O EXTERMINADOR DO PRESENTE

A fim de não esquecer

Infanticídio no Rio é atribuído ao acaso

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Depois da polêmica causada por suas declarações equiparando o Rio a Nova York, Paris e Madri, em matéria de segurança pública, o governador Wilson Witzel explicou que estava se referindo às áreas turísticas das cidades. No Rio, por exemplo, ele alega que os tiroteios só acontecem nas comunidades. “O que estamos fazendo para estimular o turismo é mostrar que Pão de Açúcar, Corcovado, Petrópolis estão protegidos, não pertencem a essa realidade de tiroteios” (sintomática a ausência de Ipanema da área privilegiada).

Só este ano, em terras cariocas, houve o massacre de seis inocentes, vítimas de balas perdidas: Ketellen, 5 anos; Ágatha, 8; Jenifer e Kauã, 11; Kauê e Kauan, 12. Ketellen, a mais recente, estava na garupa da bicicleta da mãe, a caminho da escola, quando foi atingida por um projétil de fuzil que rompeu sua veia femural. Caída no asfalto, pediu: “Mamãe, não chora, não”. Foram suas últimas palavras. Ela morreu ao dar entrada no hospital.

A partir desses deploráveis episódios, o governador do Rio e o ministro da Justiça e Segurança Pública passaram a discutir pelas redes sociais de quem seria a culpa, acusando-se mutuamente de omissão diante do acirramento da violência que assola a cidade.

Witzel criticava “a falta de combatividade” em nível federal contra as drogas e as armas, o que, segundo ele, “alimenta essa guerra insana nos estados”. Sergio Moro, por sua vez, respondeu que a polícia tem “combatido duramente o tráfico de drogas e de armas”. E que o governador “busca transferir a responsabilidade dos crimes no estado para o governo central”.

O mais grave é que nenhuma dessas duas autoridades dignou-se sequer a se solidarizar com os pais e mães das pequenas vítimas, nem de lamentar a escandalosa forma desse tipo de infanticídio que é atribuído ao acaso. Mata e diz que foi sem querer, como o PM fez com Ágatha.

A fim de não esquecer: hoje se comemoram os 60 anos da proclamação do Dia Internacional dos Direitos da Criança e os 30 da Convenção sobre os Direitos da Criança.*

(*) Zuenir Ventura – O Globo