PENÚLTIMO TANGO

Fernández diz que só paga dívida após Argentina crescer

Resultado de imagem para aRGENTINA - TANGO - CHARGES

Em discurso com tom populista, o novo presidente argentino, Alberto Fernández, avisa que haverá um tempo de não pagamento da dívida do país.  “Só pagaremos após crescermos”, disse ele em sua posse. Fernández prometeu resolver o problema da recessão e da inflação com acordo com trabalhadores e empresários. Ele também promete uma relação ambiciosa com o Brasil e o fortalecimento do Mercosul.

O novo presidente vai convocar a partir de amanhã trabalhadores, industriais e produtores agrícolas para fazer acordos de solidariedade e emergência. O crescimento e a derrubada da inflação seriam conquistados assim. A estratégia deve passar por subsídios e acordos de preços. Nunca deu certo, inclusive quando foi tentado no Brasil.

Fernández lembrou que, pela primeira vez em 28 anos, desde 1991, a Argentina tem inflação superior a 50%. Ele listou outros dados da economia que ele recebe de Mauricio Macri. O desemprego é o mais alto desde 2006. O valor do dólar foi, entre 2015 e agora, de 9 pesos para 63 pesos.

O PIB per capita é o mais baixo desde 2009. A pobreza atual é a mais alta desde 2008. “Retrocedemos mais de 10 anos na luta por reduzir a pobreza”, disse. A indigência é a mais alta desde 2010. A lista seguiu. A dívida pública é mais alta do que em 2004, quando estávamos em default. A produção industrial voltou a 2006. O emprego industrial voltou a 2007. A quantidade de empresas é a mais baixa desde 2009; em quatro anos, 20 mil firmas fecharam as portas no país. “Nesses quatro anos, perdemos 152 mil empregos privados. Em termos anuais, o emprego industrial está caindo há 44 meses.”

Na política externa, Fernández pretende fazer uma “integração plural”. Vai conversar com pensa diferente. A promessa é fortalecer o Mercosul. Ele decretou emergência na área da Saúde.

“A economia e o tecido social hoje estão em estado de extrema fragilidade, como produto dessa aventura que propiciou a fuga de capitais, destruiu a indústria.”

Fernández, evidentemente, não contou que uma crise dessa magnitude foi criada há mais de quatro anos. Ele tem razão que alguns indicadores pioraram no governo Macri. A pobreza cresceu, a inflação apareceu mais alta sem a intervenção dos anos Kirchner. No fim, Macri aplicou um controle de preços, o que o discurso liberal que adotava não permitiria. O controle cambial foi ajustado pela transição política, diziam os apoiadores. Já os peronistas dizem que ele adotou o “cepo” porque o próprio Macri não conseguia controlar a crise.

É a primeira vez em 91 anos que um não peronista termina seu mandato. Dessa vez, Macri passou a faixa para outro presidente eleito. Foi um avanço, ao menos nesse aspecto.*

(*) Mírima leitão – O Globo