FUNDO DO POÇO

Economistas elevam projeções de inflação até 2018

Estimativa para a Selic ao fim de 2016 também foi elevada pela 2ª semana seguida

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SÃO PAULO – As projeções de inflação no Brasil pioraram de 2015 a 2018, segundo pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta segunda-feira (28), apesar de as expectativas para a economia brasileira terem piorado no curto prazo, em meio ao cenário de baixíssima confiança dos agentes econômicos.

O levantamento, que ouve semanalmente uma centena de economistas de instituições financeiras, também mostrou que eles elevaram pela segunda semana seguida a estimativa para a taxa básica de juros no fim de 2016.

Para o IPCA, houve piora pela oitava semana seguida na projeção de alta em 2016, em 0,17 ponto percentual em relação à semana anterior, para 5,87%. O número se afasta ainda mais do objetivo do BC de levar a inflação para o centro da meta – de 4,5%, com tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou menos – no próximo ano.

Para este ano, as contas também subiram, a 9,46%, sobre 9,34% na semana anterior. A piora no cenário de inflação estendeu-se a 2018, apontou ainda o Focus, com as contas de 2017 passando a 4,90%, sobre 4,74%, e as de 2018 a 4,53%, ante 4,50%, patamar que vinha desde meados de junho passado.

Diante desse cenário, a pesquisa Focus mostrou que a estimativa para a taxa básica de juros no próximo ano passou a 12,50%, contra 12,25% anteriormente. Os dados mostraram que os especialistas consultados continuam vendo o início da queda da Selic – atualmente em 14,25% – em junho, porém agora em 0,25 ponto percentual, e não em 0,50 ponto como antes.

As pressões inflacionárias no país vêm piorando, entre outros, diante da valorização do dólar, que na semana passada atingiu nova máxima histórica de fechamento, a R$ 4,1461. Pelo Focus, o mercado espera agora que a moeda norte-americana encerre este ano a R$ 3,95, sobre R$ 3,86, e a R$ 4 em 2016.

Em relação à atividade, a pesquisa mostrou contração de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016, sobre queda de 0,80% na semana anterior. Isso em grande parte porque os economistas passaram a ver retração da indústria de 0,60%, contra crescimento de 0,20%.

Para este ano, as projeções caíram pela 11ª semana seguida, com a contração esperada a 2,80% do PIB, sobre queda de 2,70% na pesquisa anterior.

Neste mês, a confiança da indústria piorou pelo segundo mês seguido, ao cair 2,9% sobre o mês anterior, renovando a mínima histórica.

O país vive uma das piores crises econômicas, aliada às turbulências políticas, que tem afetado a confiança de empresários e consumidores.*

 (*) Por Camila Moreira – O Financista