UNS LAVAM OUTROS PASSAM

Contra lavagem de dinheiro, UE tirou de circulação nota com alto valor

A decisão de ter notas de papel-moeda com valores maiores foi rejeitada recentemente pela União Europeia. No ano passado, Alemanha e Áustria tiraram de circulação a nota de 500 euros. Eram os últimos países a ter uma cédula com valor tão alto. A decisão foi tomada em 2016 pelo Conselho do Banco Central Europeu.

Um dos motivos é que cédulas tão altas facilitam “operações desonestas”, como apontou o então ministro das Finanças francês, Michel Sapin. Dentre os crimes que seriam mais combatidos sem a nota alta estão a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo, de acordo com Luis de Guindos, que ocupava o cargo de ministro espanhol das Finanças.

Em terras tupiniquins, o Banco Central anunciou que colocará em circulação uma nota no valor de R$ 200. O motivo alegado pela diretora de Administração do Banco Central, Carolina de Assis Barros, seria a “demanda” da população por mais meios circulantes. Por causa da pandemia, as pessoas estariam atrás de mais cédulas, o que provocou um aumento na demanda das casas impressoras.*

(*) Gustavo Zucchi – Estadão

Ô COITADO!

Justiça aceita denúncia e Serra vira réu sob acusação de lavagem de dinheiro

Ex-governador foi denunciado pela força-tarefa da Lava Jato do Ministério Público Federal em São Paulo

 

lava jato | Humor Político – Rir pra não chorar

O senador e ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) se tornou réu na Justiça Federal sob acusação de lavagem de dinheiro transnacional. A filha do tucano, Verônica, também se tornou ré.

O juiz Diego Paes Moreira aceitou nesta quarta-feira (29) a denúncia da força-tarefa da Lava Jato do Ministério Público Federal em São Paulo que acusa o senador tucano. O processo está sob sigilo.

Ele foi denunciado no último dia 3, quando também virou alvo da Operação Revoada, que fez busca e apreensão em sua residência.

Em 2018, o Supremo Tribunal Federal decidiu que crimes atribuídos ao tucano cometidos até 2010 estavam prescritos. No entanto, ao descrever suas investigações, os procuradores apontam que houve movimentações financeiras suspeitas no exterior ligadas ao tucano até 2014.

De acordo com a denúncia, as irregularidades começaram nos anos de 2006 e 2007. Serra, diz o Ministério Público Federal, “valeu-se de seu cargo e de sua influência política para receber, da Odebrecht, pagamentos indevidos em troca de benefícios relacionados às obras do Rodoanel Sul”.

“Milhões de reais foram pagos pela empreiteira por meio de uma sofisticada rede de offshores no exterior, para que o real beneficiário dos valores não fosse detectado pelos órgãos de controle.”*

(*) José Marques
SÃO PAULO – Folha de SP

 

A PROPÓSITO

O ministro Dias Toffoli, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou hoje a suspensão das duas investigações contra o senador José Serra (PSDB-SP). Ele acatou um pedido da defesa do tucano, para quem as operações Paralelo 23 e Revoada, violam o foro especial ao investigar o senador durante seu mandato. (UOL)

CHUPA, DIAS GOMES!

Deu a louca no Brasil

Nem o realismo mágico de García Márquez explica tantas situações absurdas e inverossímeis

Nem os surrealistas acreditariam | Humor Político – Rir pra não chorar

A realidade é mágica. Não invento nada. Não há uma só linha nos meus livros que não seja realidade. Não tenho imaginação.” A confissão de Gabriel García Márquez jamais esteve tão visível e palpável como hoje no país das emas, das quase 90 mil mortes por Covid-19 e dos quatro milhões de comprimidos de cloroquina estocados.

Na semana passada, um grupo de baloeiros armados invadiu o aeroporto Tom Jobim para resgatar um balão com 18 metros de altura que havia caído na pista e por pouco não provocara um acidente gigantesco. Os criminosos trocaram tiros com a polícia e fugiram num barco. Havia uma recompensa de R$ 5 mil para quem recuperasse o artefato de papel de seda, cangalha e boca de ferro e fogo. Nem Rubem Fonseca, que escreveu um conto criminal intitulado “O Balão Fantasma”, tinha ido tão longe.

Para explicar a enfiada de situações absurdas e inverossímeis em que a sociedade está mergulhada, alguém bolou uma frase que desde 2016, ano do impeachment de Dilma, passeia nas redes sociais: “O roteirista do Brasil devia ser demitido”. Pensando melhor, ele devia ganhar em dobro, por entender como ninguém as mazelas do público a que se dirige.

Além de exagerado e sem graça, o roteirista apela para surrados clichês. A carteirada do desembargador, com direito a falar francês, chamar o guarda de analfabeto e rasgar a multa por não usar máscara, é um método de humilhação estabelecido há 500 anos.

Contudo, o ponto alto do blockbuster “Deu a Louca no Brasil” é a dramatização da pós-verdade. Na trama, um celerado que ocupa a Presidência, e se disse contaminado pelo coronavírus, levanta uma caixa de cloroquina para adoração de apoiadores. Em outra cena, oferece o remédio que não tem eficácia no tratamento da Covid para as emas do Palácio da Alvorada. Salvem as emas enquanto é tempo, porque a população morre no fim do filme.

(*) Alvaro Costa e Silva – Folha de SP

NÃO SEI DE ONDE BOZO TIRA SUAS IDEIAS

Twitter suspende conta de filho de Trump após post sobre hidroxicloroquina

Donald Trump Jr. postou vídeo contra uso de máscaras e em defesa da droga como cura para Covid-19

O Twitter informou nesta terça-feira (28) que limitou por 12 horas o acesso de Donald Trump Jr. à sua conta na plataforma após um post que viola a política de desinformação do site contra a Covid-19.

O filho mais velho do presidente dos EUA postou na segunda-feira à noite um vídeo em que um grupo de médicos divulga informações enganosas sobre a pandemia, criticando a recomendação do uso de máscaras e afirmando que já há cura para a Covid-19 —a hidroxicloroquina seria uma das opções.

O conteúdo foi apagado pela mídia social por ir contra as regras de desinformação a respeito da doença, e Trump Jr. teve seu acesso a algumas funções da plataforma limitado pelo período de 12 horas. (…) *

(*) Agência Reuters

E OS COTURNOS O QUE DIRÃO?

Barroso diz que Supremo evitou “genocídio” ao derrubar atos do governo Bolsonaro contra isolamento

“Num momento em que se recomendava o isolamento social, a política pública de convocação das pessoas ao trabalho e às ruas poderia produzir um genocídio, sobretudo nas comunidades pobres”, disse o ministro do STF.

O ministro do Supremo e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso, disse nesta segunda-feira que o STF evitou um “genocídio” ao derrubar algumas medidas do governo Jair Bolsonaro durante a pandemia.

Ele é o segundo ministro do STF que de alguma forma associa a palavra genocídio à administração pública: o primeiro deles foi Gilmar Mendes, ao criticar a militarização do ministério da Saúde.

Nesta tarde, Barroso citou algumas das matérias discutidas pelo Supremo, destacando a que impediu a veiculação de uma campanha do governo intitulada “O Brasil Não Pode Parar”, que convocaria pessoas a voltarem às ruas e ao trabalho num momento em que o isolamento social era medida indicada por autoridades de Saúde.

“Num momento em que se recomendava o isolamento social, a política pública de convocação das pessoas ao trabalho e às ruas poderia produzir um genocídio, sobretudo nas comunidades pobres. E por tanto, em nome do direito à vida, e do direto à saúde, o Supremo impediu a difusão dessa campanha”, disse Barroso.

Ele também falou sobre outras decisões da corte, como a que deu autonomia aos municípios para decidir sobre o fechamento de comércios, indo contra interesses do governo Federal, bem como a que obrigou o Ministério da Saúde a seguir divulgando o número de casos e mortes no Brasil quando a pasta tentava esconder tais dados.

A fala de Barroso foi feita em seminário on-line realizado pela Ordem dos Advogados do Brasil.

Durante sua palestra, o ministro chegou a embargar a voz ao dizer que a pandemia revelou grotões de extrema pobreza no Brasil, onde não há saneamento básico e praticamente nenhuma presença do poder público.

De acordo com ele, o Estado precisa olhar com mais atenção para questões sociais e não ter como foco principal o liberalismo econômico.

Ele também fez uma cobrança à parcela mais rica da população para que doem recursos, pedindo um estimulo à filantropia.

“O Brasil têm ricos o suficiente para ter mais filantropia, com gente doando dinheiro que não precisa para fazer os outros viverem melhor”, pontuou.*

(*) Severino Motta
Repórter do BuzzFeed News, Brasil

BANDIDOS UNIDOS JAMAIS SERÃO VENCIDOS

Como o pacote anticrime livrou investigados da prisão em ação da PF

Operação contra fraude em fundos de previdência municipais ficou mais de oito meses na geladeira até ser deflagrada

passou, inevitavelmente, por Thomas

Por motivos desconhecidos, a operação ficou na geladeira até este mês. Nesse período parada, o Congresso aprovou o pacote anticrime de Sergio Moro e redefiniu critérios para a decretação de prisões preventivas. Como os investigadores deixaram o prazo de validade das preventivas expirar, um juiz do TRF da 1ª Região reanalisou os pedidos já sob a nova lei. Ueslei Marcelino/Reuters
Há duas semanas, a Polícia Federal colocou na rua uma grande operação para cumprir 71 mandados de busca em cinco estados do país contra um esquema de fraudes em 65 institutos de previdência municipais que desviou cerca de 500 milhões de reais dos cofres desses fundos públicos.

A operação não chamou tanta atenção do noticiário, mas a decisão do juiz que autorizou as buscas revelou curiosidades no caso.

Os mandados cumpridos em julho haviam sido deferidos pela Justiça em 29 de outubro de 2019 pelo juiz Marcelo Elias Vieira, da 2ª Vara Federal de Ji-Paraná. Na ocasião, o juiz autorizou a prisão preventiva de 12 investigados, além das 71 buscas, e estipulou um prazo de validade de 120 dias para a realização da ação.

Por motivos desconhecidos, a operação ficou na geladeira até este mês. Nesse período parada, o Congresso aprovou o pacote anticrime de Sergio Moro e redefiniu critérios para a decretação de prisões preventivas. Como os investigadores deixaram o prazo de validade das preventivas expirar, um juiz do TRF da 1ª Região reanalisou os pedidos já sob a nova lei.

Em 5 de março, o juiz federal Nelson Pitanga, citando o pacote anticrime, para sorte dos investigados, entendeu que as ordens de prisão preventiva já não eram mais aplicáveis. Foram cumpridos então apenas as buscas, mais de oito meses depois do primeiro pedido de prisão.

As preventivas foram solicitadas “com finalidade de impedir a continuidade da prática criminosa e a colheita de provas” dos crimes. O juiz citou a aprovação do pacote anticrime que obrigou magistrados a “observar na decretação da prisão preventiva: ‘perigo gerado pelo estado de liberdade do imputado’, além da prova da existência do crime e indício suficiente de autoria”. Resultado, nada feito.

Sorte dos investigados.*

(*) Por Robson Bonin – coluna Radar – veja.com

 

AOS AMIGOS, TUDO; AOS INIMIGOS, A LEI.

Rosa é Rosa, Toffoli é Toffoli

 

Das hienas ao óleo, faça um passeio por 2019 em 19 charges - 14/12 ...

Para evitar questionamentos, a PF informou que foi pedida autorização ao STF antes de a corporação executar a operação de busca e apreensão no gabinete da deputada federal Rejane Dias, do PT.

Como O Antagonista antecipou hoje de manhã, a ministra Rosa Weber entendeu que, como a operação visava a obter provas de supostos crimes cometidos antes de Rejane assumir o mandato em Brasília, ela poderia ser realizada.

Na semana passada, Dias Toffoli foi acionado no plantão pelos advogados do Senado e impediu que a PF revistasse o gabinete de José Serra por ordem de um juiz de primeira instância da Justiça Eleitoral, embora os supostos crimes do tucano tenham sido cometidos antes de ele assumir o cargo de senador. Toffoli afirmou que havia risco de ser apreendido material relativo ao mandato atual de Serra, o que feriria o foro privilegiado.

No caso de Paulinho da Força, do Solidariedade, não houve consulta prévia nem apelo posterior ao Supremo, quando o seu gabinete na Câmara foi alvo da PF há duas semanas.

Rosa Weber autorizou a operação antes de Toffoli salvar temporariamente Serra (Gilmar Mendes é que vai decidir se o mandado pode ser cumprido ou não). Mas Rosa é Rosa, Toffoli é Toffoli. E a coisa continuará na base das idiossincrasias de cada excelência, ou das suas preferências, até que o plenário do STF finalmente decida se é permitido realizar operações policiais nas dependências do Congresso por determinação de magistrados de primeira instância.*

(*) O Antagonista