ESSE É FILHO DE CHOCADEIRA

O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, afirmou em reunião ministerial de 22 de abril que 45 funcionários do banco havia sido infectados por covid-19, sendo que dois morreram em decorrência da doença. Ele explica, no encontro, que considera o número baixo, no quadro de 30 mil funcionários no país, diz que os servidores precisam trabalhar presencialmente para atender a população, com o pagamento do auxílio-emergencial, e chama a prática de “home office” de “frescurada”.

Guimarães diz que, se a imprensa descobrir sobre as mortes de funcionários, vai criticar o governo. Um dos óbitos, diz o presidente, foi de um servidor aposentado. “É, uma pessoa [morta, da ativa] em trinta mil que estão o dia inteiro [trabalhando nas agências]. “Então assim, eu acho que a gente tá numa questão de histeria coletiva. Quer dizer, eu posso ter trinta mil funcionários na Caixa, pagando sete milhões hoje. Então o que a imprensa quer? Que você pague e dane-se os funcionários da Caixa. Mas se morrer dois, Jornal Nacional: ‘Presidente Bolsonaro e presidente Pedro irresponsáveis porque abriram’. A gente só vai levar porrada.

“O presidente da Caixa cita ainda um pedido de “dinheiro” de uma empresa à Caixa e conta ter pressionado o interlocutor a voltar com o trabalho presencial para que a verba fosse liberada. Guimarães diz ter respondido: “‘Olha vocês tão em casa? Eu tenho trinta mil funcionário na rua. Não tem esse negócio, essa frescurada de home office. Eu já visitei quinze agências, e você em casa?’. Que porcaria é essa?”*

(*) Carolina Freitas, Valor — São Paulo