BRAZIL, BRAZIL…

Desgastado, Guedes segue em busca de uma bandeira

Ministro permanece no posto apesar de violento chilique de Bolsonaro.
Ainda em campo. Paulo Guedes adora uma narrativa. O ministro da Economia parece sempre estar em busca de uma justificativa, para si, para o mercado, para os demais economistas e para o público interno, de por quê permanece num governo que já se desviou de sua agenda e não dá mais sinal de que vai voltar.

Levou cartão. Guedes levou um solavanco de Bolsonaro nesta terça-feira. Ficou atordoado, culpou a imprensa, disse que não levou cartão, mas sentiu o golpe. Ainda assim, vai ficando.

Adeus… Tudo começou ainda na segunda-feira, quando o secretário-executivo do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, deu entrevista em que disse que a pasta estudava desvincular aposentadorias e pensões do salário mínimo como forma de destravar o Orçamento e encontrar recursos para o Renda Brasil. Incêndio no governo.

… Renda Brasil. Bolsonaro reagiu com um chilique. Não numa reunião do presidente com seu ministro e o auxiliar, mas num vídeo postado nas redes sociais. Disse que não iria admitir crueldade com aposentados, pessoas com deficiência e paupérrimos, que aquilo era ideia de “alguém” da equipe econômica, e não do governo (como se fossem planetas à parte) e que se alguém insistisse naquilo levaria cartão vermelho. O piti ainda inclui não se falar nunca mais em Renda Brasil até o fim do governo. O presidente agora brinca de Vaca Amarela.


E agora, o que falar? Ato contínuo à implosão do Renda Brasil, Guedes passou a buscar a nova narrativa com que vai explicar, até para ele mesmo, por que ficar num governo em que é tratado com tamanha falta de respeito. Voltou à velha e boa “nova CPMF” (o ministro não gosta que chame assim o imposto sobre pagamentos que ele ameaça criar há mais de um ano, mas tampouco avança). Será que na hora do vamos ver, quando ficar claro que essa agenda contraria eleitores e parlamentares, Bolsonaro vai mandar Guedes para o banco?

Mais um tranco. Enquanto dava passa-moleque no ministro da Economia pelas redes socias, Bolsonaro era surpreendido com a união de representantes do agronegócio com ONGs ambientais para tentar ensinar seu governo como conter o desmatamento que ele, o vice Hamilton Mourão e o inacreditável ministro Ricardo Salles insistem em negar. Uma coalizão formada por nada menos que 230 empresas e entidades mandou ao governo um documento com seis propostas de como agir. O Pantanal, diga-se, segue queimando. Um vexame e um atestado de incompetência vindo do chamado mercado, que não permite blablablá ideológico com ranço dos anos 1970 para se contrapor a ele.

Só bola fora. Irritado com os dados negativos, um irritado Mourão culpou supostos adversários do governo no Inpe pela divulgação de dados negativos sobre desmatamento e queimadas. Os cientistas e servidores do instituto reagiram e reafirmaram os dados, baseados em imagens de satélites e em uma série histórica.


Dia da democracia. Como um lembrete de outra área em que Bolsonaro promove caos e destruição, esta terça foi o Dia da Democracia. Ex-presidentes e outras lideranças políticas da América do Sul assinaram um manifesto conjunto em defesa da democracia, das instituições, dos direitos civis e humanos e da preservação ambiental diante de recentes investidas e ameaças a todos esses pilares. O texto tem a assinatura de nomes como Fernando Henrique Cardoso, José Mujica, Ciro Gomes e Marina Silva.*

(*) Vera Magalhães – Estadão