E NA PROA DO TITANIC…

Drama, comédia e farsa

Regina deveria demitir toda a assessoria de olavistas de Alvim

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A ascensão e queda de Roberto Alvim foi uma farsa megalômana que virou um drama real, depois uma comédia de erros, e terminou como tragédia chinfrim. Com muitos anos de vivência no teatro como autor e diretor, Alvim encenou meticulosamente o seu monólogo triunfal, com o cenário, o figurino, o corte de cabelo, a atitude de um cruzado guerreiro e música de Wagner para dar grandiosidade. Só não imaginou que o protagonista se mostrasse um canastrão, falando como um ungido de Deus e pregando uma espécie de nacionalismo nazicristão.

Esse tal de Roberto Alvim, como o chamava Bolsonaro, pode ser meio louco, mas não é burro. Se não fosse ignorante, conheceria e nunca repetiria a citação de Goebbels no discurso fatídico, seria uma provocação inútil e perigosa. Algum assessor malvado, ou conspirando para derrubá-lo, sugeriu a citação e Alvim adorou, expressava suas ideias sobre a nova arte brasileira, cristã, heroica e de direita.

Mas quem plantou a citação fatal? Não deve ser difícil descobrir, entre os próprios assessores que participaram do discurso. A serviço de quem ?

A primeira coisa que Regina Duarte deve fazer é demitir toda a assessoria de olavistas de Roberto Alvim e cercar-se de pessoas decentes da área de cultura, com experiência em gestão e convicções democráticas. O Estado não deve fazer cultura, só estimular, sem dirigismo e com diversidade.

Além de ótima profissional, Regina é uma pessoa honesta e bem-intencionada, com intensa vivência dos problemas do teatro, do cinema e da televisão, que às vezes toma decisões e posições com mais emoção do que razão.

Mas não se pode querer tudo. Ela sabe que boas intenções não bastam e que o governo, qualquer governo, é um viveiro de conspiradores e puxa-sacos capazes de arruinar os melhores planos.

Sua missão é convencer Bolsonaro da importância econômica da indústria cultural, seus empregos, seus impostos e sua capacidade de alegrar, divertir, emocionar e informar as pessoas.

Chato é passar de namoradinha do Brasil a noiva de Bolsonaro.*

(*) Nelson Motta – O Globo

Ô COITADA, TÃO NECESSITADA!

Cotada para assumir Cultura, Regina Duarte recebe pensão militar

Atriz é filha de tenente falecido em 1981; benefício não é exclusivo de dependentes solteiras

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Em aproximação com o presidente Jair Bolsonaro, que a convidou para assumir a Secretaria Especial da Cultura, a atriz Regina Duarte recebe pensão militar. A atriz ganha R$ 6.843,34 mensais dos cofres públicos, segundo dados do Ministério da Defesa obtidos pelo Estadão Verifica.

Jesus Nunes Duarte, pai de Regina, foi primeiro-tenente do Exército e faleceu em 1981, em um acidente de carro. A atriz recebe o benefício desde 1999.

Regina foi casada três vezes antes do atual marido, Eduardo Lippincot. Diferentemente do que acontece em outros órgãos públicos, como a Polícia Militar de São Paulo, em que apenas as filhas com estado civil de solteiras recebem pensão, o benefício para filhas de militares das Forças Armadas é irrestrito na maior parte dos casos. Uma lei de 1991 definiu que a medida só poderia favorecer solteiras, mas em 1993 o Supremo Tribunal Federal reverteu a decisão.

O Estado mostrou que, no caso de servidores e parlamentares da Câmara e do Senado, novas pensões para filhas deixaram de ser concedidas em 1990. Nas Forças Armadas, o benefício foi limitado em 2000, passando a valer para filhos ou enteados de até 21 anos, ou 24 se forem universitários – mas o privilégio vitalício segue para as filhas de militares admitidos nas três Forças Armadas até dezembro de 2000.

Procurada, a assessoria de imprensa da atriz disse que não comentará o caso.*

(*) Tiago Aguiar, O Estado de S.Paulo

DE PAI PRA FILHOS…

Cadê o Flávio?

Os atritos entre Jair Bolsonaro e Sergio Moro não são causados pela imprensa, e sim pela necessidade do presidente de proteger Flávio Bolsonaro.

Foi assim no Coaf, na escolha do PGR, na parceria com Dias Toffoli, no projeto do juiz das garantias e, agora, no desmembramento do Ministério da Segurança Pública, que esconde a manobra bolsonarista para aparelhar a PF.*

(*) O Antagonista

QUEM BOTOU O GALHO DENTRO, HEIN?

Moro ameaçou deixar o governo se Bolsonaro recriasse o Ministério da Segurança

Quem conhece o ministro Sergio Moro sabe que estar à frente da pasta de Segurança Pública foi uma das condições para ele ter aceitado compor o governo de Jair Bolsonaro. Para Moro, manter a agenda de combate à corrupção e ao crime organizado é uma das prioridades de sua gestão e o ministro deixou claro que não abrirá mão disso.

A insatistação do ex-juiz com a proposta, no entanto, foi absoluta e poderia selar seu destino no governo. Após o presidente voltar ao tema nessa semana, Moro relembrou o caso a aliados.

UMA FORTE AGENDA – Ao aceitar ser ministro no governo Jair Bolsonaro, o então juiz da Lava-Jato Sergio Moro justificou sua decisão dizendo que tinha “a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado”. O fato de passar a comandar a área de segurança pública fez com que fosse chamado de “superministro”.

Ao admitir publicamente a possibilidade de retirar esse tema da alçada de Moro, Bolsonaro mais uma vez fez gesto para enfraquecer seu auxiliar mais popular. E o fez justamente na semana que começou com Moro sob holofotes, entrevistado no programa Roda Viva, da TV Cultura, o que aumentou a exposição do ministro — e possíveis ciúmes no Palácio do Planalto.

O ex-juiz também comemorou, nesta semana, uma vitória com a decisão do vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, de barrar a lei que criou o juiz de garantias — sancionada pelo presidente.

BANCADA DA BALA – Bolsonaro teve sua carreira política como deputado bastante ligada à área de segurança. Expoente da bancada da bala, o então deputado teve de enfrentar seus aliados para recolocar a segurança pública subordinada à pasta da Justiça na formação de sua equipe. Então líder do partido do presidente, o senador Major Olímpio (PSL-SP) tentou inclusive alterar a Medida Provisória que tratava do tema no Congresso, tendo sido forçado a recuar na hora da votação da proposta.

O tema voltou com força ao radar do presidente em dezembro passado, como revelou O Globo. Além de atender sua base mais fiel, a ideia era achar um cargo para o ex-deputado Alberto Fraga, amigo de longa data de Bolsonaro que só não virou ministro até agora porque havia sido condenado duas vezes em primeira instância. Fraga conseguiu reverter uma das decisões e como a outra, que é um desdobramento da primeira, deve ser julgada nas próximas semanas, pode estar livre para ajudar o amigo presidente de forma oficial.

NÃO ERA FAKE NEWS -Em dezembro, Bolsonaro disse que a história era “fake news” e que já teria desmentido a possibilidade a Moro. Agora, um mês depois, o discurso mudou.

Bolsonaro afirmou ainda que a entrega da área de segurança para o ex-juiz não foi tratada quando o convite foi feito. O anúncio publicado por ele próprio na indicação de Moro, porém, em novembro de 2018, já contemplava essa atribuição para o subordinado.

O presidente retomou o debate público sobre o esvaziamento da pasta de Moro em reunião com secretários de segurança pública do país, que o Planalto decidiu transmitir ao vivo, algo pouco usual.

UM ESTRANHO PEDIDO – Os secretários fizeram o pedido de um ministério específico para a área, e Bolsonaro respondeu que estudaria o tema. Participaram da reunião os ministros Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Luiz Ramos (Secretaria de Governo) e Jorge Oliveira (Secretaria-Geral). Moro estava em seu gabinete, a 600 metros do Planalto. O debate surpreende por ocorrer enquanto o governo comemora com entusiasmo números que indicam a redução de homicídios no país.

Sobre o chefe, Moro tem preferido o silêncio. Em entrevista nesta semana ao Roda Viva, atribuiu essa postura a um respeito à hierarquia. Bolsonaro, porém, procura testar de tempos em tempos até onde vai a resiliência do subordinado, desta vez ameaçando com um esvaziamento efetivo das suas funções.*

(*) Bela Megale e Eduardo Bresciani
O Globo

DESGRAÇA POUCA É BOBAGEM

No embate com Moro, quem mais perde é Bolsonaro, alertam assessores do Planalto

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Charge do Lézio Júnior (Diário da Região)

 

Diante do desgaste entre o ministro da Justiça, Sergio Moro, e o governo, com o anúncio de que a pasta poderia ser desmembrada, a equipe presidencial avalia que, neste momento, quem mais sai perdendo no embate é o próprio presidente Jair Bolsonaro. Por isso, desde quinta-feira (23) interlocutores do presidente trabalhavam para colocar “panos quentes” no episódio.

Segundo um assessor presidencial, o eventual desentendimento de Sergio Moro teria dois efeitos ruins para Bolsonaro. O primeiro é que enfraqueceria ainda mais o discurso do governo de combate à corrupção, que já está fragilizado, porque aquele que seria o principal responsável por essa tarefa estaria sendo praticamente colocado para fora do ministério.

CANDIDATURA – O segundo efeito seria fortalecer uma possível candidatura de Sergio Moro à Presidência da República em 2022, disputando com Bolsonaro uma parcela do eleitorado hoje fechada com o governo. Moro, no mínimo, dividiria esse eleitorado, retirando poder eleitoral do presidente da República.

Ainda na noite de quinta-feira, interlocutores do presidente em Brasília já diziam que, ao chegar à Índia, Bolsonaro iria acabar com os ruídos causados por ele próprio. Ou seja, recuaria de sua ideia de estudar uma divisão do Ministério da Justiça e da Segurança Pública. Foi o que aconteceu nesta sexta-feira (24), em sua primeira entrevista na chegada àquele país.

Um assessor presidencial respirava aliviado na manhã desta sexta-feira (24) depois da fala do presidente, mas lembrou que Bolsonaro sempre deixa uma porta aberta para uma mudança de posição, o que acaba gerando dúvidas sobre suas reais intenções. Foi o que ele fez ao encerrar a sua fala sobre a divisão do ministério de Sergio Moro, ao falar que, no momento, chance zero de separar as duas áreas, mas em política tudo pode mudar.*

(*) Valdo Cruz
G1 Brasília

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MOURÃO DEFENDE MORO: ‘ESTÁ FUNCIONANDO’
Andréia Sadi GloboNews

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, recebeu nesta sexta-feira (24) o ministro da Justiça, Sergio Moro, mas disse ao blog que não discutiu a polêmica envolvendo a declaração do presidente Jair Bolsonaro sobre a recriação do Ministério da Segurança Pública, o que desmembraria a pasta da Justiça. Após a repercussão negativa na quinta-feira (23), o presidente, em declaração nesta sexta, recuou. Disse que é há “chance zero”, por ora, de recriar a pasta.

Mourão disse que o tema tratado com Moro foi a composição da Força Nacional da Amazônia. Perguntado pelo blog sobre sua opinião a respeito da ideia da divisão dos ministérios, Mourão respondeu: “Tem que ficar como está. Está funcionando”.

SÓ BOLA NAS COSTAS

Por nada, Bolsonaro cria mafuá na direita e risco de dificuldades políticas

Presidente inventa crises do nada, um problema em ano parlamentar curto

O ano político nem começou, mas Jair Bolsonaro tomou a iniciativa de abrir a porteira para uma crise que até então pastava nas internas do governo. A ideia de recriar o Ministério da Segurança Pública animou o mafuá na direita, soltou a manada que quer atropelar Sergio Moro e explicitou a disputa pela polícia e pela espionagem federais.

Pode dar em nada ou apenas em uma avacalhada em Moro a fim de mostrar “quem é que manda”. Seja como for, o sururu interno mostra como o governo cria tumultos quase de graça, que podem ser daninhos em um ano parlamentar curto, de eleição.

A filhocracia quer a Polícia Federal sob controle direto do Planalto e incrementar a espionagem. Carlos Bolsonaro, o 02, quer colocar o diretor da Abin, Alexandre Ramagem, seu próximo, na direção da PF. Difícil que tenha sucesso, mas trata-se de parte de seu projeto de influenciar a comunicação, a polícia e a inteligência do governo.

Parece ridículo esse negócio de espionagem, de Abin ou o que mais inventarem, mas é um assunto real no Planalto. Já incomodou militares no início do governo e começa a incomodar de novo, se por mais não fosse porque o filho 02, Carlos, tem a capacidade de derrubar generais.

Outros amigos de Bolsonaro pai e gente da cozinha do Planalto querem levar Anderson Torres, secretário de Segurança do Distrito Federal, para o comando da PF. Torres quer o novo ministério.

Ministros do Planalto querem a PF e parte do ministério de Moro porque pretendem: 1) dar “agilidade” à política de segurança pública; 2) identificar o possível sucesso de tais políticas diretamente com Bolsonaro, sem deixar casquinha para Moro.

A esse respeito, convém notar que o secretário-geral da Presidência, Jorge Oliveira, é alguém que tenta colocar alguma ordem política, administrativa e jurídica nos assuntos do governo. É de confiança de Bolsonaro, uma raridade, tem parte na recriação do Ministério da Segurança e, decididamente, na mudança da direção da Polícia Federal.

O bolsonarismo parlamentar rachou com a crise do PSL. Os pesselistas remanescentes são moristas. A tropa parlamentar que ficou com Bolsonaro, muitos líderes da bancada da bala e os amigos policiais do presidente querem recriar e ocupar a Segurança Pública.

Pelo menos um ministro que trabalha no Planalto diz que Bolsonaro não deu sinal de que vá tomar decisão alguma, mas “deixou que o debate fosse reaberto”. Pode dar um cala-boca geral a qualquer momento.

Como está óbvio, trata-se de disputa de cargos, de prestígio político e de cálculo eleitoral (evitar proeminência ainda maior de Moro). Em tese, é política politiqueira ou palaciana de costume. Porém, desembestadas, como agora, tais crises criam desafetos e divisões daninhas em demasia. Não é boa ideia para um governo sem articulação parlamentar.

Entre março e julho, parte do governo pretende aprovar as emendas constitucionais que cortam gastos a fundo, mexendo com servidores. Quer aprovar alguma reforma tributária e até mexer em imposto que vai deixar fula a indústria de comida e bebida. É pouco tempo.

Quer fazer tudo isso enquanto as milícias digitais batem em Rodrigo Maia, que, por sua vez, continua podando asinhas várias do governo.

Maia tem seu programa, que é o da elite econômica e, sem mais, não vai criar problema. Mas não é prudente forçar a amizade e, de resto, Maia é liderança parlamentar, não dono de rebanho. Se os humores mudam, ele não pode fazer grande coisa.*

(*) Vinicius Torres Freire –  Folha de São Paulo

A INVOLUÇÃO DOS BOLSOMINIONS

Novo presidente da Capes defende criacionismo em ‘contraponto à teoria da evolução’

Nomeação reforça relação do MEC com o setor privado de ensino superior e também faz aceno a lideranças evangélicas

O novo presidente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), órgão ligado ao Ministério da Educação, defende a abordagem educacional do criacionismo em “contraponto à teoria da evolução”.

Evangélico, Benedito Guimarães Aguiar Neto era reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie desde 2011 e foi nomeado nesta sexta-feira (24) para compor o governo Jair Bolsonaro.

No ano passado, Aguiar Neto anunciou que o Mackenzie, de São Paulo, ampliaria os estudos do chamado design inteligente —uma roupagem contemporânea do criacionismo, que advoga uma natureza teológica da origem do universo.

Desde 2017 o Mackenzie tem um núcleo de estudos sobre isso. O termo design inteligente tem sido usado exatamente nas discussões que advogam a abordagem do tema na educação. Para seus defensores, a teoria darwinista seria insuficiente para explicar a origem da vida.

Há um consenso científico de que design inteligente ou criacionismo não são ciência. Em 2014, o governo do Reino Unido proibiu o ensino do criacionismo, ou design inteligente, como teoria científica em escolas e universidades públicas.

Em outubro passado, o Mackenzie realizou um congresso sobre design inteligente. Na ocasião, Aguiar Neto disse ao site da universidade que quer disseminar esse entendimento na educação básica:

“Queremos colocar um contraponto à teoria da evolução e disseminar que a ideia da existência de um design inteligente pode estar presente a partir da educação básica, de uma maneira que podemos, com argumentos científicos, discutir o criacionismo”

A Folha questionou o MEC e a Capes, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

Aguiar Neto substitui Anderson Correia, que decidiu deixar o governo Bolsonaro.

Responsável pela pós-graduação no país, o órgão é ligado ao MEC (Ministério da Educação). A Capes também financia pesquisadores e, no passado, teve 8% das bolsas cortadas.

Sua nomeação, publicada nesta sexta-feira (24) no Diário Oficial da União, reforça a relação do MEC com o setor privado de ensino superior e também faz um aceno a lideranças evangélicas.

Com a saída de Anderson, o governo Bolsonaro consolida uma marca: todos os cargos importantes do MEC tiveram alterações em pouco mais de um ano de governo.  Da equipe montada pelo ex-ministro Ricardo Vélez Rodriguez, o MEC só manteve o secretário de Alfabetização, Carlos Nadalim, apadrinhado pelo escritor Olavo de Carvalho.

Aguiar Neto é graduado e mestre em engenharia elétrica pela UFPB (Universidade Federal da Paraíba), doutor na área pela Technische Universität Berlin, na Alemanha, e pós-doutorado pela Universidade de Washington, nos EUA.

Ele também teve atuação em entidades representativas do setor privado de ensino superior. Foi presidente do CRUB (Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras) e da Associação Brasileira de Instituições Educacionais Evangélicas.

O nome de Aguiar Neto já era dado como certo desde o fim do ano passado. O ministro da Educação, Abraham Weintraub, havia recebido o professor no dia 11 de dezembro.

A troca no comando da Capes era esperada desde outubro de 201. Na época, a Folha revelou que Anderson Corria havia se candidato para o cargo de reitor do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), cargo que ocupou antes de integrar o governo Jair Bolsonaro.

A nomeação dele saiu em dezembro e Correia assume o cargo na segunda-feira (27). Superado um distanciamento inicial, Correia, que é evangélico, e Weintraub se aproximaram. Na Capes, porém, a imagem de Correia foi abalada pelos cortes de bolsas, o que culminou em protestos de servidores, e também por seu apoio aos planos de fusão do órgão com o CNPq.

A Folha revelou no ano passado que uma decisão atípica da Capes liberou um doutorado na Unisa, de São Paulo. A instituição é controlada por Antônio Veronezi, empresário com estreita relação com Weintraub e com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

Veronezi, da Unisa, diz que não tentou interferir no processo e que esteve na Capes, durante o período de análise, apenas para expor o novo bom momento da universidade –isso estaria sendo ignorado pelos avaliadores.

“Eu aproveitei que conhecia o Anderson [presidente da Capes], não tenho nenhuma outra relação com ele, disse para ele da dificuldade que estava havendo no curso de pós-graduação, que a reitora me disse que ia e voltava, ia e voltava. Falei: ‘Olha, Anderson, vai, passa lá e vê a realidade da instituição'”, disse o empresário.

Na Universidade Mackenzie, além de reitor, Benedito Aguiar Neto foi membro dos conselhos Deliberativo e Universitário. Ele também é membro Honorário da Força Aérea Brasileira, com as medalhas Amigos da Marinha e Exército Brasileiro.*

(*) Paulo Saldaña – BRASÍLIA – Folha de São Paulo

COM O NOSSO SUADO DINDIM…

Senadores torram dinheiro em autopromoção, viagens, restaurantes, correios. E você paga

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Quem analisa a página de transparência do Senado Federal pode imaginar que os senadores têm poucos gastos com divulgação do mandato. Foram R$ 2 milhões em 2019 – o equivalente à metade da despesa com escritórios (R$ 3,8 milhões) e muito menos do que gastam com passagens aéreas (R$ 7 milhões). Na verdade, a maior parte das despesas com divulgação (R$ 4,1 milhões) está camuflada no item “Serviços de apoio ao parlamentar”. No total, são R$ 6,2 milhões torrados em autopromoção.

A gastança com a cota para o exercício da atividade parlamentar – o “cotão” –  somou R$ 23,3 milhões no ano passado. Fora da cota, os senadores ainda gastaram mais R$ 1,9 milhão com viagens internacionais, a mesma quantia com correios e R$ 400 mil com material de consumo. Ao todo foram R$ 27,5 milhões – tudo bancado pelo contribuinte. Três senadores provaram que é possível exercer o mandato sem as verbas do “cotão”. Passaram o ano inteiro sem gastar um único centavo com essas mordomias.

Não estão computados no levantamento as despesas com salários de assessores dos gabinetes – algo que tem uma “transparência” turva no Senado. Para apurar esses valores, é preciso abrir individualmente os dados de 2.867 assessores, depois de passar pelo “captcha” – aquelas letrinhas tortas que diferenciam um ser humano de um computador. Levantamento feito pelo blog no final de 2017 mostrou que os assessores, incluindo gabinetes, lideranças partidárias, comissões e cargos da Mesa Diretora custam meio bilhão de reais por ano.

Em 2019, o maior cabide de empregos foi promovido por Izalci Lucas (PSDB-DF). Em maio, ele já tinha 78 assessores, ao custo mensal de R$ 527 mil. Entrevistado pelo blog, admitiu que não estava satisfeito: “Se tiver oportunidade, vou ter 100”. Está a caminho de cumprir a meta. Encerrou o ano com 86 assessores, com despesa mensal de R$ 648 mil. Se apenas mantiver essa média, gastará R$ 8,5 milhões em um ano. Cinco dos seus assessores são servidores de carreira, com salário médio de R$ 34,6 mil.

Campeões de gastos com dinheiro do contribuinte

O campeão de gastos é o líder do PT, Humberto Rocha (PE), que desembolsou R$ 656 mil em um ano. Sua maior despesa é com “locomoção” – torrou R$ 151 mil. São deslocamentos pelas bases eleitorais, o que exige aluguel de carros, combustível, hospedagem, e alimentação para ele e seus assessores. A segunda maior despesa é curiosa: R$ 135 mil com serviços postais.

O gabinete explicou o motivo: o senador mandou imprimir um Vade Mecum, que reúne 11 das mais importantes leis do país, entre elas a Constituição, o Código Civil e o Código Penal. O compêndio possui um total de 839 páginas, em razão de que é muito pesado. Assim, o envio pelos correios custa mais caro.

A maior despesa com divulgação foi feita pelo líder do MDB, Eduardo Braga (AM). Foram R$ 374 mil – R$ 73% da sua cota – declarados na categoria “Serviços de apoio ao parlamentar”. As empresas contratadas, a um custo mensal de R$ 32,5 mil, prestaram consultoria para produção de conteúdo multimídia (áudio, foto, vídeo, animação) e monitoramento de mídias online (sites, blogs, redes sociais), além de assessoria e serviços de apoio ao mandato. Ele ficou em terceiro lugar no ranking do total de gastos, com R$ 582 mil.

Omar Aziz (PSD-AM) gastou R$ 325 mil com a empresa de Jefferson Coronel para divulgar o seu mandato. A empresa faz consultoria em comunicação e marketing, com monitoramento, pesquisa de conteúdo, redação postagens e design para o meio digital, redes sociais, assessoria de imprensa, estrutura de produção, redação e edição de vídeos.

Aviões, escritórios e restaurantes sofisticados que você paga

Ciro Nogueira (PP-PI), conhecido por gastos excessivos com viagens internacionais, aluguel de jatinhos e restaurantes de luxo, gastou R$ 277 mil em “locomoção”. Em 2019, ele alugou apenas um avião, em agosto, por R$ 14 mil, para acompanhar uma visita do presidente Jair Bolsonaro a Parnaíba (PI), onde inaugurou uma escola com padrão militar. Ainda assim, Nogueira gastou R$ 101 mil com combustível para aviação.

O senador abandonou as viagens internacionais, mas continua fazendo refeições caras. Em março, gastou R$ 1.013 no restaurante Kawa, em Brasília. A refeição custou 15 reais a mais do que o salário mínimo. Em junho, bancou cinco rodízios na SB Churrascaria, ao custo de R$ 646. Em agosto, custeou um banquete no Favorito Grill, em Teresina, no valor de R$ 402. Os convidados comeram um bife de tira, uma picanha na brasa, filé e dois galetos. Em setembro, pagou a conta de um almoço para 16 pessoas em Parnaíba. Tudo por conta do contribuinte.

O deputado Roberto Rocha (PSDB-MA) gastou R$ 182 mil – 45% da sua cota – com os escritórios de apoio em São Luís e Imperatriz. Além do aluguel na capital, o Senado pagou despesas com segurança e vigilância nas duas cidades e contas de água, luz e internet. As contas de luz ficaram em média R$ 2 mil por mês.

O ex-craque Romário (Podemos-RJ) investiu dois terços da sua cota, ou R$ 252 mil, em passagens aéreas. Segundo afirmou o seu gabinete, muitos dos voos são necessários porque assessores que trabalham com emendas parlamentares moram no Rio de Janeiro. Eles recebem e visitam prefeitos do estado, mas também precisam se deslocar a Brasília para reuniões em ministérios, onde liberam verbas federais para os aliados do senador. Em Brasília, os ministérios ficam a um quilômetro de distância.

Gastos em viagens pelo mundo

O “novo” Senado mais que dobrou os gastos com viagens internacionais em 2019. A despesa ficou em R$ 1,9 milhão. Os maiores gastos foram feitos pelo senador Jaques Wagner (PT-BA), que gastou R$ 157 mil – R$ 61 mil com diárias e R$ 96,5 mil com passagens. A viagem mais cara foi para a China, sendo R$ 38 mil apenas com a passagem em classe executiva. Ele integrou uma missão oficial do Governo da Bahia.

Antônio Anastasia (PSDB-MG) gastou R$ 147 mil com viagens internacionais, sendo R$ 94 mil com passagens. Em abril, esteve em Doha, no Catar, para participar de Assembleia da União Interparlamentar e de sessão do Grupo de Parlamentares da América Latina e do Caribe. Em outubro, participou de nova reunião do Grupo de Parlamentares da América Latina, dessa vez em Belgrado, na Sérvia. Seria mais econômico realizar essas reuniões na América.

Os econômicos, mas nem tanto

O senador Reguffe (Podemos-DF) inaugurou no Congresso a prática de não utilizar a cota para o exercício do mandato. Ele já fazia isso quando era deputado federal, e continuou fazendo no Senado. Mais do que isso, ele abriu mão do plano de saúde, da aposentadoria especial de parlamentar, do carro oficial, de viagens internacionais, de diárias, e gastos com correios. A única despesa que fez em 2019 foi com material de consumo, como água, papel, caneta, lápis, material de limpeza – num total de R$ 500. Em um ano, comprou apenas 1 quilo de café e 1 quilo de açúcar.

Leila Barros (PSB-DF), a Leila do Vôlei, também não usou o “cotão”, mas gastou R$ 3,5 mil com serviços postais e R$ 4,1 mil com material de consumo. Ela também conta com carro oficial e usa combustível do Senado. Jorge Kajuru (Cidadania-GO) é outro que “zerou” a cota para o exercício do mandato e abriu mão do carro oficial, mas gastou R$ 2 mil com material de consumo.

Eduardo Girão (Podemos-CE) ingressou no grupo dos senadores econômicos nos primeiros meses de 2019, mas acabou gastando R$ 6 mil com divulgação e R$ 14,5 mil com passagens aéreas. Fora da cota, utilizou R$ 5 mil em material de consumo e R$ 13,8 mil com correios. As duas despesas totalizaram R$ 39,4 mil.

Oriovisto Guimarães (Podemos-PR) também fez gastos moderados, um total de R$ 83 mil. As maiores despesas foram com aluguel de escritório e taxa de condomínio (R$ 51 mil), e passagens aéreas (R$ 23,3 mil).

Vanderlan Cardoso (PP-GO) também prometeu usar minimamente o “cotão”, mas não resistiu aos encantos das mordomias do Senado. A conta fechou em R$ 123 mil, sendo R$ 49 mil em passagens, R$ 49 mil em escritórios, R$ 32 mil em locomoção e R$ 31 mil em divulgação.*

(*) Lúcio Vaz – Gazeta do Povo