TRABALHAR? AÍ, NÃO, É DEMAIS!

Lula vai mesmo para o semiaberto – e terá que trabalhar

ENQUANTO ISSO…

Estagnação econômica pode ter evitado racionamento de energia elétrica no país

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Com os reservatórios das hidrelétricas esvaziados pela estiagem que afetou a maior parte do país nos últimos anos, o risco de racionamento de energia só não é uma realidade hoje no Brasil por que a economia está estagnada nos mesmos níveis de 2014.

A avaliação é de especialistas do setor elétrico. Edvaldo Santana, ex-diretor da Aneel e vice-presidente de Novos Negócios da Electra Energy, explica que o segmento vive um momento de tensão devido à severa escassez de água, que afeta a capacidade de geração das hidrelétricas. “Esse risco [de racionamento] não existe basicamente porque a economia não tem crescido. Agora em setembro de 2019, o nível de consumo está no mesmo patamar do que o de cinco anos atrás”, observa. “No passado crescemos 3,5% ao ano. Agora, estamos na faixa de 1%. Por isso não acredito que haja risco de racionamento”, concorda Roberto Pereira D’Araujo, diretor do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético (Ilumina).

No médio prazo, porém, a situação pode se complicar. “Se a economia crescer a 3,6% ao ano nos próximos cinco anos, como o governo está prevendo e o regime hidrológico continuar como agora, a situação ficará preocupante, com custo muito elevado”, acrescenta Santana. Um cenário desses poderia, inclusive, afetar o próprio crescimento econômico. Em 2014, o preço da energia no mercado livre subiu tanto que algumas indústrias pararam de produzir para revender a energia contratada.*

(*) Rosana Félix – Gazeta do Povo

BANDOS UNIDOS CONTRA A LAVA JATO

Decisão do STF potencializa reação à Lava Jato

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O Supremo Tribunal Federal desferiu nesta quinta-feira uma nova paulada no esforço anticorrupção deflagrado no país há cinco anos. Não é uma decisão isolada. Compõe reação mais ampla contra Lava Jato, com iniciativas adotadas no âmbito dos poderes Legislativo e Executivo —da nova lei sobre abuso de autoridade à abertura de brechas para o caixa dois na legislação eleitoral; do esvaziamento do ex-Coaf à proposta de proibir auditores da Receita Federal de compartilhar indícios de crimes com o Ministério Público; da obtenção de assinaturas para a criação da CPI da Lava Jato ao abafamento da CPI da Lava Toga.
Na decisão desta quarta-feira, formou-se na Corte uma maioria a favor do entendimento segundo o qual réus delatados têm o direito de anexar alegações finais nos processos depois dos corréus delatores. Uma inovação que não está prevista na legislação. Isso levará à anulação de sentenças no âmbito da Lava Jato e fora dela. Entre os potenciais beneficiários está Lula.
O Supremo retomará o julgamento na quarta-feira da semana que vem, para definir a abrangência da nova jurisprudência. A dúvida é se ela valerá apenas para os réus que reclamaram de cerceamento de defesa na primeira instância ou se será aplicada indistintamente em todos os processos instruídos com dados fornecidos por réus colaboradores.
A novidade potencializa uma onda de iniciativas que puxam avanços para trás, aplicam sedativos em órgãos de controle e restauram gradativamente o ambiente viscoso em que proliferam os maus costumes e a roubalheira. No mês passado, a Segunda Turma do Supremo já havia anulado a condenação imposta pelo então juiz Sergio Moro a Adelmir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras. A nova anulação beneficia um ex-gerente da Petrobras, Márcio de Almeida Ferreira. A exemplo de Bendine, foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro. A diferença é que esse segundo caso foi içado da turma, com cinco membros, para o plenário da Corte, com 11 magistrados, para que o veredicto seja seguido por todo o Judiciário como um paradigma.
O ministro Gilmar Mendes traduziu os humores que prevalecem em Brasília: “Vamos honrar as calças que vestimos!”, declarou, ignorando os vestidos das colegas Cármen Lúcia e Rosa Weber, que ajudaram a compor a maioria. Gilmar evocou mensagens trocadas no escurinho do Telegram pelo ex-juiz Moro, hoje ministro da Justiça da gestão Bolsonaro, e procuradores de Curitiba. “Falam mal de nós, chamam a nós de vagabundos. Queriam interferir na distribuição de um processo. Falam mal do ministro Fachin. Passaram de todos os limites –mentindo, agredindo à Corte. E nós: ‘Ah, temos que atender a Lava Jato”….
O ministro Luis Roberto Barroso, chamado pelos desafetos de “lavajatista”, falou antes de Gilmar. Ele empilhou diante das lentes da TV Justiça cinco decisões que caracterizam o maior retrocesso penal ocorrido no Supremo desde o marco representado pela condenação de mais de duas dezenas de réus pilhados no escândalo petista do mensalão. Eis a lista:

1)”Diversas ações foram retiradas da competência da 13ª Vara Federal de Curitiba, que havia quebrado o paradigma de ineficiência e impunidade em relação à criminalidade do colarinho branco”;

2) “Transferiu-se a competência para o julgamento de crimes comuns, sobretudo de colarinho branco, conexos com os eleitorais, para a Justiça Eleitoral —num momento em que a Justiça Federal vinha funcionando com crescente eficiência”;

3) “Considerou-se inconstitucional a condução coercitiva, que vigorava há quase 80 anos”;

4) “Entendeu-se que o parlamentar que utilize o mandato para a prática de crimes (pode me chamar de Aécio Neves), documentadamente comprovados, gravado e filmado, não podiam ser afastados do mandato por decisão do Supremo, ficando a matéria submetida à Casa legislativa”;

5) “Mais de 50 habeas corpus foram concedidos apenas no Rio de Janeiro, um estado devastado pela corrupção, praticada com inimaginável desfaçatez; (neste ponto, um nome não mencionado pelo orador cintilava nas entrelinhas como um letreiro de neon: Gilmar Mendes).

Barroso arrematou: “E agora chega este caso, com o risco de anular o esforço que se vem fazendo até aqui para enfrentar esta corrupção que não é fruto de pequenas fraquezas humanas, de pequenos desvios individuais. São mecanismos profissionais de arrecadação, desvio e distribuição de dinheiros. Não há como o Brasil se tornar desenvolvido e furar o cerco da renda média com os padrões de ética pública e privada praticados aqui. Precisamos romper com esse paradigma. E as instituições precisam corresponder às demandas da sociedade.”

O julgamento do Supremo ocorreu no mesmo dia em que tomou posse Augusto Aras, o novo procurador-geral da República. O nome foi retirado do bolso do colete por Jair Bolsonaro, a contragosto de Sergio Moro. Numa evidência de que Brasília vive tempos estranhos, a escolha de Aras caiu nas graças da bancada de senadores petistas e recebeu rasgados elogios do multi-investigado Renan Calheiros (MDB-AL). O Senado referendou a escolha pelo acachapante placar de 68 votos a 10. A votação foi turbinada pelo compromisso assumido por Aras de ajustar os “métodos” da Lava Jato, impondo aos procuradores a temperança de “cabelos brancos” e o “princípio da impessoalidade”.
Na véspera da votação que consagrou Aras, o Congresso derrubara 18 dos 33 vetos que Bolsonaro aplicara à lei sobre abuso de autoridade. Coisa avalizada na surdina pelo próprio Bolsonaro, em conversa telefônica com o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre. Repetindo: o presidente da República aquiesceu em segredo à derrubada de vetos que havia trombeteado sob holofotes após seleção feita por auxiliares como Sergio Moro, ministro mais popular do governo. Sem resistência do Planalto, os congressistas restabeleceram artigos que inibem a ação de juízes, procuradores e investigadores.
No Executivo, após rebatizar o Coaf de UIF, Unidade de Inteligência Financeira, Bolsonaro enfiou o órgão nos fundões do Banco Central. Fez isso, nas pegadas de uma decisão inusitada do presidente do Supremo, Dias Toffoli. Aproveitando-se de um recurso do senador Flávio Bolsonaro, investigado no Rio de Janeiro por suspeita de peculato e lavagem de dinheiro, Toffoli suspendeu todos os processos judiciais do país municiados com informações detalhadas obtidas do Coaf sem autorização judicial. O despacho do mandachuva do Supremo, um amigo de infância que Bolsonaro conheceu depois dos 60 anos, alterou uma rotina que vigorava no Coaf havia duas décadas.
Suprema ironia: nove meses depois da posse de um presidente que se elegeu enrolado na bandeira da moralidade, surfando a onda do antipetismo, o líder do governo no Senado é Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), um ex-ministro de Dilma Rousseff que acaba de receber a visita dos rapazes da Polícia Federal de Sergio Moro. São evidências de que, no retorno à era pré-Lava Jato, nada se cria, nada se copia, tudo se corrompe. E o gavetão dos assuntos pendentes do Supremo ainda guarda munição com alto grau de destruição — na  Segunda Turma, o pedido de suspeição formulado pela defesa de Lula contra Sergio Moro. No plenário principal, a rediscussão da regra que autorizou a prisão de larápios condenados em segunda instância.*

(*) Blog do Josias de Souza – UOL

LAVA JATO, MENINA TIMOSA

Lava-Jato agora mira doleiros e gerentes do Banco do Brasil em SP e Natal

 

 

A força-tarefa da Lava-Jato deflagrou nesta sexta-feira uma nova-fase da operação, denominada Alerta Mínimo, a 66ª etapa da investigação. No total, são setes mandados de busca e apreensão que estão sendo cumpridos pelos agentes da Polícia Federal em São Paulo e Natal expedidos pela 13ª Vara Federal Criminal do Paraná. A ação desta manhã mira um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo doleiros e gerentes do Banco do Brasil .

São investigadas as atuações de três gerentes e um ex-gerente do BB cooptados por operadores financeiros para facilitar operações de lavagem de dinheiro entre 2011 e 2014. O valor movimentado em transferências bancárias superou R$ 200 milhões. Parte desse dinheiro foi utilizado para pagamento de propinas por empreiteiras que praticaram corrupção contra a Petrobras.

VANTAGENS – Há evidências de que gerentes vinculados a três agências do Banco do Brasil localizadas em São Paulo receberam vantagens indevidas para burlar os mecanismos de prevenção a lavagem de dinheiro da instituição.

De acordo com as investigações, a conduta indevida dos gerentes possibilitou que contas em nome de empresas de fachada controladas por organizações criminosas fossem abertas e operassem na instituição financeira por longo período, realizando centenas de operações de lavagem de dinheiro, inclusive depósitos e saques de valores expressivos em espécie.

EM SIGILO – Os gerentes teriam atuado para encerrar registros do sistema de detecção de lavagem de dinheiro do banco, o que impediu ou dificultou a comunicação de operações suspeitas ao Coaf.

Após a identificação do esquema ilícito, a PF e o Ministério Público Federal (MPF) ofereceram ao Banco do Brasil a oportunidade de realizar apurações sigilosas internas. Essa medida resultou na obtenção de outras provas de lavagem de dinheiro.*

(*) Redação, O Globo

É A LAMA… É A LAMA

Barroso propõe que anulação de sentenças só valha daqui em diante

Por sete votos a três, o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou nesta quinta-feira, dia 26, um entendimento que pode anular condenações da Lava-Jato. Para a maioria da Corte, réus delatados devem apresentar alegações finais depois dos réus delatores.

Na Lava-Jato, a praxe era abrir prazo comum para todos os réus. A nova tese pode justificar a anulação de condenações em processos que foram instruídos com a regra anterior. Na próxima quarta-feira, o Plenário vai discutir a abrangência dessa decisão – se valerá para processos em que as condenações já foram determinadas, ou se será aplicada apenas a partir de agora.

CASO BENDINE – No mês passado, a Segunda Turma, formada por cinco dos onze ministros do STF, entendeu que primeiro devem falar os delatores – e, por isso, anulou a condenação imposta ao ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine . Isso porque o então juiz Sergio Moro, que conduzia a Lava-Jato em Curitiba, abriu prazo conjunto para todos os réus se manifestarem antes da decisão final. Mas Bendine foi delatado e, de acordo com a Segunda Turma, deveria ter tido mais tempo para se defender.

Concordaram com o entendimento da Segunda Turma os ministros Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Celso de Mello e o presidente do STF, Dias Toffoli. Já os ministros Edson Fachin, Luís Roberto Barroso e Luiz Fux defenderam o prazo conjunto para a manifestação de todos os réus, indistintamente. Marco Aurélio Mello se ausentou antes de terminar a sessão e, por isso, não votou.

IMPACTO – O julgamento desta tarde tem impacto imediato apenas para o ex-gerente da Petrobras Márcio de Almeida Ferreira, que apresentou recurso com os mesmos motivos de Bendine. A decisão, que terá os detalhes definidos só na próxima semana, será um precedente importante para nortear outras decisões.

Mas os juízes e ministros não são obrigados a seguir o mesmo entendimento em casos futuros. Isso porque não há efeito vinculante. Cada magistrado tem autonomia para analisar o caso específico antes de decidir se concede ou nega um habeas corpus.

ALTERNATIVA – Para evitar anulações em massa na Lava-Jato, Barroso propôs que a nova interpretação seja aplicada apenas a processos penais a serem julgados daqui para frente. Fux concordou com essa alternativa. Toffoli disse que tinha outras sugestões para orientar juízes de todo o país na aplicação do entendimento do STF, mas apresentaria suas ideias apenas na próxima quarta-feira.

Barroso argumentou que as alegações finais são apenas um resumo do que já foi apresentado ao longo do processo. Logo, o réu delatado não se surpreenderia com a manifestação do delator. “Ninguém é surpreendido por nada que se traga em alegações finais. As alegações finais se limitam a interpretar, analisar, comentar as provas já produzidas”,  disse.

POSSÍVEL RETROCESSO – Barroso também fez um compilado da história recente de investigações a casos de corrupção no Brasil. Segundo ele, se a decisão da Segunda Turma for mantida, será um retrocesso no combate a essa prática. “Esse não é caso isolado, produz efeito sistêmico na legislação que ajudou o Brasil a romper o paradigma que vigorava em relação à corrupção e criminalidade de colarinho branco”, declarou.

Na última quarta-feira, Fachin tinha votado no mesmo sentido. Ele explicou que, para justificar a anulação de uma condenação, o réu precisa demonstrar que foi prejudicado por não ter se manifestado depois dos delatores. O ministro ressaltou que a decisão de um juiz de estabelecer prazo comum para todos os réus não pode ser considerada ilegal, porque não há em lei previsão de alegações sucessivas.

INTERESSES DIFERENTES – Moraes argumentou que na ação penal, o interesse do delator é o mesmo do Ministério Público. Como nos processos penais os acusadores se manifestam antes, o correto seria os delatados apresentarem suas defesas por último. Para ele, não se pode tratar todos os réus da mesma forma, porque eles têm interesses diversos.

“O interesse processual do delator é demonstrar ao juiz que as suas informações foram imprescindíveis para a obtenção de provas e para a condenação. Até porque, se de nada prestar a delação, o delator não terá as vantagens prometidas. O delator tem interesse totalmente oposto ao interesse do delatado. A absolvição do delatado afastaria a eficácia da delação e, por isso, o delator não receberia os benefícios acertados com o Ministério Público”, disse Moraes.

CONDENAÇÃO – Ainda segundo o ministro, as garantias constitucionais direcionadas aos réus não impedem a condenação de culpados. “Nada custa ao Estado respeitar o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. Nenhum culpado, nenhum corrupto, nenhum criminoso deixará de ser condenado, se houver provas, se o Estado respeitar esses princípios constitucionais”, declarou Moraes.

Depois da decisão da Segunda Turma, vários réus em situação idêntica pediram o mesmo benefício. Edson Fachin pediu para a questão ser examinada no plenário, com a presença dos onze ministros, para que uma tese geral para norteie futuras decisões do tribunal.

PENDÊNCIAS – Somente o ministro Ricardo Lewandowski tem quatro pedidos pendentes à espera de um posicionamento do plenário. A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também pediu anulação de duas condenações – a do triplex do Guarujá, caso pelo qual está preso, e a do sítio de Atibaia, em que foi condenado em primeira instância. Fachin é o relator desse recurso.

Segundo balanço da Lava-Jato, a tese jurídica inaugurada na Segunda Turma tem potencial para anular 32 sentenças, envolvendo 143 réus condenados somente na operação. Mas a decisão também pode reverberar em processos fora da operação. Isso se os ministros do STF e juízes brasileiros decidirem replicar a decisão tomada pelo plenário da Corte. Eventual interpretação menos abrangente também pode ser um fator para diminuir o impacto da decisão.*

(*) Carolina Brígido
O Globo

LIBEROU GERAL

Desembargador do TRF cassa decisão de Bretas e libera viagem de Temer a Oxford

O desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, Ivan Athié, deu liminar, nesta quinta-feira, dia 26, para o ex-presidente Michel Temer (MDB) poder viajar à Inglaterra. O emedebista havia sido convidado para fazer uma palestra na Oxford Union, entidade vinculada a alunos da universidade. No entanto, o juiz da Lava Jato do Rio, Marcelo Bretas, havia negado.

O pedido de habeas foi apresentado pelos advogados de Temer, Eduardo Carnelós, Átila Machado, Roberto Soares Garcia e Brian Alves Prado.

CASSAÇÃO – “Consoante se demonstrou, a decisão atacada não contém fundamento jurídico que a sustente. Conquanto exiba discurso musculoso, revela sua fragilidade intrínseca, e por isso merece cassação” Athié afirma que Bretas fundamentou a decisão ‘em sua opinião pessoal sobre a necessidade da prisão cautelar, afastada pelo Superior Tribunal de Justiça’.

“Em vigente dispositivo constitucional de presunção de inocência, nestes termos, e considerando a relevância para o pais, e sua história, o atendimento ao convite formulado ao paciente por entidade internacional, de relevante importância mundial, defiro a liminar requerida para autorizar a viagem, no período de 13 a 18 de outubro do corrente ano, a fim atender honroso convite formulado por Oxford Union”, escreve.

Athié manda providenciar ‘de imediato a entrega do passaporte’ a Temer, ‘que deverá ser devolvido em até cinco dias de seu retorno, junto com os comprovantes de viagem aérea de ida e volta ao Brasil’.

IMCOMPATIBILIDADE –  O juiz Marcelo Bretas havia barrado a ida de Temer em 18 de setembro. Em sua decisão, afirmou que o ‘status de réu (do emedebista), em ações por corrupção, é incompatível com o uso do passaporte diplomático para evento acadêmico’.

Sob a tutela de Bretas correm ações contra Temer no âmbito da Operação Descontaminação, que mira supostas propinas e desvios em contratos da Usina de Angra III.

As acusações da Procuradoria dão conta de que empresas do amigo de longa data do ex-presidente, João Baptista Lima Filho, o Coronel Lima, teriam sido utilizadas para lavagem de dinheiro, em contratos com a Eletronuclear.*

(*) Luiz Vassallo, Fausto Macedo
Estadão

FORÇA, JANOT, AINDA DÁ TEMPO!

JANOT DIZ QUE FOI ARMADO AO STF PARA MATAR GILMAR MENDES

Rodrigo Janot, que está escrevendo um livro sobre sua gestão como PGR, disse ao Estadão que foi armado ao Supremo para matar o ministro Gilmar Mendes.

“Não ia ser ameaça, não. Ia ser assassinato mesmo. Ia matar ele e depois me suicidar.”*

(*) Veja, Estadão, Folha de SP, etc

 

 

TIPO ASSIM…

O cachorrinho esquerdista

Não faz muito tempo, um cachorrinho foi morto a pauladas no estacionamento de uma rede de supermercados. O caso provocou indignação, gerou considerável revolta, mas vivemos tempos em que a indignação é seletiva e a revolta é politizada. Ou você fica indignado por todos, todos os dias, todas as horas, ou dá de ombros e não se importa com nada e ninguém. Ou sua indignação tem filiação partidária, ou não serve. Há militantes em toda parte fazendo boca-de-urna moral, e descobrimos que ter pena de cachorro é coisa de comunista. Gente de bem só tem pena de gente de bem. Os indignados que lamentaram o cachorrinho foram acusados de pouco lamentar os bebezinhos. A comoção canina só podia ser coisa da esquerda. O próprio cachorrinho, vai saber, talvez fosse de esquerda.

Por isso me causou estranheza a reação dos cabos-eleitorais de tragédias quando a menina Agatha Felix foi morta com um tiro de fuzil. Pensei: “Agora sim, uma criancinha a ser chorada!” Toda aquela energia sentimental reprimida desde a morte do cachorrinho viria à tona. Qual o quê! Defenderam a ação policial, não a vítima. Aliás, que vítima? Vítima nenhuma: efeito colateral. Nasceu no lugar errado. Estava viva na hora errada. Se protegeu perto das pessoas erradas. Fica para a próxima, porque essa criança não serve, essa não representa a família brasileira, procuremos outra menininha que seja homem-de-bem, que não conviva com traficantes em favela, que seja vítima de coisa mais perigosa que tiro de fuzil. Uma revista em quadrinhos, por exemplo.

Que eu saiba, Agatha não era de esquerda. Ao que me consta, também não era cachorrinho. Nem mesmo a perigosa combinação que resulta num cachorrinho de esquerda. Era uma criança comum, que não tinha nada que ver com crimes, Estado, direita, esquerda, polícia e bandido. Fazia balé, estudava inglês, levou um tiro. Coisas da vida. Por que ela não merece a indignação reservada às criancinhas, aquela indignação que nunca foi nem será gasta com os cachorrinhos? Por que a avareza sentimental com o cachorrinho não se transformou em generosidade para com a menininha?

Não é difícil imaginar o porquê. Os cristãos-novos do reacionarismo tropical foram recrutados sem muita experiência para as batalhas éticas. Leram pouco, leram rápido, leram nada a respeito do que há de valioso no conservadorismo, e aprenderam menos ainda com liberais e libertários sobre a prudência e os limites à ação do Estado. Ignoram o quanto nossos sentimentos morais dependem de certa empatia, uma empatia que prescinde de motivos ou justificativas, sem a qual a ética resulta estéril. Todos esses conceitos se transformaram numa mistura indigesta, que não termina de ser metabolizada, que está quase chegando à boca do organismo intelectual de uns e outros. Ouviram falar em império da lei, entenderam lei do mais forte; ficaram sabendo de fofocas sobre Estado mínimo, entenderam que todo Estado é pouco.

No último texto, não defendi o crime ou os criminosos. Em nenhuma linha. Primeiro, me dei cinco minutos para lamentar a morte de uma inocente. Peço desculpas por isso; da próxima vez, comemoro. Em seguida, defendi uma política de segurança pública que não se reduza ao confronto direto, bruto, tosco e burro em áreas densamente povoadas. Há experiências melhores que as do estado do Rio de Janeiro. Inteligência, tecnologia, ciência, investimento, tática, estratégia, combate à corrupção, punição na forma da lei – soluções um pouco diferentes do “mirar na cabecinha e… fogo” governamental. Isso pouparia vidas inocentes – de civis e de policiais. Sim, de policiais também, soldados numa guerra sem vencedores.

Defendi ainda que se espera do Estado, justamente do Estado, indeclinavelmente do Estado, que provoque menos danos à vida e à propriedade. Por definição. Isso nem deveria ser discutido. Para a vítima, filha de alguém, neta de alguém, alguém em si mesma, tanto faz ser morta pelo Estado ou pelo bandido. Tal como a rosa, se a morte tivesse outro nome ainda assim federia a morte. Que um criminoso atente contra a minha vida, é o esperado (e para me proteger disso existe o Estado). Que um agente do Estado o faça, é o inaceitável (é para isso que serve o Estado?). E não se invoque a simetria – a falsa simetria – entre a morte de um civil, uma criança, com a de um policial. Este sabe, quando escolhe a profissão, que há riscos inerentes a ela. Atua sob um contrato. Decidiu fazer parte da força policial e combater o crime, merece todo respeito e consideração por isso, mas fez uma escolha. Sua morte deve ser lamentada e seu heroísmo deve ser visto com gratidão e orgulho, mas é da natureza do seu trabalho. Esse fato conta para a discussão.

Tampouco me convencem os apelos a uma indiscriminada e retórica “guerra”, ou “guerra às drogas”. O termo há muito serve como metáfora-gatilho para justificar quaisquer ações, irresponsáveis e autoritárias, do estado de exceção ao Pacto Molotov-Ribbentrop. E danem-se as consequências, os cachorrinhos e as criancinhas. “Numa guerra morrem inocentes” é a máxima preguiçosa, e perigosa, de quem se acredita expectador da sorte alheia. Numa guerra morrem inocentes, é verdade, mas pouco nos importamos quando os inocentes são os outros. Que morram os inocentes de lá para que não morram os de cá. Que morram os que moram na favela. Os de longe. Os que votaram neste ou naquele. Os que não conheço. Os que não me inspiram empatia. Os que têm primos ou irmãos na cadeia. Os policiais jogados à própria sorte nos confrontos. Os cachorrinhos de esquerda. As menininhas de esquerda.*

(*) Gustavo Nogy

ACABAR ACABANDO

O Facebook caminha para a irrelevância

A experiência na rede está cada vez mais limitada e menos interessante. Quanto mais a empresa mexe no algoritmo, pior ele fica

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O Facebook começa nessa quarta-feira a sua primeira campanha nacional de marketing no Brasil, onde há cerca de 132 milhões de usuários que, ao menos uma vez por mês, acessam as suas contas. Segundo a empresa, o objetivo é “destacar a força dos grupos na plataforma, como instrumento para conectar e aproximar pessoas com interesses em comum”. Não custa lembrar que os grupos são também um instrumento poderoso para anunciantes, por reunir num mesmo lugar tantas pessoas com interesses em comum. Também é bom ter em mente que o Facebook está com a imagem arranhada depois de uma sucessão de escândalos envolvendo quebra de privacidade, falta de transparência, anúncios duvidosos e até ameaça à democracia com a onda de fake news que precedeu eleições em várias partes do mundo.

A verdade é que, apesar dos seus dois bilhões mundiais de usuários, o Facebook começa a deixar de ser relevante. As notícias de última hora estão no Twitter, bem mais usado por políticos, jornalistas e militantes, com uma repercussão muito superior ao seu modesto sexto lugar no ranking das redes; a vida como ela (não) é está no Instagram, onde foto & legenda resolvem todas as necessidades de comunicação dos Millenials e da Geração Z; e os assuntos entre família e amigos circulam mesmo é pelo WhatsApp. Enquanto isso, um número cada vez maior de influenciadores muda-se de armas, bagagens e seguidores para o YouTube, hoje a maior rede social do Brasil.

Cada vez menos adolescentes acessam o Facebook. Isso por si só não chega a ser um problema, porque, afinal, cada vez mais adolescentes envelhecem, e estatísticas apontam que o maior grupo de usuários da plataforma encontra-se na faixa entre 25 e 34 anos.

O problema real é que a “experiência Facebook” está cada vez mais limitada e menos interessante. Quanto mais a empresa mexe no algoritmo, pior ele fica. Sigo vários grupos e centenas de pessoas, mas a minha linha do tempo mostra sempre a mesma meia dúzia de amigos, ou postagens pagas que não me interessam; na linha inversa, tenho 120.588 seguidores, mas duvido que o que posto chegue a ser exibido a dois por cento disso.

O alcance orgânico está parado. Minha conta crescia cerca de mil seguidores a cada mês; desde fevereiro, o número não muda, sem que a quantidade ou qualidade das postagens tenha mudado (ou o engajamento que elas provocam). A mesma coisa acontece com todos os outros jornalistas e influenciadores com número semelhante de seguidores com quem tenho conversado sobre o assunto. Estamos todos profundamente desestimulados, e buscando alternativas ao Facebook.

Ao contrário do YouTube, que remunera youtubers através de anuncios e oferece ferramentas para ajudar no seu trabalho, o Facebook quer que influenciadores troquem seus perfis pessoais por páginas, e passem a pagar para que o que produzem — de graça! — seja visto. Essa política pode até dar lucros imediatos, mas a longo prazo gera ressentimento em vez de empolgação, e desestimula a criação de  conteúdo que é a alma de qualquer rede social.

Não há campanha de marketing que possa criar amor por um espaço onde reinam indiferença, ganância e falta de transparência.*

(*) Cora Rónai – O Globo

REELEIÇÃO MUITO AMEAÇADA

Presidente da Câmara anuncia abertura de processo de impeachment contra Trump
Republicano será investigado por ligação na qual teria pressionado líder ucraniano sobre filho de Biden

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A presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, a democrata Nancy Pelosi, anunciou nesta terça-feira (24) a abertura de um processo de impeachment contra o presidente Donald Trump.

Em um telefonema em julho, o republicano teria pressionado o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, para que este investigasse o filho de um de seus principais adversários, Joe Biden. É por este caso que ele deverá ser investigado.

“Isto é uma quebra da Constituição americana”, afirmou Pelosi ao anunciar a abertura do processo. “O presidente precisa ser responsabilizado. Ninguém está acima da lei”, disse ela após um encontro com a bancada democrata (que tem maioria na Casa).

Pouco antes da conversa, Trump cancelou uma ajuda de cerca de US$ 400 milhões para a Ucrânia. A oposição afirma que o republicano usou a verba para pressionar Zelenski a investigar o filho de Biden, o que a Casa Branca nega.

Muitos democratas já vinham sugerindo, em público e em particular, que as evidências recentes indicavam a pressão de Trump sobre o governo ucraniano, e acusavam sua tentativa de obstruir o acesso do Congresso a mais informações.

Um agente de inteligência que ouviu a conversa de Trump com o líder ucraniano —um procedimento padrão nos EUA— teria alertado as autoridades que o presidente teria colocado em perigo a segurança nacional.

O Congresso também foi automaticamente avisado do problema, mas não recebeu detalhes. Os democratas acusam a Casa Branca de esconder as informações para proteger Trump.

Com isso, os deputados fizeram duas requisições ao governo: que liberasse a transcrição das conversas do presidente com Zelenski —o Senado fez um pedido semelhante— e que permitisse que o agente que ouviu a ligação testemunhasse sobre o caso (ele ainda não teve o nome divulgado).

Trump disse que permitirá a divulgação da transcrição e nega ter feito algo de errado. Logo após a fala de Pelosi, ele usou uma rede social para se defender.

O americano voltou a afirmar que é alvo de uma “caça às bruxas” da oposição e disse que os democratas promovem uma “perseguição presidencial”.

Nesta terça, o presidente do Comitê de Inteligência da Câmara, Adam Schiff, afirmou que o agente concordou em testemunhar.

O contato entre o americano e o presidente ucraniano foi revelado pela imprensa americana ao longo dos últimos dias e fez aumentar a pressão para que Pelosi desse início aos procedimentos de impeachment contra o republicano.

Na ocasião, o presidente americano teria pedido que o ucraniano trabalhasse com seu advogado pessoal, o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani, na investigação contra o adversário.

Giuliani se encontrou nesta terça com o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, após o discurso deste na Assembleia Geral da ONU. Na saída, ele comentou o caso e atacou os democratas.

“Eles são um bando de enganadores políticos. Tudo o que eles estão fazendo é torná-lo [Trump] mais popular. E o que eles estão fazendo é destruindo a si próprios”, afirmou Giuliani.

“A Câmara não é uma instituição séria. A Câmara existe para fazer o que puder para derrotar o presidente Trump, incluindo mentir consistentemente”, completou ele.

Apesar de diversas alas democratas defenderem a abertura do processo, Pelosi se recusava a dar início a medida. Ela afirmava que um processo poderia aumentar a polarização e influenciar as eleições de novembro de 2020.

Além disso, a deputada afirmava que as chances do impeachment ser aprovado no Senado é baixa, já que a Casa tem maioria republicana.

Segundo o jornal The Washington Post, Pelosi mudou de ideia com as novas revelações. A tendência é que ela autorize a criação de uma comissão especial para investigar Trump, semelhante à que foi criada em 1973 para investigar o então presidente Richard Nixon pelo escândalo de Watergate.

Nixon acabou renunciando ao cargo em 1974, antes da Câmara concluir o processo.

Em toda a história americana, apenas duas vezes os deputados autorizaram o impeachment contra o presidente: em 1868, contra Andrew Jackson, e em 1999, contra Bill Clinton. Os dois acabaram inocentados no Senado e puderam seguir no cargo.

O início do processo permite aos deputados investigarem Trump, mas não significa que ele terá que deixar o cargo.

Cabe a Câmara aceitar ou não o processo por maioria simples, o equivalente a 218 deputados caso todos os 435 estejam presentes. Segundo o jornal The New York Times, 172 (171 democratas e 1 independente) já se declararam a favor da medida.

O julgamento em si, porém, é feito no Senado, onde dois terços dos 100 senadores precisam aprovar a medida. Apenas se isso acontecer é que Trump deixaria o cargo. *

(*) REUTERS e AFP