RUMO À PAPUDA

Em defesa, Youssef dirá que foi peça para

‘sustentar o poder do PT’

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A equipe de advogados de Alberto Yousseff, considerado como um dos líderes do esquema de desvio da Petrobras, vai concentrar a defesa na alegação de que o doleiro serviu apenas como uma peça no sistema político criado para dar sustentação ao projeto de poder do PT. O documento deve ser apresentado à Justiça Federal do Paraná, onde tramitam os processos da Lava Jato, na próxima terça-feira, 27. Em conversa com o Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o advogado Antônio Augusto Figueiredo Basto antecipou qual será a linha de defesa que será apresentada. No processo criminal, Youssef é acusado de chefiar um esquema que teria movimentado ilegalmente cerca de R$ 10 bilhões da estatal.

“É um projeto de poder para sustentação do PT. Não há dúvida disso. Vou citar isso na peça, claro. Não tem dúvida. PT e a base aliada como PMDB, PP”, ressaltou Basto. “É a corrupção sustentando um esquema de poder. Não há para mim a menor dúvida que esse esquema é um grande sistema de manutenção de grupos políticos. Vamos sustentar isso na nossa defesa. Meu cliente foi mera engrenagem. Não era a peça fundamental do esquema. Não tinha esse poder para fazer com que o esquema funcionasse ou deixasse de funcionar. O esquema só existiu porque havia vontade política para fazer com que ele existisse”, acrescentou o advogado.

Na delação realizada por Youssef no âmbito da Lava Jato, ele citou políticos como beneficiários do esquema da Petrobras. Confirmou também que a partilha de desvios de contratos com as empreiteiras entre três partidos: PT, PMDB e PP.

Numa linha de defesa similar, os advogados do empresário Gérson de Mello Almada, vice-presidente da Engevix Engenharia, afirmam em documento entregue à Justiça Federal que a Petrobras foi usada para bancar o “custo alto das campanhas eleitorais”. Segundo a defesa de Almada, preso pela Operação Lava Jato desde 14 de novembro de 2014, “a Petrobras foi escolhida para geração desses montantes necessários à compra da base aliada do governo e aos cofres das agremiações partidárias”.

O advogado de Youssef ressalta que não há combinação na linha de defesa com outros defensores. “Não há nenhuma harmonia entre as defesas, trabalhamos de forma individual. O que há é a verdade, o esquema vem de cima. Agora todo mundo já está falando porque é notório, as empreiteiras estão servido de bode expiatório. É verdade que não tem inocente nesse jogo, ninguém foi extorquido, achacado, todos entraram de forma consciente. Mas é evidente que se o sistema não funcionasse haveria prejuízos para as empreiteiras. Vinha de cima e era para sustentar sim um esquema político. Se você não tem os corruptos, não tem esquema. E quem nomeavam os corruptos? Os políticos. É uma lógica irrefutável”, ressaltou Bastos.

Além da apresentação da defesa na próxima semana, os advogados de Youssef preparam um segundo documento para ser apresentado no início de fevereiro para que o doleiro passe a cumprir pena em regime domiciliar. Youssef está preso desde março do ano passado, em Curitiba.

Perdão judicial

A defesa do doleiro também espera conseguir o “perdão judicial” no final do processo em razão das informações prestadas pelo doleiro, após acordo de delação premiada que foi homologado no último dia 19 de dezembro pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki. “Vamos tentar o perdão judicial porque entendemos que a colaboração é extremamente proveitosa. Sem a colaboração do Alberto Youssef a Lava Jato não teria evoluído em nada, não seria possível tomar a dimensão que tomou”, afirma Basto.

Segundo ele, ao contrário de algumas defesas apresentadas, até o momento, no processo por parte dos envolvidos no esquema, não pretende pedir anulação das provas levantadas pela Polícia Federal e o Ministério Público Federal.*

(*) Erich Decat

HOSPÍCIO BRASIL

O PT À BEIRA DO PRECIPÍCIO

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Parece que o PT acordou. Pelo menos uma pequena parte, com a Fundação Perseu Abramo à frente. A maioria dos companheiros finge estar dormindo, mas sonhando, mesmo, só os invertebrados, aqueles que se amoldam apenas às benesses do poder. O partido, com um todo, não aguenta mais a abertura à direita empreendida pela presidente Dilma. Começam a pipocar os reclamos, um dia capazes de transformar-se em indignação.

Afinal, foi para apoiar uma política neoliberal e conservadora que o PT foi criado? Juros na estratosfera, beneficiando investidores estrangeiros, aumento de impostos e taxas, supressão de direitos sociais, desemprego – essa receita foi praticada nos tempos de Fernando Henrique. Como adotá-la agora, diante dos aplausos das elites e do silêncio dos companheiros? O primeiro grito de protesto foi dado, débil e pequeno, mas significando estar contido na garganta da imensa maioria petista. Como aceitar a transformação da presidente Dilma, um exemplo a mais de subserviência frente ao modelo universal de mandar a conta das crises econômicas para os menos favorecidos?

A explicação é clara: ela jamais foi do PT. Ingressou em suas fileiras por ambição e esperteza. Iludiu o próprio Lula, hoje afastado da tutela que chegou a exercer, com a evidência de que ele também prestava muito mais atenção no fisiologismo e na ocupação de espaços do que no ideário do partido.

Está o PT numa luta pela própria sobrevivência. Acatando o modelo adotado pelo governo, acabará tornando-se mais um partidinho desses que alugam a legenda para obter compensações individuais para seus líderes. Por conta da iminência do desastre, uns poucos petistas decidiram alertar a massa silenciosa. Seguir o caminho do arrocho equivalerá a chegar à beira do precipício. Para demonstrar a existência de alternativas é que o partido se formou, batalhou e acabou vencendo as eleições. Aderir às diretrizes do passado exprime a negação de sua razão de ser.

Junte-se a tal perplexidade o domínio da corrupção incrustada no governo e se terá a receita de como um movimento puro misturou-se com a sujeira da manipulação do poder. Tivesse a presidente Dilma anunciado na campanha eleitoral que optaria pelas iniciativas celeradas postas em marcha pela nova equipe econômica e seria outro o inquilino do palácio do Planalto, tanto faz se Aécio Neves ou Marina Silva.*

(*) Carlos Chagas – Tribuna na Internet

REPÚBLICAS BANANEIRAS

A marcha na França e a quermesse na Bolívia informam: é de dois séculos a distância entre a Brasília de Dilma e Paris

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Dilma Rousseff está em casa, informa a foto que a mostra no meio dos convidados muito especiais que baixaram em La Paz, nesta quinta-feira, para celebrar o início do terceiro mandato de Evo Morales. Depois de três semanas de sumiço, a presidente reapareceu ao lado do anfitrião na fila do gargarejo, com o sorriso de aeromoça que exonera a carranca em momentos festivos. Dilma ressurgiu vestida de Dilma: terninho verde-brilhoso discordando da calça preta que realça o andar de John Wayne.

O rosto risonho não rima com o braço erguido e o punho cerrado. No Brasil, isso é coisa de mensaleiro a caminho da Papuda. Nos grotões infestados de órfãos da União Soviética, ainda é a saudação dos revolucionários a caminho do paraíso socialista. O gesto beligerante é repetido por Morales, pelo equatoriano Rafael Correa e seu terno de atropelado e por um Nicolau Maduro fantasiado de comunista russo que vai dinamitar o trem do czar.

Poupada de mais um fiasco em Davos, longe da zona conflagrada por apagões, inflação em alta, PIB em baixa, tiroteios no saloon governista, fogo amigo do PT, revelações da Operação Lava Jato, delações premiadas e delatados em pânico, fora o resto, a supergerente de araque desencarnou para que Dilma pudesse incorporar a Doutora em Nada. Dispensada por poucas horas da missão de desgovernar o Brasil, sobrou-lhe tempo para resolver os problemas do mundo trocando ideias idênticas com o Lhama-de-Franja e o herdeiro de Hugo Chávez.

Antes que a quermesse terminasse, a trinca feriu de morte o imperialismo ianque, esmagou o capitalismo predatório, expulsou os europeus colonialistas, exterminou a elite golpista, prendeu a burguesia ─ e ficou de completar o serviço no próximo encontro. É compreensível que nenhum dos que aparecem na foto acima tenha dado as caras na imagem abaixo.

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Aparecem na foto alguns dos governantes de 40 países que neste 11 de janeiro, em Paris, abriram de braços dados a marcha dos indignados com o ataque terrorista ao Charlie Hebdo. Como os demais tripulantes do barco do primitivismo, Dilma está fora do retrato. Enquanto 3,5 milhões de manifestantes protagonizavam a mais portentosa declaração de amor às liberdades democráticas, a presidente descansava no Palácio da Alvorada. O Brasil foi representado pelo embaixador na França.

“Não houve tempo para preparar a viagem”, desconversou o chanceler oficioso Marco Aurélio Garcia. O governo soube da manifestação na quinta-feira. Em poucas horas, o avião presidencial teria chegado ao destino. Pode-se deduzir, portanto, que a ausência que preencheu uma lacuna não foi determinada pela geografia ou pela duração do voo. Caso a medida utilizada tenha sido o estágio civilizatório, Dilma fez muito bem em ficar por aqui. A França é muito longe.

A declaração de guerra ao ao terror ─ o mais perigoso inimigo das modernas democracias do século 21 ─  é uma perda de tempo para a mulher que não perde por nada uma reunião dos cucarachas estacionados no século 19. O fundamentalismo islâmico é primo do socialismo bolivariano. Com Dilma no Planalto, a distância entre Brasília e Paris é de dois séculos.*

(*)  Blog do Augusto Nunes

ROTOS & ESFARRAPADOS

Quando o mesmo papo de destruir a mídia une argentinos-Kirchner e brazucas-Lula

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Lula e Cristina Kirchner em foto de arquivo do Estadão ConteúdoO jornal Clarín nesta sexta-feira grita que o Partido Justicialista, de Cristina Kirchner, ataca a mídia como nunca. Diz o matutino argentino que “em completa harmonia com a Casa Rosada”, as lideranças do partido acusam a “mídia concentrada”, “serviços de inteligência deslocados”, juízes e promotores de “golpe”. Segundo o partido governista, está em curso um processo de “desestabilização” que pretende “enlamear” a presidente.

O Partido Justicialista, num texto pré-coerente, sustenta, logo no segundo parágrafo, que os jornaisClarín e La Nación se esmeram  “manchar a figura política de Cristina” com o objetivo claro de desestabilizar as instituições.

Nada de novo. Metida até a cabeça no caso da morte do promotor que a investigava, a presidente da Argentina foi pedir socorro ao partido. Apesar de tocarem no mesmo diapasão, PT e Partido Justicialista empregam o reverso da  moeda da mesma estratégia.

Lá, na terra de Gardel quando em apuros, a Presidência pede socorro ao partido.

Aqui no Brasil, quando em apuros, o PT pede socorro à Presidência.

Quero intuir que é apenas coincidência Kirchner ter pedido que o Partido Justicialista destrua a mídia da mesma forma que Lula se esmera em fazer.

Quero crer que é apenas coincidência ser o discurso dos golpistas argentinos igual ao de Lula. Não acredita? Separei trechos de Lula, de 3 anos diferentes. Como falam iguais esses portenhos e brazuca, não? Diz algo, não?

Vamos lá:

Fevereiro  de 2013

O ex-presidente Lula (PT) fez ontem críticas aos jornalistas e disse que os sindicalistas devem deixar de reclamar do espaço que não conseguem na imprensa e organizar sua própria mídia.

Lula participou na manhã de ontem, em São Paulo, de evento em comemoração dos 30 anos de criação da CUT (Central Única dos Trabalhadores). Dos cerca de 30 minutos que o ex-presidente usou para discursar, cerca de 15 minutos se concentraram em críticas à imprensa e a seus “adversários”.

Para o ex-presidente, os formadores de opinião no Brasil nunca quiseram que ele chegasse ao poder. “Essa gente nunca quis que eu ganhasse as eleições. Nunca quis que a Dilma ganhasse as eleições. Aliás, essa gente não gosta de gente progressista”, disse Lula no discurso.

Ele também comparou as críticas que recebeu da imprensa quando era presidente às que o ex-presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln (1861-1865) recebeu em seu país. “Esses dias, eu estava lendo o livro do Lincoln e eu fiquei impressionado como a imprensa batia no Lincoln igualzinho batia em mim”.

Novembro de 2006

Em sua primeira viagem internacional após a reeleição, o presidente Lula fez campanha eleitoral para o seu colega venezuelano, Hugo Chávez, e voltou a endurecer o discurso contra a imprensa e a elite brasileiras. Durante comício para cerca de 20 mil pessoas, em Ciudad Guayana, na Venezuela, Lula disse que se tornou “vítima da incompreensão e do preconceito” da imprensa, do empresariado, dos banqueiros e de ex-governantes durante as eleições.

O presidente brasileiro afirmou que, assim como o venezuelano, teria sido “agredido” por um certo “tipo de meio de comunicação” em decorrência de “preconceito” e “incompreensões”.

Apesar de declarar que não daria “palpite” na política da Venezuela, Lula fez campanha para Chávez e tratou o colega como reeleito. “Vim aqui em 2003. ‘Hace’ três anos, esta ponte estava apenas começando. Depois fui a Caracas e vi a televisão. E voltei ao Brasil dizendo a mim mesmo que jamais tinha visto um comportamento de um tipo de meio de comunicação agredindo um presidente da República como tu foste agredido. Eu jamais imaginei que isso pudesse acontecer no Brasil. E aconteceu o mesmo”, discursou Lula.

Dezembro de 2014

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que os investigados no escândalo da Petrobras serão condenados pela mídia antes mesmo de o Supremo Tribunal Federal analisar as delações premiadas do processo da Operação Lava Jato. “Quando esse processo chegar na Suprema Corte, que o ministro Teori [Zavascki] for analisar a delação premiada, criada por nós, a imprensa já condenou os nossos companheiros ou já condenou aqueles que não são companheiros e estão sendo citados”.

Para ele, todo vazamento da operação é contra o PT. “Não importa que não seja verdade. É preciso dizer que é o PT. A ponto de usarem uma mentira descarada como instrumento de propaganda de campanha com a capa daquela revista que não vou dizer o nome por respeito a mim mesmo”.

Viúva negra

Cristina é capaz de tudo. Quem a viu de perto sabe disso. Estou falando do incensado ex-presidente uruguaio, Pepe Mujica.

Quando nos anos 70 o líder egípcio Anuar Saddat começou as negociações de paz com Israel, cunhou uma frase clássica. Achou Golda Meir mais durona do que o general-caolho Moshe Dayan. E disse: “A velha é pior do que o caolho”. (Foi depois disso que o sambista Blecaute dedicou a Moshe uma modinha, que ele cantava com um tapa olho…)

A frase atravessou o tempo e os continentes. Hoje  a frase é resgatada pelos políticos que lidam com Cristina Kirchner. Acham ela pior que o finado marido caolho Nestor Kirchner.  ”A velha é pior que o caolho”, disse o ex-presidente uruguaio Mujica, sobre Cristina. A frase virou hashtag no twitter: #estaviejaespeorqueeltuerto.

Um amigo deste blogueiro, que lida com petróleo, usou a mesma frase, ao se referir da dificuldade de lidar com Graça Foster, muito pior do que o nosso também Nestor Caolho, Nestor Cerveró. “Na Petrobras velha é pior que o caolho”.*

(*) Blog do Cláudio Tognolli

QUEM DIRIA…

SILÊNCIO ELOQUENTE

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          Empresários, investidores e analistas apoiam o ajuste feito pela presidente Dilma. É tênue a defesa das medidas por governistas. Os aliados estão à deriva. O PT não assume a linha de frente. Nas páginas das tendências Construindo um Novo Brasil, Mensagem e Democracia Socialista, na web, não há um texto sequer para explicar ou apoiar o ajuste. É como se diz nas ruas: com um partido de governo assim, quem precisa de oposição.*

(*) Ilimar Franco – O Globo

E NO FUNDO DO POÇO, TEM MOLA?

País fecha 2014 com rombo de US$ 91 bi nas contas externas, pior em 13 anos

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A diferença entre as transações do Brasil com o restante do mundo ficou negativa em US$ 90,948 bilhões em 2014, ou o equivalente a 4,17% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo informações divulgadas pelo Banco Central nesta sexta-feira (23). A diferença, que inclui tanto produtos quanto serviços, é chamada de conta de transações correntes.

É o pior desempenho desde 2001. O resultado também é pior que o previsto pelo BC, de US$ 86,2 bilhões.

Somente em dezembro de 2014, a conta foi negativa em US$ 10,317 bilhões.

Em 2013, a conta tinha ficado negativa em US$ 81,1 bilhões, ou 3,62% do PIB.

Balanço de pagamentos como um todo foi positivo

Esses resultados negativos foram registrados só numa das facetas do chamado balanço de pagamentos (as transações correntes).

Se forem considerados todos os demais itens, o resultado foi negativo em US$ 9,8 bilhões em dezembro, mas fechou 2014 com saldo positivo de US$ 10,8 bilhões.

Investimentos estrangeiros não cobrem deficit no ano

Quando o país tem deficit em conta-corrente (gasta além de sua renda), é preciso financiar o resultado com investimentos estrangeiros ou tomar dinheiro emprestado no exterior.

O investimento estrangeiro direto (IED), que vai para o setor produtivo da economia, é considerado a melhor forma de financiamento, por ser de longo prazo. Existem, porém, outras formas de financiamento, como os empréstimos e os investimentos estrangeiros em ações e em títulos de renda fixa.

Pelo segundo ano consecutivo, o IED não foi suficiente para financiar integralmente o deficit. O IED somou US$ 62,495 bilhões no ano passado, ou 2,87% do PIB. O BC esperava 2,88% do PIB ou US$ 63 bilhões. Somente em dezembro, o IED foi de US$ 6,650 bilhões.

O que esperar de 2015?

Para este ano, a tendência é de mais um ano de dificuldade para as contas externas do país mesmo considerando a recente valorização do dólar em relação ao real, que pode ajudar nas exportações.

“A tendência para 2015 é que a balança comercial melhore. A primeira razão é a taxa de câmbio, depois a perspectiva de maior volume de comércio internacional e, na parte de petróleo, a expectativa de que tenhamos saldo comercial melhor (na conta petróleo)”, afirmou o chefe do departamento Econômico do BC, Tulio Maciel.

A estimativa do BC é de rombo de US$ 83,5 bilhões em 2015 nas transações correntes do país. Em relação a IED, a projeção é de que ingressem US$ 65 bilhões, ou 2,95% do PIB, valor novamente inferior ao tamanho do deficit.

Balanço de pagamentos é diferente de balança comercial

O balanço de pagamentos não pode ser confundido com a balança comercial. O balanço inclui todas as transações do Brasil com o exterior, comerciais, de serviços ou financeiras. Ele se divide em duas partes: transações correntes e conta de capital.

As transações correntes incluem a balança comercial (exportações e importações), a balança de serviços (juros da dívida externa, remessas de lucros e dividendos, viagens internacionais etc), e as transferências unilaterais (dinheiro mandado por brasileiros de fora do país, por exemplo).

A conta de capital e financeira é formada por aplicações em Bolsa, investimentos estrangeiros diretos (a criação ou ampliação de uma fábrica, por exemplo) e empréstimos concedidos ao Brasil.

O resultado entre as transações correntes e a conta de capital é que mostra se o balanço de pagamentos está positivo ou negativo. Com resultado positivo, as reservas internacionais do país crescem (quantidade de dólares em poder do governo).*

(*) UOL ECONOMIA

E O IL CAPO DI TUTTI CAPI?

 

Ex-ministro José Dirceu é investigado na Operação Lava Jato

Justiça quebrou os sigilos fiscal e bancário após análise de documentos.
Empresa do ex-ministro recebeu pagamentos de construtoras investigadas.

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A Justiça Federal determinou a quebra do sigilo bancário e fiscal do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, do irmão dele Luiz Eduardo de Oliveira e Silva e da empresa JD Assessoria e Consultoria Ltda., que pertence aos dois. Segundo o Ministério Público Federal, a empresa recebeu recursos de empreiteiras ligadas ao esquema de corrupção na Petrobras, desvendado pela Operação Lava Jato.

De acordo com a decisão, a JD Assessoria e Consultoria recebeu, entre 2009 e 2013, R$ 3,7 milhões, das construtoras Galvão Engenharia, OAS e UTC. As três empresas tiveram executivos presos em novembro de 2014, quando foi deflagrada a sétima fase da Lava Jato.

Com a quebra de sigilo, os procuradores querem saber se a JD Assessoria e Consultoria foi ou não beneficiada pelo esquema de distribuição de dinheiro desviado da Petrobras.

A quebra do sigilo fiscal foi autorizada entre o período de 1º de janeiro de 2005 a 18 de dezembro de 2014. Já o sigilo bancário foi quebrado entre 1º de janeiro de 2009 e 18 de dezembro de 2014.

O MPF chegou à empresa de Dirceu ao analisar documentos da Receita Federal (RF) que mostram transferências bancárias das construtoras.

Pela Galvão Engenharia, aparece a rubrica de “consultoria” para justificar pagamentos mensais de R$ 25 mil à JD Assessoria e Consultoria. O total desses pagamentos soma R$ 725 mil. Da mesma forma, nos registros da OAS, os procuradores encontraram pagamentos mensais de R$ 30 mil, que totalizaram outros R$ 720 mil.

No caso da UTC, foram encontradas transferências no valor de R$ 1,3 milhão, em 2012, e de R$ 939 mil, em 2013. A explicação para os pagamentos foi “consultoria, assessoria e auditoria”.

Em nota, José Dirceu confirma que prestou serviços de consultoria às empresas citadas no documento da Justiça Federal. O ex-ministro se colocou à disposição para prestar esclarecimentos à Justiça. No período investigado pelo MPF, Dirceu não exercia nenhuma função pública.

Mensalão
Dirceu foi ministro chefe da Casa Civil no primeiro mandato do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, mas deixou o governo após as denúncias do mensalão.

Naquele mesmo ano, Dirceu teve o mandato de deputado federal cassado pela Câmara. Em novembro de 2012, ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por corrupção ativa na ação penal que julgou as denúncias.

De acordo com a Procuradoria Geral da República, o esquema do mensalão foi usado para comprar apoio de parlamentares no Congresso. O advogado de Gerson Almada, vice-presidente da construtora Engevix, preso na sétima fase da Lava Jato, afirmou em uma petição enviada à Justiça Federal que um esquema semelhante foi montado na Petrobras, para captar recursos a serem revertidos para deputados. “O pragmatismo nas relações políticas chegou, no entanto, a tal dimensão que o apoio no Congresso Nacional passou a depender da distribuição de recursos a parlamentares”, afirmou o advogado no texto.

Em outro trecho, ele diz que o uso da Petrobras foi necessário para conseguir recursos suficientes para os congressistas. “Não por coincidência, a antes lucrativa sociedade por ações, a Petrobras, foi escolhida para a geração desses montantes necessários à compra da base aliada do governo e aos cofres das agremiações partidárias”, disse.

O advogado negou, porém, que as empresas investigadas na Lava Jato tenham formado uma organização criminosa. O advogado disse que as empreiteiras foram vítimas de achaques dos então diretores. Entre eles, Paulo Roberto Costa, que cumpre prisão domiciliar no Rio de Janeiro. “É ínsito aos acontecimentos entender que a exigência de Paulo Roberto Costa – e demais brokers do projeto político de manutenção dos partidos na base do governo – colocou os empresários, todos, na mesma situação, não por vontade, não por intenção, mas por contingência dos fatos”, afirmou.

No documento, a defesa do executivo da Engevix pediu ainda a anulação das provas já levantadas pela investigação. O pedido ainda vai ser analisado pela Justiça Federal.

Outro lado
A Galvão Engenharia informou que não vai se pronunciar sobre as suspeitas. A UTC Engenharia reconheceu que contratou a JD Assessoria e Consultoria para a prospecção de negócios de infraestrutura no Peru e na Espanha. Na construtora OAS, ninguém foi encontrado para comentar as suspeitas.

Já o Palácio do Planalto não quis comentar a denúncia do advogado de Gerson Almada, de que o dinheiro desviado da Petrobras seria usado para pagar a base aliada do governo.

VALE ESTE - Arte Lava Jato 7ª fase (Foto: Infográfico elaborado em 15 de novembro de 2014)

(*) Vladimir NettoDo G1 PR, com informações da TV Globo

A GRANDE FRAUDE

Espelho, espelho meu: que PT sou eu?

Essa crise de identidade do partido do governo na verdade desmascara aquilo que a
campanha se esforçou para esconder: era mentira que vivíamos num mar de rosas

O PT está vivendo uma aguda crise existencial e procura, dentro de sua própria psique, a verdadeira identidade que o trouxe até aqui, ao início de seu quarto mandato consecutivo no comando do Poder Executivo.

Deitado no divã do psicanalista, o partido rastreia seu passado, compara-o com as suas ações presentes, e indaga: “doutor, quem sou eu?”.

Afinal, o PT é a presidente que vai pedir a bênção de Pachamana e dá as boas entradas ao terceiro mandato consecutivo do cacique Evo Morales ou é o desenvolto aprendiz de banqueiro Joaquim Levy, que é saudado por ferozes capitalistas em Davos como a encarnação do bom senso e domador dos arroubos esquerdistas de um governo que tratou a responsabilidade fiscal até aqui como uma espécie de espoliação criminosa dos direitos da classe trabalhadora.

A memória da campanha eleitoral ainda está muito recente. Aquele sumiço da comida da mesa das crianças a cada vez que as taxas de juros sobem é uma das fantasias mais dramáticas que o marketing eleitoral conseguiu produzir em toda a sua desonesta trajetória de vida.

Cenas de cortar o coração. Não é dramático que isso já tenha acontecido três vezes desde que as urnas foram abertas dando a vitória exatamente a quem acusava o adversário de pretender fazer isso porque, se vencesse, governaria “para os banqueiros”?

Nada nada, são 19 bilhões de reais adicionados à dívida interna, maldade que só os reacionários da oposição seriam capazes de perpetrar contra a comida das crianças pobres.

O novo ministro da Fazenda, ortodoxo importado diretamente do território inimigo, despiu o manto diáfano da fantasia que o seu antecessor vestiu durante todos os seus anos de ministério, revogou o uso metódico da mentira, e disse sem subterfúgios que teremos um “flap” na economia nos próximos três meses; isso quer dizer que a economia  não crescerá, ou na pior das hipóteses, enfrentará uma “forte  recessão”, segundo as previsões do guru presidiário, José Dirceu, estridente voz da oposição interna.

Enquanto a presidente, como um anjo de Wim Wenders, sobrevoa a realidade e deixa a Joaquim Levy a tarefa de trazer à tona a crueza dos fatos, o PT se estilhaça, tentando salvar a honra da casa diante da contradição entre palavra e gesto.

Em 15 dias, o governo Dilma Roussef criou 30 bilhões de receitas novas aumentando impostos e derrubou 18 bilhões de despesas eliminando direitos trabalhistas, coisa que a então candidata jurou que não faria “nem que a vaca tussa”. Os ministérios continuam sendo os mesmos 40, da carcaça da Petrobras continua emanando o mau cheiro da corrupção, e a batalha pela manutenção da fidelidade da base aliada ainda nem começou, e o governo já aparece prostrado antes de começar de fato.

Enquanto a oposição formal ainda não coordenou um discurso coerente e muito menos uma estratégia de ação, o PT esquizofrenicamente tenta vestir as máscaras de oposição e situação ao mesmo tempo: contra o ônus da austeridade mas a favor do bônus da gastança.

Essa crise de identidade do partido do governo na verdade desmascara aquilo que a campanha se esforçou para esconder: era mentira que vivíamos num mar de rosas, era mentira que a economia estava ajustada, era mentira que éramos vítimas de uma crise externa.

Com a ajuda do PT ou contra o PT, a maior tarefa do novo governo será a de consertar os estragos do velho.*

(*) Sandro Vaia, jornalista, no blog do Noblat.

BOA PERGUNTA

Por que só José Dirceu?

Por que Lula, não?

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Quando o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, julgado, condenado e preso por envolvimento com o esquema do mensalão, perderá sua condição de bola da vez?

A Justiça quebrou o sigilo fiscal e bancário da JD Consultoria, empresa dele. E descobriu que ela recebeu R$ 4 milhões pagos por empreiteiras acusadas de roubalheira na Petrobras.

As empreiteiras: Galvão Engenharia OAS e UTC. Executivos delas estão no cárcere da Polícia Federal, em Curitiba. Os pagamentos foram feitos entre 2009 e 2013. Dirceu deixou o governo em 2005.

O ex-ministro reconhece que recebeu o dinheiro. Alega que prestou consultoria às empresas. Ou se prova que ele mente ou de nada poderá ser acusado.

Vejam o caso de Lula. Depois que deixou o governo no primeiro dia de janeiro de 2011, passou a prestar serviços às maiores empreiteiras brasileiras. Essas mesmas cujos executivos estão presos.

Ganha das empreiteiras por dois tipos de serviços: palestras que faz aqui e no exterior, e lobby. Ele se empenha junto a governos onde fez amizades para ajudar as empreiteiras a fecharem negócios.

Alguma ilegalidade nisso? Nenhuma, aparentemente. Talvez haja aí um problema de aspecto moral. Lula se vale do cargo que exerceu para ficar rico. Presidente americano também age assim.

Por que não se quebra o sigilo fiscal da empresa de Lula que fornece notas fiscais a quem o contrata? Isso poderia ter alguma coisa a ver com a roubalheira na Petrobras?

Afinal, o que distingue as situações de José Dirceu e de Lula?*

(*) Blog do Noblat