TERÇA-FEIRA, 8 DE ABRIL DE 2014

As escolhas de Gleisi

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O principal candidato a coordenador da campanha de Gleisi Hoffmann ao Governo do Paraná, pelo PT, era Eduardo Gaievski. Foi preso sob acusação de abusar sexualmente de menores. Foi substituído por novo coordenador, um peso-pesado, que já tinha coordenado a campanha de seu marido, o hoje ministro Paulo Bernardo, a deputado federal: vice-presidente da Câmara dos Deputados, secretário de Comunicação do PT, ousado a ponto de tuitar que queria “dar uma cutovelada”, escrito desse jeito mesmo, no ministro Joaquim Barbosa, que visitava o Congresso.

Um trator! E cheio de bons amigos. Seu nome, André Vargas.

Gleisi não tem tido sorte ao escolher seus coordenadores de campanha.*

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet.

XILINDRÓ DE CINCO ESTRELAS

Depoimento de presos fala em café

da manhã especial para condenados

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Depoimento de dois presos dado à Justiça do Distrito Federal fala em regalias a condenados do processo do mensalão durante o café da manhã. De acordo com os detentos, ao invés de um “todão com leite em pó e água”, o “café do mensalão” contava com “café e leite puro”, além de frutas.

Os depoimentos foram prestados à Justiça no mês passado por Leandro Marques Domingues e Renato Cesar Reis. Os dois são acusados de tráfico de drogas dentro do presídio.

Responsáveis por entregar cafés da manhã em algumas celas, os dois alegam que não traficaram drogas durante a entrega das refeições, e que estão sendo perseguidos desde que um deles pegou parte da suposta alimentação diferenciada servida aos presos do mensalão.

“Os agentes já tinham problemas com Renato, em razão do café do ‘mensalão’; que Renato, como não tinha visita pegava um pouco do café do ‘mensalão’; que o café dos internos é um ‘todão com leite em pó e água’ e o café do ‘mensalão’ é café e leite puro, com uma fruta; que os demais internos não têm fruta”, diz Leandro em seu depoimento.

Renato, por sua vez, diz que “foi chamado atenção quando pagava o café para as pessoas do ‘mensalão’ (…) que os presos do ‘mensalão’ são os únicos que recebem café puro, além de duas frutas; que o interrogando alegou que como preso também teria direito a café; que depois desse fato, acredita que pode ter sido perseguido em razão desse problema”.

Como os dois são acusados de tráfico de drogas, os depoimentos foram prestados numa Vara de Entorpecentes de Brasília e serão remetidos à Vara de Execuções Penais do Distrito Federal para apuração das supostas regalias concedidas aos presos do mensalão.

Apesar do depoimento dos presos ter sido tomado no mês passado, os fatos relatados dizem respeito ao início de janeiro. À época, estavam no semiaberto do presídio da Papuda o ex-ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, o ex-deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), o ex-deputado Bispo Rodrigues e o ex-tesoureiro do PL, atual PR, Jacinto Lamas.

Além do café da manhã citado pelos detentos, a Vara de Execuções apura se Valdemar infringiu regras do semiaberto quando foi flagrado pela Folha recebendo políticos no restaurante onde obteve autorização para trabalhar durante o dia.

Além disso, desde a prisão dos condenados do mensalão, denúncias sobre alimentação diferenciada e estacionamento privativo na unidade destinada a presos com autorização para trabalhar fora do presídio já chegaram à Vara de Execuções Penais.

Devido a elas, Delúbio Soares chegou a ter suspensa sua autorização para o trabalho externo. Ele recuperou o benefício no último dia 19. Desde as primeiras denúncias os advogados dos condenados negam qualquer tipo de regalia oferecida a seus clientes no presídio.

O advogado de Dirceu, José Luis Oliveira Lima, voltou a negar regalias e disse que os presos podem complementar sua alimentação comprando itens no presídio. “Em primeiro lugar, não há regalias. Em segundo, todo preso pode complementar suas refeições desde que compre formalmente na cantina do presídio”, disse.

O diretor do presídio onde o café diferenciado estaria sendo servido, Márcory Mohn, disse que não iria comentar a denúncia dos presos. A secretaria de Segurança do Distrito Federal não respondeu aos questionamentos até a conclusão desta reportagem.*

(*) Folha de São Paulo.

MAIOR ROUBADA

Para 55%, Copa trará prejuízos ao povo

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Mais da metade da população brasileira acha que a Copa do Mundo trará mais prejuízos do que benefícios ao país, revelou pesquisa realizada pelo Datafolha.

Para 55% dos entrevistados, a competição trará mais prejuízos para a população em geral, contra 36% que falaram em maior benefício (9% não souberam responder a pergunta).

Em junho de 2013 havia equilíbrio: 44% afirmavam que o prejuízo seria maior, mas 48% dos brasileiros estavam mais otimistas e diziam que a Copa do Mundo traria mais benefícios.

O Datafolha também perguntou aos entrevistados sobre benefícios e prejuízos pessoais: 49% acham que terão mais prejuízos, contra 31% que falaram em benefício.

A pesquisa do ano passado ocorreu durante o período em que as manifestações populares se espalharam pelo Brasil e dois dias antes da final da Copa das Confederações, realizada dia 30 de junho e vencida pelo Brasil (3 a 0 contra a Espanha, no Maracanã), evento considerado teste para a Copa do Mundo.

“Mesmo agora, fora do clima dos protestos, essa crítica à realização da Copa cresceu. Esse é o resultado importante, já que anteriormente a população estava dividida”, disse Mauro Paulino, diretor geral do Datafolha.

“O brasileiro não é bobo. Mudou da água para o vinho o que foi prometido em 2007 [ano da eleição à sede]. Não se imaginava que teria tanto problema com orçamento, com redução brutal do investimento com mobilidade urbana, por exemplo. Não há legado”, disse Fernando Ferreira, diretor da Pluri Consultoria, especializada em marketing esportivo.

A pesquisa foi realizada entre os dias 2 e 3 de abril, em 162 municípios. Foram entrevistadas 2.637 pessoas, com margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

APROVAÇÃO À COPA

Pela primeira vez, também de acordo com o Datafolha, o número de pessoas que apoiam a realização da Copa do Mundo no Brasil ficou abaixo dos 50%.

A pouco mais de dois meses para o início do evento, que terá o Brasil enfrentando a Croácia na partida inaugural, dia 12 de junho, em São Paulo, 48% dos entrevistados na pesquisa disseram ser a favor da realização da Copa do Mundo no Brasil.

Este número mostra tendência de queda desde 2008, quando foi realizada a primeira pesquisa, mas em relação à última, realizada em fevereiro, ficou dentro da margem de erro.

Em novembro de 2008, ano seguinte à confirmação brasileira como sede, os favoráveis ao Mundial eram 79%, número que foi caindo para 65% (em junho de 2013) e 52% (fevereiro de 2014).

Os que afirmaram nesta última pesquisa serem contra a realização da Copa foram 41%, também o maior número desde 2008, que foi de apenas 10% (veja os números detalhados acima).

“A população se empolgou inicialmente porque o Brasil realizaria a Copa novamente mais de 60 anos depois de 1950. Tudo mudou com o péssimo projeto executado. Foco nos estádios e falta de comunicação com a população minaram o projeto do governo”, avaliou o consultor esportivo Amir Somoggi. *

(*) UOL

NO PIOR DOS MUNDOS

FT’ dá sentença de morte para estratégia econômica do Brasil

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Jornal destaca inflação persistente e crescimento baixo do país

São Paulo – Em um texto crítico, nesta segunda-feira, o “Financial Times” lembra que o governo da presidente Dilma Rousseff falava como orgulho sobre a sua “nova matriz” de política econômica —com juros baixos, câmbio depreciado e incentivos fiscais —, capaz de reanimar a economia. A ideia era levar a expansão do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) à casa de 4%. Mas, neste mês soou a sentença de morte para o modelo, com pressões inflacionárias persistentes, que forçaram a alta da taxa de referência para 11%, com possibilidade de mais aumentos. Credibilidade em xeque, crescimento frágil e o rebaixamento pela agência de classificação de risco Standard & Poor´s (S&P) também são lembrados pelo “FT”, que afirma: “a maioria dos economistas acredita que o governo começou a tropeçar em 2012, após o início da crise da zona do euro”. O periódico britânico aponta que, a partir daquele momento, o governo brasileiro promoveu uma redução de juros sem precedentes — a taxa chegou ao piso histórico de 7,25% em 2012 — e adotou medidas heterodoxas de combate à inflação, como forçar a Petrobras a praticar internamente preços menores que os do mercado internacional e medidas para redução de tarifas de energia. “Contudo, as autoridades também introduziram políticas contraditórias que estimularam a inflação, como apoio a uma moeda mais fraca contra o dólar e estímulos à indústria e à demanda do consumidor por meio de benefícios fiscais temporários.” O “FT” lembra que o Brasil este ano deve crescer cerca de 2% e a inflação deve atingir 6,3%. E cita a opinião do economista Alberto Ramos, do Goldman Sachs: “O problema com os políticos brasileiros é uma obsessão com as questões cíclicas e uma falta de vontade política para resolver os problemas estruturais enraizados do país”.

(*) O Globo.

MAIS UMA DO PT…

Vargas não tem escapatória, diz presidente

do Conselho de Ética da Câmara

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Deputado André Vargas (PT-PR) tentou atrasar a abertura do processo de cassação do seu mandato no Conselho de Ética da Câmara

“É muita malandragem que está sendo descoberta, e o caso está sendo cada vez mais divulgado. As pessoas não têm mais medo. Será que as coisas não servem de exemplo, como o caso do mensalão? Mas, mesmo assim, os fatos não mudam”, Ricardo Izar

Com a situação cada vez mais grave, o vice-presidente da Câmara, deputado André Vargas (PT-PR), tentou protelar a abertura de um processo por quebra do decoro parlamentar no Conselho de Ética. Horas antes de anunciar seu afastamento da Câmara por sessenta dias, o petista telefonou para o deputado Ricardo Izar (PSD-SP), que preside o colegiado, pedindo que só iniciasse os procedimentos regimentais depois de uma conversa entre os dois.

Na tarde desta segunda-feira, três partidos de oposição – PSDB, DEM e PPS – ingressaram com uma representação no Conselho pedindo investigação sobre a estreita relação, revelada por VEJA, de Vargas com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal em uma operação de combate à lavagem de dinheiro. Pelo telefone, o petista fez um apelo a Izar: “Queria conversar com você. Você sabe que eu estou em um momento difícil. Dá para não aceitar o protocolo, e à tarde a gente conversa?”.

A estratégia proposta por Vargas, no entanto, sequer depende do presidente do Conselho de Ética. Cabe à Mesa Diretora da Câmara, da qual o próprio faz parte, encaminhar o processo ao colegiado. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), se comprometeu a remeter o caso nesta terça-feira. “Eu respondi a Vargas que não tenho como segurar o recebimento. A gente vai ter de abrir o processo normalmente, esse é um rito que tem de ser seguido”, disse Izar.

Além de Vargas, a assessoria do deputado procurou o Conselho de Ética em busca de informações sobre os prazos regimentais para a análise do caso, algo que não deveria ser novidade para ele: foi Vargas quem comandou as manobras para atrasar o processo de cassação contra o ex-deputado José Genoino (PT-SP).

“Não tenho dúvidas de que vão usar todos os artifícios para protelar a ação. Mas o André Vargas não tem escapatória. São denúncias gravíssimas”, disse o presidente do Conselho de Ética. O petista pode sofrer desde uma advertência até enfrentar a abertura de um processo de perda de mandato. “Não dá para aliviar. Eu acho que esse é um caso para cassação. Mas depende da análise de todo o processo e da votação do colegiado.”

Izar continuou: “É muita malandragem que está sendo descoberta, e o caso está sendo cada vez mais divulgado. As pessoas não têm mais medo. Será que as coisas não servem de exemplo, como o caso do mensalão? Mas, mesmo assim, os fatos não mudam.”*

(*) Marcela Mattos, de Brasília, revista Veja.

E NO PAÍS DA PIADA PRONTA…

STF julga caso de ladrão de galinha

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Morador de Rochedo de Minas (MG), o estudante Afanásio Maximiano Guimarães invadiu, em maio de 2013, às 3h, o galinheiro do seu vizinho Raimundo Gomes Miranda. Afanou um galo e uma galinha, que custavam R$ 40.

Em setembro, o juiz de São João Nepomuceno, Júlio César Silveira de Castro, aceitou a denúncia do crime de furto. Se condenado, Afanásio poderá cumprir de 1 a 4 anos de reclusão.

Insatisfeita, a defensora pública Renata da Cunha Martins pediu o arquivamento do processo. Alega que o valor dos bens em questão é muito baixo.

O pedido ciscou por várias instâncias do Judiciário, passando pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais e pelo Superior Tribunal de Justiça.

Negado nas demais instâncias, o habeas corpus chega ao Supremo Tribunal Federal (STF). Agora, são os ministros do Supremo que voltam as atenções para o furto da galinha. O caso é relatado pelo ministro Luiz Fux.

Instância máxima da Justiça brasileira, o Supremo é forçado a discutir esses casos de menor relevância quando a defesa tenta livrar condenados usando o “princípio da insignificância” – cujos furtos e crimes têm baixo potencial ofensivo.

Em 2012, auge do julgamento do mensalão, os ministros se debruçaram sobre o caso de uma pessoa condenada a 1 ano e 3 meses de prisão, em Minas, por ter furtado seis barras de chocolate. O pedido de redução da pena foi negado.

Outro caso foi um habeas corpus julgado em novembro do ano passado, quando um morador do Distrito Federal furtou um porta moeda com R$ 50. O recurso foi negado.

Isso tudo está previsto na Constituição Federal. São inúmeros os casos de ladrões de galinha e chocolate que enchem os escaninhos do STF. Apenas em 2013, foram 53.615 novas ações levadas ao STF com supostos argumentos constitucionais.*

(*) Gabriel Garcia, no blog do Noblat.

RATAZANA DA BARRIGA BRANCA

O Demóstenes do PT

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A relação do vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), com o doleiro Alberto Youssef é muito semelhante à mantida pelo ex-senador Demóstenes Torres (DEM-GO) com o bicheiro Carlos Cachoeira. Ambos recebiam favores e dinheiro de cidadãos que atuam fora da lei. A opinião pública levou a cabeça de Demóstenes e agora quer a de Vargas.

Os petistas estão tensos. Eles podem ser forçados a abrir uma investigação própria. O partido não quer passar a imagem de leniência com condutas discutíveis do ponto de vista ético. Vargas pediu licença do mandato para ser esquecido. Agora, os deputados vão decidir se carregam ou não esse peso nas suas campanhas.*

(*) Blog do Ilimar Franco.

“UM PARTIDO DIFERENTE”, PERO…

Lula diz que Vargas não pode deixar ‘o PT pagar o pato’

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O ex-presidente reiterou que não será candidato em 2014: ‘já me dou por realizado’; e pediu ação do PT contra CPI da Petrobras

SÃO PAULO – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira que espera que o deputado licenciado André Vargas dê explicações convincentes para que o PT não saia desgastado nesse episódio. Em uma entrevista exclusiva para blogueiros, numa sala reservada do Instituto Lula, o petista disse que o ‘PT não pode pagar o pato’ em relação às denúncias sobre envolvimento do deputado com o doleiro Alberto Youssef em negócios suspeitos com o Ministério da Saúde. – Espero que ele consiga convencer e provar que não tem nada além de uma viagem de avião, porque no final quem paga o pato é o PT. O ex-presidente reiterou: – Acho que ele (Vargas) tem que explicar. Não tem sentido . Ele é vice presidente de uma instituição importante – disse Lula Em relação à criação da CPI para investigar denúncias da Petrobras, Lula cobrou mais ação do PT. Para ele, não se pode admitir que “as mentiras continuem prevalecendo”. – Temos que defender com unhas e dentes os fatos que acreditamos ser verdadeiros – enfatizou o ex-presidente, para quem faltou sabedoria ao PT na hora de se defender de acusações que resultaram na CPI do Mensalão: – O PT tem que ir pra cima e espero que tenha aprendido a lição do que significou a CPI do Mensalão. Como é possível que uma CPI que começou investigando R$ 3 mil numa empresa pública (Correios) presidida pelo PMDB, com um cara do PTB investigado, terminou no PT? Não houve por parte do PT a sabedoria de fazer o enfrentamento político por causa das divergências internas. O PT sabe que essa marca vai ser carregada por muito tempo nas nossas costas – disse Lula. Em meio ao movimento “Volta, Lula”, apoiado por parte do PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a campanha pela reeleição da presidente Dilma Rousseff. O ex-presidente fez questão de afastar os rumores antes mesmo da primeiro pergunta: – Quero dizer que não sou candidato, mas não tenho como ir em cartório registrar. Mas quero dizer que minha candidata é a Dilma. Se vocês (blogueiros) puderem contribuir para acabar com essa boataria, ajudarão a democracia desse pais – disse Lula. Em seguida, o petista rasgou elogios a presidente. – Dilma tem condições políticas e técnicas para fazer esse Brasil avançar. Ela é disparadamente a melhor pessoa para ganhar essa eleição e fazer esse país continuar andando. Eu já me dou por realizado – disse. Sobre a candidatura do senador Lindberg Faria para o governo do Rio, a qual sofre resistência de parte do próprio PT, que pretende embarcar na candidatura do peemedebista Pezão, Lula sentenciou: – Eu acho que é pra valer (a candidatura). Já está colocada. É irreversível. Ele está no meio do mandato dele e não tem nada a perder (em disputar a eleição). Só a ganhar. Ele acha que é o momento dele. E eu acho que ele é um candidato bom, vai crescer e pode até ganhar Lula também lamentou o fato de o PSB de Eduardo Campos ter abandonado a base de sustentação do governo. – A Marina eu compreendo porque ela e a Dilma foram minhas ministras e eu acompanhava a divergência das duas, mas o Eduardo eu não entendo.

(*) O Globo.

HINO NACIONAL EM LATIM

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Disse-me um vez Setembrino Pelissari que o italiano se manteve mais fiel ao latim do que as outras línguas românicas. Educado em seminário onde lhe ensinaram a pronúncia vaticana do latim, Setembrino acreditava que o italiano se teria distanciado menos da língua mãe. O problema é que, na maioria das nações novilatinas, o latim se pronuncia à maneira do sistema fônico de suas línguas. Assim, na declinação de amicus, i, (paroxítono) o francês pronuncia amikus, amissi (oxítono), o brasileiro pronuncia amikus, amíssi, o italiano pronuncia amíkus, amitchi (paroxítono). Mas no latim imperial pronunciava-se amíkus, amíki (paroxítono). O C tinha sempre o som de K, em latim, mesmo antes de vogais anteriores breves e longas (e, i) , e não apenas diante das  centrais breve e longa (a) ou posteriores breves e longas (o, u). (Cf. FARIA, Ernesto. Fonética Histórica do Latim. 2. ed. Rio de Janeiro: Acadêmica, 1970, p. 23-4.) A pronúncia do nome Caesar, do primeiro imperador  romano, é Káizar (que deu Kaiser em alemão e Czar, em russo). Mas o brasileiro pronuncia César, o francês pronuncia Cezár, o italiano pronuncia Tchézar. O problema é que não havia consoantes africadas nem palatais, em latim. Africada é a consoante que começa oclusiva e termina fricativa, como as iniciais de Tchecoslováquia ou como as iniciais de tsunami. E palatais são as  iniciais de nhoque e lhama ou o som chiado inicial de chapa e japa. Assim, foi o italiano que mais se distanciou do latim. E a pronúncia do baixo-latim vaticano é a pior de todas as pronúncias do latim… Dessa forma, o nome agnus (cordeiro) é pronunciado “ánhus” em italiano, e não “ágnus”, que é a pronúncia adequada; o nome composto Regina Coeli deveria pronunciar-se “Reguina Koéli” e não “Redgina Tchéli” à moda vaticana, nem “Regina Céli”, à moda brasileira (Cf. FARIA, Ernesto. Gramática da Língua Latina. 2.ed. Ministério da Educação e do Desporto/Fundação de Assistência ao Estudante, 1995, p. 30). Pelo site (http://www.youtube.com/watch?v=RS6b_SFJjpU&hd=1), ouvi, na voz do cantor  Giovanni Marques, a versão homeométrica em latim de Mendes de Aguiar do Hino Nacional.  Os dois primeiros versos são os seguintes: “Audierunt Ypirangae ripae placidae / heroicae gentis validum clamorem.” O cantor, na pronúncia vaticana, cantava assim: Audiérunt Ypirândge ripe plátchide / Heroítche dgêntis válidum clamórem. Melhor teria sido cantar uma versão em italiano… O pior no ensino do latim é a tendência dos autores dos livros didáticos a colocar o vocativo logo depois do nominativo, por serem esses dois casos quase sempre iguais na maioria dos substantivos e adjetivos declináveis. No entanto, é o genitivo que caracteriza a declinação, e,  em todos os dicionários, os verbetes dos nomes aparecem sempre no nominativo seguido da desinência do genitivo. Para facilitar talvez a aprendizagem, os autores dos manuais didáticos incorreram num erro metodológico, porque o genitivo é mais importante que o vocativo na declinação dos nomes latinos. Francisco Generoso da Fonseca foi professor de francês no Colégio Estadual, na época em que as escolas estaduais  eram respeitadas por seu padrão de ensino, e os professores tinham também o respeito e a admiração da comunidade. Não raros eram os professores dos colégios de Estado que também não lecionavam em universidade, como Nélson Abel de Almeida, Clóvis Rabello, Décio Neves da Cunha, Iracema Vieira Bogea, entre outros. Mas um dia veio um coronel do Exército chamado Jarbas Passarinho que resolveu acabar com o ensino público no Brasil eliminando o ensino clássico e científico, tentando implantar o ensino profissionalizante em escolas polivalentes, o que nunca deu certo por absoluta incompetência. Francisco Generoso também era professor de latim na Universidade Federal do Espírito Santo. Com ele aprendi que, em latim, os versos não tinham rima, e a métrica não era qualitativa (silábica), mas quantitativa, em que a unidade rítmica e melódica eram os pés,  como dátilos, espondeus, troqueus, jambos, anapestos, etc.  Aliás, o nome “pé” se origina exatamente da circunstância de a marcação das células métricas, na subida ou arse (silabas longas) e na descida ou tese (sílabas breves), ser feita com o pé e, mais raramente, com a mão. A versão homeométrica de Mendes de Aguiar, por mais genial que seja, peca por não respeitar a feitura ideal dos versos latinos… Mas o latim deixou de ser ensinado nos colégios que, aliás, não se chamam mais colégios, mas centros educacionais, núcleos de ensino, escolas de ensino fundamental, instituto de educação, etc. Esses nomes variam num leque de aberrações perifrásticas, mas o ensino, certamente, não faz jus a nenhum nome…

(José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de  Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática  Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª  edição, Thesaurus, de Brasília,  2011)

 

Déjà vu

Após denúncia, deputado petista

André Vargas pede licença da Câmara

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O deputado André Vargas (PT-PR), vice-presidente da Câmara, pediu uma licença não-remunerada da Casa na tarde desta segunda-feira (7). O deputado é investigado por seu envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, preso desde 17 de março, durante a operação Lava Jato da Polícia Federal, suspeito de participar de um esquema de lavagem de dinheiro, remessa ilegal de dólar e financiamento ao tráfico de drogas.

Segundo a Secretaria-Geral da Mesa da Câmara, a licença é de 60 dias por “interesse particular”. Cada parlamentar tem direito a tirar 120 dias por ano deste tipo de licença, que é prevista na Constituição. A de Vargas termina em 5 de junho. De acordo com o regimento interno, só são convocados suplentes quando o deputado se licencia por mais de 120 dias. Por isso, nenhum parlamentar assume o mandato no lugar de Vargas.

O salário do deputado é R$ 26,7 mil.

Durante a licença, assume suas funções nas reuniões da Mesa Diretora o 1º suplente, deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE).  As principais atribuições da 1ª vice-presidência da Câmara são substituir o presidente em suas ausências ou impedimentos e elaborar pareceres sobre os requerimentos de informações e os projetos de resolução da Casa.

Como vice-presidente da Câmara, Vargas também é vice-presidente do Congresso Nacional. Com o seu afastamento, assume o 2º vice-presidente, senador Romero Jucá (PMDB-RR).

No último sábado (5), a revista “Veja” publicou reportagem que apresenta conversas comprometedoras sobre contratos suspeitos. De acordo com a revista, Vargas disse ao doleiro, em mensagens de celular interceptadas pela Polícia Federal, que estes negócios suspeitos iriam garantir a “independência financeira” dos dois. Durante a conversa, o doleiro afirmou que precisa de auxílio para resolver problemas financeiros, e o deputado afirma: “Vou atuar”.

As atenções se voltaram para Vargas na semana passada quando foi divulgado pelo jornal “Folha de S.Paulo” que o deputado usou o jatinho de Youssef para viajar de férias com a família para João Pessoa. Ao jornal Vargas afirmou que tinha feito o pagamento do combustível da viagem. Depois, o deputado mudou a versão no plenário da Câmara.

Insatisfeita com as explicações do petista, a oposição ameaçou na semana passada entrar com uma representação no Conselho de Ética da Câmara contra Vargas por quebra de decoro parlamentar por relações com o doleiro. O pedido deve ser protocolado na tarde desta segunda-feira (7).

Os líderes dos partidos da oposição também defendem o afastamento imediato de Vargas da vice-presidência da Câmara até que a Casa conclua as investigações sobre o caso. Entre as diversas penalidades previstas pelo colegiado, o parlamentar pode ter seu mandado suspenso por algum prazo determinado e até sofrer um processo de cassação.

O Conselho de Ética da Câmara é um órgão que investiga denúncias envolvendo parlamentares e aplica penalidades em casos de descumprimento das normas relativas ao decoro parlamentar.*

(*) Bruna Borges e Fernanda Calgaro – UOL