E NOS ESCOMBROS DO TITANIC…

Nome do problema é analfabetismo governamental

O Pisa, programa internacional de avaliação de estudantes, expõe a raiz do atraso nacional. Quatro em cada dez alunos brasileiros na faixa dos 15 anos não entendem o que leem, não sabem fazer contas básicas e não compreendem conceitos elementares de ciência. Não se chega a um desastre desse tamanho por acaso. O teste mostra que o Brasil se acostumou com o vexame.

O país caiu no abismo educacional e não esboça a intenção de sair dele. Os indicadores estão estagnados há uma década. Repetindo: faz dez anos que a educação do Brasil está exposta na vitrine do Pisa de ponta-cabeça. E fica por isso mesmo. Num ranking de 79 países, o teste fechado em 2018 coloca os alunos brasileiros nas 20 piores posições em leitura, em matemática e em ciências.

Ignorar não é um bom remédio contra a patologia da ignorância. Então, é preciso enxergar o que está por trás do problema. Quem olha por cima dos indicadores enxerga a verdadeira causa da encrenca: o analfabetismo governamental. É como se os gestores públicos lessem os dados e não compreendessem o significado. Não é que as pessoas não conseguem ver a solução. Elas não enxergam o problema.

Seria necessário implantar na área educacional políticas públicas capazes de sobreviver aos governos. Falta uma iniciativa de Estado, que possa ter continuidade ao longo do tempo. Mas isso não está sobre a mesa. O ministro Abram Weintraub, atual gestor da pasta da Educação, deu uma entrevista. Preocupou-se em enfatizar dois pontos: 1) O Pisa de 2018, não trata do governo Bolsonaro, que começou em 2019. 2) A culpa é 100% do PT e de sua “doutrinação esquerdófila”. Faltou dizer para onde as teorias direitófilas do ministro levarão a edicação. A experiência mostra que, nesse ramo, a ideologia é o caminho mais longo entre um projeto e a sua realização.*

(*) Blog do Josias de Souza

 

CHOQUE COM O SUPREMO E O CONGRESSO

Jair Bolsonaro triplica a aposta

Jair Bolsonaro resolveu flertar com a possibilidade um choque com o Supremo e o Congresso. Simultaneamente.

Insiste em testar os limites institucionais usando, como instrumento, a desmontagem do sistema jurídico de proteção aos direitos da população indígena.

É sua terceira tentativa, em 11 meses, de reescrever na prática o trecho da Constituição que reconhece aos índios “organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam”.

No primeiro dia de governo, Bolsonaro transferiu ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos a gestão dos direitos indígenas. Repassou a Funai e a demarcação de terras para a Agricultura. Fez isso numa Medida Provisória (nº 870).

O caso foi parar no Supremo que ratificou, unânime, a decisão legislativa. No plenário, o ministro Celso de Mello usou três adjetivos para qualificar a insistência do presidente: “Inaceitável, inadmissível e perigosa.”

Obstinado, Bolsonaro agora baniu os índios do sistema de planejamento (Siop) e dos orçamentos da União até 2023. Mandou ao Congresso proposta de orçamento para 2020 com corte de 40% no fundo da Funai para “proteção e promoção dos indígenas” (LOA 2019/Programa 2065).

Deixou o Plano Plurianual de governo (2020-2023) sem previsão para a área. E transferiu a gestão dos direitos dos índios, assim como parte do orçamento da Funai, para o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, embora a fundação continue vinculada à Justiça.

Bolsonaro já foi garimpeiro amador. Por “excessiva ambição financeira”, registrou seu comandante, transgrediu normas do Exército em busca de ouro. Hoje, usa os índios num jogo institucional de alto risco. Conta com aplausos da ala mais extremista do lobby ruralista. É um grupo sectário e inepto, incapaz de reunir votos suficientes no Congresso para mudar a Constituição.*

(*) José Casado – O Globo

IRMÃO SIAMÊS DO ABUSO DE AUTORIDADE

Excludente de ilicitude

Dennys Guilherme dos Santos, Marcos Paulo Oliveira dos Santos, Denys Henrique Quirino dos Santos, Eduardo da Silva, Mateus dos Santos Costa, Gustavo Cruz Xavier, Gabriel Rogério de Moraes, Bruno Gabriel dos Santos, Luara Victória de Oliveira. Idades entre 14 e 23 anos. Nove vítimas da violência policial, do fim de semana, na chacina do baile funk na favela de Paraisópolis, em São Paulo, onde vivem 100 mil pessoas – pobres.

Morreram, diz-se, pisoteados enquanto a multidão fugia de um cerco policial ao Baile da 17, tradicional reunião de jovens da comunidade e vizinhanças. Os bailes funk são a opção de lazer disponível aos jovens pobres Brasil afora.

Os mortos de Paraisópolis são novas vítimas do excludente de ilicitude que vigora no Brasil desde muito e que agora, cinicamente, foi batizado e quer virar lei. Nada mais é do que autorização legal para que agentes públicos maltratem e matem sem responder por isso, sem qualquer punição.

Há quem apoie.

Nenhuma surpresa no país onde o absurdo é cotidiano e a vida é roleta russa para a maioria da população – os mais pobres, aí incluídos os moradores de Paraisópolis/SP. Para milhares de brasileiros, a volta para casa inteiro e vivo, todo dia, merece agradecimento ao divino: Hoje escapei. Glória a Deus!

Irmão siamês do abuso de autoridade, o excludente de ilicitude, ainda na informalidade, também permitiu que quatro ambientalistas, de Auter do Chão, no Pará, fossem presos porque apontados pela polícia civil como suspeitos de queimar a floresta, onde justamente atuam para protege-la. “Para garantir da ordem pública”, alegou o juiz ao autorizar a prisão, que só foi revertida porque a grita foi grande dentro e fora do país.

Por três dias, enquanto o juiz sondava a repercussão, os brigadistas voluntários da ONG Brigada de Auter estiveram em cana com tudo que isso implica – a cabeça raspada é o sinal visível do arbítrio e da humilhação.

Por que o magistrado, que já atuou como advogado da madeireira de sua família, não poderia acatar suspeição da polícia se outros de seus colegas já permitiram e divulgaram escuta telefônica à Presidenta da República?

Resposta: Excludente da ilicitude. Aquele drible gigante na lei só mereceu do Tribunal guardião da Constituição uma repreensão. O juiz virou ministro, defensor do excludente de ilicitude para, finalmente oficializar, a prática corriqueira dos abusos de autoridades.

Quem tolera e defende as ilegalidades oficiais alega que, sem os tais dribles na lei vigente e nos direitos humanos, não haveria – e não haverá – combate à corrupção e ao tráfico de drogas, principalmente.

Nessa toada, a Associação dos delegados da PF vai à Justiça pedir a suspensão da Lei do Abuso de Autoridade, aprovada pelo Congresso em agosto. A justificativa é que tal lei é retaliação da classe política contra a Operação Lava Jato.

Ou seja, no atual momento escuro do país, legalidade é apontada como empecilho – estorvo – para que autoridades servidoras das áreas de Justiça e segurança pública possam desempenhar suas funções. Querem, portanto, um salvo conduto para “tocar o terror”, como avisavam agentes da PM paulista dias antes do ataque ao baile funk em Paraisópolis.

Os apoiadores das flexibilizações para condutas de policiais e membros dos organismos fiscais e de justiça esquecem que quando autorizamos ilicitudes, praticadas contra adversários, desafetos, opositores, pobres, negros, índios e etc., também abrimos espaço para que elas, desembestadas, alcancem a todos nós.

Justiça não pode ser vingança. Polícia, em qualquer circunstância, tem que cumprir regras legais de conduta. A ninguém, por nenhum motivo, deve ser permitido não ser alcançado por lei ou tê-la flexibilizada.

As famílias dos mortos em Paraisópolis e as outras muitas vítimas da violência policial no Brasil exigem mais do que condolências.  O que aconteceu lá foi chacina. Perpetrado por mocinhos ou bandidos, assassinato é crime. Exige punição. Dentro da lei.*

(*) Tânia Fusco é jornalista, no blog do Noblat

A VOLTA DA FAMIGERADA SENHORA

Prefeitura proíbe jornalistas do GLOBO de participar de coletiva de imprensa sobre o réveillon
Caso ocorreu na manhã desta terça-feira, um dia após revelação de uma investigação sobre balcão de negócios na prefeitura

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RIO — Uma equipe de reportagem do GLOBO foi impedida de participar de uma entrevista coletiva do prefeito Marcelo Crivella na manhã desta terça-feira. Repórter e fotógrafo chegaram ao hotel Fairmont, na orla de Copacabana. A agenda marcada tratou da festa de réveillon de Copacabana — um dos principais eventos no calendário da cidade. Na recepção, onde jornalistas de pelo menos outros três veículos aguardavam, os profissionais foram abordados por dois assessores de imprensa da prefeitura do Rio, e foram informados que o jornal estava proibido de subir ao quarto andar, onde ocorreria a coletiva de imprensa. A alegação apresentada à equipe foi de que o veículo não fora convidado. Em solidariedade, equipes de TV Globo, Globonews, G1 e CBN, que fazem parte do Grupo Globo, também se retiraram. O fato ocorreu após O GLOBO revelar uma investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro, a partir da delação do doleiro Sérgio Mizrahy, sobre a existência de um suposto balcão de negócios na prefeitura para a liberação de verbas a empresas mediante pagamento de propina.*

(*) O Globo

RIO — Uma equipe de reportagem do GLOBO foi impedida de participar de uma entrevista coletiva do prefeito Marcelo Crivella na manhã desta terça-feira. Repórter e fotógrafo chegaram ao hotel Fairmont, na orla de Copacabana. A agenda marcada tratou da festa de réveillon de Copacabana — um dos principais eventos no calendário da cidade. Na recepção, onde jornalistas de pelo menos outros três veículos aguardavam, os profissionais foram abordados por dois assessores de imprensa da prefeitura do Rio, e foram informados que o jornal estava proibido de subir ao quarto andar, onde ocorreria a coletiva de imprensa. A alegação apresentada à equipe foi de que o veículo não fora convidado. Em solidariedade, equipes de TV Globo, Globonews, G1 e CBN, que fazem parte do Grupo Globo, também se retiraram. O fato ocorreu após O GLOBO revelar uma investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro, a partir da delação do doleiro Sérgio Mizrahy, sobre a existência de um suposto balcão de negócios na prefeitura para a liberação de verbas a empresas mediante pagamento de propina.*

(*) O Globo

AMIGOS, AMIGOS; BEÓCIOS À PARTE

Até agora, o “alinhamento” entre Bolsonaro e Trump só deu prejuízo ao Brasil

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Charge do Simanca (Charge Online)

Anunciado como vantajoso para o Brasil, o alinhamento com os Estados Unidos, por enquanto, rende mais frutos para um dos lados – e não é o brasileiro. O Brasil alterou a sua política externa buscando uma aproximação com os Estados Unidos, com o discurso de que se tratava de uma guinada pragmática, que seria benéfica ao país do ponto de vista comercial, além de render acordos na área de defesa e o apoio americano a demandas em organismos multilaterais.

Por enquanto, o Brasil cedeu mais do que levou. Cedeu ao aumentar a cota de importação de etanol, sem tarifa, um afago direto aos Estados Unidos. Também topou tirar a obrigatoriedade de visto para turistas americanos (os de outros países também ganharam o benefício, é verdade. Mas, novamente, o afago tinha um destinatário).

BASE ESPACIAL – O uso da base de Alcântara, por meio do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas que se arrastava por anos, também foi uma sinalização relevante aos EUA, com diferentes leituras entre os analistas sobre se, de fato, o acordo é benéfico ao país.

Do lado brasileiro, havia a expectativa de que os Estados Unidos retribuíssem os gestos de boa vontade, por meio de uma defesa mais firme sobre a entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – a Argentina estava na fila antes, mas a realidade é que a equipe econômica esperava, sim, uma manifestação contundente do governo americano a respeito do ingresso do Brasil no clube dos ricos.

Para isso, o governo brasileiro aceitou abrir mão do status de país em desenvolvimento na Organização Mundial do Comércio (OMC), o que lhe rendia algumas vantagens na concessão de incentivos. O Ministério da Agricultura também tinha como prioridade derrubar as barreiras americanas à importação de carne brasileira in natura, o que não aconteceu durante a viagem da ministra Tereza Cristina ao país em outubro.

TRUMP BATE DURO –  De olho na eleição de 2020, Trump joga para o seu eleitorado, como os fazendeiros americanos. Ataca os países com moedas desvalorizadas, como o real, sugerindo que há manipulação do câmbio para se exportar mais, acusa Brasil e Argentina de desvalorizarem moedas e promete tarifas sobre aço e alumínio

Um dos fatores que colaboram com a venda de produtos brasileiros no exterior é justamente a guerra comercial promovida pelos Estados Unidos contra a China, que gera oportunidade para os exportadores brasileiros.

E a moeda brasileira está desvalorizada em parte por causa desta guerra e da valorização do dólar diante de outras moedas – além das contingências internas (como juros baixos, frustração na entrada de dólares com os leilões do pré-sal, pagamento de dividendos de multinacionais e dívidas em dólar de empresas brasileiras). Enquanto isso, na relação comercial, o país continua comprando mais dos Estados Unidos do que vendendo.

E OS CHINESES? – Com a decisão dos americanos de taxar produtos brasileiros, fica difícil encontrar um argumento para atender a demanda americana de retirar os chineses do leilão do 5G, que deve acontecer no segundo semestre de 2020.

Diante do avanço mundial dos chineses no fornecimento da infraestrutura (equipamentos, como antenas) para a instalação do 5G, os americanos pressionam o Brasil para que, na prática, haja restrições no edital, que é elaborado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Alegam questões de segurança e dizem que a empresa Huawei, que detém a tecnologia, promoveria espionagem para o governo chinês.

TRUMP NÃO LIGA – O Brasil, no momento, tenta se equilibrar entre os anseios americanos e os negócios com os chineses, que anunciaram investimentos bilionários no Brasil durante a cúpula dos Brics – isso sem contar na demanda atual pela carne brasileira, que causa euforia entre os produtores.

O presidente Jair Bolsonaro vai precisar de mais argumentos do que a boa relação com Trump para conseguir um recuo. O americano tem como prioridade sua reeleição – e nem se preocupa em ficar bem na fotografia com o Brasil.*

(*) Julia Duailibi – G1

PIADA PRONTA

Bolsonaro diz que não errou em 11 meses de governo e se desculpa por eventuais “falhas”

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira, dia 2, que não viu nenhum erro em 11 meses de governo. Ele entende, porém, que podem ter ocorrido “pequenas falhas”. As declarações foram dadas ao “Jornal da Record”. Ao ser questionado sobre seu principal acerto e principal erro, respondeu: “O principal acerto meu foi a escolha dos ministros. Critério técnico. Estão dando a resposta. Erro? Não vi erro no governo. Se tivemos pequenas falhas, me desculpa”.

O presidente também foi questionado se se sente incomodado com a liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu adversário político. Lula, condenado na Lava-Jato, foi solto porque o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a prisão pode ocorrer apenas depois do trânsito em julgado, ou seja, quando não for mais possível recorrer da condenação.

LULA – Bolsonaro disse que não polemizaria com Lula. “Tenho por princípio respeitar as decisões dos demais poderes. Eu não vou entrar numa bola dividida dessa daí. Politicamente, o que ele falou até me ajuda, porque ele realmente tem trazido com essas falas dele a intolerância, pregando coisas absurdas. Me acusou frontalmente de estar envolvido na questão da morte da (vereadora do Rio de Janeiro) Marielle (Franco), entre outras coisas. Logicamente não fico feliz com isso”, disse Bolsonaro. “Agora, vamos ter que engolir esse sapo aí”, acrescentou.

Bolsonaro também foi questionado sobre o ex-ministro Gustavo Bebianno, que era aliado próximo, mas foi demitido em fevereiro, no segundo mês de governo. Bebianno se filiou ao PSDB no domingo, em evento que contou com a presença do governador de São Paulo, João Doria, principal expoente do partido atualmente.

EX-ALIADO – Doria, assim como Bebianno, era próximo de Bolsonaro, mas depois se afastou, num movimento para ser ele próprio candidato a presidente em 2022.

“Ele (Bebianno) é carta fora do baralho. Teve a chance aqui de ser ministro leal ao Brasil. E não aproveitou a sua oportunidade. Espero que esteja feliz ao lado de João Doria, do PSDB, em São Paulo”, disse Bolsonaro.

FOLHA – Bolsonaro admitiu que poderá recuar da decisão de excluir o jornal “Folha de S.Paulo” do edital para renovar as assinaturas de jornais e revistas da administração federal. A medida, anunciada na semana passada, foi criticada por parlamentares e entidades da sociedade civil, por representar um ataque à liberdade de expressão.

Nesta segunda-feira, ele voltou a atacar o veículo de comunicação, relacionando as reportagens críticas ao governo a uma suposta tentativa de dar continuidade à eleição de 2018. Também atacou outras publicações, como as revistas “Carta Capital” e “Istoé”.

RECUO – “A questão da “Folha de S.Paulo” não é de hoje. Para a “Folha de S.Paulo”, a eleição não acabou. Agora, se a gente ferir qualquer norma ética ou legal, a gente volta atrás. Sem problema. Agora, de qualquer maneira, a gente vai reduzir essa despesa também sem ideia de perseguição”, disse Bolsonaro.

Na semana passada, após ameaçar cortar a assinatura do jornal da lista de periódicos que o governo federal recebe, Bolsonaro excluiu o veículo do edital. No fim do mês passado, o presidente afirmou em entrevista que “nenhum órgão aqui do meu governo vai receber o jornal “Folha de S. Paulo” aqui em Brasília. Está determinado”.

O edital publicado na última quinta-feira prevê um gasto de R$ 194.393,64 para acesso on-line de jornais e revistas. Entre os periódicos  nacionais e regionais estão os jornais O GLOBO, “Valor Econômico”, “O Estado de S. Paulo” e os internacionais “The New York Times” e “The Wall Street Journal”, além das revistas Época, “Veja”, “Time” e “The Economist”.*

(*) O Globo

SÍTIO DO CARA DE PAU AMARELO

Defesa de Lula recorre ao Supremo para anular a condenação no caso do sítio

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A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu nesta segunda-feira, dia 2, ao Supremo Tribunal Federal (STF) a anulação do julgamento que levou à condenação de 17 anos e um mês de prisão imposta pelo Tribunal Regional Federal (TRF-4), o Tribunal da Lava Jato, no caso do sítio de Atibaia. A sentença foi a mais pesada contra o petista, acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O advogado Cristiano Zanin, que defende Lula, classificou como ‘constrangimento ilegal’ a decisão do tribunal, que elevou a pena do petista antes prevista em 12 anos e 11 meses de reclusão. O defensor do ex-presidente afirma que, se o Supremo negar seguimento ao pedido, estaria cometendo uma ‘grave ilegalidade’.

OBSTÁCULO DE REGRA  – “Em um Estado Democrático de Direito, não pode um constrangimento ilegal contra a liberdade de um cidadão deixar de ser sanado pelo Poder Judiciário por obstáculo de regra procedimental. Aliás, muito pelo contrário, como já exposto acima, a possibilidade de imediato afastamento de constrangimento ilegal em Habeas Corpus é previsto tanto em lei, como no Regimento Interno desta Excelsa Corte.”

A defesa alega que o desembargador João Pedro Gebran Neto, relator da Lava Jato no TRF-4, julgou o mérito do processo enquanto haviam recursos que mereciam análise, em uma ‘inversão tumultuária do processo’. Zanin se refere a uma petição avaliada em 30 de outubro relacionadas a troca de mensagens atribuídas aos procuradores da Lava Jato em Curitiba e o ex-juiz Sérgio Moro. O pedido foi rejeitado, mas o prazo para recurso, segundo a defesa, iria até o dia 03 de dezembro.

SUSPEIÇÃO – “Considerando que as referidas mensagens reforçam a suspeição tanto dos procuradores da Lava Jato, quanto do ex-Juiz Sérgio Moro, que instruiu quase a totalidade da ação penal que deu origem à referida apelação – questão essa que foi arguida nas razões recursais, e tem potencial para anular todo o processo –, resta evidente que a suspeição e as demais questões prejudiciais de mérito não poderiam ter sido analisadas antes do esgotamento dos recursos cabíveis sobre essa matéria”, argumenta Zanin.

Por unanimidade, o TRF-4 condenou Lula a 17 anos e um mês de prisão na ação penal sobre o sítio de Atibaia, em São Paulo. O petista é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em obras e reformas avaliadas em R$ 1 milhão no imóvel, que está em nome de Fernando Bittar, filho do amigo de Lula e ex-prefeito de Campinas, Jacó Bittar.

REFORMAS – A Lava Jato apontou que o sítio passou por três reformas: uma sob comando do pecuarista José Carlos Bumlai, no valor de R$ 150 mil, outra da Odebrecht, de R$ 700 mil, e uma terceira reforma na cozinha, pela OAS, de R$ 170 mil. Total de R$ 1,02 milhão gastos pelos acusados. Os pagamentos tiveram relação com negócios na Petrobrás e os caixas de propinas acertados entre as empreiteiras e o PT.

“A responsabilidade do ex-presidente Lula é bastante elevada. Ocupava o grau de máximo dirigente da nação brasileira”, registrou o desembargador Gebran Neto, relator da Lava Jato, em seu voto. “Havia a expectativa que se comportasse em conformidade com o Direito e que coibisse ilicitudes. Ao revés disso, o que se verifica, nesses casos, é uma participação e uma responsabilização pela pratica dos diversos atos de corrupção.” Sua posição foi acompanhada pelos desembargadores Leandro Paulsen e Carlos Eduardo Thompson Flores, da 8ª Turma.*

(*) Paulo Roberto Netto
Estadão

MAIS UM PÉ NA BUNDA

Porta-voz diz que seria ‘intempestivo’ Bolsonaro ligar a para Trump sem conhecer dados

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Charge do Aroeira (Jornal O Dia/RJ)

O porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, afirmou nesta segunda-feira, dia 2, que o momento é “inapropriado” para o presidente Jair Bolsonaro telefonar para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e falar sobre a taxação ao aço e ao alumínio. Segundo Rêgo Barros, Bolsonaro ainda não tem “todos os dados” sobre a decisão e há “profundo desconhecimento” sobre o tema.

Mais cedo, nesta segunda-feira, Trump informou que o governo norte-americano irá reinstalar a taxa sobre o aço e o alumínio do Brasil e da Argentina porque os dois países, segundo ele, têm desvalorizado as moedas locais. Ao comentar o anúncio de Trump, pela manhã, Bolsonaro disse que telefonaria para Trump se fosse necessário.

IMPACTOS – Questionado sobre o assunto na noite desta segunda, o porta-voz do presidente respondeu: “Nós precisamos entender exatamente quais são os impactos da medida aplicada pelo governo americano sobre as taxações aqui de aço, alumínio, etc. Ao mesmo tempo, o presidente, como é comum nessas questões econômicas, se vale do Ministério da Economia, dos técnicos do Ministério da Economia para, aprofundando o conhecimento, tomar as suas decisões”, afirmou Rêgo Barros.

“Então, seria intempestivo, da parte do presidente Bolsonaro, ainda sem conhecer todos os dados, efetivar uma ligação – que claramente seria completada – em tempo inapropriado em face do desconhecimento profundo do tema”, acrescentou.

“DESPREOCUPADO” – Pouco antes de o porta-voz da Presidência dar a declaração, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou que o anúncio de Donald Trump não preocupa. Para o chanceler, mesmo com a decisão, Brasil e Estados Unidos têm condições de “aprofundar” a relação bilateral. “Essa medida não nos preocupa e não nos tira desse trilho rumo a uma relação mais profunda”, declarou o ministro.

Desde a campanha eleitoral de 2018, Bolsonaro afirmava que, se eleito, buscaria aproximar Brasil e Estados Unidos. Desde que assumiu a Presidência, já viajou ao país três vezes e chegou a dizer que indicaria o filho Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para o cargo de embaixador em Washington, o que não se concretizou.

VANTAGENS – Conforme a colunista do G1 e da GloboNews Júlia Duailibi, contudo, a relação tem sido mais vantajosa para os Estados Unidos. Isso porque, entre outros pontos: o Brasil deixou de exigir visto para turistas dos EUA; o Brasil permitiu aos Estados Unidos lançar foguetes da Base de Alcantâra (MA); o Brasil elevou a cota de importação de etanol, beneficiando os EUA; os Estados Unidos ainda não oficializaram o apoio à entrada do Brasil na OCDE;
os Estados Unidos mantiveram o veto à carne bovina in natura brasileira.

Após o anúncio de Trump, o Instituto Aço Brasil informou ter recebido “com perplexidade” a decisão do presidente norte-americano. Para a entidade, o movimento é uma “retaliação” que “não condiz com as relações de parceria entre os dois países”.

RETALIAÇÃO – “O Instituto Aço Brasil reforça que o câmbio no país é livre, não havendo por parte do governo qualquer iniciativa no sentido de desvalorizar artificialmente o real e a decisão de taxar o aço brasileiro como forma de “compensar” o agricultor americano é uma retaliação ao Brasil”, afirmou a entidade, em nota.*

(*) Filipe Matoso
Gustavo Garcia
G1