TUDO EMBARALHADO

ARMAS ENSARILHADAS, MAS NEM TANTO

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É óbvio que a candidatura de Marina Silva embaralha as cartas sucessórias. Antes de realizadas duas ou três pesquisas eleitorais, porém, é bobagem arriscar previsões a respeito de quem ganha e quem perde. Claro que a ex-senadora e ex-ministra surge com a perspectiva do peso específico de 20 milhões de votos, capital maior do que o ostentado até pouco pelo falecido Eduardo Campos. Mas certeza dela repetir a performance de 2010 não há.

Aécio Neves dava como certa sua passagem ao segundo turno, para enfrentar Dilma Rousseff. Hoje, nem tanto. Poderá tornar-se o grande prejudicado nessa peça que o destino acaba de pregar na sucessão presidencial. Mas a atual presidente da República também corre o risco de perder a certeza da reeleição.

Marina, se ficar em terceiro lugar, para quem transferirá seus votos? O PT conta com eles, mais do que o PSDB, mas a rejeição a Dilma é capaz de misturar valores.

Em suma, estão os três principais candidatos diante de um enigma envolto por um mistério. Ainda mais quando falta um mês e meio para o eleitorado se definir. Por enquanto, examinam-se os contendores diante dessa nova arrumação forçada do quadro. Dilma e Aécio, sem ensarilhar as armas, refluíram em agressividade. Devem poupar Marina, imaginando contar com seu apoio na segunda votação, ainda que ela pareça livre para descer com mais vigor tacape e borduna em ambos.  Mas seria estratégica essa postura?

Um termômetro de razoável significado será o do empresariado, em especial do agronegócio. Serão as promessas anteriores de Eduardo Campos seguidas à risca por Marina Silva? A contrapartida ideológica da ambientalista atingirá os conservadores?

Reunidos em Recife desde ontem, para o sepultamento do ex-governador, os três candidatos e mais um monte de líderes políticos, a começar pelo Lula, limitam-se a exprimir seus sentimentos à família do morto ilustre. Examinam-se, provavelmente de longe. A partir de terça-feira, porém, com o início da propaganda eleitoral gratuita, estarão obrigados a definir-se.*

(*) Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa Online

PEGA PRA CAPAR

Dilma x Marina

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Com a candidatura de Marina Silva, serão mais delicadas as conversas do PT e do PSB. Os petistas tinham um diálogo mais fluente com Eduardo Campos. Agora, as pontes terão de ser reconstruídas. Marina atribui à ação do Planalto e do PT a decisão do TSE que não permitiu o registro de seu partido, a Rede.

Além disso, Marina e a presidente Dilma divergem desde que elas eram ministras do Meio Ambiente e de Minas e Energia. No Planalto, comenta-se ainda que há também um drama emocional: as duas teriam ciúmes por causa do ex-presidente Lula. Segundo relatos, Marina era a “queridinha” de Lula, mas Dilma atropelou com sua gestão na Casa Civil.*

(*) Ilimar Franco, O Globo

 

“COMEÇAR DE NOVO”…

O PR-AFA de Eduardo Campos acertou Dilma

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A conta é simples: em agosto do ano passado, antes de ter o registro de seu Rede negado pelo Tribunal Superior Eleitoral, Marina Silva tinha 26% das intenções de voto na pesquisa do Datafolha. Tendo-se abrigado no PSB, acabou numa chapa que era encabeçada por Eduardo Campos. Há um mês, tinham 8%.

Os números de uma nova pesquisa do Datafolha estarão nas ruas nos próximos dias. Partindo-se dos 8%, somando-se o efeito da comoção provocada pelo acidente do jatinho PR-AFA, ela poderá surpreender. Para que Dilma saia incólume, qualquer ponto percentual que vá para Marina precisará sair do acervo de Aécio Neves, e essa hipótese é absurda. Dilma certamente perde quando fortalece-se a possibilidade de um segundo turno. Se Aécio Neves perde algo com a nova situação, é uma dúvida.

Manejando-se apenas percentagens vai-se a lugar nenhum. Falta saber o que Marina proporá para transformar preferências em votos. No primeiro turno de 2010 ela teve cerca de 20 milhões de votos (19,33%). Até agora, o programa de sua chapa foi ralo e confuso. Fala em “eixos programáticos”, “brasileiros socialistas e sustentabilistas”, “borda de desfavorecidos”, “democracia de alta intensidade”, em “ampliar a dimensão dos controles ex post frente à primazia dos controles ex ante”. Propõe plebiscitos e “um novo Estado”. Isso pode dar em qualquer coisa.

Com dois minutos no programa eleitoral gratuito contra 11 de Dilma e quatro de Aécio Neves, só as redes sociais e a internet poderão socorrê-la. Tomara que isso aconteça e que ela ponha carne no feijão. A ideia de uma candidata a líder espiritual reconforta o eleitor desencantado com a polaridade PSDB-PT, com seus mensalões mineiro e federal. Para o primeiro turno isso é um bálsamo. Para o segundo, uma aventura.

TIRO NA DOUTORA

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Na quinta-feira o presidente do PSB, Roberto Amaral, anunciou que o partido só decidiria a substituição de Eduardo Campos depois do seu sepultamento.

O PSB é soberano, mas, se alguém no Palácio do Planalto acreditou que, derrubando-se Marina Silva dentro da grande área ajuda-se a doutora Dilma, enganou-se.

O efeito da jogada seria um pênalti contra a meta de Dilma. Quem derruba jogador sempre espera que o juiz não veja o lance. No caso, os juízes serão os eleitores, sobretudo os indecisos ou parte daqueles que pensavam em anular o voto.

DILMÊS

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Levando um texto escrito e falando da tribuna do Palácio do Planalto, a doutora Dilma tratou do desaparecimento de Eduardo Campos e disse o seguinte:

“Uma morte tirou a vida de um jovem político promissor”.

RECORDAR É VIVER

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Rompimentos e alianças políticas são coisas fugazes, mas Eduardo Campos, falando da sala em que seu avô recebeu os militares que o prenderam no dia 1º de abril de 1964, informou a Lula que não pretendia mais ter relações políticas com ele.*

(*) Elio Gaspari, Folha de São Paulo

LEGADO DA COPA

Para ministro da fazenda,

Copa derrubou PIB do 1° semestre

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O governo não admite que a economia possa ter registrado uma recessão técnica (dois trimestres seguidos de contração da economia) no primeiro semestre de 2014.

Mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, define o crescimento do período como “pequeno” e “moderado” —e joga parte da responsabilidade sobre a Copa do Mundo.

“[A Copa] foi um sucesso do ponto de vista de organização. Do ponto de vista da produção e do comércio, prejudicou”, avaliou Mantega em entrevista à Folha e ao UOL, na quinta-feira (14).

“[Durante o evento] tivemos muito poucos dias úteis. A produção industrial caiu e o comércio cresceu pouco (…). De fato, não foi um bom resultado”, afirmou.

Para ele, o segundo semestre será melhor.

De posse de uma tabela, citou vários dados positivos para o mês de julho: “A produção de automóveis cresceu 10%, o fluxo de veículos pesados nas estradas cresceu 3,2%, a venda de material de construção, 22%”.

SEM BOLA DE CRISTAL

O ministro da Fazenda, no entanto, evita fazer previsões sobre o crescimento do ano.

O Banco Central aponta para 1,6%. Entre os analistas de instituições privadas e públicas, o percentual fica abaixo de 1%. Na mais recente pesquisa semanal Focus, em que o BC reúne projeções de cerca de cem analistas, a expectativa para 2014 era de 0,81%.

“Não sei. Não arrisco”, diz Mantega, adotando uma atitude diferente do passado, quando costumava fazer previsões otimistas, que nem sempre se confirmavam.

Em relação às expectativas de que o governo não conseguirá cumprir a meta de economizar 1,9% do PIB (Produto Interno Bruto), o que já é admitido reservadamente por parte de sua equipe, o ministro concede que este “é um ano mais difícil”.

Mas insiste que continuará perseguindo o cumprimento da economia prometida para reduzir a dívida pública -o chamado superávit fiscal.

Durante a entrevista, o ministro demonstrou insatisfação com duas críticas recentes. Uma, do atual presidente da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo), Benjamin Steinbruch, que afirmou que só “louco” investe no Brasil atualmente.

“Ele está redondamente equivocado”, disse Mantega, citando números de investimentos estrangeiros no país.

A outra crítica foi do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga (governo FHC), de que o governo Dilma está segurando artificialmente o preço do câmbio, numa espécie de populismo cambial.

“Ele está redondamente enganado”, retrucou, alfinetando o hoje principal economista aliado ao candidato a presidente pelo PSDB, Aécio Neves, ao dizer que “artificialismo” ocorreu no governo FHC. “Não seguramos inflação no câmbio; quem fez isso foram governos anteriores.” *

(*) FERNANDO RODRIGUES, VALDO CRUZ – FOLHA DE SÃO PAULO

LÁGRIMAS DE CROCODILOS…

Lula e Dilma são vaiados

em velório de Campos

A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram vaiados na manhã deste domingo (17) ao chegarem ao Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco, para o velório de Eduardo Campos, que se tornou adversário dos dois no ano passado, quando decidiu disputar a Presidência.

Eles chegaram por pouco antes das 10h. Lula chorou na chegada, abraçou um dos filhos de Eduardo Campos, conversou longamente com Renata, viúva de Campos, e ficou atrás do prefeito do Recife, Geraldo Julio.

Já Dilma ficou deslocada em meio à família do ex-governador de Pernambuco.*

(*) Folha de São Paulo

O QUE ESTÁ RUIM AINDA PODE PIORAR…

O varejo sente o tranco

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Os tombos sucessivos das vendas do comércio varejista não podem ser vistos como efeitos de fatores episódicos e, portanto, de curta duração

Os tombos sucessivos das vendas do comércio varejista não podem ser vistos como efeitos de fatores episódicos e, portanto, de curta duração.

Esta é uma leitura conveniente para os defensores da atual política econômica desequilibrada. A forte queda das vendas ao consumidor em junho sobre maio (veja o gráfico), por exemplo, é interpretada como efeito inevitável da realização da Copa do Mundo, que teve muitos feriados e deixou o consumidor pouco disposto a largar o sofá e a reforçar as prateleiras da despensa de casa. Ou, na linha do que alegam as autoridades do Ministério da Fazenda, é mais uma dessas consequências da crise externa, contra as quais não haveria lá muito o que fazer.

Mais realista é entender que os desaceleradores imediatos das vendas internas são, em primeiro lugar, os estragos causados no poder aquisitivo do consumidor pela inflação. Em segundo, o esgotamento das políticas casuísticas de reduções tributárias e de alavancagem do crédito, que beneficiaram alguns setores, como o de veículos, o de aparelhos domésticos e o de materiais de construção. E, em terceiro lugar, o aumento das incertezas sobre a economia.

Sobre o impacto da inflação, não é preciso dizer muita coisa, a não ser advertir que a disparada dos preços dos serviços (alta de 8,44% no período de 12 meses terminado em julho) deixou menos margem no orçamento do trabalhador para compra de bens de consumo duráveis.

As reduções de IPI, especialmente, nas vendas de veículos não criaram mercado, como tanta gente acredita. Apenas anteciparam compras. Agora endividado, o consumidor não voltará tão cedo a puxar pelo seu cartão de crédito. É por isso também que, do ponto de vista do interesse das montadoras, essas bondades acabam tendo resultados de qualidade duvidosa. Concentram as vendas em determinado período e, em seguida, amontoam estoques de produtos acabados cuja desova exige promoções custosas e descontos sobre os preços.

Outro fator de desaceleração das vendas no varejo são as incertezas sobre o futuro, que levam o consumidor a uma reação mais conservadora. Ele percebe que a economia vai mal das pernas, que seu emprego está ameaçado e que um ajuste de contas é inevitável. Por isso, prefere não assumir mais compromissos que comprometam seu orçamento.

Tudo isso empurra para outro nível de questionamento. A política econômica do governo Dilma privilegiou o consumo e descuidou do investimento. Além disso, afrouxou excessivamente os controles das finanças públicas, desarrumou a economia e semeou o desânimo. Os resultados estão sob os olhos de todos e são sentidos ainda mais inclementemente no bolso de cada um.

Para consertar o que está aí não bastarão duas ou três demãos de tinta. O experimentalismo adotado pela administração Dilma trouxe prejuízos demais. O governo que tomar posse em janeiro, qualquer que seja ele, não só terá de distribuir uma conta enorme pela sociedade. Terá de ir aos fundamentos da economia, para recobrar a confiança hoje perdida e criar condições que deem sustentação ao crescimento econômico.

CONFIRA:

Distorções na petroquímica

Para reduzir importações de combustíveis, a Petrobrás está vendendo gasolina misturada com nafta (outro derivado do petróleo). Por isso, precisou importar mais nafta, principal insumo da petroquímica. A Braskem, principal grupo petroquímico do Brasil, está reclamando de que a Petrobrás quer agora descarregar sobre o setor da petroquímica a nafta bem mais cara.

Achatamento

O problema é consequência de duas distorções. A primeira é provocada pelo governo Dilma que achatou os preços dos combustíveis com o objetivo de segurar a inflação. É a mesma que vai sangrando o caixa da Petrobrás. A segunda distorção tem a ver com a derrubada dos custos da petroquímica nos Estados Unidos provocada pelo forte barateamento do gás natural de xisto, que pode substituir a nafta.

Sem resposta

Para as duas distorções, o governo Dilma não tem resposta adequada.*

(*)  CELSO MING – ESTADÃO

INACREDITÁVEL…

Condenado em 2ª instância,

Arruda recebe doação de R$ 490 mil

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Mesmo após condenado em 2ª instância por improbidade administrativa, e com alta possibilidade de ter a candidatura impugnada pelo TRE, com base na Lei da Ficha Limpa, o que de fato ocorreu, a empresa Toyo Setal Empreendimentos Ltda. ainda assim doou R$ 490 mil para o candidato ao governo do Distrito Federal, José Roberto Arruda (PR).

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF) o considerou, na terça-feira, impedido de concorrer às eleições de outubro por conta de uma condenação em segunda instância sentenciada em 9 de julho deste ano. Dias após o julgamento, a Toyo Setal realizou as duas únicas doações que o candidato arrecadou. A primeira, de R$ 100 mil, foi dada no dia 15 de julho e a segunda, de R$ 390 mil, no dia 21 de julho.

Por ter apresentado pedido de registro de sua candidatura ao TRE quatro dias antes de ser condenado, o candidato poderá permanecer em campanha. A defesa de Arruda prepara recurso para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, enquanto isso, o ainda candidato pode continuar arrecadando doações e executando sua publicidade eleitoral.

De acordo com a primeira parcial da prestação de contas, publicada na semana passada pelo TSE, Arruda já desembolsou R$ 160,5 mil no primeiro mês de sua campanha. Desse montante, R$ 57,8 mil foram destinados a Brasília Empresa Jornalística Ltda., R$ 28,5 mil para Cascol Combustíveis para Veículos Ltda., R$ 6 mil para WSE Comunicação Visual Ltda.

Os R$ 68,1 mil restantes foram utilizados para contratação de gráficas: R$ 44 mil para a Mais Soluções Gráficas e R$ 4,1 mil para a Sandro Rodriguez Caneiro Configurações Gráficas desenvolverem publicidade por materiais impressos, e R$ 20 mil para a Mouta Tomaz Impressos Ltda. fazer placas, estandartes e faixas.

O Contas Abertas entrou em contato com a empresa para esclarecimento dos motivos das doações. Contudo, a empresa não retornou às solicitações até o fechamento desta reportagem.

A Toyo Setal se define como empresa que realiza atividades de projeto, construção e montagem na modalidade de engenharia, suprimentos e construções. Está presente nos segmentos de óleo e gás, petroquímica, química, mineração, infraestrutura, plantas de geração de energia e siderurgia.

(*) Gabriela Salcedo – Contas Abertas

VOLTAS QUE O MUNDO DÁ

OS DESÍGNIOS DO DESTINO

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Impossível deixar de fazer cálculos a respeito do novo quadro sucessório, mesmo antes de o corpo de Eduardo Campos baixar à sepultura. Os prazos são fatais e faltam agora oito dias para o PSB registrar um novo candidato.

Tudo indica que será Marina Silva, candidata a vice, ainda que entre alguns dirigentes do partido registre-se uma certa má vontade diante dela. O problema é que qualquer outra opção retirará dos socialistas a hipótese de concorrer de verdade à presidência da República. A ironia na história é que Marina poderá conquistar mais votos do que teria Eduardo Campos, dado seu posicionamento ideológico e sua performance nas eleições de 2010. Quanto a saber se haverá segundo turno e se o adversário da presidente Dilma será Aécio Neves ou Marina Silva, melhor aguardar as próximas pesquisas.

Os deuses da aviação continuam fazendo das suas, no trabalho de perturbar o quadro político-eleitoral. Nos tempos modernos, suas artimanhas começaram com Salgado Filho, em 1950, nome certo para eleger-se governador do Rio Grande do Sul. Depois, de uma vez só, sacrificaram Nereu Ramos, senador e ex-presidente da República, junto com o governador Jorge Lacerda, de Santa Catarina, e o deputado Leoberto Leal. A sombra abateu-se em Minas, levando o deputado Lúcio Bittencourt, candidato ao palácio da Liberdade, e de novo no Rio Grande do Sul, atingindo o deputado Rui Ramos, candidato a governador.

O marechal Castello Branco teria tido grande influência nacional, depois que deixou o palácio do Planalto, mas foi o próximo, seguido pelo senador Filinto Muller. Cleriston Andrade estava eleito governador da Bahia, Marcos Freire ganharia em Pernambuco. Ulysses Guimarães perdeu-se no oceano, José Carlos Martinez disputaria com vantagem o governo do Paraná.

As referências de hoje não envolvem todos os políticos mortos em desastres aéreos, apenas aqueles que se destacavam na constelação político-partidária. Muitos outros perderam a vida no ar.

Agora, Eduardo Campos. Claro que a nenhum candidato será permitido fazer campanha exclusiva em terra, já que os desaparecidos em desastres de automóvel tem sido até mais numerosos. Mesmo assim, de quando em quando, há que insurgir-nos contra os desígnios do destino.

ILHA DA FANTASIA OU ILHA DOS HORRORES?

Brasília já foi chamada, aliás injustamente, de Ilha da Fantasia. Hoje está mais para Ilha dos Horrores, José Roberto Arruda perdeu o mandato de senador e, depois, de governador, acusado de corrupção e até preso por um mês na Polícia Federal. Pois lidera as pesquisas eleitorais, com razoável vantagem sobre os adversários. O Tribunal Regional Eleitoral acaba de cassar seu registro de candidato. Como tem direito a recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral, pode continuar fazendo campanha e até disputar a eleição, se até lá seu recurso não tiver sido julgado. A dúvida a saber é se, caso eleito, poderá tomar posse. Tendo rotulado a Lei da Ficha Suja como apenas “uma leizinha”, arrisca-se a deixar a capital federal sem salvação.*

(*) Carlos Chagas – Tribuna  da Imprensa Online