NA “RACHADINHA” DOS OUTROS É REFRESCO?

Dano político do caso da ‘rachadona’ é devastador

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As consequências jurídicas das investigações que engolfam o senador Flávio Bolsonaro vão demorar para se concretizar. Mas o estrago político do escândalo é instantâneo e devastador. A encrenca mudou de patamar. Onde havia uma rachadinha abriu-se uma ‘rachadona’ com aparência de abismo.

O discurso ético de Jair Bolsonaro, que já cambaleava, caiu no precipício. Sumiram em definitivo a diferença heroica que o presidente atribuía a si mesmo e a presunção de que a poltrona presidencial era ocupada pela superioridade moral. Bolsonaro encolheu.

No intervalo de um ano, o primogênito Flávio Bolsonaro fugiu dos investigadores. Durante quatro meses, escondeu-se atrás de um escudo fornecido pelo Supremo Tribunal Federal. Seus receios revelaram-se plenamente justificáveis.

Num intervalo de apenas 24 horas, vieram à luz informações que confirmam as piores suspeitas: a desenvoltura do PM Fabrício Queiroz, os vínculos com milicianos, o repasse à mulher do presidente, a lavagem de dinheiro nas transações imobiliárias e na loja de chocolates do primeiro-filho, o diabo.

Até aqui, Bolsonaro notabilizou-se pelo entusiasmo com que cai em cima do menor pecado dos seus adversários. O escândalo da ‘rachadona’ tem potencial para nivelar o capitão à culpa comum dos políticos brasileiros. É como se a diferença hipotética se integrasse à baixeza geral, desautorizando o discurso ético.

Aliados do presidente começam a entoar a tese segundo a qual os pecados da família Bolsonaro são menores, como se a dimensão da transgressão fosse uma forma aproveitável de inocência.

A percepção de que os Bolsonaro não estão imunes a nenhuma tentação dos outros desautoriza a terceirização das culpas. O rosto dessa crise não é o de Flávio, mas o de Jair Bolsonaro.

Confrontado com o precipício, o presidente precisa redefinir sua estratégia para impedir que a crise passe a influenciar o rumo do seu governo. Bolsonaro precisaria estampar a imagem da tranquilidade. Essa é, para ele, a parte mais difícil.*

(*) Blog do Josias de Souza

 

171 COMPULSIVO

Bolsonaro, pelo simples prazer de mentir

É uma atrás da outra e, às vezes, mais de uma por dia

Se nem o presidente Jair Bolsonaro acredita em boa parte do que diz, como pode pretender que os outros acreditem nele? E nem por isso ele deixa de mentir dia após dia – e, com certa frequência, mais de uma vez por dia, a depender da necessidade.

Sobre o que ele, Flávio, o advogado de Flávio e Eduardo conversaram, anteontem, no Palácio da Alvorada poucas horas depois da operação policial no Rio que agravou a situação do senador e do seu ex-motorista Fabrício Queiroz?

Conversaram sobre Adélio Bispo, o desequilibrado mental que está preso por ter esfaqueado Bolsonaro em Juiz de Fora, em setembro do ano passado. Sobre outras coisas não conversaram, disse o presidente da República em entrevista.

Ante a insistência dos jornalistas em perguntar sobre Flávio e Queiroz, Bolsonaro emendou: “Falo por mim. Problemas meus, eu respondo. Dos outros, nada tenho a ver”. Como dos outros? Um dos outros é seu filho mais velho. O outro, seu amigo há 40 anos.

O grau de autonomia dos filhos de Bolsonaro é ralo. Carlos foi obrigado a se candidatar a vereador só para derrotar a própria mãe vereadora e candidata à reeleição. Eleito pelo Partido Progressista (PP), afirmou que fora eleito pelo “Partido do Meu Pai”.

Candidato a prefeito do Rio, Flávio desmaiou durante um debate de televisão, foi socorrido por dois dos seus adversários e depois agradeceu a ajuda deles por meio de uma nota. Bolsonaro desautorizou a nota e escalou Carlos para tomar conta do irmão.

Foi Bolsonaro que montou o primeiro escalão do gabinete de Carlos na Câmara Municipal. Foi ele que escalou Queiroz para assessorar Flávio. Está provada sua interferência no emprego de pessoas que ora serviam a ele, ora a Carlos, ora a Flávio.

O Ministério Público descobriu que Queiroz, num período de três anos, movimentou em sua conta R$ 7 milhões. Nesse mesmo período, Queiroz depositou R$ 24 mil na conta de Michelle, a atual mulher de Bolsonaro. E como Bolsonaro justificou o depósito?

Dinheiro de dívida. Sim, Queiroz lhe devia R$ 24 mil. E pagou em parcelas mensais, taokey? Não, não está. Conta outra. Na toada do pai, Flávio contou que os R$ 21,2 mil que um policial militar depositou em sua conta eram também dinheiro de dívida.

O policial torrou toda essa grana comprando doces na chocolateira que Flávio e um amigo abriram na Barra da Tijuca. De fato, segundo o Ministério Público, Flávio usou a chocolateira para lavar parte do salário devolvido por funcionários do seu gabinete.

A respeito do sufoco em que se encontram Flávio e Queiroz, Bolsonaro não deu um pio na transmissão semanal ao vivo que faz às quintas-feiras no Facebook. Em compensação, como de hábito, aproveitou a ocasião para disseminar novas mentiras.

Um dia antes, dissera que estava disposto a vetar o fundo de R$ 2 bilhões aprovado pelo Congresso para financiar as eleições do próximo ano. Seria dinheiro demais. O fundo de R$ 2 bilhões foi proposta dele. Se dependesse do Congresso seriam R$ 3,8 bilhões.

No Facebook, Bolsonaro recuou do veto. Alegou que se o usasse, poderia sofrer um processo de impeachment por crime de responsabilidade. Falso! O presidente pode vetar no todo ou em parte uma decisão do Congresso. Que pode derrubar o veto.

O recuo de Bolsonaro deve-se ao fato de que o Congresso derrubaria o veto. E, depois, poderia retaliar dificultando a aprovação de outros projetos do governo. A mentira não é monopólio de Bolsonaro. Mas ele mente por compulsão.

Cadê as ONGs que tocaram fogo na Amazônia? E o navio grego que poluiu o mar do Nordeste com petróleo venezuelano? E a caixa preta do BNDES que guardava segredos cabeludos de governos passados? Está vazia, segundo o presidente do banco.

Nunca teve ditadura no Brasil, disse Bolsonaro. Teve sim, e isso não é questão de ponto de vista, é fato. Fazer cocô dia sim, dia não, vai melhorar o meio ambiente, disse Bolsonaro. Não, não vai. Passar fome no Brasil é uma mentira, disse Bolsonaro. Não, não é.

Trabalho infantil “não prejudica em nada”, disse Bolsonaro. Prejudica, sim, as crianças. Como pode matá-las a falta de cadeirinhas nos carros. O nazismo era de esquerda, disse Bolsonaro. Jamais foi. Foi invenção da extrema-direita alemã.

O holocausto de 6 milhões de judeus na Alemanha de Hitler é perdoável, disse Bolsonaro. Não, não é. Mas como nesse caso trata-se de mera opinião, por mais reles que ela seja, Bolsonaro pode continuar pensando assim, se quiser.*

(*) Blog do Ricardo Noblat

MALUCO ENQUADRADO

DPVAT: Governo diz que não vai recorrer da decisão do STF

Medida Provisória que extingue o seguro DPVAT foi assinada pelo presidente Jair Bolsonaro.

O advogado-geral da União, André Mendonça, disse, nesta sexta-feira (20), que o governo não vai recorrer da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de manter a cobrança do seguro obrigatório de veículos, o DPVAT. Segundo ele, “processualmente, seria um recurso inócuo, já que o entendimento foi do pleno”. Mendonça afirmou, ainda, que o que se pode fazer, nesses casos, é apresentar um pedido de esclarecimento, mas que para isso é preciso esperar a publicação da decisão. Um medida provisória do governo Jair Bolsonaro previa a suspensão da cobrança a partir de 2020. As informações são da revista Crusoé.

 

DE PAI PRA FILHO

Bolsonaro compara Flávio a Neymar ao comentar investigação

O presidente Jair Bolsonaro comparou na manhã desta sexta-feira o filho Flávio, alvo de investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro, ao jogador Neymar. A declaração ocorreu quando o presidente comentou sobre os valores obtidos por Flávio na loja de chocolates, alvo de busca e apreensão pelo MP. “Acusaram ele [Flávio] de estar ganhando mais na casa de chocolate. O que acontece, quem leva mais cliente para lá, ele leva um montão de gente importante, ganha mais. É mesma coisa chegar para o, deixa eu ver, o Neymar e [questionar] ‘por que está ganhando mais do que outros jogadores?’. Porque ele é o mais importante”, disse, segundo O Globo.”*

(*) Juliano Pedrozo – Gazeta do Povo

 

A MÁSCARA CAIU

Governo Bolsonaro é reprovado por 38% e aprovado por 29%, diz Ibope

A aprovação do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) é de 29%, segundo a nova pesquisa Ibope, divulgada na tarde de hoje; este é o percentual de entrevistados que consideram o governo como ótimo ou bom, mantendo a avaliação estável e na margem de erro, oscilando dois pontos percentuais para baixo em relação à pesquisa anterior, realizada em setembro. Já 38% o veem como ruim ou péssimo, oscilando no limite da margem de erro, pois na pesquisa anterior o índice era de 34%. O governo é avaliado como regular por 31%.

A nova pesquisa foi realizada entre os dias 5 e 8 de dezembro, ouviu 2.000 pessoas em 127 municípios e foi encomendada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria). A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A parcela da população que desaprova a maneira de governar do presidente é de 53%…*

(*)  UOL – São Paulo

 

RESERVA DO RONALDINHO E DO NEYMAR?

Emilio Odebrecht demite o filho Marcelo da empresa

Por ordem de Emilio Odebrecht, a empresa que leva o seu nome acaba de demitir Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empresa.

Apesar de afastado de qualquer função executiva desde que foi preso em 2015, Marcelo continuava na folha de pagamentos da empresa. Ganhava R$ 115 mil.

Nos últimos meses, desde que foi solto, após sua delação premiada, colocou como sua missão principal destruir aqueles a quem considera os responsáveis pela derrocada da empresa: seu pai, seu cunhado, Maurício Ferro, e alguns executivos.

Desde segunda-feira, a guerra interna subiu de patamar com acusações mútuas pela imprensa.

Emilio na segunda-feira trocou o presidente, saiu Luciano Guidolin e entrou Ruy Sampaio, um dos executivos em quem mais confia, e deu ordens para que os ataques a Marcelo virassem bombas atômicas.

Além do salário, Marcelo perderá o motorista que o serve, assim como perderá o direito a ter um advogado interno da empresa cuidando de suas encrencas.*

(*) Lauro Jardim – O Globo

MENTIRA TEM PERNAS CURTAS

Um mito em xeque

Por que Bolsonaro jogou a família inteira na política? A resposta pode estar no MP-RJ

O Ministério Público Federal do Rio de Janeiro pode estar dando agora, a menos de 15 dias do fim do primeiro ano do mandato do presidente Jair Bolsonaro, a resposta a uma pergunta que há anos não quer calar: por que Bolsonaro se candidatou, passou 28 anos no Congresso, meteu os três filhos mais velhos na política e já começa a entronizar também o menino caçula, Jair Renan?

Após encerrar prematuramente a carreira militar, aliás com graves motivos, Bolsonaro enveredou pela política mantendo sempre o discurso antipolítica, antipolíticos, antissistema, antipartidos, anti-Congresso. Se tinha essa ojeriza toda, por que entrou na roda e jogou para dentro dela a própria família? As revelações do MP sobre o gabinete do primogênito, Flávio Bolsonaro, na Alerj, autorizam uma conclusão, ou suposição: porque era fácil todo mundo “se dar bem”. Com dinheiro público, frise-se.

O MP não está necessariamente certo e as investigações ainda estão em andamento, mas o que se tem publicamente até agora é chocante – e preocupante. O gabinete do então deputado estadual Flávio, agora senador da República, embolava o Queiroz, policiais aposentados, parentes de líderes da milícia e a família inteira da segunda mulher do atual presidente: pai, tios, tias, primos.

Além da “rachadinha”, quando os funcionários repassam parte do salário ao parlamentar que os emprega, há suspeita de lavagem de dinheiro do próprio Flávio na compra de apartamentos e na sociedade de uma loja de chocolates que sofreu busca e apreensão do MP, com autorização judicial.

O efeito político dessas investigações, relatórios e notícias é devastador. Já seria complicado para qualquer um, mas é pior porque se trata do filho do presidente da República e, pior ainda, de um presidente que se elegeu como o salvador da Pátria contra a corrupção, o sistema, a “velha política”. Tem algo mais velha política do que rachadinha? E que tal rachadinha com miliciano no meio?

Sem contar que havia um certo trânsito de funcionárias entre os gabinetes do filho no Rio e do pai em Brasília. Algumas, aliás, onipresentes: eram personal trainers ou vendiam guloseimas no Rio, mas recebiam salário em Brasília. Tudo mal explicado.

O ano de 2019 termina e o ano de 2020 começa com os Bolsonaros às voltas com essas histórias todas que tiram o presidente da costumeira posição de ataque e o empurram para a desconfortável posição de defesa. “Não tenho nada a ver com isso”, limitou-se a reagir Bolsonaro, que tem fugido de repórteres na saída do Alvorada e nas solenidades do Planalto. Será que não tem o que dizer?

Há dúvidas, porém, sobre o uso que a oposição pode fazer disso tudo. O ex-presidente Lula pode tripudiar, recém-saído da prisão? O PT pode fazer fila no plenário da Câmara e do Senado para apontar o dedo contra o presidente? Qual dos partidos grandes vai se declarar surpreso, chocado e indignado com a “rachadinha”?

Aliás, esse será o ponto central da “defesa” que Bolsonaro está desde quarta-feira acertando no Alvorada com os filhos, inclusive o próprio Flávio: a surrada saída de que era “só rachadinha”, que “todo mundo faz”, aliada à desqualificação de quem investiga e quem noticia, ou seja, o MP e a imprensa. A estratégia não tem efeito jurídico, mas cola onde mais interessa ao presidente: nos seus apoiadores incondicionais.

Assim como os trumpistas só ouvem e acreditam no que querem e no que convém, os bolsonaristas também só consideram o que reforça suas crenças e tapam os ouvidos (e a mente) para tudo e qualquer coisa que possam arranhar a imagem que têm do “mito”. Afinal, mito é mito. Não tem defeito, sempre está certo e pode tudo. Até quando?*

(*) Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

DEU MAL NO CLOSET

Bolsonaro critica juiz do caso Flávio e se exalta com jornalistas

Na saída do Alvorada, presidente sugere ainda que filha do magistrado é funcionária fantasma; com respostas agressivas, Bolsonaro diz que repórter ‘tem uma cara de homossexual terrível’

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro criticou nesta sexta-feira, 20, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) e o juiz Flávio Itabaiana, do Tribunal de Justiça do Rio, por causa da operação de busca e apreensão em endereços ligados ao senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) e a ex-assessores seus na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Bolsonaro se exaltou e demonstrou irritação ao falar com os jornalistas na saída do Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente.

Bolsonaro acusou o Ministério Público de proteger o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), e afirmou que “pelo que parece” uma filha de Itabaiana é funcionária “fantasma” no governo do Estado.

O presidente afirmou que “pelo que parece” Natalia Menescal Braga Itabaiana Nicolau, filha do juiz responsável pela quebra de sigilos dos ex-assessores de Flávio, é “fantasma”. “Você já viu o MP do Estado do Rio de Janeiro investigar qualquer pessoa, qualquer corrupção, qualquer gente pública do Estado? E olha que o Estado mais corrupto do Brasil é o Rio de Janeiro. Vocês já viram? Vocês já perguntaram paro o governador Witzel por que a filha do juiz Itabaiana está empregada com ele? Já perguntaram? Pelo que parece, não vou atestar aqui, é fantasma. Já foram em cima do MP (para) ver se vai investigar o Witzel?”.

Bolsonaro criticou a decisão de abril em que Itabaiana quebrou o sigilo de 86 pessoas e nove empresas ligadas ao antigo gabinete de Flávio na Alerj. O presidente disse que foram cumpridos mandados de busca e apreensão em casas de pessoas que “não tinham nada a ver” e rebateu as acusações de que o seu filho teria lavado dinheiro em uma loja de chocolate.

“Acusaram ele (Flávio) de estar ganhando mais na casa de chocolate. O que acontece, quem leva mais cliente para lá, ele leva um montão de gente importante, ganha mais. É mesma coisa chegar para o, deixa eu ver, o Neymar e (perguntar) ‘por que está ganhando mais do que outros jogadores?’. Porque ele é o mais importante. Não é comunismo”, disse Bolsonaro sobre o filho primogênito.

O presidente insinuou que há conluio entre Witzel e a mídia para prejudicá-lo. A ideia, segundo Bolsonaro, seria favorecer campanha do governador para disputar o Planalto em 2022.

Bolsonaro disse que não pode “provar”, mas que uma gravação falsa foi elaborada para o atingir quando veiculada em telejornal. “Estavam acertados diálogos entre bandidos do Rio de Janeiro citando meu nome. ‘Ele vinha aqui, buscar dinheiro, agora não vem mais.’ Esses são os diálogos. Ia ser colocado na Globo à noite, exclusividade, como eu ia me justificar?”, disse Bolsonaro. “O governador (Wizel) quer ser presidente, e é direito dele ser presidente, mas não nesse jogo sujo que está aí”, declarou.

Deputados da Alerj
Perguntado se considera Flávio inocente, Bolsonaro disse: “Eu não sou juiz”. Em seguida, emendou: “Eu não sou juiz. Sem problema comigo. Quer botar manchete lá, presidente considera filho…”

Na sequência, Bolsonaro afirmou que há suspeitas de “movimentação atípica” sobre vários deputados estaduais do Rio. “Na Alerj, vários parlamentares, via algum assessor, tinha movimentação atípica. Flávio é o 17º (da lista de deputados com suspeitas). Vocês já fizeram matéria sobre o “01” da Alerj? Não fizeram, poxa. É aliado do Witzel, inclusive. É do PT. Foi eleito presidente da Alerj, não tem uma linha contrária de vocês. Com 50 milhões de reais. Se alguém desviar 1 real, é culpado.”

Essa foi a primeira vez que Bolsonaro falou sobre a nova fase da investigação envolvendo seu filho Flávio. Desde o estouro da operação, na quarta-feira, o presidente já se reuniu com o filho e o advogado de Flávio, Frederick Wassef, algumas vezes. Na quarta, Bolsonaro evitou os jornalistas. Na quinta-feira, ao ser perguntado sobre o caso, disse que falaria sobre os seus problemas, mas que, “dos outros”, não tinha nada a ver com isso.

Hostilidade
O presidente costuma parar duas vezes por dia em frente a residência oficial: pela manhã e no fim da tarde, quando retorna dos despachos diários. Nesta sexta-feira, falou por cerca de dez minutos sobre a operação envolvendo seu filho e se irritou com as perguntas dos jornalistas.

“Você tem uma cara de homossexual terrível, mas nem por isso eu te acuso de ser homossexual. Se bem que não é crime ser homossexual”, disse o presidente a um repórter quando questionado se Flávio teria cometido algum deslize.

Em seguida, depois de Bolsonaro dizer que ele era o responsável por um empréstimo de R$ 40 mil a Fabrício Queiroz, um ex-assessor de Flávio, um outro jornalista perguntou se ele teria o comprovante do empréstimo.

“Oh, rapaz, pergunte para a tua mãe o comprovante que ela deu ao teu pai, está certo?”. Bolsonaro alega ter feito este pagamento para justificar depósito de Queiroz, ex-assessor de Flávio, em conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

Com dedo em riste, o presidente também mandou jornalistas “ficarem quietos” mais de uma vez.

O presidente cobrou respostas dos repórteres sobre pontos da investigação do MP.  “Uma pergunta: o processo é segredo de Justiça ou não é?

Respondam!”, afirmou, elevando o tom de voz.

Minutos antes de falar sobre Flávio, o presidente reagiu com ironia sobre transferir ou não a embaixada brasileira para Jerusalém, medida que desagrada países árabes. “Você pretende se casar comigo um dia? Não seja preconceituoso. Não seja… você não gosta de louro de olhos azuis? Isso é homofobia. Vão te processar por homofobia”, disse a um jornalista.

Neste ano, o STF (Supremo Tribunal Federal) concluiu julgamento que enquadrou a homofobia e a transfobia na lei dos crimes de racismo até que o Congresso Nacional aprove uma legislação sobre o tema.

As respostas de Bolsonaro foram acompanhadas por gritos de “mito” e ofensas à imprensa feitas por seus apoiadores, que o aguardavam em frente ao Palácio da Alvorada.*

(*) Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

BANANA REPUBLIC

O bode das ilusões

Conta-se que um lavrador judeu foi pedir conselho ao rabino: sua casa era minúscula, não havia espaço para nada, e a sogra, que ficara viúva, tinha ido morar com eles. Que fazer? O rabino disse: leve seu bode para dentro de casa. O lavrador obedeceu e, uma semana depois, voltou ao rabino: tudo tinha piorado. O bode ocupava boa parte do espaço já minúsculo, cheirava mal, fazia sujeira – insuportável. O rabino recomendou: tire o bode de casa.

Alguns dias depois, o lavrador se encontrou com o rabino e agradeceu o conselho. “Tirei o bode de casa. Agora temos espaço e higiene para todos!”

Os R$ 3,8 bilhões de dinheiro público que pagariam a campanha eleitoral foram o bode que os parlamentares expulsaram da casa. Querem que o eleitor fique feliz com a gentileza do Congresso, desistindo dos R$ 3,8 bilhões que geraram tanta reação e aceitando os R$ 2 bilhões propostos pelo Governo no Orçamento. Parece piada: R$ 2 bilhões são bem mais que o R$ 1,8 bilhão da campanha de 2018. Já era dinheiro demais, e pagou a campanha presidencial e as estaduais.

Aumentar os gastos para as eleições municipais é tungar o eleitor. É dar nosso dinheiro aos caciques dos partidos, é estimular a criação de novas legendas apenas para dar vida boa a quem não gosta de trabalhar. Que cada partido busque suas doações e sejam todos obrigados a declará-las, doadores e receptores. Nos Estados Unidos é assim. Por que só jurar amor aos americanos e rejeitar seus métodos de financiar campanhas?

Bem-vindo, seu Cabral

Até que o ex-governador fluminense Sérgio Cabral resistiu muito tempo – a ponto de o Ministério Público rejeitar sua proposta de delação premiada, por achar que ele nada poderia trazer de novo às investigações. Mas Cabral, que está condenado em tantos processos que se arrisca a nunca mais sair da prisão, resolveu agora insistir em sua delação premiada. Fez acordo com a Polícia Federal, contra o parecer do Ministério Público. E a decisão sobre os eventuais benefícios que possa receber será dada pelo Supremo Tribunal Federal, onde está nas mãos do ministro Édson Fachin.

 Tiro ao alvo

Dizem que Cabral, em sua delação, atingirá não apenas os que já foram atingidos pela Lava Jato: o que se comenta é que entregará juízes, ministros, até diretores de meios de comunicação. Sempre sobrará, claro, para Lula; para Pezão, seu vice e sucessor; e para outros governadores que teriam atuado em conjunto com ele. Há empreiteiros que receberiam deduragem especial, e não são os mais conhecidos, mas o que eram mais amigos, que viajavam com ele, davam bons presentes ao então governador e sua família.

 Questão de fé

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Se Cabral promete denunciar quem ainda não foi denunciado, após tantos anos de Operação Lava Jato, e devolver centenas de milhões de reais ganhos ilicitamente, por que o Ministério Público se oporia ao acordo de delação? O procurador-geral Augusto Aras diz que Cabral, enquanto negociava delação premiada com a Lava Jato, ocultava informações e protegia aliados. Em resumo, não estaria convencido da boa-fé do ex-governador. De acordo com O Globo, que noticiou a possibilidade de acordo de delação com a PF, desta vez ele promete apontar o dedo até para ministros do Superior Tribunal de Justiça.

 …e o óleo esfriou

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As toneladas de petróleo que invadiram a costa nordeste do país levaram o ministro do Meio Ambiente a acusar o Greenpeace (que a guerrilha dos bolsonaristas na Internet chamou de “greenpiche”). Houve falatório sobre a Shell; sobre um navio grego; sobre o modo pelo qual o petróleo, identificado como venezuelano, tinha chegado até o Brasil; e sobre uma misteriosa fonte de óleo sul-africano. A preocupação foi tamanha que a Câmara abriu uma CPI sobre o tema, com o pomposo e vasto título de “Comissão Parlamentar de Inquérito com a finalidade de investigar as origens das manchas de óleo que se espalham pelo litoral do Nordeste, bem como avaliar as medidas que estão sendo tomadas pelos órgãos competentes, apurar responsabilidades pelo vazamento e propor ações que mitiguem ou cessem os atuais danos e a ocorrência de novos acidentes”.

Pois ontem havia reunião da CPI, às15 horas. Vazia, vazia. Suas Excelências assistiam ao jogo do Flamengo.

 Pobres togados!

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Um excelente jornalista e fiel leitor desta coluna, Mário Marinho, mostra o outro lado dos salários pagos a juízes e desembargadores baianos – muitas vezes maiores que vencimentos de ministro do Supremo, teto definido pela Constituição para qualquer tipo de funcionário público. Lembra Marinho que, além dos penduricalhos habituais, deveria haver os bônus Peru de Natal, Uísque de Natal, Frutas Natalinas (caríssimas!) Champanhe, vinhos com premiação internacional, ceia, tudo caro.

E não se pode esquecer que, uma semana depois, essas despesas se repetem. Coitados dos desembargadores que tiveram de se contentar com pouco mais de R$ 200 mil mensais!*

(*) Coluna Carlos Brickmann