DOA A QUEM DOAR

O teatrinho de tia Dilma e dos seus aliados

Por que ela não manda as CPIs investigarem a Petrobras?

000 - a piada

Prorrogar os trabalhos da CPI da Petrobras no Senado para quê?

Foram prorrogados até 22 de dezembro próximo. Terminariam amanhã.

Não, não espere que a prorrogação resulte em alguma coisa. Nada a ver com o exíguo prazo de prorrogação. Tudo a ver com o boicote do governo à CPI. Sim, boicote.

Tia Dilma fica exaltando nas entrevistas que concede sua determinação de não deixar pedra sobre pedra quando se tratar de corrupção. E que doa em quem doer!

Lorota! As duas CPIs que investigam a roubalheira na Petrobras só fingem que investigam porque o governo, o PT e seus aliados não têm o menor interesse nisso.

Por sinal, duvido que a oposição tenha.

Se a tia acha que exagero por que não dá ordens expressas, em público, para que as CPIs cumpram com sua missão?

Ainda haveria tempo para isso. O prazo de funcionamento das CPIs pode ser prorrogado mais uma vez

Vai encarar, tia?*

(*) Blog do Ricardo Noblat

O SOL NASCEU PARA TOLDOS

Padrões de Justiça

Em entrevista à Folha, o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), relacionou a decisão da Justiça italiana de negar a extradição de Henrique Pizzolato ao caso “vexaminoso” de Cesare Battisti.

Pode ser troco. O Estado brasileiro reconheceu em Battisti a condição de perseguido político, vítima de julgamento injusto na Itália, um país democrático. Agora, a Itália declara a desumanidade do sistema penitenciário do Brasil, um país democrático, afirmando que a entrega de Pizzolato poderia expô-lo a tratamento degradante.

O precedente é incômodo: expõe ao mundo uma das marcas da barbárie brasileira -apesar dos esforços oficiais para garantir que Pizzolato, diferentemente dos presos em geral, seria bem tratado. Se a moda pega, o Brasil terá dificuldades para alcançar criminosos refugiados no exterior.

Não há prisões humanitárias. A degradação moral é inerente ao encarceramento. Dostoiévski trata disso em “Recordações da Casa dos Mortos”. É como escravidão: “bem tratado” ou submetido ao pelourinho, o escravo será sempre escravo.

“Bem tratado” ou submetido a graves violações na sua integridade física e psíquica, o preso estará sujeito a um regime de vida invariavelmente embrutecido e corrupto. É assim em qualquer lugar, inclusive em países ricos, como Estados Unidos, Alemanha, Japão e Itália.

Se a pena de prisão surgiu como sinal de progresso humanitário, hoje não há controvérsias. É uma máquina de triturar pessoas. Não regenera ninguém. Por isso, diante da “impossibilidade” de se eliminar a prisão do horizonte punitivo, cada vez mais se buscam soluções alternativas para condenados que, fora do cárcere, não representariam perigo concreto para a sociedade. É inútil manter atrás das grades quem lá não precisa estar.

Além de maus-tratos, superlotação, tortura silenciosa, motins e decapitações, um dos motivos do mal-estar prisional brasileiro é a negação sistemática de direitos.

As varas das execuções criminais não funcionam. Em parte, pela falta de meios para gerenciamento eficiente de um sistema que abriga mais de meio milhão de pessoas, o que se agrava pelo deficit de defensores. Em parte, também pela omissão de juízes e promotores, que atuam como se fossem agentes da segurança pública, retardando ou negando aquilo que a lei estabelece.

Como exigir respeito à lei por parte de quem a transgrediu no passado se autoridades que decidem seu futuro também a desrespeitam?

É comum a espera de mais de ano por decisão singela de progressão de regime (do fechado para o semiaberto, do semiaberto para o aberto).

José Dirceu obteve o direito de progredir para o regime aberto (prisão domiciliar) e a decisão do ministro Barroso, do STF, saiu apenas nove dias depois do pedido: o processo ainda tramitou pela Procuradoria da República, que rapidamente concordou com o benefício. Não é o padrão de tempo da Justiça brasileira, nem mesmo do STF, espraiando-se um sentimento de impunidade e privilégio.

Dirceu deveria ser tratado como são tratados os presos? Ou, ao contrário, os presos deveriam ser tratados como os réus do mensalão em matéria de execução penal?

Que esse padrão de Justiça se irradie pelo país. Seria um bom começo.*

(*) Luís Francisco Carvalho Filho, advogado criminal, Folha de São Paulo

OLHA ELA AÍ…

Cresce o risco de inflação neste

ano superar teto da meta

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As altas menos expressivas dos alimentos e dos transportes ajudaram a desacelerar a inflação oficial de outubro, mas o reajuste da gasolina e do diesel deve forçar o IPCA nos próximos dois meses e contribuir decisivamente para que o índice feche o ano acima do teto da meta (6,5%).

É o que dizem analistas consultados pela Folha, para quem, além do impacto da alta dos combustíveis -de 3% para gasolina e 5% para diesel-, a inflação em novembro e dezembro também terá reflexo da valorização do dólar, dos reajustes de energia e de um aumento do preço dos alimentos “in natura” típico de fim de ano.

O IPCA de outubro ficou em 0,42%, abaixo do verificado em setembro (0,57%) e também da projeção média dos analistas consultados pela agência Bloomberg para o mês passado, de 0,48%.

Editoria de Arte/Folhapress

A despeito da desaceleração, o índice acumulado nos 12 meses encerrados em setembro atingiu 6,59%, variação que superou, pela quarta vez no ano, o teto da meta estabelecida pelo governo, mas que ficou abaixo da projeção dos analistas, de 6,66%.

Segundo a coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, para cada 1% de reajuste de combustível na bomba, há impacto sobre o IPCA geral de 0,04 ponto percentual.

O aumento divulgado na quinta pela Petrobras é na venda do produto pelas refinarias aos postos. O preço na bomba, cobrado do consumidor final, não é regulado. Ainda que não haja regra, o repasse gira entre 70% e 100% do reajuste dado na refinaria.

No aumento de combustíveis do ano passado, no final de novembro, o percentual foi repassado de forma integral ao consumidor. O analista da LCA Fábio Romão disse acreditar que isso se repita.

Ele calcula que, devido ao aumento, a inflação fechará este ano 0,5 ponto percentual acima do teto da meta, em 6,55%. Romão diz que o reajuste da gasolina tem impacto mais imediato e direto no IPCA do que o do diesel. A gasolina pesou 3,75% no IPCA de outubro, ante 0,14% do diesel, de acordo com o IBGE.

A alta da gasolina é diretamente perceptível pelo consumidor. Já o diesel tem seu aumento percebido de forma indireta e mais diluída entre outros produtos.

Mais caro, o combustível utilizado pelos caminhões encarece os transportes de quase todos os produtos da economia brasileira, baseada principalmente em transporte de carga via rodovias.

Romão faz um cálculo um pouco diferente do do IBGE. Sua conta mostra que o impacto da alta da gasolina no IPCA será de 0,10 ponto percentual, divido em 0,08 ponto em novembro e 0,02 ponto em dezembro. O diesel terá um impacto total maior, de 0,13 ponto percentual, dos quais apenas 0,01 ponto neste ano e o resto nos seis primeiros meses de 2015.

“A impressão que me dá é que o governo decidiu fazer os ajustes logo neste ano para buscar ficar abaixo do teto de inflação só no ano que vem. A ideia seria tomar medida menos populares agora para começar o ano que vem menos pressionado.”

A analista da consultoria Tendências Adriana Molinari, que, antes do reajuste, estimava um IPCA de 6,4%, revisou a previsão para 6,5%. *

(*) LUCAS VETTORAZZO – FOLHA DE SÃO PAULO

DILMA, A ESQUENTA CADEIRA

Lula quer indicar a Dilma

pelo menos três ministros

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer participar pessoalmente da indicação de pelo menos três ministros que irão compor o novo governo de Dilma Rousseff.

Segundo a Folha apurou, Lula está empenhado em apontar os nomes para Fazenda, Educação e Cidades. Ele avalia que as pastas serão fundamentais para alavancar programas importantes para seu projeto político em 2018.

Durante encontro com Dilma, nesta semana em Brasília, Lula disse considerar esses três ministérios os mais importantes para o futuro governo e recebeu o aval da presidente para acompanhar de perto iniciativas e resultados.

No seu primeiro mandato, Dilma se incomodou muitas vezes com as interferências de Lula, mesmo com as mais discretas. A presidente queria deixar uma marca de independência em relação ao antecessor e evitava tomar decisões sob sua tutela.

Agora, dizem aliados do ex-presidente, Dilma sabe que seu padrinho político precisa preparar o terreno caso queira concorrer ao Palácio do Planalto novamente.

“Esse governo não pode dar errado. Lula acompanhará bem de perto”, explica um aliado do ex-presidente que também transita com liberdade no círculo de Dilma.

Interlocutores da presidente, no entanto, ponderam que nenhuma escolha de Lula passará sem consentimento de Dilma. Ainda não há acordo, por exemplo, sobre o novo ministro da Fazenda.

Para assumir o posto, Dilma quer o ex-secretário-executivo da pasta Nelson Barbosa, mas Lula prefere o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles.

O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, seria um nome de consenso, mas petistas acreditam que dificilmente ele aceitaria o convite.

GOVERNABILIDADE

Uma das principais dificuldades do primeiro governo Dilma, a relação com os partidos aliados, também está na mira da estratégia de Lula.

Além de opinar na composição dos ministérios –e acompanhar as ações de algumas pastas–, o ex-presidente vai conversar com os representantes das siglas que compõem a base de Dilma e estimulará a presidente a fazer o mesmo movimento.

Lula quer melhorar especialmente o diálogo de Dilma com o seu próprio partido. Ele considera a mediação necessária para diminuir as queixas sobre a atuação da presidente. Às vésperas da eleição, a petista teve que lidar com pressões para que fosse Lula, e não ela, o representante do PT na disputa presidencial.

A acomodação dos aliados nos ministérios, inclusive, deve diminuir o espaço do PT na Esplanada, acreditam integrantes da cúpula petista.

Alguns deles defendem que a pasta de Relações Institucionais, responsável pela ponte entre governo e Congresso, saia das mãos do PT para as de um partido aliado.

Apesar disso, os petistas deverão permanecer à frente de ministérios importantes. Além do chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, devem ser mantidos o ministro da Saúde, Arthur Chioro, e o da Justiça, José Eduardo Cardozo.

Lula também indicou nos últimos dias que não deixará de lado o que chama de “reconstrução” do PT. O ex-presidente pediu a aliados mais diálogo do partido com a juventude e a reaproximação da sigla com os movimentos sociais, além da defesa de bandeiras históricas de esquerda, como reforma agrária e regulação da mídia.*

(*) MARINA DIAS – FOLHA DE SÃO PAULO

DICA CULTURAL

JÁ NO MERCADO

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José Augusto Carvalho é mineiro de Governador Valadares. Foi professor por mais de meio século (aposentou-se compulsoriamente pela UFES quando completou 70 anos). Tem colaborado com a imprensa local desde 1957 e é também colaborador aqui do www.contraovento.com.br

Já publicou: dois romances (A Ilha do Vento Sul e Candaína); três livros de crônicas (Entre a cruz e a caldeirinha, Pedagogia da trapaça e Brumas da memória); quatro livros sobre língua portuguesa (Gramática Superior da Língua Portuguesa, Manual Prático de Português – em colaboração –, Por uma política do ensino da língua e do pensamento à palavra – lições de português para a prática da redação, que organizou); três livros de contos (Órfã de filha, O braço e o cutelo e a fama e a cama); um Manual de Pontuação; inúmeros artigos para revistas especializadas (Revista Civilização Brasileira, Revista Brasileira de Linguística, Conhecimento Prático de Língua Portuguesa e Língua Portuguesa, entre outras). Também organizou, com base nos seus conhecimentos de ecdótica, o livro Quase toda a poesia, de Hilário Soneghet, e Poemas, de Audifax de Amorim. Traduziu mais de 20 livros (do italiano, do francês e do inglês) para as editoras Record, Bom Texto e Cátedra.

Colaborou com uma coluna semanal sobre língua portuguesa em A Gazeta, durante três anos. Atualmente dedica-se à pesquisa, à orientação de dissertações de mestrado e à correção de textos. Pretende publicar em breve um Manual de Redação e uma coletânea dos estudos que publicou sobre Língua Portuguesa. Reside em Vitória há mais de 60 anos e tem três filhos: André Hees de Carvalho, Sílvia Hees de Carvalho e Gabriel Binda Carvalho.

MAR REVOLTO

“Pílula do dia seguinte”

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O desdobramento de uma política econômica fracassada e o desenrolar do maior processo de corrupção da história do País devem produzir um debate muito mais próximo da realidade do que uma fantasia novelesca da agenda eleitoral.Minha esperança é que as pessoas olhem bem para a falência da economia…
Com robusta experiência em derrotas eleitorais, arrisco-me a prescrever esta pílula do dia seguinte.
Um dos primeiros aprendizados na derrota é superar qualquer impulso de culpar os eleitores ou regiões inteiras pelo resultado das urnas. É preciso examinar as políticas que nos levaram a esse resultado, os erros que cometemos ao longo do caminho.

Outra ilusão é supor que, eleito, o adversário vá realizar a política de quem perdeu. Muitos esperam mudança na política econômica de Dilma. Sou mais cético, embora reconheça a força da realidade, a enorme pressão que os próprios fatos vão exercer sobre seu governo.

A política econômica de Dilma não nasceu apenas de sua cabeça. Ela tem uma base teórica que sempre foi bastante influente entre os economistas e acadêmicos. O centro do debate é o papel do Estado na economia. Até a crise de 2008 era uma visão na defensiva na própria conjuntura mundial. Como casais condenados a viver juntos, era preciso rediscutir a relação Estado e mercado, o peso que teriam na nova pós-crise.

Isso aconteceu até nos Estados Unidos, onde Obama lançou um plano de recuperação na economia, que agora chega a seu fim, atingindo o objetivo. Caminhos teóricos distintos levaram a escolhas distintas. Na compreensão de Obama, o Estado precisava impulsionar a economia porque é dele que depende sua sobrevivência.
… “A política econômica de Dilma não nasceu apenas de sua cabeça. Ela tem uma base teórica que sempre foi bastante influente entre os economistas e acadêmicos. O centro do debate é o papel do Estado na economia. Até a crise de 2008 era uma visão na defensiva na própria conjuntura mundial. Como casais condenados a viver juntos, era preciso rediscutir a relação Estado e mercado, o peso que teriam na nova pós-crise…”
A intervenção do Estado na economia brasileira, em linhas gerais, enfraqueceu o papel do mercado, pelo fortalecimento da intervenção do governo. No campo da energia, as intervenções de Dilma para baixar o preço da eletricidade, voluntariosamente, e conter o preço da gasolina são evidências de que superestimam o papel do Estado. Aliadas, é claro, a uma grande vontade de ganhar as eleições. Os estímulos à indústria automobilística foram uma faca de dois gumes. Eles agravaram o problema da mobilidade urbana, que era um dos motores das manifestações de 2013. Essa política é uma contradição ambulante. Além disso, valeu um processo de protecionismo na Organização Mundial do Comércio.

No meu ponto de vista, o governo esteve sempre mais preocupado com a área da economia que domina: estatais e, indiretamente, a constelação de empresas que giram em torno delas. Houve estímulos via BNDES criando uma órbita em torno do governo. Uma órbita favorecida: toma-se dinheiro público coberto pelo sigilo bancário.
A conclusão oficial foi expressa por Guido Mantega: nossa política econômica foi aprovada nas eleições. A alguns quilômetros dali, Dilma afirmou que a mudança foi a palavra mais ouvida na campanha. Não vi contradição entre os dois, porque Dilma jamais associou a palavra mudança à economia, sempre afirmou que estava no caminho certo, que seu modelo era exemplo universal de como atravessar uma crise sem perda de salário ou emprego.

Durante esse período de exaltação do próprio desempenho, o governo jogou para baixo do tapete dados essenciais. Dois deles já vieram à tona: o rombo de R$ 20 bilhões nas contas públicas e o da redução da pobreza. Outros esperam no pipeline: índice de desmatamento na Amazônia, redução da pobreza, performance no ensino.
Dilma afirma querer esclarecido, em todos os detalhes e nomes, o escândalo de corrupção na Petrobrás. Tenho inúmeras razões para duvidar. O governo tentou bloquear a CPI, os vazamentos indicaram que a própria base do governo está envolvida; Lula e Dilma foram mencionados pelo doleiro Alberto Youssef. A realidade é que o governo vai considerar estratégico desqualificar as investigações. E não está sozinho nisso. As grandes empresas envolvidas contrataram poderosos advogados que fracassaram no mensalão, mas ganharam experiência para o novo confronto: o petrolão.

O Supremo terá 10 dos 11 ministros indicados pelo PT. Claro que alguns deles sabem que o PT passa e o Supremo fica. Mas sua gratidão será cobrada, como foi intensamente cobrada de Joaquim Barbosa. Esse processo do escândalo na Petrobrás será uma intensa luta entre quem quer saber e punir e quem quer esconder e inocentar. Não creio no êxito da tentativa de esconder. O escândalo ultrapassou as fronteiras: auditorias internacionais serão realizadas e as leis americanas são difíceis de driblar.

… “Dilma afirmou que vai entregar o Brasil pronto para um novo ciclo de crescimento. Obama fala como se tivesse concluído a tarefa. Alguém perdeu tempo nestes cinco anos…”
O assalto à Petrobrás e a política econômica se entrelaçam e podem nos levar a um debate um pouco mais concreto sobre este capitalismo de Estado que o PT impulsiona. A corrupção instalou-se no cofre da maior empresa estatal e se estendeu para toda a constelação que gira em torno dela.

Dilma afirmou que vai entregar o Brasil pronto para um novo ciclo de crescimento. Obama fala como se tivesse concluído a tarefa. Alguém perdeu tempo nestes cinco anos.

Nunca tive a experiência de uma vitória em eleição majoritária. Mas havia uma questão temível esperando o vencedor na manhã seguinte: como fazer tudo o que prometi?

Os anos serão duros para Dilma. Seca no Sudeste, seca de ideias sobre política de recursos hídricos, economia estagnada e uma tentativa de provar que vivemos na realidade dos programas de televisão da campanha. Será preciso um grande plantel de macunaímas para o governo escapar ileso dos fatos, das leis da economia e de um bilionário processo de corrupção. E não podem dizer como o nosso herói sem nenhum caráter: ai, que preguiça!

O desdobramento de uma política econômica fracassada e o desenrolar do maior processo de corrupção da história do País devem produzir um debate muito mais próximo da realidade do que uma fantasia novelesca da agenda eleitoral. Minha esperança é que as pessoas olhem bem para a falência da economia e a gravidade da corrupção na Petrobrás. E esqueçam um pouco quem foi parado na Lei Seca, quem estava preparando tirar a comida da mesa dos pobres para depositá-la no Banco Central independente. Assistimos a uma ficção da pior qualidade. Precisamos voltar à realidade cotidiana. O assalto à Petrobrás foi uma audácia.

Audácia maior é o assalto à nossa lucidez.*

(*) Fernando Gabeira – Estadão

ERRADICAÇÃO DA MISÉRIA POR DECRETO

IBGE afirma que não revisará números sobre miséria

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O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou nesta quinta (6) que, a despeito do pedido do governo, não irá revisar os números da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) que mostraram o aumento da miséria em 2013.

Os ministros Tereza Campello (Desenvolvimento Social) e Aloizio Mercadante (Casa Civil) afirmaram, entre quarta (5) e quinta (6), que desconfiam dos dados da Pnad, e que o governo pediu ao IBGE para que eles fossem analisados.

Conforme cálculos do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a Pnad mostrou que, pela primeira vez desde 2003, a miséria deixou de cair –passou de 10,08 milhões, em 2012, para 10,45 milhões. Esses dados foram represados durante as eleições.

No entanto, dizem os ministros, essa nova tendência pode ser ilusória, fruto de dados incorretos. Segundo eles, há na Pnad uma quantidade anormal de pessoas que dizem ter renda zero mas cujo acesso a bens ou nível escolar sugerem que elas não são miseráveis –seriam “falsos renda zero”.

“Quando cruza[-se] essa informação com outras informações, por exemplo, 5% dos que declararam que não tinham renda têm curso superior. Quando você olha quem tem renda baixa, nunca tem esse índice. 58% têm acesso a saneamento básico, 32% têm maquina de lavar roupa. Então, os indicadores de patrimônio não batem. O que pode ter acontecido é que são pessoas que não declararam a renda e não necessariamente que têm renda zero”, disse Mercadante.

“Nós queremos que o IBGE analise com mais profundidade a mostra. Porque todos os outros índices mostram que a pobreza caiu e esse indicador de renda zero pode ter algum problema metodológico. […] Estamos fazendo essa advertência.”

No entanto, questionado pela Folha, o IBGE disse que recebeu o pedido do governo, mas já o descartou.

“Por [a Pnad] ser amostral, o total de indivíduos sem declaração de rendimentos tem flutuação anual diferenciada. Além disso, uma parcela também anualmente distinta dos informantes se recusa a prestar informação sobre a renda. Os métodos para os cálculos com a variável renda e as demais variáveis devem, portanto, considerar as possíveis flutuações existentes nas variáveis utilizadas. A Pnad 2013 seguiu a sua metodologia de coleta das informações como planejada e seus resultados não serão revisados pelo IBGE”, informou o órgão em nota.

A Pnad é autodeclaratória, ou seja, a pessoa diz quanto ganha, e esse valor não é checado. Normalmente, a declaração é próxima do valor real. Mas, conforme pesquisadores, a autodeclaração de renda pode ser especialmente pouco confiável nos extremos –entre os que ganham muito ou muito pouco. Assim, “falsos renda zero” ocorrem em todas as Pnads.

Em 2013, houve, de fato, um aumento de 23,3% no número geral de pessoas que declararam renda zero nessa pesquisa – de 1,9 milhões em 2012 para 2,4 milhões.

Mas variações desse dado não são incomuns. Entre 2006 e 2007, por exemplo, houve um aumento de 79,4%. Entre aqueles anos, a miséria continuou caindo.

MARGEM DE ERRO

O governo, por meio do Ministério do Desenvolvimento Social e também Mercadante, afirma que a variação de pobres entre 2012 e 2013 foi apenas uma flutuação, e que teria ocorrido dentro da margem de erro da Pnad.

Apesar de a variação ser pequena o suficiente para pesquisadores preferirem falar em estagnação, e não crescimento, a Pnad não tem uma margem de erro geral. O IBGE também não estabeleceu margens de erro específicas para analisar a declaração de renda.

Questionado pela reportagem, o MDS não explicou a que margem de erro se refere. *

(*) JOÃO CARLOS MAGALHÃES – FOLHA PODER

A VERDADEIRA HERANÇA MALDITA

Reeleita, Dilma enfrenta

a fase da caída em si

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O mercado anda nervoso com Dilma Rousseff. Para acalmá-lo, a presidente chamou um grupo de jornalistas para dizer meia dúzia de palavras com efeitos sedativos. Coisas assim:

1. O governo vai “ter de fazer o dever de casa”, cortando despesas.

2. “Vamos olhar todas as contas com lupa e ver o que pode ser reduzido e o que pode ser cortado.”

3. “Vamos ter de apertar o controle da inflação”.

4. “Nós temos problema interno com a inflação”.

Comparada àquela Dilma da campanha eleitoral, a entrevistada é outra mulher. Sua margem de manobra é mínima. Não pode reclamar da herança malévola que recebe da antecessora. E chutar FHC já não resolve. Para complicar, essa anti-Dilma é intimada pela conjuntura a agir.

Três dias depois da reeleição, o Banco Central subiu os juros de 11% para 11,25%. Cinco dias após a vitória, o Tesouro informou que o rombo nas contas de 2014 já está em R$ 15,7 bilhões. Nesta quinta (6), a Petrobras aumentou a gasolina em 3% e o diesel em 5%.

Ou seja, para usar uma expressão da própria ex-Dilma, é hora de “descer do palanque”. Passada a euforia da vitória, a reeleita vive a fase da caída em si. Por enquanto, finge que faz e acontece. Mas, sem saber como governará as circunstâncias, é governada por elas.

O mercado exige que Brasília faça alguma coisa. Enquanto decide qual dos preferidos de Lula vai virar ministro da Fazenda, ex-Dilma faz cara de preocupação. E nega que pretenda adotar o programa do adversário. Jura que sua visão de corte de gasto não “é similar àquela ideia maluca de choque de gestão.” Ah,bom!*

(*) Blog do Josias de Souza

ESCREVEU NÃO LEU, O PAU COMEU!

Dilma encampa projeto petista de regular a imprensa

Desde que assumiu, presidente vinha mantendo distância do projeto de controle da imprensa. Agora, defende regulação “econômica” do setor

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Na semana em que a Executiva do PT publicou resolução em que faz diversos ataques à oposição e prega a regulação dos meios de comunicação em prol da hegemonia do partido, a presidente Dilma Rousseff admitiu que pretende abrir um “processo de discussão” sobre a regulação econômica da imprensa. Disse que não sabe ainda como será esse processo, mas afirmou que “isso jamais poderá ser feito sem consultar a sociedade”. Sobre a resolução do partido, a presidente afirmou: “Eu não represento o PT, represento a Presidência da República”, informa a versão on-line do jornal O Globo. “A opinião do PT é a opinião do partido, não me influencia. Não sou presidente do PT, sou presidente dos brasileiros”, disse Dilma, segundo o jornal Folha de S. Paulo.

“Liberdade de imprensa é uma pedra fundadora da democracia. E a liberdade de expressão talvez seja a maior coisa que emergiu da democracia”, disse. “Democracia é o direito de todo mundo ter uma opinião mesmo que não concorde com ela”, prosseguiu. Na sequência, Dilma afirmou que “outra coisa é confundir isso com a regulação econômica do setor”. “Essa é uma outra discussão. Diz respeito a monopólios. Em qualquer setor econômico, seja energia, petróleo, tem regulações e a mídia não pode ter?”, questionou.

Assim como o controle de conteúdo, o fim do que o PT classifica como “monopólio dos meios de comunicação” sempre foi bandeira defendida nos projetos do partido para regulação da imprensa. Ou seja, além de voltar sua artilharia contra os grandes grupos de comunicação, sempre alvo dos irados discursos petistas contra a imprensa, o partido busca golpear a receita publicitária dos veículos de informação – o que poderia redundar, no futuro, no controle indireto do conteúdo pelo governo. Desde que assumiu o Planalto, a presidente vinha mantendo distância do projeto petista de controle da imprensa: sepultou, inclusive, o projeto de lei para “regulação das comunicações” elaborado pela legenda durante o governo Lula, e que trazia na raiz o embrião autoritário da censura.

Economia – A presidente afirmou na tarde desta quinta que vai fazer o “dever de casa” e apertar o controle da inflação e que também fará um reajuste em todas as contas do governo. O posicionamento de Dilma, que vem dando sinais para acalmar a desconfiança do mercado, ocorreu durante coletiva de imprensa no Palácio do Planalto. Ela sinalizou ainda que não mexerá nem no centro nem no intervalo da meta de inflação, cujo teto definido pelo Banco Central é de 6,5%.

Dilma afirmou ainda que não está fazendo o “arrocho” que acusou a oposição de defender. Durante a campanha eleitoral, o PT buscou associar seu opositor, Aécio Neves (PSDB), às políticas econômicas impopulares que levariam, por exemplo, ao aumento do desemprego. Nesta quinta, contudo, ela disse que não está fazendo “estelionato eleitoral” ao adotar medidas econômicas como o aumento da taxa de juros, logo após ser eleita, para acalmar o mercado. A presidente também voltou a comentar a nomeação de seu futuro ministro da Fazenda, que substituirá Guido Mantega, e indicou que ele só será definido semanas após o G20, encontro com as vinte maiores economias do mundo que será realizado nos dias 15 e 16 deste mês. Ela, contudo, deixou claro que ainda não fez convite nenhum.

( VEJA – Com Estadão Conteúdo)