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COM O MEU, COM O SEU … DINDIM

Campanhas de divulgação de tratamento precoce custou R$ 23 milhões

Informação foi passada pelo Ministério da Saúde à Procuradoria do DF. Com o dinheiro, seria possível adquirir 456.718 doses de vacina

RIO — Documento enviado pelo Ministério da Saúde à CPI da Covid e obtido pela TV Globo mostra que o governo informou à Procuradoria da República no Distrito Federal que foram gastos R$ 23,3 milhões com campanhas de divulgação do chamado tratamento precoce contra Covid, informa o portal G1.

A manifestação foi enviada à Procuradoria devido a apuração preliminar do Ministério Público sobre supostos atos de improbidade administrativa cometidos pelo ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello.

Também no documento, foi informado que o governo gastou R$ 52 mil em passagens em diárias com os médicos que viajaram a Manaus para difundir a cloroquina, remédio ineficaz contra a Covid.

Segundo o documento do ministério, a Assessoria de Comunicação Social da pasta gastou R$ 3,4 milhões, e a Secretaria de Comunicação da Presidência, R$ 19,9 milhões, totalizando R$ 23.383.984,60. O documento não especifica a data dos pagamentos nem o período das campanhas.

O tratamento precoce, por meio do uso de medicamentos como cloroquina e ivermectina, é defendido pelo presidente Jair Bolsonaro. No entanto, estudos científicos já comprovaram a ineficácia desses remédios contra a Covid.

Com os R$ 23,3 milhões de doses gastos pelo governo com a propaganda do tratamento precoce, seria possível adquirir 456.718 doses da vacina, o suficiente para imunizar com duas doses quase toda a população de uma cidade como Presidente Prudente (230 mil habitantes), no oeste de São Paulo.

Conforme um outro documento do Ministério da Saúde, enviado à CPI da Covid e também obtido pela TV Globo, a pasta organizou um plano de comunicação no qual havia a previsão de divulgar, entre outras coisas, o tratamento precoce.

Esse documento mostra os mesmos números informados pelo governo à Procuradoria.

De acordo com o plano, foram duas campanhas, uma com gastos do próprio ministério e outra com despesas pagas pela Secretaria de Comunicação da Presidência.

Esse documento informa que a campanha da Presidência teria como tema “Cuidado e Tratamento Precoce”; custaria R$ 19,9 milhões; e seria veiculada entre 17 de outubro e 30 de novembro em TV, rádio, internet, ônibus, terminais rodoviários, metrô, aeroporto e “mobiliário urbano”.

A outra campanha, do ministério, teria o mesmo tema; custaria R$ 3,4 milhões; e seria veiculada entre 25 de outubro e 20 de novembro em internet; ônibus; terminais rodoviários; metrô; e salões de beleza.

O documento também lista “mensagens-chave”, a fim de se adotar um “trabalho mais elaborado de comunicação”. Essas mensagens envolvem campanha de vacinação; distanciamento social e uso de máscaras; tratamento médico; e discurso proativo.

Os documentos enviados à CPI mostram ainda que o governo gastou mais de R$ 52 mil em passagens e diárias com médicos que foram a Manaus (AM) no início deste ano.

O grupo que esteve em Manaus disponibilizou o aplicativo TrateCov, ferramenta que, segundo o Ministério da Saúde, facilitaria o diagnóstico de Covid, mas o resultado apresentava sempre a indicação de cloroquina. O aplicativo saiu do ar e virou alvo da CPI. *

(**) O Globo

“SE GRITAR PEGA CENTRÃO”…

Centrão pressiona por saída de general Ramos, e Bolsonaro avalia minirreforma ministerial

Presidente estuda mudar comandos da Casa Civil, do Meio Ambiente e do Turismo; parlamentares querem azeitar máquina do governo para 2022

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) discute com aliados um novo pacote de mudanças em ministérios para atender a cobranças feitas por líderes do centrão no Congresso.

Esses parlamentares pressionam por uma distribuição de cargos e pela saída do chefe da Casa Civil, o general da reserva Luiz Eduardo Ramos.

Os partidos que dão sustentação a Bolsonaro atribuem ao ministro dificuldades no atendimento de demandas políticas, em nomeações de interesse dos parlamentares e no andamento de ações do governo em suas bases eleitorais.

Uma mudança na Casa Civil, segundo esses líderes, seria a peça central de uma minirreforma ministerial. Estão em análise também trocas no Meio Ambiente e no Turismo. (…) *

(**) Julia Chaib – Bruno Boghossian
BRASÍLIA – Folha de S. Paulo

“O PIOR CEGO É AQUELE QUE QUER VER” (MILLÔR FERNANDES)

Bolsonaro prepara o golpe

Para alguns, isso é óbvio. Mas, como dizia Nelson Rodrigues, só os profetas enxergam o óbvio

Jota Camelo | Humor Político – Rir pra não chorar

Dos muitos achados de Nelson Rodrigues que entraram para a cultura nacional –“Complexo de vira-lata”, “Subdesenvolvimento não se improvisa, é obra de séculos”, “O brasileiro quando não é canalha de véspera é canalha no dia seguinte”–, nenhum é mais atual que “Só os profetas enxergam o óbvio”. Nelson criou-o a partir da história de Otto Lara Resende, que, ao ir de carro para a Cidade pelo Aterro do Flamengo, passava todo dia pelo Pão de Açúcar e não o enxergava. Por que não? Porque o Pão de Açúcar era o óbvio.

De repente, Otto o enxergou. Freou no meio da pista, desceu atônito e começou a apontar a pedra para interlocutores imaginários: “Não é possível! De onde saiu???”. Outros motoristas pararam para, talvez, socorrê-lo. E, de fato, Otto, que era asmático, foi atacado de falta de ar. “Calma, senhor!”, diziam. Alguém o abanou com o Globo. Ele não se conformava: “Ontem não estava aqui!”. E Nelson completou: “Foi o encontro do Otto com o óbvio. O óbvio ululante”.

Neste momento, estamos também diante de um óbvio que talvez não queiramos enxergar: o de que Jair Bolsonaro chegou a um ponto sem volta na sua preparação para um golpe.

Golpe que ele vem fomentando desde o dia da posse, quando botou em dúvida o voto eletrônico que o elegera —ideia que tem ganhado surpreendentes adesões. Bolsonaro, que já chegou ao Planalto com o aplauso das milícias, dedicou-se imediatamente a armar a população —hoje, o arsenal em mãos de civis, incluindo fuzis restritos às Forças Armadas, vai a quase 2 milhões de peças. Some a isso as PMs dos estados e o baixo oficialato do Exército, que ele corrompeu com cargos, benesses e ideologia. Efetivo para dar um murro na mesa e mandar um general calar a boca Bolsonaro já tem.

Ah, sim, os generais. Deixaram-no ir longe demais. Talvez por isso, vendo-se sem margem de recuo, tenham agora de continuar com ele rumo à aventura.*

(**) Ruy Castro – Folha de S. Paulo

PLÁGIO BARATO DO TRUMP

O que Gilmar Mendes disse a Bolsonaro e o que ouviu dele

Os dois conversaram sobre o voto impresso, obsessão do presidente. De pouco adiantou

Desconfiado Que Bolsonaro Me Enganou - Casa dos Memes

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, resiste à sugestão que ouviu de colegas para abrir um inquérito que apure a denúncia, repetidas vezes feita por Bolsonaro, de que houve fraude na eleição vencida por ele em 2018.“Isso seria dar palanque para ele e sua turma”, comentou Barroso outro dia. Bolsonaro diz ter provas de que ganhou no primeiro turno, mas que sua vitória só foi reconhecida depois de ele derrotar Fernando Haddad (PT) no segundo turno.

“Cadê as provas?” – perguntou-lhe o ministro Gilmar Mendes numa conversa há um mês no Palácio da Alvorada. “Estão com os técnicos”, respondeu Bolsonaro. “E por que não as manda para a Justiça Eleitoral examinar?” – insistiu o ministro.

Bolsonaro calou-se. Sorriu quando Gilmar provocou-o: “Se houve fraude, foi para eleger Hélio Negão e Daniel Silveira”. Os dois são deputados federais, eleitos com o apoio de Bolsonaro. Negão não sai da sombra do presidente. Silveira está em prisão domiciliar.

Bolsonaro quer a volta do voto impresso nas eleições de 2022. Barroso argumenta que o voto eletrônico é imune à fraude, mas o voto impresso não. Bolsonaro disse a Gilmar que a eleição de 2014 foi fraudada para que Aécio Neves (PSDB) não derrotasse Dilma.

Gilmar retrucou que se tivesse havido fraude, ele saberia, porque, à época, era o presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Bolsonaro não se convenceu. É uma questão de crença, de fé, e também de esperteza. Caso não se reeleja, dirá que houve fraude.*

(**) Blog do Ricardo Noblat

SOCIOPATA JURAMENTADO

Cientista à CPI: “Só não testamos cloroquina em emas porque fugiram”

No colegiado, pesquisadora Natália Pasternak disse que o medicamento “foi testado em tudo” e não demonstrou agir pela inação do vírus

Charge: 'Já tomou cloroquina, ema?' Por Gilmar
Em audiência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, a pesquisadora Natália Pasternak reiterou a ineficácia da cloroquina no tratamento de pacientes do novo coronavírus. Ela explicou, de maneira resumida, que o medicamento “foi testado em tudo” e não demonstrou agir pela inação do vírus.

A fundadora do Instituto Questão de Ciência (IQC) afirmou que a defesa do uso do medicamento “não é negacionismo, é uma mentira orquestrada pelo governo federal e pelo Ministério da Saúde“. “E essa mentira mata, porque leva pessoas a comportamentos irracionais”, prosseguiu a pesquisadora convidada para audiência pública na CPI da Covid.

Ela defendeu que usuários do medicamento e médicos pró-tratamento precoce se baseiam em “evidências anedóticas”. “É um seis ou é um nove, não é desrespeitar a opinião alheia. A ciência funciona buscando fatos, ou é um seis ou é um nove, não dá para ser os dois”, disse.

Natália afirma que a cloroquina “nunca teve plausibilidade biológica para funcionar”. “O caminho pelo qual ela [cloroquina] bloqueia a entrada do vírus na célula só funciona in vitro, em tubo de ensaio. Nas células do trato respiratório, o caminho é outro. Então, ela nunca poderia funcionar”, explicou.

Ela defendeu que é preciso, ainda, analisar o histórico do medicamento na inação de outros tipos de vírus. “Nunca funcionou para outras viroses, foi testada e falhou para várias doenças causadas por vírus. Evidências anedóticas não servem para ciência, elas são apenas causos, histórias”, continuou.*

(**) Victor Fuzeira – Metrópoles

ALGUÉM DUVIDA PRA ONDE O PALERMA VAI?

Ao exigir adesão a medida contra máscaras, Bolsonaro se vinga de Queiroga por fala na CPI

Mistérios da Ciência | Humor político, Fotos com frases engraçadas, Memes  engraçados

Jair Bolsonaro mal conseguia disfarçar o regozijo sádico ao dizer que Marcelo Queiroga vai assinar uma medida normativa qualquer desobrigando pessoas que já se vacinaram — e até as que já se contaminaram, pelo que se pode depreender da fala delinquente do presidente — de usar máscaras.

Trata-se de uma coisa só: vingança de Bolsonaro contra o ministro da Saúde pelas suas declarações da véspera na CPI da Covid, quando em vários momentos se diferenciou das falas e das condutas do presidente e disse que não pode ser seu “censor”.

Bolsonaro quer adesão total de Queiroga à sua política negacionista no trato da pandemia, ou dará a ele o destino imposto a Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich.

O presidente não gostou de ver o seu ministro da Saúde contrariar sua defesa do  tratamento precoce, sabidamente ineficaz, defender o uso de máscaras e de distanciamento social como as mais eficazes medidas “não farmacológicas” para enfrentar a pandemia e dizer que ela só será debelada quando a maior parte da população estiver vacinada.

O ministro também não mostrou entusiasmo pela realização da Copa América no Brasil e disse em muitas ocasiões que, após 70 dias, sua gestão estaria fazendo mudanças de rumo na pasta, e não promovendo a continuidade da gestão de Eduardo Pazuello.

Bolsonaro claramente não gostou, se enfureceu. E agora expõe publicamente o ministro à decisão de mostrar se é totalmente fiel ao chefe.

Acontece que o que está em jogo aqui é o juramento ético feito pelo médico Queiroga. Ele vai rasgar esse compromisso com a vida e subscrever uma medida que claramente vai contra tudo que a ciência e a medicina preconizam no enfrentamento da pandemia?

Pessoas já vacinadas e que tiveram covid-19 podem se reinfectar e podem ainda transmitir o vírus. Só é seguro prescindir de máscaras em locais públicos depois que um grande percentual da população já estiver vacinada, como têm feito vários países que já avançaram na imunização.

O Brasil ainda não tem 15% da população apta a se vacinar com duas doses. Os melhores prognósticos são de que apenas depois de outubro esse percentual seja próximo ao preconizado pela Ciência, ou seja, de pelo menos 70% da população.

Marcelo Queiroga está diante de uma escolha definitiva: vai ficar com Bolsonaro ou com a medicina?*

(**) Vera Magalhães – O Globo

FACÍNORA JURAMENTADO

Bolsonaro arma ciranda de mentiras para limpar a própria barra

Presidente bateu recorde com invencionices sobre vacina, mortes, cloroquina e eleições

Jair Bolsonaro bateu mais um recorde pessoal. Em 19 minutos de pregação num culto religioso, ele despejou informações falsas sobre a segurança das eleições, os efeitos da cloroquina, a eficácia de vacinas e o número de vítimas da Covid-19. O presidente armou uma ciranda de mentiras para limpar a própria barra, escapar de punições e se reeleger.

A prioridade de Bolsonaro é fraudar a história da pandemia. No início da semana, ele foi ao cercadinho do Palácio da Alvorada e disse que metade das mortes por Covid-19 registradas no país não foram provocadas pela doença. Para lustrar a balela, o presidente disse que a conclusão era do Tribunal de Contas da União.

O episódio é um retrato acabado da máquina bolsonarista de invencionices. O TCU disse que nunca havia feito aquela constatação. Logo depois, soube-se que a tese malfeita havia sido incluída por um auditor no sistema do tribunal horas antes da declaração do presidente. O tal funcionário seria filho de um militar que é amigo de Bolsonaro.

Como a mentira é sua principal arma política, o presidente até admitiu o erro, mas continuou espalhando a lorota. Na cerimônia evangélica de quarta-feira (9), ele disse que as “possíveis fraudes” fazem com que o Brasil seja o país “com menor número de mortos por milhão de habitantes por causa da Covid”. E atribuiu o milagre, é claro, à cloroquina.

Pela lógica de Bolsonaro, os brasileiros sufocados sem oxigênio em Manaus estão vivos ou morreram de outras doenças. E os médicos que emitiram laudos de centenas de milhares de mortes por Covid-19 são farsantes. Ele ainda investiu mais uma vez no aumento desses números ao inventar que as vacinas não têm comprovação científica.

Bolsonaro ainda ressuscitou a acusação vazia de fraude na eleição de 2018 e repetiu a versão fantasiosa de que foi eleito no primeiro turno. Disse ter “provas materiais disso”, mas não explicou por que nunca apresentou um farelo dessa evidência. O presidente dobrará a aposta na mentira enquanto permanecer impune.​*

(**) Bruno Boghossian
Jornalista, foi repórter da Sucursal de Brasília. É mestre em ciência política pela Universidade Columbia (EUA).

GOLPE À VISTA

Face, Google e Twitter estão colaborando para um golpe no Brasil

É hora de ligar o alerta vermelho em Menlo Park, Mountain View e San Francisco

Pode ser um desenho animado de texto que diz "COVID BRASIL 90 MILHÕES EM AÇÃO... � JOTACAMELO"

Prezados Zuck, Sundar e Jack. Aqui no Brasil, não costumamos escrever a CEOs como vocês, de Facebook, Google e Twitter, chamando pelo apelido ou prenome. Mas vou me permitir escrever assim, na informalidade americana que é tão típica no Vale do Silício. É para ser mais direto.

É preciso que vocês prestem atenção na política brasileira. Agora.

Em 6 de janeiro último, uma turba invadiu o Capitólio, em Washington. A polícia legislativa não acreditava que isto seria possível. Dá para entender. Numa democracia longeva que não interrompeu o ciclo de eleições regulares nem com uma guerra civil, como seria possível imaginar que cidadãos americanos invadissem o Parlamento para interromper a homologação de um pleito? Mas aconteceu. Pessoas foram radicalizadas a este ponto em ambientes digitais e aí insufladas por um presidente que desprezava a ideia de uma sociedade livre.

No Brasil, a história nos obriga a imaginar esta possibilidade.

Minha geração de jornalistas aprendeu o ofício com colegas quinze ou vinte anos mais velhos que enfrentaram nesta condição, a de repórteres e editores, a ditadura mais recente. Alguns destes amigos, que ainda trabalham nas redações, gente por quem temos afeto, foram exilados, presos e torturados pelo exercício das liberdades políticas essenciais — a de pensar, a de se expressar, a de se manifestar, a de publicar e a de se reunir para debater.

Donald Trump segue persona non-grata em várias das redes. A decisão de excluí-lo seguiu um princípio que qualquer democrata endossa: o Paradoxo da Tolerância, descrito pelo filósofo austríaco Karl Popper. No limite, uma sociedade aberta não pode abrir espaço para que intolerantes usem destas liberdades para ameaçar o regime democrático.

A República brasileira nasceu com um golpe militar, em 1889. De lá para cá houve golpes de Estado em 1891, 1930, 1937, 1945, 1955 e 1964. Só um deles, o de 1955, fracassou. Em rigorosamente todos estes momentos, a ruptura de regime começou no momento em que Foi quebrada nas Forças Armadas a exigência de disciplina que proíbe militares de se envolverem na política.

Há duas semanas, pela primeira vez desde a restauração da democracia no Brasil em 1985, um general da ativa subiu ao palanque em apoio ao presidente. Seus superiores no Exército, intimidados pelo mesmo presidente, nada fizeram. O sinal histórico de ameaça à democracia foi dado.

Em um ano teremos eleições. Como Trump, Jair Bolsonaro vem espalhando entre seus seguidores que há risco de fraude. Não é a única das mentiras que seu movimento trabalha diariamente para espalhar. Mentiras que têm por objetivo disseminar naquela parcela radicalizada da população elementos que a convençam de que não devem confiar nas instituições da democracia.

Bolsonaro está seguindo o script de Trump. Não há, na história do Brasil, nada que nos garanta que o desfecho será como o americano. Aqui, vivemos o receio concreto de que os generais não tenham mais pleno controle de suas tropas. E sabemos que os governadores não controlam mais plenamente suas polícias.

Me permitam ser explícito: numa situação limite, um 6 de janeiro, no Brasil, poderia contar com o apoio de parte da polícia enquanto o Exército nada faz.

Vocês conhecem as plataformas que comandam. Sabem do peso que elas têm em todos estes acontecimentos. Agir depois do ato fatal, como fizeram com Trump, aqui pode ser tarde demais.

Nós, brasileiros, não temos qualquer tipo de influência sobre as decisões que vocês tomam. Mas somos nós e nossos filhos que sofreremos pelas decisões que tomarem. É hora de ligar o alerta vermelho em Menlo Park, Mountain View e San Francisco.

O golpe, se houver, fracassado ou não, será batizado com o nome das empresas que vocês comandam.*

(**) Pedro Doria – O Estado de S. Paulo