem plural? As gramáticas que tratam do assunto recomendam que se pluralize normalmente o nome de pessoa, mesmo o de família. Rocha Lima, em sua Gramática Normativa, depois de anunciar a regra, cita, entre outros exemplos, o título do romance Os Maias, de Eça de Queirós, como prova de que nome de família também tem plural.

            Ocorre, no entanto, que a prática entre usuários conceituados da língua tem demonstrado que a regra não é tão simples assim. Se se pluralizam os nomes de batismo (isto é, os prenomes), os de família oferecem na fala certa resistência à pluralização, sobretudo os nomes estrangeiros. Gramaticalmente, parece que existe uma regra dupla: os nomes de família da mesma genealogia não iriam para o plural; as famílias homônimas, de raízes ou linhagens distintas, teriam seus nomes pluralizados. Assim, os Oliveira, sem flexão de plural, designariam todos os membros da mesma estirpe. Os Oliveiras, com flexão, por outro lado, designariam as famílias que tivessem o mesmo nome, mas não tivessem nenhum parentesco entre si.

            Um livro que é um imenso corpus para esse tipo de pesquisa é Como você sechama?Estudo sociopsicológico dos prenomes e cognomes brasileiros (Rio de Janeiro: Documentário, 1974), de autoria de R. Magalhães Júnior, não só por tratar exclusivamente de nomes de pessoas, pluralizados ou não, mas também por citar textualmente trechos de outros autores que abordaram o mesmo tema ou forneceram matéria de análise para o Autor, como Carlos Drummond de Andrade e Pedro Nava, por exemplo.

            Assim, na p. 36, Magalhães Júnior fala nos Belém, nos Potengi; na p. 54, nos Cavalcanti, nos Wanderley, nos de Holanda; na p. 61, nos Amoretti, nos Barandier, nos Bardy, nos Chambelland; na p. 62, nos Gudin, nos Supplicy, nos Gouthier, nos Frontin; na p. 105, nos Jurema, nos Bocaiúva, nos Timbaúba; na p. 114, nos Portugal, nos Holanda; na p. 115-6, nos Potiguara; na p. 117, citando Oliveira Lima, nos Oiticica, nos Sucupira, nos Ge Acaiaba de Montezuma.

            Se a referência é a mais de uma família, ocorre a pluralização: os Cordeiros, os Cabritos, os Bezerras (p. 139); os Leões, os Falcões (p.140); os Aranhas (p. 149); os Paccas (p. 150). Uma nuance nessa regra: na p. 148, Magalhães Júnior fala nos Barata (sem s), ao referir-se à família; e nos Baratas (com s), ao referir-se a cada membro da família a projetar-se social ou profissionalmente. Às vezes, contudo, mas raramente, ocorre um singular entre plurais na mesma linha: os Bezerras e os Bezerril (p. 139); os Pombos, os Pombal (p. 147); ou o mesmo nome ora pluralizado, ora invariável: os Pintos, os Pinto (p. 144); os Camelo, os Camellos (p. 150). Mas é bem possível que se trate de cochilo ou Autor ou da revisão, já que, nos outros casos, existe coerência na pluralização.

            Os prenomes, contudo, são invariavelmente pluralizados: Paulos, Franciscos, Beneditos (p. 58), Estelas, Virgínias (p. 76, rodapé), Marcelos, Cláudias, Sofias, Vitórias, Elizabeths, Omares (p. 97), Simones, Cristianos (p.98). Até mesmo os prenomes duplos se pluralizam: Isabéis Cristinas (p. 97).

            Parece-me que é hora de os estudiosos examinarem com mais cuidado esse capítulo das nossas gramáticas. É possível que Magalhães Júnior, um bom usuário da língua, como Rachel de Queirós ou Oliveira Lima, tenha mostrado, intuitivamente, uma deriva de nossa língua, um sentido na sua evolução brasileira. Apesar de Eça de Queirós. (Aliás, em sua Moderna Gramática Portuguesa (Rio de Janeiro: Lucerna, 1999, p. 125), Evanildo Bechara admite o uso do singular em nomes próprios determinados por artigo plural: “Os Correia de Sá”.)

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011)