URUBUS

Empresas de jantar com Bolsonaro devem R$ 186 mi à União, diz revista

No evento, a discussão ficou centrada nos temas da vacinação em massa contra a Covid-19 e em avanços na agenda econômica

Arquivos #OperaçãoLavaJato - Página 2 de 4 - Blog do Ari Cunha
O jantar do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com ministros e empresários brasileiros em São Paulo, na última quarta-feira (7/4), deu o que falar. E dentre as notícias, a revista Época revelou que cinco empresas cujos representantes estavam na reunião devem R$ 186,4 milhões à União.

De acordo com registros da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, o SBT, representado no jantar pelo CEO José Roberto Maciel, deve R$ 97,2 milhões.

Outra empresa apontada é a Cosan, cujo fundador e presidente do conselho de administração é Rubens Ometto, que tem R$ 46,3 milhões em dívidas previdenciárias nessa lista.

Dentre os convidados para o jantar, também foi levantado que o Banco Inter, fundado por Rubens Menin, deve R$ 36,6 milhões.

Já o Habib’s, representado no jantar por Alberto Saraiva, fundador e CEO, possui R$ 5,9 milhões em dívidas previdenciárias.

Com R$ 400 mil pendentes de FGTS, o Bradesco, onde Luiz Carlos Trabuco Cappi é presidente do conselho de administração, também aparece na lista.

Debate com empresários
No jantar, a discussão ficou centrada nos temas da vacinação em massa contra a Covid-19 e em avanços na agenda econômica por meio de privatizações.

“O alinhamento é total [entre governo e empresários]. Todos sabem os esforços que estamos fazendo”, disse Fábio Faria, ministro das Comunicações.*

(**) Nathalia Kuhl – Metrópoles

VICIADO EM DESUMANIDADE

Bolsonaro cria novo conflito, enquanto diz que país não precisa de conflito

Não há ninguém no Brasil mais encrenqueiro que Jair Bolsonaro e seus filhos. Desde o início do governo, por várias vezes se dirigiram aos opositores com ofensas de vários níveis. O presidente é frequentemente desrespeitoso com qualquer um que discorde dele. Longe de se adequar à compostura que o cargo exige, trata os desafetos aos palavrões e com termos chulos – tudo sob as vistas dos militares do governo, outrora defensores da disciplina.

O alvo da vez é o ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal. Ao saber que Barroso determinara a abertura da CPI da Covid no Senado, o presidente comentou ontem que “o Brasil está sofrendo demais e o que nós menos precisamos é de conflito”.

No Twitter, Bolsonaro comentou sobre Barroso. “Falta-lhe coragem moral e sobra-lhe imprópria militância política”, escreveu.

Esse é o método bolsonariano de evitar conflitos: ofender quem o desagrada.

O presidente parece desconhecer completamente os caminhos institucionais para manifestar insatisfação, ou simplesmente não tem a mínima paciência para eles.

Na verdade, Barroso tomou a única decisão possível. A Constituição Federal determina que é obrigatória a criação de uma CPI se o requerimento para sua instalação for assinado por 1/3 dos parlamentares. O pedido teve o apoio de 33 dos 81 senadores – incluída aí a assinatura do Major Olimpio, falecido recentemente.

O ministro apenas cumpriu a lei.

Enquanto Bolsonaro chuta a canela do STF, sua base parlamentar procura jogar dentro das regras e se mobiliza para tentar convencer senadores a retirar assinaturas do requerimento. Ou seja, vão fazer política.

Ao invés disso, o presidente prefere manter sua pose de valentão, expelindo impropérios, sem preocupação de que pode estar criando uma crise institucional.

Como todos sabem, com mais de 4 mil mortes em um dia na pandemia, o que o país menos precisa é de conflito.*

(**) Chico Alves
Colunista do UOL

CANALHAS NO PODER

A quadrilha chamada Brasil

Vistos de fora, somos identificados com o demente que nos governa e seus cúmplices

Parabéns, Jair Bolsonaro, você conseguiu. Pária é pouco. Campeão disparado da Covid, o Brasil é hoje o pior lugar do mundo. Aos olhos internacionais, somos vistos com revolta, repugnância e medo, como nem nos tempos pré-Oswaldo Cruz, em que éramos sinônimos do tifo, da peste bubônica e da febre amarela. Somos agora o último reduto da pandemia, 215 milhões de bombas humanas, potenciais exportadores da morte.

Os vizinhos já nos batem a porta na cara, e isso é só o começo. Em breve, não teremos mais para onde ir, suspeitos de estar levando cepas inéditas, de nossa exclusiva lavra. Por enquanto, essa repulsa do estrangeiro se refere apenas a nós, cidadãos brasileiros, com nossos perdigotos e resistência à máscara. Mas não será surpresa se o medo de contágio incidir sobre nossos produtos, quem sabe infectados, e o mercado também se fechar para eles.

E quem permitirá que seus cidadãos desçam aqui, mesmo a negócios —a turismo, esqueça—, e voltem para casa contaminados? Pode-se circular por um país que se supera todo dia em contágios e óbitos e, em breve, não terá oxigênio para os doentes nem espaço nos cemitérios? Cemitérios, aliás, que já funcionam 24 horas por dia, enquanto a vacinação se regula pelos relógios de ponto, com hora para pegar e largar. Não por falta de quem aplique as vacinas, mas das vacinas mesmo, de cuja “demanda” se duvidava.

Mas o principal motivo da repugnância por nós é a certeza de que o problema não se resume a um demente no poder. Envolve também os cúmplices e complacentes, aqueles que o garantem no cargo —generais que babam à sua presença, magistrados que votam por ele, bilionários que o aplaudem, ministros de Estado covardes, inclusive o da Saúde, políticos pilantras e os vadios que lotam festas.

Não fazemos parte dessa quadrilha. Mas, para quem nos vê de fora, essa quadrilha se chama Brasil.*

(**) Ruy Castro – Folha de S.Paulo

BREQUE NO GENOCIDA?

Barroso determina CPI no Senado sobre ações do governo federal na pandemia

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso determinou hoje que seja aberta uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) no Senado para apurar as ações do governo federal na pandemia de covid-19. Barroso concedeu uma decisão liminar sobre um mandado segurança apresentado pelos senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Jorge Kajuru (Cidadania-GO).

A determinação de Barroso será comunicada ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que terá a responsabilidade de instaurar a comissão. A decisão monocrática, porém, ainda pode ser levada a plenário para apreciação dos demais ministros da Corte.

O próprio Barroso admitiu que pretendia colocar a matéria em votação para os 11 ministros hoje, mas que a longa duração do julgamento sobre a proibição da realização de missas e cultos durante momentos críticos da pandemia acabou não permitindo.

O mandado de segurança impetrado pelos senados do Cidadania no STF tinha como tema principal a possível omissão do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante a crise que levou a colapso hospitalar em Manaus, no início do ano. Os parlamentares citam ainda, em específico, o desabastecimento de oxigênio que levou a morte de pacientes com covid-19 por asfixia.

Na justificativa para a decisão liminar antes da análise no plenário, Barroso lembrou o momento da avanço do coronavírus no país, com a pandemia “em seu pior momento, batendo lamentáveis recordes de mortes diárias e de casos de infecção”.*

(**) UOL – SÃO PAULO

PAÍS AO AO DEUS DARÁ

Abandonados na defesa do isolamento, Estados avançam em auxílios próprios

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Jair Bolsonaro reafirmou com novas declarações na linha “mortes são inevitáveis” o que governadores já sabiam, mas Arthur Lira e Rodrigo Pacheco fingem desconhecer: combater efetivamente a pandemia não é a prioridade do presidente. Essa tarefa foi delegada a Estados e municípios, que sofrem com a falta de vacinas, com as UTIs lotadas, com o desgaste do confinamento e estão abandonados pelo Congresso. Cientes desse jogo, os governadores tentam avançar por conta própria na compra de vacinas e até em programas de transferência de renda.

Antídoto. Na economia, para tentar evitar que Bolsonaro continue posando de “defensor dos empregos” enquanto empurra a conta da crise para os governadores e capitaliza popularidade com o auxílio emergencial, diversos Estados também avançaram na concessão de benefícios sociais.

Antídoto 2. Esses auxílios estaduais muitas vezes têm valores pagos aos cidadãos mais altos do que os do federal e atendem um número maior de categorias.

Ajuda própria. O Pará, por exemplo, iniciou o pagamento de R$ 500,00 mensais a autônomos, além de pequenos comerciantes e população mais carente. Em São Paulo, o governo do Estado turbinou seus programas sociais. O Ceará criou em março um auxílio de R$ 1.000,00 para trabalhadores desempregados de bares e restaurantes. Já o Piauí aprovou o mesmo valor para os setores de alimentação e de eventos.

Tiro na água? Para Bruno Soller, do Instituto Travessia, de análises e pesquisas, a redução do valor da ajuda federal, que passou de R$ 600 para R$ 250, em média, pode frustrar a população porque não atende as necessidades das famílias, ainda mais em um cenário de aumento de preços.*

(**) Coluna do Estadão

TODOS CONTRA A CARNIFICINA

Negacionismo na pandemia não vai prosperar no Judiciário

Este é o recado mais importante, e não é inédito. Todas as decisões tomadas pelo STF até aqui no curso da pandemia, tendo diferentes ministros (portanto diferentes grupos) à frente, foram no sentido de contrapor o negacionismo no enfrentamento da covid-19, uma das tônicas da gestão de Bolsonaro à frente do tema. Desde a decisão por unanimidade que garantiu a Estados e municípios a prerrogativa de tomar ações de enfrentamento à crise sanitária (constantemente deturpada por Bolsonaro em suas falas), passando pela liminar da ministra Rosa Weber obrigando a União a fornecer insumos para Estados e municípios e chegando ao inquérito relatado por Ricardo Lewandowski para apurar responsabilidade do Ministério da Saúde no caos de Manaus, todas as decisões da Corte têm sido no sentido de acolher os argumentos da ciência em favor de vacinação e distanciamento social. A decisão sobre os templos irá na mesma linha.*

(*) Vera Magalhães – O Globo

AS PMs SÃO TODAS BOLSONARISTAS

Em documento, PM de Minas orienta tratamentos não comprovados contra covid

 

Por meio de um protocolo interno com data de abril deste ano, a PM-MG (Polícia Militar de Minas Gerais) orienta que sejam utilizados em policiais sob suspeita de contaminação do novo coronavírus medicamentos ditos de “tratamento precoce”, mas que não têm nenhuma comprovação científica de eficácia no combate ao vírus.

O protocolo, obtido pelo UOL, tem 40 páginas e diz que a PM pode atualizar suas informações e diretrizes conforme a necessidade. A corporação afirma que sua diretoria de Saúde designou referências técnicas para definir uma proposta de tratamento preventivo e imediato, “baseada nas melhores evidências científicas disponíveis”.

Entre as 33 referências bibliográficas listadas no documento, que teve a assinatura de 14 oficiais da Polícia Militar (sendo 13 médicos da corporação), não há nenhuma evidência que comprove eficácia no tratamento precoce contra a covid-19. Procurada, a PM afirmou que o documento ainda está em avaliação, mas a reportagem apurou que policiais da tropa já receberam receitas para os medicamentos neste ano.

Entre os remédios, estão: hidroxicloroquina, ivermectina, vitamina D, zinco quelato e quercetina. A PM não cita quais evidências amparam suas utilizações, apenas lista em quais níveis de gravidade elas devem ser usadas na tropa. Alguns desses remédios foram defendidos e comprados pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em larga escala, mas a OMS (Organização Mundial da Saúde) não recomenda a utilização deles para combater o vírus.

Outras entidades, como o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos e da Europa, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), não reconhecem esses medicamentos ou chegam a contraindicá-los.

O próprio documento da PM diz que “o tema tornou-se controverso entre os profissionais de saúde, trazendo insegurança e questionamentos pelos usuários”, mas defende que a ação tem “robustez técnico-científica e ética para subsidiar decisões médicas e acolher o público que deseja efetivamente receber tais tratamentos, garantindo a autonomia médica e do paciente”, o que é contestado por médicos sanitaristas que estão na linha de frente de combate à pandemia.

A PM pondera no protocolo que “em momento algum são recomendados ‘kits’, mas cada paciente deve ter sua avaliação e prescrição individualizada, além do segmento clínico”.

Por meio de nota, a corporação reafirma que as orientações são “para médicos e pacientes que optarem por aderir às recomendações” e que “a referida minuta não vincula e não obriga os médicos militares a adotarem quaisquer protocolos sugeridos, sendo apenas mais um referencial bibliográfico”.(…) *

(**) Luís Adorno
Do UOL, em São Paulo