FARINHAS DO MESMO SACO, PODRE

Na conquista do Nordeste, Bolsonaro segue os passos do PT

Se Jair Bolsonaro conseguir aprovar o seu Renda Brasil, ninguém tira o Nordeste dele, aposta o Planalto.

“É prego batido e com ponta virada”, diz um assessor palaciano.

Até 2002, a maior parte do eleitorado da região tendia a votar em candidatos tucanos, enquanto o Sudeste era Lula.

Naquele ano, o da primeira vitória do petista em sua quarta tentativa de chegar à Presidência, os estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo deram a Lula 47% dos votos no segundo turno.

Apenas 25% dos votos vieram da região Nordeste.

Em 2014, no entanto, quando Dilma Rousseff herdou a presidência do padrinho, o percentual de votos nordestinos para o PT havia subido para 37%.

O ponto de inflexão nessa trajetória se deu em 2005, com a eclosão do escândalo do mensalão. Com a escalada das notícias sobre a corrupção no partido, o PT passou a perder eleitores nas regiões Sul e Sudeste – mas compensou a queda com o aumento de eleitores no Nordeste, graças a um conjunto de políticas sociais para a região.

Qualquer semelhança com a trajetória de Jair Bolsonaro não é mera coincidência.

Metade dos votos que elegeu o ex-capitão em 2018 veio do Sudeste; e, proporcionalmente, a maior parte dos seu eleitores veio do Sul. Mas o escândalo Queiroz e o abandono da bandeira da Lava Jato fizeram o presidente perder pontos com a classe média dessas regiões.

Os índices de popularidade de Bolsonaro, porém, pouco se mexeram, graças à distribuição do auxílio emergencial e o aumento de apoiadores no Nordeste.

A continuidade do auxílio emergencial, na forma do programa Renda Brasil, é o que faltava para Bolsonaro repetir a mágica do PT.

Paulo Guedes já topou o escambo: “Dê-me a nova CPMF e eu te darei o Renda Brasil (e a reeleição”).

Quem há de ser contra um programa de complemento de renda para os necessitados neste momento? Não o Congresso, não a oposição.

O PT conquistou o Nordeste e ficou 16 anos no poder.

Bolsonaro sabe disso. E está fazendo direitinho a lição de casa.*

(*) Thaís Oyama
Colunista do UOL