A ERA DA BOÇALIDADE

E no entanto é preciso cantar


Estamos quase no Carnaval – e a tristeza que a gente vê não dá sinais de acabar. Um cavalheiro se defende numa CPMI insultando uma repórter de prestígio – e só agiu desse jeito porque achou fácil ofender uma mulher. E o pior vem em seguida: o presidente da República com piadinhas de duplo sentido, também atacando a repórter como mulher. Janaína Pascoal, que é do partido de Bolsonaro e deputada mais votada do país, acusou-o de “inegável grosseria”. Janaína foi uma das proponentes do impeachment de Dilma. Outro, o jurista Miguel Reale Jr., foi mais fundo: acha que, por ferir o decoro, Bolsonaro já está sujeito a impeachment. O tal River do Rio ofender, Sua Excelência brincar com o tema, e há ainda pior: a militância bolsonarista mobilizada para também ofender a repórter. Como diz Janaína, bolsonaristas são petistas com sinal trocado. Lula preso, Lula livre, e quem pacifica o país?

Na clássica Marcha da Quarta-Feira de Cinzas, Vinícius de Moraes e Carlos Lyra lembram que é preciso cantar – e não se limitar a xingar – para alegrar a cidade. Com gente “que nem se sorri, se beija ou se abraça”, como se vai fazer um país? Um presidente que se propõe a ser “conservador nos costumes” se dá ao desfrute de ofender mulheres, só porque mulheres são? E, nos intervalos, fazer brincadeiras de cunho sexual com pessoas orientais?

Lula também gosta dessas brincadeiras – como a que fez com sua mais fiel seguidora, Clara Ant. Decoro, senhores! Há crianças e senhoras na sala.*

(*) Coluna Carlos Brickmann