E NA “PATRIA EDUCADORA” A VACA VAI PRO BREJO

Kroton, Estácio, Ser e Anima: mercado concentrado evitará uma guerra de preços?

Diante da recessão e dos problemas com o Fies, BTG Pactual analisa como a concentração de mercado ajuda (ou não) as empresas

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SÃO PAULO – O trocadilho é irresistível: os grupos educacionais estão diante de um quadro negro. O país afunda na recessão e já se fala em queda do PIB também no próximo ano. Sem dinheiro, o governo adia e corta gastos, afetando também o Fies, fundo que financia os estudos de universitários. Agora, os analistas tentam mensurar como tudo isso vai influenciar o número de matrículas nos próximos semestres.

Para o BTG Pactual, a resposta depende de 2 fatores. O primeiro é se as empresas de educaçãotomarão a decisão estratégica de proteger seu crescimento, cobrando preços menores. O segundo é a força regional de cada grupo. Em relatório assinado pelos analistas Fabio Levy e Rodrigo Gastim, o banco afirma que as companhias com mais participação de mercado parecem estar mais protegidas contra eventuais pressões futuras de preço.

Nesse sentido, o market share em cada cidade é fundamental – quanto maior, mais viável é para uma empresa ditar os preços. Por esse raciocínio, a Kroton é a que apresenta as melhores condições para se proteger da crise. O BTG observa que a empresa é líder nas cidades em que mantém unidades de ensino e sua participação ultrapassa os 50% – em alguns casos, bate em quase 80%.

“Em outras palavras, a Kroton é grande onde ela precisa ser, o que, para nós, reduz os riscos de uma guerra de preços”, afirmam os analistas, acrescentando que o grupo possui uma base diversificada de cidades – nenhuma delas representa mais que 7% de seu negócio. Por outro lado, justamente porque detém uma clara posição de liderança, a Kroton já cobra mensalidades maiores onde está presente.

“Como consequência, e dada a perspectiva de deterioração da renda disponível dos estudantes, nos próximos meses, os preços poderiam eventualmente recuar, independentemente do cenário competitivo”, acentua o BTG.

Desconcentrado

Para a instituição, a Estácio está numa situação menos favorável que a concorrente. As operações do grupo são concentradas em poucas cidades. E, dentro delas, sua fatia de mercado é menor – da ordem de 40%. O banco observa que, mesmo no Rio de Janeiro, um grande mercado em que detém 30% de participação, a Estácio enfrenta a concorrência de pequenas instituições, cuja fatia varia de 8% a 10%. Um ponto positivo para a companhia é que os preços praticados não destoam muito da concorrência. Por isso, o BTG acredita que a revisão das mensalidades possa ser mais suave.

Já a Ser Educacional concentra 55% de seus alunos em apenas 3 cidades: Recife (PE), Guarulhos (SP) e Belém (PA). A concentração, porém, não atrapalharia tanto a companhia, de acordo com o BTG. O motivo é que ela conta com uma elevada participação nesses mercados (32%, na média). Isso, combinado ao prestígio de suas marcas nos lugares em que atua, leva o banco a crer que a empresa está relativamente protegida, no caso de uma guerra de tarifas.

Das companhias analisadas, a que se encontra em situação mais frágil é a Anima, segundo o banco. Com 57% de seus alunos em Belo Horizonte, onde detém 24% do mercado, e 33% em São Paulo (o que representa um market share de apenas 3,4%), a companhia enfrenta uma briga desigual. “Apesar de possuir marcas bem conhecidas, a empresa está exposta a áreas com maior risco de pressões sobre os preços”, diz o relatório.

Os diretores dessas empresas devem estar dando graças a Deus que a semana terminou. Além da incerteza sobre o destino do Fies, um rumor no início da semana alvoroçou o setor: o de que a oposição articula uma CPI do Fies no Congresso, com o objetivo de criar mais um foco de pressão sobre a presidente Dilma Rousseff e, eventualmente, seu padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O resultado foi uma verdadeira sangria dos papéis dessas empresas na Bolsa. As ações da Kroton (KROT3) acumularam uma queda de 12,19% na semana. A Ser Educacional (SEER3) recuou 11,65%; e a Estácio (ESTC3) perdeu 7,40%. Todas caíram mais que o Ibovespa, o indicador que serve de termômetro da Bolsa e encolheu 5,14%.*

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