E VAMOS QUE VAMOS…

Novos indicadores mostram que a recuperação da economia continua sob risco

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Todo brasileiro deve torcer pela recuperação da economia, para diminuir o número de desempregados, melhorar a distribuição de renda e reduzir a desigualdade social. Mas os novos indicadores, revelados nos últimos dias, trazem números verdadeiramente preocupantes, a demonstrar que na economia ainda não existe um invés de alta que nos leve a patamares acima, porque muitos obstáculos ainda precisam ser vencidos.

O principal fato negativo foi a debandada de investidores estrangeiros, que bateu recorde em 2019, mesmo com o Risco País ficando levemente abaixo de 100 pontos, na medição do Credit Default Swap (CDS) para contratos de cinco anos.

EVASÃO DE DÓLARES – Divulgados nesta quarta-feira (dia 8), os novos dados do Banco Central mostram que as saídas líquidas de dólares do Brasil somaram US$ 44,8 bilhões no acumulado até o dia 30 de dezembro. Uma notícia péssima, porquEsse indicador é quase o triplo do maior déficit anual do fluxo cambial, até então registrado pelo BC, que foi de US$ 16,2 bilhões, em 1999.

E não adianta argumentar que isso é normal,  já que no mês de dezembro sempre há remessa de lucros das multinacionais para suas sedes no exterior. O fato concreto é que o capital estrangeiro vinha para o Brasil atrás do lucro do “rentismo” dos títulos públicos. Quando a taxa básica (Selic) foi caindo para menos de 10%, a farra do boi acabou.

O supermministro Paulo Guedes prometeu zerar o déficit primário no primeiro ano, mas não conseguiu e já avisou que isso só ocorrerá depois de 2022. Como a contenção do déficit primário é a única maneira de equilibrar a dívida pública, os investidores estrangeiros estão fugindo do país, apesar da empolgação dessa alta da Bolsa de Valores, que eles sabem que é um fenômeno artificial.

SETORES EM QUEDA – Há outros índices negativos. Após três meses seguidos de alta, a produção industrial brasileira caiu 1,2% em novembro, na comparação com outubro, diz o IBGE. É o maior recuo mensal desde março (-1,4%) e o pior novembro desde 2015, quando a indústria caiu 1,9%.  Como novembro é um mês tradicional de produção alta, devido ao Natal, a situação está complicada.

Em compensação, a produção rural bateu novo recorde – é um atrás do outro, carregando o país nas costas e fazendo lembrar o pensamento de Alberto Torres, um dos grandes intelectuais brasileiros, que há um século defendia a tese de que o agronegócio seria o grande motor da economia brasileira, como realmente está acontecendo.

Outra notícia positiva é que o desemprego caiu. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados mensalmente pela Secretaria de Trabalho, mostram que, em matéria de emprego, foi o melhor novembro dos últimos anos. Mas há um índice contrastante. O número de trabalhadores contratados pela Construção Civil, o mais importante indicador, caiu em novembro, apesar do setor estar voltando a construir imoveis novos.

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P.S. 1 – 
A produção de veículos aumentou 2,3% em 2019, na comparação com o ano anterior. Em compensação, as exportações do setor registraram a maior queda desde 2017, de 31,9% em comparação com 2018.

P.S. 2  Os indicadores se confundem, mostrando que a retomada da economia ainda não é fato consolidado. E o pior é que 2020 é um ano cheio de feriados e de finais de semana prolongados, num país que precisa trabalhar como nunca, em busca do tempo perdido, como recomendava o genial escritor francês Marcel Proust. Mas quem se interessa? Afinal o Carnaval já vem chegando… (C.N.)*

(*) Carlos Newton – Tribuna na Internet