RUMO À PAPUDA…

Destino selado

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O alto escalão do governo Dilma dá como certa a cassação do mandato do deputado André Vargas (PT-PR). Avalia que a questão é política e não jurídica. Um ministro diz que ele não deve ser preso por pegar carona no avião de um doleiro, mas que, em votação aberta, será condenado pelos seus pares. E pergunta: quantos deputados estarão dispostos a sacrificar suas reeleições por ele?*

(*) Blog do Ilimar Franco.

“UM PARTIDO DIFERENTE”, É, PT?

O feitiço contra o feiticeiro

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Imagine-se o quadro atual às avessas: o escândalo da refinaria de Pasadena protagonizado pelo PSDB, com o PT na oposição. Alguém tem dúvida de que os petistas estariam mobilizando suas milícias país afora em prol de uma CPI; que estariam pedindo o impeachment do presidente da República?

As sucessivas campanhas eleitorais mostram que o PT se nutre do escândalo – não dos seus, mas dos alheios. Não havendo um, trata de inventá-lo. Para tanto, o partido montou uma usina de dossiês e a pôs para funcionar em todas as eleições da era da redemocratização. A usina, registre-se, continua na ativa.

Na eleição passada, violou o sigilo fiscal de José Serra e de sua filha, em busca de uma falcatrua. Não a encontrando, tratou de providenciá-la, sem se dar conta de que o efetivo escândalo era justamente a violação de dados sigilosos da Receita Federal.

Descobriu-se, na sequência, que os funcionários que executaram o crime eram militantes de carteirinha.

Nas eleições de 2006, houve o escândalo dos aloprados. Petistas próximos a Lula, incluindo um assessor direto do hoje ministro Aloizio Mercadante, que então disputava o governo de São Paulo, foram flagrados e presos com uma bolsa cheia de dinheiro – R$ 1 milhão e quebrados – para comprar um falso dossiê contra Serra, que também disputava o governo paulista.

Não deu certo, Serra foi eleito, a farsa desmascarada, mas o partido não se mostrou – jamais se mostra – constrangido diante de flagrantes. Faz como a adúltera de Nélson Rodrigues: nega tanto que chega a ter dúvidas sobre o delito que praticou.

Pode haver declaração mais hilária que a de José Dirceu, ao garantir, em relação ao Mensalão, que “estou cada vez mais convencido de minha inocência”? O deputado Vicentinho, do PT, acaba de ouvi-la, nos mesmos termos, de André Vargas. Não deixa de ser um interessante exercício de autoconvencimento: iludir-se antes de tentar iludir o público.

Faço esse preâmbulo para abordar a indignação do PT em relação à CPI da Petrobras. O partido acha um absurdo que, em época de eleição, se explore um tema em si mesmo escandaloso.

Não seria ético, dizem os petistas, fazê-lo e colher dividendos eleitorais. Deixemos de lado o cretinismo da contradição – típica situação em que o feitiço vira contra o feiticeiro – e fiquemos no essencial: se o escândalo fosse fabricado, a premissa seria exata. Não o sendo, como não o é, o escândalo é ignorá-lo, como se as eleições representassem uma trégua penal.

Mais estranho, porém, é constatar que, por mais absurdo, tal argumento encontra ressonância nos adversários. O ex-presidente Fernando Henrique, por exemplo, deve ter algum complexo de culpa em relação ao PT. É tratado a coices e pontapés, mas sempre socorre o partido nas suas emergências.

Opôs-se ao impeachment de Lula ao tempo do Mensalão, lamentou a prisão de José Dirceu e, agora, condena a CPI da Petrobrás, fazendo eco a José Serra, outro que é saco de pancadas do PT e tem pruridos em retribuir.

FHC parece não se lembrar de que sua falecida esposa, dona Ruth Cardoso, foi alvo de um falso dossiê, produzido na Casa Civil da Presidência, à época chefiada pela hoje presidente Dilma Roussef. O PT, horas depois da transmissão da faixa presidencial a Lula, em 2003, passou a atribuir a FHC uma “herança maldita”, com que justificaria todos os erros e dificuldades de sua administração.

Ambos, Serra e FHC, parecem não perceber que, se dependesse do PT, estariam fora da política, eles e seu partido. A diferença entre PT e PSDB é esta: enquanto o primeiro leva a sério a máxima de Carl Von Clausewitz, de que “a guerra é a continuação da política por outros meios”, o segundo a considera um jogo de cavalheiros. O resultado aí está: as oportunidades escorrem pelos dedos dos tucanos, enquanto os petistas, quando não a têm, empenham-se em fabricá-las.

 

(*) Ruy Fabiano, jornalista, no blog do Noblat.

TRAIRAGENS

Fim do sonho

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O ex-governador Sérgio Cabral e o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) não foram os únicos a ficar abalados com o ex-presidente Lula. Marcelo Crivella (PRB) e Anthony Garotinho (PR), candidatos ao governo, também não gostaram. Lula deu a entender, para os blogueiros, que fará campanha para o candidato do PT, Lindbergh Farias.*

(*) Blog do Ilimar Franco.

CASA MAL ASSOMBRADA

PMDB indica ao TCU afilhado de Renan e Sarney

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Após desistir da vaga, Gim deve complicar

quadro eleitoral em Brasília

BRASÍLIA — O naufrágio da indicação do senador Gim Argello (PTB-DF) para o Tribunal de Contas da União (TCU) poderá ter implicações nos próximos dias para o próprio partido do senador, para o PMDB e até para as eleições no Distrito Federal. Para não deixar prosperar a nomeação de um técnico escolhido por partidos de oposição, o PMDB reagiu nesta quinta-feira e decidiu indicar o advogado Bruno Dantas, ligado ao presidente Renan Calheiros (PMDB-AL) e ao senador José Sarney (PMDB-AP), para ministro da Corte. O PTB, portanto, deverá ficar sem o cargo, mas a tendência é que Gim Argello recoloque seu nome na disputa eleitoral em Brasília, complicando as negociações políticas do governador petista Agnelo Queiroz. No pacote de negociação para a ida de Gim ao TCU, estava a ocupação de sua vaga para se candidatar ao Senado por um petista indicado por Agnelo. Consultor legislativo do Senado desde 2003, Dantas ocupou o cargo de consultor-geral da Casa durante a gestão anterior de Renan Calheiros na presidência. Hoje, Dantas trabalha como consultor jurídico da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) — cujo dono é responsável pela construção da Ferrovia Transnordestina, que enfrenta auditorias no TCU. Renan ironizou nesta quinta-feira a ação do PSB, que, junto com outros partidos de oposição, apresentou o consultor do Senado, Fernando Moutinho Ramalho de Bittencourt, como candidato à vaga. Renan lembrou a candidatura da hoje ministra Ana Arraes. Ela era deputada pelo PSB e contou com intenso apoio do seu filho, o ex-governador de Pernambuco e candidato do partido a presidente, Eduardo Campos. — É muito importante que as bancadas indiquem um nome que seja um nome que preencha todas as condições para ser ministro. Eu fiquei muito animado com o nome que o senador Rollemberg (Rodrigo Rollemberg, líder do PSB no Senado) indicou, porque, da última vez que ele indicou, ele indicou a mãe do governador de Pernambuco. Evoluiu. Evoluiu — afirmou Renan. — Ana Arraes foi eleita justamente porque tinha os atributos constitucionais para sê-lo — rebateu Rollemberg. PMDB espera manter o cargo A expectativa entre os peemedebistas é assim conseguir manter o cargo dentro de sua esfera de influência, já que o nome do técnico Fernando Bittencourt foi apresentado pela oposição e não enfrenta resistência de servidores do tribunal nem de senadores. A relação de Dantas com Renan e o ex-presidente José Sarney é estreita. Os dois são apontados como patronos de sua indicação para o Conselho Nacional do Ministério Público em 2009 e para o Conselho Nacional de Justiça em 2011. Sem um voto sequer, Gim Argello, que começou a vida como corretor de imóveis, chegou à cúpula do poder em Brasília ao assumir o mandato de Joaquim Roriz. Logo no inicio do governo Dilma, dizia ser íntimo da presidente, pois caminhava com ela na orla do Lago Sul da Península dos Ministros, onde morava.

(*) PAULO CELSO PEREIRA E ANDRÉ DE SOUZA (O GLOBO)

TÁ TUDO DOMINADO

O rio da minha aldeia

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O problema não é fazer ou deixar de fazer. O problema é noticiar.

Embora ainda não tenham sido escritos todos os compêndios sobre a decadência da mídia impressa e a emergência, em seu lugar, das redes sociais, como se a mudança de ambiente e de plataforma de distribuição da informação mudasse a natureza do jornalismo, os políticos, por via das dúvidas, preferem precaver-se a ter que correr atrás do prejuízo.

Foi o que aconteceu com o senador Delcídio Amaral (PT), pantaneiro boa pinta que fez de tudo para sair bem na foto da CPMI dos Correios, aquela que escavou as origens do julgamento do mensalão, que gosta de tuitar loas ao seu São Paulo F.C., e que sonha em ser governador do Mato Grosso do Sul.

Ele entrou com ação inibitória contra o Jornal Correio do Estado de Campo Grande para evitar a publicação de qualquer notícia que vincule seu nome ao do ex-diretor da área internacional da Petrobrás, Nestor Cerveró, demitido depois de ter sido responsabilizado pelas negociações da compra da refinaria de Pasadena.

A notícia que o Correio veiculou foi a de que Cerveró tinha sido indicado ao cargo pelo senador Delcídio — o que não foi invenção e nem vincula o nome do senador a qualquer negociação que seu apadrinhado tenha feito.

O jornal de Campo Grande, inclusive, reproduziu notícia recebida da agência Folhapress, da qual é assinante, e que também foi publicada em jornais de circulação nacional, como O Globo, Folha de S.Paulo e Correio Braziliense.

O juiz Wagner Mansur Saad, da 12ª Vara Cível, ameaça multar o jornal em 20 mil reais a cada vez que publicar a informação relacionando os dois nomes, e quer obrigar o veículo a “revelar a fonte”, cuja inviolabilidade é garantida pelo art 5, XIV, da Constituição Federal.

A informação é pública e nacional, mas como o senador quer ser candidato no Mato Grosso do Sul, ele, como Alberto Caieiro, o heterônimo de Fernando Pessoa, tem que cuidar do rio de sua aldeia; ele não é o Tejo, mas é lá que correm os votos de que ele vai precisar.

As investidas contra a imprensa, como já comentamos exaustivamente, estão inseridas no DNA petista, e ainda que haja quem tente racionalizá-las apelando para a necessidade premente de uma suposta “regulação”, o rio da aldeia vai sempre desaguar no mesmo desconforto com o conteúdo.

Não é por acaso que as pouquíssimas entrevistas coletivas dos luminares e guias supremos do partido são dadas a interlocutores devidamente domesticados, e por ato falho ou não, desembocam na mesma ladainha, como foi a declaração de Lula na entrevista desta semana a blogueiros fiéis.

— A gente não pode permitir que, por omissão nossa, as mentiras continuem prevalecendo.

Alguém aí para perguntar “que mentiras”? Ou o que significa “não permitir”?*

(*) Sandro Vaia, no blog do Noblat.

VERGONHA NACIONAL

Câmara ardente

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A Câmara dos Deputados vai abrir concorrência para escolher uma agência de propaganda para identificar as causas do desgaste de sua imagem e melhorá-la com uma campanha publicitária de 10 milhões de reais.

No país da piada pronta, seria só mais uma, se não fôssemos nós a pagar a conta desse deboche com o contribuinte e afronta à inteligência alheia. Nem 100 milhões de reais e Nizan Guanaes, Washington Olivetto e Duda Mendonça juntos fariam o milagre: a própria ideia da campanha suja ainda mais a imagem da Casa.

Logo em seguida ao anúncio ultrajante, como uma irônica resposta da realidade, foram ao ar o voo de 100 mil reais que um doleiro preso pela PF pagou para o então vice-presidente da Câmara, André Vargas, e as relações perigosas entre os dois.

Apavorados com a contaminação, o Planalto, Lula e o PT já jogaram Vargas ao mar, outros partidos temem novos nomes, a manada entrou em pânico diante do perigo iminente. As eleições vêm aí e agora as cassações são por voto aberto. Quem condenará quem?

As ações e omissões de cada um numa eventual CPI-bomba, com televisão ao vivo, vão ser mais convincentes, para o bem e para o mal, do que qualquer campanha publicitária. O público acaba percebendo o que eles tentam esconder e as manobras para diluir as culpas, que, no fim, atingem toda a instituição. Mas terminar em pizza no meio da campanha vai ter um preço salgado para todos.

No que se refere, como diz a Dilma, à Câmara, a única certeza é a de Ulysses Guimarães: a próxima será pior. A matemática é triste: entre os novos e honestos que entrarão, vários vão se corromper pelo poder, pelos privilégios e pela vaidade, mas quem acredita que algum dos velhos picaretas já instalados vai se regenerar? Não por acaso, André Vargas estava se preparando para tomar a presidência da Câmara, o ex-presidente João Paulo Cunha está preso, e o próximo pode ser o deputado Eduardo Cunha.

Nossos 10 milhões de reais só vão melhorar a vida da agência de publicidade e piorar ainda mais a imagem da Câmara. Mas eles não ligam, repetem para nós o que o doleiro Youssef digitou a André Vargas: kkkkk.*

(*) Nelson Motta, o Globo.

OPERAÇÃO LAVA JATO

PF faz buscas na sede da Petrobras em

operação contra lavagem de dinheiro

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Com buscas na sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, a Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (11) a segunda fase da Operação Lava Jato, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 10 bilhões, com ramificações políticas e na petroleira estatal.

As buscas na sede da Petrobras começaram às 10h. A PF também entregou intimações no local. Além da própria Petrobras, é alvo dessa nova etapa da operação a empresa Ecoglobal Ambiental, de Macaé (RJ), e sua filial nos Estados Unidos, a EcoGlobal Overseas.

Por meio de convite, ambas assinaram em 2013 um contrato com a Petrobras no valor de R$ 443,8 milhões, segundo a PF. Na mesma época da assinatura do contrato, a empresa negociava a venda de 75% de suas ações para uma empresa controlada pelo doleiro Alberto Youssef e pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. A documentação aponta que o doleiro e o ex-diretor da Petrobras eram sócios em alguns negócios.

A compra estava condicionada “à efetivação do contrato da EcoGlobal com a Petrobras”, segundo mandado expedido pela Justiça Federal do Paraná. A proposta de compra por R$ 18 milhões está registrada numa carta-proposta confidencial assinada por Youssef, Paulo Roberto e uma terceira empresa, a Tino Real Participações.

A Tino estaria ligada a “crimes relacionados a fundos de pensão”, segundo despacho da Justiça, na qual o juiz manifesta sua “estranheza” que uma empresa que obteve contrato de R$ 443,8 milhões tenha 75% de suas cotas negociadas por apenas R$ 18 milhões.

Youssef e Paulo Roberto foram presos na primeira fase da Operação Lava Jato, por manter relações suspeitas com políticos do PT, PMDB, PP.

A empresa investigada no Rio de Janeiro teve pelo menos dois contratos no valor total de R$ 14,31 milhões com a Petrobras entre 2009 e 2011 para prestar serviços de tratamento de água e recuperação de rios. Com sede em Macaé (RJ), a empresa é fornecedora antiga da Petrobras.

Uma das suspeitas apuradas é que a Ecoglobal teria participado da distribuição de propina em contratos da Petrobras, num esquema coordenado por Paulo Roberto da Costa. Ele foi preso no dia 20 de março, sob acusação de tentar destruir provas buscadas pela PF. O ex-diretor da Petrobras recebeu um jipe Land Rover Evoque de Youssef, no valor de R$ 250 mil.

Costa alega que o Land Rover Evoque foi pagamento por consultorias prestadas, mas a PF tem dúvidas sobre essa alegação.

Até as 12h, a PF havia prendido em São Paulo um doleiro ligado à doleira Nelma Kodama. Ela foi presa no dia 14 de março quando tentava deixar o país com 200 mil euros escondidos na calcinha. Kodama e Youssef já tiveram negócios associados, mas tudo indica que operam em redes separadas atualmente.

Ao todo, os policiais cumprem 24 mandados, sendo dois de prisões temporárias, seis conduções coercitivas -quando o investigado é procurado e obrigado a depor- e 16 de buscas em São Paulo, Campinas, Macaé, Niterói e Rio de Janeiro. Originalmente, eram 24 mandados, mas houve duas conduções coercitivas e uma busca a mais.

“O material arrecadado hoje contribuirá para os relatórios finais dos inquéritos em andamento”, informou a PF.

Até a publicação da reportagem, a Folha não havia localizado ninguém da Petrobras e da Ecoglobal para falar sobre a operação.*

(*) MARIO CESAR CARVALHO – FOLHA PODER