“EU JÁ SABIA”

Gilmar Mendes pede informações ao MP da investigação sobre Flávio

Gilmar Mendes pediu, “com urgência”, ao Ministério Público mais informações sobre a investigação envolvendo Flávio Bolsonaro no caso Fabrício Queiroz.

Ele também pediu dados da investigação ao Superior Tribunal de Justiça e ao Tribunal de Justiça do Rio — onde pedidos semelhantes, para parar a investigação, também foram rejeitados.

O habeas corpus diz que o Coaf quebrou o sigilo bancário do senador ao captar com minúcias transações além das atípicas detectadas pelos bancos e informadas ao órgão.*

(*) Renan Ramalho – O Antagonista

ACABOU-SE O QUE ERA DOCE, QUEM NÃO COMEU, ARREGALOU-SE

ALVO DO MP, LOJA DE CHOCOLATES DE FLÁVIO BOLSONARO FOI INAUGURADA COM PRESENÇA DE QUEIROZ

Ex-assessor compareceu em evento que contou com Jair Bolsonaro, Parreira e Bebeto; empresa teve sigilo quebrado pela Justiça do Rio em maio

Flávio Bolsonaro, à direita, posa com Fabrício Queiroz na inauguração de sua loja Foto: Reprodução

Em março de 2015, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido/RJ) aparecia sorridente em fotos da inauguração de sua loja de chocolates em um shopping na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

Com flores e taças de espumante, Flávio posou ao lado de personalidades como o ex-treinador Carlos Alberto Parreira e o ex-jogador Bebeto — seu colega na Assembleia Legislativa do Rio —, além do pai, o então deputado federal Jair Bolsonaro, e uma figura até então desconhecida do grande público: o ex-policial Fabrício Queiroz, assessor de Flávio naqueles tempos.

Nesta quarta-feira, mais de quatro anos depois, a loja de chocolates de Flávio foi um dos alvos de 24 mandados de busca e apreensão do Ministério Público do Rio (MP-RJ), no âmbito da investigação que apura movimentações financeiras suspeitas envolvendo Queiroz.

A loja de Flávio, registrada na Receita Federal como Bolsotini Chocolates e Café LTDA, é uma franquia da Kopenhagen, marca de chocolates com filiais espalhadas pelo país. O filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro é dono de 50% da loja, segundo sua prestação de contas à Justiça Eleitoral em 2018, quando concorreu ao Senado.

Advogado de Flávio Bolsonaro culpa ‘os inimigos’ por operação
Nesta quarta-feira, em mais uma etapa das investigações sobre “rachadinhas” e utilização de funcionários fantasmas no antigo gabinete de Flávio na Alerj, uma equipe do MP chegou no início da manhã ao Shopping Via Parque, onde fica a loja de chocolates.

Quando a equipe terminou a coleta documentos e objetos na loja de chocolates, o shopping já estava aberto. Procurada por ÉPOCA, a administração do Via Parque disse que não vai se pronunciar. Funcionários da loja não quiseram comentar a operação do MP.

Em abril, o MP-RJ havia incluído a loja de chocolates no seu pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal de mais de 90 pessoas físicas e jurídicas ligadas a Queiroz e a Flávio Bolsonaro. No pedido, o MP citou movimentações financeiras atípicas envolvendo Queiroz entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017.

A quantia movida pelo assessor totalizava R$ 1,2 milhão, segundo relatório do Conselho de Controle de Operações Financeiras (Coaf). Outra movimentação que chamou atenção do Coaf foi o depósito de R$ 96 mil na conta bancária de Flávio através de 48 depósitos fracionados de R$ 2 mil cada, em 2017. O então deputado estadual argumentou que os depósitos foram originados de transações imobiliárias.

O pedido de quebra de sigilo, autorizado pela Justiça do Rio em maio deste ano, envolveu Flávio, Queiroz e parentes do ex-assessor que também foram nomeados no gabinete de Flávio na Alerj. Um dos parentes é Evelyn Melo de Queiroz, enteada do ex-assessor, que também aparece ao lado de Flávio em fotografias do evento de inauguração da loja de chocolates.

Um antigo endereço residencial de Evelyn, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, foi alvo do MP-RJ nesta quarta-feira, assim como a residência em uma vila no bairro da Taquara, também na Zona Oeste, onde morava Fabrício Queiroz e sua mulher, Márcia Aguiar.

MP do Rio já tinha operação contra Queiroz planejada há seis meses
Em seu pedido de quebra de sigilo, o MP argumentou que Flávio Bolsonaro teve “lucratividade excessiva” em negócios imobiliários, com suspeita de compras subfaturadas e vendas superfaturadas.

Ao sugerir a possibilidade de crimes de peculato e lavagem de dinheiro para justificar as investigações, o MP citou que esta última prática criminosa envolve o “emprego de recursos ilícitios em negócios aparentemente lícitos”, como “transações imobiliárias lucrativas, empreendimentos empresariais, empréstimos bancários”.

Segundo o relatório do Coaf, Flávio teria recebido R$ 120 mil com a loja de chocolates em um intervalo de seis meses, entre agosto de 2017 e janeiro de 2018. O total movimentado pelo então deputado estadual em suas contas bancárias no período, contudo, estaria R$ 90 mil acima dos seus rendimentos declarados, já incluindo no cálculo também o salário recebido na Alerj, de acordo com o documento.

Alegando que o Coaf teria extrapolado suas atribuições e que Flávio não poderia ser investigado pelo MP estadual, por ter foro privilegiado, a defesa do senador entrou com seguidos pedidos de paralisação das investigações ao longo deste ano.

Em julho, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli suspendeu todas as investigações que tiveram como base relatórios compartilhados pelo Coaf, após um pedido dos advogados de Flávio. No início de dezembro, após o STF aprovar o compartilhamento de dados, as investigações envolvendo Queiroz e Flávio Bolsonaro foram retomadas.

Em nota, o MP informou que “foram cumpridos hoje (18/12) 24 mandados de busca e apreensão” na investigação que apura “supostas movimentações suspeitas envolvendo Fabrício Queiroz”, sem prestar maiores informações por conta do sigilo das investigações.

Procurada, a defesa do senador Flávio Bolsonaro não se pronunciou até o momento. A defesa de Fabrício Queiroz afirmou que recebeu a ação do MP nesta quarta-feira “com tranquilidade e ao mesmo tempo surpresa, pois absolutamente desnecessária, uma vez que ele sempre colaborou com as investigações, já tendo, inclusive, apresentado todos os esclarecimentos à respeito dos fatos”.*

(*) Bernardo Mello – Época

POR QUE FINANCIAR CAMPANHAS?

Não quero pagar um centavo para o Fundo Eleitoral

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Mesmo sem doação de empresas, proibida pelo Supremo, os políticos não deveriam impor aos eleitores uma Mesmo sem doação de empresas, proibida pelo Supremo, os políticos não deveriam impor aos eleitores uma “contribuição” para suas campanhas | Agência O Globo
Por que eu preciso pagar qualquer centavo para políticos tentarem se eleger ou se reeleger? Temos o segundo Congresso mais caro do mundo. Os parlamentares brasileiros gozam de mordomias indecentes, um exército de assessores e boquinhas, remunerações delirantes, benefícios vitalícios, saúde de Primeiro Mundo, aposentadorias integrais, recessos e mais recessos, cartões corporativos nada transparentes. Por que preciso ajudar a financiar as campanhas desses clãs? Política é business familiar lucrativo no Brasil. De pai e mãe para filho, para neto e bisneto.

Ah, a colunista está generalizando. Tem político que deseja verdadeiramente o bem público. Cuida das pessoas. Não é um slogan mentiroso. Então, que esse político do bem crie um crowdfunding na hora do voto. Arrecade, capte! Com rifas, bingos, o que for. Prometa algo em troca – e cumpra. Convoque a militância, os filiados, como se faz em tantos países. Se for um bom parlamentar, um político relevante, haverá quem queira contribuir. Mas, como o Supremo proibiu em 2015 a doação de empresas, o que também era injusto, o Fundo Eleitoral ficou nas nossas costas.

Ah, a colunista investe contra a democracia. Não. Acredito no voto e na política partidária livre, competente e honesta para melhorar qualquer nação. Acontece que o Brasil é o segundo país mais desigual do mundo. O cotidiano da massa dos cidadãos é inaceitável de todos os ângulos. Não há viés ideológico nessa constatação. Milhares sepultam os seus em covas rasas por não poderem custear o enterro. São de chorar os dramas na saúde, no transporte, na educação, no meio ambiente, na segurança pública, no saneamento. Não adianta estar entre as dez maiores economias do mundo quando metade da população não tem esgoto.

Há dez anos, em dezembro de 2009, ao fim de dois mandatos, Lula prometeu em comício no Nordeste saneamento básico para “tirar o povo da merda”. Em outros campos da vida, essa expressão pode ser uma metáfora, mas no saneamento é a expressão pura da realidade. Juntinho de nossos arranha-céus e shoppings luxuosos, pais dormem com os filhos ao lado de valões abertos, baratas e ratos, em comunidades com altos índices de tuberculose. São 100 milhões de brasileiros. Lula teve dois mandatos para encarar isso. Não encarou.

Agora, leio elogios comovidos ao bom senso do Congresso no uso do dinheiro público. O Congresso acha que nos fez um favor ao abrir mão de parte dos R$ 3,8 bilhões que vários partidos exigiam. Dos R$ 2 bilhões aprovados, PSL e PT ficarão com 20%. Em 2018, na primeira eleição sem doações empresariais (oficiais), o Fundo foi de R$ 1,7 bilhão. O certo agora seria reduzir e não aumentar. Todo mundo cortou gastos. É a crise. Sabe “a crise”? Não se pode tirar da Saúde e da Educação para fazer uma campanha mais bonitinha. Ah, uma coisa não tem a ver com a outra? Sempre tem. Políticos, contribuam. Nosso jeito de fazer política cheira mal, ainda somos a República dos Laranjas. E os 33 partidos? Repete comigo, “trinta-e-três”. Agora tosse.

O Partido Novo sugeriu R$ 700 milhões de Fundo. Por mim, seria zero. Enquanto não resolverem ao menos o saneamento. Saneamento básico significa investimento rentável e economia de custos na saúde. Há projeto novo e a meta é atingir cobertura nacional de 99% em água tratada e 90% em coleta e tratamento de esgoto até 2033. O prazo é 2033! Só acredito vendo. Até lá, o Fundo Eleitoral deveria ser extinto. Questão de prioridade. Corte de supérfluos.

Um estudo recente da Fundação Getúlio Vargas mostra como funciona o Fundo Eleitoral em vários países. Há quem proíba o uso de verba pública. E quem vete doações de empresas privadas. Em alguns lugares, o poder público complementa doações de pessoas físicas. Há limites aos gastos para regular a competitividade do jogo eleitoral. Na Alemanha, a maior importância vem da contribuição dos filiados. Cada pessoa registrada no partido paga uma mensalidade e, para cada euro arrecadado assim, o Estado dá ao partido mais 38 centavos de euro.

É preciso, claro, confiar nos partidos e seus representantes. O sistema ideal sempre dependerá da realidade de cada país e do grau de credibilidade da política. No Brasil, dizem que o sistema de fiscalização é bom, mas 26 partidos nos estados ainda não prestaram contas da última eleição à Justiça Eleitoral, entre eles o PRTB, do vice-presidente Hamilton Mourão.

Nos chamam de contribuintes. Mas, que eu saiba, o verbo “contribuir” pressupõe um ato voluntário, uma convicção. Não quero contribuir com quem já tem demais e desperdiça demais num país com carências demais.*

(*) Ruth de Aquino – O Globo

MAIS UM CANALHA FORA DAS RUAS

PICARETA JURAMENTADO

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João de Deus é condenado a 19 anos e 4 meses de prisão por abusos sexuais.

Médium já havia sido preso em dezembro de 2018 após mais de 200 denúncias de abusos sexuais.

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Autoproclamado médium, João Teixeira de Faria foi condenado pela prática de crimes sexuais.
  • Esta é a primeira condenação por violência sexual contra mulheres, após as denúncias de centenas de vítimas.
  • João de Deus já tinha sido condenado anteriormente, mas por posse ilegal de arma.
  • Aos 77 anos, ele está preso desde dezembro de 2018 no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia (GO).*
  • (*)  uol

E NO LARANJAL DO BOZO

Sargento da PM pagou boleto de R$ 16,5 mil da mulher de Flávio Bolsonaro

No pedido de busca e apreensão em endereços ligados ao senador Flávio Bolsonaro e a ex-assessores de seu gabinete na Alerj, ocorridas na quarta-feira, promotores do Ministério Público do Rio (MP-RJ) enumeram formas que o senador teria usado para lavar o dinheiro arrecadado com a prática de rachadinha. Uma delas teria a ajuda, segundo o MP-RJ, do sargento da Polícia Militar do Rio Diego Sodré de Castro Ambrósio, que chegou a pagar um boleto em nome da mulher de Flávio, Fernanda Antunes Nantes Bolsonaro, referente a parcela da compra de um imóvel.

RELAÇÕES PERIGOSAS – A investigação do caso Queiroz identificou ao menos duas relações financeiras entre Ambrósio e Flávio Bolsonaro. Em 2014, o policial abriu a empresa de vigilância Santa Clara Serviços.

Nos anos seguintes (2015 a 2018), foram identificados transferências bancárias e depósitos em cheque do próprio Ambrósio e da Santa Clara para a conta corrente da loja de chocolates de propriedade de Flávio Bolsonaro. Segundo a investigação, a contabilidade da loja era usada por Flávio para mascarar dinheiro devolvido por seus assessores na Alerj.

Os promotores também identificaram, em 2016, transferências do policial para dois assessores de Flávio.

OUTRO CAPÍTULO – A relação entre os dois também tem outro capítulo. Em 2016, quando Flávio e sua mulher compraram um apartamento em Laranjeiras, uma das parcelas, no valor de R$ 16,5 mil foi paga pelo policial. O boleto bancário emitido estava em nome da mulher de Flávio, Fernanda Antunes Nantes Bolsonaro.  Naquele ano, o capital social da empresa de Ambrósio era de R$ 20 mil, assinalam os promotores.

A investigação também apontou inconsistências na contabilidade da loja de chocolates – uma disparidade entre os lucros obtidos por Flávio e por seu sócio, quando ambos detinham 50% das cotas da empresa – o que seria um novo indício de que a loja era usada para lavar dinheiro para o senador.

ADVOGADO NEGA – O advogado Frederick Wassef, que defende Flávio Bolsonaro, negou a existência de rachadinha no gabinete do senador. Ele falou à imprensa antes da publicações das notícias sobre o conteúdo do pedido de busca feito pelo MP, mas depois da operação desta quarta-feira.

“Não vão encontrar absolutamente nada nessa busca e apreensão. Ao contrário, virão novos elementos que demonstrarão de forma inequívoca e incontestável a inocência do senador Flavio Bolsonaro. Jamais existiu rachadinha. Jamais houve repasse de recursos para as contas de Flavio Bolsonaro ou de suas empresas. Seja pela pessoa da Fabrício Queiroz, seja por qualquer outra pessoa.”*

(*) O Globo

TÁ TUDO DOMINADO

Advogado deixa defesa de Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro

Paulo Klein disse que a decisão foi tomada por questões de ‘foro íntimo’.

Defesa de Flávio Bolsonaro pede ao STF a suspensão das investigações

O advogado de Fabrício Queiroz resolveu deixar a defesa do ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, mostrou a GloboNews, nesta quinta-feira (19).

Em nota, Paulo Klein disse que a decisão foi tomada por questões de “foro íntimo”. Mesmo assim, o advogado afirmou ter convicção da inocência de Fabrício Queiroz e da família do ex-assessor.

Ação mira Fabrício Queiroz e ex-mulher de Bolsonaro

Também nesta quinta, a defesa do senador Flávio Bolsonaro solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão das investigações contra ele.

O relator do caso é o ministro Gilmar Mendes, que pode analisar as circunstâncias da solicitação mesmo durante o recesso. O pedido está em segredo de Justiça.

Agora, Flávio Bolsonaro quer liminar (decisão provisória) para suspender a apuração do Ministério Público Estadual do Rio. A defesa do senador pede o trancamento da investigação, ou seja, o arquivamento.

‘Rachadinha’
Flávio Bolsonaro, um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, é investigado por suspeita de ter montado um esquema de “rachadinha” quando era deputado estadual do Rio.

A prática da chamada “rachadinha” se dá quando um parlamentar exige de servidores comissionados no gabinete a devolução de parte dos salários. A defesa de Flávio Bolsonaro nega que ele tenha montado esquema do gênero.

A investigação sobre Flávio Bolsonaro ficou paralisada por cerca de quatro meses por decisão do Supremo.

A defesa argumenta que houve quebra de sigilo sem autorização judicial no compartilhamento pelo então Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) – atual Unidade de Inteligência Financeira (UIF) – com o Ministério Público de informações sobre o senador.

O caso ficou suspenso até o Supremo decidir sobre os critérios do compartilhamento. Depois que o STF validou o modelo de repasses de relatórios do Coaf para o Ministério Público, a apuração no Rio foi retomada.

Dinheiro ‘vivo’ na conta de corretor
O relatório do Ministério Público Estadual do Rio afirma que o senador depositou R$ 638,4 mil em dinheiro vivo na conta de um corretor e assim ocultou ganho ilícito com as chamadas “rachadinhas”.

O relatório do MP faz parte do pedido de busca e apreensão realizada nesta quarta-feira (18) contra 24 alvos, entre os quais Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, e parentes dele e de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro.*

(*) G1 – Rio de Janeiro

PRA ELES É SEMPRE NATAL…

Flávio Bolsonaro lavou até R$ 1,6 milhão em loja de chocolate, diz Ministério Público

Franquia recebia depósitos desproporcionais que coincidiam com datas de recolhimentos feitos por Queiroz, afirma Promotoria


O volume de depósitos em dinheiro vivo na conta da franquia da Kopenhagen do senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) era desproporcional em relação a negócios semelhantes, afirma o Ministério Público do Rio de Janeiro.

Os investigadores afirmam também que a entrada dos recursos em espécie em favor da empresa coincidia com datas em que Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, arrecadava parte dos salários dos empregados do então deputado estadual.

A suspeita é de que o estabelecimento, propriedade do atual senador desde 2015, tenha sido usado para a lavagem de dinheiro no suposto esquema de “rachadinha” em seu antigo gabinete na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), de 2007 a 2018. A loja foi alvo de busca e apreensão na operação de quarta-feira (18).

O volume “lavado”, segundo o Ministério Público, pode chegar a R$ 1,6 milhão entre 2015 e 2018. Os depósitos de dinheiro vivo nas contas da loja teriam como objetivo “esquentar” os recursos obtidos ilegalmente, segundo a Promotoria. Eles poderiam simular vendas fictícias feitas pela empresa, dando aparência legal ao recebimento.

Desde que Flávio assumiu a franquia até 2018, o volume de depósitos em dinheiro vivo foi o equivalente a cerca de 37,5% dos recebimentos por cartões de débito e crédito —de 2015 a 2017, esse percentual chegou a 41,8%. Em depoimento ao Ministério Público, o antigo proprietário da loja afirmou que essa proporção girava em torno de 20%.

A Promotoria também identificou que essa proporção não se mantinha estável ao longo do ano.

Em período de vendas maiores, como na Páscoa, o pagamento com dinheiro representava apenas cerca de 20% do recebido por cartões. Essa taxa aumentava nos demais meses do ano.

Foi o que ocorreu entre 22 de novembro de 7 de dezembro de 2015, quando os depósitos em espécie foram equivalentes a 92% do recebimento por cartões. O período coincide com o início do pagamento de 13º de servidores da Alerj.

Investigação e pontos polêmicos do caso Queiroz

A suspeita é que enquanto as vendas, na maioria das vezes feitas com cartão, variavam de acordo com a época do ano, as entradas de dinheiro vivo não respeitavam o movimento de clientes da loja, mas o repasse de salário dos ex-assessores de Flávio.

Os promotores recorreram também à auditoria feita por shoppings nas lojas para cálculo do aluguel, que também considera o faturamento do estabelecimento —modalidade chamada de “aluguel de desempenho”. Essa fiscalização costuma ser feita também presencialmente, para contabilizar as vendas realizadas.

O volume de créditos efetivos nas contas da loja superou em 25% o faturamento auferido pelos fiscais do shopping de 2015 a 2018. Em valores absolutos, a diferença chega a R$ 1,6 milhão.

“Pelo confronto entre os valores creditados na conta corrente da empresa e o real faturamento da loja informado pela administração do shopping, é possível apurar a divergência de valores que corresponde aos recursos de origem ilícita inseridos artificialmente no patrimônio da empresa”, escreveram os promotores responsáveis.

“O uso de uma franquia dentro de um shopping center para lavar dinheiro não foi uma escolha sábia dos envolvidos na ação criminosa”, afirma o Ministério Público.

O advogado Frederick Wassef, que defende o senador, afirmou que os agentes não encontrariam nada na loja que comprometesse seu cliente no cumprimento da busca e apreensão.

“O que sabemos até o momento, pela imprensa, é que a operação pode ter extrapolado os limites da cautelar, alcançando pessoas e objetos que não estão ligados ao caso”, disse na quarta.

O advogado Paulo Klein, que defende Queiroz, disse que seu cliente já informou às autoridades que recolhia parte do salário dos assessores para pagar funcionários informais que atuavam em favor de Flávio, mas sem seu conhecimento.

“Embora se insistiam em criar escândalos, como já devidamente esclarecido, o sr. Fabrício Queiroz recebia parte dos salários de alguns assessores para aumentar a base de atuação do deputado. Ou seja, com a mesma finalidade pública dos recursos, não constituindo qualquer ilegalidade”, disse Klein.

“Por fim, o senhor Fabrício Queiroz e sua família aguardam com serenidade a oportunidade de apresentarem sua defesa em juízo, ocasião que certamente os fatos serão analisados por um juiz imparcial e justo que reconhecerá que não houver qualquer crime praticado”, declarou o advogado.*

(*) Italo Nogueira – Rio de Janeiro – Folha de São Paulo

É A LAMA… É A LAMA!!!

Surge petista que prefere sair da água a afogar-se

Quando Lula deixou a cadeia, em 8 de novembro, o PT lidava com dois problemas: o excesso de lama e a carência de rumo. Decorridos 36 dias desde a abertura da cela de Curitiba, o PT continua imerso em lodo. Mas já dispõe de um rumo. Sob os efeitos da raiva que Lula injetou na conjuntura, o partido tomou a direção do brejo.

Em entrevista à Folha, o governador petista da Bahia, Rui Costa,  sugeriu caminhos diferentes: Lula e o PT precisam “pregar a pacificação do país”, declarou. É necessário “aproximar as posições gerais do partido de desafios concretos da economia e da sociedade”. Falou em “ajuste fino”, em “refinamento” de posições.

Instado a comentar a aversão da bancada do PT na Câmara ao projeto que regula a participação da iniciativa privada no setor de saneamento básico, o governador tomou as dores dos cerca de 100 milhões de brasileiros que não dispõem de uma privada em casa.

“Onde vamos buscar recursos para tirar o pobre de viver sem esgoto, em lugares alagados ou ficar sem água? O governo e os estados não têm como ofertar. É evidente que precisamos usar o instrumento da parceria público-privada, do capital privado, para levar água e esgoto à população”.

Rui Costa proclama o óbvio. Mas o óbvio e o PT são coisas inconciliáveis. O mesmo Lula que beijou a cruz da Carta aos Brasileiros para virar presidente em 2002 agora afugenta a classe média com sua ficha suja e seu discurso radical. Numa conjuntura que pede moderação, a divindade petista operou para reconduzir a incendiária Gleise Hoffmann ao comando partidário.

Ninguém se afoga por cair na água, mas por permanecer lá. Rui Costa soou como se preferisse sair da água. O diabo é que, para chegar à margem, teria de se livrar do abraço de afogados.*

(*) Blog do Josias de Souza – UOL

 

VOLTANDO À IDADE MÉDIA

Crivella, o impopular

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Marcelo Crivella chegou lá. Depois de três anos no cargo, ele se tornou oficialmente o prefeito do Rio mais impopular das últimas décadas. De acordo com o Datafolha, 72% dos cariocas consideram sua gestão ruim ou péssima. Apenas 8% aprovam o desempenho do bispo como administrador.

A pesquisa traz más notícias para quem sonha com o segundo mandato. Crivella supera os 60% de rejeição em todas as faixas de idade, renda e escolaridade. Entre os eleitores com ensino superior, seu índice negativo alcança os 84%. Neste grupo, apenas três em cada cem cariocas aprovam o prefeito.

O bispo encontra dificuldades até no seu público mais fiel. Entre os evangélicos neopentecostais, que incluem os seguidores da Igreja Universal, ele é aprovado por 26% e reprovado por 49%. O dado mostra que a irritação com o prefeito está falando mais alto que a identificação com o pastor.

Crivella foi eleito depois de quatro campanhas frustradas à prefeitura e ao governo do Estado. Em 2016, aproveitou a onda conservadora pós-impeachment. Apelou a temas como drogas e aborto para derrotar Marcelo Freixo no segundo turno. O então prefeito Eduardo Paes também o ajudou, ao lançar um candidato pouco competitivo que terminou em terceiro lugar.

Agora Paes e Freixo largam na frente para a disputa de 2020. Em desvantagem, Crivella indica que vai recorrer mais uma vez à agenda de costumes. A tentativa de censurar um gibi na Bienal do Livro, a pretexto de proteger as famílias cristãs, foi um ensaio da guerra santa que pode vir por aí.

O prefeito também aposta na ajuda de Jair Bolsonaro. Nesta semana, ele pediu socorro ao presidente para tapar os buracos no caixa. Saiu com a promessa de R$ 150 milhões para quitar atrasados na Saúde. Falta saber se o capitão aceitará pedir votos para um aliado tão impopular.

Na quinta-feira, Crivella disse que a crise na Saúde é “falsa”. De acordo com o Datafolha, o discurso não convence a maioria dos cariocas. Para 68%, a área é o maior problema de sua gestão.

Em três anos, o Rio viu o prefeito comprar brigas com os vereadores, com as escolas de samba, com os meios de comunicação e com a Justiça. A sucessão de crises expôs um político avesso à transparência e hostil às tradições da cidade. Crivella conseguiu se indispor até com o Rei Momo, alvejado na sua cruzada contra a festa pagã.

Na nova ofensiva contra a imprensa, o bispo mostrou que não separa o público do privado. Ele se outorgou o direito de barrar jornalistas no Palácio da Cidade, como se o prédio público fosse uma extensão da sua casa.

A confusão de papéis já havia ficado clara quando o prefeito tentou empregar o próprio filho no secretariado. A nomeação foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal. Tempos depois, Crivella foi flagrado ensinando pastores a furar filas em serviços públicos. Sua frase, “Fala com a Márcia”, virou CPI e marchinha de carnaval.

Apesar do recorde de rejeição, não convém tratar o bispo como carta fora do baralho para 2020. Como lembra um futuro adversário, ele ainda conta com a máquina da prefeitura, com a igreja e com a emissora do tio. Numa disputa fragmentada, pode ser o suficiente para levá-lo ao segundo turno.*

(*) Bernardo Mello Franco – O Globo