O SERVIÇAL DO BOLSONARISMO

A penúltima de Jair Bolsonaro: um negro racista

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Sob Jair Bolsonaro, há um adorador da ditadura na Presidência, um antiambientalista no Ministério do Meio Ambiente, um antidiplomata no Itamaraty, um deseducado na pasta da Educação e um inimigo dos artistas na Secretaria de Cultura. Quando se imaginava que o governo já havia atingido o ápice do contrassenso, sobreveio o escárnio: um negro racista no comando de uma entidade criada para zelar pelos interesses da comunidade afrodescendente.

Chama-se Sérgio Camargo. Jornalista, foi acomodado na presidência da Fundação Palmares, que tem entre os seus objetivos: promover e apoiar a integração cultural, social, econômica e política dos afrodescendentes. Os pensamentos vadios do personagem estão disponíveis na vitrine das redes sociais.

Sérgio Camargo avalia que “não há salvação para o movimento negro. Precisa ser extinto! Fortalecê-lo é fortalecer a esquerda”. Espanto! Para ele, “a escravidão foi terrível, mas benéfica para os descendentes”. Pasmo! Sustenta que “os negros do Brasil vivem melhor que os negros da África”. Estupefação!

Uma das metas do novo presidente da Fundação Palmares é abolir o Dia da Consciência Negra, que “celebra a escravização de mentes negras pela esquerda.” Procurado, absteve-se de esmiuçar sua antiplataforma numa entrevista. Mas a Secretaria da Cultura, que abriga em seu organograma a Fundação Palmares, parece dar-lhe carta branca.

Em nota, a secretaria esclareceu que Sérgio Camargo defende que o negro não precisa ser vítima. Tampouco precisa ser de esquerda. Trabalha para alcançar a libertação da mentalidade que escraviza ideologicamente os negros. Uma de suas prioridades é desaparelhar a Fundação Palmares.

O Hino à República, aquele que pede à liberdade que “abra as asas sobre nós”, diz a certa altura: “Nós nem cremos que escravos outrora / Tenha havido em tão nobre país…” Alguns versos adiante, proclama: “Somos todos iguais”. O hino foi escrito pelo poeta pernambucano Medeiros e Albuquerque em 1890.

Dois anos antes, ainda havia escravos no Brasil. Decorridos 129 anos, eles continuam existindo. Sergio Camargo, por exemplo, está acorrentado à mesma mentalidade que faz do governo Bolsonaro não um fenômeno conservador, mas um flagelo arcaico. Instado a comentar a nomeação de Sérgio Camargo, o presidente da República economizou palavras: “Não conheço pessoalmente”.

É uma pena que Jair Bolsonaro não conheça Sérgio Camargo. Vivo, o grego Sócrates, de passagem por estas anacrônicas ágoras tropicais, repetiria para o capitão um de seus célebres ensinamentos: “Conhece-te a ti mesmo”. Um encontro de Bolsonaro com o presidente da Fundação Palmares será como uma espiada no espelho.

Se prezasse seu ofício de jornalista, Sérgio Camargo talvez percebesse que o melhor engajamento político é o de retratar a estupidez humana, usando a habilidade verbal para produzir um testemunho contra. Mas ele parece ter optado por denunciar a estupidez praticando-a.*

(*) Blog do Josias de Souza

UM PAÍS NO FUNDO DO POÇO

Um espanto!

Negros contra negros, índios contra índios, aparelhamento da cultura, Funai e Ambiente

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Um negro que nega o racismo, uma índia contrária aos movimentos indígenas, um diretor da Funai aliado aos ruralistas, a estrutura de Meio Ambiente descolada do Meio Ambiente, um secretário de Cultura que xinga Fernanda Montenegro, uma secretária de Audiovisual distante do cinema e da televisão. Sem falar em ministros.

O que que é isso, minha gente? O presidente Jair Bolsonaro vive criticando os antecessores pelo “excesso de ideologia” e rejeita indicações de políticos eleitos tão democraticamente quanto ele próprio, mas não faz outra coisa senão nomear pessoas que simplesmente se classificam “de direita”, mesmo que não tenham nada a ver com os cargos. Boa governança?

O que dizer de Sérgio Camargo, que foi nomeado para a Fundação Palmares, apesar de negar o racismo, atacar a “negrada militante” e reduzir a injustiça e as humilhações contra os negros a um “racismo nutella?” Até o próprio irmão desse senhor, o músico e produtor cultural Oswaldo Camargo Júnior, abriu um abaixo-assinado contra a nomeação. Para Oswaldo, Sérgio é um “capitão do mato”. Um capitão do mato na Fundação Palmares…

Assim como pinçou um negro para desqualificar os movimentos negros, Bolsonaro levou para a abertura da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, a youtuber índia Ysani Kalapalo, que vive entre São Paulo e sua aldeia no Xingu (MT). Isso tem nome: “Lugar de fala”. Brancos não podem atacar os movimentos, mas um negro contra negros e uma índia contra índios faz toda a diferença.

Tratada como troféu, a jovem se diz “80% de direita”, considera as queimadas “um acidente” e ataca os líderes como “índios esquerdistas que fazem baderna em Brasília”. Exultante, Bolsonaro decretou o fim do “monopólio do sr. Raoni”. Referia-se a um ícone, indicado para o Prêmio Nobel da Paz.

Famoso por chamar Fernanda Montenegro de “sórdida e mentirosa”, o diretor de teatro Roberto Alvim foi nomeado secretário de Cultura e não apenas define a política cultural como nomeia direitistas por serem direitistas. Exemplo: Katiane Gouveia, da Cúpula Conservadora das Américas, manda na estratégica área de audiovisual.

No prestigiado ICMBio, o PM Homero de Giorge Cerqueira. Na resistente Funai, o delegado da PF Marcelo Augusto Xavier, com apoio da bancada ruralista – amiga de Bolsonaro, inimiga das comunidades indígenas. Ele substituiu o general Franklimberg Freitas, que é indígena.

O embaixador júnior Ernesto Araújo virou chanceler depois de sabatinado pelo filho do presidente e jurar que é a favor de Deus, da família e de Trump e contra o “globalismo” e a China (que, segundo ele, quer destruir os valores cristãos do Ocidente).

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi escolhido por conhecer pouco o setor, não saber nada de Amazônia e se comprometer a entupir o ministério de militares da reserva, escanteando ambientalistas atuando há décadas em mares, rios, florestas e reservas. Ruralistas e parte do empresariado estão felizes. Não se pode dizer o mesmo de especialistas e da comunidade internacional.

Damares Alves deu um salto de uma obscura assessoria do Congresso para um ministério que reúne Direitos Humanos, família, mulher e sei lá mais o quê. Assim, roda o mundo com visões muito peculiares, não raro estranhas, sobre família, gênero, educação infantil. Todos eles têm a mesma credencial poderosa: são “de direita”.

Na era Lula e PT, “nós contra eles”, “cumpanheirismo”, ideologia e aparelhamento do Estado, que deu no que deu: desmandos, incompetência, corrupção. Saiu o aparelhamento de esquerda, entrou o de direita. A esquerda pela esquerda, a direita pela direita. Pobre Brasil.*

(*) Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

E NO PAÍS DA PIADA PRONTA

Com Lula de férias, PT busca apaziguar disputas internas

O ex-presidente Lula está de férias por 10 dias, mas as reuniões do PT continuam na busca de um consenso nas disputas internas. Integrantes da corrente majoritária da sigla, a Construindo um Novo Brasil (CNB), criaram uma comissão na tentativa de encontrar uma solução sobre quem ocupará os 12 dos 26 lugares na Executiva Nacional que cabem ao grupo.

Um encontro foi marcado para a próxima segunda-feira (2) para debater os principais entraves, como a disputa pela tesouraria. Representantes do Nordeste defendem o nome de Márcio Macedo, enquanto os de São Paulo querem Wagner Freitas, ex-presidente da CUT, no cargo.

No entanto, membros da CNB relataram à coluna que não acreditam que uma solução sairá no curto prazo. Boa parte crê que os nomes que ocuparão os cargos não serão definidos depois da volta de Lula.*

(*) Bela Megale – O Globo

ELE SEMPRE FOI A FAVOR DA DITADURA

O presidente da República contra a imprensa

O presidente Jair Bolsonaro falou ontem, referindo-se à administração pública, que tem dificuldades seríssimas em muitas áreas. Nós sabemos

Aliás, nesta ocasião, referiu-se ao Tribunal de Contas da União como se parte de sua mesma equipe; como se não fosse o TCU um órgão de controle externo, que opera com autonomia. Não se trata de novidade. Já estendera essa visão privatizadora (para si) do Estado, por exemplo, à Polícia Federal – que enxerga (ou deseja) como uma instituição subordinada a seu governo, e não como um organismo de Estado com autonomia funcional. É assim mesmo. Bolsonaro ainda não entendeu – nunca entenderá – a ideia de República.

Por isso, claro, tem também dificuldades seríssimas em compreender o papel da imprensa e a impessoalidade republicana. Muitos dos atos de flagrante inconstitucionalidade perpetrados pelo presidente derivam de seu inconformismo em não haver sido eleito para imperar, com mandato para moldar o Estado de acordo com suas vontades, afetos e desafetos.

É comum que governantes não gostem de jornalistas e reclamem da atividade jornalística. Em Jair Bolsonaro, no entanto, esta hostilidade escalou. Integra um discurso. Constitui-se mesmo num dos pilares do projeto de poder autoritário bolsonarista. Como a lógica sectária que fundamenta o fenômeno personalista do bolsonarismo exige adesão incondicional, toda e qualquer instituição que exerça algum grau de independência será uma ameaça a ser emparedada.

O bolsonarismo não aceita – não admite – autonomia que não a sua.

Isto serve para o Parlamento, para o Supremo; e também para a imprensa. Que deve ser desqualificada, ter a credibilidade artificialmente esvaziada, sufocada – para que o governante, líder populista, faça prosperar a farsa de que o filtro intermediário jornalístico é prescindível, descartável, e que ele pode falar ao povo diretamente ou por meio dos canais a seu serviço. Afinal, como sabemos, o presidente – um governante – não mente…

A cruzada personalista de Jair Bolsonaro contra a Folha de S. Paulo – e usando o aparelho de Estado para tanto – não é contra o jornal; mas contra o jornalismo e, portanto, contra a liberdade de imprensa. Não se pode calar diante disto.

Não se pode calar ante um presidente que constrange empresários com alertas sobre anunciar em certos jornais e emissoras. Isto é crime de responsabilidade.

Ao cumprir uma promessa de imperador eleito e excluir a Folha – sem qualquer base técnica, a partir de inaceitável questão pessoal – de um processo de licitação para fornecimento de acesso digital ao noticiário da imprensa, o presidente não atentou somente, e gravemente, contra a impessoalidade republicana, mas turbinou, valendo-se novamente da máquina estatal, sua campanha autocrática contra a atividade jornalística e, por consequência, contra o Estado Democrático de Direito.

Não interessa que Jair Bolsonaro se sinta perseguido pela imprensa; vítima do jornalismo. Ele é o presidente. Fala como presidente. Age como presidente. Não existe Jair Bolsonaro, o homem e seus desafetos, quando se expressa via (musculatura da) máquina federal.

Já passou da hora de uma medida cautelar – pedagógica – sustar esse processo licitatório e colocar o presidente e suas vontades imperiais no cercadinho dos limites da República.

Estamos ainda ao 11º mês do primeiro ano do governo Bolsonaro. Nunca, desde a redemocratização, tal volume de ataques à imprensa – por um governante, o próprio presidente – foi disparado. Difícil supor que não vá piorar.*

(*) Carlos Andreazza – O Globo

BOZO É UM PÂNDEGO

Sem provas, Bolsonaro acusa Leonardo DiCaprio
de pagar para ‘tacar fogo’ na Amazônia

Presidente diz que ator doa US$ 500 mil a ONGs que tiram fotos de incêndios florestais e ironiza imprensa. Brigadistas de Alter do Chão chegaram a ser presos em operação policial, mas foram libertados nesta quinta

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira, 29, que o ator Leonardo DiCaprio está pagando para promover queimadas na Amazônia. “Agora, Leonardo DiCaprio é um cara legal, né? Dando dinheiro para tacar fogo na Amazônia”, declarou o presidente a apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília. Bolsonaro também ironizou suspeitas sobre envolvimento de organizações não governamentais (ONGs) em incêndios na região.

“Quando eu falei que há suspeita de ONGs, o que a imprensa fez comigo?”, afirmou o presidente, dirigindo-se aos jornalistas presentes. As declarações de Bolsonaro foram feitas após uma apoiadora afirmar: “Os índios em Altamira (no Pará) falam francês. Lá o fogo foi criminoso”.

Sem apresentar provas, Bolsonaro já havia ligado o ator às queimadas na floresta durante transmissão nas redes sociais, na quinta-feira, 28.  “Tira foto, manda para ONG, a ONG divulga, entra em contato com o Leonardo DiCaprio e ele doa US$ 500 mil (cerca de R$ 2,1 milhões) para essa ONG. Leonardo DiCaprio, você está colaborando com as queimadas na Amazônia”, afirmou.

Brigadistas foram presos em operação, mas foram soltos dois dias depois.

As falas de Bolsonaro fazem referência à operação da Polícia Civil que prendeu na terça-feira, 26, quatro pessoas ligadas a ONGs que desenvolvem atividades em Alter do Chão, em Santarém, no Pará. Eles foram soltos nesta quinta-feira, 28.

Uma conversa que envolve um diretor de uma ONG é considerada pela polícia como principal elemento que liga ambientalistas e brigadistas a incêndios. Nenhum elemento ligado a perícia, testemunhas ou imagens conclusivas é apresentado no documento que embasa o pedido deferido pela Justiça, ao qual o Estado teve acesso.

Para a Polícia Civil, parte dos recursos doado pelo WWF a ONGs teria sido desviado. O WWF negou a compra de fotos com recursos de doações de DiCaprio de organizações dos brigadistas investigados.

Queimadas geraram comoção internacional; desmatamento teve altaAs queimadas na Amazônia levaram a uma comoção internacional em agosto deste ano. Governos europeus e a comunidade científica demonstraram preocupação com a situação e ofereceram ajuda para Bolsonaro. O governo federal enviou as Forças Armadas para a região com objetivo de apoiar as ações de combate às chamas.

Em novembro, o Inpe informou que o desmatamento na Amazônia subiu 29,5% entre 1º de agosto do ano passado e 31 de julho deste ano, na comparação com os 12 meses anteriores, atingindo a marca de 9.762 km². Foi a mais alta taxa desde 2008. Porcentualmente, foi também o maior salto de um ano para o outro dos últimos 22 anos. Entre agosto de 2017 e julho de 2018 o corte raso da floresta tinha atingido 7.536 km².

‘É para continuar doando, sim’, defendem ONGs
Em nota divulgada nesta sexta-feira, treze ONGs e instituições pediram que as doações para as iniciativas continuem ocorrendo. “A doação para as ONGs é uma ação voluntária feita todos os dias e em todo o canto do País. Pode ser com dinheiro, com tempo, com talento, com roupa, com brinquedo, com comida, com órgãos, com o que você quiser. E, para quem desejar e acreditar: hoje no Brasil são cerca de 820 mil organizações, carinhosamente chamadas de ONGs (ou de entidades, OSCs etc.), que fazem trabalhos maravilhosos em prol das mais diversas causas.”

O grupo, que inclui o Greenpeace, rebateu a declaração do presidente Bolsonaro, que disse que não era para fazer doações para ONGs. “Estamos aqui, de maneira democrática, representando um grupo unido e bem articulado que recomenda o diferente: é para continuar doando, sim”, declararam. “Um Brasil mais cidadão é um país com mais doadores. Um país mais justo é um país com uma sociedade civil forte. É para continuar doando, sim!”*

(*) Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

QUEM PARIU BOLSONARO?

PF indicia Luciano Bivar por associação criminosa

no esquema de candidaturas laranjas no PSL

Presidente nacional do partido, deputado federal, é alvo de inquérito da Polícia Federal que investiga supostas fraudes na aplicação de recursos destinados a candidaturas femininas em Pernambuco

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A Polícia Federal indiciou nesta sexta, 29, o deputado federal Luciano Bivar, presidente nacional do PSL, por supostas fraudes na aplicação de recursos destinados a candidaturas femininas em Pernambuco. Além de Bivar, a PF indiciou as candidatas Maria de Lourdes Paixão, Érika Santos e Mariana Nunes, todas do PSL. A PF imputa a Luciano Bivar os crimes tipificados nos artigos 350 e 354 do Código Eleitoral e no artigo 288 do Código Penal.

“As investigações concluíram que o representante do PSL em Pernambuco (Bivar) teria ocultado, disfarçado e omitido movimentações de recursos financeiros oriundos do fundo partidário, através de três candidatas fictícias”, informou a PF.

Bivar é presidente do PSL, partido pelo qual o presidente Jair Bolsonaro se elegeu. Após brigas internas, o presidente da República formalizou neste mês sua saída da legenda e prepara a criação de uma nova sigla, a Aliança pelo Brasil.

A Polícia Federal ‘realizou diligências nesta sexta, 29, para proceder aos interrogatórios e correlatos indiciamentos dos envolvidos, a fim de concluir o Inquérito Policial que versa acerca de investigação instaurada por requisição do Tribunal Regional Eleitoral em Pernambuco’.

Dos envolvidos, dois compareceram para os interrogatórios, afirma a PF. “Outros dois não compareceram, apesar de regularmente intimados, o que ocasionou as suas qualificações e indiciamentos de forma indireta.”

Entenda os crimes atribuídos a Bivar
O artigo 350 do Código Eleitoral diz. “Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, para fins eleitorais – pena até 5 anos de reclusão e multa.”

O 354, diz. “Por apropriar-se o candidato, o administrador financeiro da campanha, ou quem de fato exerça essa função, de bens, recursos ou valores destinados ao financiamento eleitoral, em proveito próprio ou alheio pena 2 a 6 anos de reclusão e multa.”

O artigo 288, do Código Penal tipifica a prática de associação criminosa.

Em outubro, a liderança do ex-partido do presidente Jair Bolsonaro foi alvo da Operação Guinhol, desencadeada pela PF, que apontava para a existência de indícios de que os recursos destinados às candidaturas de mulheres foram usados ‘de forma fictícia’ e ‘desviados para livre aplicação do partido e de seus gestores’.

A operação que fez buscas contra o presidente do PSL teve como base um inquérito policial instaurado por ordem do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco para apurar a possível prática de omissão de declarações para fins eleitorais, apropriação de recursos destinados ao financiamento eleitoral e associação criminosa.

Em Pernambuco, a PF investiga, desde março, suposto esquema de irregularidades no Estado na aplicação do fundo eleitoral da legenda na campanha de 2018.

Autorizada pelo TRE-PE, a apuração envolvia a candidata à deputada federal Maria de Lourdes Paixão, que teria atuado como ‘laranja’ para receber R$ 400 mil de verba pública eleitoral.

Nesta quarta, 27, a Corte reprovou as contas de Maria de Lourdes Paixão e determinou que ela devolva R$ 380 mil ao Fundo Partidário.

O valor tem relação com os recursos públicos cuja utilização, segundo a Procuradoria, ‘não foi devidamente comprovada’.

No parecer ao TRE, a Procuradoria Eleitoral registrou que há ‘fortes indícios’ de que a candidatura de Lourdes teria sido ‘fictícia’. Segundo o texto, Lourdes Paixão foi a candidata do PSL que mais recebeu recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha no Estado – R$ 400 mil.

Ela foi também a segunda candidata do partido a receber o maior volume de verbas, atrás de Luciano Bivar, presidente da legenda e único candidato eleito, que recebeu R$ 1,8 milhão.

COM A PALAVRA, LUCIANO BIVAR
A reportagem aguarda o posicionamento do deputado. O espaço está aberto para manifestação. (pedro.prata@estadao.com)*

(*) Paulo Roberto Netto, Pepita Ortega e Pedro Prata – Estadão

FASCISTA JURAMENTADO

Irmão do presidente da Fundação Palmares: ‘Vergonha desse capitão do mato’

O músico e produtor Wandico Camargo fez críticas ao irmão, Sergio Nascimento, nomeado para presidente da Fundação Palmares

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Mal recebida por integrantes do movimento negro, a nomeação de Sergio Nascimento de Camargo como novo presidente da Fundação Palmares recebeu críticas até mesmo da família do escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro.

Irmão de Camargo, o músico e produtor musical Oswaldo de Camargo Filho, cujo nome artístico é Wadico Camargo, escreveu nas redes sociais que não apoia a nomeação e disse ainda ter vergonha do parente, a quem chamou de “capitão do mato”, negro que, na época da escrevidão, trabalhava como funcionário de fazendas, muitas vezes atuando na captura de escravos que haviam fugido.

“Tenho vergonha de ser irmão desse capitão do mato. Sérgio Nascimento de Camargo, hoje nomeado presidente da Fundação PALMARES”, escreveu Wadico na internet.

O músico também apoiou um abaixo-assinado contra Nascimento. “Se fosse para o bem da nossa raça!!! Era o primeiro a apoiar, mas pro mau do Negro, sem chance. PRA MIM RAÇA É PÁTRIA, É ALMA !!!! EU SOU NEGRÃO.”

Até a manhã desta quinta-feira (28/11), mais de 15,6 mil pessoas haviam assinado a petição.

Críticas a Marielle
Nomeado na quarta-feira (27/11) ao cargo, o novo presidente da Fundação Palmares, instituição ligada à Secretaria Especial de Cultura, afirmou em suas redes sociais que o Brasil tem um “racismo nutella”, defendeu a extinção do feriado da Consciência Negra e declarou apoio irrestrito ao presidente Bolsonaro.

Camargo também disse que a escravidão foi “benéfica para os descendentes” e atacou personalidades como a vereadora assassinada Marielle Franco e a atriz Taís Araújo.

A nomeação faz parte de uma série promovida pelo novo secretário especial da Cultura, Roberto Alvim, para quem Bolsonaro já disse ter dado total liberdade para montar a sua equipe.

Nesta quinta-feira (28/11), o presidente Jair Bolsonaro se esquivou de perguntas sobre as bandeiras que defende Sergio Camargo e disse que não o conhece pessoalmente.

Denúncia do Tribunal Internacional Penal
Bolsonaro deu risada ao ser questionado sobre ser alvo de denúncia no Tribunal Penal Internacional (TPI). “Próxima pergunta”, disse.

O presidente foi denunciado por “crimes contra a humanidade” e “incitação ao genocídio de povos indígenas” do Brasil. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, a representação é da Comissão Arns e do Coletivo de Advocacia em Direitos Humanos.

A representação também foi assinada pelo ex-ministro José Gregori e pelos advogados Antonio Carlos Mariz de Oliveira, Eloisa Machado e Juliana Vieira dos Santos. As declarações de Bolsonaro nesta quinta foram dadas em frente ao Palácio da Alvorada.

(*) Fernanda Borges/Estado de Minas

NA PROA DO TITANIC

Bife à moda de AI-5

Desde a Previdência, governo parece não ter rumo além de fazer propaganda autoritária

Alguém aí ainda se lembra do pacotão das medidas fiscais de emergência? Foi visto pela última vez faz três semanas, quando chegou ao Congresso, mas seu paradeiro é ignorado, assim como anda desaparecida a arenga reformista.

Entende-se. O governo andou ocupado promovendo a Aliança pelo AI-5, a licença para matar manifestantes de rua e gente sem luz e lustro para postos de relevo na Cultura.

Além do Flamengo, os assuntos são o dólar caro, o preço do bife e um novo surto de ameaças de morte do governo contra cidadãos oposicionistas e instituições da democracia.

O pacotão era um calhamaço de reformas constitucionais para cortar salário de servidor etc., início de uma campanha urgente a fim de evitar que as contas do governo mergulhem no vinagre na virada de 2020 para 2021. Era o começo da segunda onda de reformas, que contaria também com um pacote de emprego, que praticamente foi abortado.

Desde então, o governo e o governismo parecem ter mudado de estação, parece mais surtado com o transe nas ruas sul-americanas, caído depois do relativo vexame do leilão do petróleo e ainda mais desorientado na política partidária.

O governo não parece se abalar com a sequência de derrotas no Congresso —vetos que caem, projetos que caducam. Parece, sim, ainda mais disparatado, como na política e declarações sobre câmbio ou com essa atitude de tabela juros bancários por decreto.

Apela ao realismo político de segunda quando engavetou sine die a reforma administrativa, aparentemente por temer “Lula Livre” (aliás sumido e algo desorientado também) e a chapa quente dos “terroristas” nas ruas da América do Sul.

No entanto, o ano parlamentar de 2019 está para terminar e o de 2020 será curto, por causa da eleição municipal, acabando por volta de junho ou julho, no mais tardar.

Deputados e senadores, de resto, estarão menos propensos a aprovar reformas ou “reformas”, aquelas que arrancam o resto do couro do povo. Há o risco de o bolsonarismo passar vexame nas urnas.

Qual é então o plano do governo, se algum?

Espera que uma dose de reforma da Previdência e juros baixos tire a economia da estagnação, o bastante para evitar que o prestígio de Jair Bolsonaro vá abaixo de um terço do país? O bastante para dar impulso para a mudança de patamar da pregação autoritária, como se vê com essa história de “excedente de ilicitude” para tropas pretorianas que atirem no povo nas ruas?

Talvez tenha de se preocupar com problemas novos, ao vai da valsa.

O Supremo acaba de desengavetar, na prática, as investigações sobre as rachunchos de Flavio Bolsonaro, derrotando de resto o aliado acidental de Bolsonaro na Corte, Dias Toffolli, aquele do “pacto entre os Poderes (dele com o presidente da República)”.

O preço do bife por ora ainda é meme irado de rede insociável, mas não convém desprezar os desprazeres da carne —a arroba do boi gordo subiu mais de 50% em um ano.

Alguém aí se lembra da inflação do tomate, no início de 2013? A combinação de escassez de carne no mercado mundial com a alta do dólar pode não dar em aumento sistemático de preços, talvez nem dos preços da comida, mas convém prestar atenção.

Inflação de alimentos emagrece o prestígio dos governantes. Aumentos pontuais de preços da vidinha diária, carne, gasolina e pão, são suficientemente irritantes, mesmo sem inflação de fato.

O governo não parece ligar muito.*

(*) Vinicius Torres Freire – Folha de São Paulo