ESCREVEU NÃO LEU, O PAU COMEU!

Dilma encampa projeto petista de regular a imprensa

Desde que assumiu, presidente vinha mantendo distância do projeto de controle da imprensa. Agora, defende regulação “econômica” do setor

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Na semana em que a Executiva do PT publicou resolução em que faz diversos ataques à oposição e prega a regulação dos meios de comunicação em prol da hegemonia do partido, a presidente Dilma Rousseff admitiu que pretende abrir um “processo de discussão” sobre a regulação econômica da imprensa. Disse que não sabe ainda como será esse processo, mas afirmou que “isso jamais poderá ser feito sem consultar a sociedade”. Sobre a resolução do partido, a presidente afirmou: “Eu não represento o PT, represento a Presidência da República”, informa a versão on-line do jornal O Globo. “A opinião do PT é a opinião do partido, não me influencia. Não sou presidente do PT, sou presidente dos brasileiros”, disse Dilma, segundo o jornal Folha de S. Paulo.

“Liberdade de imprensa é uma pedra fundadora da democracia. E a liberdade de expressão talvez seja a maior coisa que emergiu da democracia”, disse. “Democracia é o direito de todo mundo ter uma opinião mesmo que não concorde com ela”, prosseguiu. Na sequência, Dilma afirmou que “outra coisa é confundir isso com a regulação econômica do setor”. “Essa é uma outra discussão. Diz respeito a monopólios. Em qualquer setor econômico, seja energia, petróleo, tem regulações e a mídia não pode ter?”, questionou.

Assim como o controle de conteúdo, o fim do que o PT classifica como “monopólio dos meios de comunicação” sempre foi bandeira defendida nos projetos do partido para regulação da imprensa. Ou seja, além de voltar sua artilharia contra os grandes grupos de comunicação, sempre alvo dos irados discursos petistas contra a imprensa, o partido busca golpear a receita publicitária dos veículos de informação – o que poderia redundar, no futuro, no controle indireto do conteúdo pelo governo. Desde que assumiu o Planalto, a presidente vinha mantendo distância do projeto petista de controle da imprensa: sepultou, inclusive, o projeto de lei para “regulação das comunicações” elaborado pela legenda durante o governo Lula, e que trazia na raiz o embrião autoritário da censura.

Economia – A presidente afirmou na tarde desta quinta que vai fazer o “dever de casa” e apertar o controle da inflação e que também fará um reajuste em todas as contas do governo. O posicionamento de Dilma, que vem dando sinais para acalmar a desconfiança do mercado, ocorreu durante coletiva de imprensa no Palácio do Planalto. Ela sinalizou ainda que não mexerá nem no centro nem no intervalo da meta de inflação, cujo teto definido pelo Banco Central é de 6,5%.

Dilma afirmou ainda que não está fazendo o “arrocho” que acusou a oposição de defender. Durante a campanha eleitoral, o PT buscou associar seu opositor, Aécio Neves (PSDB), às políticas econômicas impopulares que levariam, por exemplo, ao aumento do desemprego. Nesta quinta, contudo, ela disse que não está fazendo “estelionato eleitoral” ao adotar medidas econômicas como o aumento da taxa de juros, logo após ser eleita, para acalmar o mercado. A presidente também voltou a comentar a nomeação de seu futuro ministro da Fazenda, que substituirá Guido Mantega, e indicou que ele só será definido semanas após o G20, encontro com as vinte maiores economias do mundo que será realizado nos dias 15 e 16 deste mês. Ela, contudo, deixou claro que ainda não fez convite nenhum.

( VEJA – Com Estadão Conteúdo)

DIÁLOGO? NEM A PAU, JUVENAL!

O poder e a sedução do monólogo

Se a presidente reeleita chama o País ao “diálogo”, seu partido deixa claro que pretende ampliar e institucionalizar o seu monólogo autoritário.

A presidente Dilma disse que é hora de desmontar os palanques e de “saber ganhar ou perder.

O candidato derrotado, Aécio Neves, num retorno apoteótico ao Senado, fez um discurso prometendo “a mais vigorosa oposição que o país já assistiu”.

As duas declarações abriram um cenário inédito e até então desconhecido no jogo político do País. O governo petista jamais saiu do palanque e a oposição não conseguiu afirmar-se como “vigorosa” em nenhum momento que não fossem os três ou quatro meses que precederam a eleição.

O sistemático trabalho desenvolvido pelo populismo petista para dividir o país entre nós, os bons, e eles, os maus, está dando seus frutos – para o bem (três vitórias eleitorais seguidas) e para o mal (talvez a última e mais apertada delas traga os sinais que podem significar o fim de uma era).

Nem os petistas, acostumados ao domínio das ruas e ao manejo dos chamados “movimentos sociais” em proveito próprio, nem os tucanos, acostumados à condução “intelectual” do oposicionismo, conseguiram entender a verdadeira alma das manifestações de rua que se seguiram ao veredito das urnas.

Esses movimentos espontâneos mostraram que há mais mistérios entre PT e PSDB do que sonha nossa vã filosofia.

Há uma massa de 51 milhões de descontentes francamente cansados da maneira como o País vem sendo governado e de como essa mistificação cada vez mais institucionalizada é capaz de atrasar o crescimento e a modernização da sociedade.

Para tentar desmoralizar esse movimento inorgânico e suprapartidário que contamina o ar que se respira, esse anti-petismo difuso (do qual o PSDB está longe de ter o controle, como imagina, quando põe alguns de seus cardeais a condená-lo com suas frases de efeito e suas luvas de pelica), o partido que conclamou seus militantes “às armas”, pôs a sua máquina de difamação a serviço da falácia retórica ao rotulá-lo de “golpista”.

Contando com a ajuda de uma imprensa imatura, colegial e despreparada, foi fácil pescar dentro de uma manifestação de milhares de pessoas convictamente democráticas meia dúzia (se tanto) de lunáticos carregando cartolinas pedindo “intervenção militar”.

Como a ideologia, lembrando de novo Jean-François Revel, suspende a percepção da realidade e o senso moral, o tio Sukita (na definição do jornalista Guilherme Macalossi) que carregava a cartolina foi transformado no artífice do golpismo.Aquilo que deveria ser caricatura de si mesmo, se transformou em “fantasma do passado”.

A resolução do Diretório Nacional do PT, depois de aplicar o velho golpe semântico do sentido reverso, e atribuir ao candidato da oposição todas as baixarias que o próprio partido cometeu na campanha, diz que “é urgente construir hegemonia na sociedade” e “lutar pela democratização da mídia”. Iniciados no jargão partidário conhecem o perigoso significado disso.

Se a presidente reeleita chama o país ao “diálogo”, seu partido deixa claro que pretende ampliar e institucionalizar o seu monólogo autoritário.

Mais do que nunca a democracia precisa de “freios e contrapesos” para sobreviver.*

(*) Sandro Vaia, jornalista, no blog do Noblat.

SOBERBA E ARROGÂNCIA

As heranças de Dilma

O aceno inicial de Dilma para o diálogo foi uma boa iniciativa.
Só que parcial. Não mencionou governadores, Congresso e a oposição.

O governo Dilma 2 começa vergado por uma pesada carga de heranças de seu mandato primeiro. Algumas podem ser consideradas “heranças malditas”, como o desgoverno fiscal. Todas, em seu conjunto, são muito importantes e devem exigir  um grau de elevada competência em vários campos.

Na economia, Dilma herda um governo com credibilidade internacional débil, problemas sérios de natureza fiscal e cambial, crescimento muito abaixo das expectativas e mantendo os investidores nacionais e estrangeiros em compasso de espera a respeito da qualidade da equipe econômica que pretende escalar.

A questão econômica tangencia a sociedade quando estamos diante do possível aumento de preços de energia, de combustível e da própria carga tributária para melhorar o resultado fiscal. Atinge em cheio à sociedade quando temos um encolhimento dramático da participação da indústria no PIB e o fantasma do desemprego rondando setores importantes, como o metalúrgico e o de transportes.

Desde o início do primeiro governo Lula, o Brasil nunca iniciou uma presidência com tantos problemas e desafios no campo econômico. A diferença é que Lula operou muito bem os mercados ao acenar com uma conciliação ancorada em dois nomes com credibilidade: Antonio Palocci e Henrique Meirelles. Não é o que vemos hoje, por enquanto.

O governo Dilma deveria lembrar de Bias Fortes, político mineiro, para quem “o primeiro dever de um governo é não assustar”. Para a saúde da economia, melhor seria a indicação imediata de uma equipe de altíssimo gabarito e elevada qualificação técnica.

Outro aspecto crítico é a gestão. A presidente chega ao seu segundo mandato com resultados inconsistentes. Se no capítulo da concessão dos aeroportos e rodovias, as metas foram quase cumpridas, nos portos e ferrovias praticamente nada foi feito.

O governo se depara com um grave problema no setor de energia, com dívida de geradoras e distribuidoras superiores a R$ 50 bilhões, reajuste de tarifas para os consumidores que superam 50%, além de falta d’água e racionamento a caminho. Problemas demais num só setor.

Na política, o saldo é uma base de apoio menor e mais dividida, com problemas em todos os partidos. PMDB e PP estão rachados. O PTB, hostil. PSD e o PROS famintos por cargos. E o PT, além de dividido, magoado. O custo da unificação é elevado.

Outro desafio: a substituição do ministro José Jorge, do TCU. Dilma gostaria de indicar alguém de sua confiança, mas, pela tradição, a vez é do Senado. O que fazer? Quem leva a melhor?

Existe um clima de guerra surda no Congresso. A derrota na Câmara dos Deputados na questão dos conselhos populares era mais do que previsível, mas não deixa de ser um recado. E vem mais por aí.

A pauta bomba tem grandes impactos. Na pauta da Câmara desta semana estão o fim da contribuição de inativos, a equiparação de salários de presidente da República, de vice, de ministros de estados, senadores e deputados federais, ministros do Supremo Tribunal Federal, Orçamento Impositivo, aumento do Fundo de Participação dos Municípios, entre outros. No Senado, o projeto que muda o indexador da dívida de estados e municípios com a União já foi aprovado.

Para alimentar o caldeirão, o Judiciário quer aumentos de 22%, muito acima dos 5% propostos no Orçamento. E a PEC da Bengala, que vai ampliar de 70 para 75 anos a data limite de aposentadoria de ministros do STF, assunto do qual Dilma não quer ouvir pois isso implica deixar para o sucessor a adorável tarefa de substituir cinco ministros.

O aceno inicial de Dilma para o diálogo foi uma boa iniciativa. Só que parcial. Não mencionou governadores, Congresso e a oposição. Pode ter agradado alguns, mas desagradou o mundo político. O clima não é bom. Em São Paulo, ocorreram manifestações contra o governo federal e contra o governo estadual. Podem ser o gatilho de uma nova série de manifestações como em junho do ano passado? Acho que não. Mas não é impossível.

Outra herança  indigesta é o Petrolão. O governo terá uma extensa agenda negativa nos próximos meses, na medida que as delações forem sendo tornadas públicas. A incógnita está no tamanho do problema. Onde vai chegar? Quem será atingido pelas denúncias? Haverá cassações como na CPI do Orçamento, em 1993? Uma certeza: o espectro do Petrolão dificulta  a reforma ministerial.

Esta  semana, Lula e Dilma gastaram horas avaliando o quadro. Sabem que as heranças  compõem um quadro muito complexo, onde a competência política e econômica, a inteligência emocional e o pragmatismo serão muito mais do que necessários. Serão vitais. *

(*)  Murilo Aragão, cientista político, no blog do Noblat

NO MATO SEM CACHORRO

Sem uma equipe nova, Dilma não conseguirá dar credibilidade à política econômica

De nada adiantará uma nova equipe, se Dilma continuar apegada
às mesmas ideias equivocadas sobre economia

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O país afinal se dá conta das reais proporções do desafio que o novo governo terá de enfrentar para restaurar a credibilidade da política econômica, restabelecer o controle sobre as contas públicas, trazer a inflação de volta à meta e superar o quadro de desconfiança e estagnação que se instalou na economia.

Seria tarefa hercúlea, mesmo para um governo convicto do que precisa ser feito e da necessidade de incorrer nos inevitáveis custos políticos que estarão envolvidos. Muito mais difícil será para a presidente Dilma, ao cabo de uma campanha eleitoral inconsequente, em que se permitiu não só negar a necessidade de qualquer correção de rumo na política econômica, como demonizar os penosos ajustes que agora terão de ser feitos.

Fosse a presidente mais afeita à delegação de responsabilidade, a simples nomeação de uma nova equipe econômica, claramente alinhada à agenda de mudanças requeridas, poderia ser vista como sinal convincente da sua efetiva disposição de imprimir novo rumo à condução da política econômica.

Mas tendo construído sólida reputação de centralizadora implacável, que jamais abriu mão de manter controle férreo sobre cada detalhe da política econômica, a presidente precisa de bem mais do que uma mudança de equipe, para dar credibilidade à ideia de que a mudança de rumo é de fato para valer.

De nada adiantará uma nova equipe, se Dilma continuar apegada às mesmas ideias equivocadas que redundaram no desastroso desempenho da economia que hoje se vê.

Ter isso em conta ajuda a perceber quão disparatada é a ideia de que um simples remanejamento da equipe econômica do primeiro mandato, com reescalação de reservas, seria suficiente para dar credibilidade à suposta disposição da presidente Dilma de dar rumo mais promissor à condução da política econômica.

A manutenção de Guido Mantega na Fazenda tornou-se insustentável. E a presidente já deixou claro que vai substituí-lo. Mas isso não impediu que o ministro se sentisse confortável para declarar que o resultado da eleição mostrou que a população aprova a política econômica em curso.

Como Mantega sobreviveu mais de oito anos no cargo, sem jamais ter proferido frase que não contasse com chancela prévia dos seus superiores, é bem provável que essa sua leitura peculiar da mensagem das urnas seja a que de fato prospera no Planalto.

No cenário de simples remanejamento da equipe econômica do primeiro mandato, os nomes que têm sido mencionados na mídia para ocupar o cargo de ministro da Fazenda são Nelson Barbosa e Luciano Coutinho.

Reiterando recomendação mais alentada que já fiz nesse mesmo espaço, em 31 de janeiro deste ano, sugiro, a quem está propenso a acreditar que Nelson Barbosa está apto a comandar a restauração da credibilidade da política econômica, que leia o artigo que ele publicou sob o título “A inflexão do governo Lula: política econômica, crescimento e distribuição de renda”, disponível em http://migre.me/hEprG

Escrito em tom triunfalista, em meio à euforia de 2010, o artigo apresenta relato quase épico dos grandes feitos que vinham sendo logrados pela “opção desenvolvimentista”, após a derrota da “visão neoliberal” no governo Lula, com o abandono da proposta de ajuste fiscal de longo prazo. Passados quatro anos, e estando a economia como está, sua leitura tornou-se imperdível.

Não é razoável supor, tampouco, que a restauração de credibilidade possa ser comandada por Luciano Coutinho, arquiteto do gigantesco orçamento paralelo que vem sendo operado no BNDES com recursos provenientes de emissão de dívida pelo Tesouro, foco de boa parte do descrédito em que caíram a condução da política fiscal e o registro das contas públicas nos últimos anos.

Com uma simples dança de cadeiras, a presidente não conseguirá que o país leve a sério sua suposta disposição de enfrentar a pesada agenda de política econômica que tem pela frente. Se Dilma nem mesmo puder contar com uma nova equipe econômica, a restauração da credibilidade que hoje se faz necessária está fadada a se tornar missão impossível.

(*) Rogério Furquim Werneck, O Globo

 

BONECA DE VENTRÍLOCO

Quatro motivos pelos quais Lula atua

como coordenador político do governo

Sem ele, Dilma não conseguirá governar.

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Falta de habilidade política de Dilma

A presidente Dilma Rousseff nunca foi uma política habilidosa. Trata os aliados com costumeira grosseria, o que provoca diversas reações. O ex-presidente Lula, por outro lado, procura escutar os aliados, ainda que não atenda a todos os seus pedidos. Dilma, muitas vezes, nem os recebe. É uma reclamação generalizada entre os deputados e senadores da base de apoio do governo no Congresso.

Fortalecimento da oposição

Apesar da derrota do senador Aécio Neves (PSDB), a oposição foi reforçada com a eleição de Tasso Jereissati (PSDB-CE), José Serra (PSDB-SP), Antônio Anastasia (PSDB-MG) e Ronaldo Caiado (DEM-GO) para o Senado, além do próprio Aécio, Aloysio Nunes (PSDB-SP) e Alvaro Dias (PSDB-PR). Em termos de qualidade, uma bancada de dar inveja. Sem ele em campo será praticamente impossível garantir a governabilidade de Dilma.

Desidratação nas urnas

A base de apoio do governo saiu das urnas menor. O Partido dos Trabalhadores pagou caro pelo desgaste dos 12 anos no governo. A bancada caiu de 88 deputados eleitos em 2010 para 70. Foi a maior perda. Para piorar, a fragmentação partidária dificulta a tentativa de diálogo. Na Câmara, fala-se em formação de um bloco com mais de 150 deputados da base, que não aceitariam as propostas do governo sem negociá-las. Lula é visto com bons olhos pelos deputados. Dilma? Não.

Eleições de 2018

Lula movimenta-se para voltar em 2018. Só o fará se a economia estiver em boa situação, o que não ocorre atualmente. Acontece que o mercado financeiro tinha confiança na política econômica adotada no governo dele. Em relação à Dilma, chovem críticas sobre o seu estilo centralizador. Lula foi ortodoxo na condução da economia. Dilma pensa diferente dele. E age diferente. *

(*) Gabriel Garcia, no blog do Noblat

ESCANDOLOBRÁS

Doleiro Alberto Youssef diz que

Gleisi Hoffmann recebeu R$ 1 milhão

O doleiro Alberto Youssef disse em depoimento ao Ministério Público Federal que deu R$ 1 milhão à campanha que elegeu Gleisi Hoffmann (PT-PR) ao Senado, em 2010.

Gleisi foi também chefe da Casa Civil no governo da presidente Dilma Rousseff entre junho de 2011, quando Antonio Palocci deixou o cargo, e fevereiro deste ano.

Segundo o doleiro, o montante foi entregue em quatro parcelas, em espécie, ao dono do shopping Total de Curitiba, Michel Gelhorn.

Três das parcelas foram entregues no próprio shopping, de acordo com Youssef.

O empresário é sócio do apresentador de TV Carlos Massa, o Ratinho, em outro shopping em Curitiba, o ParkShopping Barigüi.

O depoimento do doleiro foi prestado aos procuradores que atuam na Operação Lava Jato, no acordo de delação premiada que ele fez.

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa já havia citado em sua delação que a campanha de Gleisi recebera R$ 1 milhão.

Costa confirmou que uma anotação que havia num de seus cadernos apreendidos pela Polícia Federal (“P.B., 0.1”) era uma referência cifrada a essa doação.

Ainda de acordo com Costa, P.B era Paulo Bernardo, marido de Gleisi.

Em 2010, quando foi feita a anotação pelo ex-diretor da Petrobras, Paulo Bernardo era o ministro do Planejamento do governo Lula. Em 2011, com a posse de Dilma Rousseff, assumiu a pasta das Comunicações.

Para ter uma pena menor, Youssef assinou um acordo de delação no qual se compromete a revelar o que sabe sobre o esquema de suborno da Petrobras.

O doleiro corria o risco de ser condenado a mais de cem anos de prisão. Ele é acusado de comandar um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 10 bilhões, com desvios na estatal e ramificações em partidos como PP, PT e PMDB.

OUTRO LADO

A senadora Gleisi Hoffmann diz em nota que as contas de sua campanha foram aprovadas pela Justiça eleitoral sem qualquer ressalva.

Ela disse que não conhece o doleiro nem o ex-diretor da Petrobras. Segundo a senadora, seus advogados estão estudando o que fazer no caso já que ela não teve acesso aos depoimentos prestados após o acordo de delação.

Paulo Bernardo negou ter pedido qualquer contribuição ilícita a Costa. Ele disse conhecer o dono do shopping, mas negou que a campanha de sua mulher tenha recebido recursos ilegais.

Folha não conseguiu localizar o empresário.

E FICAMOS COMBINADOS ASSIM…

No escurinho da CPI,

PSDB e PT se entendem

StockI mages

Sob refletores, Aécio Neves fez um pronunciamento de mostruário no plenário do Senado. Peito estufado, soou enfático: “Chamo a atenção desta Casa e dos brasileiros para o que vou dizer.” As frases saltavam-lhe dos lábios embebidas de sangue. “Qualquer diálogo tem que estar condicionado especialmente ao aprofundamento das investigações e exemplares punições daqueles que protagonizaram o maior escândalo de corrupção da história desse país, já conhecido como petrolão.”

Com loquacidade ensaiada, Aécio aproveitou os mais de 51 milhões de votos que recebeu dos brasileiros para elevar a estatura da oposição. Longe dos holofotes, no entanto, o PSDB dialogou com o PT para rebaixar o teto na CPI da Petrobras. A portas fechadas, tucanos, petistas e Cia. definiram o que não desejam investigar. No melhor estilo uma mão suja a outra, tiraram de cena políticos e operadores que estão pendurados de ponta-cabeça no noticiário sobre o escândalo da Petrobras.

Pelo lado do PT, foi à gaveta o requerimento de convocação do tesoureiro João Vaccari Neto, acusado de fazer o traslado da propina da Petrobras até as arcas do petismo. Enfurnaram-se também as convocatórias da senadora Gleisi Hoffmann e do seu marido, o ministro Paulo Bernardo (Planejamento). Ela foi apontada como beneficiária de uma youssefiana de R$ 1 milhão para a campanha de 2010. Ele foi mencionado como uma espécie de agenciador.

No jogo de proteção mútua, o tucanato tirou de cena um potencial depoente chamado Leonardo Meirelles. Trata-se do empresário que, investido da autoridade de laranja do doleiro Alberto Youssef, declarou à Justiça Federal ter repassado propinas extraídas de negócios da Petrobras para o deputado pernambucano Sérgio Guerra, ex-presidente do PSDB federal, já morto.

Os acertos que transformaram o discurso de Aécio em palavras cenográficas foram feitos numa reunião a portas fechadas, antes do início da sessão da CPI. O repórter Gabriel Mascarenhas conta que o deputado petista Marco Maia, relator da comissão, achou tudo normalíssimo: “Gente, foi um acordo político, feito por todos os presentes, que se resolveu, em função da falta de densidade das denúncias, não produzir nenhum tipo de oitiva neste momento.”

O deputado tucano Carlos Sampaio dançou conforme a música, um chorinho bem brasileiro: “Decidimos excluir os agentes políticos e os citados nas delações premiadas. Abrimos mão de ouvir Gleisi e Vaccari. Todo mundo concordou.” Repita-se, por eloquente, a última frase: “Todo mundo concordou”. Espanto! De novo: “Todo mundo concordou”. Pasmo! Mais uma vez: “Todo mundo concordou”. Estupefação.”

No escurinho da CPI, tucanos, petistas e toda a banda muda do Congresso desistiram também de quebrar os sigilos bancários, fiscais e telefônicos das empreiteiras acusadas de fraudar contratos na Petrobras. Optou-se, veja você, por requerer explicações por escrito. Estipulou-se um prazo: dez dias. A CPI ameaça torcer o nariz de quem desobedecer.

Sempre se soube que empreiteiras enxergam na testa dos políticos apenas o código de barras. E, de tempos em tempos, surge uma CPI para revelar os atalhos que levam os congressistas para proveitosos diálogos com potenciais financiadores.

Horas antes de Aécio discursar sobre suas condições para o diálogo, Dilma Rousseff dissera no Planalto que, passada a eleição, é hora de “desmontar ospalanques”. Na CPI, as “condições” e os “palanques” já sumiram. Ali, tucanos e petistas estreitam a inimizade e exercem seu último privilégio, que é o de poder escolher seus próprios caminhos para a desmoralização. Por sorte, sempre que a Polícia Federal e o Ministério Público entram numa jogada, como na Operação Lava Jato, a promiscuidade pode acabar na cadeia.*

(*) Blog do Josias de Souza

AGORA VAI?

Dê-se por fundada a nova oposição

O PT ainda não se recuperou do susto de quase ter perdido a eleição.

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Caso não se registre mais adiante nenhum tipo de recuo, dê-se por fundada nos últimos dois dias a oposição brasileira desaparecida desde que o PT chegou ao poder com Lula em janeiro de 2003.

É de celebrar, mesmo até se você for petista de carteirinha. Uma democracia não se consolida sem que haja oposição. Um partido não se reinventa se reinar sozinho.

O PT tentou ser governo e oposição ao mesmo tempo, não deixando espaço a ser ocupado pelos adversários. Mas ninguém chega ao poder impunemente. O poder entorpece e corrompe. O PT não escapou da escrita.

Foi mais por falta de hábito, preguiça, distanciamento do distinto público e medo de enfrentar o carisma de Lula que a oposição comandada pelo PSDB cruzou os braços nos últimos 12 anos. Perdeu a voz. Refugiou-se nos gabinetes.

Finalmente, parece ter saído da toca sob o impacto dos 50 milhões de votos colecionados por Aécio Neves. E dos discursos exemplares que ele fez desde que se reapresentou ao Senado onde ficará por mais quatro anos.

Aécio rompeu com o jeitinho brasileiro de se compor por cima ou de conciliar por conciliar, fugindo do choque aberto e afirmativo. Seu discurso não tem sido de um perdedor – pelo contrário. Foi para cima do governo. E o fez com especial dureza.

É assim nas democracias amadurecidas. Quem perde vai para a oposição. E tenta enfraquecer o governo para substituí-lo um dia. Assim procedeu o PT entre 1989, quando Lula concorreu à presidência pela primeira vez, e 2002 quando ele se elegeu.

O PT ainda não se recuperou do susto de quase ter perdido a eleição. Está perplexo com o comportamento do PSDB e de seus aliados. Por enquanto ainda não sabe como reagir.*

(*) Blog do Ricardo Noblat