OPERAÇÃO LAVA JATO

Petrolão: governo barra convocação de tesoureiro do PT

Governistas resistem à tentativa da oposição de levar João Vaccari Neto à CPI para esclarecer participação em denúncias de desvios de verbas da Petrobras

Reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras para análise do plano de trabalho e de requerimentos - (14/05/2014)Reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras para análise do plano de trabalho e de requerimentos

Deputados e senadores governistas barraram nesta terça-feira a tentativa da oposição de convocar o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, para prestar esclarecimentos à CPI da Petrobras. Vaccari foi apontado pelo ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa como um dos responsáveis pelo duto montado para desviar recursos para políticos e partidos governistas – PT, PMDB e PP.

Oficialmente, o comando do colegiado alegou que não haveria quórum suficiente para aprovar os requerimentos e que ainda busca uma alternativa. A oposição reclamou: “Está claro que estão querendo segurar a ida do Vaccari. Mas alguma coisa tem de acontecer até a próxima semana. A gente quer uma sessão relevante antes das eleições”, disse o deputado Mendonça Filho (PE), líder do DEM na Câmara dos Deputados. “É evidente que a base do governo está agindo para evitar a ida do tesoureiro. E é mais evidente ainda que a base recebe orientação da presidente Dilma Rousseff, que tenta a reeleição”, afirmou o deputado Antônio Imbassahy (BA), líder do PSDB na Câmara.

Os parlamentares decidiram se reunir nesta terça após as novas revelações feitas à Justiça Federal por Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef. De acordo com Costa, o PT ficava com a maior parte do rateio da propina e o responsável por captar esse dinheiro era João Vaccari Neto. Ainda segundo o ex-diretor da Petrobras, Vaccari negociava diretamente com o então diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque.

No encontro realizado nesta tarde no gabinete do presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), os parlamentares pediram uma reunião emergencial para aprovar a convocação de Duque e Vaccari, cujos pedidos de audiência já foram apresentados, além de agendar a audiência do doleiro Youssef, que já teve a convocação aprovada, para o dia 22. Ness data, também está marcado o depoimento de José Carlos Consenza, diretor de Abastecimento que substituiu Paulo Roberto Costa na estatal.

Vital prometeu entrar em contato com os líderes governistas para checar a viabilidade de uma convocação ainda nesta semana, mas admite ser “difícil” por causa das eleições. Como o colegiado é formado em sua maioria por deputados e senadores aliados do Palácio do Planalto, a presença desses parlamentares é obrigatória para que seja atingido o quórum mínimo para as votações. “Não há nenhum tipo de pressão. A função de investigação do Congresso Nacional não pode ser contaminada por um processo eleitoral que, em quinze dias, pode trazer consequências que não sejam aquilo que é dever do Congresso, que é apurar de forma limpa e imparcial os fatos”, disse.

Nesta quarta, Vital do Rêgo deve ingressar com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para ter acesso à íntegra das delações premiadas.*

(*) Veja

M* NO VENTILADOR

Aécio chama Dilma de leviana e é acusado de nepotismo em debate na TV

Troca de acusações sobre corrupção e improbidade administrativa marcou o primeiro embate do segundo turno

000000000000000000000000000000000000000020141014223505642rts

SÃO PAULO – O primeiro debate presidencial do segundo turno foi marcado por troca de acusações entre a presidente Dilma Rousseff e o tucano Aécio Neves, principalmente quando o tema corrupção foi abordado no final do segundo bloco do encontro promovido pela emissora Band, nesta terça-feira. Em um dos momentos mais tensos, Aécio acusou sua adversária de “estar sendo leviana” ao dizer que o tucano entregou a um tio as chaves do aeroporto de Cláudio (MG), construído pelo governo de Minas Gerais. Em seguida, Aécio afirmou que o governo atual “virou um mar de lama”, em referência às denúncias de pagamento de propinas em obras realizadas pela Petrobras, investigação feita pela Polícia Federal na Operação Lava-Jato. Dilma reagiu e acusou o tucano de praticar o nepotismo ao nomear parentes para cargos públicos, sem citar quais

A temperatura começou a subir quando, no início desse bloco, Aécio disse que o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, preso na Lava-Jato, recebeu elogios em em ata de reunião da empresa pelos “bons serviços prestados”, ao se demitir do cargo. O tucano perguntou a Dilma que “bons serviços” eram esses. Em resposta, Dilma disse que sua indignação em relação ao que foi descoberto pela PF “era a mesma de todos os brasileiros”. E passou a enumerar casos de corrupção durante os governos tucanos que, segundo ela, não levaram ninguém à prisão, como o mensalão em Minas e as denúncias de cartel nas licitações do serviço de transporte sob trilhos em São Paulo. Em seguida,citou o Aeroporto de Cláudio:

— Como o senhor explica ter construído um aeroporto que na época custava R$ 13,9 milhões e agora custa R$ 18 milhões. E foi construído em terreno de sua família, no terreno de seu tio e chave fica em poder dele? Eu não acho isso nada moral e nem ético .

Aécio reagiu irritado:

— Eu quero responder à candidata Dilma olhando nos seus olhos. A senhora está sendo leviana. O Ministério Público Federal atestou a regularidade dessa obra. Fiz milhares de obras no meu governo. Todas elas atestadas como obras corretas. A obra de Cláudio, que a senhora insiste em repetir e também de forma leviana no seu horário eleitoral, tanto que o TSE retirou do ar, foi uma obra feita em área desapropriada em desfavor de um tio avô meu para beneficiar uma região próspera, onde estão mais de 150 indústrias. O Ministério Público Federal disse que a obra é correta.

PATERNIDADE DE PROGRAMAS EM FOCO

Na sequência de acusações, Dilma disse que, ao contrário do que Aécio afirmara, o Ministério Público não aceitou a ação penal, mas está apurando se houve improbidade administrativa, frisando que isso significa “mau uso dos recursos públicos”. Na esteira de acusações, Dilma disse que o tucano empregara “um irmã, um tio, três primos e três primas” no governo.

— A senhora tem obrigação de dizer onde minha irmã trabalha. Não pode fazer campanha com tantas inverdades — reagiu Aécio, encerrando esse bloco.

No início do terceiro bloco, logo após essa discussão, Dilma não respondeu a Aécio, mas disse que leviano era ele.

A paternidade dos programas sociais também foi um tema recorrente. Dilma acusou o tucano de ter propostas que são somente continuidade de projetos implantadas por petistas durante os 12 anos em que estão no poder.

—As únicas propostas que a senhora apresenta são a continuidade dos meus projetos. Pode entrar no Tribunal de Contas do Estado que o governo de Minas Gerais foi obrigado a assinar um termo de ajustamento de gestão. No Samu, vocês têm o terceiro pior desempenho. Vocês só têm (a cobertura do Samu) em 28% dos municípios e 45% da população não tem Samu. Como posso acreditar que o senhor vai fazer o Mais especialidades?

Nesse ponto, Aécio afirmou que “ninguém é dono de bons projetos” e que programas bem-sucedidos do atual governo como Bolsa Família, são continuação de iniciativas da gestão de Fernando Henrique Cardoso, como Bolsa Escola e o Bolsa Alimentação.

Já no início do debate, Dilma e Aécio trocaram acusações sobre suas gestões à frente da Presidência da petista e do governo de Minas, respectivamente. A petista citou números sobre o governo mineiro, principalmente na área da Saúde, e o tucano respondeu dizendo que Dilma faltava com a verdade.

Ainda no primeiro bloco, Aécio disse que os dois candidatos pareciam de oposição, porque “quem vê a sua campanha acha que a senhora não governou”. Já Dilma respondeu, afirmando que parecia que o senador parecia candidato da situação porque insistia em falar na continuidade de seus projetos.

Logo na primeira pergunta, Dilma disse que os tucanos votaram contra a CPMF e acusou Aécio de não investir na Saúde o que determina a Constituição, quando estava à frente do governo mineiro. Aécio respondeu que todas as contas de sua gestão foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado.

Ao responder a Dilma sobre o Mais Especialidades, promessa da petista para a Saúde, Aécio disse que a ideia é copiada do PSDB e provocou a adversária ao dizer que Dilma parece uma candidata de oposição.

— A sua proposta do Mais Especialidades é a nossa. Lamento que a senhora só tenha se preocupado com isso quando seu governo termina. A impressão que tenho é que temos dois candidatos de oposição. Não temos um candidato de continuidade. Quem vê a sua campanha acha que a senhora não governou o Brasil ao longo de todos esses anos — atacou Aécio.

Dilma reagiu com um jogo de palavras:

— E quem vê agora as suas propostas pensa que o senhor é candidato da situação, porque as únicas propostas socais que apresenta é a continuidade dos meus projetos — disse Dilma.

Quando Dilma disse que Aécio, no governo de Minas, não repassava o mínimo determinado pela Constituição à Saúde, o tucano retrucou:

— O governo da senhora chegou num determinado momento em que os investimentos do Bolsa Família eram contados como investimentos em Saúde. Minas é reconhecido pelo Ministério da Saúde como o que tem a melhor Saúde da Região Sudeste.*

(*) O Globo

PETROESCÂNDALOS

O PT carregou ‘Paulinho’ porque quis

Se o comportamento do Planalto e a ação da Polícia Federal tivessem andado
na mesma direção, teria sido possível abrir a caixa-preta da Petrobras.

00000000000000000000000000000000000000duke

A doutora Dilma chamou de “golpe” a exposição dos depoimentos de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, e do operador financeiro Alberto Youssef. Pode-se achar que tenha sido meio girafa a escolha da ocasião, entre os dois turnos eleitorais. Mesmo assim, o juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, ouviu-os no desempenho de suas atribuições e tinha obrigação tornar públicas as informações que recebeu. “Golpe” houve quando a dupla e seus comparsas delinquiram.

Como aconteceu no caso do mensalão, o comissariado fez várias apostas e perdeu todas. Houve um dia em que o governo poderia ter saído da crise, tomando o caminho da moralidade: 19 de março de 2014. Na véspera, respondendo a uma indagação da repórter Andreza Matais, a doutora Dilma redigiu uma nota dizendo que, como presidente do Conselho de Administração da Petrobras, aprovara a compra da Refinaria de Pasadena baseada em “informações incompletas” de um parecer “técnica e juridicamente falho”. Era só continuar nessa linha.

No dia 20 de março a Polícia Federal prendeu Paulo Roberto Costa. Tratava-se de uma investigação relacionada com suas transações com Youssef, um notório operador de ilegalidades, que já passara por dois escândalos.

Se o comportamento do Planalto e a ação da Polícia Federal tivessem andado na mesma direção, teria sido possível abrir a caixa-preta da Petrobras. Doeria, mas seria uma boa marca para o governo. Como no caso do mensalão, os sábios resolveram fazer o contrário. Deram marcha a ré e criou-se um “gabinete de crise” para lidar com o problema provocado pela nota de Dilma. Erro, a nota não era a origem de um problema, mas de uma solução.

Youssef e o “amigo Paulinho” (diminutivo carinhoso usado por Lula) continuavam na cadeia. O comissariado sabia que empreiteiras, fundos de pensão, fornecedores e políticos haviam caído na rede da investigação. Temia-se que Paulo Roberto Costa virasse um “homem-bomba”. O comissariado operou e “Paulinho” passou com louvor por uma CPI. Disse que tinha R$ 1,2 milhão em casa para fazer pagamentos e o líder do PT considerou sua fala “satisfatória”. Não se tratava mais de fingir que não se sabia, mas de encobrir o óbvio. Apostaram que o “amigo” ficaria calado e levaram a bomba para dentro do governo.

Parecia possível empurrar o caso com a barriga, pedindo-se até mesmo a anulação das provas já conseguidas. Em junho, o governo suíço bloqueou US$ 23 milhões que o “amigo” guardava no ultramar. Ele voltou a ser preso e dois meses depois começou a colaborar com a Viúva. Youssef acompanhou-o. Deu no que deu e no muito que dará.

O governo apostou no efeito barriga. A blindagem chegou ao absurdo quando a doutora Dilma disse que demitira o “amigo Paulinho”. A ata da Petrobras informa que ele pediu demissão, mas ela acrescentou que esse é um “direito” dos servidores. Errado, não existe esse direito. Na ata onde está o registro de sua saída lê-se que o presidente do conselho da Petrobras, ministro Guido Mantega, “determinou o registro do agradecimento do colegiado ao diretor que deixa o cargo, pelos relevantes serviços prestados à companhia”. Falta definir “relevantes serviços”.*

(*) Elio Gaspari é jornalista – O Globo

TERÇA-FEIRA, 14 DE OUTUBRO DE 2014

O PT amarelando

000 - A APOIAMENTOS

BRASÍLIA – Responda se puder: foi a Dilma que abandonou o Lula ou foi o Lula que abandonou a Dilma? Pela primeira vez, desde 2002, FHC, para o bem e para o mal, aparece mais na campanha do que Lula.

O PT ganhou a Presidência em 2002, 2006 e 2010, mas, a cada mandato, lá se vai um naco da aura e das cores do partido, que era vermelho e está amarelando, até azulando.

Candidatos petistas à antiga, de estrela vermelha no peito e 13 para todo lado, andam meio em extinção. Alguns, levando um banho.

Alexandre Padilha (SP) e Gleisi Hoffmann (PR) amargaram o terceiro lugar, apesar de terem sido até ministros de Dilma. Lindbergh Faria (RJ) chegou em quarto. O PT mais atrapalhou que ajudou.

Quem escondeu o vermelho, a estrela e, até onde deu, o 13, se deu bem. O também ex-ministro Fernando Pimentel levou Minas no primeiro turno. Delcídio Amaral (MS) chegou na frente ao segundo turno. Camilo Santana disparou no Ceará.

Em comum, os três coloridos têm o seguinte: deixaram o padrinho Lula e a madrinha Dilma de lado e se penduraram em outras referências, menos vermelhas e pouco petistas.

Pimentel, que fez aliança com Aécio Neves para a eleição do prefeito da capital, tem jeitão tucano, discurso tucano e um nome muito parecido com o do seu adversário tucano, Pimenta da Veiga. Próximo e amigo de Dilma, ele surfou nos velhos acordos de Aécio com o PT –lembra do Lulécio e do Dilmazia?

Outro ironizado como “petista tucano” ou “tucano petista” é Delcídio, cujo adversário agora é do PSDB. Já Camilo Santana agarrou-se mais aos irmãos Cid e Ciro Gomes, do Pros, do que a Lula e Dilma. É dos Gomes que vem sua força. Como vem de Jaques Wagner, mais do que do PT, a força de Rui Costa na Bahia.

Como pano de fundo, os 73% que querem mudança. Se Dilma vencer, Lula pula dentro. Se perder, ela que se cuide. Lula já tem um(a) culpado(a). Além da imprensa, claro.*

(*) Eliane Cantanhêde – Folha de São Paulo

MUY AMIGAS…

Ação do governo beneficia

senadora ruralista

Regulamentação de sindicatos rurais ligados à CNA acompanharam transformação de Kátia Abreu em aliada de Dilma

00000000000000000000churraxco1796490_834180523314622_4280305160728968_n

BRASÍLIA – A transformação da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) de adversária do PT no Congresso em aliada da presidente Dilma Rousseff foi acompanhada pelo destravamento, no Ministério do Trabalho, do processo de regularização de sindicatos rurais filiados à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), entidade patronal presidida pela senadora há quase seis anos.

Em 2012, ano em que Kátia Abreu e Dilma passaram a exibir uma relação de proximidade, foram recadastrados 267 sindicatos rurais patronais filiados à CNA. O número é recorde, segundo dados obtidos pelo Estado por meio da Lei de Acesso à Informação. De 2009 a 2011, foram liberados apenas 76 sindicatos filiados à entidade ruralista.

Na comparação com outras confederações, o resultado obtido pela CNA no ano da transição política de sua líder também é excepcional. Sindicatos vinculados à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), ligada ao PT, foram os campeões de licenças do ministério de 2009 a 2011. Mas nem chegaram perto do obtido pela CNA. Foram recadastradas 81 entidades filiadas à Contag em 2009; 90 em 2010; 99 em 2011; e 57 em 2012. Em 2013, a CNA teve o maior número de sindicatos recadastrados: 18. A Contag teve 13. Em 2014, até setembro, a CNA teve sete sindicatos recadastrados e a Contag, 12.

O recadastramento não é obrigatório, mas sindicatos que não se recadastram ficam impedidos de registrar acordos de convenção coletiva e de receber o dinheiro da contribuição sindical.

A aproximação de Dilma com Kátia Abreu foi entendida no meio político como uma tentativa da petista de diminuir sua rejeição entre ruralistas. A mudança tem rendido bons resultados para Kátia Abreu. Ela conseguiu se reeleger senadora pelo Tocantins após a cúpula do PMDB intervir no diretório estadual. Integrantes do PMDB tocantinense se opunham à senadora.

Reeleição. Na CNA, a inserção política de Kátia Abreu também está em alta. A capilaridade alcançada pela entidade rendeu apoio massivo à senadora entre presidentes de federações e sindicatos patronais rurais. Neste ano, ela disputa a segunda reeleição para presidente da CNA e tem apoio de 24 das 27 federações de agricultura.

A eleição estava marcada para hoje, mas foi adiada após a federação do Paraná obter decisão liminar que suspendeu a votação. “Quem tem mandato parlamentar não deve ocupar presidência de entidade representativa de classe”, diz o presidente interino da federação mato-grossense, Normando Corral.

O secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho, Manoel Messias, disse que os recadastramentos ligados à CNA em 2012 “provavelmente” foram resultado de uma campanha. “O ministério vem fazendo campanha de recadastramento desde 2005”, afirmou. O secretário disse que o “recadastramento segue regras técnicas” e “não houve nenhuma interferência política para o atendimento de pedidos de recadastramento”.

Em nota, a CNA, sem mencionar os recadastramentos, disse que o número de sindicatos filiados a ela recuou nos últimos anos após revisão que desativou os irregulares. O número, segundo a CNA, foi de 2.155 em 2012 para 1.945 em 2014 – 416 aguardam regularização.*

(*) FÁBIO BRANDT – O ESTADO DE S. PAULO

PETROESCÂNDALOS

BEM MAIS QUE INSINUAÇÕES

 

A tensão instalada em Brasília, no retorno dos parlamentares da campanha, após conhecidas as primeiras informações sobre a delação premiada de Paulo Roberto Costa, desmente a naturalidade com que o ex-presidente Lula tenta administrar os danos políticos das denúncias.

Lula classificou as denúncias do ex-diretor da Petrobrás na categoria das insinuações que não se comprovam depois, o que não guarda qualquer relação com a realidade.

A consistência do depoimento de Costa pode ser medida pelo despacho em que o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, o homologa. Nele o ministro considera, de forma explícita, que se confirmam os elementos de participação de autoridades com direito ao foro especial, inclusive parlamentares federais.

PONTA DO ICEBERG

O conteúdo do depoimento de Costa ao juiz Sérgio Moro, do Paraná, que não está sob segredo de justiça, é apenas a ponta do iceberg do escândalo que deverá se consolidar, mais à frente, como um dos maiores da história política nacional.

O conteúdo que o STF homologou tem informações que o ex-diretor da Petrobrás mantinha criptografadas e que detalha o esquema implantado na empresa. Sua entrega ao Ministério Público explica a velocidade do cumprimento do acordo judicial que resultou na liberdade de Paulo Roberto Costa, já em casa.

Para a presidente Dilma Rousseff, o que se tornou conhecido é devastador, porque vem a público no momento em que sua campanha tenta mostrá-la intolerante com a corrupção. Tendo abastecido campanhas do PT, PMDB e PP, não será surpresa se o esquema tiver incluído a própria campanha presidencial de 2010, mesmo à revelia da presidente.

A dimensão do episódio, e o desdobramento que prenuncia, talvez expliquem a reação imprópria de Dilma, cuja indignação foi quanto à publicidade do depoimento de Costa e não ao seu conteúdo.

DIRETORIA QUE FURA POÇO…

Uma breve volta ao ano de 2005 encontrará a então ministra das Minas e Energia envolvida nas negociações políticas em torno dos cargos de diretoria da Petrobrás, quando o então deputado Severino Cavalcanti cobrou para seu partido, o PP, citado por Costa como um dos beneficiários do esquema, a “diretoria que fura poço”, que lhe havia sido prometida pelo então presidente Lula no avião que o levou a Roma, com Severino a bordo.

Severino não levou o que queria, por oposição da própria Dilma, mas o PP ficou na Petrobrás loteada ainda entre PT e PMDB. O depoimento de Paulo Roberto Costa, até aqui, está em perfeita sintonia com a cronologia dos fatos.*

(*) João Bosco Rabello – Estadão

ABRAÇO DE AFOGADOS

RACHADA, DIRETORIA DO BANCO CENTRAL ENTRA EM CRISE

Os embates entre a presidente Dilma Rousseff e seus adversários, na tentativa de conseguir mais quatro anos de mandato, provocaram estragos dentro do governo. Ainda que parcialmente superada, a polêmica criada pelo PT em torno da proposta de independência do Banco Central, defendida pela candidata derrotada Marina Silva (PSB), bateu fundo na instituição responsável pelo controle da inflação, revoltou os servidores da casa e rachou o Comitê de Política Monetária (Copom).

Parte da atual diretoria já avisou ao presidente do BC, Alexandre Tombini, que não ficará no cargo caso Dilma seja reeleita em 26 de outubro próximo. Na prática, isso significa um pedido antecipado de demissão, pois, em caso de vitória de Aécio Neves (PSDB), a troca será automática, a exemplo do que ocorreu no início dos governos Fernando Henrique Cardoso, em 1994, e Lula, em 2003.

Ao longo de duas semanas, o Correio conversou com ex-diretores do BC, economistas de grandes bancos de investimentos nacionais e estrangeiros e técnicos próximos aos atuais diretores da autoridade monetária. Boa parte deles assegurou que Carlos Hamilton Araújo, o primeiro funcionário de carreira do Banco Central a assumir a Diretoria de Política Econômica, será o primeiro a deixar o cargo. “Hamilton já está com um pé fora do BC”, disse um integrante da equipe econômica. “E a saída pode ocorrer antes mesmo de 2015.”

OUTROS QUE SAEM

Também estariam fora do BC em um eventual segundo mandato de Dilma os diretores Altamir Lopes, de Administração, e Sidnei Corrêa Marques, de Organização do Sistema Financeiro, também funcionários de carreira da instituição. Procurada, a autoridade monetária assegurou que as informações são “inverídicas” e que todos os integrantes do comando do banco “estão empenhados em executar suas funções da melhor forma possível até o fim do ano”.

Apesar dos desmentidos oficiais, o clima de tensão é grande no BC. O ex-presidente Lula já deixou claro a Dilma que ela deveria mudar toda a diretoria do banco em um novo mandato. A candidata petista, no entanto, manifestou o desejo de permanecer com parte do atual time da autoridade monetária, em especial, seu presidente. Dilma construiu, ao longo dos últimos quatro anos, uma boa relação com Tombini, a quem considera competente e, sobretudo, fiel.

A divisão ocorre num momento delicado para a instituição. A despeito de o Copom ter elevado a taxa básica de juros (Selic) para 11% ao ano e de a economia estar no atoleiro, a inflação não para de aumentar. Nos 12 meses terminados em setembro, a carestia atingiu 6,75%, o maior nível em três anos. Diante desse resultado, os especialistas voltaram a cogitar a possibilidade de o BC promover um novo arrocho monetário. Visão sustentada pelas recentes declarações de Carlos Hamilton, de que o Copom agiria “tempestivamente” caso o custo de vida desse sinais de elevação.

CONSTRANGIMENTO

Tal afirmação, por sinal, provocou constrangimento entre os auxiliares de Dilma, por ter ocorrido dias antes de os brasileiros depositarem os votos nas urnas. Ao longo de toda a campanha de primeiro turno, a candidata petista havia sido acusada por seus oponentes de ter sido leniente com a inflação. A declaração de Hamilton, portanto, era um sinal claro de que o governo estava perdendo a batalha para manter a carestia dentro da meta.

Na mesma oportunidade, Hamilton disse ser favorável à autonomia técnica do Banco Central, o que forçou Dilma a se pronunciar. “Temos visões diferentes”, afirmou a presidente. No ano passado, ela e o diretor do BC também divergiram. Em viagem à África do Sul, a petista disse ser contra um aumento mais forte dos juros para controlar a inflação, por sacrificar o crescimento econômico. Dias depois, o Copom começou a elevar a Selic, que estava no menor nível da história: 7,25% ao ano.

ASSUNTO RECORRENTE

No mercado financeiro, as informações sobre o racha no BC se tornaram assunto recorrente. “Mas creio que seja tarde para abandonar o barco. Se a presidente Dilma for reeleita, todos devem ficar para corrigir os erros que levaram a inflação a ficar, insistentemente, no teto da meta”, afirmou um ex-integrante do Copom. “Ficando ou não com Dilma, a atual diretoria do BC carregará sobre os ombros o fato de ter contribuído para destruir a credibilidade da política monetária”, ressaltou outro ex-dirigente da instituição. “Não é à toa que, pelo menos até 2016, as projeções de inflação estão muito acima do centro da meta, de 4,5%. O BC perdeu a capacidade de coordenar as expectativas”, emendou.

Os defensores do time comandado por Tombini asseguram que o BC foi traído pela promessa não cumprida do Ministério da Fazenda de fazer um ajuste fiscal consistente. Ao ter encampado o discurso de redução dos gastos públicos, o Copom reduziu a taxa Selic para 7,25% ao ano, o menor nível da história, fato que provocou euforia no Planalto. Mas a façanha durou apenas seis meses, e os juros voltaram a subir, atingindo 11%, superando os 10,75% recebidos por Dilma em 2011.

“O resumo dessa história é a seguinte: haja ou não haja divergência entre os diretores do BC, o fato é que, em termos de reputação, a instituição está rachada. E levará tempo para reconstruí-la”, admite um técnico muito próximo do comando da autoridade monetária.*

(*)  DECO BANCILLON – Correio Braziliense, via Tribuna na Internet

HORA DA MUDANÇA

AS FREIRINHAS DO CONVENTO REJEITAM A MADRE SUPERIORA

0000000000000000000000fbfe9cd35d5f28d47ab465f57c58bc20

Saberemos hoje à noite, depois do debate na TV-Bandeirantes, se a presidente Dilma continua em queda livre ou se, através de performance superior à de Aécio Neves, no vídeo, terá condições de equilibrar o jogo. Até agora a candidata do PT não vai bem. Aguarda-se para amanhã a divulgação de nova pesquisa dos institutos Datafolha e Ibope, mesmo atingidos pelo descrédito no primeiro turno.

Cientistas políticos e diletantes tem atribuído a perda de densidade eleitoral de Dilma a mil e uma causas: a roubalheira na Petrobras, depois do mensalão, a alta exposição do PT como cúmplice nas lambanças, a ambição dos partidos da base em lotear o governo, as promessas não cumpridas nos últimos quatro anos, as obras do PAC interrompidas ou se desenvolvendo em ritmo lento, a fraqueza de ministros desconhecidos, a explosão social iniciada em junho do ano passado, o natural desgaste de doze anos no poder pelo mesmo grupo partidário, e outras. Junte-se o mau funcionamento dos serviços públicos e se terá a receita de por que as previsões favorecem a oposição.

Até agora, porém, tem sido ignorado um fator tão essencial quanto delicado: a própria Dilma. Ela e a simpatia não se entendem. Além de áspera e mal-educada com auxiliares e com os interlocutores em geral, a presidente não cuidou de sua imagem durante quatro anos. Sempre apareceu de nariz em pé e cenho fechado, passando a impressão de arrogância. É precisamente o que o povo não gosta e nada tem a ver com firmeza e inflexibilidade. Quando ri, é de modo forçado, quando discursa, jamais quebra a rigidez com algum mote ou mesmo uma piada. Seus acenos são duros e forçados. Parece a Madre Superiora do convento enquadrando as freirinhas. Perde quando cotejada com um Aécio Neves sempre sorridente e expansivo.

Não se deve forçar a natureza das coisas, mas Dilma lembra os presidentes da República Velha, vetustos, distantes e intransigentes. Pode não ser nada disso, mas é a impressão que fica e agora produz seus efeitos.

OVOS E TRASEIROS

O honestíssimo marechal Teixeira Lott, quando candidato à presidência da República, perdeu-se por mil motivos, mas um deles foi a franqueza com que expunha os problemas nacionais. Num comício, recomendou ao povo que contribuísse para a exportação de carne deixando de comer as peças mais suculentas do dianteiro dos bois. Deveríamos comer apenas o traseiro…

Vem agora um infeliz integrante do governo Dilma e sentencia: para evitar a inflação, precisamos nos abster de comer carne, comendo ovos…*

(*) Carlos Chagas – Tribuna na Internet

E NO PAÍS DA PIADA PRONTA…

PT processa delator da Petrobras

por difamação

0000000000000000000000000000000000AUTO_sponholz

O presidente do PT, Rui Falcão, disse que o partido ajuizou ação contra o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Acusa-o de “difamação”. Em depoimento à Justiça Federal, o petrodelator incluiu o PT entre as legendas que mordiam propinas na estatal petroleira.

Mais: Paulo Roberto informou que o coletor do petismo era João Vaccari Neto, sucessor de Delúbio Soares na administração das arcas partidárias. “Ele fez acusações infundadas contra o PT”, disse Rui Falcão. Quando Roberto Jefferson jogou o mensalão no ventilador, em 2005, dizia-se coisa parecida. Naquele caso, porém, a inocência foi passar uma temporada na cadeia.*

(*) Blog do Josias de Souza

RATATAIA EM PÂNICO

Procuradoria afirma que Lava Jato é ‘técnica e apartidária’

Procuradoria da República no Paraná responde às críticas do PT e do governo que viram ‘caráter eleitoral’ na divulgação de depoimentos de Costa e Youssef

000000000000000000000000000000lavajato11

A Procuradoria da República no Paraná reagiu às críticas do PT e do governo que atribuíram “caráter eleitoral” à divulgação dos depoimentos na Justiça Federal do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, personagens centrais da Operação Lava Jato.

“A atuação da Polícia Federal, do Ministério Público e do Poder Judiciário, nos procedimentos decorrentes da Operação Lava Jato que tramitam perante a 13ª Vara Federal Criminal, é estritamente técnica, imparcial e apartidária”, afirma a procuradoria. Segundo os procuradores que integram a força tarefa da Lava Jato, a meta é esclarecer todos os fatos “para, se for o caso, serem aplicadas punições a quem quer que sejam os responsáveis”.

O PT e o governo condenaram publicamente a divulgação dos depoimentos de Costa e de Youssef, realizados em uma das ações judiciais da Lava Jato na quinta feira – os depoimentos não têm relação com as delações premiadas que Costa já fez e que Youssef está fazendo. Eles foram ouvidos como réus em processo por lavagem de dinheiro e corrupção nas obras da refinaria Abreu e Lima.

Referindo-se às delações de Costa e de Youssef, perante o Supremo Tribunal Federal, os procuradores anotam. “Outras declarações prestadas pelos acusados, em procedimentos investigativos que não fazem parte deste processo, possuem regramento próprio e não podem ser confundidos com os interrogatórios da ação penal pública.”

“Os depoimentos obedeceram aos prazos fixados para procedimentos com réus presos”, destaca a procuradoria, em referência a Costa e a Youssef que estão presos por ordem judicial desde a deflagração da Lava Jato.

Sem citar o PT ou o governo, a procuradoria destaca que réus presos “possuem o direito de serem julgados no menor prazo possível, independentemente de considerações externas ao seu processo”. “Eventual adiamento de atos poderia acarretar a soltura dos réus em decorrência de excesso de prazo, quando sua prisão foi decretada por estrita necessidade cautelar”, argumenta a procuradoria.

Em nota, “com o objetivo de informar a população”, os procuradores que têm atribuição perante a 13.ª Vara Federal – onde atua o juiz Sérgio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato -. anotam que os procedimentos adotados nas investigações em curso e nas ações penais em instrução “seguem os preceitos legais adotados em todas as situações similares na Justiça Criminal de primeiro grau em todo o país”.

Sobre a publicidade dada aos relatos de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, os procuradores são categóricos. “Os depoimentos colhidos nas ações penais como regra são públicos, no propósito de assegurar ao réu julgamento justo e imparcial, não secreto, bem como de garantir à sociedade a possibilidade de fiscalização e acompanhamento da atuação do Poder Judiciário e do Ministério Público.”

Segundo os procuradores, “como expressão do direito de defesa, no caso em questão, os réus tiveram a oportunidade de esclarecer, no término da fase de instrução processual, em seus interrogatórios, os fatos pelos quais estão sendo acusados”. Eles afirmam que desde maio o procedimento é público. “Por esse motivo os depoimentos e suas gravações podem ser acessados por qualquer pessoa, sem restrição.”

(* Veja – Com Estadão Conteúdo)