IN MEMORIAM

Mafalda, de Quino, a pequena defensora da liberdade que marcou época

Personagem do cartunista argentino é, até os dias de hoje, um respiro contra a opressão, seja ela qual for

Por Raquel Carneiro – Atualizado em 30 set 2020, 17h48 – Publicado em 30 set 2020, 17h36

Diante de uma enfermeira, Mafalda e seus amigos arregaçam as mangas enquanto a pequena garota de cabelos volumosos pede: “viemos nos vacinar contra o despotismo”. Em outra analogia que envolve saúde e política, a menina coloca na cama um globo terrestre, que estaria enfermo. “Vou checar o noticiário para saber se o paciente está melhor”. Ao que ela retorna com o diagnóstico negativo, e canta uma canção para a versão em miniatura da Terra, pedindo que ela sare hoje ou amanhã.

Tira da personagem Mafalda, do cartunista Quino Livro Toda Mafalda/Reprodução

Ler em 2020 as tiras protagonizadas pela indefectível Mafalda, assinadas por seu criador, o cartunista argentino Quino, entre 1964 e 1973, provoca uma sensação de déjà-vu. Com mais de cinquenta anos, a personagem contestadora marcou época ao ganhar relevância em uma América Latina que observava a avalanche de governos autoritários para se tornar, hoje, um símbolo da história e de erros que não deveriam ser repetidos.

Em outro quadrinho deveras atual, por exemplo, Mafalda acaricia o globo terrestre – personagem comum de muitas de suas histórias – e tenta acalmá-lo, dizendo: “Não se preocupe, neste mesmo momento há milhares de pessoas estudando seus problemas: superpopulação, fome, contaminação, racismo, armamentismo, violência”. Em seguida, ela diz: “Sim, já sei, existem mais ‘problemólogos’ do que ‘solucionólogos’, mas fazer o que?”

Estas tiras podem ser encontradas no livro Toda Mafalda, de 1991, que reúne as reflexões da personagem sob a pena de Quino. Inicialmente, a jovem protagonista observa a chegada dos televisores aos lares argentinos e seu impacto na vida cotidiana; com o tempo se solta e faz comentários irônicos sobre o poderio americano e sua influência sobre Brasil, Argentina e colegas da América do Sul; aconselha a Lua a tomar cuidado com a chegada dos seres humanos; faz trocadilhos jocosos com esquerda e direita, comunismo e capitalismo; e ainda acha tempo para puxar certo empoderamento feminino. Em dezembro, aliás, a editora Martins Fontes lança a coletânea Mafalda Feminino Singular, que reúne tiras com a personagem de afiado tom feminista.

Tira do livro ‘Mafalda Feminino Singular’ Martins Fontes/Divulgação
Tira do livro ‘Mafalda Feminino Singular’ Martins Fontes/Divulgação

Não à toa, Mafalda se mostra uma figura incontornável da história latino-americana. Com a morte de seu criador, nesta quarta-feira, 30, a esperança é que Mafalda, um dia, se resigne ao papel de testemunha ocular da história, e não mais de ativista que, há décadas, repete a mesma mensagem: o direito à liberdade é inegociável.

Por Raquel Carneiro – Atualizado em 30 set 2020, 17h48 – Publicado em 30 set 2020, 17h36
Diante de uma enfermeira, Mafalda e seus amigos arregaçam as mangas enquanto a pequena garota de cabelos volumosos pede: “viemos nos vacinar contra o despotismo”. Em outra analogia que envolve saúde e política, a menina coloca na cama um globo terrestre, que estaria enfermo. “Vou checar o noticiário para saber se o paciente está melhor”. Ao que ela retorna com o diagnóstico negativo, e canta uma canção para a versão em miniatura da Terra, pedindo que ela sare hoje ou amanhã.

Tira da personagem Mafalda, do cartunista Quino Livro Toda Mafalda/Reprodução

Ler em 2020 as tiras protagonizadas pela indefectível Mafalda, assinadas por seu criador, o cartunista argentino Quino, entre 1964 e 1973, provoca uma sensação de déjà-vu. Com mais de cinquenta anos, a personagem contestadora marcou época ao ganhar relevância em uma América Latina que observava a avalanche de governos autoritários para se tornar, hoje, um símbolo da história e de erros que não deveriam ser repetidos.

Em outro quadrinho deveras atual, por exemplo, Mafalda acaricia o globo terrestre – personagem comum de muitas de suas histórias – e tenta acalmá-lo, dizendo: “Não se preocupe, neste mesmo momento há milhares de pessoas estudando seus problemas: superpopulação, fome, contaminação, racismo, armamentismo, violência”. Em seguida, ela diz: “Sim, já sei, existem mais ‘problemólogos’ do que ‘solucionólogos’, mas fazer o que?”

Estas tiras podem ser encontradas no livro Toda Mafalda, de 1991, que reúne as reflexões da personagem sob a pena de Quino. Inicialmente, a jovem protagonista observa a chegada dos televisores aos lares argentinos e seu impacto na vida cotidiana; com o tempo se solta e faz comentários irônicos sobre o poderio americano e sua influência sobre Brasil, Argentina e colegas da América do Sul; aconselha a Lua a tomar cuidado com a chegada dos seres humanos; faz trocadilhos jocosos com esquerda e direita, comunismo e capitalismo; e ainda acha tempo para puxar certo empoderamento feminino. Em dezembro, aliás, a editora Martins Fontes lança a coletânea Mafalda Feminino Singular, que reúne tiras com a personagem de afiado tom feminista.

Tira do livro ‘Mafalda Feminino Singular’ Martins Fontes/Divulgação
Tira do livro ‘Mafalda Feminino Singular’ Martins Fontes/Divulgação

Não à toa, Mafalda se mostra uma figura incontornável da história latino-americana. Com a morte de seu criador, nesta quarta-feira, 30, a esperança é que Mafalda, um dia, se resigne ao papel de testemunha ocular da história, e não mais de ativista que, há décadas, repete a mesma mensagem: o direito à liberdade é inegociável.

SÓ TEM “MOCINHOS” NO NOVO FILME

Justiça aceita denúncia do MPF e Frederick Wassef vira réu por peculato

A decisão é da juíza federal substituta Caroline Vieira Figueiredo. Outras três pessoas envolvidas no caso também foram denunciadas

AJustiça Federal aceitou denúncia do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro contra o advogado Frederick Wassef. A decisão é da juíza federal substituta Caroline Vieira Figueiredo.

A magistrada também aceitou denúncia do MPF oferecida contra Marcia Carina Castelo Branco Zampiron, a advogada Luiza Nagib Eluf, o empresário Marcelo Cazzo e o ex-presidente do Sesc do Rio de Janeiro Orlando Diniz.

Wassef é investigado pelo MPF e pela Polícia Federal por suspeitas de lavagem de dinheiro e peculato. Segundo investigações, o advogado teria recebido, de forma irregular, R$ 2,7 milhões de origem pública.

O montante teria sido obtido por meio de contratos realizados entre o escritório da ex-procuradora Luiza Nagib Eluf e a Fecomércio do Rio de Janeiro, segundo a PF. Ao todo, 26 pessoas, entre elas 23 advogados e o ex-governador do Rio Sérgio Cabral, foram denunciadas.

Frederick Wassef atuou na defesa da família do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) até junho deste ano, quando resolveu se afastar para, segundo ele, não prejudicar o presidente.

A saída de Wassef da defesa dos Bolsonaros ocorreu dias após a prisão de Fabrício Queiroz, investigado por suspeita de “rachadinha” no gabinete de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).*

(*) VICTOR FUZEIRA – METRÓPOLES

TRAGÉDIA SOBRE TRAGÉDIA

Desemprego chega a 13,8% em julho e atinge a maior taxa desde 2012

 

Charge: o desemprego no Brasil atinge níveis altíssimos em meio à crise -  Jota A - Portal O Dia

Em meio à pandemia da covid-19, a taxa de desemprego no Brasil subiu para 13,8% no trimestre encerrado em julho, atingindo 13,13 milhões de pessoas. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (PNAD Contínua), divulgada nesta quarta-feira, 30, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa é a maior taxa de desemprego já registrada pela série histórica, iniciada em 2012.

O número corresponde a um aumento de 1,2 ponto porcentual em relação ao trimestre encerrado em abril (12,6%), e de 2 pontos porcentuais em relação ao mesmo trimestre de 2019 (11,8%).

O período analisado (maio, junho e julho) corresponde aos meses em que o Brasil atingiu as maiores taxas de isolamento social. A analista da pesquisa, Adriana Beringuy, afirma que as quedas no período da pandemia de covid-19 foram determinantes para os recordes negativos deste trimestre encerrado em julho. “Os resultados das últimas cinco divulgações mostram uma retração muito grande na população ocupada. É um acúmulo de perdas que leva a esses patamares negativos”.

Desalentados
EM relação à população desalentada, aquela que não buscaram trabalho, mas que gostariam de conseguir uma vaga, também foi registrado um novo recorde: 5,8 milhões de pessoas vivem nesta situação no País, com alta de 15,3% (mais 771 mil pessoas) em relação ao trimestre encerrado em fevereiro e de 20% (mais 966 mil pessoas) frente ao mesmo trimestre de 2019.*

(*) Equipe BR Político – Estadão

BANDIDOS UNIDOS JAMAIS SERÃO VENCIDOS

Indicado para Supremo tem aval do Centrão e já foi chamado de ‘nosso Kassio’

Em vez de serem julgados, integrantes do bloco agora fazem juízes

Charge do Netto - 19/05/2020

A indicação do desembargador Kassio Nunes Marques para o Supremo Tribunal Federal (STF) está amarrada à expectativa de políticos do Centrão de enterrar a Lava Jato. Chamado de “nosso Kassio” pelo senador Ciro Nogueira (PI), presidente do Progressistas, o ministro que vai ocupar a cadeira de Celso de Mello no Supremo já foi várias vezes elogiado pelo senador.

Há um ano e três meses, por exemplo, Ciro fez até uma previsão de que o magistrado – hoje vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região – chegaria à Corte. “Nosso Kassio é uma figura respeitadíssima no mundo jurídico hoje. Tenho certeza de que vai chegar aos tribunais superiores, ou STJ (Superior Tribunal de Justiça) ou Supremo. É uma figura muito querida e respeitada”, afirmou o senador, em junho de 2019, durante cerimônia para homenagear o desembargador.

O Centrão abriga vários investigados pela Lava Jato, mas o jogo virou: em vez de serem julgados, seus integrantes agora fazem os juízes. Ciro é réu no STF pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia contra ele foi apresentada em fevereiro pela Procuradoria-Geral da República, no âmbito da Lava Jato. O senador sempre negou as acusações.

A exemplo de Ciro, Kassio também é do Piauí e, apesar do perfil discreto, mantém bom relacionamento com o mundo político.

Apesar do burburinho, o presidente Jair Bolsonaro não terceirizou a indicação no Supremo. No Palácio do Planalto, ministros dizem que o nome ungido pelo chefe do Executivo é de “extrema confiança”. De qualquer forma, ao escolher Kassio para o lugar do decano do STF, que vai se aposentar em 13 de outubro, Bolsonaro agradou ao Centrão e contemplou o Nordeste, antigo reduto do PT e região onde sua popularidade tem crescido. No Twitter, Ciro definiu a escolha do presidente como “um gesto de reconhecimento da capacidade do povo do Piauí e de todo o Nordeste”.

No Congresso, o Centrão reúne partidos de centro-direita que se uniram ao PT do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e se aliaram aos bolsonaristas do PSL para implodir a Lava Jato, sob o argumento de que a operação é enviesada e tem objetivos políticos.

Desde 2014, as investigações alvejaram vários deputados e senadores, da esquerda à direita. Os bolsonaristas, porém, só passaram a pregar o fim da Lava Jato após a saída do ex-juiz Sérgio Moro do Ministério da Justiça. Moro acusou Bolsonaro de interferir na Polícia Federal para proteger a família e seus amigos. O inquérito sobre o caso tramita justamente no Supremo.

Nos bastidores, parlamentares afirmam que a entrada de Kássio no STF também tem como pano de fundo uma espécie de acordo para facilitar a reeleição de Davi Alcolumbre (DEM-AP) à presidência do Senado. A Constituição impede a recondução da cúpula do Congresso na mesma legislatura, mas há tempos Alcolumbre se movimenta, com apoio do Planalto, para derrubar essa proibição. Rodrigo Maia (DEM-RJ), por sua vez, diz que não será candidato novamente ao comando da Câmara, embora seus aliados apontem articulações nessa direção.

O racha no Centrão, aliás, está ligado a essa disputa, com a briga entre o DEM de Maia e o Progressistas, comandado por Ciro Nogueira, que tem o deputado Arthur Lira (AL) como candidato à presidência da Câmara.

A eleição que renovará ou manterá a cúpula da Câmara e do Senado será realizada em fevereiro de 2021 e há uma guerra de ações no Supremo sobre o caso. Até agora, a bola está com a Corte.

É aí que entra, mais uma vez, a indicação de Kássio. O Estadão apurou que a tendência é o novo ministro do STF votar pelo entendimento de que cabe ao Congresso autonomia para decidir esse assunto. O argumento é o mesmo usado pela Procuradoria-Geral da República: trata-se de questão “interna corporis”. Com mais esse voto do novo ministro, o Supremo teria maioria para dar tal veredicto, que, na prática, abre uma avenida para a recondução de Alcolumbre no Senado.

O tema da reeleição no Congresso precisaria, em tese, ser aprovado nas duas Casas Legislativas por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que já está em tramitação no Senado, mas dificilmente receberá sinal verde na Câmara. Sempre pode haver, porém, um projeto de resolução no meio do caminho, de novo com aval do Planalto, para resolver esse imbróglio.*

(*) Vera Rosa, Repórter especial em Brasília, Estadão

BEIJA-MÃO

Bolsonaro e Kassio Marques visitaram Gilmar Mendes, diz jornalista

A lenta tramitação dos pedidos de impedimento de Gilmar Mendes | Espaço  Vital

De acordo com Lauro Jardim, O Globo, Jair Bolsonaro e Kassio Marques, convidado para substituir Celso de Mello no STF, foram à casa de Gilmar Mendes ontem à noite.

Vamos lembrar que o ministro está com o pedido da defesa de Flávio Bolsonaro para que o senador tenha foro privilegiado.

Quem é mesmo o homem mais poderoso da República?*

(*) O Antagonista

ELE TEM MEDO DE QUÊ?

Bolsonaro assiste indiferente ao tiro que Michelle deu no próprio pé

Após novos detalhes do caso Queiroz, apelido 'Micheque' Bolsonaro ressurge  nas redes – #hashtag

O vídeo com a música “Micheque”, da banda de rock Detonautas, não parecia destinado a virar um campeão de audiência no Youtube quando ali foi postado no último dia 4.

De autoria de Tico Santa Cruz, vocalista da banda, a letra da música foi inspirada pela descoberta de que Fabrício Queiroz depositou 89 mil reais na conta de Michelle Bolsonaro.

Mas aí, na quinta-feira dia 25, a primeira-dama prestou queixa na Delegacia de Crimes Eletrônicos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), em São Paulo.

Ela quer que sejam processados por calúnia, injúria e difamação todos os que passaram a chamá-la de “Micheque” nas redes sociais, inclusive os roqueiros da banda. Resultado?

Foi um tiro no pé. Até a quinta-feira, a sátira dos Detonautas somava quase 700 mil visualizações. No início desta madrugada, ultrapassou a marca de 1 milhão e 330 mil. Um sucesso!

Não foi a música que colou em Michelle o apelido de “Micheque”. O apelido foi replicado quase 9 milhões de vezes no Facebook, Twitter e Instagram entre 22 de agosto e 21 de setembro.

A banda apenas surfou na onda e se deu bem. O que espanta é que ninguém no governo, nem mesmo o presidente Jair Bolsonaro, tenha aconselhado Michelle a não fazer o que fez.

A ira da primeira-dama é justa. Ela nada teve a ver com o dinheiro depositado em sua conta. Foi usada. Ao que tudo indica, o dinheiro era um negócio particular entre Queiroz e seu marido.

Bolsonaro poderia ter poupado a mulher do constrangimento a que se vê exposta. Por que não se apressou em esclarecer o motivo pelo qual Queiroz depositou 89 mil reais na conta dela?

Que tipo de vantagem política imagina extrair da iniciativa que teve Michelle de procurar a polícia? Por que insiste em permanecer calado? Está com medo do quê?*

(*) Ricardo Noblat – veja.com

MORTE ANUNCIADA

A capital de Alagoas afunda

MACEIÓ PINHEIRO AFUNDANDO - MANIFESTAÇÃO E Mutange, Bebedouro e Farol - YouTube

Está em curso outra tragédia ambiental provocada pela mineração. Parte da cidade de Maceió está afundando à média de 1,7 centímetro por mês em relação ao nível do mar, constatou o Serviço Geológico do Brasil. Porém esse desastre não é prioridade para o Ministério do Meio Ambiente, mais preocupado em atender ao lobby para abolir normas de proteção às lagoas, rios, praias e mangues.

Na sexta-feira, a prefeitura de Maceió decretou calamidade em quatro bairros. Eles abrigam cerca de 60 mil pessoas numa área com o dobro do tamanho de Copacabana, de frente para a Lagoa de Mundaú, cuja margem corre o risco de ser rebaixada. A desestabilização do solo começou a ser percebida há dois anos, com efeitos visíveis em centenas de imóveis de Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto.

A capital de Alagoas afunda, segundo o serviço geológico federal, por causa do progressivo desmoronamento das minas de sal-gema da Braskem. A empresa atribui a catástrofe a um “fenômeno”, mas abandonou a extração de sal-gema. Agora tenta tampar suas 35 cavernas de 200 metros, cavadas por quatro décadas 900 metros abaixo do solo urbano.

Controlada pelos grupos Odebrecht e Petrobras, a Braskem é uma das petroquímicas mais inovadoras na reciclagem de plásticos. Fatura R$ 52 bilhões por ano e tem oito mil empregados. Azeitou sua margem de lucro no Brasil, na última década, pagando suborno a líderes políticos para garantir matéria-prima a preços camaradas da acionista Petrobras. Repetiu a fórmula no México, onde o governo diz haver “vícios de origem” no contrato de compra de etanol da estatal Pemex.

Maceió será mais afetada se houver “colapso” das minas, advertem os geólogos. Investidores da Braskem nos EUA já anunciam ações judiciais, alegando que ela “minimizou a seriedade de suas responsabilidades”. O cenário é catastrófico, mas não mobiliza o erradio e histriônico ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente.*

(*) José Casado – O Globo

UMA MEDIDA NOVA, PEDALADA!

Medidas populistas terão custo alto para o País, diz ex-secretário do Tesouro

Para Mansueto Almeida, se não houver ajuste fiscal, a inflação vai voltar e o juro vai subir

 


O economista cearense Mansueto Almeida, ex-secretário do Tesouro Nacional, é um dos técnicos mais respeitados do País quando o que está em pauta é a questão fiscal. Em 15 de julho, depois de mais de vinte anos ocupando diferentes postos no serviço público, em Brasília, interrompidos apenas entre 2014 e 2016, quando pediu licença para atuar como consultor, ele deixou o governo para voltar à iniciativa privada. Vai se tornar sócio e economista-chefe do banco BTG Pactual, em São Paulo, assim que terminar a quarentena remunerada de seis meses imposta aos cargos mais altos do funcionalismo.

Em sua primeira entrevista desde a saída do Tesouro, Mansueto, que completa 53 anos nesta quarta-feira, 30, afirmou ao Estadão que todo mundo vai perder se as contas públicas saírem do trilho. “Se a gente esquecer o controle de gasto e aumentar a carga tributária, não vai crescer muito”, disse. “É um caminho que me assusta. Eu espero que a gente não vá por aí.”

Segundo ele, se o governo fizer alguma “tolice” do ponto de vista fiscal, a inflação vai voltar, os juros vão subir muito – não agora, em dois ou três meses, mas dentro de um ano a um ano e meio – e o País terá um problema muito sério para administrar mais à frente. “Se o debate político nos levar a adotar medidas populistas, já que os benefícios de curto prazo são maiores do que os danos, que vão aparecer aos poucos, o custo será muito alto”, afirma. “Os juros vão aumentar, a inflação vai voltar, os desequilíbrios setoriais vão se acentuar e o investimento vai cair.” (…) *

(*) José Fucs, O Estado de S.Paulo