OS CANALHAS UNIDOS JAMAIS SERÃO VENCIDOS: PT, PSDB, PMDB, PSOL, PSL ET CATERVA

Onde é fácil ganhar

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Há um setor da economia (e da política) onde o dinheiro é abundante e fácil. Crie um partido político e, com um pouco de jogo de cintura, vai viver dele por muitos e muitos anos. Muita gente já descobriu a profissão de líder partidário: o Brasil tem hoje 110 partidos, dos quais 33 registrados. Outros 77 já foram fundados e estão com tudo pronto para obter registro no TSE – e não está na lista, porque ainda não preencheu todos os requisitos, a Aliança que vem sendo organizada pela família do presidente Bolsonaro.

É um mar de dinheiro: o Fundo Partidário, em 2019, abasteceu os partidos com R$ 888,4 milhões. Em 2020, fora o Fundo Partidário, os partidos terão direito a R$ 2 bilhões para gastar na campanha eleitoral para prefeitos e vereadores.  E lamba os beiços: os partidos queriam tirar dinheiro da Educação e da Saúde para destiná-lo às suas campanhas – seriam R$ 3,8 bilhões. Houve tantos protestos que Suas Excelências se contentaram com R$ 2 bilhões, como se fossem uma ninharia. É tanto dinheiro que o presidente da República, que se elegeu pelo PSL, preferiu sair do partido e organizar outro, cujo caixa esteja em mãos que considera mais confiáveis.

Há alguns anos, quando as verbas, embora já excessivas, não eram tão fartas, este colunista ouviu um dirigente partidário se queixar “da merreca” que recebia para cuidar da legenda: eram só R$ 100 mil por mês. A legenda jamais cresceu, mas o dirigente vive bem.

 Amigos de fé

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Há muitos anos, na época daquela ditadura militar que hoje dizem que não existiu (mas como doeu!), corria uma piada: quem denunciasse um comunista ganharia um Fusca, quem denunciasse dois comunistas ganharia um Fusca e um apartamento, quem denunciasse três comunistas seria preso, por conhecer comunistas demais. As críticas que se fazem ao presidente Bolsonaro e a seus três filhos por ligação com milicianos não mostraram, até agora, sinais de conluio criminoso – mas não há dúvida de que conhecem grande quantidade de milicianos.

De acordo com a revista Piauí, Flávio Bolsonaro, como deputado estadual, prestou homenagem a 23 policiais, réus ou condenados por diversos crimes (homenageou também outros policiais sem envolvimento com milícias). Um deles é apontado como participante do assassínio da vereadora Marielle Franco. É provável que Flávio não soubesse de nenhum envolvimento estranho de seus amigos – mas a quantidade de milicianos que ele e seus parentes conhecem não deixa de impressionar.*

(*) Coluna Carlos Brickman

VOLTANDO À CAVERNA

O DISCURSO PERIGOSO DO PRESIDENTE

Restará a cada um dos que ainda acreditam em uma democracia liberal o contradiscurso que incite a tolerância, a inclusão, a diversidade e os direitos humanos


“Se ele for eleito presidente como esperado, o ódio e o desejo de violência de Bolsonaro serão institucionalizados no mais alto cargo da quinta maior população do mundo e a maior economia da América Latina. Com esse poder, Bolsonaro poderia desencadear uma violência ainda maior do que a que já aterroriza os brasileiros há anos – ou por ordem direta a seus militares ou seus seguidores, ou inspirando-os com seu discurso perigoso”.

A previsão acima é de Sean Manion, pesquisador do Dangerous Speech Project, que estuda discursos que incitam a violência. O dangerous speech (algo como discurso perigoso) é mais específico do que o chamado discurso de ódio porque nem sempre ele difunde a animosidade contra um grupo; também pode incitar a violência através do medo. Em resumo, é um discurso difundido entre líderes (políticos, espirituais ou culturais) capaz de incitar atos de violência por parte de seus seguidores.

A professora Susan Benesch, da American University, que cunhou o termo dangerous speech, aponta cinco sinais de um discurso é perigoso. O primeiro é sobre o orador: ele é um líder carismático capaz de influenciar pessoas? O segundo é a audiência, se ela é suscetível ou não ao discurso do líder. O terceiro sinal é o contexto social: o público-alvo faz parte de uma sociedade polarizada? O meio de comunicação também importa: se o público só acessa informação através do meio por onde o líder propaga seu discurso maiores as chances de um discurso causar um levante.

Por fim, é preciso analisar a mensagem. Uma característica comum ao discurso perigoso é quando o orador desumaniza o adversário, chamando-o de verme, câncer, ou escória. Outra é a “acusação no espelho”, quando um grupo minoritário é usado como bode expiatório para todos os males que cometem a maioria. Outra tática é difundir o medo de que mulheres e crianças estão sob perigo.

Os estudos da professora Susan Benesch complementam bem a vasta literatura sobre a erosão da democracia liberal: discursos violentos de líderes políticos fazem com que as sociedades diluam a definição de desvio comportamental.

Bolsonaro chama a imprensa de inimiga, defende metralhar adversários políticos, tenta confundir críticas ao seu governo com “torcer contra” o país, insiste na sua neurose da guerra fria de que o Brasil precisa combater inimigos internos e agora encampa a criação de um novo partido galgado na tríada “Deus, Pátria e Família”, uma cópia do integralismo, o movimento fascista brasileiro. Mais de uma vez, sugeriu a adversários seus (como fiscais ambientais e a “petralhada”) a irem “à ponta da praia”, conhecido local de execução da ditadura militar no Rio de Janeiro.

Não por menos garimpeiros ilegais invadem terras protegidas e policiais matam crianças a caminho da escola sem medo de serem punidos. O ataque com coquetéis molotov à produtora Porta dos Fundos, no Rio de Janeiro – cuja autoria foi reivindicada justamente por um grupo integralista – é mais um capítulo do discurso se materializando em atos reais.

Ainda segundo a professora Benesch, o remédio para o discurso perigoso está no contradiscurso. O Museu do Holocausto tem, inclusive, um “manual para neutralizar o ódio”. Lá, há exemplos como o “Eu sou Karachi”, iniciativa de designers paquistaneses para cobrir muros pichados com mensagens de ódio com pinturas agregadoras. No Quênia, o projeto Sisi Ni Amani (Nós somos Paz) disparou milhares de mensagens de texto durante as eleições de 2013 dando lições de civilidade e alertando para o custo da violência.

Antes de Bolsonaro ser eleito, alguns acreditavam que viria do ministro da Justiça o contrapeso aos delírios palacianos. Já está mais do que provado que o ministro obedece fielmente ao chefe que por tantas vezes o desabonou. Bolsonaro não repudiará o ataque ao Porta dos Fundos. Se Moro o fizer será tarde. Restará a cada um dos que ainda acreditam em uma democracia liberal – ao contrário dos integralistas – o contradiscurso cotidiano que incite a tolerância, a inclusão, a diversidade, o desenvolvimento sustentável, a liberdade de imprensa e os direitos humanos.*

(*) CAROL PIRES, NA REVISTA ÉPOCA
É jornalista e roteirista. Passou pelas redações do Estadão e da revista piauí e hoje escreve para a seção de opinião do The New York Times en Español. É mestre em estudos latinoamericanos pela Columbia University.

…E O BRASIL, SERÁ?

O mundo é redondo

O Brasil precisa de uma política de comércio exterior que aumente a complexidade da nossa economia


Em 12 de abril de 1961, a bordo da Vostok 1, Yuri Gagarin se tornou o primeiro homem a ser lançado no espaço. A nave media apenas 4,4 metros de comprimento por 2,4 m de diâmetro, e pesava 4.725 quilos, com dois módulos, um para acomodar os equipamentos e tanque de combustível, o outro era a cápsula onde o cosmonauta realizou a proeza de ser o primeiro ser humano a ver que o nosso planeta é redondo: “A Terra é azul! Como é maravilhosa. Ela é incrível!”, exclamou Gagarin, durante a única volta que deu em órbita. Aos 27 anos, ele fora selecionado entre 19 pilotos submetidos a testes físicos e psicológicos rigorosíssimos. Tinha somente 1,57 m de altura e pesava 69 kg, ou seja, seu porte físico acabou sendo um diferencial para a seleção, como acontece com submarinistas e jóqueis.

Quando entrou na nave, fez um comentário como se fosse o último: “Em poucos minutos, possivelmente uma nave espacial irá me levar para o espaço sideral. O que posso dizer sobre estes últimos minutos? Toda a minha vida parece se condensar neste momento único e belo. Tudo o que eu fiz e vivi foi para isso!”. Naquele mesmo ano, ainda criança, levado por minha mãe ao Monumento dos Pracinhas, no Rio de Janeiro, tive oportunidade de ver Gagarin. A imagem que trago na memória não é a do seu porte físico, é a da multidão e não a do seu sorriso cativante, que aparece em todas as fotos, classificado pelo poeta russo Evguêni Evtuchenko (1932- 2017) como o mais bonito do mundo.

Isso é conversa de comunista, dirão os terraplanistas, numa dupla demonstração de ignorância: Evtuchenko e o então presidente da Rússia, Boris Yeltsin, lideraram os protestos que resultaram no fim da União Soviética e do chamado “socialismo real” no Leste Europeu. “Não morra antes de morrer”, seu livro em prosa publicado no Brasil pela Record, em 1999, relata a crise que levou ao colapso o sistema soviético, depois do sequestro de Mikhail Gorbatchov pelos militares, que tentaram dar um golpe de Estado contra a perestroica. Foi um tiro pela culatra. Seu poema Babi Yar, nome de um desfiladeiro nas imediações de Kiev, que relata o massacre de 35 mil judeus pelos nazistas, em setembro de 1941, serviu de inspiração para a 13ª Sinfonia de Chostakóvitch, cuja força lírica também foi uma crítica ao antissemitismo soviético.

O voo de Gagarin durou exatos 108 minutos, a uma altura de 315 km a partir da superfície, em uma velocidade de 28 mil km/h. O cosmonauta manteve contato com a Terra por rádio e telégrafo. Na volta ao planeta, os cientistas soviéticos erraram o cálculo da trajetória de aterrissagem da nave, fazendo com que Gagarin caísse no Cazaquistão – a mais de 320 km do local previsto. Depois da aterrissagem, sozinho, precisou esperar que a equipe o resgatasse. O erro acabou sendo mais uma prova do sucesso pleno da primeira missão espacial humana.

Complexidade

Lembrei-me de Gagarin por causa de um vídeo do físico norte-americano Carl Sagan que circulou nas redes às vésperas do ano novo, numa dessas recidivas virais da internet, pois trata-se de um programa de tevê de 1980, de divulgação científica, intitulado Cosmos. O físico morreu em 1996, aos 62 anos. Nele, explica como alguns gregos antigos já haviam descoberto, através da simples observação, que a Terra é uma esfera. Eratóstenes, um estudioso grego, que dirigiu a famosa Biblioteca de Alexandria, viveu entre os anos de 276 a.C. e 195 a.C. Utilizando apenas “varas, olhos, pés, cérebro e o prazer de experimentar”, observou a sombra de duas colunas, uma colocada em Siena e outra em Alexandria, ambas no Egito.

Ele notou que em Siena, no dia do solstício de verão, ao meio dia, o Sol ficava em seu ponto mais alto e a coluna lá instalada não projetava nenhuma sombra. Diferente daquela de Alexandria, que produzia uma pequena mancha no chão. Sagan explica então que, se a Terra fosse achatada, ambas estruturas produziriam sombras iguais. Mas como o planeta é esférico, o sombreamento varia. Sagan mostra como o estudioso descobriu a angulagem entre as duas colunas a partir de suas sombras. O valor aproximado foi de sete graus. Com esse valor em mãos, o matemático fez um cálculo de equivalência, já que sabia a distância entre as duas cidades: quase 800 quilômetros. Fazendo as contas, ele chegou à medida de 40 mil quilômetros como a circunferência do planeta. Errou por iia PH vezes menor do que o erro de cálculo sobre o local de aterrissagem de Gagarin.

Ontem, ao se despedir como comentarista da Folha de São Paulo, o historiador Luiz Felipe de Alencastro, professor da Universidade de Paris – Sorbonne e da Fundação Getúlio Vargas, chamava a atenção para a força gravitacional da economia chinesa sobre os eixos de logística e territoriais brasileiros. Ao reduzir de 48 para 35 dias a viagem entre os portos do nordeste da China e Roterdã, a navegação comercial entre a Europa e o Extremo Oriente pelo oceano Ártico, iniciada em 2013, levou à modernização do Canal de Suez (2015) e do Canal do Panamá (2016). Por essa razão, as exportações pelos estados setentrionais do Brasil tendem a crescer regularmente, sobretudo quando for concluída a ferrovia norte-sul e o chamado Arco Norte, incluindo porto fluviais e marítimos da Bahia, Pernambuco, Maranhão e Amazonas.

“Pela primeira vez, desde a criação do Estado do Grão Pará e Maranhão, concebido em 1621 como entidade autônoma da América Portuguesa, no contexto da política filipina envolvendo as quatro partes do mundo, o comércio externo, e essencialmente o comércio marítimo, rearticula a geografia econômica da totalidade do território nacional”, destaca Alencastro. Detalhe: desde a circunavegação do globo por Fernão de Magalhães, já se comprovara que a terra é redonda e interligada pelos oceanos. Há duas consequências práticas do deslocamento do eixo do nosso comércio do Ocidente para o Oriente: primeiro, a relação comercial do Brasil com a China, que já é o nosso principal parceiro comercial, aumentará ainda mais de importância; segundo, como resultado, pode haver mais apreciação do câmbio, aumento das importações de bens industriais e desindustrialização. Ou seja, o Brasil precisa de uma política de comércio exterior que aumente a complexidade da nossa economia, isto é, a diversidade e a sofisticação da estrutura produtiva brasileira.*

(*) Luiz Carlos Azedo – Correio Braziliense

TIROTEIO NA ZONA

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Ao sancionar a nova Lei Anticrime, o presidente Jair Bolsonaro aplicou 25 vetos, mas deixou passar a criação do juiz de garantias, uma emenda do deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) que divide os processos penais entre dois magistrados: um para instrução, outro para julgamento.

Ainda é incerto se, ainda dependente de regulamentação pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a nova lei beneficiará o senador Flávio Bolsonaro na investigação do caso Queiroz. É certo, contudo, que se choca contra a posição do ministro Sérgio Moro e foi, por isso, vista como afronta dos congressistas à turma da Operação Lava Jato.

O conflito latente entre Moro e Bolsonaro (leia mais aqui e aqui) se desenha como embate político mais importante para 2020 e para os anos seguintes. A reeleição de Bolsonaro em 2022 é, como escrevi ontem, o cenário mais provável, mantida a atual correlação de forças políticas. Com Moro na disputa, a situação pode mudar.

Mais popular político da Esplanada, ele é o nome no campo governista com maior cacife para desafiar Bolsonaro na corrida eleitoral. O sentido da sanção ao juiz de garantias vai, portanto, além da tentativa de facilitar a vida de Flávio na Justiça. Esboça os sinais de uma rachadura que, se aberta, poderá redesenhar o panorama eleitoral.

A figura do juiz de instrução existe em países como França ou Itália, onde ele autoriza operações de busca e apreensão, escutas telefônicas e intima as testemunhas necessárias para a coleta de provas durante investigações. Não julga se réus são culpados ou inocentes.

O risco de misturar as duas funções do juiz ficou evidente quando vieram à tona as mensagens que demonstraram a relação próxima entre Moro e os procuradores da Lava Jato. Comunicações que poderiam ser aceitáveis caso seu papel se limitasse à instrução do processo puseram em xeque sua imparcialidade como julgador.

Quem argumenta contra o juiz de garantias aponta dificuldades práticas (a nova lei nem toca no assunto) e a falta de cabimento de ampliar ainda mais os quadros de um Judiciário já caríssimo.

Tais dificuldades foram apontadas pelo próprio Moro de modo velado em suas manifestações sobre a Lei Anticrime, cujas feições finais ficaram bem distantes do texto inicialmente enviado ao Congresso. Mesmo assim, seria um exagero considerar a nova lei uma derrota dele.

Moro já pode reivindicar a paternidade política da principal mudança na legislação penal brasileira desde a Constituição de 1988, com penas mais duras e mudanças há muito exigidas por uma sociedade farta da leniência com corruptos e criminosos.

No discurso, Moro tem evitado falar em candidatura e se mantém fiel ao chefe. Bolsonaro, em contrapartida, não se furtou a desdenhar o assunto numa transmissão de vídeo recente. Enquanto Bolsonaro cutuca Moro, Moro espera o tempo passar.

Ainda não é o momento de uma ruptura explícita. Esperar o resultado das eleições municipais, que testarão a extensão real do bolsonarismo, parece mais sábio. Se Bolsonaro sair das urnas como força imbatível – algo improvável diante de seus índices de popularidade –, Moro preserva espaço para o recuo.

Se, em contrapartida, sair menor que em 2018, Moro não terá dificuldade em se apresentar como alternativa natural para o eleitorado antipetista. Sua popularidade permanece intacta, mesmo depois da exposição a que foi submetido pelas mensagens da Lava Jato.

A principal dúvida é se terá tempo para montar sua rede de articulação regional e de se distanciar de Bolsonaro o bastante para desafiá-lo com credibilidade. Seria mais seguro, embora menos confortável, se sua candidatura já começasse a ser articulada nos bastidores.

Tudo dependerá, evidentemente, da vontade do próprio Moro. Se quiser mesmo ser candidato, 2020 é o ano em que precisará agir como aquele personagem da anedota e trocar de meias sem tirar os sapatos.*

(*) Helio Gurovitz – G1

A ERA DA BOÇALIDADE

Bolsonaro diz que livros didáticos têm ‘muita coisa escrita’ e pede estilo mais ‘suave’

Presidente diz que materiais escolares devem ter bandeira do Brasil e hino nacional a partir de 2021

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BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira, 3, que a partir de 2021 os livros didáticos distribuídos às escolas terão a bandeira do Brasil na capa, hino nacional e um estilo mais “suave”, pois, para ele, há “muita coisa escrita” nas publicações atuais.

“Os livros hoje em dia, como regra, é um montão, um amontoado… Muita coisa escrita, tem que suavizar aquilo”, afirmou Bolsonaro pela manhã em frente ao Palácio da Alvorada.

O presidente ainda repetiu críticas à educação brasileira e ao educador Paulo Freire, tido como um dos principais pensadores da história da pedagogia mundial. “Tenho de buscar meios para tirar 12 milhões, 13 milhões do desemprego no Brasil. Diminuir a pobreza. Consertar esse sistema educacional lixo que está aí, baseado em Paulo Freire”, disse o presidente, sendo aplaudido por seus apoiadores.

Bolsonaro afirmou defender “ensino que vá ser útil” e sem “essa historinha de ideologia de gênero”.

“Os idiotas achando que vão definir o sexo (da criança) até os 12 anos. Tem livros que vamos ser obrigados a distribuir esse ano ainda, levando-se em conta a sua feitura em anos anteriores. Tem que seguir a lei. Em 2021, todos os livros serão nossos. Feitos por nós. Os pais vão vibrar. Vai estar lá a bandeira do Brasil na capa, vai ter lá o hino nacional”, declarou.

Ao criticar o resultado do Brasil na prova do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), Bolsonaro disse que os alunos não sabem realizar cálculo simples, como “regra de três”. Ele também declarou que a esquerda “plantou” militância nas escolas e que o Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, tem meninos de saia e o MST “lá dentro”.

“O que a esquerda plantou na educação? Plantou militância. Tanto é que o pessoal vota no PT e no PSOL. Chegou ao cúmulo de acabar com uma escola como o Colégio Pedro II, no Rio. Acabaram com o Pedro II. Menino de saia, MST lá dentro. E outras coisas mais que não quero falar aqui”, disse. *

(*) Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

POBRE PAÍS!

Incertas e não sabidas

Eleições municipais de 2020 encontram velhos e novos partidos em maus lençóis

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Atenção: vencer ou perder as eleições municipais não significa, pelo menos não necessariamente, vencer ou perder as eleições presidenciais dois anos depois. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. As votações nos municípios confirmam a força ou a fraqueza de partidos e candidatos naquele momento, mas as projeções para as urnas nacionais dependem de vários fatos e fatores atrelados à dinâmica do País e da política.

Um exemplo recente: o PT foi fragorosamente derrotado nas eleições municipais de 2016, quando perdeu em todas as capitais, exceto uma, Rio Branco, no Acre. Detalhe: com a desincompatibilização do prefeito Marcos Alexandre, para disputar o governo estadual (aliás, sem sucesso), o partido ficou sem nenhuma das 26 capitais e nenhuma das cidades com mais de 200 mil eleitores.

E o que aconteceu com o partido de Lula em 2018, dois anos depois? Ultrapassou todos os demais partidos e empurrou Fernando Haddad para o segundo turno contra Jair Bolsonaro, do até então inexpressivo PSL. Perdeu no final, mas mostrou que está vivo.

Isso não significa que as eleições municipais não sejam importantes. Claro que são, e não só porque se trata da escolha de prefeitos e vereadores que vão definir os rumos das nossas cidades, onde, afinal das contas, as pessoas moram. É importante também para organizar o tabuleiro partidário, testar a imagem de siglas e líderes, desenhar as articulações e alianças nacionais.

As eleições deste ano têm uma característica muito peculiar, porque encontram um quadro político e partidário confuso e completamente desorganizado. Logo, novo, imprevisível.

Os partidos tradicionais parecem baratas tontas. O MDB, dono do maior número de prefeituras no País, enfrenta dramas éticos e falta de liderança: o ex-presidente Michel Temer é investigado, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha caiu, foi cassado e está preso, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral foi condenado a mais de 200 anos. Sem disputar a Presidência, ora pendurado no PSDB, ora no PT, o partido depende desesperadamente de bases municipais e estaduais.

O PSDB, que foi um sucesso em 2016 e domina o maior número de grandes cidades, acaba de sair de um desastre eleitoral: Geraldo Alckmin teve em 2018 o pior desempenho do partido numa disputa presidencial e os principais líderes tucanos no Congresso naufragaram nas urnas. Restou uma crise existencial: o que é o PSDB? Pior: quem é o PSDB?

O PT… bem… depois de construir sua história em cima da ética, o partido foi atingido em cheio pela Lava Jato, que levou à prisão o próprio Lula, seus ex-presidentes e ex-tesoureiros. Além de ter de responder pelo fracasso de Dilma Rousseff na Presidência. Mas o PT continua visceralmente dependente de Lula, que não aponta para o futuro, e ainda reelegeu uma presidente, Gleisi Hoffmann, capaz de defender o regime macabro de Nicolás Maduro e de brincar de Foro de São Paulo em Cuba, a esta altura da vida e dos acontecimentos.

Se as velhas siglas estão em maus lençóis, o que dizer das novas? O partido do presidente, qualquer presidente, sempre sai na frente e em vantagem em eleições municipais e em processos de reeleição. Já o Aliança, de Bolsonaro, tem uma corrida de obstáculos, a começar da criação da própria sigla. Até lá, é uma incógnita, na dependência de templos, escolas – e quartéis?

E o PSL, que surfou na onda Bolsonaro e conquistou a segunda bancada da Câmara com neófitos da polícia, da área militar, da Justiça, do Ministério Público? Esqueçam. Foi um meteoro que passou. Se tiver um papel na eleição, será o de azucrinar o Aliança, o presidente e seus seguidores. Uma guerra, aliás, nada santa.*

(*) Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

A VELHA ‘GALINHA VERDE”

Com a volta do Integralismo, a extrema direita tenta sobreviver como doutrina nacional

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No espaço que brilhantemente ocupa em O Globo, Luis Fernando Veríssimo focaliza etapas históricas do Integralismo, que tenta sobreviver através de esforço para representar a radical extrema direita. Parte dos fatos, como a existência de uma organização que assim se denomina, mas tal associação não assumiu o ataque ao estúdio da produtora Porta dos Fundos.

Em seu artigo, Luis Fernando Veríssimo acentua que muita gente se espantou ao saber que o Integralismo ainda existe.

CÓPIA DO FASCISMO – O movimento surgiu dos anos 20 para a década de 30 como uma facção fascista. Apoiou o ato de Vargas em novembro de 37 quando rasgou a Constituição de 34 e implantou uma ditadura chamada Estado Novo que viveu de 37 a 1945.

Plínio Salgado era o líder integralista, cópia do Fascismo de Mussolini e do Nazismo de Hittler. Em 38 organizou um desfile em frente ao Palácio Guanabara a que esteve presente Vargas. Os integralistas reivindicavam o Ministério da Educação para Salgado. Não sendo atendido, desfechou ataque armado ao Palácio Guanabara com a intenção de matar Getúlio Vargas. O atentado fracassou e Plínio Salgado conseguiu fugir e obter asilo em Portugal. Os principais dirigentes do movimento foram presos.

AUTONOSTALGIA – Mas Veríssimo afirma que há no Brasil um fenômeno que qualifica como nostalgia de si mesmo e que abriga correntes de opinião e figuras políticas. E Indaga qual a faixa de pensamento que esse movimento ocupa. Na minha opinião, ocupava algo em torno de 10% da opinião pública, de acordo com o resultado das eleições presidenciais de 1955. Foi esse percentual de votos que Plínio Salgado obteve na legenda que criou o PRP, partido de representação popular. As urnas revelaram os resultados: Juscelino Kubitschek, 33%; Juarez Távora, 27%; Adhemar de Barros, 20%, num cenário que se completa com 10% de votos brancos e nulos.

ESTACIONÁRIOS – Acredito que o pensamento integralista e discricionário permanece na escala dos 10%. Mas existe um fato curioso em torno dessa identificação. Há correntes de pensamento integralista que não têm noção da posição que verdadeiramente ocupam. São os fanáticos da extrema direita que acham que os desafios sociais possam ser resolvidos pela força, o que representa um desastre total na vida contemporânea, porque não somente no Brasil, como também em vários países já surgiram, além de extremistas, os que se nomeiam tragicamente de neonazistas.

O radicalismo é uma catástrofe. Procura sempre resolver os problemas pela força bruta e também armada. Mas é um enigma seu ressurgimento, porque, como dizia Santiago Dantas, tal posição ideológica foi derrotada totalmente no final da Segunda Guerra Mundial. Portanto, para se explicar a sobrevivência do Integralismo, só podemos considerar como causas o fanatismo e a intolerância.*

(*) Pedro do Coutto – Tribuna na Internet