TRAGÉDIA MUNDIAL

‘Temos governos que não acreditam na ciência’, diz Joseph Stiglitz

Para economista, crise causada pelo coronavírus explicita a postura desastrosa de líderes como Trump e Bolsonaro

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O economista Joseph Stiglitz avalia que líderes que emergiram da negação da política mostram-se, nesta pandemia do coronavírus, oportunistas e focados em seus projetos eleitorais, com posturas hesitantes que trarão consequências desastrosas. Prêmio Nobel de Economia em 2001, ele critica a atuação do americano Donald Trump e do brasileiro Jair Bolsonaro para defender um novo contrato entre o mercado, o Estado e a sociedade civil. Em entrevista ao Estado, o professor da Universidade Columbia afirma que a atual crise destaca a importância de um equilíbrio da economia e da ciência, que precisa pautar os governos. “É notável a rapidez com que conseguimos analisar o vírus e descobrir de onde ele veio, desenvolvendo o teste. E toda a ciência é baseada em apoio governamental”, observa. “No Brasil e nos Estados Unidos, temos governos que não acreditam em ciência e estamos vendo as consequências.” As avaliações de Stiglitz também serão detalhadas num livro que o economista lançará, em setembro, no Brasil: People, Power and Profit (Pessoas, Poder e Lucro, numa tradução literal – ainda não tem título em português). *

(*) Breno Pires, BRASÍLIA – Estadão

CHAME O BISPO MACEDO, BOZO!

Contrariando Bolsonaro, estudo do Exército defende isolamento

Um estudo do Ceeex (Centro de Estudos Estratégicos do Exército) classifica o isolamento social como a medida mais adequada para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus no Brasil, publica o UOL.

Segundo o centro de estudo, o tal do isolamento vertical — medida defendida por Jair Bolsonaro — só seria possível numa segunda fase, chamada de “estabilidade”, e depois de ampla análise.

O texto defende ainda o “fechamento de escolas em todos os níveis” e diz que o consenso entre especialistas em saúde é que “o isolamento social seja a melhor forma de prevenção do contágio, especialmente o horizontal, para toda a população”.

O Ceeex foi criado em 2003 e é subordinado ao chefe do Estado-Maior do Exército. Os textos publicados pelo centro “devem orientar o Sistema de Planejamento do Exército e servir aos planejamentos do órgão de Direção Geral e dos órgãos de Direção Setorial”.

O GURU DO BOZO, O GENÉRICO.

Olavo pede a saída de Mandetta

Olavo de Carvalho, o astrólogo oficial, defendeu no Facebook a saída de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde.

“Fora, ministro Punhetta!”, disse.

Para Olavo, Mandetta “é o exemplo típico do que acontece quando um governo escolhe seus altos funcionários por puros ‘critérios técnicos’, sem levar em conta a sua fidelidade ideológica”.

“Tudo o que os comunistas mais desejam é que o adversário tente vencê-los fugindo da briga ideológica”, afirmou.

NEM JESUS NA CAUSA…

COMO O PAÍS É DESGOVERNADO…

COMO OS AUXILIARES DE BOLSONARO SE POSICIONAM NO COMBATE AO CORONAVÍRUS

Apoiam publicamente o isolamento total
Henrique Mandetta (Saúde)
Paulo Guedes (Economia)
Sergio Moro (Justiça)
Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia)
Tereza Cristina (Agricultura)

Apoiam publicamente Bolsonaro e a reabertura do comércio
Abraham Weitraub (Educação)
Ricardo Salles (Meio Ambiente
Arthur Weintraub (assessor especial da Presidência)
Onyx Lorenzoni (Cidadania)
Ernesto Araújo (Relações Exteriores)
Augusto Heleno (GSI)
Regina Duarte (Secretária Especial da Cultura)

Publicamente afirmam uma coisa e, nos bastidores, defendem outra
Damares Alves (Mulher, Direitos Humanos e Família)
Jorge Oliveira (Secretaria-Geral)
Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional)
André Mendonça (Advocacia-Geral da União)*

(*) Folha de SP

TEM QUE SER INTERNADO EM ISOLAMENTO

Bolsonaro virou o bobo da corte

A piada em que Bolsonaro se transformou poderá custar vidas

Jair Messias Bolsonaro tornou-se um bobo da corte, com uma diferença importante: bobos da corte costumavam dizer verdades.

Os sinais de que o presidente da República deixou de ser levado a sério são numerosos e inequívocos. Prefeitos e governadores, alguns dos quais eleitos na mesma onda conservadora que impulsionou Bolsonaro, fazem exatamente o contrário do que ele recomenda —e não hesitam em explicitar isso.

Até ministros de Estado, que foram por ele escolhidos e são demissíveis “ad nutum”, se articulam para fazer o by-pass do chefe. Além de Mandetta, Moro e Guedes já disseram, ainda que tentando esboçar alguma diplomacia, que apoiam as medidas de isolamento social que Bolsonaro renega. Há notícias de que o núcleo militar tenta enquadrá-lo, mas a persuasão, quando surte efeito, é transitória. Só dura até a próxima declaração ou postagem, quase sempre uma combinação de mentiras com delírios.

É bastante sintomático que empresas de mídia social como Twitter e Instagram tenham decidido censurar manifestações de Bolsonaro, por julgar que se tratam de falsidades que colocam pessoas em risco.

No Congresso o clima não é muito diferente. Parlamentares já desistiram de esperar que Bolsonaro exerça a liderança que caberia ao presidente num momento como este e estão cuidando de elaborar por conta própria medidas para atenuar a crise. Se o Legislativo estivesse operando em condições de normalidade, estaríamos possivelmente iniciando procedimentos de impeachment.

O isolamento de Bolsonaro é internacional. Se, até uma ou duas semanas atrás, ainda havia líderes populistas apostando no negacionismo, como o mexicano Andrés Manuel López Obrador e o próprio Donald Trump, eles vislumbraram o tamanho da encrenca e adotaram uma posição mais responsável. Bolsonaro ficou praticamente sozinho.

Só não dá para rir da piada que Bolsonaro se tornou porque ela poderá custar vidas.

(*) Hélio Schwartsman – Folha de São Paulo

QUANDO ESSE VÍRUS SERÁ ISOLADO?

Bolsonaro faz chamado para jejum religioso neste domingo contra coronavírus

Presidente compartilhou vídeo nas redes sociais em que ele e pastores pedem para população ficar um dia sem comer

O presidente Jair Bolsonaro fez uma convocação para um jejum religioso nacional neste domingo (5) para o país superar a crise desencadeada pelo novo coronavírus. ​

O chefe do Executivo compartilhou neste sábado (4) um vídeo nas redes sociais em que ele e vários pastores pedem para a população ficar um dia sem comer.

Na última quinta-feira (2), Bolsonaro já havia convocado as pessoas a jejuar para o que o Brasil “fique livre desse mal”, em referência à pandemia.

Na gravação publicada neste sábado, a voz de um narrador anuncia que “os maiores líderes evangélicos deste país atenderam à proclamação santa feita pelo chefe supremo da nação”.

De acordo com o vídeo, Bolsonaro convocou o “exército de Cristo para a maior campanha de jejum e oração já vista no país”. Os líderes das maiores igrejas evangélicas do Brasil, como Valdemiro Santiago, RR Soares, Bispo Rodovalho e Edir Macedo, aparecem no vídeo.

Além disso, três deputados da bancada evangélica também participam da convocação: Abílio Santana (PR-BA), Silas Câmara (Republicanos-AM) e Marco Feliciano (Sem partido-SP). O último afirma que as pessoas têm de orar e “pedir misericórdia para que essa praga cesse e todas as previsões ruins para o Brasil caiam por terra”.

Ao final, o narrador afirma que neste domingo a “igreja de cristo na terra irá clamar e o inferno irá explodir”.*

(*) Matheus Teixeira – Folha de São Paulo
BRASÍLIA

O BOZO ORIGINAL FALOU…

Trump diz que haverá “muitas mortes” nas próximas duas semanas

Em coletiva neste sábado, Donald Trump afirmou que esta semana e a próxima provavelmente serão as mais difíceis na luta contra o coronavírus e que “haverá muitas mortes”.

“Entre esta semana e a próxima semana serão as mais difíceis, e haverá muitas mortes, infelizmente, mas muito menos mortes do que se nada fosse feito.”

Até o início da tarde deste sábado, foram registradas mais de 8 mil mortes no país em razão da Covid-19.*

(*) BBC

VAI OU NÃO VAI PARA O TRONO?

Afinal, quem governa o Brasil?

Já havia muitas evidências, mas na última semana uma grande duvida percorreu as principais colunas de política da imprensa brasileira: se Jair Bolsonaro não governa mais, quem governa o Brasil em meio à pandemia do coronavírus?

O primeiro a dar uma resposta foi Luis Nassif, que deu em manchete no seu site: “Acordo das Forças Armadas coloca Braga Netto como `presidente operacional´”

O que é isso? Nunca tinha ouvido falar nessa expressão, mas o colega deu detalhes: “Oficialmente, o general de Exército Braga Netto assumiu o comando do governo Bolsonaro em cargo que os meios militares estão chamando de Estado-Maior do Planalto”.

Esse Estado-Maior é formado pelos generais palacianos, uma espécie de junta militar informal, que cuida da administração, enquanto o presidente vai para a galera no “cercadinho” do Alvorada para encontrar devotos da sua seita, brigar com os jornalistas e xingar os governadores.

Na retaguarda, fica o general da reserva Villas Bôas, o fiador da candidatura de Bolsonaro, que o presidente foi visitar na segunda-feira em sua casa, no Setor Militar Urbano, em busca de apoio e de conselhos.

Pouco depois, Villas Bôas publicou um post no Twitter manifestando seu apoio ao presidente. Numa entrevista ao Estadão, o general revelou que Bolsonaro acha que está “todo mundo” contra ele, “principalmente a mídia, nacional e internacional”.

Por que será? A maior prova do esvaziamento do poder de Bolsonaro foi dada na sexta-feira por Thais Oyama, minha vizinha aqui no UOL, ao divulgar a agenda do presidente naquele dia.

Nela havia apenas duas audiências previstas na parte da manhã, com os ministros terraplanistas Eduardo Araújo, de Relações Exteriores, e Abraham Weintraub, da Educação, os dois indicados pelo guru Olavo de Carvalho.

Braga Netto assumiu oficialmente suas novas funções na segunda-feira, quando passou a comandar a mesa da entrevista coletiva com ministros encarregados de prestar contas do trabalho do governo no combate à pandemia.

Foi uma forma também de tirar o protagonismo do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, transferindo a coletiva diária para o Palácio do Planalto.

Não adiantou muito porque, na hora das perguntas, a maioria é dirigida a Mandetta, já que os outros não têm muito o que dizer, além de sempre elogiar Bolsonaro, que não participa do ritual.

Nos outros países, quem dá orientações e presta contas diariamente à população são os próprios presidentes ou primeiros-ministros, mas aqui o presidente prefere os monólogos, em rede nacional de TV, ou em entrevistas exclusivas para a imprensa amiga (Ratinho, Datena, etc).

O chefe da Casa Civil pouco fala nessas entrevistas e se limita ao papel de mestre de cerimônias, apenas passando a palavra aos ministros. Depois de alguns atritos com os repórteres, na última entrevista da semana o general chamou três deles para elogiar suas perguntas.

O papel de figurante do presidente em seu próprio governo ficou claro no novo Datafolha em que 51% dos entrevistados responderam que “Bolsonaro mais atrapalha do que ajuda no combate ao vírus”.

Na semana em que mais bombardeou o ministro da Saúde, para acabar com o isolamento social e reabrir o comércio, outro número da pesquisa deve ter preocupado Bolsonaro: enquanto Mandetta alcançava 76% de aprovação, o índice do presidente ficou em 33%, o núcleo duro do seu eleitorado que lhe permanece fiel.

Quer dizer, para mais de dois terços da população, que não conhece os meandros do poder no Palácio do Planalto, o ministro da Saúde é a figura mais importante e bem aprovada do governo.

Com índice também bastante superior ao do presidente, com 57% de aprovação, aparece o governador João Doria, de São Paulo, que pediu para a população não seguir as orientações de Bolsonaro e fez campanha para todos ficarem em casa.

Dividido entre a ala militar e a ala ideológica dos filhos olavistas, Bolsonaro se equilibra na corda bamba, cada vez mais isolado e fragilizado no Palácio do Planalto, sem ter muito o que fazer.

“O brasileiro elegeu um presidente da República, mas é comandado por um vereador”, disse ao “Painel” da Folha o deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), líder da minoria na Câmara, referindo-se ao filho Carlos Bolsonaro, que agora ganhou um gabinete no mesmo andar do pai.

A única iniciativa concreta que Bolsonaro tomou durante a semana, em que o número de mortes e de infectados pelo coronavírus bateu recordes no Brasil, foi convocar para este domingo um “jejum nacional” com as igrejas evangélicas, que lhe deram a ideia.

Com tanta gente já passando fome, não vai fazer muita diferença.

O clima em Brasília é de fim de feira, hora da xepa.

Bom domingo.

Vida que segue.*

(*) Blog do Ricardo Kotscho – UOL