ESTELIONATO ELEITORAL

A conspiração

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A nomeação de Levy para comandar a economia só faz sentido se eletiver total autonomia para aplicar seu receituário

Quer dizer, então, que não tem nada de mais ganhar uma eleição pela esquerda e governar pela direita? Pois é assim mesmo, não tem problema, andam dizendo por aí: Lula não fez isso no seu primeiro mandato? E não é que deu certo?

Deu mesmo. E com um personagem — Joaquim Levy, secretário do Tesouro de 2003 a 2006, campeão brasileiro de ajuste nas contas públicas — que está sendo chamado de volta para repetir a façanha. E promovido a ministro da Fazenda do segundo governo Dilma.

O serviço é mais difícil hoje. Começa que a presidente Dilma tem visão bem diferente em política econômica. Lula, no campo das ideias, é um pragmático. Funcionou, tudo bem. Já Dilma, economista formada, tem convicções firmes. E, falando francamente, opostas às de Levy, também ele muito seguro de suas convicções mais ortodoxas. Nas funções públicas (Fazenda, Planejamento, secretaria da Fazenda do Rio) sempre foi muito rigoroso na aplicação de seus pontos de vista.

Assim, a nomeação de Levy para comandar a economia só faz sentido se ele tiver total autonomia para aplicar seu receituário, cuja peça central é a busca do equilíbrio das contas públicas, com a redução do endividamento público. Ele já disse que o governo brasileiro deveria buscar a nota A das agências de classificação de risco — o que significa reduzir o déficit público nominal, a inflação e a taxa real de juros.

Sobre inflação, Levy declarou numa entrevista ao “Valor”: “Inflação de 6% a 6,5%, todo mundo concorda, é muito alta.” Nem todo mundo: a presidente Dilma diz sempre que a inflação está controlada e dentro da meta. Para ela, a meta está nos 6,5% atuais e que constituem o teto da margem de tolerância. Já Levy acha que a meta é 4,5%, que o BC deveria buscá-la com mais firmeza e, no futuro, reduzi-la para algo como 3 a 3,5%.

Se fosse para fazer mais do mesmo, Dilma não precisaria de Levy. E este, claro, não toparia a parada.

Logo, ao contrário do que diz formalmente, a presidente se convenceu ou foi convencida ou forçada a aceitar que a tal nova matriz econômica é um fracasso.

Mas tem também uma teoria conspiratória: os próximos dois anos serão difíceis. Poderão ser mais ou menos difíceis, conforme a política aplicada, mas não há como escapar de um aumento na taxa de desemprego, de juros mais altos, contenção de gastos públicos, desvalorização do real, inflação ainda alta. Mantida a política Dilma/Mantega do primeiro mandato, essas coisas aconteceriam na fatalidade, “à selvagem”, descontroladas. Portanto, um ajuste na marra, mais doloroso e mais longo.

Com Levy, se ele puder fazer sua política, o ajuste será organizado, controlado e, mais importante, com expectativas muito positivas. O mercado, os consumidores, os contribuintes, os investidores, todo mundo gosta de coisas claras e previstas. Como diz Levy, a meta para o equilíbrio das contas públicas pode ser qualquer uma, desde que seja bem simplesinha. Se precisar ficar explicando muito, não cola.

Ora, é exatamente o contrário que está fazendo o governo Dilma nos estertores do primeiro mandato. A meta de superávit primário era de R$ 116 bilhões, foi corrigida para R$ 80 bilhões, depois abatida para R$ 49 bilhões — e agora a base governista tenta aprovar no Congresso um projeto que elimina qualquer meta.

Por isso, aliás, os futuros ministros da Fazenda, Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, serão anunciados nesta quinta, mas não tomarão posse. Em vez de assumir com a avacalhação da meta fiscal, vão começar propondo outra meta, provavelmente com um programa de médio prazo de ajuste das contas públicas.

E se Levy não for confirmado?

Aí será um desastre. Tirante a esquerda, incluindo essa ala do PT, e economistas alinhados com o pensamento original de Dilma, os meios econômicos receberam com verdadeira animação a indicação de Levy, “vazada” pelo próprio Palácio do Planalto. Se não for ele, os mercados desabam, a confiança de consumidores e de investidores vai ao chão.

Tudo considerado, ao menos na partida, Dilma-15 repete Lula-03. Ortodoxia na política econômica, incluindo a senadora Katia Abreu no Ministério da Agricultura, que repete o Roberto Rodrigues do primeiro mandato de Lula. Para a esquerda, vão os ministérios sociais.

A questão que fica para ver na prática é a seguinte: o ministro Levy terá tanta autonomia e tanta habilidade política para comandar o ajuste quanto as teve o então ministro Palocci em 2003?

Esse é o teste.

E qual seria, afinal, a conspiração? Dilma teria chamado os ortodoxos para fazer o serviço sujo. Concluído o ajuste, em uns dois anos, quando o país estivesse pronto para voltar a crescer, chamaria de volta os velhos amigos.

(*) Carlos Alberto Sardenberg – O Globo

VAMPIRO GERENCIANDO BANCO DE SANGUE

Relator da CPI da Petrobras

ofereceu jantar a Costa

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Hoje relator da CPI mista da Petrobras, o deputado Marco Maia (PT-RS) ofereceu um jantar ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, delator da Operação Lava Jato, quando era presidente da Câmara dos Deputados.

O encontro ocorreu na residência oficial da Câmara em 2011 e, segundo aFolha apurou com advogados que acompanham a investigação, foi citado em um dos depoimentos que ele prestou à Justiça.

O deputado confirmou o evento à Folha. Segundo ele, o jantar foi solicitado pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras para tratar de assuntos gerais e institucionais sobre a estatal, em especial o marco regulatório do pré-sal” que, na época, era debatido na Câmara.

No cargo, Costa era responsável pela implantação de refinarias e produção de combustíveis.

Maia afirmou não ter “absolutamente nenhuma” relação com o ex-diretor e que não foi solicitado “nenhum favor nem se tratou de assuntos pertinentes a cargos na Petrobras” na conversa.

O deputado petista ressaltou ainda que, assim como Costa, o ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli foi recebido em “outra oportunidade”. “Convém salientar que, no caso específico, para atender o pedido do encontro, o horário do jantar foi o que permitiu a melhor acomodação na agenda”, disse.

Um segundo parlamentar do PT, o deputado federal Luiz Sérgio (RJ) não estava na lista de convidados do jantar, mas aceitou ficar para o evento a pedido de Maia.

Ele era ministro da Secretaria de Relações Institucionais do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff na época e estava na residência oficial para uma reunião “rotineira” com Maia.

Perguntado sobre o que trataram, a sua assessoria respondeu: “assuntos diversos, entre eles o pré-sal, tema bastante em voga na época”.

Sérgio também disse que não houve pedido algum ao ex-diretor e que não tem relação com Costa.

Em troca de aliviar sua pena, o ex-diretor da Petrobras afirmou em delação premiada que havia um esquema de pagamento de propina em obras da estatal e que o dinheiro abastecia o caixa de siglas como PT, PMDB e PP.

Costa compareceu à CPI mista em setembro, mas se recusou a responder questionamentos intercalando as frases “nada a declarar” e “me reservo no direito de ficar calado”, para preservar o acordo de delação premiada.*

(*) ANDRÉIA SADIDE , BRASÍLIA FOLHA DE SÃO PAULO

O BICHO VAI PEGAR

Procurador quer começar a

investigar políticos neste ano

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Janot diz que indícios oferecidos por delatores bastam para abrir inquéritos

Parlamentares citados como beneficiários de esquema só podem ser investigados com autorização do Supremo

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, espera abrir ainda neste ano os primeiros inquéritos para investigar políticos apontados como beneficiários do esquema de corrupção na Petrobras desvendado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Com o fim dos depoimentos do doleiro Alberto Youssef, que decidiu colaborar com a Justiça, Janot acha que já tem indícios suficientes para pedir a abertura de inquéritos contra parlamentares e autoridades que só podem ser investigados com aval do STF (Supremo Tribunal Federal).

Não há data certa para a apresentação dos pedidos, uma vez que os depoimentos de Youssef se encerraram na terça-feira (25) e ainda precisam ser homologados pelo relator do processo no STF, ministro Teori Zavascki. Autoridades que acompanham o caso acreditam que esse processo deve levar cerca de 15 dias.

Segundo a Folha apurou, com os depoimentos do doleiro e do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que também colabora com a Justiça, Janot entende que já é possível ter uma visão global dos crimes, principalmente o de corrupção, não sendo necessário aguardar outras delações ainda em curso ou sendo negociadas para dar início aos processos no Supremo.

Costa e Youssef apontaram dezenas de políticos como beneficiários do esquema de corrupção na Petrobras, incluindo deputados, senadores, ministros e governadores, mas a maior parte dos nomes não veio a público ainda, porque os depoimentos são sigilosos.

Políticos ligados ao PT, ao PMDB, ao PP e até ao oposicionista PSDB foram mencionados nas delações, segundo a Folha apurou. Entre os parlamentares que teriam recebido propina, Costa citou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), de acordo com a revista “Veja”. Os dois negam a acusação.

A ideia de Janot é abrir vários inquéritos, e não um só. Alguns podem envolver mais de um político, se houver ligação entre sua atuação e a de outros políticos. Pessoas sem foro privilegiado no STF, mas associadas aos mesmos crimes, deverão responder no Supremo também, como ocorreu no caso do mensalão.

Mas o procedimento da Procuradoria será diferente do adotado pelo Ministério Público no mensalão, que juntou todos os acusados numa única denúncia e criou o maior processo da história do Supremo, paralisando a pauta do tribunal durante meses.

Com a dinâmica de Janot, será possível analisar inquéritos e eventuais ações penais isoladamente, o que deve agilizar o julgamento dos casos.

BOA-FÉ

Janot enviou nesta terça-feira ao STF pareceres sobre dois processos em que acusados de participar do esquema de corrupção tentam retirar o caso da Justiça Federal do Paraná, onde estão as investigações sobre doleiros, empreiteiros e outras empresas com negócios na Petrobras.

Como há políticos citados nas delações, a defesa de Murilo Barrios, sócio de um fornecedor da Petrobras, a Sanko Sider, pediu que atos do juiz federal Sergio Moro sejam considerados nulos e revogadas as prisões. Para os advogados, somente o STF poderia atuar no processo.

Pedido semelhante foi feito pela defesa de Waldomiro de Oliveira, um empregado de Youssef. Em seus pareceres, Janot afirma que os depoimentos que citam políticos não foram usados nos processos na Justiça Federal e diz que todos os acusados têm o direito a defesa assegurado.

Para Janot, “desborda da boa-fé objetiva” a intenção de retirar do juiz Moro os processos. Caberá ao ministro Teori Zavascki, relator do caso no STF, decidir se os processos seguirão ou não na primeira instância da Justiça Federal.

Janot também se opôs a um pedido da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que pediu ao STF acesso aos depoimentos de Costa e Youssef.*

(*) SEVERINO MOTTADE,  BRASÍLIA – FOLHA DE SÃO PAULO

PETRORROUBALHEIRA

FIM DE PAPO: EMPREITEIRAS CONFIRMAM

OS PAGAMENTOS A YOUSSEF

Três empreiteiras do cartel que atuava nas obras da Petrobras confirmaram à CPI mista terem feito repasses a empresas ligadas ao doleiro Alberto Youssef e a Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal. Nenhuma delas admite nos documentos enviados à comissão que os valores são referentes a pagamento de propina.

A Galvão Engenharia informa ter repassado R$ 5,1 milhões à MO Consultoria, empresa de fachada controlada por Youssef, segundo a Polícia Federal. O montante foi dividido em 12 depósitos, de valores distintos, feitos entre agosto de 2008 e outubro de 2011.
A empreiteira não esclarece quais os serviços prestados pela MO. Justifica que tais informações foram prestadas pelo executivo da empresa, Erton Medeiros Fonseca, em depoimento à Polícia Federal do Paraná. À PF, porém, Erton já admitiu ter pago propina a Paulo Roberto Costa e a Youssef.
A Camargo Corrêa comunicou à CPI 21 transferências no valor total de R$ 3 milhões à Costa Global Consultoria, de Paulo Roberto Costa. Os pagamentos ocorreram de outubro de 2012 a dezembro do ano passado.Sob justificativa de que a investigação corre sob sigilo na Justiça Federal do Paraná, a Camargo não detalhou os termos do contrato com a Costa Global. 

A Engevix fez negócios com três empresas ligadas a Alberto Youssef: MO Consultoria; Empreiteira Rigidez; e GFD Empreendimentos, conforme documentos entregues à CPI.

Como líder do consórcio Rnest, responsável por obras na refinaria Abreu e Lima, a Engevix firmou contrato de R$ 5,7 milhões com a MO Consultoria, em 2009, e de R$ 2,1 milhões com a GFD, em janeiro deste ano.

De acordo com a Engevix, o serviço era prestado por Alberto Youssef e “devidamente formalizado por contrato de prestação de serviços com empresas por ele indicadas”.

As consultorias, segundo a Engevix, miravam “elaboração da estratégia organizacional, recomendações sobre como encaminhar demandas e formular propostas ao cliente (…), sugestões acerca de como encaminhar as inúmeras exigências e demandas vindas da Petrobras”.

Youssef é acusado de cobrar propina em conjunto com Paulo Roberto Costa, que ocupava a diretoria de Abastecimento da Petrobras. Já como líder de outro consórcio, o Integradora URC, a Engevix contratou a Rigidez por R$ 4,8 milhões, em outubro de 2009.

As informações referentes a esses e outros pagamentos foram requisitadas pelos parlamentares da CPI a empresas suspeitas de participar do esquema de corrupção na estatal.*

(*) Folha de São Paulo

TERRA ARRASADA

LEVY VAI HERDAR UM ROMBO DE

R$ 100 BILHÕES NO ORÇAMENTO

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A nova equipe econômica do governo Dilma Rousseff terá como primeiro desafio equacionar um rombo no Orçamento de 2015 que, a partir das mais recentes estimativas oficiais, ronda a casa dos R$ 100 bilhões.

Equivalente a quatro anos de Bolsa Família, o montante resulta de receitas potencialmente superestimadas pelo Executivo e pelo Congresso no projeto orçamentário para o próximo ano.

A previsão de arrecadação terá de ser revista para baixo, o que forçará cortes de despesas ou uma meta fiscal mais realista –ou, dadas as dimensões da revisão necessária, uma combinação das duas providências.

Tradicionalmente, a receita do ano seguinte é calculada a partir da estimativa da receita do ano corrente, além da inflação e do crescimento econômico esperados.

Na sexta-feira (21), a área econômica admitiu, na prática, que as expectativas para 2014 estavam exageradas: a projeção para o ano foi reduzida em R$ 38,4 bilhões, para R$ 1,046 trilhão, já descontadas as transferências para Estados e municípios.

Numa conta simples, considerando uma inflação de 6,5% e a expansão econômica de 0,8% projetada pelos analistas de mercado, a receita do próximo ano chegaria a algo como R$ 1,123 trilhão.

RECEITA SUPERESTIMADA

O projeto de Orçamento, porém, conta com R$ 1,217 trilhão –e, para acomodar despesas de interesse de deputados e senadores, o Congresso já recalculou o montante para R$ 1,236 trilhão.

É evidente que os cálculos são sujeitos a imprecisões, assim como as hipóteses para o comportamento dos preços e da economia.

Mas a discrepância entre os montantes é grande o bastante para inviabilizar a meta fiscal de 2015, que é poupar pelo menos R$ 86 bilhões para o abatimento da dívida pública.

O objetivo é modesto se comparado a resultados dos governos Lula e FHC, mas trata-se de um salto em relação a este ano, quando a poupança deverá ficar próxima ou até abaixo de zero.

No mesmo documento em que reduziu a previsão de receita deste ano, a administração petista já deu os primeiros passos para a revisão do próximo Orçamento.

A expectativa de crescimento econômico do ano que vem caiu de 3% para ainda otimistas 2%.

CREDIBILIDADE

Ao buscar nomes de perfil mais ortodoxo para sua equipe, o governo Dilma indica que pretende recuperar a credibilidade da política fiscal, que desde 2012 descumpre as metas prometidas –ou cumpre à base de manobras contábeis e brechas legais.

A superestimação do crescimento da economia e da arrecadação tem sido usual nesse período, assim como a subestimação de despesas obrigatórias. No projeto de Orçamento de 2015 também há gastos que podem ser revistos para cima.

Segundo estudo elaborado pela consultoria orçamentária da Câmara dos Deputados, isso deve acontecer nos benefícios previdenciários, no seguro-desemprego e no abono salarial.

A previsão de desembolso com esses programas neste ano foi elevada em R$ 16,8 bilhões sexta-feira. Logo, as projeções para 2015 foram feitas a partir de uma base subestimada. Nesse caso, o corte de outras despesas, como investimentos em infraestrutura, terão de ser ampliados.*

(*) Gustavo Patu – Folha de São Paulo

ABAIXO A CENSURA

STF arquiva pedido do PT

contra a revista Veja

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O ministro Teori Zavascki, do STF, arquivou pedido do PT contra Veja. O partido queria a abertura de inquérito contra a revista para apurar o vazamento de informações atribuídas a Alberto Youssef, ouvido pela Polícia Federal em procedimento sigiloso de delação premiada. De acordo com a revista, o doleiro da Lava Jato disse no interrogatório que Dilma Rousseff sabia da corrupção na Petrobras.

Ouvido, o procurador-geral da República Rodrigo Janot opinara a favor do arquivamento da petição. Argumentara que não se sabe se o responsável pelo vazamento tem ou não prerrogativa de foro, pré-condição para ser processado no STF —“o que, por si só, impede a instauração de inquérito perante esta Corte.” O PT também solicitara a oitiva do repórter de Veja e o acesso ao depoimento de Youssef. Tudo arquivado*

(*) Blog do Josias de Souza

ELES “NÃO SABIAM”, É?

Ministro do STJ diz que nenhum outro país ‘vive tamanha roubalheira’, sobre Petrobras

Outro colega do tribunal afirmou que a corrupção no Brasil é uma das ‘maiores vergonhas da humanidade’

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BRASÍLIA – O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Newton Trisotto, relator do julgamento que manteve preso homem apontado pela Polícia Federal (PF) como operador de Youssef no exterior nesta terça-feira, disse que a corrupção brasileira é “uma das maiores vergonhas da humanidade”. Já o ministro Felix Fischer cogitou que nenhum outro país viveu “tamanha roubalheira”. A 5ª Turma da Corte decidiu por unanimidade manter a prisão de João Procópio de Almeida Prado.

– A corrupção no Brasil é uma das maiores vergonhas da humanidade – afirmou o relator Newton Trisotto, em uma sessão de discursos fortes. O ministro também ressaltou a extensão que está tomando a Operação Lava-Jato, ao revelar cifras bilionárias.

A defesa de João Procópio – apontado como homem de confiança de Youssef fora do Brasil, e preso em julho – alegou que a prisão havia sido cumprida sem requisitos legais. Ou seja, diziam que a prisão havia sido fora da lei, e que deveria ser revogada.

– Pelo valor das evoluções, algo gravíssimo aconteceu – disse Trisotto.

Trisotto, acompanhado pelos outros ministros, negou essa tese, e qualificou o papel de João Procópio no esquema como “fundamental”.

– Prado assumia papel relevante no esquema, controlava contas de Youssef no exterior. Foi fundamental para controlar dinheiro de origem ilícita – afirmou o relator. Com essa decisão unânime, o STJ reforçou a posição do juiz federal Sérgio Moro, que conduz a Operação Lava-Jato e vem sofrendo duros ataques de advogados.

O ministro Felix Fischer, ex-presidente do STJ, classificou a corrupção no Brasil entre as maiores do planeta:

– Acho que nenhum outro país viveu tamanha roubalheira – afirmou Fischer.

O relator Newton Trisotto pediu ainda “coragem” para o juiz Sérgio Moro. Trisotto citou o jurista Ruy Barbosa ao dizer que um juiz não pode ser “covarde”.

– Não há salvação para o juiz covarde. O juiz precisa ter coragem para condenar ou absolver os políticos e os economicamente poderosos – declarou o relator.

(*) EDUARDO BARRETTO – O GLOBO

À BEIRA DO ABISMO

O governo Dilma e o rombo

das contas públicas

No acumulado de janeiro a agosto, o superávit primário foi de míseros
4,7 bilhões de reais, 0,14% do Produto Interno Bruto (PIB).

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O relatório de avaliação de receitas e despesas aponta o descaso do governo federal com a situação fiscal. É por essa razão que a presidente Dilma Rousseff pressiona o PT e demais aliados no Congresso para que votem logo o projeto de lei que abandona a meta fiscal. Isso deverá acontecer hoje.

O documento com as despesas primárias até o quarto bimestre revela déficit de 30,8 bilhões de reais em agosto e setembro – os dois meses que antecederam a reeleição de Dilma.

Para o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), os números provam como o governo é leniente com a situação fiscal do país.

Números apresentados pelo deputado revelam que cinco dos oito meses anteriores a setembro apresentaram déficit primário: fevereiro (3,1 bilhões de reais), maio (10,5 bilhões de reais), junho (1,9 bilhão de reais) e julho (2,2 bilhões de reais). Tiveram superávit janeiro (12,8 bilhões de reais), março (3,2 bilhões de reais) e abril (16,6 bilhões de reais).

“Isso caracteriza uso indevido da máquina pública na campanha. Não podia ter defasagem que acumula 31 bilhões de reais”, critica Caiado, eleito senador por Goiás.

Na opinião de Caiado, não é por acaso que o governo está desesperado para aprovar o projeto que rasga a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

No acumulado de janeiro a agosto, o superávit primário foi de míseros 4,7 bilhões de reais, 0,14% do Produto Interno Bruto (PIB). A meta era 39,2 bilhões de reais.

Com o resultado de agosto, ficou inviabilizado o cumprimento da meta para 2014: 80,8 bilhões de reais. O governo precisaria economizar entre setembro e dezembro 76,1 bilhões de reais para atingir a meta. Impossível.

Nas alquimias contábeis do PT, foi considerado como receita o controverso saque do Fundo Soberano no valor de 3,5 bilhões de reais para suavizar o resultado negativo das contas.

Para encerrar um ano desastroso, a economia brasileira crescerá menos de um por cento.*

(*) Gabriel Garcia, no blog do Noblat

INCOMPETÊNCIA GERENCIAL

 problema econômico é da doutora

Se Dilma Rousseff assumir a Presidência, dispensando-se das funções de
ministra da Fazenda, algo de bom pode acontecer.

A maior injustiça que se pode cometer com Guido Mantega é atribuir-lhe alguma participação no mau estado da economia nacional. Desde a implosão de Antonio Palocci, em 2006, esse cargo foi ocupado por Dilma Rousseff. Primeiro ela foi uma poderosa chefe da Casa Civil. Depois, acumulou o ministério com as funções de presidente da República. Como ela mesma anunciou em sua campanha, “governo novo, ideias novas”. Quais são as ideias, não se sabe direito, mas, se ela não tiver ministro da Fazenda, o que vem por aí será mais do mesmo.

Pode-se deixar de lado as grandes decisões de política econômica, pois quem foi eleita foi ela. Antes dos macroproblemas há outro, simples e essencial. O presidente preside e o ministro segue suas decisões. Se aquilo que o ministro quer fazer não confere com os desejos do presidente, ele é mandado embora. Se o mandam fazer o contrário do que foi combinado, é ele quem pede o chapéu. Desde que Pedro Malan deixou o Ministério da Fazenda essa escrita foi rompida. Detonado numa breve polêmica com a doutora, Antonio Palocci foi ficando, até que acabou perdendo o cargo por motivos estranhos ao desempenho econômico do governo. Guido Mantega substituiu-o e também foi ficando.

Durante os oito anos em que Pedro Malan foi ministro da Fazenda, toureou divergências internas do tucanato com uma bala de prata encostada na têmpora e o dedo no gatilho. Em diversas ocasiões mostrou ao presidente Fernando Henrique Cardoso que podia ir embora. Um desses episódios mostra como o tempo passa e a discussão é a mesma. Malan era conhecido pela sua retranca e o ministro do Desenvolvimento, Clóvis Carvalho, disse num evento público que “desenvolvimento tem que se traduzir em renda e emprego”. Mais: “O ministro Malan concorda comigo. Dá, sim, para arriscar mais, para ousar mais. (…) Apressar o passo na retomada do crescimento não trará o apocalipse. E o excesso de cautela, a essa altura, será outro nome para a covardia.”

Malan estava na cena e ouviu calado. Dois dias depois Carvalho foi mandado embora. Se ele não fosse, Malan iria. Em outras ocasiões, até mesmo em episódios menores, porém demarcadores de território, Malan mostrou a bala de prata a FH.

Olhando-se para a biografia de Malan, sabe-se que é um homem frio e elegante. Jamais sairia batendo a porta, mas também não ficaria ficando. O mérito da sua permanência no ministério esteve no fato de que Fernando Henrique era presidente da República e estava entre as suas atribuições a administração de divergências na equipe. Tendo sido ministro da Fazenda, desencarnou.

Um ministro que trabalhe com um olho nas contas e outro no comissário Aloizio Mercadante ou nos conselheiros avulsos do Alvorada é receita certa para o desastre. No caso atual, essa dificuldade se agrava. Quem viu nas palavras de Clóvis Carvalho alguma semelhança com o que disse a doutora Dilma durante a campanha não deve achar que está diante de uma coincidência. O pensamento é o mesmo, pode ter variado apenas a sinceridade.

Se Dilma Rousseff assumir a Presidência, dispensando-se das funções de ministra da Fazenda, algo de bom pode acontecer. Do contrário, no fim do ano que vem é possível que haja gente com saudades de Guido Mantega.

(*) Elio Gaspari  –  O Globo