BRASIL NA IMPRENSA

Dez reportagens mostram negativismo em cobertura sobre Brasil

BBC Brasil
Clima interno tenso teria contaminado cobertura internacional, segundo analistas
Clima interno tenso teria contaminado cobertura internacional, segundo analistas

Há três anos, o Brasil era uma espécie de menina dos olhos da imprensa internacional. Agora, às vésperas do Mundial, o tom geral da cobertura sobre o país tem sido bastante negativo, como notam especialistas consultados pela reportagem.

Abaixo, listamos algumas reportagens sobre o Brasil publicadas em veículos de grande repercussão que ilustram essa tendência:

“THE ECONOMIST” – BRASILEIRO ‘PREGUIÇOSO’?

No mês passado, a revista britânica “The Economist” publicou uma reportagem em que destaca que a produtividade do trabalhador brasileiro está estagnada há cinco décadas e sugere que tal problema poderia ter causas culturais.

A reportagem é ilustrada com a imagem de uma pessoa descansando em uma rede. “Poucas culturas oferecem uma receita melhor para curtir a vida”, afirma a “Economist”, notando que filas, tráfego, prazos descumpridos e atrasos de todo o tipo são parte do cotidiano brasileiro.

Outra reportagem, publicada na quinta-feira passada, a revista diz que em vez de mostrar a ascensão do Brasil como um “ator global”, a Copa acabou colocando em evidência como é disseminada no país a prática do “improviso”.

Em outubro de 2013, a “Economist” chegou a dedicar uma capa ao Brasil ilustrada com um Cristo Redentor despencando. A manchete questionava: “O Brasil estragou tudo?”

Era uma referência à famosa capa de novembro de 2009 –publicada quando a economia brasileira ainda entusiasmava os mercados– que mostrava umCristo alçando voo e anunciava “O Brasil decola”.

Reprodução
Capas da revista 'The Economist' em 2009 e em outubro de 2013; Enquanto antes dizia que Brasil iria decolar, sentimento hoje é de pessimismo
Capas da revista ‘The Economist’ em 2009 e em outubro de 2013

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“THE NEW YORK TIMES” – OBRAS SUPERFATURADAS

O jornal americano “The New York Times” chamou a atenção para as obras abandonadas e superfaturadas no Brasil em uma reportagem publicada há pouco mais de um mês.

Segundo o “NYT”, os atrasos e contratempos nas obras da Copa seriam “parte de um problema nacional maior”, evidenciado por “uma série de projetos megalômanos concebidos quando a economia estava crescendo rapidamente, que agora estão abandonados, estagnados ou já extrapolaram de longe seu orçamento inicial”.

O jornal menciona, entre outras obras que estariam muito atrasadas ou abandonadas, a ferrovia transnordestina, prédios públicos projetados por Oscar Niemeyer em Natal, a transposição do Rio São Francisco, hotéis de luxo no Rio de Janeiro e o Museu do Alienígena, em Varginha.

“Esses projetos deveriam simbolizar a ascensão brasileira, mas agora que o país cambaleia em uma ressaca pós-boom, eles expõem as lideranças do país a uma crítica feroz e alimentam as denúncias de gastos desnecessários e incompetência”, diz o texto.

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“FINANCIAL TIMES” – DILMA E OS IRMÃOS MARX

Na semana passada, o jornal econômico britânico “Financial Times”comparou a presidente Dilma Rousseff aos irmãos Marx –comediantes que ganharam fama na primeira metade do século 20 nos Estados Unidos.

Em um editorial, publicado em meio a notícias sobre atrasos nas obras da Copa e Olimpíadas, o “FT” disse que Dilma teria uma “tediosa aura de eficiência, semelhante à da (chanceler alemã) Angela Merkel”, mas que a implementação de seus projetos pareceria obra “dos irmãos Marx”.

No texto, o “FT” defende que o Brasil precisa de um “choque de credibilidade” e cita três desafios que o governo brasileiro precisaria enfrentar nos próximos meses: o escândalo de corrupção na Petrobras, o “crescente risco” de falta de energia e a possibilidade de que sejam organizados grandes protestos durante a Copa do Mundo.

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“EVENING STANDARD” – PLANO B PARA O RIO?

O “Evening Standard” –jornal distribuído gratuitamente nos metrôs e trens do Reino Unido– publicou na semana passada que, segundo uma fonte não identificada, autoridades de Londres teriam sido consultadas sobre a possibilidade de realizar a Olimpíada na cidade caso o Rio não consiga se preparar a tempo para os jogos de 2016.

A polêmica reportagem foi publicada dias depois de o vice-presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), John Coates, ter dito que os preparativos para a Olimpíada de 2016 seriam os “piores” já vistos –embora ele tenha voltado atrás na sua avaliação.

Ela repercutiu em outros jornais britânicos e nas redes sociais, embora o COI tenha descartado essa possibilidade como “sem fundamento e totalmente infactível”.

Segundo “Evening Standard”, autoridades do COI estariam em “pânico” por causa dos atrasos em obras no Rio e Londres já teria sediado uma Olimpíada de forma emergencial em 1908, quando a erupção do vulcão Vesúvio impossibilitou a Itália de fazê-lo.

De acordo com o jornal “The Guardian”, uma fonte do COI, também não identificada, teria classificado a reportagem do “Evening Standard” como “um lixo total”.

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“DAILY MIRROR” – “MANAUS SANGRENTA”

O tabloide britânico publicou em dezembro uma reportagem nada lisonjeira sobre Manaus, onde a Inglaterra jogará contra a Itália: “Os ingleses arriscarão suas vidas em uma das cidades mais perigosas do mundo ao torcer por seu time no primeiro jogo da Copa do Mundo”, diz o texto.

Nele, o “Mirror” classifica a capital do Amazonas como um “buraco dos infernos, tomado pelo crime” e menciona um alerta do sistema público inglês sobre a alta incidência de raiva, malária, difteria e hepatite na cidade. “Outros riscos incluem cobras venenosas e tarântulas, estradas e motoristas ruins”, diz.

De acordo com o tabloide, “ladrões armados e drogados circulam pelas favelas” de Manaus, “áreas que devem ser evitadas pelos turistas” e onde, segundo o jornal, “barracos são pintados com cores diferentes para sinalizar que tipo de droga é vendido ali”.

O “Mirror” também adverte os britânicos em relação a suposta baixa qualidade e altos preços das acomodações na cidade. “(…) Donos de hotéis estão lucrando sem dó pedindo £500 (R$1.860) por um quarto básico na data do jogo com a Itália”, diz a reportagem, acrescentando que, no website TripAdvisor, turistas relatam ter ficado em quartos “imundos” ou ter visto cozinhas “repletas de insetos, baratas e ratos”.

O tabloide diz que Manaus seria a 11ª cidade mais perigosa do mundo e São Paulo, onde a Inglaterra jogará contra o Uruguai, ocuparia a 48ª posição desse ranking, tendo um índice bastante elevado de “assaltos à mão armada contra pedestres, motoristas e clientes de restaurantes.”

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“EL PAÍS” – BRASIL EM ‘CRISE DE SEGURANÇA’

Há três semanas, o jornal espanhol “El País” anunciou no título de uma reportagem que falava sobre os recentes conflitos na comunidade de Pavão Pavãozinho e Copacabana: “Brasil entra em crise de segurança”.

“Nem os cinco anos que transcorreram desde o início do projeto pacificador das favelas cariocas, nem o estímulo que se esperaria dos dois maiores eventos esportivos do planeta –a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos –serviram para que a violência diminua no Rio de Janeiro”, diz a reportagem.

“As armas de guerra voltaram a se disseminar pelos subúrbios ao mesmo tempo em que as UPPs (Unidades da Polícia Pacificadora) não conseguiram se enquadrar totalmente em suas vizinhanças, que veem nelas uma versão edulcorada da Polícia Militar, conhecida por estar corrompida até o tutano e agir com uma truculência sem limites.”

Segundo o jornal, as imagens de violência em Copacabana lançariam dúvidas sobre a capacidade de o Brasil organizar um megaevento esportivo sem incidentes. “Pelas ruas do Rio há a sensação de que se está perdendo a passos rápidos o terreno conquistado nos últimos anos”, diz o “El País”.

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CNN – EPIDEMIA DE CRACK

“Brasil luta contra epidemia de crack na preparação para o Mundial”, noticiou recentemente a rede de TV CNN.

Segundo a emissora americana, que na reportagem faz um retrato da cracolândia do Rio de Janeiro, o Brasil teria se tornado o principal consumidor de crack do mundo e as iniciativas do governo para lidar com o problema teriam “resultados mistos”.

Ela também destaca as críticas de que o foco das campanhas oficiais seria “limpar as ruas” em vez de oferecer alternativas para o usuário.

Outra reportagem recente da mesma emissora foi dedicada à possibilidade de a falta de chuva fazer com que haja racionamento de água e energia durante a Copa.

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“FRANCE FOOTBALL” – ‘MEDO SOBRE O MUNDIAL’

Faltando cinco meses para a Copa, a revista esportiva francesa “France Football” publicou uma capa toda preta com apenas uma bandeira do Brasil e a manchete: “Medo sobre o Mundial”.

A publicação esportiva francesa lista uma série de contratempos que poderiam empacar a realização do torneio no Brasil, como os atrasos nas obras dos estádios e riscos de novas manifestações nas ruas.

“Atingido por uma crise econômica e social, o Brasil está longe de ser o lugar sonhado pela Fifa para organizar uma Copa do Mundo”, diz a “France Football”, acrescentando que o país teria se tornado uma “fonte de angústias”.

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“DER SPIEGEL” – ‘MORTE E JOGOS’

A revista alemã dedicou na semana passada sua reportagem de capa à Copa do Mundo no Brasil com a manchete “Morte e jogos: O Brasil Antes da Copa do Mundo” e uma imagem de uma bola Brazuca pegando fogo em frente ao Pão de Açúcar.

Um dos textos, intitulado “Gol contra do Brasil” diz que, “ironicamente, a terra do futebol poderá ter a Copa do Mundo do fiasco: manifestações, greves e tiroteios, em vez de festa”. “Os cidadãos estão furiosos com estádios caros e políticos corruptos –e ainda sofrem com uma economia estagnada.”

A revista também traz uma entrevista com o escritor Luiz Ruffato, cuja manchete é “Nós sempre fomos violentos”, no qual o autor fala também sobre a relação entre futebol e política. Ruffato virou notícia na Alemanha em outubro de 2013 ao fazer um discurso na Feira do Livro de Frankfurt com pesadas críticas à sociedade brasileira.

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“LA NACIÓN” – ‘LONGE DA FESTA’

“Brasil, muito longe da festa”, anunciou na semana passada o jornal argentino “La Nación”, em uma reportagem em que menciona os protestos contra a Copa, greve da polícia e saques no Recife.

Segundo a correspondente da BBC na Argentina, Márcia Carmo, há alguns anos, era comum que a imprensa argentina mencionasse o Brasil como uma espécie de modelo a ser seguido.

“Não raro podíamos ver na TV e jornais daqui os argentinos se perguntando: o que o Brasil fez que nós não fizemos? O que podemos aprender com eles para fazer a economia crescer?”, diz Márcia. “Agora isso não existe mais –há mais ceticismo e apreensão em relação ao Brasil.”

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EXEMPLOS POSITIVOS

Também há bons exemplos de reportagens positivas veiculadas recentemente sobre o país. O jornal francês “Le Monde”, por exemplo, publicou recentemente uma reportagem sobre start-ups no Brasil.

O próprio “Financial Times” levou às bancas na semana passada o caderno especial “Brasil Moderno”, em que faz um balanço dos avanços e desafios do país nos últimos anos

“O mundo vai à Copa esperando o mesmo velho país do futebol, Carnaval e samba. Mas os mais observadores perceberão que, por trás da atmosfera de festa, grandes mudanças estão acontecendo”, diz o “FT”.

“Depois de uma década de estabilidade econômica, acompanhada do rápido crescimento da classe média baixa, o Brasil não pode mais ser reduzido a um punhado de clichês”, completa o texto de abertura do caderno, que traz reportagens sobre inovações do agronegócio brasileiro, a ascensão do tecnobrega e uma iniciativa para ensinar esportes de inverno a crianças da favela.

AÍ TEM…

EM BOCA ABERTA…

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Alberto Youssef, acusado pela Polícia Federal de comandar amplo esquema de lavagem de dinheiro, está mudo. Consta que nada falou. Continua preso.

…não entra mosca

000 - é verdade

Paulo Roberto Costa, que foi importante executivo da Petrobras, considerava-se abandonado por seus companheiros. Consta que, abalado, não resistiria por muito tempo aos insistentes pedidos de depoimento. Foi o único a ser solto.

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet.

DURA LEX SED LEX NO CABELO SÓ GUMEX

O erro, quando é Supremo, pede correção divina

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Sentados ao lado de Deus, os ministros do STF exercem o seu poder supremo. Deus existe, não há dúvida. Mas a onipresença é uma fábula celestial. Deus não dá expediente em tempo integral. É evidente que Ele foi tratar de outra coisa quando o ministro Teori Zavascki, em plena noite de domingo, subscreveu o despacho que mandou soltar os 12 presos da Lava Jato, trancou os oito inquéritos nascidos da operação e avocou tudo para a Suprema Corte.

Abalroado pela decisão, o juiz Sérgio Moro, de Curitiba, agiu com extrema prudência. Soltou apenas Paulo Roberto Costa, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, cuja defesa recorrera ao Supremo. E enviou um ofício para Teori Zavascki. O doutor esclareceu à suprema autoridade que os acusados poderiam dar no pé.

Alguns, como o doleiro Alberto Youssef, dispõem de conta no estrangeiro. Uma, Nelma Kodama, foi presa no instante em que batia em retirada no aeroporto de Guarulhos, com 200 mil euros acondicionados na calcinha. Com outras palavras, o juiz Moro perguntou ao ministro Zavascki: É isso mesmo, Excelência? Tem certeza?

Ainda não se sabe onde diabos estava Deus entre domingo ã noite e segunda-feira. Mas sabe-se que Ele passou pelo STF nesta terça. Zavascki reviu parcialmente sua decisão. Manteve na cadeia os 11 presos e presas que o juiz Moro, por prudência, se abstivera de enviar ao meio-fio. Os crentes da República perguntam de si para si: e se o magistrado tivesse cumprido cegamente a ordem original?

Pois bem. Reduzidos os danos, resta um impasse que só Deus —ou um de seus supremos prepostos— pode dissolver. Afora os 11 acusados, continuam trancados os oito inquéritos da Lava Jato. As prisões são provisórias. Para que se tornem definitivas —ou não— é imperioso que o juiz, o Ministério Público e a Polícia sejam autorizados a fazer o seu trabalho.

Ao STF cabe cuidar dos indícios recolhidos contra os deputados que cruzaram o caminho do doleiro Youssef. O juiz Sérgio Moro enviou esses achados a Brasília. Mas Teori Zavascki sustenta que cabe ao Supremo, não ao magistrado de primeiro grau, deliberar sobre o desmembramento. Prevalecendo esse entendimento, o STF terá de chafurdar nos meandros dos inquéritos para checar se a Vara de Curitiba portou-se com acerto. Por ora, a competência do magistrado, auxiliar da ministra Rosa Weber no julgamento do mensalão, não mereceu do Supremo nem o benefício da dúvida.

Há oito meses, numa entrevista ao site Conjur, o ministro Teori Zavascki queixou-se da quantidade de ações penais que chegam ao STF. “Esse é o principal problema”, disse ele. “Hoje, qualquer tema criminal chega ao Supremo, seja constitucional ou não.”

O ministro prosseguiu: “O STF dedica um tempo muito grande a questões penais não constitucionais. E isso tem o custo da demora e de travar processos. Sou partidário de que o Supremo, para se viabilizar institucionalmente, tenha sua competência reduzida no futuro.”

Ao enviar a Brasília apenas os trechos da Operação Lava Jato que envolvem deputados, o juiz Sérgio Moro ofereceu ao STF a oportunidade de organizar “sua competência”, cuidando só do que lhe cabe.

Porém, ao ordenar que lhe sejam remetidos todos os inquéritos da operação, Zavascki informa que faz questão de dedicar “um tempo muito grande a questões penais não constitucionais.” Mesmo que ao “custo da demora e de travar processos.” Quer dizer: além de ser uma espécie de loteria de toga, a Justiça também perde o nexo de vez em quando.

Na entrevista de setembro, o ministro Zavascki dizia que, “só de Direito Tributário, temos mais de 120 processos esperando julgamento” no STF. Que Deus nos acuda. O erro, quando é Supremo, exige correção divina.*

(*) Blog do Josias de Souza

“SE GRITAR, PEGA, LADRÃO”…

A cara de pau do ex-presidente da Petrobras

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Em entrevista publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo em 20 de abril último, José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras quando a empresa comprou a refinaria de Passadena, nos Estados Unidos, e amargou um prejuízo de 530 milhões de dólares, dividiu com Dilma a responsabilidade pelo polêmico negócio feito em 2006.

Na época do negócio, Dilma era ministra-chefe da Casa Civil da presidência da República e presidente do Conselho de Administração da Petrobras.

– Eu sou responsável. Eu era o presidente da empresa. Não posso fugir da minha responsabilidade, do mesmo jeito que a presidente Dilma não pode fugir da responsabilidade dela, que era presidente do conselho – disse Gabrielli ao jornal.

Esta tarde, em depoimento na CPI da Petrobras formada apenas por senadores, Gabrielli teve a cara de pau de dar o dito pelo não dito. E não foi contestado por nenhum dos quatro membros da CPI que o ouviram – todos eles da base de apoio ao governo. Ao todo, a CPI é formada por 11 senadores, apenas um da oposição.

– Não considero a presidente Dilma responsável pela compra de Pasadena. A responsabilidade é da diretoria administrativa. Essa é a chave do negócio, a decisão foi colegiada – disse Gabrielli.

A oposição está empenhada em instalar uma CPI da Petrobras que reúna senadores e deputados. Imagina que ali terá condições de apurar denúncias contra a Petrobras porque parte do PMDB parece disposta a contrariar as vontades do governo.

O mais provável é que nada se apure. Nada de relevante.

Lula orientou Dilma a fazer de tudo para sufocar qualquer CPI logo de saída. E ela está seguindo a orientação obedientemente.*

(*) Blog do Noblat

PORQUE ME UFANO “DEÇEPAÍZ”

O complexo do mega-Brasil

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Por que prometer a “Copa das Copas”?

Por que não só uma Copinha alegre e hospitaleira?

O problema do Brasil não é ter complexo de vira-lata, mas cultivar a obsessão do “mega”. Uma obsessão cafona e perniciosa. Tudo precisa ser o “maior do mundo”. E assim foi o Maracanã em 1950, construído em apenas dois anos. Que inveja de nós mesmos. Por que prometer a “Copa das Copas”? Por que não se conformar com uma Copinha alegre e hospitaleira, organizada e bem planejada, com dignidade? Não está no DNA tupiniquim? A ostentação é coisa nossa. A construção de Brasília é um dos exemplos do megadesperdício – seu estádio, agora, é uma continuação da megaincompetência na gestão de quase tudo. Só um país sem noção como o nosso, com tantos problemas sérios e crônicos de prazos, infraestrutura, internet e transporte, numa área continental, resolve submeter estrangeiros e brasileiros a uma Copa em 12 sedes. O Brasil populista é mais megalomaníaco. As promessas ufanistas são típicas do populismo, de direita ou esquerda. Conclamar as massas ao patriotismo e a cerrar fileiras contra inimigos internos ou externos é um recurso primário, que já deu muito errado na história da humanidade. A Copa mais bilionária das Copas passa a atrair, no gramado esburacado das ruas, a ira de uma população descontente e dos vândalos de ocasião. As cenas em Pernambuco, de saques de multidões, durante a greve da PM, são assustadoras, pela anarquia e pelos risos dos assaltantes, muitos menores de idade ou pais e mães. É essa a população que se beneficia das bolsas do governo do PT? Imagens e relatos de um país lúmpen rodam o mundo. As fezes, lixos e pneus no mar, lagos e baías. Os ônibus depredados e incendiados. As lojas e escolas fechadas por medo de violência. As filas da vergonha nos hospitais públicos. Os confrontos sangrentos nas favelas. O vaso sanitário arremessado em pleno estádio, que matou um torcedor. Não foi uma banana, foi uma privada. Por enquanto, a Copa das Copas se traduz pelo lado negativo. O maior atraso do mundo nas obras de estádios e aeroportos. A maior desorganização e falta de planejamento. O maior número de operários mortos. As maiores manifestações contra a Copa. Os maiores problemas nos aeroportos inacabados. Os custos mais altos. Os maiores preços nos hotéis. É o mega-Brasil em ação. Pra frente Brasil, salve a Seleção. O grau de frustração segue o grau de promessas não cumpridas. Não fique de queixo caído, pessoal do Planalto. É só puxar pela memória e ler. A Refinaria Premium 1, no Maranhão, anunciada com estardalhaço por Lula e Dilma em 2010, deveria ser “a maior do país”. Uma megarrefinaria. Deveria gerar 25 mil empregos. Está parada. Foi orçada em R$ 38 bilhões pela Petrobras. O mesmo aconteceu com muitas obras. Uma sondagem da Fundação Getulio Vargas revelou que o Brasil terá o terceiro pior PIB da América Latina neste ano. É a pior avaliação desde 1999, segundo a FGV. A coisa está tão feia que a presidente Dilma Rousseff, gerentona do caos, fez um apelo na quinta-feira, para que os brasileiros recebam bem os torcedores nacionais e estrangeiros durante a competição. “Ninguém que vem aqui leva consigo, na sua mala, aeroporto, porto, obras de mobilidade urbana e estádios. Eles podem levar na mala a garantia de que este é um povo alegre e hospitaleiro.” Dilma disse que o Brasil não vai explodir, mas sim bombar em 2015. Já está bombando, mas o cheiro é de gás lacrimogêneo. O Brasil é a terra do improviso, segundo a imprensa estrangeira. Alguém discorda? Já se prevê um festival de vaias. Dilma é vaiada. Pelé é vaiado. Bem capaz que Lula também seja. Ler que o governo Dilma prepara um Centro Integrado para proteger os turistas na Copa faz pensar no que o brasileiro enfrenta todos os dias, sem megaevento. Enfrenta uma megazona. O Brasil sempre será assim? Só 41% das 167 intervenções prometidas para a Copa estão prontas, a 30 dias da competição. Precisamos enfeitar o passe e dar toque de calcanhar, mesmo com a meia puída. A criatividade, para ser eficaz, exige enorme disciplina. Caso contrário, até o futebol vira caricatura de nós mesmos. Pela primeira vez em 23 anos, os clubes brasileiros estão ausentes das semifinais da Libertadores. O período de treino da Seleção para a Copa é o mais curto desde 1930 – apenas 18 dias. Só quatro dos 23 convocados por Felipão jogam no Brasil. Sete jogadores brasileiros lutarão contra os canarinhos, com uniformes de seleções estrangeiras. Há um descrédito profundo no jeitinho verde-amarelo. Não precisamos virar alemães ou japoneses. Eles não são ideais de nada se contemplarmos a História. Podemos ser melhores se reivindicarmos com firmeza e serenidade nossos direitos. Sem cair na lorota de políticos caras de pau. Porque pernas de pau não somos. Quem sabe será esse o verdadeiro legado da Copa?*

(*) Blog da Ruth de Aquino

REBOBINANDO

O suspeito otimismo de Luiza Trajano

000 - acorda - abaca

A entrevista da empresária Luiza Trajano no Manhattan Conection caiu nas graças da esquerda nacional (eles assistem Globo News e Diogo Mainardi, que fique para os registros). O que celebram é uma suposta detonada que a varejista teria dado nos pessimistas do grupo, especialmente no próprio Diogo Mainardi. Trajano teria mostrado a metade cheia do copo, enquanto a imprensa prefere focar na metade vazia.

E quando um terço apenas está cheio? Como fica? E quando um quarto somente está cheio? Sim, a empresária tentou argumentar com estatísticas, que podem ser a arte de torturar números até que eles confessem qualquer coisa. Mas cá entre nós: chega a ser constrangedora a empolgação dos esquerdistas, quando lembramos que Trajano tem que ser otimista e expressar isso aos quatro ventos!

Ora bolas, não foi ela que foi cotada para integrar até ministério do governo Dilma? Não foi ela a grande beneficiada com o programa assistencialista que distribui recursos para as classes mais baixas comprarem produtos no varejo? Regina Casé foi à televisão divulgar a compra de votos, digo, o programa social do governo Dilma, que inclui até tablet. Alguém quer saber a “opinião isenta” da apresentadora do “Esquenta!” também? Aposto duas mariolas mordidas como já sei a resposta…*

(*) Blog do Rodrigo Constantino, em janeiro de 2014

 

A PROPÓSITO

Lojas Marisa reduz seu manequim

000 - mico de lata - trofeu

Para alguns, a Marisa está se precavendo contra um possível inverno no varejo – as previsões para o setor em 2015 não são das mais alvissareiras. No entanto, dentro da própria empresa há quem diga, ironicamente, que a profilaxia só veio depois da doença. Por doença entenda-se a perda de rentabilidade verificada em 2013. O lucro do ano passado, em torno de R$ 85 milhões, representou uma queda de 62% em relação ao ano anterior. Vá lá que não foi um período dos mais prósperos para o setor – as vendas no varejo cresceram apenas 4%. Mas a Marisa conseguiu ser ainda pior. Considerando- se as mesmas lojas, a receita recuou 8%.*

(*) Relatório Reservado de hoje

CULPADO FOI O LOXA, PRIMO DO XUNDA…

Ex-presidente da Petrobras isenta Dilma

de responsabilidade por Pasadena

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Em depoimento na CPI da Petrobras no Senado, o ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli saiu nesta segunda-feira (20) em defesa da presidente Dilma Rousseff e disse que não é dela a responsabilidade da compra da refinaria de Pasadena, investigada sob suspeita de ter representado prejuízo milionário.

À época da aquisição, Dilma era ministra da Casa Civil e presidia o Conselho de Administração da estatal. Segundo ele, a decisão foi colegiada.

“Não considero a presidente [Dilma] responsável pela compra de Pasadena. A responsabilidade é da diretoria da Petrobras e do Conselho de Administração, que passou por todos os procedimentos internos da Petrobras. Então, essa que é a questão chave. É um processo de decisão que não é individualizado, é um processo de decisão coletivo”, disse a parlamentares da CPI. Gabrielli foi a primeira pessoa a prestar depoimento na comissão, controlado por governistas.

O tom de Gabrielli é bem mais ameno do que a sua entrevista ao jornal “O Estado de S.Paulo” há um mês, quando disse que Dilma não podia “fugir da responsabilidade dela”.

“A presidente Dilma é uma profissional de extrema competência, gerente de extrema competência, pessoa de opiniões muito firmes, portanto, tem posições muito firmes. Porém, as decisões do conselho são colegiadas”, afirmou hoje o ex-presidente da estatal.

Ao justificar o seu aval à compra, a presidente Dilma disse que o relatório apresentado aos conselheiros era “falho e incompleto” e que, se ela tivesse ciência das cláusulas do contrato que acabaram elevando o custo da compra pela Petrobras, teria vetado o negócio.

Gabrielli ressaltou que, mesmo que em 2006 Dilma se mostrasse contrária à compra, haveria debate no conselho.

CPI do PC Farias

Em maio de 1992, a revista “Veja” publicou uma entrevista com Pedro Collor de Mello, irmão do então presidente da República, Fernando Collor de Mello, em que ele aponta o tesoureiro de campanha do chefe do Executivo como o “testa de ferro” de um esquema de corrupção que ficou conhecido como Esquema PC. As acusações geraram a instauração de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), que tinha como relator o senador Amir Lando (PMDB-RO), cujo relatório serviu de fundamento para o processo de impeachment contra Fernando Collor de Mello, o primeiro caso do gênero na América Latina Leia mais Luiz Carlos Murauskas / Folhapress
“Se ela [Dilma] colocasse essa posição [contrária] em 2006, eu não posso dizer qual seria a posição do conselho, porque haveria debate. (…) Evidente que ela, como presidente do conselho, tem um papel importantíssimo, mas o conselho debate. Não posso estimar qual seria posição do conselho se na hipótese a presidente demonstrasse a posição que ela está legitimamente defendendo hoje. Sei apenas que a decisão do conselho é colegiada.”

Gabrielli também afirmou que a refinaria de Pasadena estava “barata” quando foi comprada. “Era também uma refinaria que estava barata, porque foram comprados os primeiros 50% equivalentes a menos da metade do preço médio das refinarias por barril de destilação na época”, declarou.*

(*) Fernanda Calgaro – UOL