VIVA A VAIA

COM MEDO DE VAIAS, PRÉ-CANDIDATOS
EVITAM APARIÇÕES NA COPA
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PRÉ-CANDIDATOS SÃO ORIENTADOS A SUBMERGIR DURANTE JOGOS DO MUNDIAL

Para evitar imprevistos e constrangimentos, os três principais pré-candidatos a presidente da República optaram pela discrição durante a Copa no Brasil. A começar pela presidente Dilma, que reduzirá ao máximo a participação no evento. Na abertura, na quinta (12), não haverá discurso. Do alto da tribuna de honra da Arena Corinthians, em São Paulo, Dilma assistirá à cerimônia oficial de início do Mundial e se limitará a declarar “aberta a Copa do Mundo de Futebol Fifa 2014″. As vaias, neste momento, são consideradas “certas” e “já estão na conta” do Planalto. Ainda assim, seriam menos problemáticas que a vaia da abertura da Copa das Confederações, no ano passado.

Pelo mesmo motivo, Dilma não deve entregar a taça ao time campeão, no Maracanã, em 13 de julho. A decisão ainda pode ser revista, a depender do andamento da competição. A modelo Gisele Bündchen foi sondada para a função, mas já teria decidido recusar o convite da Fifa.  Além disso, Dilma não vai aceitar o convite da chanceler alemã, Angela Merkel, e do primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, para ver em Salvador, no dia 16, Alemanha e Portugal. A presidente vai encontrar a colega em Brasília na véspera.

Mesmo distante dos estádios, Dilma terá agenda cheia durante a Copa. A presidente vai continuar viajando para entregar obras de mobilidade urbana pelo País, pelo menos uma vez por semana. O objetivo é reforçar o discurso de que esses empreendimentos não são destinados exclusivamente para a Copa, e sim para atender à população em geral.

Oposição

O pré-candidato à Presidência pelo PSDB, senador Aécio Neves (MG), também deve adotar uma postura mais discreta na primeira fase dos jogos da Copa e deve acompanhar in loco só os jogos disputados em Minas, seu reduto eleitoral.  No jogo de abertura, a previsão é de que o tucano esteja em companhia da mulher, Letícia Weber, grávida de gêmeos e internada em um hospital no Rio de Janeiro. Já na segunda partida da seleção, o senador deve reunir amigos e ex-jogadores em um restaurante na capital mineira.

Para o terceiro jogo da primeira fase, a agenda está indefinida. Apesar de evitar as arenas num primeiro momento, integrantes da coordenação de campanha do PSDB não descartam que Aécio vá aos jogos da segunda fase, quando o Brasil poderá jogar as oitavas de final ou a semifinal no Mineirão.

No QG da campanha do pré-candidato Eduardo Campos (PSB), a ordem é não “instrumentalizar” a competição. Fora dos horários de jogos da seleção, Campos manterá uma agenda ativa, mas longe dos estádios. Nos dias em que o Brasil jogar, ele deve acompanhar as partidas discretamente, ao lado da família.

A equipe de Campos alega que, em campanhas anteriores, o ex-governador de Pernambuco nunca se aproveitou do futebol para atrair o eleitorado – o pré-candidato do PSB torce pelo Náutico, mas não tem o hábito de frequentar estádios. Sua vice de chapa, a ex-ministra Marina Silva, é avessa ao esporte e tampouco pretende assistir aos jogos in loco.

Campos manterá compromissos de campanha durante a competição e aproveitará para negociar palanques estaduais e trabalhar na conclusão do programa de governo do PSB. O foco do pré-candidato será a convenção do partido, marcada para o fim deste mês. A comunicação da campanha do PSB é contra a exposição do pré-candidato durante os jogos e informa que não divulgará imagens de Campos torcendo pela seleção brasileira. *

(*) Agência Estado

HERANÇA MALDITA…

Ainda em obras, Cuiabá

aposta em legado pós-Copa

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A poucos dias da Copa do Mundo, o projeto ambicioso do governo do Mato Grosso para Cuiabá continua em construção. A preparação da capital, que sediará sua primeira partida – entre Chile e Austrália – no dia 13 de junho, foi marcada por atrasos e problemas nos projetos das obras.

Agora, o governo estadual e a prefeitura correm para conseguir entregar, pelo menos parcialmente, algumas das obras essenciais e intervenções de emergência que permitam o trânsito dos visitantes em meio aos canteiros de trabalho.

Apenas cerca de 35% das 56 obras do pacote de mobilidade urbana prometido pelo governo estadual foram concluídas até a última sexta-feira, segundo a Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa) do Mato Grosso.

Em meio à corrida para entregar obras essenciais e diminuir o transtorno causado pelas cerca de 30 frentes de trabalho ainda abertas na cidade, o secretário da Secopa, Maurício Guimarães, afirma que todas as construções restantes serão finalizadas até o dia 31 de dezembro deste ano, quando termina o mandato do governo estadual.

“Sem dúvida são muitas obras, mas foi o momento de conseguir recursos para fazê-las”, disse Guimarães, por e-mail, à BBC Brasil.

“Tivemos dificuldades que trouxeram atrasos, como mão de obra, ajustes de projetos, foi a primeira vez que passamos por um processo de desapropriação tão grande. Mas superamos esses problemas. Não iremos parar. As obras continuam e terminam até o final do ano.”

Especialistas, no entanto, criticam o que dizem ser falta de planejamento e problemas na gestão das obras.

“Lá em novembro, quando fizemos os relatórios (da vistoria de algumas obras) que foram entregues em janeiro, nós já identificávamos que muitas das obras não iam ficar prontas”, disse à BBC Brasil André Schuring, coordenador da câmara de engenharia civil do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) do Mato Grosso.

“Não adianta dizer que vai ficar pronto no final de dezembro, porque engenharia não é desejo. Se continuar neste ritmo, não vai”, afirmou.

Desvios

A situação do aeroporto internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande (cidade da região metropolitana de Cuiabá) é sintomática dos problemas enfrentados pela capital mato-grossense nos últimos anos. As obras de ampliação, que eram conduzidas pela Infraero, foram assumidas pelo governo estadual em 2011, sob a promessa de serem concluídas até a Copa, mas ainda estão em curso.

Na última semana, foram abertos os novos terminais de embarque e desembarque, que estão em fase de testes, mas a chegada à cidade ainda é marcada pelo barulho de operários trabalhando nas instalações internas do local.

Placas em obra em Cuiabá | Foto: Camilla Costa/BBC BrasilObras da Copa em Cuiabá foram marcadas por atrasos e críticas de especialistas

Ao sair do aeroporto, os transtornos causados pelo trecho inicial da obra do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) na estrada que leva a Cuiabá também serão difíceis de contornar ou esconder. Para desviar do canteiro de obras, os motoristas precisam passar por dentro de bairros carentes de Várzea Grande e enfrentar engarrafamentos maiores do que o habitual nos horários de pico.

A obra do VLT atravessa algumas das principais avenidas da cidade. Nestes trechos, assim como nas demais obras em andamento, a prioridade agora é liberar vias de trânsito que foram obstruídas pelas escavações, encobrir trechos mais expostos das obras e replantar canteiros destruídos.

O VLT, que custará R$ 1,4 bilhão ao Estado, causou polêmica entre engenheiros e especialistas. O Ministério Público do Mato Grosso chegou a contestar judicialmente a escolha do modal em detrimento do BRT (sistema de ônibus rápidos), mas perdeu o recurso.

“Nós já havíamos feito um levantamento com técnicos de que essa obra não ficaria pronta para a Copa do Mundo. Isso era claro desde o início. E também questionávamos o volume de recursos que seriam aplicados nessa obra”, disse o promotor de Justiça Carlos Eduardo Silva, membro do grupo de fiscalização das obras da Copa do Ministério Público do Mato Grosso, à BBC Brasil.

Dos 22 km de trilhos que deverão estar distribuídos pela cidade, apenas 300 metros foram implantados até o momento. O secretário da Secopa, Mauricio Guimarães, garante que o VLT será concluído no dia 31 de dezembro, quando termina o mandato do governo atual, assim como todas as outras obras.

“Ele (o VLT) não entrará em operação logo em seguida, porque há o período de testes, quando os trens andam sem usuários. Estão previstos entre 60 e 90 dias antes que seja utilizado de forma plena. Ou seja, no primeiro semestre do ano que vem esse novo modal das cidades de Cuiabá e Várzea Grande estará funcionando”, disse Guimarães.

Projetos básicos

A trincheira Santa Rosa, em frente ao hotel onde a delegação da Fifa se hospedará na cidade, começou ainda em 2012, mas “surpresas” durante a execução da obra causaram atrasos. Durante as escavações, foi encontrada uma adutora de água de responsabilidade da CAB Cuiabá. A tubulação não estava discriminada no projeto inicial e teve que ser removida.

Segundo o promotor Carlos Eduardo Silva, problemas como este foram comuns nos projetos utilizados para a maioria das obras.

“A Secopa tentou aproveitar alguns projetos, alguns planos urbanísticos já existentes no planejamento do município de Cuiabá, como no caso das trincheiras em avenidas, mas esses projetos eram inconsistentes, não eram projetos bem acabados”, afirma.

“Isso foi um problema sério e denota uma falta de planejamento. Mas durante a execução das obras houve problemas de gestão também. Eram muitas obras e houve um certo atropelo no acompanhamento delas.”

A Secopa reconhece que algumas das obras foram licitadas ainda como projetos básicos e que isso atrapalhou o cumprimento dos cronogramas de trabalho. No entanto, o secretário Mauricio Guimarães afirma ter “orgulho” de um trabalho que pretende “recuperar 30 anos sem investimentos” com a ajuda do Mundial.

“Com certeza tivemos erros e acertos durante o processo. Mas uma coisa ficará. Cuiabá e o Estado de Mato Grosso estão prontos para sediar grandes eventos mundiais. Estamos dentro desse mapa de grandes eventos a partir de agora”, afirmou.

Durante os jogos da primeira fase em Cuiabá, as obras serão interrompidas e devem ser retomadas a partir do dia 25 de junho.*

(*) Camilla Costa, BBC Brasil

A EXEMPLO DO MALUF, “NÃO É DELE”

Ricardo Teixeira tem R$ 100 milhões

em Mônaco

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Ricardo Teixeira, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol, tem mais de € 30 milhões depositados numa conta secreta aberta em casa bancaria de Mônaco. Em moeda brasileira, a cifra corresponde a cerca de R$ 100 milhões. Sua existência foi noticiada pelo jornal eletrônico francês Mediapart e ecoada pelo repórter Jamil Chade, do Estadão.

De acordo com a publicação francesa, Ricardo Teixeira é personagem de investigação sobre lavagem de dinheiro aberta por autoridades de Mônaco contra um banco chamado Pache. Trata-se de uma filial do grupo Credit Mutuel. O juiz que cuida do caso chama-se Pierre Kuentz.

O Mediapart reproduz trechos de grampos que constam do inquérito. O nome de Teixeira soa na voz de um dos grampeados, Jürg Schmid, diretor do banco Pache. “Eu não quero ter de ficar explicando a situação a todos”, diz ele num trecho. “Quando se faz barulho interno e externo, nós estaremos na rua.”

Schmid prossegue: “Nós, do banco Pasche, temos uma situaçãoo em que devemos provavelmente aceitar clientes que outros bancos certamente não aceitam”, disse, antes de reconhecer: “Eu tenho um, o grande brasileiro.”

Vale a pena ouvir mais um pouco de Schmid: “Eu sei muito bem que nenhum outro banco de Mônaco queria abrir uma conta dele. Agora, ninguém o quer porque se trata verdadeiramente de uma fria. Mas nós fizemos tudo, já que temos a declaraçãoo de impostos e a declaração dos tribunais, que dizem que ele não foi condenado. Portanto, existe um risco de reputação”

Numa referência à suposta origem do dinheiro atribuído a Ricardo Teixeira, o diretor do banco afirma: “Sabemos que ele recebeu dinheiro em troca de favores, mas não são políticos. Decidimos juntos que nós o receberíamos, porque ele nos traz € 30 milhões. E isso não é pouco.”

O jornal eletrônico francês anota que Texeira tem viajado amiúde para Mônaco. Apenas neste ano de 2014, ele esteve no principado em janeiro, fevereiro, abril e maio. Em cada viagem, permaneceu entre doi e três dias. Hospedou-se num hotel requintado: o Metropole. A conta é paga pelo banco Pasche, que fica a poucos metros do hotel.*

(*) Blog do Josias de Souza

A VACA JÁ FOI PRO BREJO

Mal me quer

000 - padilha - a vaca brejo

A presidente Dilma está especialmente preocupada com a candidatura do petista Alexandre Padilha ao governo de São Paulo. Ele acabou ficando isolado. Perdeu o PDT, potencial aliado, para o PMDB de Paulo Skaf; e não ganhou o PR. O usineiro Maurilio Biagi Filho, filiado ao PR, havia começado conversas, mas acabou desistindo.

A avaliação do comando da campanha de Dilma é que Padilha está fragilizado eleitoralmente neste momento, o que pode afetar o desempenho de Dilma em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. Enquanto isso, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) trabalham para entrar no estado.*

(*) Blog do Ilimar Franco

DE PONTA CABEÇA

Um mau momento

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BRASÍLIA – Durante meses em 1989 ouvi de marqueteiros de Ulysses Guimarães que sua candidatura a presidente decolaria após o horário eleitoral. Ele era honesto. Havia comandado a elaboração da nova Constituição. Seu apelido, “senhor Diretas”. Tudo verdade. Sem contar o principal: Ulysses teria o maior tempo de TV disponível.

O resto é história. Ulysses amargou o sexto lugar na eleição presidencial de 1989. Teve meros 4,7% dos votos válidos. Não empolgou os brasileiros. O PMDB o abandonou. Havia um desejo de mudança no ar. Dois novatos foram ao segundo turno –Fernando Collor e Lula.

Dilma Rousseff não é Ulysses Guimarães. O Brasil de 2014 não é o de 1989. O PT não é o PMDB. Mas o fato é que as coisas começam a andar mal para a petista. As análises ouvidas são as de sempre: ela é honesta, o país melhorou e após o horário eleitoral vai deslanchar.

Na política vale a mesma explicação usada sobre tragédias aeronáuticas. Um avião nunca cai apenas por um motivo isolado, mas por causa de um conjunto de erros. O desastre decorre de uma sucessão de equívocos, desídia e falta de atenção.

É assim numa campanha eleitoral. A presidente da República negligenciou durante seus três primeiros anos de mandato certos protocolos básicos. Não recebeu políticos de maneira regular e orgânica. Evitou o quanto pode entrevistas nas quais poderia ter sido submetida ao contraditório. Há inúmeros exemplos. A pesquisa Datafolha de ontem é a consequência disso tudo. Dilma recuou para 34% das intenções de voto.

Em junho de 2002, Lula tinha 40% no Datafolha. Em 2006, tinha 46% nesta época. Dilma, em 2010, registrava 38%. Além dos percentuais, qual é a diferença da eleição atual em relação a esses três pleitos anteriores? Nas últimas vezes, a curva petista era nitidamente ascendente. Agora, está embicando para baixo. É um mau momento para o governo.*

(*)  Fernando Rodrigues – Folha de São Paulo

FALASTRÃO

REALMENTE, LULA DEMONSTRA

QUE NÃO SABE NADA DE ECONOMIA

Lula não sabe ou finge não saber que não há inflação de demanda, o que há é inflação provocada pelo excesso de liquidez de moeda que o governo da sua sucessora está provocando com os 39 ministérios, dos quais pelo menos a metade é dispensável.

Lula não sabe que isso ocorre pelo excesso de despesas da máquina pública, que estão suplantando a arrecadação em mais de 15%, e com isso induzindo a aceleração da circulação da moeda na economia, o que está produzindo a inflação.

Portanto, é seu próprio governo (governo petista) que está gerando a inflação que o povo brasileiro está pagando!

E não tem que aumentar gasto. É o contrário. Temos que criar poupança, pois nosso nível de poupança está baixíssimo, em pouco mais de 12%. Isso é ridículo!

E esse ex-presidente desmoralizando o secretário do Tesouro e falando em não ter medo de investir! Investir o quê, se não tem com que investir! E, ainda mais, investir na África?!

ENDIVIDAMENTO

O nível de endividamento do Tesouro está em torno de 60% do PIB. O pagamento de juros consome mais 42% do orçamento federal.

E Lula vem falar em puxar mais investimento estrangeiro direto para o Brasil? Sem que o próprio governo crie as condições para isso, como, por exemplo, suprir nossa carência em infraestrutura e logística?

Está tudo por fazer em nosso país, pois a nossa carência em infraestrutura é secular, e esse ex-governante quer investir na África?!

Esse sujeito está é desviando a atenção do brasileiro das eleições e, principalmente, dos concorrentes. É uma jogada de pelego para tentar minar a oposição política.

Não tem nada aproveitável nesse indivíduo. Nem no que ele diz. Nada!*

(*) Wagner Pires – Tribuna da Imprensa Online

MALUFANDO…

Amigo secreto 1

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O candidato do PT ao Governo paulista, Alexandre Padilha, fez o possível para conquistar o apoio (e o tempo na TV) de Paulo Maluf. Conquistou-o. Mas Maluf, que fez o sacrifício de apoiá-lo, quer o retorno: aparecer na TV, no horário eleitoral, e subir no palanque do petista. Padilha, o ingrato, pediu a Lula, velho aliado de Maluf, que o mantenha escondido.

Padilha detesta concorrência.

Amigo secreto 2

Maluf e Padilha. Como diria Drummond, não é uma solução mas é uma rima.*

(*) Coluna Carlos Brickmann,  na Internet.

POBRE BRASIL…

‘Eles é que bebem e nós

ficamos tontos’

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Relator da comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) aberta (pelo menos em teoria) para investigar escândalos protagonizados pela maior empresa brasileira, a Petrobrás, o deputado Marco Maia (PT-RS) fez questão de avisar que a convocação do ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa para nela depor não tardará.

Como é público e notório, Paulo Roberto Costa foi preso pela Polícia Federal quando tentava destruir provas que o comprometiam – no âmbito das investigações da Operação Lava Jato – na condição de parceiro do doleiro Alberto Youssef, acusado de ter “lavado” R$ 10 bilhões. O doleiro continua preso, mas o ex-diretor da Petrobrás foi solto por obra e graça de despacho do ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki: este interrompeu sua depressão de 59 dias na cela, mas manteve presos os outros 11 que o juiz Sérgio Moro, do Paraná, mandara prender.

Chegaram até a definir como “troco de pinga” a eventual perda de US$ 1 bilhão (R$ 2,3 bilhões) na compra da refinaria da Astra Oil belga em Pasadena (Texas), pela qual a presidente da estatal, Graça Foster, reconhece pelo menos um prejuízo de US$ 530 milhões (R$ 1,2 bilhão). Mas a conta da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, uma associação em que os brasileiros entraram com a grana e os venezuelanos com saliva, é muito mais pesada. Há duas semanas, o jornal Valor Econômico teve acesso a atas de reuniões do Conselho de Administração da Petrobrás e de sua leitura concluiu que o plano básico de organização da refinaria foi aprovado pelos conselheiros em 30 de outubro de 2008, mas só em 14 de janeiro de 2010 eles conheceram o estudo de viabilidade da refinaria, cuja construção já tinha sido iniciada. E no ano anterior, lembrou o jornal, a estatal havia captado R$ 10,5 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o projeto, que, por esta e outras, viria a se tornar a obra mais onerosa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Pelos cálculos do jornal, a aventura teria elevado o valor a ser gasto na benemerência ao compadre Hugo Chávez à bagatela de R$ 40 bilhões, dez vezes mais do que se previa no início do projeto (R$ 4 bilhões). A algum crítico renitente, como o autor destas linhas, ocorreria até concluir que a diferença não poderia caracterizar sequer um troco de vinho do Porto Taylor’s de mais de 150 anos, vendido a 2.500 (R$ 8 mil) a garrafa. Nenhuma definição, porém, será tão precisa quanto a dada pelo alto funcionário da Petrobrás encarregado da obra, Paulo Roberto Costa, que chamou o embrulho de “conta de padeiro” em entrevista à Folha de S.Paulo. Será a estatal gerida como se fosse uma padaria?

“Conta de padeiro” é um jargão que ainda não consta de dicionários e que significa cálculo feito às pressas, sem os devidos cuidados nem embasamento – neste caso específico, sem projeto algum que justificasse despesas de tal monta. Mas é provável que em próximas edições a expressão venha a ser incorporada ao “pai dos burros”. Ildo Sauer, um dos principais colaboradores na área energética do programa de governo de Lula e ex-diretor de Gás e Energia da Petrobrás, declarou-se perplexo com o uso da expressão, embora concorde com a evidência de que jamais o investimento na refinaria poderia ter passado de US$ 8 bilhões (R$ 19 bilhões), menos da metade do gasto ora previsto. A expressão, de acordo com Sauer, ofende “a história da Petrobrás, que sempre teve uma gestão profissional e técnica” e “é uma desculpa grosseira para justificar o injustificável”.

A oposição decidiu centrar fogo na investigação sobre Abreu e Lima e reclamou da comparação. “Padeiro não erra nem conta. Se errasse, as padarias quebravam”, disse o líder do DEM na Câmara dos Deputados, Mendonça Filho (PE), que insiste na abertura da “caixa de Pandora” da Petrobrás, mas não desiste do meio menos adequado para fazê-lo.

Seria a oposição deficiente em inteligência ou estaria interessada apenas nos holofotes postos no debate nos plenários do Congresso, controlados pelo governo, para compensar o triplo de tempo da aliança governista na propaganda eleitoral no rádio e na TV, aparecendo no noticiário de todo dia da CPMI? Há, contudo, coisas mais importantes a cuidar do que defender a sabedoria contábil dos donos de padaria ou a honra ameaçada da equipe técnica da estatal. Mais grave do que o tom zombeteiro da definição do suspeito-mor, preso para não destruir provas e solto por magnificência do julgador supremo, ou do que a afronta aos funcionários, que até agora não de nada reclamaram pela voz de seus líderes corporativos, é a declaração de Graça Foster. Questionada pelos repórteres ao sair da sede da Fundação Getúlio Vargas, no Rio, a presidente da Petrobrás parodiou o enigma da esfinge de Édipo Rei com uma sentença perturbadora e comprometedora: “Não é que eu não queira, eu não posso falar”.

Quando o Valor Econômico revelou que a empresa que ela preside autorizou despesas de milhões de reais sem embasamento técnico, a estatal negou, em nota oficial, que seu conselho tenha aprovado em apenas 14 dias contratos sem licitação com as construtoras Galvão Engenharia e Queiroz Galvão. Sim, e daí? Agora a sra. Foster diz que não “pode” falar sobre graves acusações que pesam sobre suas costas, feitas publicamente por seu ex-companheiro de diretoria, acusado de corrupção. Em vez de participar da inútil sabatina do ex-diretor ex-preso na CPMI, a oposição serviria melhor ao País se lembrasse à presidente da Petrobrás que ela tem satisfações a dar ao contribuinte, que sustenta sua empresa e paga seu salário, a respeito das estapafúrdias diferenças entre gastos previstos e despesas feitas, que não podem ser tidas como meros erros contábeis. A presidente da Petrobrás não deve agir como se estivesse servindo pinga no balcão de um boteco cujos clientes cantam A Turma do Funil ao contrário.*

(*) José Nêumanne – Estado de São Paulo

JÁ ERA PREVISTO…

Geraldo Alckmin mantém

o favoritismo em São Paulo

Se a eleição para governador de São Paulo fosse hoje, o tucano Geraldo Alckmin seria reeleito no primeiro turno com 44% dos votos, mostra pesquisa Datafolha finalizada quinta-feira (5).

Num cenário com o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (PSD) na disputa –ele é cotado para ser vice na chapa do tucano–, os adversários de Alckmin somam 31%.

A corrida pelo Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado de São Paulo, parece paralisada.

Considerando a margem de erro de dois pontos, os resultados do novo levantamento podem ser considerados iguais aos da pesquisa feita seis meses atrás. Que, por sua vez, já eram iguais aos do levantamento de junho de 2013, há um ano.

O principal rival de Alckmin é o líder empresarial Paulo Skaf (PMDB), presidente licenciado da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), com 21% agora.

Kassab soma 5%. E o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT) está com 3%.

Esta rodada considerou ainda dois pré-candidatos de partidos pequenos: Gilberto Maringoni (Psol) e Gilberto Natalini (PV) têm 1% cada.

O total de eleitores sem candidato a governador é de 26% em São Paulo. São os que declaram voto nulo, em branco ou afirmam não saber em quem votar em outubro.

Sem Kassab na disputa, Alckmin alcança 47%, Skaf mantém os 21% e Alexandre Padilha marca 4%.

Assim como as intenções de voto, a avaliação do governo Alckmin praticamente não sofreu alteração em um ano.

Depois dos protestos de junho de 2013, a aprovação da gestão caiu de 52% para 38%, movimento parecido com o das intenções de voto no tucano. Na pesquisa mais recente, o total de eleitores que classifica a gestão de Alckmin como ótima ou boa está apenas três pontos acima, 41%.

Apesar da manutenção de seu patamar de liderança na pesquisa estimulada (quando o entrevistado recebe um cartão com os nomes dos candidatos para escolher), Alckmin tem caído na pesquisa espontânea (sem cartão).

Antes do auge dos protestos de 2013, ele era lembrado espontaneamente por 19%. Logo depois, caiu para 15%. Agora é citado por 10%.

SENADO

O Datafolha também investigou as intenções de voto para a eleição de senador. Neste ano, estarão em disputa 27 das 81 cadeiras do Senado, uma em cada Estado.

O ex-governador José Serra (PSDB) lidera com 41% das intenções de voto. O senador Eduardo Suplicy (PT), que concorrerá à reeleição, tem 32%. Márcio França (PSB) alcança 4%.

METODOLOGIA

A pesquisa do Datafolha é um levantamento por amostragem estratificada por sexo e idade, com sorteio aleatório dos entrevistados. O universo é composto pela população brasileira com 16 anos ou mais.

Neste levantamento realizado de 3 a 5 de junho, foram feitas 2.029 entrevistas, com uma margem de erro máxima de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%.

Isso significa que, se fossem realizados 100 levantamentos com a mesma metodologia, em 95 os resultados estariam dentro da margem de erro.

Essa pesquisa foi encomendada pela Folha e feita pela Gerência de Pesquisas de Opinião do Datafolha. Está registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o nº BR-00007/2014. *

(*) RICARDO MENDONÇA – FOLHA DE SÃO PAULO