BOIANDO E SEM MAROLAS

Em desmanche

O ideal, mesmo, seria um governo que não fizesse nada do que não precisa ser feit0

A escolha é clara: ou o Brasil progride, cria riquezas, cria empregos, gera e distribui renda com o desenvolvimento da atividade econômica produtiva, ou tem o trem-bala de Lula e Dilma. É uma coisa ou a outra: não dá para ter as duas ao mesmo tempo. Também não dá para melhorar a vida de um único pobre, um só que seja, doando 1,3 milhão de reais de dinheiro público à cantora Maria Bethânia, para que ela declame poemas num blog pessoal, em clipes produzidos pelo diretor Andrucha Waddington. Não será possível ir a nenhum lugar enquanto continuar existindo a TV Brasil, invenção de Lula que custa 1 bilhão de reais por ano, emprega mais de 2 000 amigos do PT e tem zero de audiência. Que mais? Mais de mil coisas, ou seja lá quantas forem, que a segunda parte do governo Dilma — este que está aí, com o nome de “governo golpista” de Michel Temer — deixou intactas para você pagar. Tirem esse lixo todo daí e o Brasil dará um salto.

A verdade, para simplificar a história, é que o país se prejudica muito mais com as coisas que o governo faz do que com as coisas que não faz. Eis aí: o ideal, mesmo, seria um governo que não fizesse nada do que não precisa ser feito. O Brasil não precisa de Plano Quinquenal. Não precisa de “obras estruturantes” nem de “políticas públicas”. Não precisa da Refinaria Abreu e Lima, pela qual você está pagando 20 bilhões de dólares desde o início do governo Lula — dez vezes mais do que estava orçado — e que até agora não ficou pronta. (Essa era a tal em que fizeram a Petrobras ficar sócia da Venezuela de Hugo Chávez, que nunca colocou um único tostão na obra.) Não precisa de PAC — um monumento mundial à roubalheira, à incompetência e à mentira. Não precisa de pirâmides como a Copa do Mundo, ou a Olimpíada, com estádios e uma Vila Olímpica inteira hoje afundando no chão, porque roubaram no material, no projeto e em tudo o que foi humanamente possível roubar — sem que nenhuma alma em todo o majestoso Estado brasileiro ficasse sabendo de nada. O teste mesmo é o seguinte: o Brasil estaria melhor ou pior se não tivesse feito nada disso?

Num país em que uma empresa pode gastar 2 000 horas por ano só lidando com as exigências que o governo inventa para arrecadar impostos — e quando se vê que essas 2 000 horas significam 83 dias de 24 horas, inteiramente perdidos, sem que se produza um único alfinete —, dá para se ter uma ideia da ruína em que colocaram o Brasil. Se o governo desfizer isso, simplesmente desfizer, será melhor ou pior? Fala-se aqui, singelamente, das aberrações mais estúpidas. Espere até chegarem os problemas realmente classe AAA, gold-platinum-­plus — como a constatação de que 50% de todos os gastos federais vão unicamente para a Previdência Social, e que o grosso disso é engolido com o pagamento das aposentadorias dos funcionários públicos — sobretudo da elite de gatos gordos. (Esses são os “direitos” que não podem ser tocados.) Será inútil, simplesmente, querer montar alguma coisa de útil no Brasil enquanto não se desmontar esse ambiente de demência.*

(*) J.R. Guzzo – veja.com

POBRE BRASIL

O Rio é a síntese do Brasil

O Rio não é exceção; antes, é regra.

A prisão do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, em pleno exercício do cargo, reveste-se de profundo sentido simbólico.

Resume a política brasileira contemporânea, em que o Estado e suas instituições foram capturados pelo crime organizado. Ele está nos três Poderes. A Lava Jato, uma operação policial, tornou-se, por isso mesmo, estuário das esperanças nacionais. Fato inédito.

Além dos quatro últimos governadores – Garotinho, Rosinha, Sérgio Cabral e Pezão -, estão presos os três últimos presidentes da Assembleia Legislativa fluminense e todo o Tribunal de Contas do Estado (à exceção de uma ministra, nomeada ao tempo em que os outros embarcavam no camburão), além de procuradores e juízes.

O Rio não é exceção; antes, é regra. Nem é a cidade mais violenta do Brasil: no ranking nacional, é a 22ª.

Mas, como cidade-síntese da nacionalidade – foi capital em suas três fases históricas (colônia, império e república) -, é um retrato do país, que tem hoje um ex-presidente (Lula) preso e os dois que o sucederam (Dilma e Temer) já na condição de réus.

O presidente que, dentro de um mês, sai se empenha em conceder um indulto a amigos, políticos que incidiram no crime de corrupção – o mesmo de que é acusado -, com plena recepção do STF (que já contabilizou os seis votos necessários para aprová-lo).

A eleição de Jair Bolsonaro, um deputado que por quase três décadas integrou o chamado baixo clero da Câmara, decorre desse quadro moralmente devastado. Bolsonaro concentrou sua atuação parlamentar, sempre vista como irrelevante, quando não caricatural, na denúncia do crime e da corrupção generalizada.

Fez dessas questões, negligenciadas por todos os governos da chamada Nova República, a bandeira de sua candidatura presidencial vitoriosa. Expressou numa linguagem que alguns consideram tosca o que todos identificam na realidade mais imediata da vida.

As chamadas grandes questões – na economia, na organização do Estado, no campo ideológico – perdem relevância diante do cotidiano infernal que o cidadão enfrenta. E é simples entender: para discuti-las, é preciso estar vivo. E as cidades brasileiras tornaram-se sucursais da Faixa de Gaza. Quem quer investir num lugar assim?

A partir do óbvio, consolidou-se a candidatura Bolsonaro, que, partindo de aliados simplórios, agregou apoios mais graduados e hoje transcende o seu ambiente de origem. O desafio que se impõe é o de transformar o ecossistema político brasileiro. Nada menos. E isso o torna persona non grata de todo o establishment.

Essa, na verdade, foi a promessa que o PT, na sua origem, fazia ao eleitorado. Prometia um mundo novo, livre da corrupção.

No poder, repetiu (e levou ao paroxismo) os erros que sempre denunciou, transformando-se de partido político em “organização criminosa que se apoderou do Estado brasileiro”, nas palavras do ministro Celso de Melo, do STF, quando do julgamento do Mensalão.

A montagem do Ministério, feita às claras – e por isso mesmo tendo suas divergências e contradições expostas ao público -, desafia o chamado presidencialismo de coalizão (ou de cooptação), ao minimizar a consulta aos partidos.

O risco é que derive para o tecnocratismo, que, ao prescindir da política, se distancia também da realidade.

(*) Ruy Fabiano é jornalista, no blog do Noblat

VAI SER BOM, NÃO FOI?

Fernando Barros na revista: balelas sobre o marketing de Bolsonaro

“Foi a facada”. “Não, foi o Whatsapp”

Celebrados ambientes do marketing político, no Brasil, ainda estão atônitos com a vitória de Jair Bolsonaro (PSL). Desde a semana passada, o foco deste bafafá é a reportagem com o publicitário Fernando Barros, da Propeg, na revista Época, onde o rodado profissional dá a cara à tapa e à polêmica ao demolir construções montadas sobre alicerces frágeis e movediços de meias verdades ou invencionices. Uma delas, a de que a campanha vencedora não teve marketing profissional. O sucesso seria resultado de fatores imprevistos, tipo o anti petismo; a facada no comício em Juiz de Fora; o fenômeno WhatSapp e a sorte.

Apresentado no texto de Miguel Caballero, como “precursor da dinastia baiana no marketing político brasileiro”, Barros (que abomina a expressão “marqueteiro”) não só contesta balelas, “chutes” e preconceitos, sem base em fatos, como afirma: ”o marketing bolsonarista foi um negócio sofisticado”.

A reportagem segue motivando polêmicas no país, e grande furdunço nos terreiros da Cidade da Bahia. Terra de origem, nas últimas décadas, da maioria das estrelas de primeira grandeza da propaganda política e eleitoral, desde a vitória de Antonio Carlos Magalhães, nas urnas, cinco anos depois do fim da ditadura militar.

O dono da Propeg provoca: “Eles (os marqueteiros políticos) estão até hoje tentando entender. Cada dia acordam e falam uma coisa . “Foi a facada”. “Não, foi o Whatsapp, botaram milhões de minions espalhando coisas nas redes, foi isso, foi aquilo. Ainda estão perdidos. Eu mesmo só fui acreditar na vitória dele a uma semana da eleição. Estava na Dr. Scholl, no Recife, e perguntei à moça que estava fazendo meu pé. Ela respondeu: “Bolsonaro, claro!”.

Em Salvador, comparações históricas tentam explicar o fenômeno. Uma delas recorda a campanha de ACM, quando encarou o desafio de voltar a mandar na Bahia, desta vez pelo voto popular. Os ataques mais criativos e devastadores vinham do publicitário Geraldo Walter, o Geraldão que, aos 33 anos, tocava a campanha do empresário Pedro Irujo. Inspirado no filme de Chaplin, “O Grande Ditador”, que satirizava Adolf Hitler, Geraldão bolou uma peça na qual o papel do fuhrer era encarnado por um sósia de ACM.

Em vez de negar a fama de direitista e autoritário de Antonio Carlos, sua campanha preferiu mostrá-lo como figura humana e política de múltiplas facetas. Nos terreiros de Candomblé, onde ele gozava de forte prestígio, o marketing, comandado por Fernando Barros, produziu uma peça em que ACM era chamado de “negro de pele branca”, e comparado a Oxumaré – orixá multifacetado, ao mesmo tempo homem e mulher, calmo e explosivo, rico e generoso.

ACM venceu no primeiro turno e a campanha virou referencial do marketing político no País. Quatro anos mais tarde, em 1994, Barros e Geraldo Walter (já falecido) juntaram seus talentos na campanha de Fernando Henrique Cardoso. Nascia aí o domínio marqueteiro baiano, em xeque com o Mensalão, a Lava Jato e, agora com a vitória de Bolsonaro. O perfil na revista demonstra que Fernando Barros não é mero sobrevivente, mas segue atuante, antenado e polêmico. Importa o que ele diz na revista semanal, concorde-se ou não. Espera-se que algo tão positivo, para discussão sobre o momento crucial do marketing político, não se transforme em mais uma irrelevante guerra de egos em volta da fogueira de vaidades.*

(*) Vitor Hugo Soares, no blog do Ricardo Noblat

O CANALHA DOS CANALHAS

Gilmar enriquece o capítulo brasileiro da história universal da infâmia

O ministro finge ignorar que o indulto forjado por Michel Temer foi concebido para livrar da cadeia corruptos de estimação

Na sessão do Supremo Tribunal Federal desta quinta-feira, o ministro Gilmar Mendes caprichou na pose de juiz dos juízes para reiterar que enxerga nos brasileiros sem toga um ajuntamento de idiotas. Decidido a justificar o indulto concebido por Michel Temer para livrar da cadeia corruptos de estimação, Gilmar enriqueceu o capítulo brasileiro da história universal da infâmia com dois falatórios capazes de deixar ruborizados até chicaneiros patológicos.

No primeiro, o doutor em tudo avisou que libertar bandidos em louvor do Natal é atribuição privativa do presidente da República, que pode fazer o que quiser. Pode, por exemplo, tratar a pontapés a lei, a ética, a sensatez, a moralidade e a Constituição. O chefe do Executivo, ressalvou Gilmar, “está submetido aos custos políticos da concessão do indulto”. Tradução: os insatisfeitos que votem contra Temer nas próximas eleições. Haja safadeza.

No segundo falatório, o ministro da defesa de culpados tentou contestar a informação divulgada pelos procuradores engajados na força tarefa da Lava Jato: se o texto forjado por Temer permanecer intocado, 22 dos 39 alvos da operação encarcerados no Paraná serão contemplados com o perdão. Depois de qualificar a constatação de “propaganda enganosa e pouco responsável”, Gilmar ampliou seu vasto acervo de tapeações em juridiquês de porta de cadeia.

“Dos 22 ditos beneficiados, 14 são delatores que já estavam livres do cárcere”, disse. “Já estão a salvo, mas por ato do Ministério Público Federal”. Se não sabe a diferença entre indulto e prisão domiciliar, Gilmar não pode ser ministro por excesso de despreparo. Se sabe e finge que não sabe, não merece ser ministro por excesso de cinismo.*

(*) Blog do Augusto Nunes

ATÉ OS PETISTAS CONCORDAM

Haddad, caso perdido

Petista retorna como sonâmbulo ao aposento de sempre e recoloca máscara de Lula

 
“Vocês repararam que o PSDB perdeu a quinta eleição seguida e a mídia conservadora jamais lhe pediu autocrítica?”.

A indagação de Fernando Haddad, pelo Twitter, situa-se a meio caminho entre a alienação e a má-fé. A cobrança, que não se restringe à “mídia conservadora”, relaciona-se às sucessivas vitórias eleitorais do PT, não à derrota recente.

A tão necessária revisão teria que incidir sobre a política econômica que elegeu Dilma duas vezes, às custas da maior recessão da nossa história, e à corrupção sistemática, que financiou três triunfos eleitorais. Mas, para fazê-la, seria preciso uma régua política estranha ao lulismo.

Haddad parecia a muitos, inclusive a mim, um potencial deflagrador da “refundação” do PT. Engano. Sua entrevista à Folha (26/11) prova que o discurso esboçado no segundo turno era teatro eleitoral.

O candidato, que engoliu a narrativa do “golpe do impeachment” por exatas três semanas, retorna como sonâmbulo ao aposento de sempre, recoloca a máscara de Lula e se exibe como líder do PT de Gleisi, Lindbergh et caterva.

Lula “teria ganhado a eleição”, afirma o profeta Haddad, desafiando as evidências disponíveis. A operação de transferência de votos lulistas foi um sucesso, como atestam os resultados do primeiro turno.

Todos os indícios sugerem que, no segundo, o “moderado” Haddad obteve até mesmo os sufrágios de incontáveis eleitores refratários a votar em Lula. A profecia haddadiana não é um exercício de análise contrafactual, mas um truque retórico para a reinstalação da narrativa sectária.

Na entrevista, quando acusa o Judiciário e o Ministério Público de operarem sob “viés antidemocrático”, Haddad retorna à lenda da conspiração universal contra o PT.

Nela, quando sugere que nossa democracia deu lugar a um “modelo híbrido”, Haddad curva-se ao dogma inventado no impeachment, descrevendo o triunfo de Bolsonaro como a conclusão de um “golpe das elites”. O disco de vinil riscado repete, aborrecidamente, seu verso mais tedioso.

Mano Brown compareceu ao comício de Haddad, na Lapa (RJ), para dizer que “o PT não está conseguindo falar a língua do povo”. Naquela hora, Haddad deu “toda razão” ao rapper, antigo “companheiro de viagem” do lulismo. Mas, diante da Folha, esqueceu o episódio, atribuindo o triunfo de Bolsonaro à “elite econômica” que “abriu mão do verniz”.

O círculo narrativo se fecha: a “elite”, de “viés antidemocrático”, impediu a vitória certa de Lula, concluindo o “golpe do impeachment” pela imposição de um “modelo híbrido”.

O PT, puro e galante, organizará uma frente de defesa dos direitos sociais (a “frente popular”, na linguagem emprestada do stalinismo) e uma frente de defesa dos direitos civis (a “frente democrática”, na mesma chave de linguagem). De Haddad, não sai nada.

Recessão econômica? Corrupção nas estatais? Defesa do falido regime ditatorial venezuelano? O PT não tem nada a rever. “Depois de tudo que aconteceu, quase tivemos a quinta vitória consecutiva”, comemora Haddad.

“Fomos vítimas de uma campanha de terrorismo cultural”, explica o esboço de resolução da direção nacional do partido. Por isso, “a defesa do PT exigirá um trabalho profissional de reconstrução da imagem”. É coisa para as turmas do marketing, da cenografia e da maquiagem.

A mistura fina de triunfalismo e vitimíssimo tem utilidade: serve para lacrar a direção lulista numa redoma higienizada, salvando-a da crítica de suas próprias bases.

Também tem consequências. O PT que não admite se reformar condena a esquerda brasileira a viver num gueto político e social, agarrada às reminiscências do lulismo.

Pior: a eternização de uma narrativa desmoralizada agrega nutrientes à lagoa fétida da extrema direita bolsonarista. O governo eleito tem tudo para dar errado. Mas, ao menos, tem no PT de Haddad a oposição de esquerda dos seus sonhos.

(*) Demétrio Magnoli- Folha de São Paulo

O VICE-REI DAS FALCATRUAS

Propina no Rio de Janeiro teve transição com Cabral e virou política de Estado

Resultado de imagem para pezao preso charges

Charge do Kacio (Arquivo Google)

Antes de deixar o Palácio Guanabara, Sérgio Cabral cumpriu os rituais de transição com o sucessor Luiz Fernando Pezão. O então governador se reuniu com empreiteiras para pedir que todas mantivessem o sistema de pagamento de propinas que havia abastecido seu bolso nos anos em que comandou o Rio.

O esquema narrado pelo delator Carlos Miranda a procuradores mostra como a corrupção se tornou uma política de Estado na administração fluminense. Segundo investigadores, Pezão recebeu como herança de Cabral a chefia da organização criminosa ao assumir o poder.

OPERAÇÃO – O depoimento de Miranda, dado no ano passado, serviu de base para a operação que prendeu o atual governador nesta quinta-feira (dia 29). Outros três mandatários já haviam sido presos no exercício do cargo. Um deles foi José Roberto Arruda, gravado no escândalo do mensalão do DEM.

O delator era considerado o “gerente” da distribuição de dinheiro do esquema. Ele contou que, em 2014, Cabral pediu uma lista das pessoas que eram beneficiadas pelos pagamentos ilegais. A planilha somava repasses de R$ 1,5 milhão por mês —dos quais R$ 150 mil seriam de Pezão.

Miranda disse que o governador repassou a tabela ao sucessor. “Depois de Cabral sair do governo, os pagamentos se inverteram. Pezão passou a enviar a Cabral R$ 400 mil mensais”, declarou o delator.

FESTIVAL – Nos últimos anos, o Rio viu serem levados para a cadeia um ex-governador, o presidente da Assembleia Legislativa, dez deputados, um procurador-geral e cinco dos seis conselheiros do Tribunal de Contas. Os investigadores afirmam que, mesmo assim, o saque ao estado não parou.

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, disse que Pezão assumiu de vez a liderança do esquema depois da prisão de seu padrinho.

A parceria entre os dois continuou ativa. Quando Cabral foi punido após se desentender com promotores dentro do presídio, Pezão decidiu interceder. Em um telefonema grampeado, prometeu: “Vou entrar no circuito, tá bom?”.*

(*) Bruno Boghossian
Folha

MESMO NO LIXO DA HISTÓRIA

Em novo documento, PT desiste de autocrítica e enaltece Haddad

Dirigentes da legenda decidiram retirar trechos que falavam em autocrítica do partido e críticas aos governos da ex-presidente Dilma Rousseff


BRASÍLIA — Após dois dias de reuniões em Brasília, dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) decidiram retirar do documento que norteará a atuação da legenda trechos que falavam em autocrítica do partido e críticas aos governos da ex-presidente Dilma Rousseff , que sofreu impeachment e foi afastada do cargo em definitivo em 31 de agosto de 2016.A inclusão de críticas no documento proposto na sexta-feira incomodou correntes internas, o que fez a direção da legenda recuar. Presidente do PT, Gleisi Hoffmann disse neste sábado que não haverá autocrítica no documento porque isso já é feito “na prática”:

— Não tem autocrítica no texto, o PT faz autocrítica na prática. O PT fez financiamento público de campanha, o PT está reorganizando as bases, o PT está com movimento social. Nós não faremos autocrítica para a mídia e não faremos autocrítica para a direita do país — disse a senadora.

Em vez de apontar “equívocos” ocorridos nas gestões petistas, o que constava inicialmente no texto, o novo documento enaltece a participação de Fernando Haddad nas eleições deste ano, na qual foi derrotado por Jair Bolsonaro no segundo turno, e retrata o ex-prefeito de São Paulo como uma liderança em ascensão no partido.

“É imprescindível ressaltar nesse balanço que o companheiro Fernando Haddad se projeta como uma nova liderança nacional do Partido. Defendeu o legado do PT, ao mesmo tempo em que simbolizou aspectos de renovação política e social de que o PT é capaz, logrando conjuntamente com a militância democrática, da esquerda e do partido chegar ao final do segundo turno com 47 milhões de votos.  É com este saldo político que Fernando Haddad poderá cumprir destacado papel frente aos novos e complexos desafios da conjuntura”, diz um trecho do texto.*

(*) O Globo

AÍ, MANÉ, JÁ ASSINOU NA NOVA VAQUINHA?

PT está no vermelho e não tem como devolver R$ 19,4 milhões gastos por Lula

A procuradora-geral Eleitoral, Raquel Dodge , pediu nesta sexta-feira que a coligação  O Povo Feliz de Novo , que teve Fernando Haddad (PT) como candidato à Presidência, devolva ao Fundo Partidário os valores gastos para financiar a campanha presidencial enquanto o ex-presidente Lula figurou como candidato. O pedido foi feito na ação que analisa as contas de campanha apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pela coligação.

De acordo com Dodge, parte do dinheiro público foi utilizado “indevidamente e representa gastos ilegais, uma vez que — como já havia sido condenado em segunda instância — Lula sabia que era inelegível e assumiu o risco ao requerer o registro de candidatura”. A coligação informou que no período em que o ex-presidente encabeçou a chapa presidencial foram gastos R$ 19,4 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha.

JUROS E CORREÇÃO – A procuradora-geral pediu que o valor utilizado no período em que Lula era candidato seja restituído com juros e correção monetária. O objetivo da medida, segundo a PGE, é evitar que recursos públicos sejam utilizados por candidatos “manifestamente inelegíveis”.

No documento, a Procuradoria diz que são passíveis de devolução os valores dos fundos usados “para promoção político-eleitoral direta e indireta”. De acordo com a PGE, o dinheiro gasto com o deslocamento, com os eventos do então candidato a vice-presidente, Fernando Haddad, despesas com telefonia, pesquisas e testes eleitorais são considerados como “utilização indevida” de recursos do fundo. Para a procuradora-geral Eleitoral, a obrigação de restituir os recursos é evidenciada “pelo fato de que a campanha ilegal foi prorrogada o máximo possível: somente no último dia de prazo recursal foi solicitada a substituição de Lula”.

HOUVE MÁ FÉ – Dodge ainda sustenta que houve má-fé por parte de Lula ao concorrer ao cargo. Para a PGE, o pedido de registro de candidatura teve efeito apenas protelatório. O ex-presidente já estava preso, cumprindo pena pela condenação em segunda instância, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

O objetivo, segundo Raquel Dodge, era manipular os eleitores pela eventual continuidade do futuro candidato substituto e viabilizar o gasto desnecessário de verba pública. O entendimento é de que tudo foi feito “em prejuízo da isonomia entre os candidatos, da normalidade e legitimidade do pleito e da salvaguarda do erário, bem como do exercício consciente do sufrágio”.

Raquel Dodge também destaca que os atos de campanha, como a caravana feita pelo interior do país na pré-campanha, não “o exime de responsabilidade” pelo gasto de verbas públicas. “Tornar legítimo o dispêndio de verbas públicas com a candidatura ilegal seria solapar de vez o princípio republicano e criar inédita hipótese de irresponsabilidade na gestão de verbas públicas”, enfatiza a Procuradoria.*

(*) Rayanderson Guerra
O Globo

O BAIANO DESCONHECE ESSE “MALFEITO”

A improbidade de Jaques Wagner

Jaques Wagner foi acusado de improbidade administrativa por ter arrumado um cargo nos Estados Unidos para o marido de Ideli Salvatti.

De acordo com a TV Globo, o petista atuou a fim de que o segundo-tenente do Exército, Jeferson da Silva Figueiredo, fosse empregado como “ajudante da Subsecretaria de Serviços Administrativos na Junta Interamericana de Defesa, com jornada semanal de 32 horas, pagamento mensal de U$ 7,4 mil (cerca de R$ 28 mil na cotação atual) e mais ajuda de custo para transferência de R$ 40 mil.”

Esse é o menor dos problemas de Jaques Wagner, que está prestes a cair na Lava Jato por causa da sede da Petrobras, em Salvador.