TRAPACEIROS & VELHACOS

Vigaristas arrebanharam otários para serem vacinados numa garagem

Pandemia estimulou a mobilização de empresários para colaborar, mas também, a entrada de vigaristas

Por 'moral e bons costumes', há 70 anos Dutra decretava fim dos cassinos no Brasil — Senado Notícias

A pandemia estimulou a mobilização de empresários para colaborar com a saúde pública. Estimulou também a entrada de vigaristas. Basta lembrar o aparecimento de duas girafas. No ano passado havia um inglês oferecendo 40 milhões de testes por mês.

Em janeiro, apareceram 33 milhões de vacinas da AstraZeneca que seriam intermediadas por um fundo a um consórcio de empresas que repassariam metade ao SUS e ficariam com a outra parte. A dose sairia a US$ 23,79, enquanto no mercado ela custava US$ 5,25. A AstraZeneca disse que não vendia as vacinas e o fundo denunciou a malandragem.

Finalmente, em março, vigaristas arrebanharam otários para serem vacinados clandestinamente numa garagem da Viação Saritur, em Belo Horizonte. Cada um pagou R$ 600 (cerca de US$ 100) pela picada. A enfermeira-frentista esteve presa, e os otários esconderam-se.

Em princípio, empresário entende de dinheiro. Quem quiser meter sua reputação nessas aventuras deve saber que elas têm duas balizas: numa ponta ficou o Itaú Unibanco, que tirou R$ 1 bilhão do seu caixa, formou um conselho e deu-lhe poderes para distribuir o dinheiro. Na outra está a turma da garagem da Saritur. No meio ficam as girafas dos testes ingleses, das vacinas do consórcio, dos projetos de isenções tributárias, leitos privatizados e outros avanços na Bolsa da Viúva.

Como dizem os crupiês: façam seu jogo, senhores.*

(**) Elio Gaspari – Folha de S.Paulo

 

CIRCO BRASIL

Cidadania decide pedir a Kajuru para sair do partido ou será expulso

 

AINDA ESPANTADO: A Charge do Dias - A CPI dos patrunfos

A executiva do Cidadania passou a tarde reunida virtualmente. E decidiu por unanimidade pedr ao senador Jorge Kajuru que saia do partido.

Se Kajuru não deixar a legenda, será aberto um processo de expulsão.

Um dos presentes à reunião relata que Kajuru já havia se metido em outras encrencas, mas que, de alguma maneira, eram contornáveis. O nebuloso caso de sua conversa com Jair Bolsonaro, divulgada por ele próprio, entornou o caldo de vez. Diz um deputado do Cidadania:

(**) Por Lauro Jardim – O Globo

AGRESSOR CONTUMAZ

AMEAÇADO POR BOLSONARO, RANDOLFE AFIRMA JÁ TER RECEBIDO SOCO DO PRESIDENTE

Senador disse em 2013 ter sido agredido durante visita da Comissão da Verdade ao antigo DOI-Codi

Discussão entre Jair Bolsonaro e Randolfe Rodrigues na entrada da Comissão da Verdade do Senado no prédio do antigo DOI-Codi, em 2013 Foto: Márcia Foletto/Agência O GloboDiscussão entre Jair Bolsonaro e Randolfe Rodrigues na entrada da Comissão da Verdade do Senado no prédio do antigo DOI-Codi, em 2013 Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo

A ameaça feita por Jair Bolsonaro a Randolfe Rodrigues na ligação divulgada por Jorge Kajuru não é o primeiro ponto de atrito entre os dois.

Em 2013, Randolfe afirmou ter levado um soco do então deputado federal.

Segundo Randolfe, Bolsonaro deu um golpe em sua barriga durante uma confusão em frente ao prédio do antigo DOI-Codi, no Rio de Janeiro, em setembro daquele ano.

O soco teria sido dado em meio a uma discussão entre os dois durante uma visita de integrantes da Comissão da Verdade do Senado e do Rio de Janeiro ao edifício.

Segundo Rodolfe, Bolsonaro ficou irritado após ter sido impedido de participar da visita, por não fazer parte da comissão.

“Dissemos para o Bolsonaro que ele não podia entrar, e que não era bem-vindo. Ele disse: ‘Olha só quem quer me impedir de entrar no meu quartel!’. Falei: ‘O senhor não integra esta comissão e não tem nada a ver com essa visita’. Ele me chamou de ‘moleque’, abaixou e deu um soco por baixo, no meu estômago. Depois do soco, eu empurrei ele, ele me empurrou e me chamou de ‘vagabundo’. Eu disse que o ‘cara de pau’ é ele, que não deveria estar lá”, disse Randolfe em 2013.

Na ocasião, Bolsonaro negou a agressão.

Em um áudio divulgado neste domingo, Bolsonaro afirmou a Jorge Kajuru: “Mas se você não participa, daí a canalhada lá do Randolfe Rodrigues vai participar. E vai começar a encher o saco. Daí, vou ter que sair na porrada com um bosta desse”.*

(**) Por Naomi Matsui – Época

 

“SE GRITAR PEGA CENTRÃO”…

Valdemar negocia com Bolsonaro retomada do controle do DNIT

TRIBUNA DA INTERNET | Bolsonaro entregará comando do Banco do Nordeste a  indicado pelo PL, de Valdemar Costa Neto

Depois de voltar a indicar ministro e a frequentar os recessos mais íntimos do Palácio do Planalto, — e pela porta da frente, não mais pela garagem como até o ano passado –, Valdemar Costa Neto está com tudo e não está prosa.

O presidente nacional do PL voltou à carga para retomar o controle do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o DNIT, hoje comandado pelo general Antônio Leite dos Santos Filho. As negociações estão sendo feitas diretamente com o presidente Jair Bolsonaro, de quem ele se aproximou ainda mais no último mês ao chancelar a deputada Flávia Arruda como ministra da Secretaria de Governo. Com a crise da CPI da Covid, o assunto, por ora, segue em banho-maria, mas deve voltar à pauta nas próximas semanas.

Durante o governo do PT, o DNIT era uma espécie de feudo de Valdemar. O “dono” do PL apadrinhava o então diretor Luiz Antônio Pagot, que acabou virando habitué das páginas policiais.

Criado em 2001 pelo governo Fernando Henrique Cardoso em substituição ao Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, o DNER, o órgão manteve a tradição na área de ser um escoadouro de recursos públicos. Além da facilidade que o DNIT proporciona para operar toda sorte de malfeitos com o seu orçamento bilionário – o previsto para este ano é de 6,6 bilhões de reais, maior do que o de muitos ministérios e estatais –, o fato de o departamento estar presente em todas as regiões do país é um atrativo a mais para quem deseja transformar o órgão num cabide de empregos para aliados políticos.*

(**) SÉRGIO PARDELLAS – CRUSOÉ

É SÓ MAIS UM CAPACHO NA SAÚDE

Queiroga ultrapassa Pazuello em subserviência

Charge do Zé Dassilva: assim caminha a saúde | NSC Total

Muitos avaliam que o Ministério da Saúde já atingiu o pior. Mas não se deve subestimar a posteridade da pasta. O fundo do poço pode ser apenas uma etapa. O general Eduardo Pazuello limitava-se a cumprir ordens do capitão. “Um manda, o outro obedece”, esclareceu. O cardiologista Marcelo Queiroga conseguiu ir muito além da subserviência militar do antecessor. O doutor se diz culpado pela incivilidade sanitária de Bolsonaro: “A falha é minha, e não do presidente”, declarou, em entrevista à Folha.

O melhor remédio para a culpa é reconhecê-la. Bolsonaro não enxerga culpados no espelho. Prefere subverter o brocardo: Errar é humano, botar a culpa nos outros também. Indicado pelo Zero Um Flávio Bolsonaro, Queiroga mostra-se confortável na posição de zero à esquerda. Quarto ministro da pandemia, ele defende o isolamento social. Mas absolve o presidente por pregar o oposto: “É meu dever persuadir meu presidente em relação às melhores práticas. Se eu não conseguir, a falha é minha, e não do presidente.”

Antes de cair, Pazuello prometera que o governo vacinaria metade da população brasileira até julho. Queiroga não se comprometeu com a meta do general. Aliás, já não tem compromisso nem com a sua própria meta. “Logo após chegarmos a 1 milhão de doses ao dia, já não foi possível manter essa meta e algumas cidades tiveram de interromper campanhas por falta de doses.” O ministro fala da escassez de vacinas como se Bolsonaro não fosse parte da encrenca. O culpado é do mundo, não o presidente. “Há um problema mundial de carência de vacinas.”

Há cadáveres demais na conjuntura. “Reflexo do que ocorreu”, disse Queiroga. “Campanha política, feriado de Natal, férias, Carnaval que não teve Marquês de Sapucaí, mas que as pessoas estavam todas nas suas casas fazendo festinha. É reflexo dessas ações.” Bolsonaro acha que o Brasil “tem que deixar de ser um país de maricas”. Ornamentou com a sua presença aglomerações antidemocráticas. Viajou nos feriados. Exibiu-se na praia para os seus devotos. Mas Queiroga exclui o presidente do rol de culpados pelo morticínio do vírus.

Por sorte, o presidente da República ama sua mãe. Jamais pensaria em matar dona Olinda Bonturi Bolsonaro. Do contrário, Queiroga talvez se apresentasse como voluntário para depor a favor do chefe. O ministro surpreenderia o juiz e os jurados com um pedido de perdão para um pobre órfão.*

(**) Josias de Souza
Colunista do UOL

URUBUS

Empresas de jantar com Bolsonaro devem R$ 186 mi à União, diz revista

No evento, a discussão ficou centrada nos temas da vacinação em massa contra a Covid-19 e em avanços na agenda econômica

Arquivos #OperaçãoLavaJato - Página 2 de 4 - Blog do Ari Cunha
O jantar do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com ministros e empresários brasileiros em São Paulo, na última quarta-feira (7/4), deu o que falar. E dentre as notícias, a revista Época revelou que cinco empresas cujos representantes estavam na reunião devem R$ 186,4 milhões à União.

De acordo com registros da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, o SBT, representado no jantar pelo CEO José Roberto Maciel, deve R$ 97,2 milhões.

Outra empresa apontada é a Cosan, cujo fundador e presidente do conselho de administração é Rubens Ometto, que tem R$ 46,3 milhões em dívidas previdenciárias nessa lista.

Dentre os convidados para o jantar, também foi levantado que o Banco Inter, fundado por Rubens Menin, deve R$ 36,6 milhões.

Já o Habib’s, representado no jantar por Alberto Saraiva, fundador e CEO, possui R$ 5,9 milhões em dívidas previdenciárias.

Com R$ 400 mil pendentes de FGTS, o Bradesco, onde Luiz Carlos Trabuco Cappi é presidente do conselho de administração, também aparece na lista.

Debate com empresários
No jantar, a discussão ficou centrada nos temas da vacinação em massa contra a Covid-19 e em avanços na agenda econômica por meio de privatizações.

“O alinhamento é total [entre governo e empresários]. Todos sabem os esforços que estamos fazendo”, disse Fábio Faria, ministro das Comunicações.*

(**) Nathalia Kuhl – Metrópoles

VICIADO EM DESUMANIDADE

Bolsonaro cria novo conflito, enquanto diz que país não precisa de conflito

Não há ninguém no Brasil mais encrenqueiro que Jair Bolsonaro e seus filhos. Desde o início do governo, por várias vezes se dirigiram aos opositores com ofensas de vários níveis. O presidente é frequentemente desrespeitoso com qualquer um que discorde dele. Longe de se adequar à compostura que o cargo exige, trata os desafetos aos palavrões e com termos chulos – tudo sob as vistas dos militares do governo, outrora defensores da disciplina.

O alvo da vez é o ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal. Ao saber que Barroso determinara a abertura da CPI da Covid no Senado, o presidente comentou ontem que “o Brasil está sofrendo demais e o que nós menos precisamos é de conflito”.

No Twitter, Bolsonaro comentou sobre Barroso. “Falta-lhe coragem moral e sobra-lhe imprópria militância política”, escreveu.

Esse é o método bolsonariano de evitar conflitos: ofender quem o desagrada.

O presidente parece desconhecer completamente os caminhos institucionais para manifestar insatisfação, ou simplesmente não tem a mínima paciência para eles.

Na verdade, Barroso tomou a única decisão possível. A Constituição Federal determina que é obrigatória a criação de uma CPI se o requerimento para sua instalação for assinado por 1/3 dos parlamentares. O pedido teve o apoio de 33 dos 81 senadores – incluída aí a assinatura do Major Olimpio, falecido recentemente.

O ministro apenas cumpriu a lei.

Enquanto Bolsonaro chuta a canela do STF, sua base parlamentar procura jogar dentro das regras e se mobiliza para tentar convencer senadores a retirar assinaturas do requerimento. Ou seja, vão fazer política.

Ao invés disso, o presidente prefere manter sua pose de valentão, expelindo impropérios, sem preocupação de que pode estar criando uma crise institucional.

Como todos sabem, com mais de 4 mil mortes em um dia na pandemia, o que o país menos precisa é de conflito.*

(**) Chico Alves
Colunista do UOL

CANALHAS NO PODER

A quadrilha chamada Brasil

Vistos de fora, somos identificados com o demente que nos governa e seus cúmplices

Parabéns, Jair Bolsonaro, você conseguiu. Pária é pouco. Campeão disparado da Covid, o Brasil é hoje o pior lugar do mundo. Aos olhos internacionais, somos vistos com revolta, repugnância e medo, como nem nos tempos pré-Oswaldo Cruz, em que éramos sinônimos do tifo, da peste bubônica e da febre amarela. Somos agora o último reduto da pandemia, 215 milhões de bombas humanas, potenciais exportadores da morte.

Os vizinhos já nos batem a porta na cara, e isso é só o começo. Em breve, não teremos mais para onde ir, suspeitos de estar levando cepas inéditas, de nossa exclusiva lavra. Por enquanto, essa repulsa do estrangeiro se refere apenas a nós, cidadãos brasileiros, com nossos perdigotos e resistência à máscara. Mas não será surpresa se o medo de contágio incidir sobre nossos produtos, quem sabe infectados, e o mercado também se fechar para eles.

E quem permitirá que seus cidadãos desçam aqui, mesmo a negócios —a turismo, esqueça—, e voltem para casa contaminados? Pode-se circular por um país que se supera todo dia em contágios e óbitos e, em breve, não terá oxigênio para os doentes nem espaço nos cemitérios? Cemitérios, aliás, que já funcionam 24 horas por dia, enquanto a vacinação se regula pelos relógios de ponto, com hora para pegar e largar. Não por falta de quem aplique as vacinas, mas das vacinas mesmo, de cuja “demanda” se duvidava.

Mas o principal motivo da repugnância por nós é a certeza de que o problema não se resume a um demente no poder. Envolve também os cúmplices e complacentes, aqueles que o garantem no cargo —generais que babam à sua presença, magistrados que votam por ele, bilionários que o aplaudem, ministros de Estado covardes, inclusive o da Saúde, políticos pilantras e os vadios que lotam festas.

Não fazemos parte dessa quadrilha. Mas, para quem nos vê de fora, essa quadrilha se chama Brasil.*

(**) Ruy Castro – Folha de S.Paulo