CASO DE POLÍCIA

Petrobras fecha R$ 90 bi em contratos sem licitação Montante equivale a quase um terço do valor que foi gasto de 2011 a 2013

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Em suas justificativas, a estatal alega que o contratado era um fornecedor exclusivo ou que havia emergência

A Petrobras assinou pelo menos R$ 90 bilhões em contratos nos últimos três anos sem fazer qualquer tipo de disputa entre concorrentes, escolhendo, assim, o fornecedor de sua preferência.

O valor contratado sem licitação corresponde a cerca de 28% dos R$ 316 bilhões gastos pela Petrobras entre 2011 e 2013 com empresas que não pertencem à estatal ou que não são concessionárias de água, luz, entre outras.

As modalidades normalmente adotadas pela administração pública, como concorrência e tomada de preços, representam menos de 1% dos contratos da Petrobras. Em 71% dos casos, a forma de controle é mais branda, como carta-convite.

O levantamento da Folha foi feito em registros de extratos de contratos disponíveis da companhia. Eles apontam ainda que compras bilionárias, serviços previsíveis e outros sem complexidade foram dispensados de concorrência.

Em suas justificativas, a estatal alega, principalmente, que o contratado era um fornecedor exclusivo ou que havia uma emergência.

Para dispensar as disputas, a Petrobras se baseia num decreto de 1998 que lhe dá poderes para firmar contratos de forma mais simplificada que a prevista pela Lei de Licitações, promulgada em 1993.

Esse decreto usa os mesmos termos da lei –como concorrência, convite, dispensa, inexigibilidade– para classificar as formas de contratação. A principal diferença é que a estatal pode dispensar a disputa em compras de valores elevados, o que é proibido pela Lei de Licitações.

Desde 2010, a companhia briga na Justiça com o Tribunal de Contas da União, que a proibiu de contratar por esse formato. O TCU alega a necessidade de uma lei para que a estatal possa realizar os procedimentos simplificados.

Para continuar assinando contratos com base no decreto, a Petrobras se vale de uma decisão provisória (liminar) do Supremo Tribunal Federal, que lhe permitiu manter o procedimento até uma decisão definitiva da corte.

Em 2009, a análise dos contratos sem concorrência foi um dos focos da CPI da Petrobras no Senado, que acabou praticamente sem nada investigar. Caso vingue a instalação de uma nova CPI, em discussão no Congresso, essas contratações estarão na mira dos congressistas.

A análise dos contratos indica que o volume sem disputa começou a diminuir em 2012, com a chegada da nova diretoria da estatal comandada por Graça Foster.

Mas, como em 2013 também foram reduzidos os gastos totais da empresa, o percentual contratado sem concorrência voltou a aumentar e chegou a 30%.

No caso do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), por exemplo, chamam a atenção os valores: duas obras –R$ 3,9 bilhões e R$ 1,9 bilhão– não tiveram concorrência em 2011.

A Petrobras apresentou como justificativa para as obras das estações de tratamento de água e esgoto do complexo dessa refinaria, tocada por um consórcio liderado pela UTC Engenharia, falta de tempo hábil para uma disputa. As obras estão anunciadas desde 2006.

No caso da obra chamada Pipe Rack (suportes para tubulações), cujo consórcio é liderado pela Odebrecht, a Petrobras achou o preço da concorrência elevado e preferiu chamar um grupo de construtoras para fazê-la. Mas, como recebeu vários aditivos depois, a obra está mais cara que o previsto inicialmente.

Duas companhias, a Vallourec Tubos e a Confab Industrial, são contratadas em valores que ultrapassam os R$ 20 bilhões, sob a alegação de que o material delas é exclusivo. Ambas são fornecedoras de tubos. A exclusividade também foi a justificativa para contratar a BJ Services e a Schlumberger, responsáveis pela cimentação de poços de petróleo.

Até contratos como terceirização de pessoal dispensam concorrência. Em 2012, a Personal Services ganhou R$ 38 milhões sem disputa sob a alegação de emergência para oferecer apoio administrativo.*

(*) DIMMI AMORA – FERNANDA ODILLA – FOLHA DE SÃO PAULO

QUEM TEM…, TEM MEDO.

Nervoso e indeciso

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As tenebrosas relações de André Vargas com o doleiro Alberto Youssef vão além da camaradagem e generosidade com um jatinho, como VEJA mostrou no sábado.

Quando veio à tona a viagem de Vargas em um avião emprestado pelo amigo doleiro, Vargas fez-se de vítima, chorou e ameaçou renunciar .

E agora, com a revelação de que a dupla trabalhava junta para alcançar a independência financeira, Vargas entregará o mandato, subirá na tribuna de novo para defender-se do indefensável?

Muito nervoso, com a voz trêmula, Vargas foge da pergunta:

– Não sei, não sei. Ainda não decidi. Obrigado, obrigado.

A propósito, o líder do PT na Câmara, Vicentinho Alves, também não entrega o jogo sobre o que fará com o caso Vargas-Youssef.

Despista Vicentinho:

– Não posso dizer nada antes de ouvir a bancada. A gente vai se reunir hoje de tarde.

(*) Blog do  Lauro Jardim

JÁ FEDEU…

Montante equivale a quase um terço

do valor que foi gasto de 2011 a 2013

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Em suas justificativas, a estatal alega que o contratado era um fornecedor exclusivo ou que havia emergência

A Petrobras assinou pelo menos R$ 90 bilhões em contratos nos últimos três anos sem fazer qualquer tipo de disputa entre concorrentes, escolhendo, assim, o fornecedor de sua preferência.

O valor contratado sem licitação corresponde a cerca de 28% dos R$ 316 bilhões gastos pela Petrobras entre 2011 e 2013 com empresas que não pertencem à estatal ou que não são concessionárias de água, luz, entre outras.

As modalidades normalmente adotadas pela administração pública, como concorrência e tomada de preços, representam menos de 1% dos contratos da Petrobras. Em 71% dos casos, a forma de controle é mais branda, como carta-convite.

O levantamento da Folha foi feito em registros de extratos de contratos disponíveis da companhia. Eles apontam ainda que compras bilionárias, serviços previsíveis e outros sem complexidade foram dispensados de concorrência.

Em suas justificativas, a estatal alega, principalmente, que o contratado era um fornecedor exclusivo ou que havia uma emergência.

Para dispensar as disputas, a Petrobras se baseia num decreto de 1998 que lhe dá poderes para firmar contratos de forma mais simplificada que a prevista pela Lei de Licitações, promulgada em 1993.

Esse decreto usa os mesmos termos da lei –como concorrência, convite, dispensa, inexigibilidade– para classificar as formas de contratação. A principal diferença é que a estatal pode dispensar a disputa em compras de valores elevados, o que é proibido pela Lei de Licitações.

Desde 2010, a companhia briga na Justiça com o Tribunal de Contas da União, que a proibiu de contratar por esse formato. O TCU alega a necessidade de uma lei para que a estatal possa realizar os procedimentos simplificados.

Para continuar assinando contratos com base no decreto, a Petrobras se vale de uma decisão provisória (liminar) do Supremo Tribunal Federal, que lhe permitiu manter o procedimento até uma decisão definitiva da corte.

Em 2009, a análise dos contratos sem concorrência foi um dos focos da CPI da Petrobras no Senado, que acabou praticamente sem nada investigar. Caso vingue a instalação de uma nova CPI, em discussão no Congresso, essas contratações estarão na mira dos congressistas.

A análise dos contratos indica que o volume sem disputa começou a diminuir em 2012, com a chegada da nova diretoria da estatal comandada por Graça Foster.

Mas, como em 2013 também foram reduzidos os gastos totais da empresa, o percentual contratado sem concorrência voltou a aumentar e chegou a 30%.

No caso do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), por exemplo, chamam a atenção os valores: duas obras –R$ 3,9 bilhões e R$ 1,9 bilhão– não tiveram concorrência em 2011.

A Petrobras apresentou como justificativa para as obras das estações de tratamento de água e esgoto do complexo dessa refinaria, tocada por um consórcio liderado pela UTC Engenharia, falta de tempo hábil para uma disputa. As obras estão anunciadas desde 2006.

No caso da obra chamada Pipe Rack (suportes para tubulações), cujo consórcio é liderado pela Odebrecht, a Petrobras achou o preço da concorrência elevado e preferiu chamar um grupo de construtoras para fazê-la. Mas, como recebeu vários aditivos depois, a obra está mais cara que o previsto inicialmente.

Duas companhias, a Vallourec Tubos e a Confab Industrial, são contratadas em valores que ultrapassam os R$ 20 bilhões, sob a alegação de que o material delas é exclusivo. Ambas são fornecedoras de tubos. A exclusividade também foi a justificativa para contratar a BJ Services e a Schlumberger, responsáveis pela cimentação de poços de petróleo.

Até contratos como terceirização de pessoal dispensam concorrência. Em 2012, a Personal Services ganhou R$ 38 milhões sem disputa sob a alegação de emergência para oferecer apoio administrativo.*

(*) DIMMI AMORA – FERNANDA ODILLA – FOLHA DE SÃO PAULO

PEGO COM A BOCA NA BOTIJA

PT pressiona e André Vargas deve se licenciar

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O deputado paranaense André Vargas foi aconselhado pelo seu partido, o PT, a tirar licença da Câmara. Engolfado por uma torrente de evidências de que mantém relações monetárias com o doleiro preso Alberto Youssef, Vargas não se mostrou refratário à ideia. O petismo negocia com ele um afastamento do mandato por 90 dias.

O pretexto é o de dar tempo a André Vargas para se dedicar exclusivamente à sua defesa. O objetivo real é o de tirá-lo de cena para tentar evitar que a fervura que o consome se alastre para o partido e ofereça munição nova a adversários que já fustigam o governo com a CPI da Petrobras.

Para complicar, a superexposição de André Vargas é potencializada pela visibilidade do seu cargo e pela grandiosidade de suas ambições. Ele ocupa a vice-presidência da Câmara. E vinha se equipando para pleitear a presidência da Casa em 2015. No intervalo de uma semana, tornou-se uma cassação esperando para acontecer.

Nesta semana, os oposicionistas PSDB, DEM e PPS vão pedir formalmente o afastamento de André Vargas da Mesa diretora da Câmara. O tucanato planeja, de resto, representar contra ele na Comissão de Ética.

Confirmado, o pedido de licença represetará também uma tentativa de fuga. Sustenta-se no PT que, ausente, André Vargas não terá de responder a eventuais questionamentos.

Saindo por 90 dias evitaria a convocação do suplente. Pelo regimento da Casa, o substituto só assume o mandato quando o titular se ausenta por mais de 120 dias (4 meses). De resto, a licença de Vargas venceria em julho, mês em que a Câmara estará em recesso.

Antes da descoberta de suas relações com Alberto Yossef, André Vargas era apenas um folclórico defensor de mensaleiros. Virou um deputado inacreditável quando se descobriu que voara com a família de Londrina para a Paraíba, em férias, num jato pago pelo doleiro. Coisa de R$ 100 mil. Tornou-se um parlamentar inaceitável quando começaram a aportar no noticiário os grampos que a PF instalou nas comunicações etrônicas de Alberto Youssef.

“Acredite em mim. Você vai ver o quanto isso vai valer. Tua independência financeira e nossa também, é claro”, anotou Yossef numa mensagem-companheira que endereçou a André Vargas. A dupla prospectava negócios no Ministério da Saúde, então comandado por Alexandre Padilha, atual candidato do PT ao governo paulista.

“Tô no limite. Preciso captar”, escreveu o doleiro Yossef a André Vargas. E o vice-presidente da Câmara: “Vou atuar”. Youssef insistiu: “Me ajude. Preciso. Hoje vou na indústria. Visita dos técnicos do MS [Ministério da Saúde] às 14h30. Te informo depois como foi”.

André Vargas é, hoje, uma espécie de Demóstenes Torres da Câmara. Com duas diferenças: 1) no caso do senador cassado Demóstenes, o escárnio do relacionamento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira era inesperado. 2) diferentemente do PT, que tenta esconder o correligionário tóxico, o DEM expulsou Demóstenes dos seus quadros.*

(*) Blog do Josias de Souza

SÁBADO, 5 DE ABRIL DE 2014

O país avança

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As coisas melhoram. Antes, o deputado federal André Vargas, do PT, vice-presidente da Câmara dos Deputados, viajava de turboélice da FAB de Londrina para Brasília, às nossas custas, levando um séquito de assessores que carregavam sua mala e, num cabide especial, para não amassar, seu terno (aliás, levando-se em conta a elegância de Sua Excelência, deveria deixar o terno amassar à vontade. Pelo menos teria uma desculpa).

Agora continua viajando com comitiva, mas em jatinho pago por riquíssimo amigo doleiro. Antes ele do que nós.*

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet.

NUNCA SE ROUBOU TANTO…

AS MÃOS SUJAS

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Ao completar os 50 anos do golpe que instaurou o regime militar, por que eu só consigo enxergar a corrupção que tomou posse depois que a democracia foi conquistada?

Por que esse assunto não me sai da cabeça?

Por que não me saem da cabeça o Rosegate e o PetroBrasGate?

Por que quem denuncia o PetroBras Gate é de direita e quem locupleta os bolsos com ele é é herói da de esquerda ? Por que essa foto das mãos sujas acaba em pesadelos? Por que eu acho que perto do Delúbio, PC Farias era apenas um escoteiro cheio de esperteas?

Se eu tivesse juízo talvez não ficasse tão pê da vida, mas otário que sou não consigo mudar de assunto: a Petrobras com um rombo de 220 Bilhões de Dólares e as minhas ações valendo a metade do que paguei por elas; comprei-as com meu Fundo de Garantia que afundou e foi parar no fundo do poço, tapeado pelo governo.

Cada R$ 10 que investi, hoje valem R$ 5; não me canso de repetir. Mas não estamos sozinhos nessa treta da Petrobras.Miss Piggy também pisa em brasas com a CPI, que pode abrir a caixa preta, uma Caixa de Pandora: aberta, “the shit hit the fan” e vai voar porcaria fedorenta pra tudo quanto é lado.

Fica faltando abrir a do BNDES, que pode derrubar esta República e dar lugar a outra, quem sabe melhor do que esta, pior não pode haver.

No entanto, trama-se uma trama contra a CPI; as excelências estão armando uma comissão mista pra “investigar” e remover a trama. Adivinha quem vai ser a tropa de choque que vai controlar a PetrobrasGate?

Acertou.

Não adianta a gente imaginar que a queda da Miss Piggy nas pesquisas resultou numa valorização do papel pintado que são as ações da Petrobras.

Ao pensar nas minhas, revejo um documentário da Alemanha com pessoas empurrando carrinhos cheio de pacotes de dinheiro pra comprar um pão. O Kaiser parecia o Sarney e seu congelamento. Cheguei a rodar São Paulo inteira durante um domingo inteiro, atrás de duas latas de tinta “congeladas”, no câmbio negro, patriótica experiência.

As Mãos Limpas da Itália nunca pegaram aqui. Talvez os nossos juízes temam os donos das mamatas nas tetas da viúva e as bombas que podem explodir, como explodiram o carro de um juiz honesto, Giovanni Falcone.

Falcone havia convencido o ex-capo mafioso Tommaso Buscheta a quebrar o código de silêncio da máfia, a omertà”, abrir o bico e cantar.

Seu trinado foi a música de fundo para a queda de um governo e o apelido de “cidade da corrupção” dado a Milão. Poderia ser Brasília e ninguém notaria a diferença.

O juiz de lá, herói da luta contra as Mãos Sujas, morreu, mas as mãos se limparam um pouco e o país passou por uma faxina que não era jogada de marketing, era pra valer, não como a daqui, a faxina que foi sem nunca ter sido.*

(*) Neil Ferreira, publicado no Diário do Comércio, da Associação Comercial de São Paulo, capturado do blog do Ricardo Setti.

O DINHEIRO DELE É FÊMEA

ANDRÉ VARGAS FICOU RICO DESDE QUE ENTROU NA POLÍTICA

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PATRIMÔNIO DE ANDRÉ VARGAS AUMENTOU 50 VEZES EM APENAS DEZ ANOS

Desde sua primeira eleição para vereador de Londrina (PR), em 2000, até sua campanha para deputado federal em 2010, o deputado André Vargas fez crescer seu patrimônio 50 vezes, segundo revela reportagem do jornal O Globo deste sábado. Até entrar na política, em 2000, tudo o que o André Vargas tinha era um automóvel Monza 1993, avaliado em R$ 9mil, e a sociedade em três pequenas empresas, cujas cotas somavam R$ 2.100. Já ntre 2006 e 2010, ele comprou um terreno de 121 mil m² em Iboporã, por R$ 100 mil, além de mais uma casa e um lote em Londrina por R$ 21.563,47. Os tempos de Monza foram esquecidos e o deputado chegou às eleições de 2010 como proprietário de três caminhonetes: Toyota Hilux, GM Tracker e Hyundai Vera Cruz. Na mesma época, tornou-se dono de duas empresas, com capital social de R$ 23.500. De acordo com sua declaração, Vargas guardava R$ 56.211,17 na Caixa Econômica Federal. O patrimônio total declarado na eleição passada foi de R$ 572.050,54. Na próxima semana, o PSDB e também o DEM vão protocolar uma representação no Conselho de Ética da Câmara contra Vargas por quebra de decoro, por suas relações com um criminoso, o doleiro Alberto Youssef, que lhe pagou um o fretamento de um Learjet 45 para que ele viajasse coma família para suas férias em João Pessoa (PB). O PSOL já havia feito um pedido para que a Corregedoria da Casa investigasse o envolvimento do deputado com o doleiro, que foi arquivado ontem pela Secretaria Geral da Mesa Diretora.*

(*) Diário do Poder

A CASA DO TERROR

Senado quer colocar no TCU um senador denunciado no STF por desvio de verba

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A Praça dos Três Poderes é o pedaço de um Brasil muito distante, uma democracia lá longe, onde a anormalidade é normal. No momento, desenrola-se ali uma emboscada contra o interesse público. Os envolvidos se desobrigaram de maneirar.

Numa das laterais da praça, sob a cuia emborcada que esconde o miolo do Senado, trama-se a indicação do senador Gim Argello (PTB-DF) para o posto de ministro do TCU. Assentado à esquerda, o Planalto aplaude. À direita, o STF estranha.

O Supremo faz cara de espanto porque guarda em seus escaninhos meia dúzia de inquéritos contra Jorge Afonso Argello, vulgo Gim Argello. Num desses inquéritos, a Procuradoria Geral da República já ofereceu inclusive denúncia contra o senador.

Acusa-o de fraudar licitação (pena de 3 a 5 anos de cadeia, mais multa) e desviar verbas públicas à época em que presidiu a Câmara Legisaltiva do Distrito Federal (peculato, 2 a 12 anos de cana, mais multa). O processo aguarda desde 12 de setembro de 2013 pelo voto do relator, o ministro Gilmar Mendes.

Nos outros inquéritos, a lista de crimes atribuídos a Gim Argello faz dele um personagem apto para várias coisas, nada que se pareça com as atribuições de um ministro do TCU: apropriação indébita, corrupção (ativa e passiva), lavagem de dinheiro e crimes contra o patrimônio.

Se o nome de Gim Argello for aprovado pelos seus colegas, ele pode vir a ocupar duas cadeiras simultaneamente: a de ministro do Tribunal de Contas e a de réu no Supremo Tribunal Federal.

À condição de suposto profanador das arcas públicas, o senador agregará a credencial de guardião do erário. Repetindo: Gim Argello está na bica de acumular os papeis de julgador e suspeito, mocinho e bandido.

O apoio do Planalto não é passivo, mas ativo. Para facilitar a busca de Gim Argello por um prontuário novo, os ministros palacianos Aloizio Mercadante e Ricardo Berzoini negociaram com o PTB uma dança de cadeiras.

Presidente do PTB federal, o ex-deputado baiano Benito Gama deixa a vice-presidência de Governo do Banco do Brasil para pedir votos. Quer voltar à Câmara. Para o lugar de Benito, Dilma deve nomear o ex-senador Valmir Campelo, que acaba de se aposentar do TCU. Campelo sairia apenas em outubro, ao completar 70 anos.  Fechando o círculo, Gim Argello iria ao TCU.

Para que o despautério avance, o nome de Gim Argello terá de ser aprovado, por maioria simples, nos plenários do Senado e da Câmara. Considerando-se a omissão da banda muda do Congresso e atuação dos ministros do ex-PT, a chance de fazer o pior da melhor maneira possível é enorme.

O bom senso desaconselha o envio ao TCU de alguém ainda sujeito a múltiplas condenações judiciais. Mas, se o Congresso fosse feito à base de sensatez, talvez faltaria material.*

(*) Blog do Josias de Souza

DE CORRUPÇÃO, ELE ENTENDE TUDO…

Lula se reúne com Dilma e diz que é preciso evitar CPI

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Ex-presidente e sucessora traçam estratégia a fim de minimizar os danos das suspeitas que recaem sobre a compra de refinaria

Brasília – Em encontro de três horas, a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversaram nesta sexta-feira, 4, a sós sobre a crise política e a tentativa da oposição de instalar uma CPI da Petrobrás para fustigar o governo na campanha eleitoral. Lula avalia que o Palácio do Planalto deve fazer de tudo para segurar a CPI, considerada uma “arma” perigosa na direção de Dilma.

A reunião entre a presidente e seu padrinho político ocorreu em um elegante hotel da zona sul de São Paulo e foi a primeira depois que veio à tona a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, pela Petrobrás. O negócio é investigado pelo Ministério Público Federal e pelo Tribunal de Contas da União por suspeitas de superfaturamento.

Na avaliação de Lula, Dilma está na defensiva e precisa reagir, intensificando viagens para mostrar que o governo está fazendo. Para ele, a campanha começa a esquentar agora, porque, lém do senador Aécio Neves (PSDB-MG), Dilma terá em seu encalço o presidente do PSB, Eduardo Campos, que deixou o governo de Pernambuco nesta sexta.

Aécio e Campos serão adversários da presidente na disputa pelo Planalto e acertaram uma ofensiva conjunta para montar a CPI da Petrobrás. A estratégia do governo para inviabilizar a apuração do superfaturamento nos negócios da estatal consiste em apresentar sempre novos pedidos de CPI.

Após vários movimentos de idas e vindas do Planalto, a ideia agora é bater na tecla da necessidade de ampliar o foco das investigações – atingindo, por exemplo, o cartel do Metrô em São Paulo e denúncias de irregularidades no Porto de Suape, em Pernambuco -, para desgastar Aécio e Campos. Na prática, o governo conta com a proximidade da Copa e do calendário de campanha eleitoral para enterrar de vez a CPI.

Lula avalia que Dilma acabou puxando a crise para o Planalto quando disse que só votou favoravelmente à compra de Pasadena porque recebeu laudos incompletos sobre o negócio.

Na época, Dilma era ministra da Casa Civil e presidia o Conselho de Administração da estatal. Lula não gostou de ver sua sucessora praticamente apontando o dedo para José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobrás e indicado por ele para o cargo.

Sem avisar. A conversa desta sexta entre Dilma e Lula não constava da agenda presidencial. O compromisso só foi incluído ali à noite, quase cinco horas após ter ocorrido.

A portas fechadas, o ex-presidente mostrou a Dilma o roteiro que pretende percorrer nesse início de campanha, disse esperar que a cúpula do PT resolva os problemas para a montagem de palanques estaduais com o PMDB e prometeu ir logo a Pernambuco, Estado onde ele e Campos nasceram.

Dilma quer que o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), também participe do núcleo de sua campanha à reeleição, que é coordenada pelo presidente do PT, Rui Falcão, para ajudá-la na região Nordeste. *

(*) Vera Rosa e Tânia Monteiro – O Estado de S. Paulo

Sexta-feira, 4 de abril de 2014

Dilma e Lula se reúnem a sós em SP para discutir crise na Petrobras

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A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tiveram na tarde desta sexta-feira (4) o primeiro encontro para debater a crise da Petrobras.

A reunião aconteceu em um hotel da zona sul da capital paulista e, a portas fechadas, os dois discutiram a sós uma das principais polêmicas que acometeram o governo da petista.

Dilma aproveitou sua passagem por São Paulo –onde participou da inauguração de 2.508 moradias do Minha Casa Minha Vida no interior do Estado—, e fez uma parada estratégica na capital para a reunião com o antecessor.

Segundo sua assessoria de imprensa, a presidente sairia de São José do Rio Preto (a 438 km de São Pualo) por volta das 14h e seguiria direto para Brasília. No entanto, às 15h25 Dilma chegava ao hotel em São Paulo, 15 minutos depois de Lula.

DISCUSSÃO POLÊMICA

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O ex-presidente acredita que toda a energia do governo federal está sendo consumida com as denúncias sobre a Petrobras e a polêmica sobre a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

Lula dirá a Dilma que o governo não pode estar paralisado em ano de eleição e que a reação precisa ser rápida. Para ele, a condução da crise levou a polêmica para o centro do Palácio do Planalto e deu à oposição munição para atingir a imagem da presidente.

O encontro sem testemunhas é, segundo interlocutores de Lula e Dilma, para evitar qualquer vazamento de críticas ou explicações que um faça para o outro.

Após a reunião, a presidente retorna a Brasília, enquanto Lula segue para uma plenária do PT para promover a pré-candidatura de Alexandre Padilha, seu afilhado político, ao governo de São Paulo.*

(*) MARINA DIAS – ANDREIA SADI – FOLHA DE SÃO PAULO